terça-feira, dezembro 23, 2008

Férias










Para os lados de Niterói, no Rio de Janeiro, Maricá é um município charmoso e tranqüilo. Montanhas e mar dão uma beleza única a essa Região dos Lagos. Vou descansar, rever meus pais, meu irmão.

Retorno só em fevereiro ou mais depois. Que tal uma licença-prêmio?

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A Primeira Vez (5)













Ao microfone, o professor Tadeu. Após a fala da gestora Osmarina, nosso colega agradeceu a Deus.

Ótimo encontro. Primeira formatura. Quero outras.

A Primeira Vez (4)













Abaixo, canto direito, minhas três alunas: Jaqueline (D), Fernanda e Tatiane (E). Que a vida as recompense com a inquietação de transformar sempre realidade de teus semelhantes.

Meninas aplicadas. Espero que alguma palavra minha tenha atingido vocês.

A Primeira Vez (3)












O jantar da formatura, além de ótimo, localizou-se na escola, ficou muito bom. O próximo deve ser no mesmo local. Tudo muito bem organizado.

Fiquei à mesa com colegas de profissão. Ótimo momento.

A Primeira Vez (2)













A gestora Osmarina sabe que transformar velhos e viciados hábitos é muito difícil. Essa formatura, a primeira da escola, é o início de outras.

Uma festa assim é uma forma de reconhecer um no outro, o trabalho de equipe, a importância da escola na vida das pessoas.

A Primeira Vez (1)













Foi a primeira vez que a escola Heloísa Mourão promoveu uma formatura. Alguns são responsáveis por isso, por exemplo, a gestora Osmarina e o professor Fernandes. Gostei muito desse momento, fato que eu desejava há anos. Foi muito bom. Foi ótimo.

É verdade que poucos professores foram. Uns viajaram e outros não apareceram por causa do descaso, da indiferença, do desinteresse. Muito alunos pagaram o evento, mas, sem explicação, faltaram.

A foto registrou o momento em que o Hino Nacional é cantado.

Professora Osmarina, parabéns!

Não sei de nada












Já pensou se foto de transeunte fosse enviada ao Detran para justificar uma multa?

Alimentassão













Em Rio Branco, no bairro Sobral, encontramos lugares que servem palavras. Comer na "penção" com um bom "mollho" deixa a LÍNGUA passar muito mal.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Eles e o revisor

Internete, megassena, caxinauá e o revisorzinho

No sábado, dia 13 de dezembro, dei uma carona à charmosa e simpática Alessandra Machado, editora-chefe do jornal A TRIBUNA. Se era a noite de Chalub Leite no teatro Plácido de Castro, o prêmio maior destinou-se mais uma vez a elas, às palavras.

O jornalista premiado, portanto, é aquele que escreve as melhores palavras. E elas, para serem melhores, divorciaram-se dos erros de português. Ora, decretada a dissolução entre o repórter e os erros, Chalub Leite premia o jornalista, mas não o co-autor do texto jornalístico, ele: o revisor.

Limpar texto de jornalista, retirar desse chão textual sujeiras que emporcalham a língua portuguesa. Algumas ainda ficam. Todo dia, o repórter deixa cair em sua sintaxe lixos de regências verbal e nominal, entulhos incorretos de vírgulas.

O revisor, sabemos, é o gari da redação. Talvez por isso que ele seja o menos importante no jornal, porque, assim como todo mundo pode limpar uma casa ou varrer uma rua, também toda pessoa alfabetizada pode limpar melhor a palavra do que um gari de redação.

Um secretário de Segurança ri de um revisor quando este escreve “caxianauá”. Os diagramadores debocham de um revisor quando este corrige o texto do repórter para escrever “megassena”. O repórter-fotográfico ridiculariza o revisor quando registra “internete”. O que pode um gari argumentar diante desses estudiosos da língua portuguesa?

Lixeiro, como sabemos, recebe pouco por mês, menos que um diagramador, bem menos que um repórter-fotográfico, não tendo condições, portanto, de comprar livros de Evanildo Bechara, de Celso Pedro Luft, de Celso Cunha, de Pasquale Cipro Neto, de José Carlos de Azevedo, de Adriano da Gama Kury, de Sérgio Nogueira Duarte da Silva, de José Nicola, de Antônio Houaiss, de Eduardo Martins.

Assim, sem dinheiro para comprar bons livros sobre a língua-pátria, o gari de redação deveria escrever “mega-sena”, porque, nos letreiros de casas lotéricas, escreve-se assim, ou seja, escreve-se como a rua registra a palavra, ou melhor, joga-se com a palavra assim como apostadores jogam com os números. “Todo mundo escreve ‘mega-sena’, menos A TRIBUNA”, falam-me.

Isso faz lembrar aquele personagem popular de Ariano Suassuna quando perguntam a ele a razão de ser assim: “Não sei, só sei que foi assim”, responde Chicó, do livro Auto da Compadecida. Por que se escreve “mega-sena” e não “megassena”? “Por que se escreve “internet” e não “internete”? Por que se escreve “aldeias Kaxinawá” e não “aldeias caxinauás”? E aí eles responderão: “Não sei, só sei que escrevem assim.” E como a rua escreve assim e como muitos escrevem assim, pronto, o gari não sabe limpar o chão. O revisorzinho está errado. Afinal, ele é um só, ele é só um, e as casas lotéricas são muitas com suas “mega-senas”.

Mas quem disse a vocês que eu jogo com as palavras?

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Chuva no Primeiro Mundo


Foto
de Selmo Melo

Não sou contra a terceira e a quarta pontes ou contra a bela passarela, mas deixar o pronto-socorro assim é sacanagem, só porque os carros não passam por ele. Aqui, não se senta a classe média ou política. Aqui, sentam-se faxineiras, domésticas, classe social que coloca os filhos em escola pública.

Ontem, resolvi meter uma bala na cabeça, coisa de suicida. Mas, por pura incompetência, acertei o meu pé esquerdo. Resultado, o Samu me deixou no pronto-socorro. Chovia muito lá dentro. "O senhor não trouxe o guarda-chuva?", perguntou-me a atendente. "Não sabia que tinha que trazer." Não fui atendido.

Na próxima vez que eu cometer um suicídio fracassado, irei para um pronto-socorro da Suíça. Lá, não neva, no hospital.

Sinjac

"Ontem, o jornalista-escritor Zuenir Ventura abriu no Teatro Plácido de Castro a Semana Chico Mendes de 2008 e a Semana de Comunicação do Sinjac, com um bate-papo sobre o livro Crime e Castigo, que reúne reportagens sobre o líder seringueiro desde seu assassinato, em 1988. A semana acontece há 20 anos, e toda a programação é aberta ao público."

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Acre, Marcos Vicentti, age muito bem quando proporciona uma mesa-redonda sobre conteúdos interessantes. Pena que Sinteac e Sinplac não promovam encontros assim sobre educação de forma contínua e cíclica.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Blog Aberto a Lígia

Prezada Lígia Aplle, coordenadora de programa da Rádio Difusora, em qual livro você achou a verdade da LÍNGUA? Minha cara, não existe maneira correta ou maneira errada de falar.

O professor Houaiss afirma que as mudanças ortográficas da língua portuguesa ocorreram segundo a fala popular e não conforme a etimologia. A preposição, por exemplo, surgiu por causa do latim vulgar, do latim da plebe. Hoje, quando usamos o verbo em várias posições na frase-oracional, isso se deve ao latim do vulgo, dos incultos. No latim clássico, admitia-se o verbo somente no final da frase-oracional.

Falar à margem da gramatical tradicional revela uma LÍNGUA que, por causa da fala, subverte a ordem, o poder que controla. A LÍNGUA é marginal. A beleza de um "ocê" mineiro equivale-se a um "Toin" de um seringueiro. Já pensou o que seria da obra de Suassuna se ele não registrasse a fala popular?

Minha cara, seu erro é lamentável. Pior ainda é saber que isso surge no governo do PT. Aprecio muito certos petistas da Frente Popular, mas existem alguns que, com suas arrogâncias, não passam de indivíduos despreparados com seus vícios de controle. A esquerda brasileira sempre teve problemas com a individualidade, com a cultura.

Deveriam, isso sim, evitar a vazante de erros da assessoria de imprensa do governo. Pessoas alfabetizadas e bem pagas que propagam uma escrita inconciliável com normas elementares. O governo, por meio de seus assessores, presta um desserviço à língua portuguesa.

O governo tem o dever cívico de escrever conforme a LÍNGUA padrão ou conforme um ótimo manual jornalístico de redação. Aníbal, Oly, Jorge Henrique, Antônio Alves e outros, até hoje, permitem que textos do governo deixem a língua portuguesa humilhada pela ignorância.

Vão corrigir seus assessores e deixem a fala (desobediente) do seringal em paz.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Poder e o Seringal

Há um bom tempo, comentam comigo sobre o que ocorre na Rádio Difusora, uma extensão sonora do Poder Executivo. Pois bem, há uns seis meses, Lígia Aplle recebeu a função de coordenadora de programa da rádio estatal.

Não sei se Lígia cultua os textos parnasianos, mas ela defende a pureza da LÍNGUA. Na Rádio Difusora, ela tem eliminado as impurezas lingüísticas dos seringueiros ou a oralidade dos matutos. Aqui, matuto significa aquele que o poder não controla, não consegue modelar.

Na redação da rádio, ela, como coordenadora, não admite que o seringal mande mensagem com a palavra "Toin". O correto, segundo ela, é Toinho. Lígia também rejeita mensagens com duplo sentido, próprio da cultura popular.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Poesia de Alexandre O'Neill















Sei os teus seios
Sei-os de cor

Capitu, de Machado de Assis

Hoje, a inteligência sensível de Luiz Fernando Carvalho ressurge nas cores e nas formas de Capitu, de Machado de Assis. Na televisão brasileira, Luiz é único com sua estética. Ele defende uma televisão que deve provocar o telespectador. Perturbá-lo.

Depois de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, a Capitu televisiva de Luiz Fernando é a evidência de que a TV não precisa ser burra para ter audiência.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Um dia, serei simpático


Como é insosso levar a educação pública a sério. Há anos, defendo idéias fixas na escola Heloísa Mourão Marques, um delas: o Conselho de Língua Portuguesa. Sua finalidade destina-se a organizar a disciplina, mas até a gestora Osmarina parece não acreditar nele, com certa razão.

Para organizar o conselho, precisávamos de um coordenador, e isso dependia de uma democracia que escolhesse o melhor, sabendo que o melhor é exigente e exige de si mesmo. Depositaram o voto, entretanto, em quem nem sabe organizar reuniões. Votaram na simpatia. Talvez, quem sabe, por causa dessa democracia que não sabe selecionar o melhor, o coordenador da área deva ser escolhido pelo gestor.

Ainda sim, por causa de alguns poucos professores de lingua portuguesa e de literatura, definimos procedimentos na disciplina, por exemplo, a prova vale 6 pontos e o trabalho escrito à mão, 4 pontos.

No entanto, muitos professores descumprem o que foi estabelecido. Avalia-se como bem quer, em outras palavras, aluno passa sem critério. "Não vou deixar aluno para a prova final, porque não quero ter trabalho", podemos escutar isso de um colega. Em outros casos, alunos com tantas faltas, inúmeras, mas as notas são 8, 9 ou 10.


Qual a questão?
Qual a questão central desse problema? Rezar ou orar, os professores talvez não rezem ou não orem antes de entrar em sala. É preciso pedir a Jesus luz para iluminar a preguiça e a incompetência.

Mas, em uma escola pública, não é Deus que coordena nossas vidas, porque, se assim fosse, nossos alunos seriam melhores, por exemplo, no Enem. Quem coordena professores é COORDENADOR DE ENSINO, ou seja, uma pessoa inteligente, culta, dinâmica e com uma vontade abismal de querer trabalhar para qualificar o ensino conforme o interesse do erário e não conforme o descaso de alguns parasitas, pseudo-educadores indiferentes à vida de alunos que são filhos de faxineiras, de domésticas, de vendedores ambulantes.

Aqui, neste ponto, o problema: COORDENADOR DE ENSINO. Quais suas qualidades? Por que foi escolhido? Quais seus méritos? Na escola Heloísa, nunca conheci um coordenador à altura dos sonhadores, dos que são inquietos, dos que dialogam com os professores para encontrar soluções por meio da ação, da prática, por meio da fiscalização.

Fiscalizar avaliações, por exemplo. Fiscalizar o coordenador do Conselho de Língua Portuguesa, por exemplo. Fiscalizar para cobrar e para obter resultados, por exemplo.

Como é insosso ser sério. Um dia, quem sabe, serei simpático para eles votarem em mim. Falso, cínico, indiferente, mas simpático, porque, como diz Maquiavel, o vulgo vive das aparências.

sábado, dezembro 06, 2008

Minhas aulas de...

Nesses 16 anos lecionando no Acre, fui processado algumas vezes e sacaneado tantas outras. Penso em ser um servidor público meio parasita, lecionando o suficiente para ser menos que um medíocre, mas, quando recebo mensagem de alguns alunos, sinto que eu os coloquei em outras trilhas, porque ainda leciono por causa de uma intensa e voraz paixão pela vida. Não sei até quando resistirei.

Hoje, a educada Elaíne deixou para os meus olhos estas palavras. Ser humano que deseja edificar um futuro melhor, Elaíne assistia às minhas aulas com muita atenção. Nós dois vencemos um pouco.

"Graças ao modo como ensinava aos alunos não só a lingua portuguesa, mas também a literatura, e não só o ensino escolar, mas também a lição de vida que nos dava, é que hoje agradeço ao professor Aldo pela confiança depositada em seus alunos, pela prática diária do ensino que exercia pela manhã na escola Heloísa Mourão Marques, pois fizeram valer a pena a nota que atingi no Enem, sendo que na redação, muito bem aplicada por ele a nós, alunos, foi que alcancei a média 85 na redãção do Enem. Retribuo a Ele esta honra de conquistar essa média e, desde já, agradeço-lhe por se mostrar o melhor professor da Escola Heloísa Mourão Marques."

Grata, Elaíne.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

A escola

Hoje, conversando com a professora-gestora Osmarina, da Escola Estadual Heloísa Mourão Marques, colegas de profissão ouviram minhas enfadonhas argumentações. Um desses colegas ouviu-me outras vezes e, em um certo dia, disse-me:


"Aldo, você não aprende, o melhor é calar a boca, fazer bem seu serviço e ignorar a escola. Faça o seu. A maioria não quer transformar esta escola, quer sair 20 minutos antes do tempo devido de aula, não tá nem aí para os alunos. Faça seu trabalho e seja indiferente, porque isso aqui não tem jeito."

Calei-me diante de seu realismo, porque, no fundo, somos personagens de uma narrativa realista. Os valores do mundo minam resistência de sonhadores. Esse colega que tanto respeito tem razão. Heloísa Mourão Marques é difícil. Professores que brincam, que são indiferentes, que sorriem para todos, que aceitam tudo e não lecionam à altura das inquietações, bem, esses transitam entre o consenso e a resignação. Esses são eleitos.

Colocar Osmarina como gestora não foi fácil, nada fácil. Uma corrupção silenciosa e admitida por muitos quase impediu sua derrota, a nossa. Dois candidatos retiraram seus nomes para apoiar a professora Osmarina. Se não fosse assim, teríamos perdido por uma candidata que nunca zelou pelo erário.

Hoje, sabemos de acordos ilícitos entre ela e alguns funcionários. Funcionário, por exemplo, que vinha à escola segundo sua vontade, segundo seu relógio biológico. Diretora que não cumpria seu horário e, quando se ausentou durante um mês e uma semana, não apresentou justificativa ao Conselho Escolar e muito menos ao corpo docente. Nessa época, professores terminavam suas aulas 20 minutos antes. Uns se calavam. Outros contavam piadas. O descaso havia porque eles tinham a "liberdade" de sair 20 minutos antes. Eles, alguns.

Hoje, quase um ano como gestora, uma parte do corpo docente não defende idéias para a construção de uma escola pública MELHOR, mas corrói a gestão por meio da fofoca. "Ela é gestora de gabinete." "Ela é grossa." "Ela é ditadora." "Essa escola é um quartel." "Ela é um demônio." Não refletem sobre educação, educador, qualidade de ensino, alunos, problemas, soluções, mas reduzem à escola pública à personificação.

Já vejo luzes de desânimo nos olhos da professora-gestora Osmarina. Mas existem soluções, não se desanime. Dou-lhe estes conselhos:

1. fique fora da escola por mais de um mês e não dê satisfações;
2. faça acordos espúrios com os funcionários, com os professores e com Deus;
3. dê dobra a funcionários de apoio;
4. deixe professores sair 2o minutos mais cedo;
5. prepare festinhas com bolo e refrigerantes;
6. tire da escola professor que quer trabalhar;
7. conte piadas;
8. sorria com a pasta dental mais barata;
9. não cumpra horário;
10. sorria outra vez;
11. mais uma festinha;
12. seja falsa e cínica a ponto de ninguém perceber;
13. e o mais importante: entregue tudo a Deus e à propaganda de governo.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Como referência...

No Acre, certos jornalistas têm como referência jornais do sul do país. Se escrevem assim, copiaremos. Leia esta resposta de Pasquale. Depois, leia sua resposta sobre o estrangeirismo.

Como anda o português no jornalismo?
Pasquale — É complicado discutir isso porque não se pode traçar um perfil. Depende do jornal, do ritmo. Imagina um jornal como a Folha de S. Paulo, que tem duas edições, pelo menos. A nacional tem de fechar às 8h e às cinco para as 8h está acontecendo o diabo e a matéria tem que ser escrita em cinco minutos. Então o que acontece? Besteira, é óbvio. Então não tem como exigir a perfeição nesse tipo de situação. E nós temos na Folha um trabalho que já vai longe. Eu estou lá desde 89. A Folha tem hoje duas professoras de português que ficam lá todo santo dia prestando assessoria e, mesmo assim, passa o diabo. De um modo geral, eu vejo a imprensa preocupada com a língua, o que é muito bom. O texto jornalístico brasileiro, na grande imprensa, tem um determinado padrão de correção. É um texto que pode ser chamado de semiformal. É um texto que serve com experiência para as pessoas que querem algo que ultrapasse as fronteiras do coloquial.

O que você acha do projeto do deputado Aldo Rebelo para proibir o uso de expressões estrangeiras na língua portuguesa?
Pasquale — Eu já disse isso a ele pessoalmente quando foi entrevistado por mim no programa “Nossa Língua Portuguesa”, falei que não acredito no projeto e ele disse que se fosse professor de português talvez não acreditaria também. Eu reconheço que existe um abuso, devido muito mais a tolice do que a qualquer outra coisa. Eu só posso justificar pela tolice alguém colocar uma propaganda e, na hora de anunciar o telefone 0800, que é gratuito, escrever “toll free” (taxa grátis). Isso é bobo, porque ele é tão deslumbrado com o estrangeirismo e acha que todo mundo vai entender aquilo. Uma parte significativa desse abuso do estrangeirismo se deve à tolice, ao deslumbramento, a essa coisa subdesenvolvida, atrasada, terceiromundista. A outra parte se deve ao poder, nós somos nada, o português é uma língua periférica então é natural que haja essa invasão. O que a gente deve fazer é mastigar, engolir o que serve e cuspir o que não serve. Há um monte de estrangeirismos que não servem para nada, não vêm para enriquecer a língua, vêm só para encher a paciência. Agora, lei resolve isso? De jeito nenhum Quem vai definir o que pode e o que não pode? Vai haver uma comissão e um cara com carimbo marcando essa pode, essa não pode?

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Escola pública


O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, do PT, deu ordem para a escola Diogo Feijó ser reformada. Ao que era antes, a escola está bonita. Bom gosto.

Para a história do Partido dos Trabalhadores, entretanto, reformar prédios escolares é o menos importante, porque a história do PT exige bem mais.

O mais difícil é ótima administração, é qualidade de ensino. O mais difícil é mudar hábitos de coordenadores de ensino, de gestores, de professores, de funcionários. Reformar relações humanas em uma escola é o mais difícil.

Coordenador de ensino sai da escola quando quer, não cumpre horário. Coordenador de ensino não sabe imprimir transformações, nem quer. Coordenador de ensino não trabalha. Eu, por muito menos, recebi advertência.

Não consigo me calar diante do que está errado em uma escola pública. O governo, com sua propaganda, diz que está tudo bem. Eu, um insignificante blog, digo que não é bem assim. Existem muitas falhas na educação pública. Muitas.

Talvez, agora, não seja tarefa do PT refletir sobre gestão, novos rumos. Talvez, agora, seja função do PT reformar prédios, o mais fácil.