terça-feira, junho 19, 2007

Lei 1.513

Escola não sai em jornais acreanos. Carro bate em poste quando o cachorrinho fazia xixi é matéria publicada em jornal.

Em uma das reuniões, ficou acertado que professores indicariam dois ou três nomes para que a gestora da escola Heloísa Mourão Marques escolhesse um nome para ser coordenador de ensino.

Até onde eu sei, não como cocô e não rasgo dinheiro, ainda. Bem, como não sou maluco, lembro-me dessa reunião, sem ata.

Antes de ficar internado, não havia um coordenador. Quando retornei à escola, final de abril, havia uma coordenadora de ensino, mas ela não tinha saído do acordo verbal entre professores e gestora. A palavra tinha sido quebrada.

Em seu Capítulo VI, Do Coordenador de Ensino, artigo 40, está escrito:

O Coordenador de Ensino será nomeado pelo Diretor da unidade de ensino, dentre os funcionários da escola que atendam aos requisitos dispostos no art. 39 desta Lei.

Lei desobedecida.

Língua não é droga

Os responsáveis pela semana nacional antidrogas publicaram um texto drogado de erros. Instituições tem a obrigação cívica de obedecer às regras da língua portuguesa. Um errinho aqui, outro errinho ali, tudo bem. O problema é quando o erro é vício.

IX Semana Nacional Antidrogas - Desde quando "IX" representa "9ª"? Número romano não é número ordinal. Já pensou se fosse a 39ª Semana Nacional de Antidrogas? As instituições escreveriam XXXIX. Instituições devem dar bons exemplos, também, de... língua portuguesa.

O Esporte e o Lazer na Prevenção - Ao meu ver, o uso do "na" (em + a) está errado, porque o esporte não se encontra dentro da prevenção. Trata-se, isso sim, de esporte e lazer para algo, no caso, para a prevenção.

Há outros erros no texto publicado pelas instituições? Muitos. Tudo bem que combatam as drogas, mas, por favor, imploro, não façam da língua portuguesa uma droga. Respeitem-na!!!

Não Vi a Diretora - 1 falta

A partir de hoje, restou a mim publicar neste blog a ausência da diretora. Todo dia, de segunda a sábado, colocarei falta. Eu devo satisfações quando falto, o mesmo deveria ocorrer com um diretor de escola pública.

Cobram de mim. Mas quem cobra de um diretor?


segunda-feira, junho 18, 2007

Eu-lírico (1)

No início de Dom Quixote, o narrador nos conta que "encheu-se-lhe a fantasia de tudo que achava nos livros, assim de encantamento (...); e assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia (...)."

Quem leu a obra de Cervantes sabe que seu personagem interpreta e decide não acreditar no que vê. Dom Quixote nos ensina a suspeitar do que vemos.

Por causa disso, ela, a fantasia, Dom Quixote encheu-se dela. Na raiz da palavra, "fantasia" significa "visão das sombras".

Assim, pela fantasia, a visão de Dom Quixote inverte o que vê, focaliza "o outro lado". Há nesse protagonista a linguagem do eu-lírico, porque sua visão deseja o "outro lado", isto é, "o verso".

A linguagem poética é essa expressão inconformada com o que vê, por isso o verso, o outro lado da página... da vida.

Em José, obra poética de Carlos Drummond de Andrade, páginas obrigatórias para o vestibular da Universidade Federal do Acre, o eu-lírico expõe uma inadequação entre o eu e o mundo logo na primeira poesia, A bruxa.

Amo este homem e a sua família


Minas Gerais, nos últimos 15 anos, chegou a mim em forma de um homem que abre a porta de sua casa como quem abre sua alma para a amizade.

Se Minas é Estado, é estado de alegria encarnado em Matheus, pessoa que prepara um churrasco delicioso e que oferta a suculenta carne à boca de amigos.

Soube que esse Amigo morreria por causa de um problema cardíaco. Aos poucos, Matheus estava partindo. Quando eu soube do grave problema, ele encontrava-se em São Paulo para se submeter a uma cirurgia.

Chorei. Senti dor.

Minas permanece de pé. Minas ainda viverá por muitos anos. A cirurgia possibilitou a esse jovem sua continuidade no tempo.

Tempo, alimento que sustenta quem sabe degustá-lo com a saliva que umedece o amor que tenho por ti, por tua esposa Lucinéa, por teus filhos João Rodolfo e Matheusa.

Que a mesa de tua CASA seja farta de compreensão. Que a fartura do diálogo empanzine tua carne de entendimento sobre você e sobre teu semelhante.

Vida longa, meu amigo!!!

Palavras a Marcos Afonso

Li tua carta, Marcos, com toda lentidão de um senhor de idade. Calma. Muita calma. O que dizer a teu olhos?

Antes de mais nada, sinto-me na humana responsabilidade de escrever com muito esmero neste blog, porque minhas palavras são captadas por pessoas exigentes, você.

Depois, digo-lhe que sou muito grato por tuas palavras. "Gosto das suas palavras. Seu blog é leve, tem boa diagramação, as fontes são elegantes, as fotografias bem definidas, os sites que você sugere, importantes."

Queria ter um tempo largo para exigir mais de mim. Às vezes ou quase sempre, atualizo este espaço a mando da rapidez. Queria humanizar este blog com a fala de gente comum, ter tempo para ouvi-las e misturá-las a poesias.

Gostei de tuas observações sobre a escola, sobre a minha profissão de fé. Leciono, Marcos, para não morrer.

Obrigado, querido!!!, que a vida o recompense com os gestos mais simples e com a certeza de que ir ao encontro do Outro confessa a nossa alegre fragilidade.

Tua carta, eu a guardarei.

quinta-feira, junho 14, 2007

Deu na Folha de São Paulo


NOTA da coluna BOM-DIA!, do jornal A TRIBUNA

Deu na Folha
Know-how. Ao saber que Sibá Machado (PT-AC) já foi coveiro, um senador ficou todo animado. Segundo ele, o presidente do Conselho de Ética poderá utilizar sua experiência para enterrar a investigação contra Renan. Sibá nada respondeu. Fez de conta que não era com ele, ou seja, se fez de morto.

Ronda Gramatical - "Oportunizar"

"Eu quero elogiar a iniciativa da Assembléia Legislativa de oportunizar às lideranças do Alto Acre, desde o prefeito ao líder dos produtores rurais, a chance de dizermos o que queremos, o que é melhor para quem vive no interior. Esse exemplo deve ser seguido e posto em prática por outros setores da administração pública. O povo não quer muito, quer apenas ser ouvido e falar, dizer dos seus problemas e sonhos." (Joais Santos, prefeito de Capixaba)

1. Oportunizar - Não há esse verbo no dicionário Houaiss. Não há esse verbo no dicionário Aurélio. Não há esse verbo no livro Regência Verbal, de Celso Pedro Luft. Como estamos na floresta, existem fadas, gnomos e oportunizar.


Ontem, depois de sair do jornal, cheguei ao meu descanso às 22h45min. Abri a porta. Do outro lado da rua, um homem, à porta de sua bela casa, falava alto para outro homem.

O outro homem procurava em seu lixo. "Não mexa em meu lixo, saia daí". "Eu arrumo, quando eu acabar de catar em seu lixo, eu deixo tudo arrumado." "Não, deixe isso aí".

A porta aberta. Não entrei. "Deixe o homem, é um miserável, não está fazendo mal a ninguém", eu disse.

O lixo foi arrumado. O homem da bela casa entrou. Fechei a porta e fui ao encontro do homem que mexeu e arrumou o lixo.
Qual seu nome?
José Alves.

Sua idade.
26 anos.

Ele não concluiu a 4a série. Muito falador, esse rapaz fedia muito e catava comida no lixo de alguém que não queria que ele mexesse no lixo. Na foto, à direita dele, restos.

Eu poderia ter ignorado sua vida, porque ele não pode dar nada em troca. Pior: ele não existe. José não tem vida.

Por que o senhor está falando comigo?, perguntou o rapaz
Porque você me incomodou. Seu resto de comida, catada no lixo, me incomodou.

Em final de mês, a comida é menor. Na geladeira, pouco. Peguei uma caixa de leite, duas laranjas e pão de forma.

Tome.
Obrigado, que Deus lhe dê sempre mais.

"Deus está morto". Os homens O mataram com suas palavras no Poder Legislativo, nas igrejas. A miséria desses homens é maior que a sua.

Não posso sempre lhe dar comida, mas, quando a necessidade apertar, não vá à Assembléia Legislativa do Acre, porque o povo é uma idéia abstrata, genérica lá. O Cristo na cruz só ornamenta o espaço.

Pode ir a meu quitinete. Eu, tendo, darei um pouco de alimento a ti. Não poderei dar sempre.

Como é fácil ignorar o semelhante. Semelhante!?!?!? Deputados, por exemplo, não se assemelham a José Alves. Igrejas, idem.

Por que não ignorei José? Foram duas laranjas, um pacote de leite, pão de forma. Por que não o ignorei? A indiferença é tão elegante, soberba, inflexível. Deveria ter tomado conta de minha vida.

Blog não sensibiliza.

Respondendo a dois bloguistas

Michelle Stephane

Estou afim de escrever um texto sobre a ruim minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes e a ótima minissérie Pedra do Reino.



Marcos Afonso

Grande pessoa humana, meu correio eletrônico é lingua.portuguesa@uol.com.br Mande sua carta. Um abraço em teu destino.

quarta-feira, junho 13, 2007

Ronda Escolar

Escrevi em outro momento que escola não interessa aos jornais acreanos, a não ser quando houver morte, tráfico, estupro.

Neste blog, quando eu for informado, publicarei algo sobre o que ocorre em escolas públicas e privadas. É a Ronda Escolar.

"Carro bate contra o poste" sai em jornal. Neste blog, escola importa mais que carro contra o poste.

Na escola Heloísa Mourão Marques, o professor Gleidson leciona Matemática. Pessoa séria, ética, até hoje não existe algo que o coloque em descrédito.

Em sala de aula, uma aluna, a Jéssica, segundo ano E, manhã, disse-lhe "vai tomar no..., seu filho da...". O que fazer?

O fato ocorreu em 30 de maio e, desde então, ela não entra em sala até que os responsáveis compareçam à escola. O professor não permitiu que ela fizesse prova, porque os pais não compareceram.

Bem, a professora-gestora Lúcia autorizou que ela entrasse em sala para prestar exame. O professor não permitiu.

Quem tem razão?




Drummond


As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

terça-feira, junho 12, 2007

Esta é antiga

Essas regras foram publicadas há muito tempo, mas alguns alunos nunca leram. Em uma escola, ele disse:

Regra 1 - A vida não é fácil. Acostume-se com isso;

Regra 2 - O mundo não está preocupado com sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele antes de sentir-se bem com você mesmo;

Regra 3- Você não ganhará R$ 20 mil por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e com telefone à disposição, antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone;

Regra 4 - Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você;

Regra 5 - Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade;

Regra 6 - Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.
Regra 7 - Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então, antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio.

Regra 8 - Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas, você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA!!! Faça certo da primeira vez!

Regra 9 - A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

Regra 10 - Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

Regra 11 - Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles.



O óbvio

"A proposta de criação da força-tarefa foi aprovada de forma unânime por todos os deputados."

1. Parte de um texto jornalístico. Além disso, repórteres escrevinham "no mês de julho", "no ano de 2007", "no dia 27 de março", "às 17 horas da tarde".

Reunião em Escola Pública

















Mais uma reunião na escola Heloísa Mourão Marques. A liberdade na escola pública nos aprisiona em reuniões que não melhoram o índice da escola no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Quais são as metas para a qualidade de ensino?

Nessa reunião, falamos sobre o que falamos há meses, há anos. Na pauta, "o professor deverá estar atento à troca de horário para minimizar passeios dos alunos nos corredores." Mais uma reunião sobre isso. Mais uma.

A pergunta é: por que a professora-gestora Lúcia, até o momento, não solucionou esse problema? Não entendo o porquê de em sua gestão não ter resolvido problema de alunos no corredor e o problema de horário. A atual gestora encontra-se na escola há mais de dois anos.

Mais uma reunião para se falar sobre horário. Mais uma.

No limite

Nessa reunião, coloquei que a atual gestão precisa estabelecer metas e cumpri-las. O que faremos, por exemplo, sobre a Redação para o Enem e para o vestibular? Quais são as metas da gestão da professora Lúcia?

Diretor não cumpre metas? A Secretaria de Educação não exige metas?

Em todas as reuniões, baterei na mesma tecla: RedaçãoRedaçãoRedaçãoRedaçãoRedação. A escola precisa ter um Projeto Político Pedagógico, também, para a Redação. Quais são as metas?







segunda-feira, junho 11, 2007

Acesso à pornografia


Na escola pública, alguns defendem a distribuição de camisinha para que adolescentes das classes mais simples se protejam.

Como na escola a palavra encontra-se enferma, restou a ela o objeto, porque, uma vez doente a palavra, a camisinha cumpre sua função orgânica. Segundo essa função, sexo não pertence à alma, mas tão-somente à carne.

A Literatura na escola poderia ser outra. Ela poderia refletir sobre o Amor com outras disciplinas, porque o Amor precisa ser protegido contra o câncer da vulgaridade. A Literatura - e não a camisinha - cumpriria seu destino ético e estético contra esse mal.

Na escola Helóisa Mourão Marques, distribuí a 55 alunos um questionário sobre pornografia. O resultado me espantou. Repare.

35 meninas de 15 a 17 anos

19 têm acesso à pornografia: 17 assistem a filmes pornôs por meio de DVD.

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20 meninos de 14 a 17 anos

17 têm acesso à pornografia: 16 assistem a filmes pornôs por meio de DVD.

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55 alunos ao todo

36 têm acesso à pornografia.


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A escola pública não realiza pesquisa. Se realizasse, conteúdos de disciplinas poderiam ser destinados a essa demanda. Um exemplo.

O professor de Literatura do ensino médio ainda concebe o Realismo e o Naturalismo segundo esqueminhas de livros didáticos. No entanto, em uma pequena amostragem com 55 alunos, 36 assistem a filmes pornográficos e, por meio deles, deformam as relações humanas.

Enquanto isso, na escola, a Literatura permanece indiferente a uma concepção de corpo segundo o Naturalismo. Não há crítica por meio de conceitos muito bem fundamentados.

Como saída, ou melhor, como não há saída, a camisinha reforça o ideal naturalista na escola. Os professores precisam perder sua inocência sobre a Literatura. Encará-la como texto que se opõe à cultura de massa torna-se essencial.

A Pedra do Reino

Obra clássica de Ariano Suassuna,
"A Pedra do Reino" ganha versão para a TV, que estréia na terça-feira

ESTHER HAMBURGER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A minissérie "A Pedra do Reino", adaptada do romance homônimo de Ariano Suassuna, com direção de Luiz Fernando Carvalho, que estréia na terça, é um épico que se desdobra em vários níveis.

Com traços autobiográficos, o texto conta a história de d. Pedro Dinis Quaderna, protagonista e narrador tragicômico da história de um reino mítico, alegoria de um certo Brasil, com sede no grandioso sertão do Cariri.

O narrador é obcecado pela retomada da coroa de seus ancestrais, disputada em lutas de sangue. Mas almeja também a glória da academia, capaz de elevar um autor genial à condição imortal.

A árdua tarefa de condensar o romance colossal, pleno de referências à história do Brasil mas também ao universo mítico das narrativas medievais, ganhou vida por meio de uma produção, filmada com uma câmera só, em super 16 mm, que reúne a Globo e a independente Academia de Cinema.

O espírito épico do romance foi transposto para a própria produção, feita em locação no sertão da Paraíba. Cerca de cem pessoas, entre atores, artistas e artesãos nordestinos e uma reduzida equipe de profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo, conviveram durante três meses na pacata Taperoá.

O resultado dessa intensa vivência é um híbrido, em tom operístico, composto de cinema, televisão, circo e teatro.Interlocução múltiplaA textura do trabalho resulta da troca de repertórios entre artistas e artesãos locais e profissionais da cidade grande.

Essa interlocução múltipla, sob o calor ardente do sertão nordestino, transpira e dá força ao produto final.A complexa interação provocou uma profusão de emoções fortes que se transferem à tela.

O paraense Cacá Carvalho faz um magnífico juiz corregedor, que domina a cena a partir do terceiro capítulo. Luís Carlos Vasconcelos encarna um terrível Arésio, o revoltado filho do padrinho de Quaderna. Ambos montaram seus espetáculos teatrais em Taperoá durante a preparação das filmagens.

Irandhir Santos, em sua estréia, brilha na pele do protagonista desengonçado, misto de doido e palhaço, como velho errante contador de histórias e como jovem cativo em busca de um reino encantado.Adornos hiperbólicos enfeitaram as fachadas, as roupas, os cenários.

A interpretação carregada dos atores ajuda a adensar ambientes já sobrecarregados de detalhes, produzindo atmosferas plásticas saturadas de significado.Sem didatismoOs figurinos vestem os personagens com detalhes de artesanato personalizado.

Os cavalos-bonecos se inspiram em cada personagem (o do herói Sinésio é branco). A narrativa não-linear flui com graça e ironia por meio das aventuras de nossos sertanejos em uma caçada na direção da monumental Pedra do Reino.

A paisagem seca do sertão recebe bem bichos de lata. Não há concessões ao didatismo ou ao melodrama. Por vezes temos dificuldades de identificar os personagens. Nem sempre as sutilezas são perceptíveis em uma primeira olhada.

A trilha sonora de Marco Antônio Guimarães, compositor do grupo Uakti, ajuda a conferir um tom cigano e mambembe que combina com o mistério enevoado da série."A Pedra do Reino" é o primeiro trabalho do projeto "Quadrante", que pretende viajar pelo Brasil a realizar adaptações literárias ambientadas em diferentes paisagens, sempre com a participação de artistas locais.

O projeto, a um só tempo de formação e de criação, como o circo-teatro que o inspira, busca agitar as regiões por onde passa. Promete ainda empolgar profissionais cansados da rotina pouco estimulante das produções ordinárias.

Suassuna criou um novo final para a minissérie, que valoriza o teor reflexivo das artimanhas de nosso personagem. PontodeFuga

O colunista Jorge Coli está em férias

sábado, junho 09, 2007

Conforto














Em Rio Branco, onde nós temos uma das melhores frotas de ônibus do Brasil, os empresários, preocupados com o conforto dos passageiros, do trocador e do motorista, colocará na capital do Acre o ônibus-corno.

Haverá ar-condicionado e os bancos serão reclináveis. A passagem será mais barata: R$ 1,1.

Outra novidade, a campainha. Quando o passageiro puxar a corda, ouvirá o mugido de um boi.

Ronda Gramatical

"Papôco morre silenciosamente"
1. Papôco - O Página 20 publicou "Papôco". Paroxítona terminda em "o" não é acentuada. O repórter deveria saber que 1 + 1= 2.

Ronda Gramatical

"Meu comentário: talvez Jorge Viana não seja capaz de tamanha trairagem em aceitar o convite, embora tanto ele quanto Lula discordem da conduta de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente."

1. trairagem - Esse termo inexiste nos dicionários Houaiss e Aurélio.

2. , embora - Quando a oração subordinada encontra-se na ordem sintática direta, ou seja, surge após a oração principal, não há vírgula. Nesse casso, segundo a organização sintática, não há vírgula antes de embora.