quinta-feira, setembro 17, 2009

O que sobrará do PT?

Com muita tristeza, li a matéria da jornalista Nayanne Santana. Antes, o Partido dos Trabalhadores orgulhava-se de ser uma legenda que admitia a pluralidade de ideias. O PT, entretanto, depois de seus anos iniciais, transformou-se em um grupo fechado que não ouve a fala diferente do outro, no caso, a do deputado federal Henrique Afonso.

A Comissão de Ética do PT puniu-o por ele inaceitar o aborto. Não há outra saída para Afonso. Por ser evangélico, ele não rasgará a Bíblia para ler ajoealhado a cartilha do partido. É uma questão de tempo sua saída.

O que sobrará do PT depois do poder?

PT pune Henrique Afonso
DeNayanne Santana

O deputado federal Henrique Afonso (PT) foi punido pelo Partido dos Trabalhadores por ser contrário ao aborto. Desde junho de 2010, o deputado aguardava o resultado do julgamento que decidiria se ele seria expulso da legenda de que ele faz parte há décadas. O resultado foi anunciado na quinta-feira, dia 17, por volta das 18 horas.

O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu que Henrique será punido com suspensão por três meses das atividades partidárias e está proibido de participar, pelo período de dois anos, como representante do partido na qualidade de membro titular ou suplente da Comissão de Seguridade Social Saúde e Família da Câmara dos Deputados.

Por meio de sua assessoria, o parlamentar informou que se manifestará sobre a decisão na próxima semana “depois de ouvir atentamente sua família, lideranças ligadas ao mandato e os companheiros do PT do Acre”, informou a assessoria parlamentar.

Entenda o caso

O pedido de expulsão do parlamentar acriano foi feito pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT em junho de 2008 durante um encontro realizado em Brasília.

A secretaria pediu que o partido entrasse com processo contra o parlamentar acriano e contra o deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA), que também é contra o aborto. Na época, foi divulgada uma nota em que Afonso explicava como foi formalizado o pedido de expulsão ou de punição.

Segundo a nota, a Secretaria Nacional de Mulheres, que faz parte da Executiva Nacional do PT, entrou com uma representação que solicita a instalação ‘imediata de Comissão de Ética’ para os deputados federais Luiz Bassuma (PT-BA) e Henrique Afonso (PT-AC), porque ambos tinham posições públicas contra a legalização do aborto no Brasil.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Estudante de Jornalismo

No último período da Uninorte, uma estudante de Xonarlismo evacuou a seguinte pergunta: "Que porra é essa de Aleac?".

Para quem não sabe, Aleac é Assembleia Legislativa do Acre.

terça-feira, setembro 15, 2009

Nem tudo é perfeito












Sempre votei em Jorge Viana. Nele, porém, incomoda-me sua pensão vitalícia de ex-governador e o peso de sua mão na imprensa acriana.

Quando foi governador, os chargistas deixaram de existir nos jornais do Estado, não podíamos rir de sua imagem, brincar com o representande do poder.

As fotos tinham de ser perfeitas. Na de acima, o fotógrafo congelou seu gesto inadequado, imperfeito. Jorge Viana é humano.

domingo, setembro 13, 2009

Nesta semana, Deus também é gay

De Aldo Nascimento

Nesses meus anos no Acre, ouvi muitas vezes de evangélicos desqualificados que homossexuais não são criaturas de Deus. Sujos, essas anomalias disseminam promiscuidade, devassidão, luxúria, pecados aos olhos de seres humanos normais. “O Senhor criou o homem e a mulher no Paraíso, não o homossexual”, disse-me um pastor.

Respondi-lhe que também não havia prostituta no Paraíso, porém Jesus, mesmo assim, impediu que Madalena fosse apedrejada. Há muito tempo, esses fanáticos atiram pedras em homossexuais porque a Madalena de ontem é o gay, é o travesti, é a lésbica de hoje.

Atire a primeira pedra quem não pecou.” Os homófobos cristãos, entretanto, por acharem que não pecam, por acharem que são puros, atiram suas pedras imensas e pesadas como a verdade. O Deus desses evangélicos é másculo e, em sua divina masculinidade, ergue sua viril homofobia.

Mas quem pensa que eles entregam tudo à lei de Moisés comete um judaico engano. O Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) questionava uma lei paulista que pune administrativamente quem discriminar alguém devido à orientação sexual.

Por causa dessa lei, a 10.948/01, o Cimeb afirmava que a Constituição estava sendo “rasgada e aviltada” pela criação de uma lei estadual que protege um grupo específico da sociedade. Os pastores evangélicos ligados ao conselho lembraram que outros grupos - mulheres, idosos, negros, nordestinos, divorciados, casais que não têm filhos, evangélicos, religiosos africanos, católicos e judeus - também sofrem discriminação sem ter uma lei semelhante.

Os homófobos da fé definiram a lei como uma “mordaça” que viola o direito constitucional de liberdade do pensamento. “A manifestação pública sob o ponto de vista moral, filosófico ou psicológico contrário aos homossexuais é passível de punição”, afirmam os “puros”. Contrariando as pedras desses evangélicos, o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou na semana passada a ação judicial do Cimeb, graças a Deus.

Poderia exemplificar outros casos, mas esse do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil deixa bem claro que evangélicos - os únicos representantes, segundo eles, de Deus na Terra - ambicionam um Poder Legislativo que seja a extensão da lei judaica, patriarcal e máscula.

Em Êxodo (32 :25-29), esse mesmo Deus-homem, criador da lei, ordena que Moisés retire a vida dos seus: “(...) e mate cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho (...).” Antes, ainda em Êxodo (11:5-7), esse Deus ordena que “todo primogênito na terra do Egito morrerá (...).” O Deus de Israel mata crianças, seres inocentes e puros, para que o Faraó liberte o povo hebreu. Ainda hoje, esse Deus de evangélicos mata crianças palestinas, sufocando-as lentamente em um campo de concentração chamado Faixa de Gaza.

Certa vez, abrindo suas páginas, Carlos Drummond de Andrade disse aos meus olhos... “quando digo ‘meu Deus’/afirmo a propriedade./Há mil deuses pessoais/em nichos da cidade.” Se é assim, eu não creio em um Deus que mata ou em um Deus que chama homossexuais de sujos. O meu Deus não segura na mão da intolerância a pedra imensa e pesada da verdade.

Assim como no jardim há várias cores, várias formas e vários aromas, o meu Deus criou verdades. Nele, cabem os povos com suas línguas e com seus livros: Bíblia, Alcorão. Que triste seria a vida se houvesse arco-íris com uma só cor. Se há beleza na vida, é porque nela pulsa a diversidade das cores. O meu Deus é mulher. O meu Deus é homem. O meu Deus também é gay.

Na Semana da Diversidade, homossexuais não matarão seu semelhante, porque, do semelhante, eles desejam o corpo para o gozo, para o beijo, para o amor. Que homens beijem seus homens e que mulheres beijem suas mulheres sem perder na intimidade a dignidade humana, e essa dignidade não se encontra no orifício. Conheço muitos homossexuais mais dignos que heterossexuais.

Tanta fome neste país. Tanta miséria nesta pátria. Por entre os dedos de políticos, sai tanta injustiça social. O meu Deus tem mais o que fazer, não fica olhando para o rabo dos outros.

terça-feira, setembro 08, 2009

Entre a folia e a violência

Sena-Folia registra uma morte, uma tentativa de homicídio e 29 prisões

O Carnaval fora de época, o já tradicional Sena-Folia, realizado na noite de sábado em Sena Madureira, não foi dos mais tranquilos. Mais de cinco mil pessoas lotaram as dependências da praça 25 de Setembro.

As Polícias Civil e Militar prenderam 29 foliões. A grande maioria por excesso de bebida, desordem ou pequenas desavenças, nada de muito grave. O saldo negativo ficou por conta de um homicídio e uma tentativa de homicídio.

TRÊS TIROS
Era madrugada de domingo, o jovem Francisco Rodrigues da Silva, o Barrão (22), retornava para casa quando dois homens encapuzados dispararam contra ele. Atingido nas costas, no abdome e no braço, o rapaz correu para pedir ajuda.

Depois de passar pelo hospital, foi transferido para o hospital de Rio Branco e submetido a cirurgias de emergências. Um acerto de contas seria a causa do atentado.

ASSASSINATO
Na madrugada de domingo, policiais souberam que um homem havia sido assassinado nas proximidades da área da folia. No local, eles se depararam com um jovem de uns 22 anos morto a pauladas. Ele estava com o rosto desfigurado.

Como não tinha documento, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Rio Branco, onde permanecia até ontem à espera de parentes.

Os dois crimes estão sendo investigadores pelo delegado Jarlen Alexandre.

Um bom livro



O poeta da filosofia, Nietzsche, diz que
não existe verdade, mas interpretações.







Sete de Setembro, o desfile, mereceu uma caprichosa interpretação de Roberto DaMatta no livro Carnavais, malandros e heróis. Assim como Raízes do Brasil e Casa-Grande e Senzala, a obra de DaMatta é um clássico para o brasileiro entender melhor sua pátria.

No Acre, o desfile iniciou-se à noite, o que é um erro simbólico. A parada militar emerge ao amanhecer. O carnaval é que pertence à noite. Para o antropólogo, o Dia da Pátria representa o reforço; o carnaval, a inversão; e a procissão, a neutralização.

Conforme Roberto DaMatta escreve, a parada militar e a procissão assemelham-se porque elas fazem uma trajetória familiar. Ele chama a parada militar de uma segunda procissão.

Mas os soldados não reverenciam a população, e sim as autoridades. A continência, que é com a mão direita - por que a direita? -, representa uma obediência à ordem, a uma organização social fixa. A parada militar é moralizadora.

Nesse sentido, 7 de Setembro se mantém organizado como há anos, diferente do carnaval. No Acre, a Frente Popular organiza o carnaval para também ser familiar, perdendo assim sua força de subversão da ordem social. Não são assimilados os signos da festa de Momo, mas os signos do Dia da Pátria, a população os assimila. Como escreve DaMatta na página 52, "o Dia sa Pátria é um rito formal e que celebra a estrutura", no caso, a divisão social, a divisão de classe.

O carnaval, informal que é, não celebra essa divisão, mas a inverte, por isso a Secretaria de Cultura do Estado do Acre, sem compreender a importância cultural do carnaval, deforma-o.

Leia essa dica que oferto a teus olhos.

Banco Irreal

Em Rio Branco, Acre, o banco pode se chamar Real, mas a realidade do cliente é irreal. Blogueiro(a), repare nos minutos.

domingo, setembro 06, 2009

Ainda sobre Marina Silva

Jogo embaralhado

Como Collor e Jânio Quadros, Marina Silva encarna figura salvadora em um cenário político degradado, mas sua "doce" presença terá efeitos mais promissores, defende José Arthur Giannotti

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA

A senadora Marina Silva abandona o PT, inscreve-se no Partido Verde e se prepara para lançar-se como candidata à Presidência da República. De repente, todo o jogo político anterior, que tendia a se polarizar entre dois candidatos, se embaralha e se torna mais imprevisível. O que está acontecendo?

Antes explico meu vocabulário. Em geral não uso o conceito de sistema político porque me parece muito abstrato, pois capta antes de tudo a estrutura das regras de um processo mais rico. Prefiro aquele de jogo, não no sentido da teoria dos jogos porque, assim fazendo, cairia nas mesmas armadilhas armadas pelo conceito de sistema. Mas tomo "jogo" para descrever um processo real, como se fosse uma partida de futebol. O sistema demarca as regras; a partida, o curso das interações sociais; os times e partidos, os grupos socializados.

Posso então dizer que o jogo político brasileiro endoideceu, deixando de cumprir as tarefas que lhe correspondem em uma sociedade moderna: representar interesses dos vários grupos sociais, encená-los em um palco a ser visto e corrigido pela opinião pública, sempre com o intuito de reforçar e projetar um ideal de nação.

Note-se que a implosão do jogo pode muito bem não corresponder à destruição do sistema. Desse último ponto de vista, as regras da política democrática continuam sendo seguidas e os partidos têm mantido os desempenhos esperados. Mas cada partida é um desastre, os atores comem bola, revelam-se fantoches a mando de caciques debochados. Qual é a qualidade de nossa democracia?

Seria longo demais fazer a análise e a história desse derretimento. Mas me parece evidente que uma das causas foi a vinda do PT para o centro político e o pragmatismo cada vez mais descarado do lulo-petismo. De modo nenhum estou isentando as oposições da responsabilidade pelo desastre, apenas lembro que a ponta de lança da confusão se formou quando o PT de Lula, nas pistas do PSDB, aderiu a uma social-democracia de cunho "neoliberal", bebeu até a última gota do cálice das alianças envenenadas -se a política é essa sujeira, então não há como não aderir a ela, dizem eles- e se entregou a tal ponto às práticas tradicionais que ressuscita os velhos coronéis da política brasileira.

Luta política
É de esperar que, numa situação de anomia, surja uma força nova, capaz de refazer o sentido das jogadas. A disputa eleitoral já está nas ruas e caminhava para um duelo entre situação e oposição, cada parte fazendo todo o possível para aparentar o que de fato não é.

De repente surge "santa" Marina. O que isso significa? Costuma-se dizer que o poder corrompe. Isso tem muito de verdade, pois reside na essência da ação política. Se no início esta é quase sempre estimulada por ideais moralmente impecáveis, ela se degrada ao longo de seu exercício. Isso sobretudo porque se faz por meio de alianças que tanto aglutinam vários atores em vista de certos ideais como estabelecem uma divisão entre aliados e adversários.

Pouco importa se ambas as partes formulam esses ideais pelas mesmas palavras, as práticas emprestam a elas sentidos diferentes, à medida que ações, manipulando os fundos públicos e orientando o exercício da violência legítima, constroem forças coletivas que sempre encobrem uma diferença larvar.

Procurando conciliar, a ação política separa aliados e adversários. A decisão por maioria apenas posterga, ou transfere para outro plano, diferenças que se mantêm conforme vão sendo reformuladas. A luta pelo poder junta e divide.

Ora, nos últimos tempos, essa luta tanto se embaralhou que as ações e os próprios atores políticos estão progressivamente perdendo suas identidades. O termômetro é o presidente Lula, cujas falas e práticas contraditórias se espalham por todas as direções.

Renovação possível
Nessa situação de derretimento das ações instituintes, se espera que se levante um novo ideário. Já tenho idade para ter assistido a várias dessas irrupções salvadoras e moralizadoras: Jânio, Collor... Qual seria o conselheiro da vez? Temia um novo ator truculento, feroz demagogo querendo nos curar a ferro e a fogo.

Mas veio a doce Marina Silva. Sua presença já promete uma renovação possível, pode tornar mais higiênico nosso jogo político. Não me parece, até agora, que possa vencer a eleição para a Presidência, mas simplesmente sua atuação mobiliza novos atores, eleva o debate político, tende a reduzir os golpes baixos e a demarcar regras e personagens.

Se fizer uma campanha de alto nível e inovadora, coloca de vez a problemática do desenvolvimento sustentável na agenda de qualquer governo que resulte da próxima eleição.

E pode levantar a pergunta básica: que desenvolvimento queremos ter? Mas que ela não caia no abismo que a espreita: uma campanha altamente centrada nos problemas da moralidade pública desemboca, como já sabemos, na politicalha da sujeira.
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JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve na seção "Autores", do Mais! .

Habilidade matemática de uma menina

Em 31 de agosto de 2009, a Globo emitiu, mais uma vez, a imagem de Marina Silva no Programa do Jô. Ao ícone ambientalista, Jô Soares concedeu dois blocos. Quanto custa um minuto na maior audiência do país? A senadora Marina falou por muito tempo, uns 15 minutos por bloco.

No primeiro, suas palavras passearam pela floresta. Outra vez, Marina ratificou sua imagem de “protetora do meio ambiente” e, em nenhum momento, a mulher que nasceu em uma classe social pobre mostrou-se indignada com a miséria, com a exploração. No meio ambiente de Marina Silva, as injustiças sociais calaram-se na entrevista.

Pedi a Deus para a senadora falar dos desenganados, por isso esperei pelo segundo bloco. Ela, entretanto, usou o tempo caríssimo da televisão para falar dela mesma, da menina pobre que ajudou o pai a calcular a péla quando pesada. A menina Marina era hábil com os números. A senadora só não falou das oligarquias que sempre foram mais hábeis para trapacear nos cálculos.

Uma entrevista amena para entreter o público. Se eu quisesse assistir a uma provocação, a senadora Mariana Silva deveria estar diante de outro gordo, Antônio Abujamra (foto).

Mas quem saberia das habilidades matemáticas de uma menina se a audiência da TV Cultura é tão pequena?

terça-feira, setembro 01, 2009

Dez sugestões para uma manchete de jornal

No Acre, o PMDB colocará Pinto como candidato a governador. A princípio, posso afirmar que a campanha do PMDB acriano será ambígua. Leiamo:)

1. Pinto surpreende e cresce;
2. Pinto dispara na frente;
3. Pinto cresce nas pesquisas de boca;
4. Pinto perde a cabeça na campanha;
5. Indeciso na reta final, Pinto não sabe se sai ou continua;
6. No debate da TV, Pinto goza de adversários;
7. Pinto já está na boca do povo;
8. Pinto conquista donas de casa;
9. Comunidade gay dá todo apoio a Pinto; e
10. Mesmo sem força para subir na boca de urna, Pinto ainda acredita na virada.

Deixando de lado essas anfibologias, não acredito que na campanha de 2010 Pinto irá endurecer contra a Frente Popular.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Quando se lê em sala de aula...

Confesso que as palavras do deputado estadual Moisés Diniz (PC do B) foram decisivas para eu escolher "cultura popular" em minhas aulas de Literatura.












Neste ano, poucos dias antes, o deputado declarou que a Expo-Acre é uma grande "festa popular".

Assim sendo, escolhi "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, para o aluno ler e identificar conceitos relacionados aos personagens Chicó e João Grilo, fiéis representantes da cultura popular. Além desse belo livro, os filmes "Jeca Tatu" e "Tapete Vermelho".

Até o momento, ficou claro para os alunos que um conceito da cultura popular é o Riso. No livro de Ariano e no filme "Jeca Tatu", o riso se opõe ao poder. Ofertei aos estudantes personagens caipiras, figuras rurais antagônicas à imagem do caubói.

Ora, na Expo-Acre, predomina o modelo de comportamento do caubói, representante fiel da cultura de massa. Meu esforço, portanto, é estender diante de olhos juvenis leituras que revelem o caipira como personagem desobediente e contestador. Como disse antes, o caipira ri do poder.

Sobre o riso, eles lerão um fragmento do livro "O Nome da Rosa", de Umberto Eco, cujo narrador apresenta a função do Riso.

Deputado, a Expo-Acre nunca foi festa popular.

A um novo blogue

Conheci-o na Universidade Federal do Acre, foi meu aluno. Naqueles minutos passados, chegamos a dividir um texto em um jornal da capital. Era 1993. Pois bem, após anos e anos, eu o revejo, nome escrito em meu blogue.

Márcio Chocorosqui escreve bem quando blogues e sítios se proliferam com um português roto e violado pela ignorância. Em seu blogue, lemos como se escreve corretamente, porém esse jovem nem sempre é obediente a regras. Como conhece seu idioma, como conhece sua ordem sintática, por exemplo, ele desobedece à LÍNGUA. Isso é para quem sabe.

Ele se chama Blecaute (clique no nome), mas em seu blogue não veremos a Língua Portuguesa mergulhada na escuridão do não saber escrever.

Um abraço em seu destino, meu jovem amigo!

quinta-feira, agosto 27, 2009

Meu PT...

Desde que Heloísa Helena saiu do PT, iniciou-se em meu cérebro uma crise ideológica entre meus poucos neurônios. Passado o tempo no poder, o meu PT substituiu crise por trauma. Como ficou difícil ser de esquerda neste "Berço Esplêndido" de José Sarney.



Conselho de Turma

Neste blogue (os dicionários da língua-pátria registram assim), escrevi tantas vezes que a escola pública acriana precisa de outro modelo interno de organização. Melhorar o ensino passa, TAMBÉM, por uma administração eficiente e nova.

O PT, nesse sentido, não avançou, não apontou novos caminhos. Já vamos para 12 anos. Para mim, o discurso oficial chegou ao limite, por exemplo, reforma de escola e maior salário do país - em São Paulo, professor se aposentará com quase R$ 7 mil.

Eu soube que a Secretaria de Educação oficializará os conselhos de disciplina na rede pública estadual. Se isso for uma realidade educacional, professores de Língua Portuguesa, por exemplo, reunir-se-ão uma vez por semana para que esse profissionais apontem problemas e indiquem soluções para a produção de texto em sala de aula.

Enquanto isso não existe, a escola Heloísa Mourão Marques busca há tempo esse tipo de organização. Hoje, um outro conselho, o Conselho de Turma, reuniu-se no quinto tempo. Foram três turmas e, para cada uma, em tese, a reunião deveria ser dirigida pelo padrinho de turma.

Na condição de padrinho da turma 2C, tentei realizar uma reunião rápida, considerando estes três pontos: falta, comportamento e gincana de conhecimento. Sobre falta, há colega de trabalho que não percebe a importância de professores da mesma turma registrarem a quantidade de falta em grupo.

Há casos em que o baixo rendimento de aluno relaciona-se às faltas em várias disciplinas. Se isso for registrado no Conselho de Turma, saberemos que o aluno X faltou tantas vezes em cada disciplina. Com essa reunião mensal, o corpo docente da turma se antecipa ao total de falta, passando para o coordenador de ensino um relatório com as faltas dos alunos a cada mês.

Como obter bom rendimento se falta tanto? A coordenação de ensino encontrará uma solução bem antes do final do semestre.

Quanto ao comportamento de alunos, os professores separarão uns que conversam demais. Em todas as disciplinas, sentar-se-ão no mesmo lugar determinado pelo Conselho de Turma. Se é uma solução, ela é coletiva, pertence ao CORPO docente.

Por causa disso, justifica-se também o funcionamento do Conselho de Turma.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Xuxa e sua educação britânica

Sasha Meneghel, filha de Xuxa, escreveu um post com um erro gramatical no Twitter da mãe, e acabou gerando piadas dos fãs da apresentadora. Xuxa ficou brava ao ler os comentários e disse até um palavrão para defender sua herdeira.

"Sou eu Sasha. Estou aqui filmando e vai ser um ótimo filme. Tenho que ir... Vou fazer uma sena (sic) com a cobra", escreveu a garota de 11 anos.

Xuxa, ao ver as piadas e ironias com sua filha, decidiu responder e colocou até um palavrão.

"Para quem não sabe, minha filha foi alfabetizada em inglês. Vou pensar muito em colocá-la para falar com vocês, ela não merece ouvir certas m...", falou a apresentadora em seu microblog.

"Fui. Vocês não merecem falar comigo nem com meu anjo".

A resposta de Xuxa gerou um movimento de pessoas para que parem de seguir a mãe de Sasha no Twitter, a partir desta quarta-feira (26).

sábado, agosto 22, 2009

"Jeca Tatu", de Mazzaropi



Turmas do
segundo ano
C e D

No Acre, o governo reformou a Biblioteca Estadual, ofertando a alunos um ótimo lugar para assistir a bons filmes, a Filmoteca. Por ser ainda uma capital pequena, isto é, onde o deslocamento é rápido, onde ainda pulsa a calma, alunos de escolas públicas podem sair tranquilos de suas casas em um sábado para, em pouco tempo, aprecisar o filme "Jeca Tatu" em um lugar confortabilíssimo.

Há anos, meus olhos assistem a filmes aqui com os olhos de meus pupilos. Sempre achei esse lugar charmoso, próprio do Acre. Não se trata de uma grande sala de cinema, algo igual a São Paulo ou a Rio de Janeiro - que bom não ser igual -, mas de uma sala aconchegante, miúda, intimista. Em todas as escolas acrianas, deveria haver esse modelo de sala.

Da outra vez, por causa de um funcionário, esperamos uma hora. Hoje, tudo... tudo correu muito bem.

Mas por que assistir ao filme "Jeca Tatu", de Mazzaropi? No Acre, como sabemos, o espaço que predomina é o espaço rural. No entanto, a cultura desse espaço rural não se firma como identidade acriana. Nos programas locais de TV, por exemplo, não se ouve a maneira de falar do homem rural e, muito menos, suas outras formas culturais. Há um processo lento e sutil de sepultamento dessa cultura.

Por causa disso, revolvi estudar com eles a cultura rural, ou seja, o homem caipira para, em um segundo momento, haver o confronto de signos entre a cultura caipira e a cultura country ou entre o caipira e o caubói.

Depois desse filme, assistirão a outro: "Tapete Vermelho". Depois, ao último: "Auto da Compadecida". Neles, a cultura popular, representada pelo caipira. E um conceito cruza esses três filmes: o riso.

quarta-feira, agosto 19, 2009

E Tião Viana?

Tudo indica que mais um senador sairá do PT. Mercadantes também se sente incomodado com a permanência de Sarney. Depois das declarações do senador Flávio Arns, PT do Paraná, e da saída da senadora Marina Silva do PT, fico pensando na posição do senador Tião Viana, do PT acriano.

Na revista Veja, ele revelou as contradições do partido. Será que Tião aceitará um partido que, para se manter no poder, vende seus ideais no Senado? Tião permanecerá no PT para criar novos caminhos? Ficará calado? E se falar mais e mais? O que fará com Sarney na presidência do Senado?

Arns quer sair do PT

O senador Flávio Arns (PT-PR) disse estar envergonhado por ser filiado ao Partido dos Trabalhadores. O senador disse que o PT "rasgou a página fundamental de sua constituição, que é a ética", ao votar a favor do arquivamento, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal, das denúncias apresentadas contra o presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP).

“Eu me envergonho de estar no PT, com esse direcionamento que o partido está fazendo. Quero dizer isso de maneira muito clara para todos os meus eleitores. Houve um equívoco. Quando entrei no partido, achava que bandeiras eram pra valer, não eram de mentira - afirmou o senador, acrescentando que as bandeiras que hoje movem o PT "são bandeiras eleitorais, bandeiras visando à eleição do ano que vem".

Flávio Arns afirmou que Arthur Virgílio, seja como deputado ou como senador, "tem honrado o mandato que o povo lhe confiou". Mas disse não poder dizer o mesmo de seus companheiros de partido que votaram a favor do arquivamento das denúncias contra Sarney. Ele lembrou que esses senadores assinaram um documento pedindo que as denúncias fossem investigadas, mas acabaram por tomar outra posição.

Logo depois de falar durante a reunião do conselho, Arns deu entrevista à imprensa em que admitiu estar pensando em deixar o partido. Ele disse, no entanto, que espera fazer isso com o reconhecimento da Justiça, uma vez que, a seu ver, o PT teria se afastado de seus princípios. (Agência Senado)

A breguice de Xuxa












Rancorosa, Xuxa ofende Gramado: "Eles tiveram de me engolir"

Celso Sabadin,
enviado especial a Gramado

Noite de horror e indignação em Gramado. Alguma mente desprovida de qualquer senso cinematográfico decidiu coroar Xuxa Meneghel como a Rainha do Cinema. É inclusive a manchete do Diário do Festival, que circula aqui no evento: Gramado Reverencia sua Rainha. E, pior: Kikito especial homenageia a rainha do cinema, da música e da televisão. No país de Fernanda Montenegro, de Aneci Rocha, de Laura Cardoso, de Helena Ignez, de Tônia Carreiro, de sei lá... Hebe Camargo, caramba... O Festival de Gramado, pateticamente, tenta vender ao público a mentira que Xuxa é a rainha do cinema. Tudo por um punhado de mídia. Como se vendem barato os organizadores do Festival de Gramado que decidem quais serão os homenageados!

Ontem (13/8), a noite de entrega do tal Kikito especial para Maria da Graça Meneghel foi um show de breguice deslavada que os 37 anos de Gramado não mereciam ter visto. Antes de mais nada, desde o dia anterior, montavam-se esquemas de segurança para a chegada da "Rainha". Não pode isso, não pode aquilo, vai ser assim, vai ser assado, ninguém pode falar com ela, ela não vai responder a nenhuma pergunta, não pode chegar perto, bla, bla, bla... Nem Barack Obama, se a Gramado viesse, mereceria tanta distinção.

Claro que tudo começou com atraso. Xuxa chegou ao chamado Palácio dos Festivais (cada Rainha tem o Palácio que merece) cercada do gigantesco alvoroço dos fãs. Alvoroço, aliás, que é a finalidade básica dos organizadores do festival ao convidá-la. Flashes, corre-corre, gritinhos, aquela coisa toda que o mundo das celebridades conhece bem. Ao ser chamada para a homenagem, a Rainha elegantemente desfilou pelos corredores do Palácio e, a poucos metros do palco, foi gentilmente abordada por um jovem súdito, aparentando pouco mais de 20 anos, que lhe pediu um beijo. Xuxa, ainda elegantemente, deu um leve beijo no rosto do rapaz e seguiu rumo ao palco, sem problema nenhum. Imediatamente, dois enormes seguranças imobilizaram o jovem, que levou uma chave de braço, foi rapidamente imobilizado e truculentamente retirado do local sob os gritos de protestos de alguns poucos que viram a cena.

Gramado precisava disso? De um showzinho particular de truculência e ignorância?

Já no palco, Xuxa recebeu seu troféu das mãos da atriz mirim Ana Júlia, foi ovacionada por parte da plateia, e dirigiu-se ao microfone onde desferiu a primeira bobagem: "Eu sou povo", ela disse. Bom, eu não conheço ninguém do povo que ostente seguranças truculentos para dar chaves de braço nas pessoas. Em seguida, num discurso rancoroso e até agressivo, Xuxa afirmou que nunca imaginou receber uma homenagem como aquela. "Nem eu", pensei, calado. E foi além: disse que jamais poderia pensar que o Festival de Gramado fosse capaz de superar os preconceitos e premiar uma pessoa do povo e suburbana como ela. Ou seja, chamou abertamente o Festival de preconceituoso. Como se, em edições anteriores, o evento só tivesse premiado magnatas e intelectuais.

Gramado precisava disso? De uma ofensa gratuita vinda de um homenageado?

A Rainha terminou sua fala dizendo: "Eu não me arrependo de nada. Eu não tenho vergonha de ser povo, de ser loira e vencedora". Ao que parte da plateia completou: "...E gaúcha!". De onde a loira tirou esta frase? Que nonsense foi este? Se eu não estivesse presente, não teria acreditado.

Porém, o pior estava por vir: ao descer do palco e voltar para os corredores do Palácio, Xuxa percebeu a presença do jornalista Luiz Carlos Merten, que por sinal estava sentado praticamente ao meu lado. Deu-lhe um amplo sorriso, abraçou o jornalista e sussurrou ao ouvido dele: "Eles tiveram de me engolir". Fiquei pasmo. Eles quem? Os organizadores de Gramado? Os críticos de cinema? O povo? Teria o espírito de Mário Jorge Lobo Zagallo incorporado provisoriamente na Rainha?

E, depois, se ela diz não se arrepender de nada, por que sua filmografia "oficial", publicada pelo Catálogo também oficial do Festival de Gramado, omite seus longas Fuscão Preto, Gaúcho Negro e Amor Estranho Amor? Os dois primeiros seriam bregas demais para a realeza? E o polêmico Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khoury? Algo contra a nudez da rainha? A rainha está nua?!

Segundo informações do Jornal de Gramado, além de todas estas barbaridades (para usar um termo bem gaúcho), Xuxa ainda teria cobrado um cachê de R$ 60 mil para aceitar ser homenageada.

Sinceramente, Gramado precisava de tudo isso?

Num momento de lucidez e equilíbrio, o ator José Victor Cassiel, apresentador do evento ao lado de Renata Boldrin, anunciou o próximo filme concorrente e conclamou a todos: "Vamos voltar ao Cinema". Perfeito! Xuxa, com seus filmes de péssima categoria, conteúdo risível, produção tosca e nenhum objetivo cinematográfico, além do merchandising e da bilheteria, pode representar qualquer coisa. Menos o cinema. Se o Festival de Gramado é um templo do cinema brasileiro, este foi profanado na noite de ontem.

E, Xuxa, rainha do cinema? Só se for a Rainha Má da Branca de Neve.

terça-feira, agosto 18, 2009

"Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos"

Segundo a crítica, a estreia da carioca Ana Paula Maia na literatura não poderia ter sido melhor. Sua narrativa desenha personalidade. Muito atual, a temática violência me seduz, por isso comprarei suas palavras para entender o Brasil deste século 21.



Leia esta belíssima resenha.

Jovem escritora aborda violência com estilo e preocupação social
DANIEL BENEVIDES

Colaboração para o UOL

A carioca Ana Paula Maia aborda a violência de maneira impiedosa e sem concessões

LEIA TRECHO DE "ENTRE RINHAS DE CACHORROS..."
A violência assume várias formas, muitas delas moldadas pelo mesmo motivo: a desigualdade. Partindo desse princípio simples e universal, a carioca Ana Paula Maia compôs duas novelas complementares, com muito sangue, escatologia e estilo.

Lançadas em capítulos pela internet, nos moldes dos antigos folhetins, "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos" e "O Trabalho Sujo dos Outros" são habitadas por personagens sujos, feios e, na falta de melhores opções, malvados. São, como revela a escritora numa breve apresentação, "homens-bestas", que fazem "toda a imundície de trabalho que nenhum de nós quer fazer".

Na primeira história, "pulp" ao extremo, no sentido de polpa mesmo, de massa de carne misturada com sangue, tripas, excremento, Edgard Wilson e Gerson vivem de matar e destrinchar porcos (não à toa, símbolos da sujeira, que se alimentam de lixo). É um serviço que fazem sem emoção, inertes, indiferentes. A morte e o sofrimento parecem tão corriqueiros quanto o calor sufocante do subúrbio onde vivem, a rala comida no prato, o colchão esquelético onde dormem. Para completar o quadro, a maior diversão dos dois amigos - talvez a única -, é apostar em duelos mortais entre cachorros.

Diante disso, um assassinato com extrema crueldade é apenas mais um fato do cotidiano, um mero problema a resolver - o próprio termo "crueldade", por mais que a violência tenha chegado ao limite do impensável, nem faz sentido, pois na aridez estéril do cenário em que se movem os personagens, totalmente à margem da sociedade (que sociedade, cara-pálida?), os valores sequer existem.

O(a) leitor(a), à essa altura, já percebeu que a escrita de Ana Paula Maia é impiedosa, que não faz nenhuma concessão. Suas palavras surgem como elementos secos, pedaços de osso que vão montando o esqueleto de um monstro bastante familiar, que nada mais é do que a realidade da qual a gente se acostumou a desviar o rosto. "A minha principal inspiração é o mundo real e suas deformidades. Nas artes, a literatura de Campos de Carvalho, a música de Johnny Cash e os filmes de Sergio Leone", ela declarou numa entrevista recente. A Leone poderíamos acrescentar Tarantino e Takeshi Kitano, como lembra a crítica Beatriz Resende.

Na segunda história, é mais evidente o lado político da autora, que se manifesta na investigação crua da condição humana, da imposição do trabalho, da resignação sem saída: "A minha intenção com a literatura é fazer minha política e estabelecer através da ficção uma série de códigos de ética, de conduta e investigação. Acho que a literatura tem algumas funções importantes como o autoconhecimento e a especulação do espírito humano".

"O Trabalho Sujo dos Outros" acompanha o dia a dia de Erasmo Wagner (há alguma ironia na escolha dos nomes), lixeiro, morador da região contínua de miasmas azedos, verdadeiro soldado desconhecido. Seus amigos são Alandelon e Edivardes (não falei?), que trabalham com britadeira no asfalto, tremendo os miolos sob o sol cáustico, e na limpeza da gordura acumulada nas pias e esgotos de bares e restaurantes.

A simbologia é explícita, o que não torna a novela menos impactante. Nas entrelinhas brutais do relato surge um bode com poderes místicos, cujo cheiro contamina cada parágrafo. É, talvez, o "bode" da literatura bem comportada, feita de beletrismos e frases harmônicas, de falta de compromisso com a realidade, de sujeição à acomodação. Daí a marca forte de Ana Paula Maia, que veio para ficar.

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"ENTRE RINHAS DE CACHORROS E PORCOS ABATIDOS"
Autora: Ana Paula Maia
Editora: Record
Número de páginas: 160
Preço sugerido: R$ 29