1. Oportunizar - Não há esse verbo no dicionário Houaiss. Não há esse verbo no dicionário Aurélio. Não há esse verbo no livro Regência Verbal, de Celso Pedro Luft. Como estamos na floresta, existem fadas, gnomos e oportunizar.
quinta-feira, junho 14, 2007
Ronda Gramatical - "Oportunizar"
1. Oportunizar - Não há esse verbo no dicionário Houaiss. Não há esse verbo no dicionário Aurélio. Não há esse verbo no livro Regência Verbal, de Celso Pedro Luft. Como estamos na floresta, existem fadas, gnomos e oportunizar.
O outro homem procurava em seu lixo. "Não mexa em meu lixo, saia daí". "Eu arrumo, quando eu acabar de catar em seu lixo, eu deixo tudo arrumado." "Não, deixe isso aí".
A porta aberta. Não entrei. "Deixe o homem, é um miserável, não está fazendo mal a ninguém", eu disse.
O lixo foi arrumado. O homem da bela casa entrou. Fechei a porta e fui ao encontro do homem que mexeu e arrumou o lixo.
José Alves.
Sua idade.
26 anos.
Ele não concluiu a 4a série. Muito falador, esse rapaz fedia muito e catava comida no lixo de alguém que não queria que ele mexesse no lixo. Na foto, à direita dele, restos.
Eu poderia ter ignorado sua vida, porque ele não pode dar nada em troca. Pior: ele não existe. José não tem vida.
Por que o senhor está falando comigo?, perguntou o rapaz
Porque você me incomodou. Seu resto de comida, catada no lixo, me incomodou.
Em final de mês, a comida é menor. Na geladeira, pouco. Peguei uma caixa de leite, duas laranjas e pão de forma.
Tome.
Obrigado, que Deus lhe dê sempre mais.
"Deus está morto". Os homens O mataram com suas palavras no Poder Legislativo, nas igrejas. A miséria desses homens é maior que a sua.
Não posso sempre lhe dar comida, mas, quando a necessidade apertar, não vá à Assembléia Legislativa do Acre, porque o povo é uma idéia abstrata, genérica lá. O Cristo na cruz só ornamenta o espaço.
Pode ir a meu quitinete. Eu, tendo, darei um pouco de alimento a ti. Não poderei dar sempre.
Como é fácil ignorar o semelhante. Semelhante!?!?!? Deputados, por exemplo, não se assemelham a José Alves. Igrejas, idem.
Por que não ignorei José? Foram duas laranjas, um pacote de leite, pão de forma. Por que não o ignorei? A indiferença é tão elegante, soberba, inflexível. Deveria ter tomado conta de minha vida.
Blog não sensibiliza.
Respondendo a dois bloguistas
Estou afim de escrever um texto sobre a ruim minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes e a ótima minissérie Pedra do Reino.
Marcos Afonso
Grande pessoa humana, meu correio eletrônico é lingua.portuguesa@uol.com.br Mande sua carta. Um abraço em teu destino.
quarta-feira, junho 13, 2007
Ronda Escolar
Neste blog, quando eu for informado, publicarei algo sobre o que ocorre em escolas públicas e privadas. É a Ronda Escolar.
"Carro bate contra o poste" sai em jornal. Neste blog, escola importa mais que carro contra o poste.
Na escola Heloísa Mourão Marques, o professor Gleidson leciona Matemática. Pessoa séria, ética, até hoje não existe algo que o coloque em descrédito.
Em sala de aula, uma aluna, a Jéssica, segundo ano E, manhã, disse-lhe "vai tomar no..., seu filho da...". O que fazer?
O fato ocorreu em 30 de maio e, desde então, ela não entra em sala até que os responsáveis compareçam à escola. O professor não permitiu que ela fizesse prova, porque os pais não compareceram.
Bem, a professora-gestora Lúcia autorizou que ela entrasse em sala para prestar exame. O professor não permitiu.
Quem tem razão?
Drummond

Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
terça-feira, junho 12, 2007
Esta é antiga
Regra 1 - A vida não é fácil. Acostume-se com isso;
Regra 2 - O mundo não está preocupado com sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele antes de sentir-se bem com você mesmo;
Regra 3- Você não ganhará R$ 20 mil por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e com telefone à disposição, antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone;
Regra 4 - Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você;
Regra 5 - Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade;
Regra 6 - Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.
Regra 8 - Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas, você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA!!! Faça certo da primeira vez!
Regra 9 - A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.
Regra 10 - Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.
Regra 11 - Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles.
O óbvio
1. Parte de um texto jornalístico. Além disso, repórteres escrevinham "no mês de julho", "no ano de 2007", "no dia 27 de março", "às 17 horas da tarde".
Reunião em Escola Pública
Mais uma reunião na escola Heloísa Mourão Marques. A liberdade na escola pública nos aprisiona em reuniões que não melhoram o índice da escola no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Quais são as metas para a qualidade de ensino?
Nessa reunião, falamos sobre o que falamos há meses, há anos. Na pauta, "o professor deverá estar atento à troca de horário para minimizar passeios dos alunos nos corredores." Mais uma reunião sobre isso. Mais uma.
A pergunta é: por que a professora-gestora Lúcia, até o momento, não solucionou esse problema? Não entendo o porquê de em sua gestão não ter resolvido problema de alunos no corredor e o problema de horário. A atual gestora encontra-se na escola há mais de dois anos.
Mais uma reunião para se falar sobre horário. Mais uma.
No limite
Nessa reunião, coloquei que a atual gestão precisa estabelecer metas e cumpri-las. O que faremos, por exemplo, sobre a Redação para o Enem e para o vestibular? Quais são as metas da gestão da professora Lúcia?
Diretor não cumpre metas? A Secretaria de Educação não exige metas?
Em todas as reuniões, baterei na mesma tecla: RedaçãoRedaçãoRedaçãoRedaçãoRedação. A escola precisa ter um Projeto Político Pedagógico, também, para a Redação. Quais são as metas?
segunda-feira, junho 11, 2007
Acesso à pornografia

Como na escola a palavra encontra-se enferma, restou a ela o objeto, porque, uma vez doente a palavra, a camisinha cumpre sua função orgânica. Segundo essa função, sexo não pertence à alma, mas tão-somente à carne.
A Literatura na escola poderia ser outra. Ela poderia refletir sobre o Amor com outras disciplinas, porque o Amor precisa ser protegido contra o câncer da vulgaridade. A Literatura - e não a camisinha - cumpriria seu destino ético e estético contra esse mal.
Na escola Helóisa Mourão Marques, distribuí a 55 alunos um questionário sobre pornografia. O resultado me espantou. Repare.
19 têm acesso à pornografia: 17 assistem a filmes pornôs por meio de DVD.
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20 meninos de 14 a 17 anos
17 têm acesso à pornografia: 16 assistem a filmes pornôs por meio de DVD.
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55 alunos ao todo
36 têm acesso à pornografia.
A escola pública não realiza pesquisa. Se realizasse, conteúdos de disciplinas poderiam ser destinados a essa demanda. Um exemplo.
O professor de Literatura do ensino médio ainda concebe o Realismo e o Naturalismo segundo esqueminhas de livros didáticos. No entanto, em uma pequena amostragem com 55 alunos, 36 assistem a filmes pornográficos e, por meio deles, deformam as relações humanas.
Enquanto isso, na escola, a Literatura permanece indiferente a uma concepção de corpo segundo o Naturalismo. Não há crítica por meio de conceitos muito bem fundamentados.
Como saída, ou melhor, como não há saída, a camisinha reforça o ideal naturalista na escola. Os professores precisam perder sua inocência sobre a Literatura. Encará-la como texto que se opõe à cultura de massa torna-se essencial.
A Pedra do Reino
Obra clássica de Ariano Suassuna,
"A Pedra do Reino" ganha versão para a TV, que estréia na terça-feira
ESTHER HAMBURGER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A minissérie "A Pedra do Reino", adaptada do romance homônimo de Ariano Suassuna, com direção de Luiz Fernando Carvalho, que estréia na terça, é um épico que se desdobra em vários níveis.
Com traços autobiográficos, o texto conta a história de d. Pedro Dinis Quaderna, protagonista e narrador tragicômico da história de um reino mítico, alegoria de um certo Brasil, com sede no grandioso sertão do Cariri.
O narrador é obcecado pela retomada da coroa de seus ancestrais, disputada em lutas de sangue. Mas almeja também a glória da academia, capaz de elevar um autor genial à condição imortal.
A árdua tarefa de condensar o romance colossal, pleno de referências à história do Brasil mas também ao universo mítico das narrativas medievais, ganhou vida por meio de uma produção, filmada com uma câmera só, em super 16 mm, que reúne a Globo e a independente Academia de Cinema.
O espírito épico do romance foi transposto para a própria produção, feita em locação no sertão da Paraíba. Cerca de cem pessoas, entre atores, artistas e artesãos nordestinos e uma reduzida equipe de profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo, conviveram durante três meses na pacata Taperoá.
O resultado dessa intensa vivência é um híbrido, em tom operístico, composto de cinema, televisão, circo e teatro.Interlocução múltiplaA textura do trabalho resulta da troca de repertórios entre artistas e artesãos locais e profissionais da cidade grande.
Essa interlocução múltipla, sob o calor ardente do sertão nordestino, transpira e dá força ao produto final.A complexa interação provocou uma profusão de emoções fortes que se transferem à tela.
O paraense Cacá Carvalho faz um magnífico juiz corregedor, que domina a cena a partir do terceiro capítulo. Luís Carlos Vasconcelos encarna um terrível Arésio, o revoltado filho do padrinho de Quaderna. Ambos montaram seus espetáculos teatrais em Taperoá durante a preparação das filmagens.
Irandhir Santos, em sua estréia, brilha na pele do protagonista desengonçado, misto de doido e palhaço, como velho errante contador de histórias e como jovem cativo em busca de um reino encantado.Adornos hiperbólicos enfeitaram as fachadas, as roupas, os cenários.
A interpretação carregada dos atores ajuda a adensar ambientes já sobrecarregados de detalhes, produzindo atmosferas plásticas saturadas de significado.Sem didatismoOs figurinos vestem os personagens com detalhes de artesanato personalizado.
Os cavalos-bonecos se inspiram em cada personagem (o do herói Sinésio é branco). A narrativa não-linear flui com graça e ironia por meio das aventuras de nossos sertanejos em uma caçada na direção da monumental Pedra do Reino.
A paisagem seca do sertão recebe bem bichos de lata. Não há concessões ao didatismo ou ao melodrama. Por vezes temos dificuldades de identificar os personagens. Nem sempre as sutilezas são perceptíveis em uma primeira olhada.
A trilha sonora de Marco Antônio Guimarães, compositor do grupo Uakti, ajuda a conferir um tom cigano e mambembe que combina com o mistério enevoado da série."A Pedra do Reino" é o primeiro trabalho do projeto "Quadrante", que pretende viajar pelo Brasil a realizar adaptações literárias ambientadas em diferentes paisagens, sempre com a participação de artistas locais.
O projeto, a um só tempo de formação e de criação, como o circo-teatro que o inspira, busca agitar as regiões por onde passa. Promete ainda empolgar profissionais cansados da rotina pouco estimulante das produções ordinárias.
Suassuna criou um novo final para a minissérie, que valoriza o teor reflexivo das artimanhas de nosso personagem. PontodeFuga
O colunista Jorge Coli está em férias
sábado, junho 09, 2007
Conforto
Em Rio Branco, onde nós temos uma das melhores frotas de ônibus do Brasil, os empresários, preocupados com o conforto dos passageiros, do trocador e do motorista, colocará na capital do Acre o ônibus-corno.
Haverá ar-condicionado e os bancos serão reclináveis. A passagem será mais barata: R$ 1,1.
Outra novidade, a campainha. Quando o passageiro puxar a corda, ouvirá o mugido de um boi.
Ronda Gramatical
1. Papôco - O Página 20 publicou "Papôco". Paroxítona terminda em "o" não é acentuada. O repórter deveria saber que 1 + 1= 2.
Ronda Gramatical
1. trairagem - Esse termo inexiste nos dicionários Houaiss e Aurélio.
2. , embora - Quando a oração subordinada encontra-se na ordem sintática direta, ou seja, surge após a oração principal, não há vírgula. Nesse casso, segundo a organização sintática, não há vírgula antes de embora.
sexta-feira, junho 08, 2007
Ronda Gramatical
1. Pode contar (com)
"O setor público de saúde do Acre ganhou ontem uma das mais importantes unidades com que um sistema pode contar."
Domínio público
Mario Quintana (1906-1994)


Podem falar da violência de minha cidade - e há muita -, mas o Rio não se reduz a isso. Cultura. O Rio de Janeiro transborda cultura, por exemplo, na rua, ela: poesia.
"Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia."
Cerca de 40 textos do escritor gaúcho foram selecionados para o projeto Leitura em Trânsito. Os ônibus, os táxis do bairro e os tradicionais bondinhos vão ganhar 700 cartões impressos com a obra do poeta. A idéia do projeto é valorizar ainda mais o passeio pelas ruas bucólicas do bairro, oferecendo aos moradores e visitantes acesso à literatura brasileira.
A escolha de Mário Quintana para abertura do Leitura em Trânsito é uma homenagem ao centenário do escritor, comemorado no ano passado. A cada três meses, os cartões serão substituídos por outros com textos de autores diferentes.
O evento está sendo organizado pelo Centro Educacional Anísio Teixeira, o CEAT, instituição instalada em Santa Teresa há mais de trinta anos.
quarta-feira, junho 06, 2007
Aviso ao senador Geraldinho (PMDB-AC)
TudO pelA coiSa púBliCa

Até hoje, essa democracia não votou a favor de uma qualificação radical no ensino, por exemplo, de Língua Portuguesa. Nós preparamos mal nossos alunos, mas, para transformar a realidade do aluno, não há votação; há uma sutil e simpática indiferença. Não exigimos de nós para haver trabalho, não exigimos de nós o resultado melhor de nosso ato de lecionar.
Em reuniões, tenho ofertado idéias para buscar qualificação. Defendo, por exemplo, a idéia de que, no segundo ano do ensino médio, o aluno deve votar no professor que ele deseja para estudar no terceiro ano, porque o último ano do ensino médio possui uma natureza própria de ensino, qual seja, colocar o aluno na faculdade pelo vestibular ou pelo Enem.
Não que os outros anos não tenham esse propósito, mas no terceiro ano isso deve se intensificar.
Outra questão refere-se ao aluno responder a um questionário sobre o desempenho do professor. Falei sobre isso com a diretora Lúcia, e ela disse que adotaria a idéia. Até hoje...
Conselhos
Sobre os Conselhos de Disciplina e de Turma, não avançamos. Existem reuniões e Reuniões. Sobre Conselho de Turma, aprovamos no Conselho Escolar, mas não existe vontade político-educacional da diretora para que isso seja um hábito na escola.
Atividades lúdicas na escola deveriam partir dos Conselhos de Turma, mas, ainda que aprovados, inexistem, porque não passaram de idéia no papel.
Democracia
Para isso, votamos. Para aquilo, não votamos.
Quais nossas metas enquanto escola pública? Nós, até hoje, não temos um Plano Político Pedagógico. Eu já entreguei a Deus.
Corpus Christi
Os professores ressuscitarão na escola pública somente na segunda-feira.
terça-feira, junho 05, 2007
Assassinato em escola pública
Ontem, às 22 horas, um carro desgovernado bateu contra um poste quando um cãozinho fazia xixi.
João mata mulher com 69 facadas.
Polícia apreende 69 quilos de maconha.
Todo dia a mesma notícia sem importância. Nomes mudam. Os fatos, os mesmos. Diante disso, a educação ainda consegue ser menor.
Restou-me este inexpressivo blog, bolha à deriva do tumulto, à deriva dos jornais, à deriva dos enfadonhos fatos policiais.
Aqui, neste espaço, a educação é fato. Eis a matéria.
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Morte em escola estadual
Na terça-feira, 29 de maio, jornais acreanos não noticiaram a morte no corredor da escola estadual, porque assassinato na educação importa muito menos do que um carro bater em poste.
Por volta das 8 horas, o corpo levou vários tiros. O professor-diretor Lulu não chegou a tempo para prender os assassinos, mas a PM realizou o cerco e os três meliantes foram presos.
João da Silva, de 15 anos; Silva da Silva João, de 16 anos; e João da Silva João, de 17 anos, mataram Aula, de 78 anos, com "requintes de crueldade" - frase feita horrível - para perturbar a ordem escolar.
Depois que esfaquearam a idosa na cabeça, saíram de sala de aula para causar tumulto no corredor, impedindo que o professor Bakunin lecionasse sobre anarquismo. Uma inspetora, muito religiosa, abriu a Bíblia para pedir a Deus paciência. Outra inspetora fazia tricô. Uma outra não se moveu por causa de sua condição de pedra.
Como o fato ocorreu pela manhã, o diretor ainda escova os dentes e passava batom. A escola pública pode esperar.
"Esse problema se arrasta há anos com uma perna só", reclama a professora. "Os alunos não viajam para a Europa neste período do ano e resolvem ser turistas na escola".
Sem solução, o professor, entregue à indiferença dos que deveriam colocar ordem, retirou o revólver da cintura e suicidou-se em sala de aula. Os alunos pularam de alegria. "Ele morreu, viva".

