sábado, agosto 30, 2008

Lutando por uma democracia melhor

Traquinagem de
Gilberto Lobo











Na semana passada, a Assembléia Legislativa do Acre transformou-se em uma “casa-pralamentar-da-mãe-joana”. Os deputados estaduais Luiz Calixto (PDT), à direita, e Nogueira Lima (PSDB) só não se atracaram porque os seguranças do Poder Legislativo trabalham para apartar briguinhas entre homens públicos - políticos que recebem dos contribuintes, além de um bom salário, auxílio-moradia, auxílio-viagem, auxílio-passeio, auxílio-briga, auxílio-palavrão.

Segundo Calixto, Lima chegou atrasado e muito azedo ao Pralamento, lugar dos grandes oradores, por isso o deputado Donald Fernandes (PSDB) pediu para que os dois orassem a fim de que a calma chegasse. Ela, porém, não compareceu para justamente não assistir a uma “sessão ordinária".

Tudo começou quando Lima, com cara de quem chupou limão, segundo fontes, levantou uma questão muito relevante, muito crucial, muito vital, muito importante para a saúde, para a educação, para a economia, para a cultura e para a população do Estado, qual seja: nas eleições municipais de Rio Branco, Calixto não tem posição com a Frente.

Mas isso, sabemos, é um problema do deputado Luiz Calixto. Se ele tem ou não tem posição com a Frente, bem, não será o deputado Azedo que ficará na reta... final da campanha para saber se Calixto está com tudo em cima do muro, não é verdade?

Missa Poética de Sétimo Dia

Hoje, faz sete dias que meu amado tio Dílson foi sepultado. Imagino uma capela. Dentro dela, um padre abre não a Bíblia, mas uma poesia. Muito atento aos versos, ouço a missa.














"A poesia se chama Quando vier a primavera", diz o sacerdote. "Escutem-na."

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é
.
______________________________________

E terminou sua missa poética de sétimo dia, dizendo apenas: "Vão, meus filhos, e levem com vocês essa poesia de Alberto Caeiro."

sexta-feira, agosto 22, 2008

Morre um dos últimos malandros

Ao longo da vida, muitos de nós ruminam as misérias da traição, do egoísmo, da vaidade, da soberba, da prepotência, até que a morte nos dá um abraço muito íntimo. A vida passou e o que fizemos foi desejar o mal para os outros.

Irmão de minha mãe, meu amado Dílson era homem simples, bom de coração; pessoa que eu amava muito, amigo fiel que me aconselhou muito na adolescência. Sempre quando eu visitava a família, dava-lhe um beijo no rosto e dizia "eu o amo muito, meu tio". Na minha infância e na minha juventude, foi o pai que eu não tive.
















Era um carioca tipicamente malandro, mas ninguém é mais malandro do que a morte.

Minha alma encontra-se profundamente triste, sem ar. Ficarei algum tempo sem blogar. Não sei quando reapareço. O que mais quero é o silêncio e a dor de minhas lembranças.

Umpa-lumpa-lumpa

Montagem do malvado jornalista Giberto Lobo (Mau)










Sempre quando vejo o âncora Jorge Henrique, da TV Aldeia acreana, lembro-me da Fantástica Fábrica de Chocolate.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Obra do diabo

Igreja Universal é obrigada
a devolver dízimo de fiel em Minas Gerais

Rayder Bragon
Especial para o UOL
Em Belo Horizonte

A Igreja Universal do Reino de Deus em Belo Horizonte foi condenada a devolver valores destinados à congregação desde 1996, em valores ainda a serem apurados na liquidação da sentença, e ainda ressarcir um homem em R$ 5.000 por danos morais. Segundo o TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), o fiel foi considerado incapaz de tomar decisões por contra própria.

Na sentença, desembargadores entenderam que a Igreja Universal fora negligente ao aceitar as doações. "A instituição religiosa que recebe como doação valor muito superior às posses do doador, sem devida cautela, responde civilmente pela conduta desidiosa", disseram desembargadores da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Segundo laudo pericial psiquiátrico pedido pelo tribunal, o doador das quantias é portador de enfermidade de caráter permanente.

Conforme relatos do TJ-MG, o fiel fora compelido a participar de reuniões antecedidas ou sucedidas de pedidos de doações financeiras.

No processo, o freqüentador dos cultos, que não teve seu nome divulgado, foi representado pela mãe.

O fiel trabalhava como zelador e tivera todo o ordenado tomado pela doação que fazia à instituição religiosa. Em dado momento, com o agravamento da doença, fora afastado do trabalho e, segundo dados do processo, passara a emitir cheques pré-datados para a Igreja Universal

Ainda de acordo com o tribunal, o homem contraiu empréstimo em instituição financeira e chegou a vender um lote por valor aquém do que o terreno valia em prol da Igreja Universal.

Com "promessas extraordinárias", segundo o processo, o homem fora induzido a fazer as doações financeiras e, por seu turno, pessoas que tentavam demovê-lo da prática era tachado de "demônio". A mãe seria o principal ente do mal para ele.

Inicialmente, o juiz da 17ª Vara Cível de Belo Horizonte havia argumentado que a incapacidade permanente do doador só fora constatada a partir de 2001, isentando assim a igreja de restituir valores anteriores a esse período.

Estipulou assim em R$ 5.000 o valor a ser reembolsado e mais R$ 5.000 por danos morais.

Tanto a igreja quanto o rapaz, representado pela mãe, recorreram da decisão. Em nova análise, o desembargador Fernando Botelho, relator do recurso, disse entender que a interdição veio apenas corroborar uma situação de incapacidade pré-existente.

A igreja e o incapaz recorreram ao Tribunal de Justiça. O desembargador Fernando Botelho, relator do recurso, entendeu que a interdição do incapaz apenas veio confirmar situação pré-existente.

"Mesmo antes de 1996, ano em que o autor passou a freqüentar as dependências da igreja e a fazer-lhe doações, já apresentava grave quadro de confusão mental, capaz de caracterizar sua incapacidade absoluta, já que, no laudo pericial, restou consignado que ele não reunia discernimento suficiente para a realização dos atos da vida civil", informou em seu despacho o relator do processo.

Ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília-DF.

A reportagem do UOL tentou entrar em contato com os advogados da Igreja Universal do Reino de Deus, mas foi informada que um dos representantes da igreja perante o TJ-MG está em viagem a São Paulo e só retorna a Belo Horizonte no sábado.

O advogado Luiz Eduardo Alves, que atuou no caso representando a instituição evangélica, não foi localizado por meio dos números telefônicos repassados à reportagem.

Feijó & Tarauacá

TCE encontra irregularidades
nas prefeituras de Feijó e de Tarauacá

DE Freud Antunes

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) reprovaram os relatórios de dois prefeitos do interior e decidiram abrir processos para aplicação de multa aos maus gestores na sessão plenária da manhã de ontem.

O primeiro a receber o alerta foi o gestor de Feijó, Francimar Fernandes de Albuquerque, que apresentou diversas irregularidades nos relatórios resumidos de execução orçamentária do 2º e 3º bimestres.

De acordo com a equipe de auditoria do TCE, o prefeito deixou de apresentar diversas informações que prejudicaram a análise dos investimentos feitos em educação e saúde, além de deixar de efetuar o pagamento das contas do município.

Como Francimar apresentou o problema financeiro nos dois processos, o Ministério Público de Contas opinou pela abertura de processo, o que foi aceito pelo relator Antônio Cristóvão Correia de Messias e ratificado pelos outros membros do Tribunal.

Na análise dos relatórios resumidos de execução orçamentária dos 1º e do 2º bimestres de Tarauacá, os conselheiros encontraram um défice de R$ 777 mil, a falta de investimento em educação e saúde, a falta de demonstrativos, o descontrole orçamentário e a falta de comprovante de divulgação dos gastos públicos.

Com tantos problemas, o gestor receberá uma notificação, um alerta e ainda responderá a dois processos que poderão chegar a uma aplicação de multas, sendo uma por rescindir nos problemas e outra pelo atraso na divulgação dos relatórios.

A Gramática nas Eleições



Hoje, pela primeira vez, eu vi a língua portuguesa na campanha televisiva do candidato a prefeito de Rio Branco, senhor Sebastião Bocalom, do PSDB.

De repente, aparece escrito "esse você conheçe".

Eu desconheço.



quarta-feira, agosto 20, 2008

Eros & Psiquê















O cristianismo deu a Eros veneno para beber
- ele não morreu, é verdade, mas degenerou em Vício.

Além do Bem e do Mal, de Nietzsche

Doce Ilusão



Alguém precisa avisar ao Dunga que ele não é técnico da Seleção Brasileira.

Acorda, Dunga, você é uma fantasia.

terça-feira, agosto 19, 2008

Photoshop

Da revista CULT

O fotógrafo Cristiano Mascaro fala sobre seu livro mais recente, Feito e Desfeito, publicado pela Editora BEI, em 2007, como primeiro volume da coleção Educação do Olhar. Em entrevista à CULT, o artista e arquiteto nascido em Catanduva, interior de São Paulo, também analisa a produção de "artistas de photoshop" e comenta sobre a ética na fotografia

CULT: Com os programas de computação que tiram e acrescentam aquilo que não existe de fato, a fotografia ganha ou perde?
Cristiano Mascaro - Ainda é muito cedo para fazermos uma análise precisa. Em todo caso, podemos dizer que do ponto de vista da criação, evidentemente, os avanços tecnológicos sempre serão bem-vindos pois colocam novos desafios e possibilidades diante do artista. Por outro lado, no jornalismo, por exemplo, a ética e o compromisso com a veracidade dos fatos devem falar mais alto. Já houve um caso em que o fotógrafo aumentou a dramaticidade de sua imagem de guerra colocando mais fumaça de bombas na cena. Se o costume vingar, rapidamente passaremos a não acreditar no fotojornalismo. No entanto, tenho uma cisma um tanto masoquista que vale principalmente para o primeiro caso, o da criação: facilidades demais atrapalham. O desafio do artista é o duro embate com seu material e as limitações e as dificuldades que lhe são impostas. O fotógrafo diante do computador operando o photoshop corre o risco de se tornar um daqueles "pianistas" sentado à frente de um daqueles pianos eletrônicos: ele só finge que está tocando ou compondo alguma coisa.

CULT - Qual é a ética da fotografia?
C.M. - Muitos conceitos terão de ser repensados e reavaliados depois do aparecimento da linguagem digital. Diversas coisas antes impensáveis como próprias da fotografia, terão de ser assimiladas. Para o bem e para o mal. No entanto, como tudo na vida, há limites. Se não os levarmos em conta, correremos o risco de criar uma outra coisa que não será mais fotografia tal como a conhecemos. Creio que o respeito e a fidelidade aos princípios básicos da linguagem fotográfica definem sua ética. Mas para não parecer muito ortodoxo, devo frisar que esse respeito deve estar mais presente no fotojornalismo e na fotografia documental. No trabalho autoral, o fotógrafo deve ser livre para criar o que bem entender.

CULT - O que é um fotógrafo de Bienal?
C.M. - Desde o surgimento da fotografia os jovens, até recentemente, é bom frisar, pensavam em se tornar fotógrafos sonhando "ver o mundo", refletindo a respeito do que tinham diante dos olhos. Não importava o que resultasse de seus trabalhos: fotos jornalísticas, documentais ou autorais. Atualmente, o que se tem visto é o desejo irreprimível dos fotógrafos de serem "artistas de bienal" mesmo que para isso tenham de se dobrar às "tendências" que vêm de fora, principalmente da Alemanha. E os curadores (nem todos) adoram. E o que vemos? Nada além de instalações ou performances fotografadas (normalmente muito mal fotografadas), fotos do banal que nada são além de uma imagem banal, óbvia e sem surpresas (será metalinguagem?) e, quase sempre, ampliadas no maior tamanho possível. É isso aí, infelizmente.

CULT - Descreva o "mundo desfeito e refeito" através do olhar do fotógrafo.
C.M. - Tomei emprestada a expressão "desfeito e refeito" de um ensaio do professor Antonio Candido a respeito da crônica como gênero literário. Para mim ela define perfeitamente o papel do fotógrafo diante do mundo: desconstruí-lo e reconstruí-lo tornando-o mais interessante e surpreendente.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Jornalista escreve

"Além dos novos equipamentos, as outras mudanças estão na emergência clínica, que irá reforçar o setor de observação 1 e também as alterações na emergência clínica toráxica."

Acho legal reinventar palavras, sair da monotonia ortográfica.

Ronda Gramatical

A foto revela o momento em que
jornalistas do governo
são presos com 65 quilos de droga










Na última sexta-feira, às 13h13, a Polícia Ortográfica realizou uma batida na Agência Nacional do Acre. Ao todo, 65 quilos de droga gramatical pura estavam nas mãos de assessores de comunicação, tudo enrolado em textos jornalísticos que comprometem a crase, a concordância nominal, o hífen. “Eu não sei como isso veio parar aqui, policial, eu sou alfabetizado”, defendeu-se um dos meliantes.

No boletim de ocorrência, registra-se que um deles, viciado em erros, colocou um acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de todos. Todos foram levados para a unidade de recuperação gramatical Celso Cunha e responderão em suas celas à Lei 5.765, de 18 de dezembro de 1971.

Ariane Cadaxo e Leila Galvão

À esquerda, Ariane Cadaxo
À direita, Leila Galvão

É o milagre do photoshop


Da poesia

Receita de Mulher





As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental.
Vinícius de Moraes

DE Aldo Nascimento

Na semana passada, o jornalista Gilberto Lobo, da TRIBUNA, publicou uma boa e irônica matéria sobre a campanha política da imagem acima da campanha política das idéias. Duas mulheres, Ariane Cadaxo (PC do B) e Leila Galvão (PT), duas representantes da esquerda acreana, saíram do salão de beleza de um photoshop, das mãos de um designer - esse desenhista industrial que dá cor ao cabelo, maquia rostos - para o glamour da passarela eleitoral. Na era do vazio, a esquerda também vive das aparências

A princípio, não consigo reparar nenhum problema em um photoshop retirar o aparelho de dente de uma candidata ou limpar as marcas de acnes do rosto de uma outra. O ruim para a democracia é quando não sabemos quais são suas idéias sobre, por exemplo, a educação.

Para os jornais, os assessores de comunicação escrevinham amenidades, textos que informam sobre a insignificância, sobre o que não tem a mínima importância. Aparência sobre aparência. Lendo matérias desses assessores políticos, até agora, não me deparei com uma idéia significativa ou inovadora sobre educação pública. Os próprios releases desses candidatos não passam de uma enfadonha aparência textual

As mulheres podem até achá-lo sedutor, atraente, bonito, charmoso, mas o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, não é apenas aparência. O cara pensa. Em Minas, ele formou uma parceria muito boa com o AfroRegge, unindo esse grupo à Polícia Militar a fim de diminuir os índices de violência. Mas Aécio não parou aí. O PSDB mineiro, diferente do PT acreano, está oferecendo novos caminhos para a gestão pública. Há mais de dez anos como funcionário do Estado, eu reconheço os avanços, mas tenho uma compreensão nítida de que permanecemos estagnados em alguns pontos, um deles: gestão escolar. Posso entrar em sala de aula e, se eu lecionar mal durante o ano letivo, para a Secretaria de Educação, meu salário iguala-se ao de um colega que obtém resultados melhores do que eu.

O jornalista Fábio Portela, da revista Veja, abre sua curta matéria desta semana dizendo que “só o espírito público leva um funcionário do governo a se dedicar com afinco ao trabalho e produzir resultados para a população. Como não há um sistema de méritos na gestão pública, ninguém ganha mais e, muitas vezes, nem sequer é promovido por sua dedicação. A estabilidade no cargo e as promoções automáticas por tempo de serviço acomodam os servidores”.

Nas escolas acreanas, o poder público ignora a qualidade de professores, porque inexiste um acompanhamento sistemático na própria unidade escolar. Na escola Heloísa Mourão Marques, por exemplo, a gestora Osmarina, por iniciativa própria, organiza as pastas funcionais de seus funcionários para que sua gestão reconheça servidores que se dedicam ao erário. Isso, porém, repito, parte de uma ação individual de uma gestora, o sistema não funciona assim.

Posso me esforçar para colocar a escola Heloísa Mourão em uma boa colocação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas tamanho esforço se nivela a um colega que nem leciona redação em sala de aula. “Quem não se esforça não recebe”, disse o governador de Minas Gerais. Só para dar um outro exemplo. No Amazonas, o governador Eduardo Braga estabeleceu metas de arrecadação. Quando a Secretaria da Fazenda cumpre tais metas, os funcionários recebem o 14º salário

Incomoda-me candidato receber voto por aparência. No Acre, a oposição de um Petecão ou de um Bocalom, por carecer de boas críticas, empobrece a democracia. PT e PC do B têm o dever cívico de qualificar a democracia por meio de boas idéias. Que Ariane Cadaxo e Leila Galvão me perdoem, mas beleza, na política, não é fundamental.

sábado, agosto 16, 2008

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À esquerda, Frank; meio, Willam; e à direta, Luciano. Juntos, estão melhorando ainda mais o Ideal. Nesta reunião, problemas e soluções. Os caras sabem que permanecer no mercado de curso de pré-vestibular é preciso criar e criar. Eles, porém, não permanecerão só com a idéia de pré-vestibular. É só esperar.

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As comodações do pré-vestibular Ideal estão muito boas. Seus diretores afirmam que elas nem foram concluídas ainda. Isso quer dizer que ficarão ainda melhores.

Além disso, outras novidades surgirão.

Artigo de Gilberto Lobo

Falta ouro ao Brasil

É duro ser brasileiro e ver, pela TV, a comemoração conformada de um 10º lugar. Se o segundo é apenas o primeiro dos últimos, onde está a excitação de tão longínqua classificação? Talvez esteja no maior ensinamento aprendido nos bancos de escola pública brasileira: lutar cansa, é melhor deixar do jeito que está. Ou pior, talvez seja a reverberação da frase chata que diz: “sou brasileiro e não desisto nunca”. E não desiste mesmo. Para desistir de alguma coisa, era preciso, primeiro, ter lutado por ela.

A falta do brilho áureo no peito dos atletas brasileiros também é inexistente nas universidades. Não há incentivo algum para pesquisas, para pensar formas de transformar um país desigual e violento, além de tudo isso perdedor, numa potencia mundial, num exemplo como é a China, como é o Japão.

Não há nada mais triste do que ver um país tão grande e cheio de riquezas naturais tendo que pedir esmolas a outros países, como os obesos Estados Unidos da América, que, de forma alguma, acabariam ou sequer diminuiriam os subsídios oferecidos para incentivar sua agricultura, para se endividar mais ainda com países considerados por eles como - o que não se pode negar - perdedores.

O sonho de todo pai, de toda mãe é ver o filho ingressando numa universidade federal. O sonho esse que se desfaz já nos primeiros dias de aula. Professor é algo raro. E, quando há professor, não há condições mínimas para uma aula. Quando há professor e material, não há incentivo.

Ainda existem professores que têm coragem de dizer que são doutores, que confunde metodologia científica com física quântica, exemplo tirado de uma professora da Universidade Federal do Acre. Se essa professora tivesse tido a delicadeza de ter estudado o assunto antes, talvez a cena ridícula poderia ter sido corrigida a tempo e as coisas ganhariam mais fluidez e a cena ridícula poderia ter se transformado num teste de concentração dos alunos. Ela poderia até sair com aquelas frases de quem possui um gigantesco estoque de óleo de peroba: peguei vocês!

E, se os problemas parecem por aí, poderíamos até sonhar com o bronze. Mas não. A falta de educação segue firme na última raia. As greves são desculpas para férias. Na última greve, alguns professores aproveitaram para viajar, para curtir férias antecipadas e acabaram se esquecendo de voltar antes do término do “protesto”. Quem pagou por isso? Os alunos, que tiveram que estudar em uma semana o que era destinado a um semestre. O que ficou na mente dos alunos dessas aulas relâmpago? Revolta e despreparo.

E voltando à metodologia cientifica. Ninguém conseguiu encaixar a física quântica no modo de fazer uma monografia. Lá vai mais uma maratona atrás do prejuízo. E, se os alunos se destacam e se tornam grandes profissionais, mérito único. Nem de muito longe se pode agradecer à universidade, ao ensino.

Talvez, o curso de comunicação seja o pior curso da Ufac, porque não há nada de comunicação, os alunos acabam sendo os últimos a saber das mudanças adotadas pela coordenação e que acabam ajudando a destruir mais ainda a auto-estima dos educandos, que, do jeito que as coisas caminham, podem até se tornar reeducandos, como aqueles lá do presídio, que nem precisam mais usar algemas, porque o perigo está nos que ainda estão livres, se é que ir para uma penitenciária é um modo de privação da liberdade.

É, o jeito é mergulhar sem nada de bom das universidades públicas, saltar sobre todos os jumentos que aparecerem na frente, confundido metodologia científica com física quântica e seguir não “desistindo nunca”. E nada de “vai estudar, menino!” Mas sim, “vai ser político ou jogador de futebol, menino!”

Só para não fugir do ranking, a Ufac é a 55º na classificação geral do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Apenas 5,88% dos cursos obtiveram nota cinco. Universidade Federal de Minas Gerais teve 80,00% de aproveitamento.

*Jornalista

sexta-feira, agosto 15, 2008

Entradas

Hoje, sortearam em cada sala de aula duas entradas para o jogo Rio Branco e Holanda, oferecidas pela Secretaria de Educação.

Há alguns meses, o grupo de teatro Giramundo apresentou várias peças. Na escola, a secretaria jamais distribuiu entradas para alunos irem ao teatro.

E assim caminha a humanidade...

Vamos fazer o seguinte, na próxima vez, Secretaria de Esporte distribui as entradas para jogos na Arena da Floresta, e a Secretaria de Educação distribui as entradas para bons cinemas e teatro.

E assim caminha a humanidade...

quinta-feira, agosto 14, 2008

Seringalista e Seringueiros

Publicam nos jornais de hoje que Antônio Santana de Sousa, dono de um posto de gasolina, isto é, pessoa que tem poder econômico, não viu a cor de R$ 7 milhões em seu caixa.

Quem condenar sem antes ser julgado pela Justiça?

Ora, a acusação partiu do homem rico, dono de posto, e os jornais (ou tribunais de justiça) condenaram Sabrina Gondim de Barros, Marluce Honorato de Andrade, Luciane Freitas Barbosa, Patrícia Areal Leme e Jurivaldo Amâncio de Góes a alguns dias de exposição na imprensa.

Quem são? Alguns são frentistas? Mas o que é um desprezível frentista? Gente? Não, frentista não é gente, não é humano: é pobre. Quando ocorre algo, por exemplo, com empresários, jornais retiram o nome ou a matéria, porque eles são humanos, ou seja, devem ir a julgamento primeiro. É justo.

A isso, senhores, chamamos liberdade de imprensa.

Uma boa idéia

Ainda guardo comigo um jornal escrito por alunos da quinta série. Foi uma experiência inovadora e sempre ignorada pela Secretaria de Educação do Acre.

Podem falar mal de Antônio Stélio - eu reconheço alguns de seus defeitos -, mas não posso ignorar que Stélio dava liberdade ao Página 20 para criar. Sem ele, este jornal não teria sido publicado.

Ainda sonho com essa realidade educacional. Espero que, na administração da Osmarina, possamos criar um jornal com os alunos, páginas escritas por eles. Fazer pauta em sala de aula e sair da escola para entrevistar, ouvir pessoas do bairro, ouvir professores, elaborar boas críticas, elaborar propostas, ou seja, criar textos que não se reduzam à sala de aula, mas que tenham uma dimensão social.

Uma breve história

Na capa deste jornal, aparece um aluno que revi mais tarde em Rio Branco. Ele tinha assassinado, em legítima defesa, um homem que tentou matar seu irmão. Pobre, sem um bom advogado para pagar, ele me disse que ficou na cadeia por um tempo.

Um jornal escolar poderia entrevistar esse meu ex-aluno para falar de sua vida, de seu período na cadeia, de seus sonhos, mas, como a Frente Popular na Secretaria de Educação nunca me acenou com uma real possibilidade de criar um jornal na escola Heloísa Mourão Marques, a língua portuguesa só serve para obter bons resultados no Enem.

Eu não falo de holofotes para o Enem. Eu falo de uma lingua portuguesa com jornalismo na escola como trabalho social. Eu soube que na Secretaria de Educação há processos arquivados, documentos contra mim, mas não há em minha pasta funcional um jornal escrito por meus alunos como trabalho inovador na escola. Existem acusações e, quanto a um reconhecimento, recebo indiferença.

Hoje, uma colega me perguntou qual o sentido de estar vivo neste país. Calei-me na hora. Nesta bolha (blog), digo que o sentido da vida é lutar para construir o melhor, mas sabendo que amanhã é dia de morrer para ser lembrado, no máximo, em uma missa de sétimo dia.

Quero dizer com isso que leciono em salas quentes, lugares onde o ventilador não dá sinal de vida, sem esperar nenhum escroque reconhecimento do poder, e nem o quero. No fundo, eu sei, para muito além de relacionamentos pessoais, o poder me explora, me vigia, mente segundo seus interesses. Faz isso não por ser de esquerda ou de direita, mas porque é isto: poder.

Desejo, isso sim, o reconhecimento daqueles que estudaram comigo em sala, alunos que ultrapassaram os muros que coloquei diante deles. Jovens que param na rua para me cumprimentar, porque esses, só eles, sabem quem sou em uma sala de aula.

A Secretaria de Educação não sabe quem sou em sala de aula e, mesmo que soubesse...

Como disse Fernando Pessoa aos meus olhos, "viver é não conseguir". Ando tão feliz.

Blog a Framarg

Ao elogiar meu texto, você acabou erguendo um texto sensível, bonito. Obrigado por tuas palavras, gosto quando uma inteligência aporta neste blog. Um abraço em teu destino e deixo um sorriso nesta foto.

"Há um ditado catalão que afirma: “no mar não há o teu, não há o meu; no mar tudo é teu, tudo é meu”. Adorei seu comentário acerca do homem de “ombros largos”. Arístocles é realmente emblemático, traduz o pensamento de um povo que decidiu criar e seguir sua luz.Confesso-lhe ter enorme saudade do tempo em que eu, “formatando” este pensador á realidade da escola, trazia enumeradas versões do mundo sobre o pensamento grego. A história não é menor que a literatura, são cegos no mesmo beco escuro, é também capaz de fazer, como dizem os alemães “experienciação”.Agora, dentro dos cinco lados de uma parede branca, faço sonhos de voltar à sala de aula. Tenho certeza de que não posso quedar-me “chorando a bíblia junto ao aquecedor”. Se algumas vezes me perdi em meus erros, receios e defeitos, tenho claro ser um grande mar o local em que estava.E se realmente for isso, tem razão o poema da Catalunha, e te assassino com os versos dele: “no mar não há o teu, não há o meu....

um abraço.
8/12/2008 07:46:00 AM