
Thaís Nicoleti de Camargo é professora de português desde 1984. Consultora do jornal Folha de São Paulo, ela leciona no ensino médio e em pré-vestibulares.
Desde 2000, escreve sobre gramática, literatura e redação na coluna semanal Vale a Pena Saber, do caderno Fovest, da Folha.
Assina também a coluna Redação do Leitor, que deu origem a este livro.
Neste livro, há 21 dissertações escritas por alunos. No texto, ela registra observações gramaticais e, em uma página ao lado, comenta sobre a dissertação.
Em outras duas páginas, aparece a Redação Corrigida e Orientação de Estudo.
Para apresentar melhor o livro, entrevistei a autora neste espaço chamado ENTRELIVROS.
Professora, o que é preciso para escrever bem?Thaís Nicoleti - Para escrever bem, é preciso ler, adquirir informação e, sobretudo, aprender a pensar. Seria ingenuidade acreditar na existência de um conjunto de técnicas que, milagrosamente, levariam alguém a redigir bem. Na verdade, a prática constante a que todos nos devemos submeter é a leitura crítica do mundo, esse o verdadeiro caminho para o exercício da cidadania.
Nos textos dos alunos, suas observações só são gramaticais?Thaís Nicoleti - Não. Há sugestões de encadeamento das idéias, de reformulação de parágrafos, de alteração de vocabulário e, eventualmente, o acréscimo ou a supressão de alguns trechos.
Logo no primeiro texto, Juventude iletrada, seu comentário indica que uma reflexão superficial prejudica texto.
Thaís Nicoleti - Nessa dissertação, a visão de mundo limitada deve-se mais à falta de formação intelectual adequada que à falta de informações.No século 17, o padre Antônio Vieira criticava as generalizações. Nossos alunos são genéricos?
Thaís Nicoleti - São demais. A reflexão superficial compromete texto. As generalizações fragilizam a argumentação. Generalização dá tom simplista à argumentação.