quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Poder e o Seringal

Há um bom tempo, comentam comigo sobre o que ocorre na Rádio Difusora, uma extensão sonora do Poder Executivo. Pois bem, há uns seis meses, Lígia Aplle recebeu a função de coordenadora de programa da rádio estatal.

Não sei se Lígia cultua os textos parnasianos, mas ela defende a pureza da LÍNGUA. Na Rádio Difusora, ela tem eliminado as impurezas lingüísticas dos seringueiros ou a oralidade dos matutos. Aqui, matuto significa aquele que o poder não controla, não consegue modelar.

Na redação da rádio, ela, como coordenadora, não admite que o seringal mande mensagem com a palavra "Toin". O correto, segundo ela, é Toinho. Lígia também rejeita mensagens com duplo sentido, próprio da cultura popular.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Poesia de Alexandre O'Neill















Sei os teus seios
Sei-os de cor

Capitu, de Machado de Assis

Hoje, a inteligência sensível de Luiz Fernando Carvalho ressurge nas cores e nas formas de Capitu, de Machado de Assis. Na televisão brasileira, Luiz é único com sua estética. Ele defende uma televisão que deve provocar o telespectador. Perturbá-lo.

Depois de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, a Capitu televisiva de Luiz Fernando é a evidência de que a TV não precisa ser burra para ter audiência.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Um dia, serei simpático


Como é insosso levar a educação pública a sério. Há anos, defendo idéias fixas na escola Heloísa Mourão Marques, um delas: o Conselho de Língua Portuguesa. Sua finalidade destina-se a organizar a disciplina, mas até a gestora Osmarina parece não acreditar nele, com certa razão.

Para organizar o conselho, precisávamos de um coordenador, e isso dependia de uma democracia que escolhesse o melhor, sabendo que o melhor é exigente e exige de si mesmo. Depositaram o voto, entretanto, em quem nem sabe organizar reuniões. Votaram na simpatia. Talvez, quem sabe, por causa dessa democracia que não sabe selecionar o melhor, o coordenador da área deva ser escolhido pelo gestor.

Ainda sim, por causa de alguns poucos professores de lingua portuguesa e de literatura, definimos procedimentos na disciplina, por exemplo, a prova vale 6 pontos e o trabalho escrito à mão, 4 pontos.

No entanto, muitos professores descumprem o que foi estabelecido. Avalia-se como bem quer, em outras palavras, aluno passa sem critério. "Não vou deixar aluno para a prova final, porque não quero ter trabalho", podemos escutar isso de um colega. Em outros casos, alunos com tantas faltas, inúmeras, mas as notas são 8, 9 ou 10.


Qual a questão?
Qual a questão central desse problema? Rezar ou orar, os professores talvez não rezem ou não orem antes de entrar em sala. É preciso pedir a Jesus luz para iluminar a preguiça e a incompetência.

Mas, em uma escola pública, não é Deus que coordena nossas vidas, porque, se assim fosse, nossos alunos seriam melhores, por exemplo, no Enem. Quem coordena professores é COORDENADOR DE ENSINO, ou seja, uma pessoa inteligente, culta, dinâmica e com uma vontade abismal de querer trabalhar para qualificar o ensino conforme o interesse do erário e não conforme o descaso de alguns parasitas, pseudo-educadores indiferentes à vida de alunos que são filhos de faxineiras, de domésticas, de vendedores ambulantes.

Aqui, neste ponto, o problema: COORDENADOR DE ENSINO. Quais suas qualidades? Por que foi escolhido? Quais seus méritos? Na escola Heloísa, nunca conheci um coordenador à altura dos sonhadores, dos que são inquietos, dos que dialogam com os professores para encontrar soluções por meio da ação, da prática, por meio da fiscalização.

Fiscalizar avaliações, por exemplo. Fiscalizar o coordenador do Conselho de Língua Portuguesa, por exemplo. Fiscalizar para cobrar e para obter resultados, por exemplo.

Como é insosso ser sério. Um dia, quem sabe, serei simpático para eles votarem em mim. Falso, cínico, indiferente, mas simpático, porque, como diz Maquiavel, o vulgo vive das aparências.

sábado, dezembro 06, 2008

Minhas aulas de...

Nesses 16 anos lecionando no Acre, fui processado algumas vezes e sacaneado tantas outras. Penso em ser um servidor público meio parasita, lecionando o suficiente para ser menos que um medíocre, mas, quando recebo mensagem de alguns alunos, sinto que eu os coloquei em outras trilhas, porque ainda leciono por causa de uma intensa e voraz paixão pela vida. Não sei até quando resistirei.

Hoje, a educada Elaíne deixou para os meus olhos estas palavras. Ser humano que deseja edificar um futuro melhor, Elaíne assistia às minhas aulas com muita atenção. Nós dois vencemos um pouco.

"Graças ao modo como ensinava aos alunos não só a lingua portuguesa, mas também a literatura, e não só o ensino escolar, mas também a lição de vida que nos dava, é que hoje agradeço ao professor Aldo pela confiança depositada em seus alunos, pela prática diária do ensino que exercia pela manhã na escola Heloísa Mourão Marques, pois fizeram valer a pena a nota que atingi no Enem, sendo que na redação, muito bem aplicada por ele a nós, alunos, foi que alcancei a média 85 na redãção do Enem. Retribuo a Ele esta honra de conquistar essa média e, desde já, agradeço-lhe por se mostrar o melhor professor da Escola Heloísa Mourão Marques."

Grata, Elaíne.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

A escola

Hoje, conversando com a professora-gestora Osmarina, da Escola Estadual Heloísa Mourão Marques, colegas de profissão ouviram minhas enfadonhas argumentações. Um desses colegas ouviu-me outras vezes e, em um certo dia, disse-me:


"Aldo, você não aprende, o melhor é calar a boca, fazer bem seu serviço e ignorar a escola. Faça o seu. A maioria não quer transformar esta escola, quer sair 20 minutos antes do tempo devido de aula, não tá nem aí para os alunos. Faça seu trabalho e seja indiferente, porque isso aqui não tem jeito."

Calei-me diante de seu realismo, porque, no fundo, somos personagens de uma narrativa realista. Os valores do mundo minam resistência de sonhadores. Esse colega que tanto respeito tem razão. Heloísa Mourão Marques é difícil. Professores que brincam, que são indiferentes, que sorriem para todos, que aceitam tudo e não lecionam à altura das inquietações, bem, esses transitam entre o consenso e a resignação. Esses são eleitos.

Colocar Osmarina como gestora não foi fácil, nada fácil. Uma corrupção silenciosa e admitida por muitos quase impediu sua derrota, a nossa. Dois candidatos retiraram seus nomes para apoiar a professora Osmarina. Se não fosse assim, teríamos perdido por uma candidata que nunca zelou pelo erário.

Hoje, sabemos de acordos ilícitos entre ela e alguns funcionários. Funcionário, por exemplo, que vinha à escola segundo sua vontade, segundo seu relógio biológico. Diretora que não cumpria seu horário e, quando se ausentou durante um mês e uma semana, não apresentou justificativa ao Conselho Escolar e muito menos ao corpo docente. Nessa época, professores terminavam suas aulas 20 minutos antes. Uns se calavam. Outros contavam piadas. O descaso havia porque eles tinham a "liberdade" de sair 20 minutos antes. Eles, alguns.

Hoje, quase um ano como gestora, uma parte do corpo docente não defende idéias para a construção de uma escola pública MELHOR, mas corrói a gestão por meio da fofoca. "Ela é gestora de gabinete." "Ela é grossa." "Ela é ditadora." "Essa escola é um quartel." "Ela é um demônio." Não refletem sobre educação, educador, qualidade de ensino, alunos, problemas, soluções, mas reduzem à escola pública à personificação.

Já vejo luzes de desânimo nos olhos da professora-gestora Osmarina. Mas existem soluções, não se desanime. Dou-lhe estes conselhos:

1. fique fora da escola por mais de um mês e não dê satisfações;
2. faça acordos espúrios com os funcionários, com os professores e com Deus;
3. dê dobra a funcionários de apoio;
4. deixe professores sair 2o minutos mais cedo;
5. prepare festinhas com bolo e refrigerantes;
6. tire da escola professor que quer trabalhar;
7. conte piadas;
8. sorria com a pasta dental mais barata;
9. não cumpra horário;
10. sorria outra vez;
11. mais uma festinha;
12. seja falsa e cínica a ponto de ninguém perceber;
13. e o mais importante: entregue tudo a Deus e à propaganda de governo.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Como referência...

No Acre, certos jornalistas têm como referência jornais do sul do país. Se escrevem assim, copiaremos. Leia esta resposta de Pasquale. Depois, leia sua resposta sobre o estrangeirismo.

Como anda o português no jornalismo?
Pasquale — É complicado discutir isso porque não se pode traçar um perfil. Depende do jornal, do ritmo. Imagina um jornal como a Folha de S. Paulo, que tem duas edições, pelo menos. A nacional tem de fechar às 8h e às cinco para as 8h está acontecendo o diabo e a matéria tem que ser escrita em cinco minutos. Então o que acontece? Besteira, é óbvio. Então não tem como exigir a perfeição nesse tipo de situação. E nós temos na Folha um trabalho que já vai longe. Eu estou lá desde 89. A Folha tem hoje duas professoras de português que ficam lá todo santo dia prestando assessoria e, mesmo assim, passa o diabo. De um modo geral, eu vejo a imprensa preocupada com a língua, o que é muito bom. O texto jornalístico brasileiro, na grande imprensa, tem um determinado padrão de correção. É um texto que pode ser chamado de semiformal. É um texto que serve com experiência para as pessoas que querem algo que ultrapasse as fronteiras do coloquial.

O que você acha do projeto do deputado Aldo Rebelo para proibir o uso de expressões estrangeiras na língua portuguesa?
Pasquale — Eu já disse isso a ele pessoalmente quando foi entrevistado por mim no programa “Nossa Língua Portuguesa”, falei que não acredito no projeto e ele disse que se fosse professor de português talvez não acreditaria também. Eu reconheço que existe um abuso, devido muito mais a tolice do que a qualquer outra coisa. Eu só posso justificar pela tolice alguém colocar uma propaganda e, na hora de anunciar o telefone 0800, que é gratuito, escrever “toll free” (taxa grátis). Isso é bobo, porque ele é tão deslumbrado com o estrangeirismo e acha que todo mundo vai entender aquilo. Uma parte significativa desse abuso do estrangeirismo se deve à tolice, ao deslumbramento, a essa coisa subdesenvolvida, atrasada, terceiromundista. A outra parte se deve ao poder, nós somos nada, o português é uma língua periférica então é natural que haja essa invasão. O que a gente deve fazer é mastigar, engolir o que serve e cuspir o que não serve. Há um monte de estrangeirismos que não servem para nada, não vêm para enriquecer a língua, vêm só para encher a paciência. Agora, lei resolve isso? De jeito nenhum Quem vai definir o que pode e o que não pode? Vai haver uma comissão e um cara com carimbo marcando essa pode, essa não pode?

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Escola pública


O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, do PT, deu ordem para a escola Diogo Feijó ser reformada. Ao que era antes, a escola está bonita. Bom gosto.

Para a história do Partido dos Trabalhadores, entretanto, reformar prédios escolares é o menos importante, porque a história do PT exige bem mais.

O mais difícil é ótima administração, é qualidade de ensino. O mais difícil é mudar hábitos de coordenadores de ensino, de gestores, de professores, de funcionários. Reformar relações humanas em uma escola é o mais difícil.

Coordenador de ensino sai da escola quando quer, não cumpre horário. Coordenador de ensino não sabe imprimir transformações, nem quer. Coordenador de ensino não trabalha. Eu, por muito menos, recebi advertência.

Não consigo me calar diante do que está errado em uma escola pública. O governo, com sua propaganda, diz que está tudo bem. Eu, um insignificante blog, digo que não é bem assim. Existem muitas falhas na educação pública. Muitas.

Talvez, agora, não seja tarefa do PT refletir sobre gestão, novos rumos. Talvez, agora, seja função do PT reformar prédios, o mais fácil.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Ao Josafá Batista

"Aldo, Orkut é nome próprio e pertence ao criador desse site de relacionamentos, o turco Orkut."

1. Josafá, nós não acessamos um turco, uma pessoa, mas um sítio, uma página virtual. Orkut deixou de ser substantivo próprio para ser substantivo comum.

"Uma dúvida: pelo critério de aportuguesamento gostaria de saber como ficariam as palavras: background, making-off, shopping-center, recall, pizza, marketing, show business, status, jeans, performance, scanner, mouse (de computador) e aids (sida?)."

2. Josafá, em certos lugares deste país, evitam-se termos estrangeiros. O deputado Aldo Rabelo, até onde sei, apresentou um projeto de lei que proíbe termos ingleses em estabelecimentos comerciais. Em Portugal, na França, por motivos históricos, a língua-pátria não se submete à grafia do estrangeiro.

3. Certos autores de nosso país, estudiosos, homens com nomes reconhecidos, com livros publicados - eu só sou um reles reprodutor do que leio -, admitem certas alterações, por exemplo, internete, orcute.

4. No caso de aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), deixou de ser iniciais de nomes para ser um substantivo comum, ou seja, uma doença tal qual câncer, por exemplo. Entretanto, meu amigo, podemos encontrar Aids ou AIDS como duas formas gráficas que mantêm a sigla. Eu prefiro
sida, porque, dessa forma, não me submeto à organização norte-americana, mas, como aceitamos "síndrome" vindo depois, isto é, como os norte-americanos escrevem, registramos, repito, conforme o estrangeiro. Não somos portugueses. Não somos franceses. Já pensou eu colocar no jornal A TRIBUNA "sida"? Se ouço piadinhas quando registro "orcute", imagine "sida", seria demitido, porque os jornais Folha de São Paulo e O Globo não escrevem assim. Esta é a nossa identidade: copiar os outros.

Ronda Gramatical

"No Acre, 401 pessoas foram detectadas pelo vírus da AIDS, dessas 162 foram a óbito, sendo que na Capital concentra 85% dos casos. O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, comemorado no dia 1º, alertou a população para os cuidados necessários de prevenção para que esses números não cheguem a crescer."

Preciso dizer algo?

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Orkut ou orcute?

Há mais de dez como jornalista, Francisco Costa, do blog reporter24horas.blogspot.com, não gostou quando escrevi em sua matéria "orcute" e não "Orkut". Ele tem a mais absoluta razão, pois o texto pertence a ele, não é verdade? Não. O texto pertence também ao revisor.

Ele não me elogiou quando coloquei vígulas nos lugares certos. "Tua obrigação", ele diria. Bem, se é minha obrigação retificar, eu retifico segundo o que penso sobre a LÍNGUA portuguesa. No caso de "orcute", eu defendo a idéia de uma escrita abrasileirada. A intenção, lembrando-me de Oswald de Andrade, é antropofágica. Além desse autor, baseio-me em outros autores para preferir "orcute" a "Orkut".

E ainda escrevem Orkut, caixa-alta. Trata-se de um substantivo próprio?

Retirei alguns trechos de seu texto.

"Site para o qual Venícios trabalha publicou várias reportagens sobre o assunto. Enquanto isso, o jovem e habilidoso repórter, tenta gravar uma entrevista com o agenciador. Foram vários dias de negociações e, finalmente, Ivan decidiu falar. Pepsi, como o agenciador também é conhecido, gravou uma entrevista de três horas de duração. Mas, com medo de represálias, não se deixou fotografar."

1. Retirei a vírgula, mas não fui elogiado.

"Ivan também revelou o perfil de seus clientes e a maneira como as meninas eram selecionadas. Contou, por exemplo, que usava a internet (blogs e comunidades do Orkut) para divulgar seu trabalho, a qual classificou de “cooperativa do sexo fácil”.

1. Por que a preposição "a" antes de "qual"? Mais uma correção, e não vieram os abraços e os doces.
Há outros erros, são humanos. Eu erro. Para falar a verdade, eu sou um erro.

Públicas x Particulares

Públicas x Particulares

Neste ano, mais uma vez, segundo o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, as escolas privadas obtiveram um desempenho melhor do que as escolas públicas na média nacional. No Acre, seguindo a mesma tendência, as públicas não superaram as particulares quando o assunto é Redação.

O professor de uma particular pode chegar a lecionar para 11 turmas, e o professor-servidor público, para 4 ou 5. Se em média há 30 alunos em cada sala, aquele corrige 330 redações e este, 150. Além de os números registrarem menos trabalho, a escola pública estadual ainda paga melhor no Acre

Os salários, melhores. Em um passado não muito distante, verborréias sindicais acreditavam que bons salários equivalessem à qualidade de ensino, por exemplo, a boas aulas de Redação. Por trás dessa dissimulação sindicalesca, a prioridade não era a qualidade, mas tão-somente salário por ser ele mais fácil para unificar a categoria. Tamanha associação entre dinheiro e bom ensino, além de mentirosa, só serviu para mostrar que sindicalista não entende o que possa qualidade de ensino. Esse pretérito imperfeito elevou-se como falácia

Na outra ponta discursiva, a Secretaria de Educação do Estado, a fim de qualificar seu corpo docente, oferece aos professores cursos e mais cursos. No último, professoras-doutoras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) falaram sobre letramento. A secretaria crê que, após concluir um curso de letramento, o professor, motivado pela causa pública (kkkkkkk), retornará à sala de aula para que alunos escrevam ótimas redações

Se há bons salários e se há qualificação profissional, por que a escola pública estadual não supera há anos a escola particular? Se professores recebem menos e se não são qualificados por meio de cursos, por que a iniciativa privada consegue há anos melhores notas

Há respostas que se combinam, mas uma é capital: o lucro. A escola particular lucra com o Enem, porque, por meio desse exame, o diretor-proprietário propaga a boa imagem de sua escola. Assim, para manter sua imagem, o lucro não admite desperdícios, por isso sabe administrar seus bens e seu patrimônio. Ora, como o diretor-proprietário precisa de bons resultados no Enem, o lucro se organiza e organiza seu espaço escolar, quer dizer, controla-se e controla. O dinheiro faz questão de manter a boa imagem e, para isso, sabe que, sem organização, sem boa administração, não há controle para obter resultados. A iniciativa privada não admite desperdício

E a escola pública? Como todo setor público deste “berço esplêndido”, o desperdício é a regra. Nesses meus 12 anos lecionando na rede pública estadual, nunca conheci um coordenador de ensino que tivesse metas para a Redação. Ocupa-se a coordenação segundo não o mérito muito bem posto, mas conforme a indicação de um gestor, que, por sua vez, foi escolhido por um processo democrático também sem mérito. Como pode haver qualidade de ensino quando a própria democracia escolar é desqualificada? Ela é um desperdício de tempo

Gestor escolar, uma vez formado em administração, deveria ocupar sua função por meio de concurso público. E mais: esse administrador público não deveria ter estabilidade de emprego, nem o professor. Quanto ao coordenador de ensino, escolhê-lo dependeria também de seus méritos como professor e como pessoa. Além disso, alunos deveriam avaliar esse professor por meio de questionário para que seu nome pudesse se candidatar a coordenador e, dessa forma, ser votado pelo corpo docente

Absurdo? Hoje, se o professor quiser, leciona Redação. Hoje, o coordenador de ensino, se quiser, busca metas. Hoje, o gestor, se quiser, administra. Hoje, lecionando bem ou mal, o salário é o mesmo com uma estabilidade de emprego que acomoda o desperdício.

sábado, novembro 29, 2008

Não & Não

Irmã de minha saudosa e muito amada avó, minha tia-avó Vera deixou um brinquedo na sala com esta única finalidade: seus netos não poderiam tocar nele. "Há outros brinquedos, nesses, eles podem mexer, mas aquele que está sala é intocável."

Por que isso, tia? "Porque eles devem aprender que na vida há limites, restrições; que na vida existe o não".

Leia este artigo publicado no JB, da drª MARIA ISABEL, professora de psicologia.

A importancia de um não, o não de Eloá
Criando um Monstro.

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole?
Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência?
Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade?
O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?
O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'.
A garota disse não, não quero mais falar com você.
E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.
Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão.
Que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados.
Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.
Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19.
Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha.
Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida.
Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá.
Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal seqüestrador converssasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram.
Simples assim. NÃO.

Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças.
Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos (e alguns maridos temem dizer não às esposas). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos.
Noras que não conseguem dizer não às sogras.
Chefes que não dizem não aos subordinados.
Gente que não consegue dizer não aos próprios desejos.
E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a seqüestrar pessoas.
Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco.
Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.
Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos.
Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes.
Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer: Não, você não pode bater no seu amiguinho.
Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos.
Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei.
Não, você não vai passar a madrugada na rua.
Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação.
Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos.
Não, essas pessoas não são companhias pra você.
Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.
Não, aqui não é lugar para você ficar.
Não, você não vai faltar na escola sem estar doente.
Não, essa conversa não é pra você se meter.
Não, com isto você não vai brincar.
Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles.
E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam.
Usam drogas.
Compram armas.
Transam sem camisinha.
Batem em professores.
Furam o pneu do carro do chefe.
Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.
Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário.
Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranqüilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade.
E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso.
Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.
O não protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento.
Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor.
E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Ufac...

...irregular
A Universidade Federal do Acre (Ufac) foi uma das 14 instituições de federais de ensino superior do país onde o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou irregularidades em contratos e em convênios firmados. As irregularidades foram encontradas nos 464 convênios e contratos que o TCU fiscalizou entre julho e setembro deste ano.

Fundações de apoio
O objetivo da fiscalização do TCU foi examinar o relacionamento das universidades públicas com suas fundações de apoio. As fundações foram criadas na década de 90 com o fim de garantir mais autonomia na gestão dos recursos das universidades.

Distância perigosa
Mas o relatório do TCU avalia que “essa autonomia universitária às avessas, promovida por intermédio de fundações privadas de apoio, significou também um perigoso distanciamento das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) do ambiente de controle propiciado pela contabilidade pública e pelo trânsito dos recursos públicos por dentro do Sistema Integrado de Administração Financeira, do governo federal (Siafi)".

As irregularidades
As principais irregularidades encontradas pelo TCU nas universidades federais referem-se à contratação de pessoal e a serviços sem licitação, falta de transparência na prestação de contas e a não-observância de deliberações de órgãos de controle (internos e externos).
Gestão informalSegundo o TCU, em muitos casos, os contratos tinham a função de produzir recursos excedentes que eram guardados pelas fundações, mas geridos informalmente por reitores, chefes de departamento e coordenadores de cursos.

Prazo para correção
O TCU determinou um prazo de 180 dias para que as universidades corrijam as irregularidades. Entre as medidas que devem ser tomadas, está a disponibilização na Internet dos dados e do andamento dos projetos que estão sendo desenvolvidos em parceria, bem como os recursos envolvidos em cada um deles.

Contas específicas
Outra recomendação do TCU é a criação de contas bancárias e contábeis específicas para cada projeto firmado com as fundações de apoio. Em abril, os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia publicaram uma portaria para tornar mais rígido o repasse de recursos das fundações para as universidades.

Movimento Sindical

Já registrei aqui várias vezes o quanto Sinteac e Sinplac não contribuem para qualificar o ensino público. Conheço "professores" que fizeram do sindicato um modo de vida, uma profissão, um cargo para não trabalhar, apenas para ocupar espaço em chapas.

Tanto para problematizar sobre educação pública, o que ouvimos desses indivíduos são palavras toscas sobre educação pública. Há exceções. Poucas. Muito poucas. Quase nada.

O texto abaixo não se refere a esses dois sindicatos, mas se refere a dinheiro de outros filiados.
Num sindicato de servidores de um órgão público no Acre, o presidente só não é chamado de santo pelos filiados. A queixa é geral. E ele não tá nem aí. Para ficar ainda mais feio na foto, pegou o “namorado” e o sogro e foram morar na sede do sindicato, com água, luz, telefone e caseiro pagos pelos sindicalizados.

A luta continua, a minha, a tua, que trabalhamos.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Ao Jornalismo

Tenho recebido texto de "Jornalismo" neste inexpressivo blog. Pois bem, ainda que você tenha tentado me agredir, reconheço tua habilidade quando escreve. Texto claro. Só não gosto quando não ocupamos espaços para criticar com boas idéias, com boas ironias. Gosto de perder, porque, ao perder, refaço jogadas. Aprendo. Minha arrogância, além de ridícula, beira ao limite e ri de si mesma.

A questão do Enem é séria e pulsa um silêncio sobre a escola pública. No Acre, a fala que expressa conhecimento é a do político. Poucos os questionam quando o assunto é, por exemplo, escola pública. Dizem que está tudo bem, que a Frente Popular revolucionou a educação pública, e o amém de jornalistas e de professores é ouvido em igrejas sem Deus. Muitos estão de joelhos. Rezam em templo cínico de classe social.

Sem tempo para atualizar este blog, ainda sim preparo um texto sobre o Enem no Acre. Publicarei na próxima terça-feira, dia 2 de dezembro. Sabe, Jornalista, não me acho o melhor, porque sei que o melhor manifesta-se quando um corpo, o docente, articula-se para transformar a vida de jovens por meio da Literatura, da História, da Filosofia, da Redação. Como já foi dito, não existe indivíduo, existem relações.

Quem assiste às minhas aulas, se for sincero, dirá que eu não esmoreço em sala. Os livros me transformaram, por isso alunos não vêem em mim marcas do descaso, do relaxamento, do cansaço. Luto para que suas vidas sejam transformadas pela cultura, pelo conhecimento, pelos livros. E, acredite, faço pouco ainda. Preciso melhorar mais e mais, sempre. Sempre. Até para morrer, meu caro, temos que ser melhores. É no fundo do poço - Nietzsche ensina-me - que encontramos a fonte de água mais pura.

A realidade escolar, entretanto, não se reduz a mim. Dependo de outros, de relações. Com as palavras, luto, mas Drummond me diz que a luta é vã mal rompe a manhã. Lutamos, porém, meu caro, sempre perdemos. "Viver é não conseguir", fala Fernando Pessoa. Tenho noção do fim, da perda, da traição mais nojenta, mas, ainda sim, busco dar sentido à vida quando leciono. Aprecio o mito de Sísifo.

Sobre minhas aulas na Universidade Federal do Acre, um dia, quem sabe, conto aos teus olhos detalhes sobre o que certos servidores fazem com uma instituição pública. Guardo processos contra mim com muito carinho, porque são registros absurdos sobre o curso de Letras. Absurdos. É um documento histórico. Hoje, depois daquela ausência de ética pública, depois da arbitrariedade daquela farândola, eu rio dos que aparentam ser sérios e cultos.

Estou vivo como nunca para (me) incomodar a brisa, a folha. O fruto.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Sem face

Fácil escrever sem expor a face. Melhor defender idéias com a face à mostra. Em azul, um texto anônimo busca agredir-me. Ruim ocupar este virtual espaço para não registrar boas idéias.
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A culpa é SUA. Isso mesmo, SUA! Não é você que está na escola "dando aula", senhor Aldo Nascimento?
A escola´não é um professor ou dois. A escola é uma ação pedagógica articulada e, para essa articulação, é preciso haver O COORDENADOR DE ENSINO. Pior se torna quando a escola pública não tem plano pedagógico, por exemplo, de redação. E, por favor, não use o termo culpa, soa muito cristão. Melhor o termo RESPONSABLIDADE, porque, em sala, eu a tenho.

O senhor que se acha o melhor e pensa que o mundo gira ao redor da sua falácia vazia?
Busco sempre fazer o melhor, porque, ao fazer o melhor, desejo transformar a escrita de meus alunos. Falácia vazia é não lecionar. Em sala, minha palavra não é vazia. Leciono muito sério, com empenho, porque é isso que cabe a mim em sala. Há quase 20 anos lecionando, ainda sou apaixonado pelo ato de lecionar. Aluno, para mim, deveria avaliar professor para comprovar por meio de documento se há falácia ou não. E, por favor, falácia vazia é redundância inútil. Não me acho melhor, mas me dedico para ser o melhor. Gosto de competir para ganhar ou para perder.

Pena que SEE nunca lhe chamou para fazer parte do seu célebre seleto de intelectuais, não é mesmo?! Se bem que me lembro de você várias vezes almejando uma cadeira na refrigerada sala da Secretaria. Sei que nela, na sala fria, você faria menos do que faz hoje. Não que os que estão lá nada façam, a questão é que se o que você faz hoje é tão pouco, distante da sala de aula - lugar transformador - sua contribuição seria tão menor do que o que já é hoje e é por isso que digo, repito, a culpa é sua.
Nessa parte de teu texto, você surtou. Vá ao médico.

Se acha o contrário, procure a SEE e ajude os que preferem as salas com ar condicionado. Eles precisam de você! Ajude-os a não dar desculpas. Ajude-os a mudar a situação que você contribui para piorar, afinal você também recebe mais que os profissionais das escolas privadas e, mesmo assim, continua na roda viva do fracasso. Vá lá! Ajude...
Quem está na secretaria que faça bem. Quem está em sala que faça bem. Eu desejo a sala. Só uma observação: especifique de que forma eu contribuo para piorar.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Enem Enem Enem

O governo do Estado do Acre não pode negar que a rede pública sempre fica, em relação à rede privada, com as menores notas. Sempre. Pessoas que preferem as salas da Secretaria de Educação às salas de aula precisam dar uma resposta. Não darão.

Conversando com um professor de uma escola particular, ele me disse que leciona para 11 turmas e, por mês, recebe menos que um professor da rede pública. Por ser escola privada, aluno de classe média é mais inteligente, tem mais recursos em casa? Não acredito nas respostas.

Os anos passam, e a escola pública acreana perde sempre para a escola privada. Se derem respostas a esse fato, acredite, serão desculpas.

terça-feira, novembro 18, 2008

Reitora


Cheguei a tempo para ouvir as palavras da professora-doutora Luísa Galvão Lessa e da reitora Olinda Batista Assmar. O texto da Luísa, por sinal, foi ótimo. Com humildade, reconheceu diante de muitos o caráter da atual reitora.

quinta-feira, novembro 13, 2008

A desembargadora está errada?

TCU acaba com farra em carros oficiais na Advocacia-Geral da União no Acre
De Ana Paula Batalha

Consta no relatório de outubro e divulgado recentemente pela auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) o uso indevido de um bem público a serviço de uma funcionária. O caso foi levado ao órgão após gravações do servidor público federal Getúlio França de Almeida, do quadro de pessoal da Advocacia-Geral da União (AGU), na Secretaria de Controle Externo no Acre.

Nas gravações, constam informações e documentos circunstanciando possíveis práticas de irregularidades em relação ao uso de veículo locado pela AGU.

Segundo o relatório, no final de 2006, a Procuradoria da União no Estado do Acre (PU-AC) teve aumentada sua frota de veículos locados, de dois para quatro carros, o que seria desnecessário à medida que os dois veículos atendiam toda demanda da procuradoria.

No caso, um automóvel atendia ao gabinete do procurador-chefe, conduzindo-o a audiências, além de transportar os servidores a serviço. O outro veículo, que deveria atender aos demais serviços do órgão, atendia com exclusividade Sueli Alves Marques, coordenadora da Procuradoria da União no Estado do Acre.

“Com o incremento da frota, em desvio de finalidade, o veículo Corsa, placas AOI-9474, passou a atender unicamente a funcionária, com utilização abusiva para fins particulares durante e fora do expediente”, diz o relatório.

O relatório diz ainda que a servidora passou a conduzir o veículo até a sua residência, guardando-o em sua garagem residencial, além de utilizá-lo em lugares proibidos por lei, como supermercado, casa de diversão, boate, restaurantes e aeroporto e a disponibilizá-lo para o uso pessoal de seu filho. Essas condutas foram demonstradas em diversos vídeos.

Não bastasse isso, foram apresentadas provas que, além de não portar os dizeres exigidos pelas normas - serviço público federal, uso exclusivo em serviço -, o veículo circulava na cidade exibindo conteúdo publicitário de evento festivo a ser realizado na boate Excalibur (Miss Mister Excalibur).

O documento ressalta ainda que as razões apresentadas por Sueli não trazem justificativas aceitáveis para a utilização do veículo fora das situações de serviço. Com base nos elementos constantes nos autos — especialmente nos boletins mensais de controle dos veículos, nos DVDs anexados à contracapa dos autos principais e nas justificativas trazidas pela representada —, conclui-se, segundo o documento, que todos os quilômetros rodados foram custeados pela Advocacia-Geral da União uma vez que a quilometragem inicial registrada em um determinado dia sempre coincide com a quilometragem final referente ao dia útil anterior.

A servidora afirma que o uso do veículo não se deu de forma ilegal uma vez que o valor da franquia (estipulada em 2,5 mil km-mês) não foi ultrapassado.

“Ela dá a entender que, como alcançou no período considerado apenas 65% da quilometragem mensal contratada, os demais 35% poderiam ser utilizados livremente, não trazendo qualquer prejuízo ao erário, porque a franquia contratual cobria tudo”, consta.

A servidora, pelo que consta no relatório, deixou de utilizar o veículo locado fora do horário de expediente a partir de novembro de 2007.

Por esse motivo, o TCU adotou aplicação da multa à servidora pelo uso irregular para fins particulares do veículo locado pelo órgão, além de ter determinado à Procuradoria da União no Estado do Acre tomar providências especificadas quanto às irregularidades encontradas.