quarta-feira, junho 26, 2013

O que houve depois do Dia do Basta?

A manifestação acriana pressionou os políticos? governador e prefeito responderam aos manifestantes? a tarifa do transporte será menor ou a caixa-preta do transporte coletivo será aberta?

Marcelo Hotimsky, um dos caras do MPL   


Os jovens acrianos estão muito bem organizados? se tiverem, como se organizam? o que pensam? o governador e o prefeito os receberam? os governantes recuaram? Aceitaram os apelos das ruas?

Em São Paulo, o Movimento do Passe Livre (MPL), com jovens unidos desde 2005, é uma organização política – e não partidária -, culta, bem articulada, fala com desenvoltura.

Em matéria do jornal O Globo, Marcelo Hotimsky, que representou o MPL diante da presidenta Dilma, soltou muito bem a voz após a reunião.

“A gente viu a Presidência completamente despreparada. Eles não mostraram nenhuma pauta completa para modificar a situação do transporte no país, que é de fato muito precária. Eles mostraram uma incapacidade muito grande de entender a pauta do momento, falaram que vão estudar e abriram este canal de diálogo”, disse o jovem Hotimsky.

Marcelo estuda filosofia na USP.


MPL

Nascida nos anos de 1990, essa garotada organiza o MPL de forma tão desconcertante que as velhas estruturas sindicais e partidárias só podem ser vistas pelo retrovisor.

Para início de conversa, não há líder, porque, da maneira como esses jovens se organizam, existe rotatividade constante.

Sua organização, horizontal, só decide conforme a voz do coletivo.

Não existem cargos. Para se ter uma ideia do detalhe organizacional, o MPL não tem carro de som, porque ninguém, na rua, deve estar acima dos outros. Não se discursa para “os de baixo”.


Zapatismo

Subcomandante Marcos
Muitos são alunos da USP, e o MPL, segundo O Globo, inspira-se no zapatismo do México. O subcomandante Marcos, um exemplo.

Intelectual da Universidade Autônoma do México, ele se embrenhou pela selva de Chiapas e, quando aparecia, seu rosto permanecia ocultado.

“Posso ser qualquer um de vocês”, dizia.

A intenção de se mascarar significa que um pode estar em todos os lugares.


Marcos é um gay em São Francisco, um negro na África, um asiático na Europa, um chicano em San Isidro, um anarquista na Espanha.   

“Nós somos fruto do movimento zapatista”, declarou Marcelo Hotimsky, jovem nascido em 1994 e, repito, aluno de filosofia da USP. “Podemos ser qualquer um de vocês”, repete a ideia do subcomandante.

Em 2007, Marcos recebeu no México esses jovens. 

O MPL, além de universitários, agrega trabalhadores da periferia, sendo ainda anticapitalista, apartidário, pacífico, autônomo e horizontal.


No Acre

Que organização juvenil existe para afirmar que o Dia do Basta foi uma vitória? Esse dia, talvez - e espero que seja engano meu -, não tenha passado de uma marola midiática e, com tal, sem força e sem insistência para desgastar o rochedo chamado governo estadual e prefeitura.

Não há no Acre organização de jovens para manter, ao longo do tempo, um movimento horizontal, apartidário, porque, na terra de minha filha, tudo é aparelhado pelo poder público, tudo não passa de uma dobra das estruturas de poder.

Posso estar enganado. Espero estar.




segunda-feira, junho 24, 2013

O Acre marchará ou murchará?

O ensino de matemática no Acre deve estar muito ruim, porque contaram que no dia 22 de junho 50 mil estiveram na manifestação do Dia do Basta. 

Esse número ocuparia a metade da av. Rio Branco, que acolheu 100 mil, ou quase todo o Sambódromo, onde cabem 60 mil. 

Espero que eu me engane, mas penso que esse Basta é mais uma consequência da onda midiática, tenho dúvida de que esses "50 mil" surfam por mais e mais dias. Tudo não passou de desabafo?

domingo, junho 23, 2013

Blogue Aberto ao Governador


Os meninos do PT envelheceram rápido.

Além de esquizofrênicos e de autistas, estão caducos.

 

Governador,


Certa vez, deixei, neste pouco lido blogue, que não votei no senhor para sua filha gastar dinheiro público com ligações telefônicas, muito menos com ligações do exterior. 

Se não fosse a revista Veja, os contribuintes estariam pagando a conta até hoje.

Mas tarde, na mesma revista, eu soube que o senhor foi um dos políticos que mais se enriqueceram com a política.

Recentemente, outra vez, ela, a revista Veja, agora para informar que o senhor é um “Mau Pastor” e que G-7 não tem nenhuma relação com os países mais ricos do mundo.

Governador, a que o senhor estava “amarrado” no Acre para se libertar em Sergipe? Além de praia, o que Sergipe tem que o Acre não tem? Especifique, por favor, esse “amarrado”.


Governador, e as falas de Narciso registradas nas provas da Polícia Federal? Não é a voz dele? Sendo, que relação íntima é essa entre o senhor e ele? Digo íntima no sentido de informalidade anti-institucional.

Pergunto em vão, porque o senhor jamais responderá a um insignificante como eu, a um blogue só lido por minha mãe.

Não quero me alongar. 

Na condição de médico, o senhor deveria levar seu partido ao hospital o mais rápido possível, ele possui uma doença degenerativa que o fez envelhecer muito rápido. 

Além de caduco precoce, o PT sofre ainda de esquizofrenia, ou seja, não sabe distinguir o real do irreal. Delira com suas propagandas e não fala coisa com coisa.


Não só esquizofrênico, mas também autista. Os santos do PT não veem os outros, não dialoga com os contribuintes por meio, por exemplo, do Orçamento Participativo e de Conselhos Populares.


Para piorar, o partido ainda acolhe PeTralhas.

Governador, existe alguma saída? Não me refiro às ruas, porque elas estão ocupadas, mas se existe saída para novas relações com o povo.

Sugiro algumas:


1. A Assembleia Legislativa do Acre não pode ser uma caixa-preta, ela precisa expor todo tipo de gasto para que o contribuinte saiba se ele é justo;

2. O orçamento do estado não pertence a seu grupo político, por isso deve administrar o erário com o povo e para o povo;

3. Assim como a Dilma, faça um pacto governamental para que a prioridade das prioridades seja executada o mais rápido possível;

4. Faça reformas estruturais em seu governo;

5. Institucionalize em seu estado uma agenda cultural para que circule no Acre, por exemplo, o teatro nacional. Faça com que as ótimas peças de teatro deste país passem por Rio Branco e Cruzeiro do Sul;

6. Leve às escolas públicas acrianas teatros profissionais de outros estados;

7. Construa nas escolas públicas ótimos espaços de cinema para que jovens assistam a ótimos filmes e que esses filmes estejam no currículo de Literatura, de História, de Sociologia, de Filosofia;

8. Transforme o atual modelo de gestão escolar porque ele é ineficaz e corrupto;

9. Diminua os gastos com propagandas ineficazes e burras para que esse dinheiro vá para setores prioritários da sociedade;

10. Leia Baruch Espinosa;

11. Deixe de agir de forma cartesiana;

12. Atrás das câmeras, seja humilde;

13. Se for capaz, reinvente o PT e vá à missa para que Deus lhe dê paz, sem esquecer a máxima grega: “queres paz, prepara-te para a guerra!”, no caso, de ideias nas ruas.

quinta-feira, junho 20, 2013

Prazer, sou Guy Fawkes



Nome(s) alternativo(s):Guido Fawkes, John Johnson
Movimento:Conspiração da pólvora
Guy Fawkes (Iorque13 de abril de 1570 — Londres31 de janeiro de 1606), também conhecido como Guido Fawkes, foi um soldado inglês católico que teve participação na "Conspiração da pólvora" (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e todos os membros doparlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o Parlamento do Reino Unido durante a sessão.
Guy Fawkes night
(noite das fogueiras, Londres, 2007).
Porém a conspiração foi desarmada e após o seu interrogatório e tortura, Guy Fawkes foi condenado a execução na forca por traição e tentativa de assassinato. Outros participantes da conspiração acabaram tendo o mesmo destino. Sua captura é celebrada até os dias atuais no dia 5 de novembro, na "Noite das Fogueiras" (Bonfire Night).
Guy Fawkes nasceu na cidade de Iorque, e se converteu ao Catolicismo aos dezesseis anos. Como soldado era especialista emexplosivos. Por ser simpatizante dos espanhóis católicos, adotou também a versãoespanhola de seu nome francêsGuido.

Conspiração da Pólvora[editar]

A Conspiração da Pólvora foi um levante liderado por Robert Catesby, que foi executado, assim como outros católicos insatisfeitos, pela repressão empreendida pelo rei protestante Jaime I aos direitos politicos dos católicos por causa de suas atividades subversivas contra a coroa, e para restaurar o poder temporal da igreja católica.
O objetivo deles era explodir o parlamento inglês utilizando trinta e seis barris de pólvora estocados sob o prédio durante uma sessão na qual estaria presente o rei e todos os parlamentares. Guy Fawkes, como especialista em explosivos, seria responsável pela detonação da pólvora.
Porém os conspiradores notaram que o ato poderia levar à morte de diversos inocentes e defensores da causa católica, portanto enviaram avisos para que alguns deles mantivessem distância do parlamento no dia do ataque. Para infelicidade dos conspiradores, um dos avisos chegou aos ouvidos do rei, o qual ordenou uma revista no prédio do parlamento. Assim acabaram encontrando Guy Fawkes guardando a pólvora.
Durante sua captura e interrogação, Fawkes permaneceu resoluto e desafiante, se identificando como "John Johnson" e se negando a fornecer informações aos seus captores. Quando lhe perguntaram o motivo de estar em posse de tanta pólvora, lhes respondeu que a pólvora era "para explodir todos vocês desgraçados bêbados de scotch de volta para as montanhas sujas de onde vieram". Fawkes admitiu sua intenção de explodir o parlamento e lamentou seu fracasso. Sua coragem acabou rendendo certa admiração do Rei James, que o descreveu como "um homem de resolução romana".
Essa admiração não evitou que o Rei ordenasse sua tortura "de maneira progressiva e planejada". Para a surpresa do torturador William Waad, Fawkes inicialmente resistiu aos tormentos infligidos e não forneceu informações significativas além de declarar "que rezava todo dia a Deus para o avanço da fé Católica e a salvação de sua alma podre".
Após mais de uma semana de tortura, Fawkes cedeu e entregou o nome de oito conspiradores. Sua assinatura de confissão, que era pouco mais de um risco ilegível, é indicio do sofrimento ao qual deve ter sido submetido.
Fawkes e os demais conspiradores foram condenados à morte por decapitação e depois serem estripados e esquartejados. Em um último ato de desafio antes de ser conduzido ao local de execução, Fawkes conseguiu se desvencilhar dos guardas e pular de uma escada, quebrando o pescoço e evitando assim a tortura. Seu corpo foi esquartejado e exposto publicamente junto com o dos outros conspiradores.
Ainda nos dias de hoje o rei ou rainha vai até o parlamento apenas uma vez ao ano para uma sessão especial, sendo mantida a tradição de se revistar os subterrâneos do prédio, antes da sessão.
Uma tradição sardônica dá a Fawkes o título de ser "o único homem que entrou no parlamento com intenções honestas".
Na Inglaterra até hoje existe a tradição de celebrar no dia 5 de novembro a Noite das Fogueiras. Nesta noite bonecos com a imagem de Fawkes são desfilados na rua, agredidos, despedaçados e por fim queimados.
Uma rima tradicional foi criada em alusão à Conspiração da Pólvora:
"Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot."
Tradução livre:
"Lembrai, lembrai, o cinco de novembro

A pólvora, a traição e o ardil;
por isso não vejo porque esquecer;
uma traição de pólvora tão vil"

Há mais versos que se seguem a estes, dos quais alguns costumam não ser mais usados por serem ofensivos.

Outra tradução livre:
"Me lembro, me lembro, do cinco de novembro;

Do atentado e da pólvora, se deve saber;
E não vejo razão, para que tal traição;
Um dia se venha a esquecer."


Prisão de Guy Fawkes

Após mais de uma semana sendo torturado, Guy Fawkes assina um documento em que confessava sua conspiração

Influências[editar]

Manifestantes do grupo Anonymousutilizando máscaras de Guy Fawkes no modelo apresentado na série V de Vingança.
Frequentemente Fawkes é referido com o título irônico de ser "o único homem que entrou no parlamento com intenções honestas". Sua imagem acabou se tornando um símbolo de rebelião e até da anarquia, apesar dele ter lutado por uma causa considerada católica e defesa do direito monárquico dos Stuart sobre o trono Britânico.
graphic novel V de Vingança, com roteiro de Alan Moore e arte de David Lloyd, possui influências da "Conspiração da Pólvora". Um personagem que utiliza o codinome V e que utiliza uma máscara inspirada no rosto de Guy Fawkes, tenta promover uma revolução na Inglaterra fictícia (década de 1990) onde é ambientada a graphic novel. A explosão do parlamento inglês também era objetivada, buscando-se concretizar, de certa forma, os planos da conspiração da pólvora.
Outra influência é encontrada em pelo menos dois dos livros da saga Harry Potter: em Harry Potter e a Pedra Filosofal, no primeiro capítulo, a história é explicitamente citada quando dois locutores de televisão, ao anunciarem uma chuva de estrelas observada anormalmente no céu, atribuem a sua origem a uma provável comemoração antecipada da Noite das Fogueiras; e em Harry Potter e a Câmara Secreta, no capitulo doze, uma fênix é chamada de Fawkes, tentando traçar um paralelo entre o mito da fênix que, após morrer renasce das suas próprias cinzas, e a necessidade do renascimento social, cultural e político em Inglaterra, concretizável caso a revolução fosse adiante.
Na série de manga e Anime "One Piece", existe um personagem cujo nome é Dracule Mihawk, usualmente chamado de "Olhos de falcão". Fica muito claro que este personagem é uma homenagem direta de Eiichiro Oda(criador da série) ao Guy Fawkes, isso pode ser facilmente explicitado observando-se o nome e a fisionomia do personagem criado pelo Mangaka.
No vídeo-jogo Fallout 3, um dos personagens utiliza o nome Fawkes. Quando questionado sobre o porquê da escolha do nome, responde que era o nome de alguém "...que lutou e morreu por aquilo em que acreditava."

Ver também[editar]

Commons
Commons possui multimídias sobreGuy Fawkes
Wikiquote
Wikiquote possui citações de ou sobre: Guy Fawkes

Primavera Acriana, dia 22

 

Balanço das manifestações


Estamos de saco cheio

20/06/2013 - 03h30

Exaustão

BRASÍLIA - Condenados pelo Supremo têm mandato de deputado e, não bastasse, viram membros da Comissão de Constituição e Justiça.

Um pastor de viés racista e homofóbico assume nada mais, nada menos que a presidência da Comissão de Direitos Humanos na Câmara.

Um político que saíra da presidência do Senado pela porta dos fundos volta pela da frente e se instala solenemente na mesma cadeira da qual havia sido destronado.

O arauto da moralidade no Senado nada mais era do que abridor de portas de um bicheiro famoso. E o Ministério Público, terror dos corruptos, é ameaçado pelo Congresso de perder o papel de investigação.

A chefe de gabinete da Presidência em SP usa o cargo e as ligações a seu bel-prazer, enquanto a ex-braço direito da Casa Civil, afastada por suspeita de tráfico de influência, monta uma casa bacana para fazer, possivelmente... tráfico de influência.

Um popular ex-presidente da República viaja em jatos de grandes empreiteiras, intermediando negócios com ditaduras sangrentas e corruptas.

Um ex-ministro demitido não apenas em um, mas em dois governos, tem voz em reuniões estratégicas do ex e da atual presidente, que "aceitaram seu pedido de demissão".

Ministros que foram "faxinados" agora nomeiam novos ministros e até o vice de um governador tucano vira ministro da presidente petista.

Na principal capital do país, incendeiam-se dentistas, mata-se à toa. Na cidade maravilhosa, os estupros são uma rotina macabra.

Enquanto isso, os juros voltam a subir, impostos, tarifas e preços de alimentos estão de amargar. E os serviços continuam péssimos.

É por essas e outras que a irritação popular explode sem líderes, partidos, organicidade. Graças à internet e à exaustão pelo que está aí.

A primeira batalha foi ganha com o recuo dos governos do PT, do PSDB e do PMDB no preço das passagens. Mas, claro, a guerra continua.
eliane cantanhêde
Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal "Globonews em Pauta" e da Rádio Metrópole da Bahia.

terça-feira, junho 18, 2013

Faltou tbm o Acre

Mais um texto para o pt ACRIANO

18/06/2013 - 03h00

A vaia saiu às ruas

Aviso ao leitor: esta é apenas uma primeira aproximação ao que está acontecendo no Brasil. Sou obrigada a concordar com Ângela Randolpho Paiva, do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, que admitiu honestamente à GloboNews: "Estamos atordoados".

Com razão. O Brasil não é um país de sair à rua, salvo em Mundiais. Que saia agora, em massa, ainda por cima para protestar também contra as obras da Copa, é de atordoar qualquer um.
Mas jornal circula todos os dias, e não consigo silenciar à espera de recolher os elementos indispensáveis a uma análise mais aprofundada. É preciso pincelar algumas ideias, apesar de os protestos do dia estarem apenas começando, por imposição dos horários de fechamento.

O que já está evidente é que a vaia ouvida no sábado no estádio Mané Garrincha saiu às ruas. Não adianta o petismo e a mídia chapa-branca tentarem dizer que a vaia partiu da elite, única em condições de pagar o preço abusivo dos ingressos.

Nas ruas do Rio ontem, havia uma vaia clara, na forma de uma faixa: "Fora Dilma/Fora Cabral".
Tanto o Rio quanto Brasília, é sempre bom lembrar, são praças fortes do lulismo. Que apareça um cartaz como esse, ainda que isolado, é eloquente do estado de insatisfação de uma parcela importante do público.

Mas é fundamental ter em conta duas coisas:


1 - Dilma não é o alvo isolado dos protestos. Nem sei se é o alvo principal. Mas é alvo.
Alvos também são os políticos em geral, de que dá prova a concentração em Brasília diante do Congresso Nacional. O volume de público no Rio, governado pelo PMDB, e em São Paulo, governado pelo PSDB, demonstra que a classe política brasileira está fracassando na sua missão de representar o público, pelo menos o público mobilizado.

A massa no Rio era, aliás, impressionante; desde as Diretas Já, não se via algo parecido.

2 - Há uma aparente contradição, de todo modo, entre a aprovação popular dos governos Dilma e Alckmin, aferida em pesquisas recentes, e o volume e a permanência dos protestos. Haveria uma maioria silenciosa? Talvez, mas o fato de que 55% dos consultados pelo Datafolha digam que aprovam os protestos é um forte chamado de atenção.

Por fim, sobre o que querem os manifestantes, já muito além do passe livre, quem parece ter razão é Juan Arias, o excelente correspondente de "El País": "Querem, por exemplo, serviços públicos de primeiro mundo; querem uma escola que, além de acolhê-los, lhes ensine com qualidade, o que não existe; querem uma universidade que não seja politizada, ideologizada ou burocrática. Querem que ela seja moderna, viva, que os prepare para o trabalho futuro".

Mais: "Querem hospitais com dignidade, sem meses de espera, onde sejam tratados como seres humanos, e querem, sobretudo, o que ainda lhes falta politicamente: uma democracia mais madura, em que a polícia não atue como na ditadura".

"Querem um Brasil melhor. Nada mais."

Como dizia a faixa que abria a passeata no Rio: "Não é por centavos; é por direitos".
Clóvis Rossi
Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial daFolha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às terças, quintas e domingos no caderno "Mundo". É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo" e "O Que é Jornalismo". Escreve às terças, quintas e domingos na versão impressa do caderno "Mundo" e às sextas no site.

segunda-feira, junho 17, 2013

Desenvilvimento e educação

ENTREVISTA DA 2ª ALEXANDRE RANDS
Educação explica 100% da desigualdade de renda
Economista diz que país erra ao não priorizar educação e que investimento atual mantém diferenças regionais
ÉRICA FRAGADE SÃO PAULO
"Estamos gastando muito ainda com políticas que não são adequadas, com financiamentos para investimento de empresa, subsidiando crédito, o que não é necessário. Você não tem política para mudança agressiva de desequilíbrios regionais.

"Como gastos em educação têm escala, quando você gasta menos nas regiões mais pobres, tem um impacto menor. Quando termina a escola no Nordeste, o aluno sai com a capacidade não muito superior a 50% da capacidade do estudante do Sudeste. Talvez pior do que isso.

Atrasos educacionais explicam 100% das desigualdades de renda entre diferentes regiões do Brasil.
A conclusão é do economista Alexandre Rands, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, que tem uma vasta produção acadêmica sobre esse tema.

Seu diagnóstico, se correto, significa que o país investe em políticas equivocadas há décadas.
Segundo Rands, foi o caso de incentivos para o desenvolvimento da indústria de regiões mais pobres e continua sendo o caso de subsídios públicos a setores empresariais específicos.

Ele argumenta que no mercado de capital físico o investimento funciona de forma razoavelmente eficiente.

O mesmo não vale para o setor de capital humano. "Famílias em que os pais têm maior capital humano tendem a ter mais recursos para investir na educação dos filhos", afirma.
Por isso, as desigualdades educacionais tendem a se perpetuar se não houver interferência do governo.

Apesar de melhoras, com políticas que tentam compensar a baixa capacidade de investimento das regiões mais pobres, os avanços do Brasil nessa área têm sido insuficientes, diz Rands.
-
Folha - De onde vêm as desigualdades regionais?
Alexandre Rands - Existem teorias diferentes. O meu entendimento hoje, com base nos estudos que tenho visto para alguns países, como os EUA, e nos meus próprios estudos para o Brasil, é que é possível explicar 100% das desigualdades só pelas diferenças em capital humano. Se você corrigir o nível médio de instrução da região Nordeste em relação à região Sudeste, você corrigirá a desigualdade entre essas regiões.
Mas a desigualdade de renda caiu no país, certo?
Você vê uma certa melhora da participação do Nordeste. Nossa estimativa é que hoje o PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Nordeste deve estar perto de 50% da média nacional. Há cinco anos, era 45%. Então, melhorou, mas a desigualdade ainda é muito elevada.
A remuneração por mão de obra qualificada continua sendo muito alta no país. Portanto, as regiões em que há gente com menos qualificação continuam com renda per capita muito mais baixa.
Investimentos em educação seriam a solução para reduzir a desigualdade?
Sim, essas são as políticas fundamentais para você eliminar as desigualdades regionais. Você precisa mudar o nível médio de educação --considerando qualidade e quantidade da educação-- nos municípios.
Então o Brasil passou décadas indo na direção errada, investindo, por exemplo, em políticas de industrialização e desenvolvimento regional?
Totalmente errada, porque partimos dos pressupostos equivocados. Colocando de forma bem simples, há na economia quatro fatores de produção: capital físico, capital humano, trabalho e recursos naturais.
Toda a nossa política supôs que os mercados para capital humano, trabalho e recursos naturais funcionavam razoavelmente bem e que o problema estava no mercado para capital físico.
Então, você teria que subsidiar o capital físico nas regiões mais pobres para poder aumentar sua rentabilidade e atrair mais investimentos. Essa é a base da tese de Celso Furtado, na qual se baseou a política regional brasileira.
Se eu estiver certo, essa lógica está equivocada. Os mercados para capital físico, trabalho e recursos naturais funcionam razoavelmente bem. O que não funciona é o capital humano. É aí que precisamos ter investimentos públicos. Se tivéssemos feito isso na década de 60, hoje teríamos um país altamente equilibrado regionalmente.
Continuamos com as políticas erradas atualmente?
Estamos longe ainda. Estamos gastando muito ainda com políticas que não são adequadas, com financiamentos para investimento de empresa, subsidiando crédito, o que não é necessário.
E hoje a nossa principal política para combater a desigualdade é por meio de transferência de renda para os mais pobres, o Bolsa Família. Este é um programa que tem mesmo de existir, mas você não tem uma política para mudança agressiva dos desequilíbrios regionais.
Os gastos com educação nas regiões mais pobres ainda são muito inferiores aos no Sudeste. Ou seja, ainda estamos reproduzindo as desigualdades regionais.
Mas o Brasil está corrigindo as desigualdades?
O que a gente corrige hoje é praticamente nada. Como os gastos em educação têm escala, quando gasta menos nas regiões mais pobres, você tem um impacto menor.
Quando termina a escola no Nordeste, o aluno sai com capacidade não muito superior a 50% da capacidade do estudante do Sudeste. Talvez até pior do que isso.
Como as escolas aqui [no Nordeste] são muito ruins, então a qualidade do aluno que sai é muito ruim.
A existência de desigualdade de renda em um país é necessariamente ruim?
A desigualdade de oportunidades entre indivíduos é problemática. É o caso de indivíduos que, por seus atributos pessoais, teriam condição de prosperar muito e não o fazem por falta de oportunidades.
Aí, há desperdício de potenciais talentos no país.
Agora, a desigualdade de renda que ocorre depois de você ter dado oportunidade igual aos indivíduos não é prejudicial.
Que países são exemplos de cada caso?
Nos EUA, boa parte da população branca tem nível de oportunidade de se aprimorar e de chegar no mercado com potencial de renda alta semelhante ao que ocorre na Suécia, por exemplo.
Só que o mercado de trabalho na Suécia equaliza rendas, tem sistema de impostos e possibilidades de carreira nas empresas que travam muito a geração de desigualdade a partir daí.
Nos EUA, isso não ocorre. A economia americana promove a remuneração por trabalho adicional. É um mercado mais livre. Essa desigualdade americana é favorável a partir desse ponto.
Por que é favorável?
Porque leva a um maior esforço por parte das pessoas. Mas essa característica dos EUA só vale para os brancos. Se você considerar os negros e os latinos, até os 20 anos, você já gerou uma desigualdade brutal, que na Suécia não existe.
Essa desigualdade até os 20 anos é ruim porque desperdiça muito talento potencial, prejudicando o crescimento da economia.
Em qual desses contextos, a desigualdade brasileira se encaixa?
O Brasil tem muita desigualdade, maior do que a americana até os 20 anos, de qualificação. E, depois dos 20 anos, temos uma economia razoavelmente livre, semelhante à americana.
Investimentos em educação tiveram papel crucial na Coreia do Sul, onde a renda per capita deu um salto?
Lá mais do que tudo foi capital humano. Há mais estudantes na Coreia do Sul indo para a universidade do que nos EUA. A Coreia chegou a ter uma situação que não ocorreu nem nos EUA, em que escolas públicas são melhores do que as privadas.