segunda-feira, setembro 08, 2008

Jornalista enrolado

Entre nós, transita um jornalista enrolado quando escreve. Se acha, mas escreve mal, não domina seu próprio ofício. Mandou esta:

"Jornal O Globo de domingo, trouxe matéria sobre o crescimento do PT no Acre com uma manchete interessante e da qual a turma petista local corre horrores: No Acre, PT tenta consolidar sua hegemonia."

Da qual é bonito, mas qual verbo na frase-oracional pede "da"? Escreve-se por escrever na base da intuição ou do achismo.

domingo, setembro 07, 2008

Gosto desses homossexuais

Com a tempestade que se chama ‘espírito’ soprei sobre o teu mar revolto e expulsei dele todas as nuvens e até estrangulei o estrangulador que se chama ‘pecado’.” Assim falou Zaratustra, de Nietzsche.

De
Aldo Nascimento

Há dois anos, fui ao calçadão da Gameleira para assistir a um ótimo espetáculo. Era a semana da diversidade. Como havia um encontro de evangélicos no estádio Hélio Melo, saí do local de lésbicas, de travestis e de gays para ouvir, segundo alguns homens, a palavra de Deus.

Em um palanque, um dos pastores, em nome do Senhor, afirmou que os filhos de Deus ocupariam o calçadão da Gameleira no dia seguinte para limpar um lugar que tinha sido sujado por homossexuais. Na Alemanha nazista, Hitler não perseguiu somente judeus - homossexuais também.

Deuteronômio

Por que tamanha intolerância? Por que tal desrespeito? “Porque a palavra de Deus, escrita na Bíblia, não aceita a sodomia”, dizem os fiéis. Tudo, portanto, parte do Livro Sagrado para que homossexuais sejam impuros, condenados. Tudo parte da palavra. Sendo assim, se a palavra do Senhor deve ser obedecida à risca, cumpramo-la segundo Deuteronômio: “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal de Israel.” (22-22) Obedeçamos ainda: “Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer sem filhos, então, a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora da família; seu cunhado a tomará, e a receberá por mulher, e exercerá para com ela a obrigação de cunhado.” (25-5)

Esses dois exemplos – e poderia citar outros – evidenciam que a palavra nem sempre se aplica no tempo presente, porque a Bíblia não foi escrita por um Deus imóvel, fixo, imutável, mas pela cultura de um povo situado na história. Se algum pai evangélico quer seguir a palavra, seguir a lei, cumpra o que está escrito em Deuteronômio: todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra, porque teu filho é teimoso e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à da sua mãe. Mate-o, está escrito.

Esses exemplos em Deuteronômio são absurdos no mundo hodierno. Nenhum evangélico submeteria, por exemplo, seu filho ao apedrejamento por ser rebelde, mas pastores usam palavras violentas em seus cultos contra homossexuais porque a palavra de Deus abomina criaturas que contrariam a natureza humana de heterossexuais. O passado secular do povo judaico determina quem é sujo, quem é limpo. Mas esse passado, repito, sendo histórico, pode ser questionado.

Como sabemos, na Bíblia, as relações são patriarcais, e esse patriarcalismo se matém em uma sociedade agrária. Nessa sociedade, por questão de propriedade da terra, as relações de direito são consangüíneas. Ora, como em uma sociedade patriarcal perpetuar a propriedade e as relações familiares depende de relações consangüíneas, o homossexual não representa esses laços por negar a procriação. Sei que estou sendo lacônico, mas estudos indicam que a violência contra homossexuais parte de um passado agrário e patriarcal.

Igrejolas

Neste ano, a semana da diversidade trouxe mais uma vez algo muito importante para os homossexuais e para os simpatizantes, que é o debate. Se evangélicos os satanizam por meio da palavra, é a palavra, situada na história, que deve ser estudada. Os homossexuais precisam estudar a história do povo judaico para que sua cultura seja questionada, e não Deus. Eles precisam conhecer mais a Bíblia do que certos pastores incultos e desequilibrados pela escuridão densa da ignorância. Um suposto saber de igrejola, senhores, combate-se com um saber autêntico de um estudo sério e profundo de viados, de gays, de lésbicas, de travestis, de homossexuais.

Meus homossexuais

Na história, muitos foram os homossexuais sérios que contribuíram para o saber. Sigam os passos deste que teve problema com a família por gostar de outro homem: Michel Foucault. Prefiro ler este a ter que ouvir cultos de certos impostores da fé: Roland Barthes. Abrir um livro e ler outro homossexual: Mário de Andrade. O que são evangélicos tolos diante dos belos versos dos homossexuais What Whitman, Rimbaud, Verlaine e Mário de Sá-Carneiro? E o que falar do canto das lésbicas Ângela Ro Ro, Cássia Eller e Ana Carolina perante ruídos em igrejicas? Que pastorzinho há de negar que em Renato Russo e em Cazuza habita um belo Deus?

Um irlandês

Poderia citar tantos bons outros, porém não poderia deixar de esquecer dele: Oscar Wilde. Às 13h50, em 30 de novembro de 1900, uma sexta-feira, morria de meningite encefálica, após sofrimento de quase dois meses, o escritor irlandês Oscar Wilde, nascido em Dublin, em 1854. O seu fim ocorreu em um quarto precário do humilde Hôtel d’Alsace, situado no número 13 da rua des Beaux Arts, no bairro de Saint-German-desPrés, em Paris. Hospedou-se com nome de Sebastian Melmoth, inútil tentativa de esconder sua identidade, enxovalhada após o escandaloso processo a que fora submetido no tribunal inglês.

Em seu enterro, havia 14 pessoas. O autor de O retrato de Dorian Gray foi condenado por “ato de indecência grave” ou por homossexualismo, punido com a pena de dois anos de prisão. Casado com Constance, ele a abandonou para viver seu amor com Alfred Douglas, de 21 anos; e ele, 37, quando se conheceram em 1891. Mas seu amor, no dia do julgamento, fugiu para não testemunhar. Na cadeia, Oscar Wilde escreveu para Douglas: “Nossa desgraçada e lamentabilíssima amizade acabou para mim na ruína e na vergonha pública.” Mais tarde, o amante de Wilde passou a perseguir homossexuais e judeus.

Depois de Shakespeare, o homossexual Oscar Wilde é o dramaturgo inglês mais representado mundialmente e é considerado um dos maiores escritores do século 19. Esse escritor teve a coragem de enfrentar o tribunal inglês, mas, só em 1967, foi regulamentada a lei que descriminalizou o homossexualismo na Inglaterra.

Além de debates na semana da diversidade, que gays, lésbicas, travestis, simpatizantes, homem e mulheres dancem, cantem, brinquem, divirtam-se porque “eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar”, escreveu Nietzsche em Assim falou Zaratustra.

Dancemos!!!

sábado, setembro 06, 2008

Árcade



O amor triunfante,

de Caravaggio


De
Aldo Nascimento

Em 4 de agosto de 1645, Descartes cita em sua carta a Elizabeth um livro de Sêneca, De Vita Beata [Sobre a Vida Feliz]. Mesmo tão distantes no tempo, ano 4 a.C e século 17, algo nessa carta os aproxima: a razão. Para ser contente consigo mesmo, Descartes nos ensina que devemos manter a firme e a constante resolução de executar tudo quanto a razão nos aconselhar, sem que nossas paixões ou nossos apetites nos desviem. No final, ele afirma que Sêneca nos ensinou a regrar nossos desejos.

No mesmo século, em 1690, cria-se na Itália a Arcádia, arte que disciplina o desejo dos amantes segundo as virtudes da razão. Sim, regular, ordenar, racionalizar, mas o que é o desejo a ponto de a razão querer policiá-lo? Antes de seguir a origem da palavra desejo, saibamos que, da união entre o deus Zeus e a mortal Calisto, surgiu Árcade, um semideus a civilizar uma região da Grécia onde habita o deus Pan, representante do desejo. Se procurarmos no dicionário, “arc” significa também “limite”. Árcade, portanto, para civilizar, limita o que Pan representa. Mais uma vez, a razão estrema o desejo.

Retorno à pergunta: o que o desejo é a ponto de a razão querer policiá-lo? Desejo deriva do verbo desidero, e desidero deriva do substantivo sidera. Conjunto de estrelas, ou seja, espaço sideral. Quem olha para a constelação percebe que os astros movem-se segundo a ordem da natureza, segundo a razão. Romper com sidera significa não mais consultar a ordem dos astros a fim de saber sobre o destino. Tamanha cisão ocorre por causa de desidero, por causa do desejo. Ora, a igreja, por exemplo, mantém-se conforme um conjunto a serviço da unidade. Ao se afastar desse conjunto, dessa ordem externa; ao negar a harmonia do todo, o desejo é perda que desequilibra a igreja, a família, o Estado, o Arcadismo.

O amor triunfante, pintado por Caravaggio em 1602 (foto), mostra Eros, representante também do desejo, com uma força que destrói o equilíbrio da razão. Esse artista italiano pertence ao Barroco, escola oposta aos princípios do Arcadismo.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Passou pela faculdade

"No Acre, segundo a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Estado (Dape), Gerlívia Maia, não houve nem uma informação sobre essa estatística de dados, mas assegura que na região a procura é muito grande pelo produto."

Acima, texto de um jornalista formado. Quatro anos sentado no banco de uma faculdade. Todo dia, erros absurdos, todo dia.

terça-feira, setembro 02, 2008

Eu quero ver televisão













Diagramador do jornal A TRIBUNA, Márcio, em plena Redação, não mediu esforços parabólicos para assistir às olimpíadas. O rapaz gosta de ver homens correndo, pulando, lutando.

Segundo sua esposa, quando ele não está trabalhando, pratica esporte em casa: nada, nada e nada.

Mas o fato é que, mesmo com o tamanho da antena, ele não conseguiu ficar sintonizado com a China.

O MEC & A Pedagogia

Curso de Pedagogia da Ufac sofre intervenção do MEC
De Freud Antunes

O curso de Pedagogia da Universidade Federal do Acre (Ufac) receberá a intervenção do Ministério da Educação (MEC) por ter tirado nota baixa no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD).

Para corrigir o problema, a instituição terá dez dias para responder que ações serão implementadas para melhorar a qualidade do curso. Caso não haja elevação do nível do ensino, a faculdade pode ser fechada.

Na lista do MEC, existem 60 universidades, sendo que apenas duas são públicas: a Ufac e a Universidade Federal do Mato Grosso.

A supervisão que será implantada poderá levar a redução de vagas como foi realizado com os cursos de Direito avaliados pelo Ministério.

Na relação do governo federal, o curso de Pedagogia da Ufac tirou 2 na avaliação que tinha uma escala de 1 a 5. O teste verifica o nível de conhecimento dos alunos que estão iniciando o primeiro período e os que estão no último semestre. A Universidade é a única instituição acreana que deverá receber a intervenção.
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Breve comentário

Quem consegue título de doutor - e consegue com o dinheiro público - tem a obrigação de estar acima de disputas politiqueiras para qualificar uma instituição de ensino. Enquanto brigam por uma poder infecundo, alguns cursos da Ufac estão em queda, e isso independe do governo federal.

Legislar contra a causa própria

"Proudhon dizia que toda propriedade é um roubo. A elite brasileira acha que todo cargo público é uma propriedade." De Millôr Fernandes

Mudança no quórum
De Freud Antunes

Durante a sessão de ontem, o vereador Roberto Sá (PT) apresentou um projeto de resolução (PR) para a mudança do quórum mínimo e para o desconto no salário de cada falta do parlamentar.

Segundo o legislador, a proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deverá dar parecer favorável ou contra.

“Essa resolução muda o regimento interno, reduzindo de seis para três a quantidade de vereadores necessários para a abertura do expediente, além de determinar o desconto em folha de cada falta do parlamentar, o que até agora não ocorre”, finalizou Roberto Sá.
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Breve comentário

Até onde minha ignorância política sabe, a Câmara dos Vereadores de Rio Branco é composta por uma maioria que vota a favor do prefeito Raimundo Angelim (PT). Não entendo o porquê dessa maioria não apresentar projetos que melhorem a imagem da Casa. Faltar e receber o mesmo salário como se não tivesse faltado conspira contra a ética. Roberto Sá está de parabéns por não legislar em causa própria.

Há certos vereadores de esquerda que não disseram até hoje para que vieram.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Ronda Gramatical

Jornalista da TV sacaneia cadáver

Meu amigo, minha amiga, o pau comeu no final de semana. Põe a imagem! A coisa não tá mole, tá dura, muito dura em Rio Branco. Não é brincadeira! Põe a imagem!

No domingo, às 13h13, ao cobrir um assassinato no bairro Belo Jardim, o repórter matou o telespectador de vergonha quando disse que “a pessoa foi a óbito, ou seja, faleceu”. Minutos depois, para esculachar de vez com o morto, o jornalista informou que a pessoa “era surda, muda, cega e tinha deficiência visual”. Foi a gota final de colírio. Não é brincadeira não, meu amigo, minha amiga, tanta violência contra o raciocínio. Põe a imagem!

Com muita pena do cadáver, a Polícia Ortográfica deslocou-se para o Belo Jardim. A primeira ação dos policias foi retirar o corpo do infeliz de perto do repórter. Depois, com muita calma, com muita paciência, a polícia cobriu de porrada o jornalista diante das câmeras, o que foi muito bom, porque aumentou a audiência. Tira a imagem.

Agora é momento de falar de um xampu especial só para presidiário. Barato em qualquer contrabando da esquina, ele vai deixar seu cabelo, querido detento, pelo menos solto, solto.

Até amanhã se Deus quiser, e Ele há de querer.

sábado, agosto 30, 2008

Lutando por uma democracia melhor

Traquinagem de
Gilberto Lobo











Na semana passada, a Assembléia Legislativa do Acre transformou-se em uma “casa-pralamentar-da-mãe-joana”. Os deputados estaduais Luiz Calixto (PDT), à direita, e Nogueira Lima (PSDB) só não se atracaram porque os seguranças do Poder Legislativo trabalham para apartar briguinhas entre homens públicos - políticos que recebem dos contribuintes, além de um bom salário, auxílio-moradia, auxílio-viagem, auxílio-passeio, auxílio-briga, auxílio-palavrão.

Segundo Calixto, Lima chegou atrasado e muito azedo ao Pralamento, lugar dos grandes oradores, por isso o deputado Donald Fernandes (PSDB) pediu para que os dois orassem a fim de que a calma chegasse. Ela, porém, não compareceu para justamente não assistir a uma “sessão ordinária".

Tudo começou quando Lima, com cara de quem chupou limão, segundo fontes, levantou uma questão muito relevante, muito crucial, muito vital, muito importante para a saúde, para a educação, para a economia, para a cultura e para a população do Estado, qual seja: nas eleições municipais de Rio Branco, Calixto não tem posição com a Frente.

Mas isso, sabemos, é um problema do deputado Luiz Calixto. Se ele tem ou não tem posição com a Frente, bem, não será o deputado Azedo que ficará na reta... final da campanha para saber se Calixto está com tudo em cima do muro, não é verdade?

Missa Poética de Sétimo Dia

Hoje, faz sete dias que meu amado tio Dílson foi sepultado. Imagino uma capela. Dentro dela, um padre abre não a Bíblia, mas uma poesia. Muito atento aos versos, ouço a missa.














"A poesia se chama Quando vier a primavera", diz o sacerdote. "Escutem-na."

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é
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E terminou sua missa poética de sétimo dia, dizendo apenas: "Vão, meus filhos, e levem com vocês essa poesia de Alberto Caeiro."

sexta-feira, agosto 22, 2008

Morre um dos últimos malandros

Ao longo da vida, muitos de nós ruminam as misérias da traição, do egoísmo, da vaidade, da soberba, da prepotência, até que a morte nos dá um abraço muito íntimo. A vida passou e o que fizemos foi desejar o mal para os outros.

Irmão de minha mãe, meu amado Dílson era homem simples, bom de coração; pessoa que eu amava muito, amigo fiel que me aconselhou muito na adolescência. Sempre quando eu visitava a família, dava-lhe um beijo no rosto e dizia "eu o amo muito, meu tio". Na minha infância e na minha juventude, foi o pai que eu não tive.
















Era um carioca tipicamente malandro, mas ninguém é mais malandro do que a morte.

Minha alma encontra-se profundamente triste, sem ar. Ficarei algum tempo sem blogar. Não sei quando reapareço. O que mais quero é o silêncio e a dor de minhas lembranças.

Umpa-lumpa-lumpa

Montagem do malvado jornalista Giberto Lobo (Mau)










Sempre quando vejo o âncora Jorge Henrique, da TV Aldeia acreana, lembro-me da Fantástica Fábrica de Chocolate.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Obra do diabo

Igreja Universal é obrigada
a devolver dízimo de fiel em Minas Gerais

Rayder Bragon
Especial para o UOL
Em Belo Horizonte

A Igreja Universal do Reino de Deus em Belo Horizonte foi condenada a devolver valores destinados à congregação desde 1996, em valores ainda a serem apurados na liquidação da sentença, e ainda ressarcir um homem em R$ 5.000 por danos morais. Segundo o TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), o fiel foi considerado incapaz de tomar decisões por contra própria.

Na sentença, desembargadores entenderam que a Igreja Universal fora negligente ao aceitar as doações. "A instituição religiosa que recebe como doação valor muito superior às posses do doador, sem devida cautela, responde civilmente pela conduta desidiosa", disseram desembargadores da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Segundo laudo pericial psiquiátrico pedido pelo tribunal, o doador das quantias é portador de enfermidade de caráter permanente.

Conforme relatos do TJ-MG, o fiel fora compelido a participar de reuniões antecedidas ou sucedidas de pedidos de doações financeiras.

No processo, o freqüentador dos cultos, que não teve seu nome divulgado, foi representado pela mãe.

O fiel trabalhava como zelador e tivera todo o ordenado tomado pela doação que fazia à instituição religiosa. Em dado momento, com o agravamento da doença, fora afastado do trabalho e, segundo dados do processo, passara a emitir cheques pré-datados para a Igreja Universal

Ainda de acordo com o tribunal, o homem contraiu empréstimo em instituição financeira e chegou a vender um lote por valor aquém do que o terreno valia em prol da Igreja Universal.

Com "promessas extraordinárias", segundo o processo, o homem fora induzido a fazer as doações financeiras e, por seu turno, pessoas que tentavam demovê-lo da prática era tachado de "demônio". A mãe seria o principal ente do mal para ele.

Inicialmente, o juiz da 17ª Vara Cível de Belo Horizonte havia argumentado que a incapacidade permanente do doador só fora constatada a partir de 2001, isentando assim a igreja de restituir valores anteriores a esse período.

Estipulou assim em R$ 5.000 o valor a ser reembolsado e mais R$ 5.000 por danos morais.

Tanto a igreja quanto o rapaz, representado pela mãe, recorreram da decisão. Em nova análise, o desembargador Fernando Botelho, relator do recurso, disse entender que a interdição veio apenas corroborar uma situação de incapacidade pré-existente.

A igreja e o incapaz recorreram ao Tribunal de Justiça. O desembargador Fernando Botelho, relator do recurso, entendeu que a interdição do incapaz apenas veio confirmar situação pré-existente.

"Mesmo antes de 1996, ano em que o autor passou a freqüentar as dependências da igreja e a fazer-lhe doações, já apresentava grave quadro de confusão mental, capaz de caracterizar sua incapacidade absoluta, já que, no laudo pericial, restou consignado que ele não reunia discernimento suficiente para a realização dos atos da vida civil", informou em seu despacho o relator do processo.

Ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília-DF.

A reportagem do UOL tentou entrar em contato com os advogados da Igreja Universal do Reino de Deus, mas foi informada que um dos representantes da igreja perante o TJ-MG está em viagem a São Paulo e só retorna a Belo Horizonte no sábado.

O advogado Luiz Eduardo Alves, que atuou no caso representando a instituição evangélica, não foi localizado por meio dos números telefônicos repassados à reportagem.

Feijó & Tarauacá

TCE encontra irregularidades
nas prefeituras de Feijó e de Tarauacá

DE Freud Antunes

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) reprovaram os relatórios de dois prefeitos do interior e decidiram abrir processos para aplicação de multa aos maus gestores na sessão plenária da manhã de ontem.

O primeiro a receber o alerta foi o gestor de Feijó, Francimar Fernandes de Albuquerque, que apresentou diversas irregularidades nos relatórios resumidos de execução orçamentária do 2º e 3º bimestres.

De acordo com a equipe de auditoria do TCE, o prefeito deixou de apresentar diversas informações que prejudicaram a análise dos investimentos feitos em educação e saúde, além de deixar de efetuar o pagamento das contas do município.

Como Francimar apresentou o problema financeiro nos dois processos, o Ministério Público de Contas opinou pela abertura de processo, o que foi aceito pelo relator Antônio Cristóvão Correia de Messias e ratificado pelos outros membros do Tribunal.

Na análise dos relatórios resumidos de execução orçamentária dos 1º e do 2º bimestres de Tarauacá, os conselheiros encontraram um défice de R$ 777 mil, a falta de investimento em educação e saúde, a falta de demonstrativos, o descontrole orçamentário e a falta de comprovante de divulgação dos gastos públicos.

Com tantos problemas, o gestor receberá uma notificação, um alerta e ainda responderá a dois processos que poderão chegar a uma aplicação de multas, sendo uma por rescindir nos problemas e outra pelo atraso na divulgação dos relatórios.

A Gramática nas Eleições



Hoje, pela primeira vez, eu vi a língua portuguesa na campanha televisiva do candidato a prefeito de Rio Branco, senhor Sebastião Bocalom, do PSDB.

De repente, aparece escrito "esse você conheçe".

Eu desconheço.



quarta-feira, agosto 20, 2008

Eros & Psiquê















O cristianismo deu a Eros veneno para beber
- ele não morreu, é verdade, mas degenerou em Vício.

Além do Bem e do Mal, de Nietzsche

Doce Ilusão



Alguém precisa avisar ao Dunga que ele não é técnico da Seleção Brasileira.

Acorda, Dunga, você é uma fantasia.

terça-feira, agosto 19, 2008

Photoshop

Da revista CULT

O fotógrafo Cristiano Mascaro fala sobre seu livro mais recente, Feito e Desfeito, publicado pela Editora BEI, em 2007, como primeiro volume da coleção Educação do Olhar. Em entrevista à CULT, o artista e arquiteto nascido em Catanduva, interior de São Paulo, também analisa a produção de "artistas de photoshop" e comenta sobre a ética na fotografia

CULT: Com os programas de computação que tiram e acrescentam aquilo que não existe de fato, a fotografia ganha ou perde?
Cristiano Mascaro - Ainda é muito cedo para fazermos uma análise precisa. Em todo caso, podemos dizer que do ponto de vista da criação, evidentemente, os avanços tecnológicos sempre serão bem-vindos pois colocam novos desafios e possibilidades diante do artista. Por outro lado, no jornalismo, por exemplo, a ética e o compromisso com a veracidade dos fatos devem falar mais alto. Já houve um caso em que o fotógrafo aumentou a dramaticidade de sua imagem de guerra colocando mais fumaça de bombas na cena. Se o costume vingar, rapidamente passaremos a não acreditar no fotojornalismo. No entanto, tenho uma cisma um tanto masoquista que vale principalmente para o primeiro caso, o da criação: facilidades demais atrapalham. O desafio do artista é o duro embate com seu material e as limitações e as dificuldades que lhe são impostas. O fotógrafo diante do computador operando o photoshop corre o risco de se tornar um daqueles "pianistas" sentado à frente de um daqueles pianos eletrônicos: ele só finge que está tocando ou compondo alguma coisa.

CULT - Qual é a ética da fotografia?
C.M. - Muitos conceitos terão de ser repensados e reavaliados depois do aparecimento da linguagem digital. Diversas coisas antes impensáveis como próprias da fotografia, terão de ser assimiladas. Para o bem e para o mal. No entanto, como tudo na vida, há limites. Se não os levarmos em conta, correremos o risco de criar uma outra coisa que não será mais fotografia tal como a conhecemos. Creio que o respeito e a fidelidade aos princípios básicos da linguagem fotográfica definem sua ética. Mas para não parecer muito ortodoxo, devo frisar que esse respeito deve estar mais presente no fotojornalismo e na fotografia documental. No trabalho autoral, o fotógrafo deve ser livre para criar o que bem entender.

CULT - O que é um fotógrafo de Bienal?
C.M. - Desde o surgimento da fotografia os jovens, até recentemente, é bom frisar, pensavam em se tornar fotógrafos sonhando "ver o mundo", refletindo a respeito do que tinham diante dos olhos. Não importava o que resultasse de seus trabalhos: fotos jornalísticas, documentais ou autorais. Atualmente, o que se tem visto é o desejo irreprimível dos fotógrafos de serem "artistas de bienal" mesmo que para isso tenham de se dobrar às "tendências" que vêm de fora, principalmente da Alemanha. E os curadores (nem todos) adoram. E o que vemos? Nada além de instalações ou performances fotografadas (normalmente muito mal fotografadas), fotos do banal que nada são além de uma imagem banal, óbvia e sem surpresas (será metalinguagem?) e, quase sempre, ampliadas no maior tamanho possível. É isso aí, infelizmente.

CULT - Descreva o "mundo desfeito e refeito" através do olhar do fotógrafo.
C.M. - Tomei emprestada a expressão "desfeito e refeito" de um ensaio do professor Antonio Candido a respeito da crônica como gênero literário. Para mim ela define perfeitamente o papel do fotógrafo diante do mundo: desconstruí-lo e reconstruí-lo tornando-o mais interessante e surpreendente.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Jornalista escreve

"Além dos novos equipamentos, as outras mudanças estão na emergência clínica, que irá reforçar o setor de observação 1 e também as alterações na emergência clínica toráxica."

Acho legal reinventar palavras, sair da monotonia ortográfica.

Ronda Gramatical

A foto revela o momento em que
jornalistas do governo
são presos com 65 quilos de droga










Na última sexta-feira, às 13h13, a Polícia Ortográfica realizou uma batida na Agência Nacional do Acre. Ao todo, 65 quilos de droga gramatical pura estavam nas mãos de assessores de comunicação, tudo enrolado em textos jornalísticos que comprometem a crase, a concordância nominal, o hífen. “Eu não sei como isso veio parar aqui, policial, eu sou alfabetizado”, defendeu-se um dos meliantes.

No boletim de ocorrência, registra-se que um deles, viciado em erros, colocou um acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de todos. Todos foram levados para a unidade de recuperação gramatical Celso Cunha e responderão em suas celas à Lei 5.765, de 18 de dezembro de 1971.