segunda-feira, agosto 11, 2008

A Poesia de Platão

De Aldo Nascimento
Livro também depende do tradutor. Maria Helena da Rocha Pereira é considerada uma das melhores tradutoras de Platão, e o leitor a encontra na Fundação Calouste Gulbenkian, uma belíssima edição do grego para o português

Assim, no capítulo 3, página 125, leio que A República condenou a arte que desejasse os sentidos. No ocidente, Platão foi o primeiro a perseguir o sensível na arte. O poeta que lhe agrada deve ser austero, menos aprazível; deve se exprimir conforme modelos que de início foram regulados quando a cidade tentava educar os militares

Sendo assim, em A República, as portas se fechariam para o Barroco de Rembrandt, para o Romantismo de Castro Alves, para o Impressionismo de Monet. Militarizar arte, segundo Platão, significa o predomínio da reta sobre as cores, da razão sobre a contradição, da cópia do real sobre a imaginação, da disciplina inflexível sobre a inconstância do sensível

O pensamento pitagórico geometrizou o mundo platônico. Além dessa influência matemática, o pensador grego conheceu no Egito a arte submissa ao cálculo, à retidão. Platão, em verdade, é matemático. Para ele, o poeta deve traçar uma reta a fim de inibir o excesso das cores, por isso que os árcades ou neoclássicos, tão calculistas, retêm a imaginação à medida que seus versos confinam-se a copiar o real, a construir sintaxes equilibradas, a negar metáforas, oximoros, hipérboles, sinestesias

No filme Sociedade dos poetas mortos, de Peter Weiss, ou em O Sorriso de Mona Lisa, de Mike Newell, as duas escolas representam a Arte Clássica, oposta ao Barroco, ao Romantismo, ao Impressionismo. Entretanto, para a vida de alunos, os dois professores desses filmes combinam cores que subvertem a razão em sala de aula

No filme de Peter Weiss, o professor de Literatura, senhor John Keating, amante da Escola Romântica, pede aos alunos que rasguem o prefácio Entendendo a poesia, do doutor J. Evans Pritchard, um teórico literário que submete os versos de Byron, poeta romântico, às retas do produto cartesiano para calcular a área de sua poesia. Essa razão cartesiana que objetiva calcular versos, Keating a chama de “excremento".

Katherine Watson, professora de História da Arte, em O Sorriso de Mona Lisa, fala às alunas sobre Vicent van Gogh, mas a escola onde ela leciona não admite sua arte, porque “ele pinta o que sente, não o que vê”. Conversando com a professora Katherine, a diretora diz a ela que deve haver "menos arte moderna".

Nesses dois filmes, as escolas assemelham-se a uma igreja. Ora, como se sabe, esse templo, segundo Nietzsche, popularizou o pensamento de Platão, que não admite, tal como as duas escolas, o sensível na arte, na vida, a não ser que fique sob o domínio da razão matemática.

sábado, agosto 09, 2008

Petecão & Montana

Charge do repórter Gilberto Lobo.








Candidato a prefeito de Rio Branco, Petecão faz uma campanha que não comove os menos tolos. O deputado federal - quem o colocou lá? - dorme sob as estrelas em praça pública.

Isso é alguma proposta de candidatura?

Vai para casa dormir, Petecão, e deixe a boa política em paz.

LÍNGUA está doente



O pessoal do Sintesac não está nem aí para a saúde da LÍNGUA portuguesa. O negócio é bagunçar com a LÍNGUA de Camões, de Drummond, de Fernando Pessoa, de Graciliano Ramos.

Um vereador, atento à importância de uma LÍNGUA correta em publicidade, deveria apresentar um projeto de lei que multasse quem escreve errado, por exemplo, em outdoor.

Se o Sintesac vai parar, deveria ser "saúde pára".

Pena que não posso ir

O professor-doutor Gérson Albuquerque enviou o convite e publico neste blog.
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Colóquios de História do Acre: centenário da morte de José Plácido de Castro
Realização: Universidade Federal do Acre
Promoção: Coordenação de História – Licenciaturas
Coordenação de História – Bacharelado
Centro de Documentação e Informação Histórica – CDIH
Centro de Filosofia e Ciências Humanas - CFCH
Apoio: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura
Associação Brasileira de História Oral – ABHO
Adufac – Seção Sindical do Andes.

Programação

11 de agosto de 2008, 8:00 horas, Auditório da Adufac
Centenário da Morte de Plácido de Castro: memória e poder no inventário de tradições
· Professor Dr. Carlos Alberto Alves de Souza
· Professor Dr. Pedro Vicente Costa Sobrinho
· Professor Dr. Gerson Rodrigues de Albuquerque

12 de agosto de 2008, 14:00 horas, Auditório da Adufac
Plácido de Castro em Cem Anos: a memória como um campo de lutas
· Professor Dr. Airton Chaves da Rocha
· Professor Dr. Valdir de Oliveira Calixto
· Professor Doutorando Francisco Bento da Silva

13 de agosto de 2008, 19:00 horas, Auditório da Adufac
De Plácido de Castro à Chico Mendes: representações sobre o herói
· Professor Doutorando José Dourado de Souza
· Professor Msc. Francisco Pinheiro
· Professor Mestrando Eduardo Carneiro de Araújo

PM acreana

Os militares deveriam dar exemplo de ordem, mas, nesta matéria do repórter Gilberto Lobo, a ordem foi violada pela corrupção. Como sabemos, a PM prende marginais, mas ela mesma fica à margem da lei. O caso é sério e nos envergonha.
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PMs janeleiros serão promovidos,
De Gilberto Lobo, A TRIBUNA

Mesmo depois que o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou ação pública para investigar o ingresso irregular de 60 servidores na Polícia Militar do Acre (PM-AC), a lista de promoções dos militares ainda não foi suspensa.

Dos oficiais beneficiados, oito entraram sem concurso público, o que quer dizer que nem deveriam estar nos quadros da corporação. A Constituição Federal proíbe, desde 1988, a contratação de funcionários públicos sem concurso. O certame pelo qual entraram aconteceu em 1995.

A denúncia foi feita pela ativista dos Direitos Humanos, advogada Joana D´Arc Valente. Ela também mostrou a lista de presença dos candidatos que participaram do teste físico, realizado na segunda fase do concurso para ingresso de oficiais da PM-AC em 1995.

Na lista, os oito militares que serão beneficiados com a promoção não estão presentes. Isso comprova que não fizeram a primeira e nem a segunda fase do certame, portanto, não deveriam ter sido contratados, muito menos poderiam receber promoções, passando de capitão a major.

Segundo a ativista, a pauta de promoções deveria ser suspensa até que a investigação do MPE seja concluída.

“Mesmo com a denúncia e com a ação oública, será quem eles vão continuar a promover e beneficiar esses polícias? Eles não têm direito algum e ainda estão ocupando o lugar de quem entrou de forma regular nos quadros da PM. Até o desdobramento da ação, o Estado está gastando dinheiro público com essa fraude”, destacou Joana D’Arc.

Investigações

Depois de uma conversa com representantes do MPE, envolvidos na ação pública contra a PM-AC, a advogada Joana D’Arc informou que os trabalhos para a conclusão desse caso estão acelerados. Conforme explicou, o processo estava parado porque a PM-AC ainda não havia liberado a documentação necessária para o prosseguimento das investigações. “Agora, estão finalmente trabalhando”, ironizou.

O inquérito foi instaurado em 2001 pelo corregedor-geral Oswaldo d'Albuquerque Lima. Desde então, o processo dos 60 militares estava parado. Mas, há cerca de um mês - com as constantes denúncias à imprensa -, a PM-AC liberou mais alguns documentos sobre o ingresso irregular dos servidores públicos.

Joana ainda disse que, “em razão de todos os fatos noticiados e nunca negados de que houve realmente fraude no concurso público de 1996, o primeiro passo será uma auditoria militar para que seja apurada a infração”.

Ela disse ainda que o capitão João da Cruz Santana Filho foi chamado para prestar declarações sobre o caso como se ele fosse o autor da denúncia, o que não é verdade. “Quem fez a denúncia fui eu, Joana D’arc, ele nada tem a ver com isso”, esclareceu.

Relembrando o caso

A fraude aconteceu no concurso público para PM, lançado por meio do Edital 001/95, publicado no Diário Oficial de 27 de outubro de 1995. Dos exames, só poderiam participar quem estivesse devidamente inscrito e constasse no termo de deferimento de inscrição, publicado no dia 21 de novembro do mesmo ano.

Mas muitos militares que apareceram na lista de aprovados não fizeram sequer a inscrição. Eles entram na vaga de outras pessoas que estavam devidamente inscritas. Um exemplo disso foi a mudança de nome do candidato de inscrição número 2003. Na lista inicial, o nome inscrito é Líbio Armstrong Pereira Caruta, porém, no resultado final, aparece o nome de Carlos Augusto da Silva Negreiros, que também está atualmente na lista de promoções que acontecerá no dia 21 de agosto.

Mesmo não tendo feito prova alguma, ligada a esse concurso, o capitão Negreiros ficou classificado em 34º lugar, com 92 pontos.

Irregulares que serão promovidos

Almir Lopes de Souza
Carlos Augusto da Silva Negreiros
Estepan Elias Barbary Neto
Sandro Oliveira do Nascimento
Luzelândio Freitas Pinheiro
Luciano Dias Fonseca
Denílson Lopes da Silva
Lázaro Moura Negreiros

quinta-feira, agosto 07, 2008

Blog-Poesia

Fernando Pessoa
O amor é que é essencial

O AMOR é que é essencial.
O sexo é só um acidente.
Pode ser igual
Ou diferente.
O homem não é um animal:
É uma carne inteligente,
Embora às vezes doente.

terça-feira, agosto 05, 2008

Ô!!! Linda Vitória!!!

Foto: Evandro Derze









Embriague-se de alegria, Olinda, porque você merece e fique tonta de felicidade. Nada melhor do que o tempo, o mesmo que põe em ruínas a falsidade e a máscara de adversários cínicos.

Que Deus lhe dê mais sabedoria para, com o diálogo, qualificar cada vez mais o ensino da Universidade Federal do Acre.

Estou muito feliz!!!

Só uma debochada observação: mande um abraço à turma do babacalorixá ou da iá-tebexê.

Salve! Até quinta!

segunda-feira, agosto 04, 2008

A Paixão sob o domínio da Razão

Paixão
De Aldo Nascimento

Acolho em minha biblioteca palavras escritas há 300 anos antes de Cristo. Diferente delas, serei lembrado no máximo, quem sabe, em uma missa de sétimo dia para depois o tempo pulverizar meu nome. Mas palavras resistem ao tempo na minha biblioteca, celeiro onde posso prover minha alma.

Ir aos clássicos, porque eles vigiam palavras universais e atemporais sobre as relações humanas, por exemplo, paixão. Em A República, capítulo 4, esse secular livro pergunta se “não compete à razão governar, uma vez que é sábia e tem o encargo de velar pela alma toda, e não compete à cólera ser sua súbdita e aliada”. Para Platão, paixão e cólera igualam-se, equivalem-se. Apaixonar-se significa estar enfermo, estado em que o humano perde controle sobre si mesmo à medida que a razão esmorece. A fim de evitar tamanha fraqueza, a paixão deve se submeter à razão e, uma vez subjugada, ser sua aliada.

Assim, quero dizer, unidas, elas “dominarão o elemento concupiscível e hão de vigiá-lo, com receio que ele, enchendo-se dos chamados prazeres físicos, se torne grande e forte, e não execute a sua tarefa, mas tente escravizar e dominar uma parte que não compete à sua classe e subverta toda a vida do conjunto”. O elemento concupiscível é a cobiça, isto é, cupido, desejo ardente da carne que ambiciona, que cobiça a matéria.

A razão deve acometer contra esse excesso, porque o desejo carnal desarmoniza a cidade, o corpo. Aliada à razão, a paixão não causaria esse excesso, essa desmedida, essa enfermidade. Na Idade Média, a Igreja, que edificou seu mundo com as paredes do platonismo, considerava a paixão a causadora de um desarranjo fisiológico porque tudo começa com a crença de que o comportamento do indivíduo é determinado pela qualidade e pela quantidade do calor de seu corpo. Tal calor não provém do fígado ou do cérebro, mas do coração

Agora, retiro de meu celeiro grãos do livro Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, onde razão e paixão marcam o duelo verbal mais belo da literatura brasileira. Iohána, o pais, representando a austera razão, alerta o filho André, representante da paixão, do perigo do sentimento que altera o ritmo cardíaco, transforma o calor do corpo.

Ai daquele, mais lascivo, que tudo quer ver e sentir de um modo intenso: (...) acaba por nada ver, de tanto que quer ver; acaba por nada sentir, de tanto que quer sentir; acaba só por expiar, de tanto que quer viver; cuidem-se os apaixonados, afastando dos olhos a poeira ruiva que lhes turva a vista."

Por manifestar seus sintomas no corpo, a paixão foi associada à doença, cabendo à medicina ou à ciência encontrar a cura para esse mal. Batimento cardíaco acelerado, corpo caloroso, mãos suadas e perda do juízo, por exemplo, manifestam-se por causa de uma secreção da bile negra. Em fins do Renascimento, dois livros buscam encontrar resposta para os sintomas do sentimento: O Antídoto do amor, de 1599, e A genealogia do amor, de 1609. O amor erótico era o resultado dos humores queimados pela paixão, podendo ser explicado somente em termos de patologia. Em grego, páthos é sentimento e também dor

Depois desses dois livros, a ciência ainda racionaliza a paixão. No livro Por que nos apaixonamos ­– como a ciência explica os mistérios do amor, de Lucy Vicent, a emoção dos apaixonados é conseqüência dos feromônios nas vias nervosas que atingem zonas do cérebro responsáveis pelo comportamento sexual e pelas emoções. No capítulo 4, o autor escreve que “o apaixonado é como o taxicômano: precisa de uma dose cada vez maior para assegurar a liberação de endorfinas no cérebro, das quais ele se tornou dependente.” O mensageiro do amor deixou de ser o deus Eros, um mito, para ser uma rede química, a matéria. Por esse motivo, a ciência ocupa veículos de comunicação de massa para sentenciar que a paixão (ou reações químicas, antes era a bile negra) dura entre 2 e 3 anos

Depois que Platão escreveu A República, séculos e séculos se passaram, mas a razão permanece fiel ao ato de dominar a paixão. Antes, com o pensador grego, cólera. Hoje, esse sentimento ainda permanece preso ao biológico, à matéria.

COMO USAR A LÍNGUA

1. Junto a/ junto de (= perto de) são sinônimos e invariáveis. “Os dois chutes passaram junto à trave.” “Os reservas estão junto da comissão técnica.” “Os hotéis ficam junto ao viaduto.” “As casas estão juntas da farmácia.”

2. Devemos evitar o uso de junto a com outro sentido que não seja de “perto de”: “Ele está preocupado com seu prestígio junto à torcida.” É preferível: “com a torcida.” “O governo solicitou um empréstimo junto ao Banco Mundial.” É preferível: “no Banco Mundial.”

Do livro O Português do dia-a-dia, do prof. Sérgio Nogueira Duarte da Silva

sábado, agosto 02, 2008

Reforma Ortográfica

Artigo
Quando reduzir não é simplificar: reflexão sobre a reforma ortográfica

Prof. Dr. Luiz Carlos Schwindt* O Brasil se prepara para implementar uma reforma ortográfica, fruto de um acordo entre países de língua portuguesa. Nascido na década de 90 e revigorado nos últimos anos, o projeto prevê a unificação da escrita nos oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Portugal, que se mostrava resistente nesta última fase, assinou recentemente o documento, sob acalorada discussão - já que a Reforma afeta de forma mais significativa a variedade lusitana do português do que a brasileira. Apesar disso, não se pode negar que ela tem importantes conseqüências também para os brasileiros.

Pode-se dizer que uma reforma ortográfica, em princípio, norteia-se por pelo menos dois objetivos: o de unificação e o de simplificação. Ainda que se possa criticar, por diversos ângulos, a validade da unificação oriunda da Reforma - seja porque ignora a variabilidade da língua falada, que tem inevitáveis reflexos na escrita, seja porque pode gerar um impacto econômico e político em certa medida desfavorável aos países envolvidos -, não há dúvida de que, oficialmente, com o Acordo, unificam-se as escritas. O aspecto, todavia, que quero problematizar brevemente aqui é a suposta simplificação. Essa questão - que toca diretamente aos lingüistas - foi banalizada, em meu entendimento, na construção desse projeto.

"Simplificar”, em Lingüística, quer dizer bem mais do que “diminuir”. O fato de se abolir um trema aqui, um acento ali não faz da língua escrita necessariamente mais simples. Quando se fala em linguagem, o termo “economia” precisa estar associado a “naturalidade”. Para entender com clareza essa idéia, basta pensarmos nas razões por que usamos um sistema alfabético. Esse sistema nasceu sob uma hipótese de pareamento entre sons e letras. Se tomarmos essa hipótese em isolado, podemos avaliar a eficácia de um sistema ortográfico na medida de sua aproximação com a língua falada. É claro que isso não é tão simples assim. Sabe-se que sistemas gráficos são de natureza estática, enquanto a língua falada é dinâmica, isto é, está sujeita a mudanças a qualquer tempo, independentemente de decisões provindas da boa ou da má vontade política de alguém. Todavia, essas naturezas distintas que individualizam fala e escrita, apesar de serem responsáveis pelo distanciamento entre elas, não afetam a natureza de sua relação, isto é, esses dois sistemas ensejam isomorfismo. Uma reforma – se necessária – deveria trabalhar na esfera dessa tensão.

Por limitações de espaço, vou tomar apenas dois aspectos do Acordo que podem exemplificar bem seu caráter pouco simplificador (para não dizer “complicador”): o fim do trema (lingüiça, que passa a linguiça) e a extinção do acento gráfico dos ditongos abertos em posição medial (retinóico, que passa a retinoico). Em relação ao trema, alguns poderiam dizer que há muito está em desuso em português. Não se considera, entretanto, que ele é responsável ainda por informar a um leitor aprendiz de português (o que vai desde um falante nativo se alfabetizando até um estrangeiro estudando nosso idioma) se o u é ou não pronunciado nas seqüências gu e qu seguidas de e ou i. Em relação aos ditongos abertos, a questão é ainda mais séria. A proposta falha por falta de uniformidade e por negligenciar o aspecto fonético. Perde uniformidade ao determinar a eliminação do acento nas paroxítonas mas sua manutenção em posição final. Assim, herói será acentuado, enquanto heróico não. Falha também por ignorar que o diacrítico em ditongos abertos traduz mais do que tonicidade – ele é, sobretudo para a variedade brasileira do idioma, também um indicativo de timbre, ou seja, as pessoas sabem, a partir dessas marcas, que a pronúncia de é e ó deve ser aberta. Nessa relação de complexificadores, poderíamos ainda citar alguns aspectos referentes às mudanças no uso do hífen e ao tratamento que será dado às palavras com consoantes não-pronunciadas.

Com esses argumentos, não quero imprimir uma postura anti-reformista de base; pelo contrário: entendo que reformas em sistemas estáticos são necessárias, muitas vezes, para acompanhar a evolução dos setores dinâmicos. O fato é que convivemos com um sistema gráfico muito complexo (em oposição, no que se refere à acentuação gráfica, por exemplo, à escrita do inglês). A questão primordial é, pois, atacar o problema, isto é, o único modo de se reduzir complexidade é com uma proposta de simplificação - que leve em conta economia e naturalidade. Isso não enxergo de pleno na reforma proposta.

* Departamento de Lingüística, Filosofia e Teoria Literária - Insituto de Letras

A USP é a 113º no mundo

As 100 melhores universidades da América Latina

1
Universidad Nacional Autónoma de Mexico
2
Universidade de Sao Paulo
3
Universidade Estadual de Campinas
4
Universidad de Chile
5
Universidade Federal do Rio de Janeiro
6
Universidad de Buenos Aires
7
Universidade Federal de Santa Catarina Brasil
8
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
9
Tecnológico de Monterrey (Note 22)
10
Universidade Federal de Minas Gerais
11
Universidade de Brasilia
12
Universidad de Concepcion
13
Universidade Estadual Paulista
14
Universidade Federal do Parana
15
Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro
16
Universidad de Guadalajara
17
Universidade Federal da Bahia
18
Universidad Autónoma Metropolitana
19
Universidad Nacional de la Plata
20
Universidad de los Andes Merida
21
Universidad de Puerto Rico Mayaguez
22
Pontificia Universidad Católica del Peru
23
Universidad Nacional de Colombia
24
Universidade Federal de Pernambuco
25
Universidade Federal Fluminense
26
Universidad de Costa Rica
27
Universidad de Antioquia
28
Universidad de los Andes
29
Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
30
Universidad de Puerto Rico
31
Universidad Autónoma del Estado de Mexico
32
Universidad del Valle
33
Universidad Central de Venezuela
34
Instituto Politécnico Nacional
35
Universidad Nacional Mayor de San Marcos
36
Universidad Tecnica Federico Santa Maria
37
University of the West Indies
38
Universidade Federal do Ceara
39
Pontificia Universidad Javeriana
40
Universidade Federal de Santa Maria
41
Universidad Nacional de Cordoba
42
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
43
Universidad Michoacana de San Nicolas de Hidalgo
44
Universidad Simon Bolivar Venezuela
45
Universidad de Talca
46
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
47
Fundacao Getulio Vargas
48
Universidad Interamericana de Puerto Rico
49
Centro Universitario Senac Servico Nacional de Aprendizagem Comercial
50
Universidad Autónoma de Nuevo Leon
51
Centro de Investigacion y de Estudios Avanzados
52
Pontificia Universidad Católica de Valparaiso Fundacion Isabel Caces de Brown
53
Universidad de las Americas Puebla
54
Universidad de Santiago de Chile
55
Universidad de Colima
56
Universidade Federal de Sao Carlos
57
Universidade Federal de Sao Paulo
58
Pontificia Universidade Católica de Sao Paulo
59
Universidad Iberoamericana
60
Universidad Veracruzana
61
Universidad Tecnologica Nacional
62
Universidad Nacional del Nordeste
63
Universidade do Vale do Rio Dos Sinos
64
Escuela de Administracion Finanzas y Tecnologia Medellin
65
Pontificia Universidade Católica do Campinas (Note 41)
66
Universidad Autónoma de Chihuahua
67
Universidad Nacional de Rosario
68
Universidade Federal do Para
69
Universidad de Sonora
70
Instituto Tecnologico Autonomo de Mexico
71
Universidade de Fortaleza
72
Universidad Austral de Chile
73
Universidade Federal de Goias
74
Universidad Autónoma de Baja California
75
Universidade Federal da Paraiba
76
Colegio de Mexico
77
Universidad Autónoma de Puebla
78
Universidade Federal de Vicosa
79
Centro de Investigacion y Docencia Economicas
80
Universidade Estadual de Maringa
81
Universidade Regional de Blumenau
82
Universidade Federal de Uberlândia
83
Universidad Católica Argentina
84
Universidad del Salvador Buenos Aires
85
Universidade Estadual de Londrina
86
Universidade Metodista de Sao Paulo
87
Pontificia Universidade Católica do Parana
88
Universidade de Caxias do Sul
89
Universidad Autónoma de Ciudad Juarez
90
Universidad de la Habana
91
Universidad del Bio-Bio
92
Universidade do Estado de Santa Catarina
93
Universidad Tecnica Particular de Loja
94
Universidad Nacional de Cuyo Mendoza
95
Universidad Nacional del Sur
96
Universidad Diego Portales
97
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
98
Universidad Nacional del Litoral
99
ITESO Universidad Jesuita de Guadalajara
100
Universidad Francisco Marroquin

Ganhamos 5 vezes a Copa do Mundo

As 50 melhores universidades do mundo

Massachusetts Institute of Technology
Harvard University
Stanford University
University of California Berkeley
Pennsylvania State University
University of Michigan
Cornell University
University of Minnesota
University of Wisconsin Madison
University of Texas Austin
University of Illinois Urbana Champaign
University of Pennsylvania
University of Washington
Carnegie Mellon University
Columbia University New York
Purdue University
University of California Los Angeles
University of Florida
University of Chicago
University of Maryland
University of Arizona
Texas A&M University
Georgia Institute of Technology
Virginia Polytechnic Institute and State University
Princeton University
University of Cambridge
Michigan State University
University of Toronto (Note 1)
University of North Carolina Chapel Hill
Rutgers University
New York University
Swiss Federal Institute of Technology Zurich
Indiana University
University of California San Diego
University of Southern California
North Carolina State University
Duke University
University of Colorado Boulder
Johns Hopkins University (Note 2)
California Institute of Technology
University of Pittsburgh
Australian National University
University of Helsinki (Note 3)
Yale University
University of Virginia
University of California Davis
University of Oxford
Washington University Saint Louis
University of British Columbia
University of Calgary

Somos pentacampeões no futebol

USP é a 113ª melhor do mundo, diz pesquisa

FÁBIO TAKAHASHIda Folha de S.Paulo

A USP foi considerada a 113ª melhor universidade do mundo em um ranking divulgado ontem por um órgão de pesquisa do governo espanhol. A escola de São Paulo subiu 15 posições em relação a 2007.

Entre as 200 mais bem posicionadas do mundo, a instituição foi a única brasileira citada.
Um dos principais indicadores avaliados pelo ranking, chamado de "Webometrics Ranking of World Universities" (Ranking Mundial de Universidades na Web, em tradução livre), é o número de acessos, via internet, dos artigos produzidos pelas escolas.

Com o mecanismo, o Conselho Superior de Pesquisas Científicas --vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia espanhol-- busca quantificar a relevância da produção das instituições universitárias.

Após a USP, as instituições brasileiras mais bem posicionadas são a Unicamp (212ª) e a UFRJ (federal do Rio de Janeiro, em 330º).

As 25 melhores da lista são norte-americanas. MIT, Harvard e Stanford ocupam as melhores posições. Foram analisadas 15 mil escolas no mundo todo, e 4.000 foram ranqueadas.
A melhor latino-americana foi a Universidade Autônoma do México (51ª).

Diversas instituições fazem rankings de universidades. Os mais tradicionais são o da Universidade de Jiao Tong (China) e das publicações "US News & World Report" (Estados Unidos) e "Times" (Inglaterra).

Um dos objetivos dessas listas é indicar aos melhores alunos as melhores instituições para se estudar.

Internacionalização

A reitoria da USP atribuiu a subida no ranking à preocupação da universidade em se internacionalizar, por meio de intercâmbio de alunos e professores, além de convênios com instituições do exterior (atualmente, há 326 vigentes).

Segundo a pesquisadora da USP Elizabeth Balbachevsky, o ranking demonstra que as instituições brasileiras de ensino superior têm baixo grau de inserção na comunidade científica mundial (apenas a USP ficou entre as 200 da lista).

"O Brasil está produzindo mais cientificamente, mas de forma insular. É pequeno o número de pesquisadores brasileiros em redes internacionais. Assim, poucos conhecem as universidades brasileiras."

Segundo Balbachevsky, um dos problemas da baixa internacionalização da produção científica do país é a perda de investimentos estrangeiros.

"Temos mais doutores na área da ciência da informática do que a Índia. Porém, enquanto a Índia capta quase um quarto de todo o investimento internacional na área, a situação brasileira é quase pífia."

sexta-feira, agosto 01, 2008

Só isto

"A arte voa em torno da verdade, mas com a intenção decidida de não se deixar queimar por ela."

Brevíssima reflexão de Franz Kafka.

quinta-feira, julho 31, 2008

Uma poesia para umedecer teus olhos

A multidão não poetiza a vida. Não se misture a ela. Abra um livro e ouça com os olhos o silêncio das palavras escritas. Ouça agora Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
_________________________
Há Poetas que são Artistas

E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...

Que triste não saber florir
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um
E ver se está bem, e tirar se não está
Quando a única casa artística é a Terra
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.

Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira
E olho para as flores e sorrio
Não sei se elas me
Nem sei eu as compreendo a elas
Mas sei que a verdade está nelas e em
E na nossa comum
De nos deixarmos ir e viver pela
E levar ao solo pelas Estações
E deixar que o vento cante para
E não termos sonhos no nosso sono.

quarta-feira, julho 30, 2008

A uma reitora

De Aldo Nascimento
A Ufac a uma acreana

Na semana passada, meus olhos reviram folhas processuais, um documento forjado por alguns falsos intelectuais da Universidade Federal do Acre. De 1992 a 1997, lecionei no Departamento de Letras e, antes de sair pela porta da frente, contratei os serviços dos advogados Gomercindo Clovis Garcia Rodrigues e Carlos Antônio Brito Marques para limpar minha pasta funcional.

Nessas folhas, registram-se absurdos, acusações insólitas, arbitrariedade de velhacos que se julga acima de procedimentos equânimes das instituições. Para se ter idéia dessa comicidade barnabeniana, fui processado por lecionar A República, de Platão, em Literatura Infantil.

Nem todos, entretanto, igualam-se na Faculdade de Letras, porque alguns professores não são doutores para tramar. Existem acreanos com elevado espírito público e com um caráter que dignifica o gesto humano. Poderia citar alguns nomes, mas, em período eleitoral, reconheço o nome da professora-doutora Olinda Batista Assmar.

Mas quem sou para escrevinhar sobre a futura reitora da Universidade Federal do Acre? Na época de processo forjado, um mero professor substituto, algo sem importância, uma individualidade que poderia ter sido desdenhada pela professora-doutora Olinda, porque, com seu nome consolidado na Universidade Federal do Acre, sua assinatura poderia estar em documentos contra mim; entretanto, ao procurar seu nome em folhas desse passado, eu não o encontro.

Não existe assinatura de Olinda Batista Assmar em nenhum processo contra mim. A pergunta é pertinente: por quê? Ora, certos doutores não perdem tempo tramando com a súcia; certos doutores pesquisam, produzem conhecimento. Olinda tem legado. Em seus 30 anos de Universidade, essa dama acreana publicou mais de 104 títulos em livros, em anais de congressos, de simpósios, de seminários, de mesas-redondas, de conferências. Seu título de doutora, portanto, não é ornado com plumas e paetês.

Seu título, no entanto, torna-se menor quando comparado ao seu caráter. Ao falar, não sentimos o mau hálito da arrogância, da prepotência, mas a expressão de uma funcionária pública que não trama com a finalidade sádica de perseguir colegas de profissão e muito menos se submete a intrigas. Ela não usa máscaras, olha no olho e diz.

Candidata à reitora em outra oportunidade, dediquei-me à sua campanha e muito vezes ouvi de alguns tolos que Olinda pertencia à direita. Conheço pessoas de esquerda que não têm a moral e o zelo pela coisa pública como Olinda Batista Assmar.

Hoje, mais de dez anos depois, escrevo este texto como forma de reconhecer uma ex-colega de trabalho que, em mais de uma assembléia departamental, colocou-se não a favor de mim, mais a favor de procedimentos corretos dentro de uma instituição de ensino superior. Sabemos que uma súcia de barnabés não pode se apropriar de parte de uma universidade pública como se fosse o quintal de sua casa ou o terreiro de quimbanda de um babacalorixá.

Sei que este texto é muito pouco, mas minhas palavras não são pequenas como são os canalhas. Não cheguei a este Estado ontem. O tempo não pára. Sou menos desconhecido do que 16 anos atrás. Hoje, jovens que foram meus alunos no ensino médio estudam na Universidade Federal do Acre e, quem sabe, lêem minhas palavras agora. A eles, peço que votem na chapa Olinda-Pascoal como gesto que reconhece dois doutores que buscam o poder não como vaidade pessoal, mas buscam o poder para servir melhor à sua Pátria, ao seu Estado e aos seus semelhantes.

Ronda Gramatical

Em nossas redações de jornal, copia-se o que está escrito em além-livro. Se na Globo escreve-se “super cine”, nosso jornalista copia. Se está escrito “pronto socorro”, ele copia na matéria. Se compra um xampu com “anti-caspa”, ele copia “anti-caspa”. Se está escrito “Mega-Sena”, ele copia “Mega-Sena” na reportagem. Se está escrito “stand”, ele copia. Se está escrito “skate”, ele repete em seu texto jornalístico. Se abastece o carro no “auto posto”, o repórter leva essa grafia para o jornal. Se vai preparar um misto quente em um “mini grill”, reproduz como está escrito no aparelho. Isso significa que somos pautados graficamente por produtos de supermercados, por casas lotéricas, pela TV, pelas palavras espalhadas nas ruas. Na condição insignificante de péssimo revisor, queimei minhas gramáticas. A escrita correta encontra-se nas casas lotéricas, no xampu (ou será shampoo?).

terça-feira, julho 29, 2008

A CUT e 3%

Ontem, um professor me parou na rua para dizer que o governo não deu aumento de 3% em julho, mas deu 2.975%, ou seja, faltaram 5o centavos no bolso dele.

"Se você for somar os 5o centavos de todos os funcionários da educação, vai dar uma grana boa", disse. "Eu quero meu dinheiro."

O presidente do Sindicato dos Trabalhahdores da Educação do Acre, Manoel Lima, até o momento, não disse algo sobre isso.

Por falar no presidente, eu peço que não me perturbe com suas paralisações infecundas; deixe-me trabalhar em paz. Não sou filiado ao Sinteac, mas, a cada ano, o sindicato tira de meu bolso a injusta contribuição sindical do meu bolso.

A CUT é favorável ao imposto sindical e, o que é pior, foi a favor de que a grana dos sindicatos não fosse submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Só espero que o presidente, antes de sair do Sinteac, submeta o sindicato a uma auditoria séria.

Açeçôr di Inprençá

"Objetivo principal é dar oportunidade para que todos tenham acesso ao lazer e esporte O projeto Comunidade Ativa realiza novas capacitações para a melhorar a utilização dos kits com materiais esportivos. A iniciativa acontece nas regionais 3 e 4, antes da entrega do material doado. O recebimento do benefício depende do preenchimento de um formulário na própria Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer (Setul), que coordena o projeto, para que possam ser escolhidas as comunidades beneficiadas. São feitas duas inscrições ao ano. A próxima inscrição acontece de 20 de outubro à 20 de novembro."
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Impossível corrigir o jornal A TRIBUNA todinho. Muito texto e pouco tempo para um infeliz só. Os textos do governo são publicados como escrevinham.

Escrever "de 20 de outubro à 20 de novembro" passa a péssima imagem de uma assessoria. O governo deveria zelar pela língua portuguesa.

segunda-feira, julho 28, 2008

É proibido rir do poder











No domingo, achei algumas charges que furtei do Braga. Nesta, o velho Narciso recebe os traços de um político primata, homem público sem noção do que seja civilização. Braga me disse certa vez que Narciso nunca o processou por isso.

Depois da esquerda no poder, ficou proibido o riso político no Acre. Acabaram-se as charges. "Somos muito perfeitos para que o riso nos deforme", diz o poder.

Marta Suplicy, candidata à prefeitura de São Paulo, não cede entrevistas ao CQC. Chamado de "filhote da ditadura", Paulo Maluf sempre se permite ser ironizado pela trupe de Marcelo Tas.

Na década de 80, Henfil propagava a idéia de um PT que sabia rir. Um PT criativo. O poder seduz.

sábado, julho 26, 2008

LÍNGUA

Brasil vai adotar acordo ortográfico até 2012, diz MEC

DA FOLHA ONLINE

O acordo ortográfico será adotado definitivamente pelo Brasil "no máximo em 2011 ou 2012" disse nesta sexta-feira à Agência Lusa o ministro da Educação, Fernando Haddad.O ministro, que falava à imprensa na entrada da 7ª reunião de cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), afirmou que, nos próximos 30 dias, o decreto presidencial sobre o acordo ortográfico estará sob consulta pública, antes de ser publicado oficialmente em setembro ou outubro.

Escola

Como é difícil transformar uma escola pública acreana. À margem da imprensa e sem visibilidade, a escola ainda permanece emudecida, por exemplo, na Assembléia Legislativa, lugar em que a educação deveria estar submetida a grandes debates, a grandes idéias educacionais.

Hoje, com a professora-gestora Osmarina, tenho a mais absoluta convicção de que a escola pública depende de um gestor compromissado com o erário. Um administrador que, primeiro, trabalhe para, aí sim, exigir dos outros trabalho. Gestor público deve dar exemplo.

Em administrações anteriores, professor de Educação Física não trabalhava, mas, todo mês, sem desconto, seu dinheiro estava na conta. Conversando com um funcionário, ele me disse que havia funcionário de apoio que aparecia na escola a cada 15 dias. Diretores sabiam, mas como poderiam cobrar se ficavam mais de 30 dias sem pisar na escola?

Acordos escusos com tais funcionários eram feitos antes da eleição para que a preguiça e o descaso "educassem" o cinismo de alguns. Por tais acordos, ganhavam dobra pós-eleição. Para quem abre muito a boca contra o incorreto em uma unidade de ensino, lecionar em uma escola pública no Acre ainda é muito difícil quando se tem a infelicidade da pseudodemocracia escolar votar em um candidato compromissado com o dinheiro que recebe como diretor, com a falsidade, com a arbitrariedade, com a preguiça.

A democracia escolhe, mas nem sempre escolhe o melhor.

Quem muda a escola é a direção, é um gestor, é sua equipe. Heloísa Mourão Marques está se transformando aos poucos para o que é melhor, e o melhor é debater boas idéias em uma reunião com todos, aprová-las conforme a maioria e executá-las com paixão e com disciplina.

Nestas eleições municipais, mais uma vez, as falas da oposição desqualificarão, por exemplo, o tema educação. A oposição acreana não é útil nem para a democracia.

sexta-feira, julho 25, 2008

Seios, de Cruz e Sousa

Magnólias tropicais, frutos cheirosos
Das árvores do Mal fascinadoras,
Das negras mancenilhas tentadoras,
Dos vagos narcotismos venenosos.

Oásis brancos e miraculosos
Das frementes volúpias pecadoras
Nas paragens fatais, aterradoras
Do Tédio, nos desertos tenebrosos…

Seios de aroma embriagador e langue,
Da aurora de ouro do esplendor do sangue,
A alma de sensações tantalizando.

Ó seios virginais, tálamos vivos
Onde do amor nos êxtases lascivos
Velhos faunos febris dormem sonhando…

quinta-feira, julho 24, 2008

Paixão para Lecionar

Neste semestre, há quatro leituras para meus alunos do segundo ano: dois livros e dois filmes. Eles assitirão à Sociedade dos Poetas Mortos e aO Sorriso de Mona Lisa. Nesses textos cinematográficos, compreender conceitos clássicos, românticos e expressionistas por meio das imagens.

Perceber o choque entre clássicos e romântico-expressionistas.

Os livros: Álbum de Família e Rebeldes. Neste, um bando de adolescentes que encarnam uma Hungria destruída pela guerra até que suas vidas são transformadas pela arte. Naquele, a destruição, a violência, a total ausência da compaixão, do amor, do sagrado, ou seja, oposto aos dois filmes e ao outro livro.

Rebeldes será lido em sala e, além da interpretação, os alunos farão anotações gramaticais no texto. Álbum de Família
será lido por eles em casa por um grupo de quatro alunos.

Além do trabalho escrito à mão, haverá prova oral para confirmar se sabem ou não sabem o que escreveram no trabalho. Esse tipo de procedimento foi determinado pelo Conselho de Disciplina de Língua Portuguesa.

segunda-feira, julho 21, 2008

Mictório

Fonte, de Duchamp

Podemos até adiantar uma hora, mas ainda permanecemos atrasados quando o assunto é circuito cultural. Podemos construir uma estrada em direção ao Pacífico, só que não estamos na rota do cinema nacional e muito menos na rota do teatro brasileiro e das exposições de arte.

Só agora, após 91 anos, os brasileiros puderam estranhar a arte de Marcel Duchamp [1887-1968] no Museu de Arte Moderna de São Paulo, espaço cultural que fica em meio à paisagem criada pelos jardins de Burle Marx, dentro de um parque projetado por Oscar Niemeyer.

O Masp recebeu uma das obras mais famosas de Duchamp, Fonte, de 1917, exposta pela primeira vez em Nova York, assinada com o nome R. Mutt. Trata-se de um mictório, isso mesmo, um objeto industrial por si mesmo na condição de arte. Quando afirmou na época estar “mais interessado nas idéias do que no produto final”, Duchamp tinha indicado uma trilha para pensarmos sobre Fonte

Mas que idéia existe de expor um mictório como obra de arte? O que vejo é que diante de nós não há mais a criação, mas a fabricação de um objeto como arte, mas, retirado do seu habitat natural ou normal, o banheiro masculino, provoca em nós estranhamento. Representante da arte pop, Andy Warhol também deslocou objetos do seu habitat natural para que pudéssemos estranhar o que seria normal, no caso de Marcel Duchamp, em um banheiro masculino. No Museu de Arte Moderna, o mictório não é mais familiar, mas é idéia que nos faz estranhar o que é normal, um objeto

Vivemos cercados de objetos, o processo industrial deposita em nós o desejo de consumi-los, a própria pornografia não deixa de ser uma fábrica de gozo na linha de montagem. No mundo das fábricas, há tão-somente a função do objeto, por isso o mictório - Fonte faz lembrar formas de uma mulher, mas como depósito da borra masculina

Quem ousaria urinar na arte de Rodin [1840-1917] ou de Camille Claudel [1864-1943]? Mas, na obra de Marcel Duchamp, o convite foi feito. Divisor de duas estéticas, existe obra de arte ante e depois de Duchamp. Hoje, depois de Fonte, arte não é para ser contemplada – ela é descartável, é coisa, objeto

Já que esse franco-americano expôs um objeto, sugiro aos teus olhos, leitor(a), a provocante leitura de “O sitema dos objetos”, de Jean Baudrillard. Debruce tuas pupilas sobre esse livro e saia dele, se for capaz, com outra noção do que seja uma rede de objetos

Ronda Gramatical

Ontem, às 23h23, a jornalista Anacréia apareceu morta na redação de um jornal acreano com um objeto direto cravado no cérebro. Segundo peritos gramaticais, antes da repórter morrer, houve uma briga no ambiente de trabalho entre ela e Regência Verbal.

“Anacréia sempre insultava Regência com ‘implicava em’ todo dia”, conta um colega de trabalho. “Mas ontem Regência perdeu a paciência.”

Quando Anacréia acabou de copiar um texto da internete e coloca seu nome, Regência Verbal atingiu seu cérebro com um objeto direto, mas, antes do golpe gramatical fatal, Regência expeliu seu ódio.

“Tome, sua maldita, não se usa preposição quando o verbo ‘implicar’ tem sentido de ‘dar a entender’”.

No IML, constatou-se algo de que se desconfiava: a jornalista era anencéfala. No sepultamento, no lugar de flores, amigos jogaram gramáticas em seu túmulo.

quinta-feira, julho 17, 2008

Dizem que sou louca por eu ser assim











Sempre soube que árvore nasce no chão, mas algumas gostam de contrariar a espécie e, como são loucas, nascem em prédio para chamar atenção, puro exibicionismo.

Foto de atento Selmo Melo.

segunda-feira, julho 14, 2008

sábado, julho 12, 2008

Mário, o Quintana

Transcedência

Mas um belo poema - já não será a Outra Vida?


Até terça!

Transparência escolar

Quando disse à gestora Osmarina colocar um sítio da escola Heloísa Mourão Marques na internete, a única e absoluta intenção foi proporcionar a uma instituição pública isto: transparência.

A escola deve, por causa de uma democracia ética, expor o que ela pensa, por exemplo, no Conselho Escolar. Com os avanços tecnológicos estão aí, o conselho deve ser filmado para, em um sítio da escola, um pai acessá-lo por meio da internete. Alunos e pais precisam ver e ouvir o que ocorre em um conselho, o mesmo para conselhos de disciplina e de turma.

Hoje, em uma reunião escolar, a gestora foi filmada quando falava aos professores. Essa filmagem será colocada neste blog.

Osmarina confirmou que em 2009 a escola terá um sítio na internete para colocar toda informação sobre a escola. Nesse sítio, professores poderão hospedar seus blogs, seus projetos. Criaremos um jornal virtual, jornal escrito pelos alunos.

sexta-feira, julho 11, 2008

Veio da Ufac

Por motivo óbvio, o texto abaixo não foi assinado. Refere-se ao candidato a vice, o professor-doutor Vicente Cegueira.

"A UFAC, mais uma vez, vive um momento ímpar de sua história. A disputa eleitoral entre uma pessoa altamente preparada, qualificada, humana, profissional, acadêmica por excelência, com um adversário da pior qualidade, uma pessoa que empobrece o ambiente universitário e diminui a espécie humana quando se diz humano."

Forte. Professor-doutor, como não sou amante de injustiças, escreverei um texto como tributo ao seu imaculado nome. Serei lacônico como navalha.

Todo dia, penso neles, inclusive, em vós, e vós não fazeis idéia do orixá que me acompanha. Sabeis, "meu amigo", que, igual a Fausto, o de Goethe, também faço meus pactos. O mal que pulsa em mim, por causa de certos elementos, indivíduos, de ti, perpetua-se para muito além da carne. Como está escrito na Bíblia, tudo tem seu tempo.

Vós, sabemos, sois um erro de Deus na Terra.

quinta-feira, julho 10, 2008

Uma gestão

Gestação e gestão convergem para uma única origem. Na escola Heloísa Mourão Marques, quatros mulheres - diretora e coordenadoras de ensino - geram aos poucos uma nova escola pública.

Leciono há cinco anos nessa unidade de ensino, nunca me avaliaram como deve uma instituição avaliar. A escola ignora qualidades em documentos, mas se permite a comentários sobre os defeitos de seus profissionais. Até hoje, o que temos são "palpites sobre" ou "achismos sobre" o professor A e sobre a professora B.

Se tem olhos azuis ou se usa lentes verdes, se é simpático como Faustão ou se é indiferente e sabe sorrir como político, a direção comentará na Secretaria de Educação que esse profissional agrada. Mas, se for um Aldo, aquela funcionária dirá que esse tipinho de professor é problemático.

Dessa maneira, à revelia de interpretações, a fofoca ou o comentário maldoso expõe, às escondidas, o funcionário indesejado. Em minhas costas, carrego alguns processos.

Agora, pela primeira vez, uma gestão escolar inicia um trabalho exemplar que deixará na pasta funcional do professor quem ele é na escola por meio de uma avaliação equilibrada, justa. Documentar a vida escolar dos professores.

Quem são? Eu, por exemplo, sou um homem sem olhos azuis.

A professora-gestora Osmarina está no caminho correto, reto, justo. Funcionário de uma escola não pode ser refém de fofoquinhas. Escola não é casa-de-mãe-joana.

quarta-feira, julho 09, 2008

Resposta a um blogueiro

"Pra passar de ano o aluno também deve apresentar média 7, qual a diferença entre o "estudo" e a fanfarra na formação do cidadão? Vai ter concurso de estudo, agora?"

Há princípios universais que independem do desejo de uma pessoa. Na família, eles existem. Na escola, eles existem. Na igreja, eles existem. Mas quais? Um deles, a ordem - conceito deformado por alguns.

A importância da ordem implica colocar a parte em um todo, o indivíduo como parte de uma Pátria. Por meio da ordem, agrega-se o indivíduo ao universal. Ora, a escola não se reduz a empilhar tijolos com cimento, mas dar às suas paredes dimensão simbólica. E, não havendo ordem, não há o simbólico na escola.

A fanfarra, sendo belos uniformes e belas músicas, representa um ordem estética que disciplina, que busca o melhor. Quem não possui postura - notas boas e comportamento adequado à escola - para ser parte de uma fanfarra não pode compor essa estética musical.

Mas entenda: haver ordem para saber desobedecer, para criar o novo, para haver outras possibilidades. Para mim, isso fica evidente em três filmes: Sociedade dos Poetas Mortos, O Sorriso de Mona Lisa e Ao Mestre com Carinho.

Um abraço, blogueiro!

terça-feira, julho 08, 2008

Fanfarra não toca Hino Nacional nas escolas

Matéria do governo e meu brevíssimo comentário
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Concurso de Fanfarras reúne 2.000 estudantes e 28 bandas

Organização prevê nível alto e requinte entre os grupos concorrentes

Pelo menos, dois mil estudantes deverão participar do desfile das 28 corporações musicais do 8º Concurso de Bandas e Fanfarras neste sábado, dia 12, no estacionamento da Arena da Floresta.

Em 2007, ano em que o certame foi organizado pela Associação de Bandas e Fanfarras, 17 grupos concorreram à premiação, que é a viagem ao Rio e a São Paulo para participar da fase nacional.

"A participação está sendo recorde neste ano", disse Janete Zaire, que prevê "muitas surpresas" no evento, especialmente, quanto ao vestuário. "Tem muita gente comprando roupa em outros Estados, fora do Acre", informou a organizadora.

As apresentações começam às 9 horas e a abertura oficial será às 16 horas.

O governo do Estado investe substancialmente em bandas e em fanfarras como meio de elevar o civismo e autodisciplina entre os estudantes. Neste ano, segundo Janete, estão sendo aplicados R$ 350 mil em pagamento de instrutor, coreógrafo, aquisição de equipamentos e outras atividades.

Elevar o civismo - Até onde eu sei, nas escolas públicas acreanas, não se reverencia o Hino Nacional. A fanfarra tem existido, isso sim, como espetáculo.

Além de fortalecer o desejo pelo estudo, o concurso tem como objetivos estimular a criação de bandas e fanfarras; promover o intercâmbio entre os integrantes, mediante competição sadia; incentivar as corporações musicais no aprimoramento de métodos e técnicas e contribuir para o desenvolvimento do pensamento cívico e autodisciplina, necessários à formação integral do cidadão. Para participar de uma banda ou fanfarra, o aluno tem de apresentar média de 7 como nota escolar.

O concurso é organizado pelo governo do Estado por meio das Secretarias de Educação e de Esporte, Turismo e Lazer. (AN do Acre)

Duas alunas e uma dissertação



Muitos alunos que chegaram à turma do primeiro ano do ensino médio (E) não reescreveram seus textos em anos anteriores. Chegaram a mim sem noção de linhas, de espaço, de processo de paragrafação.

Em sala, reconstruímos os textos dos alunos várias vezes. Fiz questão de marcar nos textos estas questões: retomar idéias, evitar generalizações, vírgula, ponto contínuo, concordância simples, ortografia, organização de pensamento.

Alguns alunos, minoria, conseguem. Uma maioria não. O texto acima pertence às alunas Vânia e Kelly. Comparado ao texto que elas escreveram no início do ano letivo, houve um avanço considerável.

Se essas alunas estudassem em uma sala com alunos com o mesmo rendimento, avançaríamos mais, bem mais.

Consegui transformar a escrita dessas alunas, há outros, poucos, eu sei, mas há outros que melhoram a sua escrita. Não foi em vão.

segunda-feira, julho 07, 2008

Da lotérica à escola


DE Aldo Nascimento

Posso falar minha felicidade, legal? Minha felicidade...
acho que não tem mais jeito de eu ser feliz, não tenho
mais ninguém, não tenho pai, não tenho mãe, não
mais porra nenhuma
.”
A fala de um menor de rua no início do filme Ônibus 174

Na semana passada, um adolescente de 17 anos e outro de 12 assaltaram uma casa lotérica em Rio Branco. Usando a mãe e o filho de 2 anos como escudos, o mais velho refugiou-se em uma escola pública

Quando esse fato chegou aos meus olhos na forma de texto jornalístico, logo associei o adolescente de 17 anos ao protagonista do filme Ônibus 174, Sandro Rosa Nascimento, de 22 anos. Na época, quem leu os jornais ou assistiu à notícia pela TV, sem dúvida alguma, reagiu diferente após ter visto o belíssimo documentário de José Padilha

Por meio dos jornais, Sandro foi notícia, sensacionalismo; elemento submetido a uma linguagem ordinária, funcional, imediatista. No cinema, entretanto, sua vida nos comove, promove reflexão. A arte cinematográfica devolve a Sandro sua condição humana e social. O texto jornalístico “cobre o fato” e oculta a verdade. “O fato é um aspecto secundário da realidade”, escreve Mário Quintana [1906-1994]. Ignoremos a vulgaridade espetaculosa da imprensa

Dois adolescentes que não pertencem a facções, a quadrilhas. Não são profissionais do crime. Quero dizer com isso que me recuso a acreditar que esses garotos tenham o sotaque da violência carioca. Aqui, em Rio Branco, os que vivem à margem da lei não degolam policiais militares na rua. Mermão, os caras não era malandro, era dois pregos que entrou na parada errada, sacou?

E lá estavam os dois buchas na casa lotérica. Megassena acumulada em R$ 23 milhões, mas o de 17 anos arrisca um palpite em outro jogo: 38 na cabeça... de uma mãe e de um filho de 2 anos. Por que não contar também com a sorte? Mas pobre é azarado. Os tiras chegam para limpar a área, pobreza, ainda mais armada, suja a praça bonita, reformada. Difícil é reformar a desigualdade social.

A polícia cerca. Sandro arrasta os reféns a uma escola pública. Onde se está seu boletim escolar? Mas qual a importância do boletim escolar de um pobre? Nenhuma. O que importa, agora, é o boletim de ocorrência

Como no documentário Ônibus 174, o Sandro daqui não mata, não se mata; não é assassino, suicida. Apostar no 38 na cabeça foi um blefe. Preso, a multidão ecoa seu delírio de “mata, mata”. Repórteres buscam o melhor ângulo, mas, como não é função de jornalista abstrair fatos, a matéria os mantém na superfície da realidade

O espetáculo termina. O assaltante da casa lotérica é jogado no camburão sem saber que, só com R$ 3, poderia ter tido o mesmo destino de um pobre de Santa Catarina, ganhar R$ 23 milhões na megassena. Que azar! O jeito então é, quando sair da cadeia, entrar não em uma escola pública, mas em uma particular, sempre as melhores no ranking do Enem

Agora, longe das belas praças, dos prédios reformados, o espaço público está limpo, tudo voltou ao normal em Rio Branco, porque, quando o pobre permanece resignado em seu devido lugar, a ordem está em paz. Quando não permanece, morre: o Sandro do Rio de Janeiro foi assassinado por policiais, o Sandro de Rio Branco jamais renascerá na sociedade acreana.
_________________________
Ronda Gramatical

O sonho de Salvatore Cacciola era ser policial ortográfico para corrigir os erros dos pobres. Um bem-nascido recebe ótima educação. Por causa disso, ficou em primeiro lugar no concurso da Polícia Gramatical. Na semana passada, o capitão Cacciola ouviu algo desagradável quando passava em frente a uma casa lotérica de Rio Branco. “Me dá o dinheiro que tá aí, porra!”, ordenou. Cacciola logo percebeu que era um elemento com pouca escolaridade. Sacou a Gramática de Celso Cunha e atirou a colocação do pronome oblíquo na LÍNGUA do delinqüente pronominal. No boletim de ocorrência, o policial retificou, escrevendo que “o inculto deveria ter dito ‘dê-me o dinheiro que está com a senhora, por favor!’”.

sábado, julho 05, 2008

Cabeça de repórter

"Perto de completar um mês que os rio-branquenses vêm tentando alterar o sistema biológico, em questão da mudança do fuso horário, ainda há questionamentos sérios. Entre eles, inclusive o mais debatido ultimamente, está sendo o horário de entrada dos alunos matutinos nas escolas, tanto nas públicas quanto nas particulares."

Estou pensando em publicar uma obra-prima com o seguinte título: Repórter também pensa. O texto acima estará na primeira página.

Quanto ao texto, posso dizer que já alterei o meu sistema biológico. Coloquei o intestino no lugar dos pulmões e o coração no lugar do fígado.

Mas a mudança mais radical foi colocar meu cérebro no lugar do ânus e o ânus no lugar do cérebro.

Se eu não estiver enganado, a repórter quis dizer relógio biológico.

sexta-feira, julho 04, 2008

E os gestores de escola?

TCE divulga a lista dos maus gestores
que poderão ser condenados à inelegibilidade

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) entregou no final da tarde de ontem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a lista dos gestores que poderão ser impedidos de concorrer às eleições deste ano.

O documento possui 57 nomes de políticos que tiveram suas prestações de contas reprovadas ou que foram multados por alguma irregularidade julgada nos últimos cinco anos.

No ranking dos maus gestores, existem prefeitos, vereadores, secretários, presidentes de fundações e instituições, como, por exemplo, o extinto Banacre.

De acordo com a lista de condenação, são tantos problemas que existem nomes de políticos que são citados mais de cinco vezes no documento entregue ao TRE. Entre os mais famosos, estão o ex-prefeito de Plácido de Castro, Luiz Pereira de Lima; de Tarauacá, Jasone Ferreira da Silva; a ex-vereadora de Senador Guiomard Maria do Socorro Prado; e o ex-prefeito de Rio Branco, Mauri Sérgio.

A Assembléia Legislativa do Acre poderia criar uma lei que proibisse o péssimo gestor escolar - aquele que deixou a escola sem verba - de ser candidato a diretor de escola, pois uma unidade de ensino é tão importante quanto uma prefeitura.

quinta-feira, julho 03, 2008

É triste!

Triste a morte de José Alexandre Leite Leitão. Boa pessoa, cheguei a trocar idéias com ele, poucas. Homossexual com um caráter que não se encontra em muitos homens. Ele não merecia isso.

Fico muito triste quando os bons partem.

Blog aberto à professora Olinda Batista

Prezada Professora-Doutora Olinda Batista Assmar,

Se falamos bem do lugar em que moramos, isso se deve a pessoas. Eu, mero professor substituto da Universidade Federal do Acre, conheci a senhora no Departamento de Letras em 1993 e presenciei até 1997 tantas articulações contra a sua pessoa.

Ainda nesse departamento, em muitos momentos, a senhora posicionou-se a meu favor contra arbitrariedades articuladas, por exemplo, pelo professor-doutor Vicente. Antes de sair do departamento, limpei meu nome na pasta funcional por meio do ótimo advogado Gumercindo.

Guardo com muito zelo os processos que manipularam contra mim, eles representam o absurdo, uma documentação insólita forjada por um grupo que se acha acima da coisa pública.

Quando a senhora foi candidata naquela época, diziam que Olinda Batista era da direita. Quem dera que alguns da esquerda tivessem a moldura de teu belo caráter.

"O tempo não pára", nada melhor do que o tempo para (des)cobrir a máscara de alguns. O tempo passou, professora, e meu respeito e minha admiração sempre permanecerão.

Espero que a senhora e Pascoal sejam vitoriosos.

Desnecessário

"Com a greve dos Correios completando quatro dias hoje, o centro de distribuição da estatal contabiliza 72 mil objetos acumulados por falta de carteiros para realizar o serviço de entrega."

Sim, claro, se há greve, só poderia faltar carteiros para realizar o serviço de entrega. É semelhante dizer se os carteiros estão sem braços, eles não poderão entregar as cartas com as mãos.

Não sei se isso é óbvio ou eu estou sendo chato demais.

quarta-feira, julho 02, 2008

Da Megassena à escola












Na terça-feira, dia 8, com mais calma, escreverei na coluna do jornal A TRIBUNA sobre o que ocorreu hoje. Há 16 anos no Acre, nunca assisti a algo semelhante. Os jornais possuem a vã ilusão de que mostram a verdade. No filme Ônibus 174, é a arte do cinema que revela a verdade.

Por que esse adolescente de 17 anos não matou a mulher e a criança? A sua vida vale pouco, quase nada. Por que não matou? Poderia. Não tinha mais nada a perder. Depois, um tiro nele.

Sua violência poupou a criança de 2 anos e a mãe. Para mim, existiu um gesto de perdão. Ele não foi tão mau.
Chico Buarque canta...

Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega em Rio Branco
na casa lotérica
na escola
com dinheiro, relógio,
criança, mãe
Rezo até ele chegar
Cá no Sobral
Essa onda de assaltos
Tá um horror
Eu consolo ele
Ele me consola
Boto ele no colo
Pra ele me ninar
De repente acordo
Olho pro lado
E o danado já foi trabalhar
no centro de Rio Branco
Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

terça-feira, julho 01, 2008

CQC entre Marta e Maluf

Marta Suplicy (PT) não permitiu ser entrevistada pelo CQC. O repórter foi expulso da convenção.

Paulo Maluf permitiu que fosse entrevistado.

eRRei eRRei eRRei

Como é bom reconhecer o próprio erro. Se aponto erros nas escritas alheias, não poderia deixar de apontar meus erros quando vejo um ou quando apontam vários. Alunos do Iesacre riram de "homem morre eletrificado", publicado no jornal A TRIBUNA. Está errado? Segundo minha pesquisa, sim.

"Um homem morre eletrocutado" é o correto.

segunda-feira, junho 30, 2008

Arraiá Heloísa



Uma escola que promova um outro modelo de encontro, algo menos racional. Nesta barraca, alunos, depois de tudo pronto, venderam muito. A grana servirá para a formatura.

Valeu, pessoal!

Cortando a ortografia









No bairro Jorge Lavocart, Rio Branco, o repórter-fotográfico Selmo Melo, do jornal A TRIBUNA, registrou este momento capilar. O salão não é de beleza, mas faz "peticure".
E o preço?

sexta-feira, junho 27, 2008

De quem foi a idéia?



Qual foi a mente brilhante que criou ou copiou esse modelo de diário do professor? Comparado ao outro, ele só não é pior porque não tem mais espaço. Sem consultar os professores, colocaram essa jaca na mão do corpo docente. O modelo, pésssimo.

Há certas tradições que são insubstituíveis.

Lista Negra ou Lista Branca?

Parte da matéria abaixo foi escrita pela jornalista Nayanne Santana. Aqui, há alguns nomes e todos pertencem a pessoas brancas. Por que lista negra? A lista é branca. Dos brancos.

Péssimos administradores segundo o TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) preparou uma lista com mais de três mil nomes de pessoas responsáveis por cargos ou por funções públicas que tiveram suas contas rejeitadas. A lista traz nomes de prefeitos, ministros, secretários de Estado, diretores de autarquias e demais funcionários públicos.

No Acre, o TCU condenou 66 prestações de contas. A lista de gestores apresentada pelo Tribunal de Contas da União cita 51 gestores do Estado.Entre os acusados de ter gerido de maneira incorreta a verba pública, está o ex-governador Orleir Cameli, o ex-secretário de Estado José Bestene, o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Aluízio Bezerra, o ex-secretário de Estado Alércio Dias, o ex-prefeito de Feijó Aurélio de Souza Braga, ex-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Acre (Crea-AC) Aysson Rosas Filho e alguns gestores do Conselho Regional de Medicina.

Gramática de Blog

"Paula casou aos 17 anos e separou aos 20. É mãe de Henrique, 10, e de Ana Cecília, 13. O garoto mora com a avó materna em Feijó (AC) e a menina com o pai, em Manaus (AM). No posto de fiscalização do D'Ouro, a indigenista comanda o trabalho de quatro peões e da cozinheira "Preta". Num ambiente tão hostil e carente é inegável que a beleza dela mexe com a libido dos homens."

No blog de Altino Machado, encontrei-me com o verbo "casar". No Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, esse verbo admite duas formas: "ela se casou com um médico" e "ela casou com um médico".

Altino nunca cursou uma academia de jornalismo, concluiu seu ensino médio ou talvez nem isso, mas sua escrita não se compara a muita gente que sai de uma faculdade. Comete seus errinhos gramaticais; entretanto, no geral, é um blog com boa escrita. Tem personalidade, e pernonalidade, sabemos, não se adquire com diploma.

A Vítor Farias

Vítor, muito obrigado por tuas palavras e, se fui grosseiro, queira me desculpar, é que não faço uso de falácias. Tenho minhas causas e sou simpático à esquerda, mas eu não a adulo.

Quanto às minhas causas, uma delas se chama educação, questões bem específicas, por exemplo, aulas de literatura. Não sou escritor, apenas fui bem alfabetizado. Para ser escritor, é preciso haver um reconhecimento nacional por meio de uma obra, de um livro.

E visite este blog, me questione, critique de forma ética, porque o diálogo é sempre melhor. Um grande abraço em teu destino e que tua vida seja farta de sabedoria para que construamos um Acre cada vez melhor.

quinta-feira, junho 26, 2008

Os canalhas demoram a morrer

Hoje, o sepultamento de Ruth Cardoso comoveu-me. Uma infelicidade ver tamanha inteligência partir. Uma tristeza tamanha ética retirar-se para sempre. Elegante e simples, mansa e austera, sua vida deveria ter sido mais longa. Só os canalhas morrem mais tarde.

Pela TV, assistimos à dor do ex-presidente Fernando Henrique ser intensa.

Blog aberto a Edvaldo Sousa

Querido Edvaldo, o programa Gazeta Alerta, por seguir um modelo de jornalismo, merece críticas fundamentadas, mas, em certos momentos, o seu programa se diferencia da matriz paulista, e isso é muito louvável. Muito. Neste blog, desejo reconhecer o lado positivo.

Hoje, o repórter Marílson Maia, muito educado, ofertou o microfone a uma senhora muito humilde. Magra, pobre, dona Francisca disse que a Justiça retirou seus filhos e seu neto da família por ela ser uma pessoa desequilibrada mentalmente.

"Me disseram que tenho que fazer tratamento psicológico, mas eu não sou louca", e Francisca chorou diante da câmera.

Edvaldo, seu programa apresenta a violência dos pobres todo dia; entretanto, dessa vez, Gazeta Alerta, talvez, tenha apresentado a violência institucional, compreendendo como violência a força de uma injustiça.

De forma justa e sensível, o jornalismo deve estar também a serviço dos humilhados.

Grosseria

Hoje, o funcionário público Luís, da Secretaria de Educação, resolveu ser indelicado com uma pessoa fofinha, a coordenadora de ensino, professora Izanilde, da escola Heloísa Mourão Marques.

Parece que ele realiza um serviço no colégio e ficou aborrecidinho porque, na hora do intervalo, os alunos orquestravam uma desarmoniosa confusão, algo natural na hora do intervalo. Foi muito grosseiro. Izanilde chorou.

Quando soube, a gestora não deixou por menos. Luís pediu desculpas. Os tempos são outros, Luís.

Eu também cometi um vacilo - nada comparado ao seu - e levei um puxão de orelha da gestora. Na próxima, pense três vezes antes de falar na escola Heloísa Mourão Marques. Lá, há colegas que tomam as dores dos outros e, além disso, existe gestão.

quarta-feira, junho 25, 2008

Calmo

Manhã

Neste final de semestre, não se encontra um aluno pelos corredores da escola pública Heloísa Mourão Marques. Na administração anterior, encontravam-se vários. Uma das soluções: usar o crachá.

O aluno só sai de sala com ele, um só. Quando retorna, outro aluno vai ao banheiro com crachá. Se andar pelos corredores sem ele, a inspetora o leva à sala ou à direção. Pela manhã, funciona.

Depois de anos sem verba na escola - e isso por causa de duas administrações passadas -, a atual gestão e a sua equipe solucionaram o problema. Gestores prejudicaram a escola e, para isso, não há punição.

Hoje, procura-se colocar ordem na casa, mas, mesmo assim, alguns gostam da desordem, porque, para eles, a escola pública é de ninguém. Liberava-se aluno vinte minutos mais cedo. Houve caso de funcionário que não trabalhava.

Conversando com uma pessoa, eu soube que esse funcionário aparecia na escola de 15 em 15 dias, porque a gestão passada permitia. Agora, finalmente, eu entendo o porquê da gestão anterior garantir voto com alguns funcionários. Havia troca de interesses. E eu que trabalho, falto muito pouco, só quando necessário, a gestão anterior tentou me tirar da escola, colocando alunos contra mim.

A coordenadora de ensino na época chegou levar um "documento" à Secretaria de Educação para prejudicar a minha pessoa, mas, de forma ética, Josenir Calixto, responsável pelo ensino médio, não aceitou por motivos probos.
À noite, aluno levava até carteira para chegar atrasado. Com a atual gestora, professora Osmarina, o aluno do turno da noite deixou de usar essa carteira. Ela telefonou para os patrões e até para o Exército e informou que os alunos tinham direito de sair mais cedo do trabalho para estudar.

Deputado Edvaldo Magalhães, leis precisam ser criadas para aperfeiçoar a gestão escolar.

terça-feira, junho 24, 2008

Casa de Leitura e Letramento. E a Literatura?

DE Aldo Nascimento

Na semana passada, o escritor Milton Hatoum conheceu um projeto do governo estadual, a Casa de Leitura. Ainda na semana passada, a Secretaria Estadual de Educação ofereceu um curso de letramento aos professores do ensino médio. Embora essas iniciativas do Estado sejam muito positivas, existe o avesso. Criaram a Casa de Leitura, porém não há leitura nas escolas públicas do ensino médio. O letramento como curso ocorreu, mas a leitura, segundo o letramento, inexiste em sala de aula

Fala-se tanto em ler; no entanto, até hoje, a disciplina Literatura permanece conforme o currículo formal da Secretaria Estadual de Educação, ou seja, segundo o historicismo literário. A Literatura na escola não é fonte de leitura ou de letramento porque, para o currículo formal, essa disciplina não passa de biografias e de características de época. Não só a secretaria. Por causa de alguns doutores de Letras, o recém-formado leciona para reproduzir o historicismo dos livros didáticos.

Velhas aulas congeladas no tempo. Como quebrar essa espessa geleira didática? Compreender as origens desse historicismo, um começo. O germe encontra-se na Academia Francesa, fundada em 1635 por Richelieu. Foi ela a criadora das condições para que seus autores e suas obras tivessem uma função social, a saber: servir de arrimo da unidade nacional

Nesse século, o 17, não havia a França como nação, mas um conjunto de unidades sobrepostas com leis próprias, sistemas de peso e de medidas particulares e dialetos distintos. Isso significa que esse proto-historicismo literário serviu para a unidade política

Em 1785, 150 anos depois, o alemão Karl Phillipp Moritz protagonizou a classificação, a triagem e a hierarquização de textos por meio de seu livro Rumo à unificação de todas as Belas Artes e Letras sob o conceito de auto-suficiência

Os dicionários registram também essa trilogia classificação-triagem-hierarquização. Em Portugal, o termo “literatura” é dicionarizado pela primeira vez em 1727, no Supplemento ao Vocabulario Portuguez.

Em 1789, Antonio de Moraes Silva exclui o termo literatura em seu Dicionário da Lingua Portugueza. Em 1831, o termo retorna com a definição de Bluteau, vinculando literatura a um conjunto de obras definido não por afinidades estéticas ou formais, mas por terem sido produzidas em determinado tempo ou território

Essa dicionarização da palavra “literatura” chega ao auge com a Biblioteca Lusitana, de Diogo Barbosa Machado, publicada entre 1741 e 1759, quando classifica as obras em função do nome, do sobrenome, do local de nascimento. O português ofereceu e dedicou sua obra a D. João V por ser espelho e sustentação da nacionalidade. Seu trabalho, portanto, assemelha-se ao de Richelieu, fundador da Academia Francesa

No Brasil, século 19, Sílvio Romero [1851-1914] edificou trabalho monumental de história social dos escritores brasileiros – em que se estuda meio, raça, ambiente social, costumes – do que propriamente a literatura “porque para mim a expressão literatura tem a amplitude que lhe dão os críticos e historiadores alemães”, escreveu Romero em História da literatura brasileira, um dos líderes da Escola de Recife

Com esses brevíssimos exemplos, percebe-se que o historicismo literário é vassalo criado para carregar a unidade nacional. O livro Educação literária como metáfora social, de Cyana Leahy-Dios, tece críticas a esse paradigma de literatura na escola quando afirma que “a organização pedagógica da literatura se assemelha a um móvel de gavetas, com divisões e compartimentos para unidades isoladas, um artefato anacronicamente positivista em um mundo pós-moderno”.

DiminutivosSe ele colocou uma “pequena cruz” em seu túmulo, colocou uma “cruzeta”. Se o “verão foi curto”, foi um “veranico”. A ponte, se é pequena, é um “pontilhão”. E se o animal for pequeno? Diminutivo de animal, “animalejo”. E qual o diminutivo de “guerra”? Guerrilha. Se a “câmara dos vereadores” é pequena, chama-se “camarim dos vereadores”. Palácio pequeno é “palacete”; entretanto, como a LÍNGUA não é exata como a matemática, “palacete” significa também “casa muito grande” e “luxuosa”.

Los Porongas

Os caras, simplesmente, são muito bons. Ótimos. Basta.