sexta-feira, julho 06, 2007


Cântico negro
José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
_________________________

José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

Notas da TRIBUNA


Farra oficial 1

Servidores de um órgão estadual que geralmente vão a trabalho a Epitaciolândia ou a Brasiléia, com diárias pagas pelo contribuinte, aproveitam e dão uma esticadinha até a Zona Franca de Cobija para comprar bujingangas e importados. E atravessam a fronteira no carro oficial, placas brancas.

Farra oficial 2

Ontem mesmo, a coluna recebeu telefonema de uma moradora de Brasiléia. Ela presenciou uma cena dessas. Fotografou o carro com os três bacanas, embarcando cheios de sacolas. O carro era um Fiesta branco.

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Texto retirado da revista CUT


Por dentro da TV

São 170 milhões de telespectadores. A partir do início da década de 1950, o Brasil tornou-se o país da televisão, num processo de conquista que começou quando as câmeras da PRF3-TV, a extinta TV Tupi de São Paulo, deram início à sedução.

O país abraçou com gosto o eletrodoméstico, que determina padrões estéticos, modifica a linguagem popular, dita comportamento, oferece entretenimento fácil e, no fundo, não quer ser nada mais que uma luminosa e colorida vitrine para a venda de produtos e serviços. Em outras palavras, um bom negócio para os beneficiários das concessões dos canais comerciais.

Essa visão extremamente crítica, adotada parcial ou totalmente por dez entre dez intelectuais, não impede, entretanto, que o veículo seja estudado nos meios acadêmicos. Teses e teses são produzidas todos os anos pela universidade, numa discussão que faz todo o sentido. Afinal, como negar o poder da televisão na vida das pessoas?

Para o bem ou para o mal, sua influência tende a crescer ainda mais a partir de dezembro próximo, com o anunciado lançamento da TV digital no país. A tecnologia que, entre outros recursos, promove a convergência com a Internet, deverá tornar a televisão mais onipresente.

Mas a promessa de um salto de qualidade no conteúdo vem de outra frente: a rede pública, bancada pelo governo federal, cujo lançamento também está prometido para os próximos meses.

Cult convidou jornalistas especializados, pensadores e profissionais do setor a refletir sobre o passado, o presente e o futuro da televisão brasileira. O resultado está nos ensaios, depoimentos e entrevistas publicados no dossiê da CULT de julho, que já está nas bancas. Leia, abaixo, um dos textos do dossiê:

A TV digital pode nos libertar do apartheid
Por Laurindo Lalo Leal Filho

No final dos anos 1980, anunciava-se no Brasil a chegada da televisão por assinatura. Dezenas de canais seriam oferecidos ao público, rompendo os estreitos limites da televisão aberta, único modelo de transmissão até então conhecido.

A tecnologia chegava para democratizar a TV brasileira, dando finalmente ao telespectador ampla possibilidade de escolha. A partir daquele momento, tornava-se irrelevante discutir a qualidade da programação oferecida. Afinal, com a multiplicação de canais, a questão estaria superada. Dali para a frente haveria televisão para todos os gostos. Pelo menos, era o que se dizia.

Doce ilusão. Combinando o abismo na distribuição de renda com a promíscua relação existente entre concessionários de canais de TV e os poderes públicos, a nova tecnologia serviu para tornar ainda mais perverso o papel da televisão no Brasil. Inaugurou-se, com a TV por assinatura, o apartheid televisivo.

De um lado, a minoria economicamente privilegiada, com acesso a uma programação um pouco mais diversificada. De outro, a grande maioria - cerca de 90% da população, ou 160 milhões de brasileiros - condenada a ver programas que, quase sempre, beiram a indigência.

O custo da assinatura é proibitivo para a maioria. Mas mesmo a minoria afortunada, dispondo de mais canais, não se viu contemplada por uma ampla diversidade artística, cultural ou informativa. Melhorou um pouco, mas não muito.

Isso porque a nova tecnologia ficou nas mãos dos mesmos empresários que historicamente controlam a radiodifusão no país. Eles detêm quase todos os novos canais, reafirmando na TV por assinatura o oligopólio consagrado na TV aberta.

Nada indica que o mesmo não venha a ocorrer com a TV digital, anunciada para entrar no ar, em São Paulo, no próximo dia 2 de dezembro. Outra vez, vozes que se levantam contra a qualidade do serviço prestado pela televisão são contidas sob a alegação de que com a nova tecnologia tudo será diferente.

E agora os novos canais não se contarão mais às dezenas, como se previa para o cabo, e sim às centenas, digitalizados. Resta perguntar: quem os controlará? E de que forma serão utilizados?


As perspectivas não são muito animadoras. Há fortes indícios de que uma tecnologia, como a da TV digital, capaz de impulsionar a democratização da oferta televisiva, venha a ser apropriada pelos mesmos grupos que sempre controlaram o setor.

São empresas operadoras de um serviço público atuando estritamente nos limites da lógica comercial, determinada pela maximização dos lucros. Nessa linha, a possibilidade do uso ampliado do espectro reduz e a diversidade da programação ficará, outra vez, posta de lado.

A equação é simples. A digitalização da TV permite o alargamento das faixas de transmissão. Onde hoje trafega uma programação, poderão passar quatro ou mesmo oito. Bem utilizados, outorgados para empresas e instituições públicas capazes de atender diferentes demandas da sociedade, esses canais ampliariam significativamente a oferta de programas, com resultados positivos tanto para o telespectador como para a imensa maioria de produtores.

Ganhariam quase todos: o público, que passaria a ter opções reais de programação, e o mercado produtor independente, hoje sem espaço nas grandes redes. Seria o melhor dos mundos: a diversidade artística, cultural e política do país chegando à casa de todos os brasileiros combinada à ampliação do mercado de trabalho no setor.

No entanto, ao que tudo indica, a nova tecnologia não será usada dessa forma. Aos atuais concessionários de canais analógicos será outorgada toda a faixa de 6 megahertz por onde trafegarão os sinais digitalizados. E eles farão o que bem entenderem nesse amplo espaço.

Poderão multiplicar as suas próprias programações, o que implicará numa definição das imagens um pouco mais baixa (mas ainda semelhante àquelas que vemos hoje através dos DVDs) ou veicular programas únicos em alta definição. Infelizmente, a decisão, mais uma vez, não levará em conta o interesse público. Prevalecerá o que for mais rentável.

Dentro da mesma lógica, deverá ser operada a outra novidade trazida pela TV digital: a interatividade ampla. A nova tecnologia abre a possibilidade de integrar à Internet os milhões de aparelhos receptores de televisão em uso no país.

Para isso, são necessários conversores a preços acessíveis e a reserva de áreas do espectro para esse tipo de serviço. A tendência, observada a lógica comercial, será a introdução de uma interatividade simples, capaz apenas de facilitar a venda mais rápida dos produtos anunciados pelas redes de TV. Se isso de fato ocorrer, estará consagrado o uso medíocre de uma tecnologia altamente sofisticada.

Cabe, ainda, entender melhor quais são os atores até aqui apontados como os maiores beneficiados pela chegada da TV digital: as empresas concessionárias de canais de televisão. Bens públicos, as concessões se tornaram, na prática, privadas e praticamente hereditárias.

A constituição de 1988, ao definir que a não-renovação de uma concessão de rádio ou TV deva ser aprovada por dois quintos do Congresso Nacional em votação aberta, praticamente tornou perenes os atuais concessionários. E sobre o tema há um silêncio quase sagrado. Pesquisadores e jornalistas encontram dificuldade para saber quando começa e quando acaba uma concessão desse tipo.

Com muito empenho se soube, por exemplo, que vários períodos de outorga vencem nos próximos meses. Um assunto de grande relevância social e política. Afinal, são esses concessionários que ditam a pauta nacional, já que a maioria absoluta da população só se informa ou se diverte pela TV.

Cabe então perguntar: será que eles estão prestando um bom serviço público à população? Que contribuição têm dado para reduzir a violência, aumentar a solidariedade, promover o desenvolvimento cultural e artístico da nação? Como estão refletindo a diversidade de idéias existente no país, fundamental para o exercício da democracia? São questões imprescindíveis para uma análise da qualidade do serviço público prestado pelos concessionários.

E está na hora dessa análise ser feita. Sabe-se, por exemplo, que vencem no próximo dia 5 de outubro as concessões da Rede Globo em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte; a da Record, em São Paulo; da Bandeirantes, em São Paulo e Belo Horizonte; da Jornal do Commercio em Recife, entre outras.

Seria o momento de avaliarmos publicamente os serviços por elas prestados nos últimos 15 anos, período de vigência das outorgas. Caberia à sociedade dizer, por exemplo, se está satisfeita com a programação que recebe em casa e quais mudanças propõe para os próximos anos. Seria um excelente exercício democrático, infelizmente ainda desconhecido entre nós.

Das respostas sairia o balizamento para as novas concessões, as quais, seguindo na linha do aprofundamento da democracia, teriam como princípio básico a garantia da diversidade. Seria o modo de romper com a mesmice atual, na qual a competição pela audiência se dá em torno de fórmulas exaustivamente repetidas, desprezando o experimento e a inovação.

Nesse quadro, a única sinalização positiva, ainda que embrionária, é a da criação de uma rede pública de televisão. Se bem-sucedida, poderá alterar o panorama sombrio esboçado até aqui. De um lado rompendo com as amarras do mercado, mostrando ao público a vida que existe além desse limite.

De outro, provocando mudanças na própria televisão comercial, confrontada com um telespectador mais exigente, conhecedor da diversidade televisiva, a ele apresentada pela rede pública. Embora estreito, esse parece ser o único caminho existente, pelo menos neste momento, para alterar o panorama desolador vivido pela televisão brasileira às vésperas da chegada da TV digital.
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Laurindo Leal Filho é sociólogo e jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero

quinta-feira, julho 05, 2007

Heloísa, e a redação?


A cada ano, o Exame Nacional de Ensino Médio, o Enem, reprova a escola Heloísa Mourão Marques no quesito Redação. Antes que Jesus retorne, precisamos salvar os textos de nossos alunos.
1. Precisamos fazer com que o Conselho de Literatura e de Língua Portuguesa funcione mesmo. Para tanto, a direção precisa impor prazo para a escolha do professor que administrará os trabalhos;

2. O conselho precisa documentar o que faz, e a direção precisa se reunir com o professor que administra os trabalhos para cobrar metas do conselho;

3. Não existe na escola uma proposta para Redação. Não se trata de conteúdo, mas de "como" haver uma prática em sala, e os parâmetros apontam caminhos;

4. Precisamos criar material didático de gramática a partir dos problemas gramaticais mais comuns nas redações;

5. Precisamos de um modelo único de correção para as redações;

6. Precisamos de papel apropriado para as redações;

7. Precisamos parar de perder tempo.

De novo minha escola pública


Disseram-me que a gestora da escola Heloísa Mourão Marques, professora Lúcia, está aborrecida por causa de minhas publicações neste blog.

Até onde reli meus textos neste espaço democrático, não agredi, não insultei, não fofoquei e não falei mal. Fiz, isso sim, "críticas", que em grego significa "juízo", isto é, apresentei minhas razões sobre sua forma de administrar uma escola pública.

E, mais uma vez, exponho idéias ofertadas à gestora e questões deliberadas em reuniões do corpo docente, mas que...

1. Crachá. Em março, aprovamos em reunião e, até hoje, não é realidade;

2. Site. Sugeri à professora Lúcia um site da escola para que os professores hospedassem seus blogs, para que a gestora publicasse os recursos da escola, para que idéias fossem expostas, para que a escola mostrasse sua imagem. Disse que a idéia era ótimas, mas até hoje...;

3. Camisa dos professores. Se alunos usam uniforme, professor deveria usar também. Alguns professores, no entanto, recusaram a idéia do tradicional jaleco. Aprovaram-se camisas para o corpo docente, mas até hoje...;

4. Avaliação. Em 2006, sugeri à gestora que setores da escola, por meio de questionário, avaliassem a unidade de ensino, professores, direção. A gestora disse-me que faria isso, mas até hoje... Eu, por exemplo, entrego no final do semestre questionário aos alunos para que eles me avaliem;

5. Redação. Já dei idéia para que possamos qualificar o ensino de Redação, mas até hoje...;

6. Redaçaõ. No final de cada semestre, propus haver redação diagnóstica para provar se o aluno melhorou sua produção textual, mas até hoje...;

7. Conselhos de Turma. Gostou da idéia, mas até hoje...;

8. Conselhos de Disciplina. Gostou da idéia, mas até hoje...;

9. Sala com nome. A idéia era colocar nome para cada sala. Sala Carlos Drummond de Andrade. Sala Einstein. Sala Decartes. Ela gostou da idéia, disse que faria, mas até hoje...;

10. Cinema. Eu me propus a formar um encontro, por exemplo, entre Literatura, História e Filosofia por meio de bons filmes. Ela gostou da idéia, mas até hoje...;

11. Escolher seu professor. Aluno do segundo ano deve escolher seu professor para o terceiro ano. Alunos que são dedicados, que desejam entrar em uma faculdade e, por isso, precisam dos melhores professores no terceiro ano.

Por que não gostam deste blog? Não ofendo ninguém. Defendo idéias e sou muito exigente comigo. Busco fazer o melhor para os outros, mas sempre estou insatisfeito.

Qualidade de ensino não depende de um professor, mas de um conjunto bem articulado, e esse conjunto não se encontra articulado. Uma escola precisa de metas. Quais são as nossas para a escola Heloísa Mourão Marques?

Por favor, entrem em minha sala; julguem-me ao vivo. Uma escola precisa documentar como seus professores lecionam e o que lecionam. Não tenho medo de ser criticado, de debater idéias, de mudar de rumo.

Não tenho medo quando alunos preenchem um questionário para que eles me avaliem. Não tenho medo da democracia, da conversa aberta, da crítica ética, inteligente e propositiva.

Não sou do tipo que, com as mãos atadas, aplude meu algoz com os pés. Não sou indiferente à vida, à escola, porque sempre podemos fazer o melhor para o nosso semelhante. Sempre.

Luto no cotidiano escolar por uma escola pública que tenha qualidade e não faço mais do que a minha obrigação.

Por que não gostam deste blog?

Festa Literária Internacional de Parati




Um grande amigo morava em Parati.

Jayme cursou administração na Universidade Federal Fluminense e, uma vez formado, partiu para trabalhar em Manaus.

Nunca mais vi Jayme.

Conheci Parati por meio dele, época em que não havia ainda a Festa Literária Internacional de Parati.

Perto de Ubatuba, São Paulo, Parati vive depois de Angra dos Reis. Neste ano (de 4 a 8 de julho), mais uma vez, a festa revela um Rio de Janeiro que não se fecha em praias, em balas e no Corcovado. Em Parati, os livros e seus autores abrem-se como identidade cultural.

Pena, não estou lá.

Cosmo



Acredite: tua arrogância é bem menor do que o Universo.

Matéria de Josafá Batista

Sinteac pede e governo suspende
projeto que dá isonomia à educação

A tramitação do projeto de lei que dá isonomia salarial aos servidores da educação estadual em relação às demais categorias está suspensa a pedido do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac). Motivo: a instituição alega desconhecer o teor do projeto. A isonomia é a principal reivindicação do Sinteac desde o primeiro mandato de Jorge Viana.

O projeto foi enviado para votação na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) e apresentado na terça-feira à imprensa pelo líder do governo, deputado estadual Moisés Diniz (PC do B).

Ao ver a repercussão nos jornais, o presidente do Sinteac, Manoel Lima, pediu para ver o projeto e também discuti-lo com a categoria. Foi atendido rapidamente.

“É verdade que o teto desejado foi atingido, o que falta saber é como o governo pretende pagar o reajuste. Pode haver parcelamentos, em várias vezes, inclusive. Isso não foi explicado e muito menos decidido com a categoria. Assim, pedimos uma reunião com a equipe do governo e vamos submeter o projeto à deliberação dos servidores”, disse Manoel Lima.

A reunião entre a nova diretoria do Sinteac e a equipe de governo foi marcada para hoje. A assembléia com a categoria deve ser convocada ainda nesta semana, de acordo com Manoel Lima.

Uma das reivindicações da categoria deve causar polêmica: a progressão dos salários até R$ 3.183. Na proposta do governo, o teto chega a apenas a R$ 3.002.

Uma das propostas do Sinteac, segundo Lima, será a implantação de uma gratificação recebida pelos demais servidores das demais carreiras estaduais, chamada VP, para complementar a proposta do governo até o valor desejado. A própria proposta, porém, pode causar nova polêmica. É que a VP não conta para os cálculos de aposentadoria, por exemplo.

quarta-feira, julho 04, 2007

Breve Simbolismo


Na foto, Mallarmé (1842-1898)

No Ideal, expressei-me sobre alguns conceitos do Simbolismo, um deles: subjetivismo. Esse encontra-se no Romantismo e o narrador naturalista o nega.

Na aulas de Literatura, certos professores colocam palavras sobre Simbolismo, mas não pensam sobre conceitos. Bem mais do que palavras, características de época, a aula de Literatura precisa pensar sobre conceitos.

Se digo ao aluno que o Simbolista é subjetivo, pouco importa como característica. A palavra, como afirma Bakhtin em Marxismo e Filosofia da Linguagem, mais do que significado, ela tem uma função; ela é um signo ideológico. Nietzsche viu isso antes do russo.

Em Signos em Rotação, de Octavio Paz, o autor afirma que a missão do poeta é "restabelecer a palavra original", ou seja, por meio da poesia, a palavra não se encontra doente de vulgaridade.

É preciso, portanto, pensar a palavra subjetivismo. Se formos abrir um dicionário greco-latino, (des)cobriremos que "sub" significa "profundo" e há uma relação com "alma". Em outros termos, o mundo interior do eu simbolista apreende e elabora a vida, não se submetendo à padronização da realidade externa.



Vamos Brincar de Índio?


Saúde Indígena - Lazer e Diversão

No Acre, a saúde indígena não está sendo levada tão a sério como devia. Enquanto crianças morrem de diarréia, de desnutrição e de outras doenças que poderiam ser evitadas, o chefe Dsei do Alto Juruá da Funasa no Acre faz passeio com patrimônio da Funasa, e tudo custeado com recursos da saúde indígena.

Constrói obras em prédio particular com recursos que vêm direcionado para custear a saúde dos indígenas e não construção. Façam uma visita à sede do Dsei em Cruzeiro do Sul. E paga aluguel do próprio prédio que serve de sede também com recursos que são destinados ao atendimento aos povos indígenas. E tudo isso sem licitação.

Compra também enormes quantidades de medicamentos em drogarias sem licitação ou coleta de preço.Veja como se comporta o chefe do Dsei-Alto Juruá quando vai às aldeias: leva em sua bagagem em viagens às aldeias caixa de cerveja e de cachaça.

Observe na foto do segundo slide que no meio existe uma caixa térmica, esta está cheia de cerveja e veja a cerveja na mão da garota. Mas não é proibido por lei vender bebidas ou levar bebidas para terras indignas.

Não existe um programa que faz uma campanha contra o alcoolismo entre os indígenas. O Desai tem um programa para os Dseis mplantarem nos pólos.

Que moral tem uma pessoa dessa para falar e chefiar pessoas responsáveis por um programa dessa natureza? Agora, se chefe faz isso, imaginem as equipes comandadas por ele quando vão às aldeias. É, pois nesta viagem, que dizem que foi a serviço, tinha uma enfermeira e uma secretária.

Veja nas fotos em anexo o comportamento do chefe. E dizem que essa viagem foi a serviço. Veja se não foi uma DIVERSÃO & LAZER. E tudo custeado com recursos da saúde indígena.

Essas fotos são as que podem ser vistas, porque têm outras com cenas picantes, pois, quando o álcool sobe à cabeça, se faz coisa do arco da velha. Que ficam pela imaginação de vocês.

Espero que alguém ou alguma autoridade tome alguma posição com relação a esse tipo de situação que vem ocorrendo com freqüência OU A COISA PODE VIRAR MODA. SE O CHEFE PODE, POR QUE OS SUBORDINADOS NÃO PODEM TAMBÉM?
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O autor do texto não se identificou. Deveria.

terça-feira, julho 03, 2007

Heloísa Mourão Marques

No Enem, a escola Heloísa Mourão Marques ficou em 16º lugar (37.23 pontos) em 2005.

Em 2006, os pontos diminuíram: 35.15.

Não realizamos um trabalho conjunto para a escola obter um melhor resultado em 2007.

A solução talvez seja orar na escola para que ocorra um milagre, mas, talvez, Enem assim.

Mais uma Vez, Ela: a EscolA PúblicA











Escola pública não é notícia. Não circula em jornais seus problemas, suas dores. Embora tenhamos deputados que foram e que jamais serão professores um dia, a Assembléia Legislativa do Acre não debate idéias sobre gestão escolar.

Sobrou este blog para escrever sobre o cotidiano em uma escola pública, a minha.

Hoje, a coordenadora de ensino, escolhida pela diretora à margem da Lei 1.513, expôs, mais uma vez, sobre este problema: alunos no corredor. Há dois anos como gestora, o problema continua.

Pelo que ouvi, a coordenadora de ensino quer que o professor pegue o aluno no corredor e levo-o para a sala. Ora, a direção escolar não consegue fazer com que as inspetoras trabalhem?

Dei uma proposta. Quando o tempo de sua aula acabar, o professor só sairá de sala quando o outro colega de profissão chegar. Eu faço isso com cinco professoras e dá certo.

Por que a coordenadora não adota essa prática? Por que a coordenadora não é mais objetiva?

Sem ser objetiva, a coordenadora realiza uma reunião genérica, referindo-se a todos os professores. Ora, se sabe qual o professor, fale com ele; imponha limites a ele. Há professores que não dominam seus alunos; não conseguem educá-los.

É ótimo haver ordem em uma escola pública, mas, quando exigimos dos outros, devemos ser os primeiros a dar o exemplo. Coordenação de ensino, por exemplo, deve chegar antes dos professores à escola; coordenação de ensino deve andar pelos corredores da escola; coordenação de ensino deve assistir às aulas dos professores; coordenação de ensino deve ter metas para a escola; coordenação de ensino deve, com muita clareza, expor suas propostas para qualificar o ensino de uma escola, a pública.

Quem não dá exemplo não pode ter bons imitadores.

Nesta atual gestão, não avançamos para qualificar o ensino de Redação, e o Enem está aí. A atual gestão ouviu falar de uma proposta sobre Conselhos de Disciplina, mas não sabe organizá-los para que possamos construir uma proposta pedagógica da escola.

Minha nossa, um ensino público sem proposta pedagógica. Uma escola (uma!?) sem proposta pedagógica.

Enquanto isso, os deputados estaduais, achando que tudo vai muito bem na educação pública, ignoram um ótimo debate sobre gestão escolar. Eles sabem criar leis para a educação pública?

Blogueiro mandou essa


"Também creio que o Rio não só se resume a balas perdidas. Nossa, é fanstástico o Corcovado, o Pão de açúcar. A lagoa Rodrigo de Freitas e tantos outros locais. Centro intelectual. Lugar de teatro, música, arquitetura. Quanto à violência, é um caso à parte diante de tanta beleza!!! O Rio tem que ser respeitado e preservado, afinal, como dizia o poeta, Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil. Cidade Maravilhosa, coração do meu Brasil..."

segunda-feira, julho 02, 2007

José



E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?





Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?


E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Caderno MAIS!, da Folha de São Paulo


Clientes especiais

Rapazes que espancaram doméstica, no Rio,
são obedientes às leis ditadas por uma sociedade
que endeusa a falta de limites

MARIA RITA KEHL
ESPECIAL PARA A FOLHA

Antes de mais nada, como já se notou, existe o viés social.De um lado existem "jovens" que ocasionalmente cometem atos delinqüentes. É o caso de Júlio, Leonardo e seus colegas, espancadores da Barra /. Inspiram-nos cuidado semelhante ao que dispensamos aos nossos filhos. Tentamos compreender: o que aconteceu? (Psicólogos são chamados a justificar.) E existem os outros, os que já são bandidos antes de chegar (quando chegam) diante do juiz.


A execução sumária confirma, a posteriori, o veredito que a imprensa divulga sem questionar: "A polícia matou 18 "suspeitos" em confrontos com supostos "bandidos'"... Ninguém persegue o resultado das investigações sobre as tantas chacinas que caem no esquecimento.

O que distingue uns dos outros é o número do CEP: na Barra, nos Jardins /, no Plano Piloto / vivem os jovens.

Os outros, adultos anônimos desde os 14, vêm de bairros que não figuram no mapa: "Periferia é periferia em qualquer lugar". Qualquer delegado de bom senso percebe na hora a diferença. Se a cor da pele confirmar o veredito, melhor. A sociedade, representada pelo dr. Ludovico Ramalho, pai de Rubens Arruda, se tranqüiliza: as travessuras dos "jovens", adultos infantilizados das classes A e B, não ameaçam a segurança da gente de bem. Espancaram uma doméstica, mas pensavam que fosse prostituta.

Ah, bom.

Nos bairros onde vivem os jovens não há solidariedade com os chacinados das favelas, com os executados a esmo em Queimados /, com os meninos abatidos na praça do Jaraguá, em SP /.

Os movimentos "pela paz" nunca se manifestam por eles.

Ninguém de foraMas, quanto mais o Brasil maltrata seus pobres, quanto mais a polícia sai impune dos excessos cometidos contra os anônimos cujas famílias não protestam por temor de represálias, quanto mais o país confia na lógica do "nós cá, eles lá", mais o gozo da violência se dissemina entre todas as classes sociais.

Para pacificar o país, seria preciso redesenhar o mapa do respeito e da civilidade de modo a não deixar ninguém de fora. Uma sociedade que assiste sem se chocar, ou sem se mobilizar, ao extermínio dos pobres -bandidos ou não- está autorizando o uso da violência como modo de resolução de conflitos, à margem da lei.

Tomemos o ato de delinqüência cometido pelos meninos "de família" da Barra, no Rio. Que a culpa seja dos pais, vá lá. As declarações do pai de Rubens Arruda são reveladoras. Não que ele não transmita valores a seu filho.

Mas serão valores relacionados à vida pública? Não terá o dr. Ludovico educado seu filho para "levar vantagem em tudo"? Esse pai não admite que o filho seja punido pelo crime que cometeu. Há aqueles que não admitem que a escola reprove o jovem que tirou notas baixas, os que ameaçam o síndico do condomínio que mandou baixar o som depois das 22h etc.

Olham o mundo pela ótica dos direitos do consumidor: se eu pago, eu compro. Entendem seus direitos (mas nunca seus deveres) pela lógica da vida privada, como fizeram as elites portuguesas desde a colonização.

Quem disse que os jovens não lhes obedecem? Obedecem direitinho. Param em fila dupla, jogam lixo nas ruas, humilham os empregados -igualzinho a seus pais.

Vez por outra, quando os pais precisam impor alguma interdição, já não se sentem capazes.

O que nos coloca a pergunta: que valores, que representações, no imaginário social, sustentam o exercício necessário da autoridade paterna? Em nome de que um pai ou uma mãe, hoje, se sentem autorizados a coibir ou mesmo punir seus filhos?

A autoridade não é um atributo individual das figuras paternas. A autoridade dos pais -e da escola, que também anda em apuros (quem viu "Pro Dia Nascer Feliz", de João Jardim?) -deriva de uma lei simbólica que interdita os excessos de gozo.

Uma lei que deve valer para todos. O pai que "tem moral" com seus filhos é aquele que também se submete à mesma lei, traduzida em regras de civilidade, de respeito e da chamada boa educação.

Cliente especial

Mas em nome de que, no imaginário social, a lei simbólica se transmite? Já não falamos em "Deus, pátria e família", significantes desmoralizados em nome dos quais muitos abusos foram cometidos, sobretudo no período de 1964 a 1980. No lugar deles, no entanto, que outros valores ligados à vida pública foram inventados pela sociedade brasileira? Em nome de que um pai que diz "não pode" responde à inevitável pergunta: "Não posso por quê"?

Ocorre que a palavra de ordem que organiza nossa sociedade dita de consumo (onde todos são chamados, mas poucos os escolhidos) é: você pode. Você merece. Não há limites pra você, cliente especial.

Que o apelo ao narcisismo mais infantil vise a mobilizar apenas a vontade de comprar objetos não impede que narcisismo e infantilidade governem a atitude de cada um diante de seus semelhantes -principalmente quando o tal semelhante faz obstáculo ao imperativo do gozo.

O que queriam os rapazes que espancaram Sirlei Dias de Carvalho Pinto? Um celular usado? Um trocado para comprar mais um papel? Descontar a insegurança sexual?

"No limits", diz um anúncio de tênis. Ou de cigarro, tanto faz. E os meninos obedecem. No fundo, são rapazes muito obedientes. Se a ordem é passar dos limites, pode contar com eles.

________________________
MARIA RITA KEHL é psicanalista, autora de "Ressentimento" (Casa do Psicólogo).
Colaborou Paulo Fernando Pereira de Souza.

Cocô em Rosas





Uns dias desses, um profissional da educação disse-me:

"O governo quer que a gente transforme cocô em rosas."

Fiquei na minha.

Referia-se a alunos pobres de uma escola pública acreana.

sábado, junho 30, 2007

Ele só nada e nada


Em nota do jornal A TRIBUNA


"Mal assumiu o Sinteac, Manoel Lima já fala que é candidato a vereador. O presidente começa muito mal."

Na foto, Manoel Lima nada na maré baixa. Manoel só nada, nada, nada, nada nas águas turvas do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sintec.


JustiÇa










Sei que não viverei para isso. O tempo respira contra mim. Um dia, no entanto, o povo cairá de boca na Justiça.

Vou Tomar Conta de Minhas Aulas

Leciono em uma escola pública há uns bons anos e, desde muito tempo, proponho a criação dos conselhos de disciplina.

Finalmente, foram criados, mas o que pensei tem me cansado por falta de objetividade.

Na foto, hoje, pela manhã, a área de Literatura e de Língua Portuguesa se reuniu sem objetivos. Fiquei indiferente, porque certas imposturas me cansam. Fiquei em meu canto e, pela primeira vez, calado.

Tanto para se fazer em uma escola pública e alguns colegas não sabem ou não desejam qualificar o ensino. Na condição de funcionários públicos, não seremos demitidos por incompetência ou por não haver bons resultados. Não somos exigidos para haver qualificação.

Na reunão de hoje, não havia coordenador de área e não havia ata para apresentar o que já fizemos e o que faremos. Falatório. Falatório. Falatório. Blablablá.

Pela primeira vez, saí antes do tempo e sairei toda vez que o Conselho de Literatura e de Língua Portuguesa não for organizado e não traçar metas. Estou cansado de reuniões infecundas. Se não houver comprometimento com o patrimônio público, no caso, a escola, darei uma sólida indiferença como resposta.

Vou tomar conta de minhas aulas, de meus alunos. Aproveitar o tempo para ler e reler mais.

sexta-feira, junho 29, 2007

Saudade


O Rio de Janeiro não se reduz a balas perdidas. Saquarema é um belo lugar para se alimentar e para se banhar.

Quando você for ao Rio de Janeiro, visite este município.

Na foto, a igreja no alto do morro, diante do mar. Saquarema fica 1 hora e meia de Niterói e 50 minutos de Maricá.

Ronda Gramatical

"ineficázeis"

1. Repórter escreveu "ineficázeis".

Ronda Gramatical







Todos os dias, transportamos usuários do TFD, além de atender o sul-cruzeirense que sofre com a falta de produtos, e, que, por isso, acaba levando várias mercadorias como bagagem”, detalhou."

1. Há dez anos, reviso texto de jornalistas e, até hoje, não encontrei um repórter que dominasse o uso correto da vírgula. Por favor, "produtos e que, por isso, acaba".

quinta-feira, junho 28, 2007

Um curso fora de curso


Foto de Alberto Nunes

Alunos de jornalismo da Ufac realizam protesto
De Tatyane Lima

Na manhã de ontem, os alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac) realizaram um protesto em frente à reitoria, pedindo melhores condições de ensino e providências com relação ao reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação (MEC).

Vestidos com roupas pretas, usando nariz de palhaço e apitos, cerca de 30 estudantes discutiram a falta de equipamentos e laboratórios, a falta de professores, o reconhecimento do curso pelo MEC e a implantação do curso de Jornalismo em Cruzeiro do Sul.

Os alunos não concordam com a universidade investir em um novo curso, sendo que o da capital ainda precisa de muitas melhorias.

“Em recente entrevista, o reitor Jonas Filho disse que o curso de Jornalismo do Juruá seria no nível da UnB (Universidade de Brasília). Isso é uma afronta para nós que cursamos o curso aqui em Rio Branco e não temos sequer o reconhecimento do curso pelo MEC,” declarou o estudante do 8º período Jaílson de Macedo.

Em junho do ano passado, o Mec visitou as instalações do curso de Jornalismo da Ufac e fez uma série de exigências quanto à compra de novos equipamentos e reformas do bloco onde atualmente estudam quatro turmas.

Um ano após a visita, nada foi feito. O coordenador do curso, Maurício Bittencourt, explica que a universidade tem muitas dificuldades para conseguir trazer os recursos de Brasília para a Ufac.

“A verdade é que vivemos um momento em que o governo federal não está preocupado com as universidades públicas. E ainda temos de enfrentar uma série de problemas, como falta de recursos financeiros e as greves,” comentou.

Segundo ele, a reitoria liberou a compra dos novos equipamentos, mas as licitações não puderam ser abertas devido à greve dos servidores.

Os universitários prometem continuar as mobilizações caso a reitoria não apresente até o final da semana uma solução prática para os problemas.

A Matemática quer Brincar



Tem professor que só serve para entrar e sair de sala com aulinhas escritas na lousa e copiadas por alunos.

Outros... fazem os cálculos e desejam brincar para alegrar a escola. Esses outros são os professores de Matemática da escola Heloísa Mourão Marques.

Em julho, uma gincana cultural irá rolar na escola. Na foto, a explicação foi ótima para o bem de todos.

A área de Matemática merece os parabéns.

Enem Assim
















Foto de uma introdução dissertativa de um aluno de ensino médio. Sem a mínima noção de pontuação, esse texto tem sido a regra.

O presidente do Sinteac lutará por qualidade de ensino? Duvido.

Se lutar, deverá começar por Literatura, Língua Portuguesa e Matemática.

Há uma realidade entre quatro paredes que propagandas de governos não conseguem ocultar e que a incompetência sindical não alcança.

Li tarde demais

"Professor amanhã aqui na UFAC, mais especificamente na reitoria, os acadêmicos do Curso de Jornalismo irão fazem um manifesto contra a liberação de verba e implantação do referido curso no vale do Juruá. Será um ótimo momento para o JORNAL A TRIBUNA fazer a cobertura. Será amanhã pela manhã, das 9:00 da manhã ( 28/ 6/2007). Pedimos que A TRIBUNA envie um m reporter."

1. Li a mensagem em 28 de junho, às 16h25min.

quarta-feira, junho 27, 2007

A escrita de meus alunos

Podem criar suas propagandas, mas, sem elas, eu vivo a realidade escolar há anos. Há anos. No que se refere a textos dos alunos, conheço bem o que a escola pública impossibilita.

Em 23 de março deste ano, meus alunos, de forma livre, escreveram suas introduções. Leia esta:

Introdução do aluno em 23 de março.

"As familias, estão se acabando com pai matando filho e vice-versa. Por isso enquanto não a ver compartilhamento entre pai e filho vai continua violência na sua casa frequentimente todos os dias".

Esse texto foi escrito por uma aluno do segundo ano do ensino médio, ou seja, dois anos antes de ingressar em uma universidade. O sistem não funciona, porque 100% dos alunos - eu disse 100% - não sabem usar as vírgulas.

Podem pedir que "açeçores de comunicassão" adulem o poder, mas o cotidiano escolar, da forma como se organiza, impede qualificar o ensino, por exemplo, de redação.

Com essa introdução acima, precisamos priorizar os erros. No meu caso, por questão de organização interna do texto, priorizo o uso da vírgulas. Passo aos alunos exercícios relacionados à Ordem Sintática Direta, uma prática que elimina mais de 80% dos erros.

Em aulas de gramática, duas por semana, massifico exercícios com vírgulas segundo a Ordem Sintática Direta. Em um texto bom de jornal ou de revista, realizamos leitura e eu mostro a eles o uso da vírgula.

Com duas aulas de redação na semana, reconstruímos as introduções. Aula, profundamente, cansativa, porque os alunos erram muito e repetem os mesmos erros.

Frequentimente - Quando há erro ortográfico, marco no texto e o aluno consulta o dicionário para escrever corretamente.

Repare como ficou a introdução do aluno após 11 reconstruções.
Introdução do aluno reconstruída em 15 de junho.

"Após dez reconstruções, a introdução ficou assim em 15 de junho de 2007. A destruição das famílias acontece porque, em alguns lugares do país, os filhos não ouvem os conselhos de seus pais. Com isso, eles trazem a violência para dentro de suas próprias residências. termina destruindo a suas famílias."

Ficou melhor, mas precisa melhorar mais ainda. Na sexta-feira, dia 29, apresentarei quatro introduções reconstruídas para que observem, mais uma vez, o que deve ser evitado.

terça-feira, junho 26, 2007

Eu Não a Vi Hoje (2)

Eu não a vi. Não vi. Ela, eu não a vi. Não vi. Não. Ela, eu não a vi. Não vi. Não a vi. Eu não a vi.

Eu-lírico (5)


Na foto, Max Horkheimer. Ele e Adorno escreveram um ótimo livro sobre a Razão, Conceito de iluminismo. Quando o professor bobinho de Literatura tagarela em sala sobre eu-lírico, não relaciona a voz poética como inquietação estética oposta à cultura de massa, ou seja, a Literatura desse professor ignora a linguagem poética no mundo hodierno.

Suas aulas são rotinas que reproduzem livros didáticos.

No caso de Conceito de iluminismo, quando o lemos, nós perdemos a inocência tola sobre a função política da razão científica ou instrumental, a mesma que gerou a sociedade industrial.

Os românticos e os simbolistas, por exemplo, opõem-se à mecanização da vida, porque "o industrialismo reificou as almas", isto é, coisificou-as.

Mas o que é "coisificar"? Horkheimer e Adorno respondem.

"Por meio das inúmeras agências de produção e de cultura de massa, os modos de comportamentos sujeitos a normas são inculcados no indivíduo como os únicos naturais, decentes e racionais. Ele só se determina ainda como coisa, como elemento estatístico, (...). Sua medida é a autoconservação, a adaptação à objetividade bem ou mal sucedida das suas funções, e o modo imposto para esta adaptação
."

Gostei de "a adaptação à objetividade bem ou mal sucedida das suas funções".

segunda-feira, junho 25, 2007

Manuel Lima & o Sinteac

















Escolheram Manuel Lima para representar o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre.

Um vez por ano, o Sinteac, por meio do "imposto sindical", mete a mão em meu bolso para administrar mal o dinheiro.

Por isso, sou forçado tecer uma crítica a um sindicato que perdeu o mouse da história.

Não sei se ele tem filhos, mas Manuel pode ser um ótimo pai. Pode ser um ótimo filho, um ótimo esposo, um ótimo cristão, mas não acredito que ele seja um ótimo administrador.

Pelo que leio nos jornais, as falas de Manuel nunca salivaram o novo. Pelo que diz à imprensa, Manuel deixou de ser professor há muito tempo para se reduzir aos chichês sindicais. Em outras palavras, Manuel não inovará o Sinteac, porque duvido de sua inteligência para isso. Manuel é senso comum.

O sindicato dos professores só serviu até hoje para sustentar um corporativismo anacrônico com o dinheiro dos outros e, dessa forma, projetar nomes. Infelizmente, Manuel Lima representa o continuísmo de um partidarismo parasita de um dinheiro arrecadado à custa de uma estrutura sindical envelhecida.

1. Manuel, como outros, falará para a categoria com clichês sindicais. Manuel não falará para a sociedade;

2. Manuel não promoverá um congresso para debater sobre um novo sindicato. Não trará intelectuais de outros estados para problematizar a questão;

3. Manuel manterá uma luta limitada a interesses econômicos. Ele não possibilitará um sindicato que fale muito bem sobre qualidade de ensino;

4. Manuel não fará auditoria no final de sua gestão;

5. Manuel não modernizará o Sinteac, pois o sindicato ainda servirá aos interesses de grupos partidários;

6. Manuel não criará uma imprensa autônoma no Sinteac que pense, por exemplo, sobre educação;

7. Manuel não possibilitará uma nova estrutura sindical;

8. Manuel não colocará em seu discurso a importância da cultura.

Três Livros

Palavras sem sentido

De linhagens distintas, três novas obras reiteram
a inquietação quanto à legitimidade da poesia na atualidade

MARCOS SISCAR
ESPECIAL PARA A FOLHA
CADERNO MAIS!

Apesar de distintas visões sobre a natureza de seu ofício, três novos livros de poesia reiteram uma mesma inquietação quanto à legitimidade da prática poética: para que poesia? A pergunta, em aparência contraditória, é um dos eixos do discurso poético moderno e se tornou mais aguda depois do "fim das vanguardas", adormecido o etos transformador que a atenuou ao longo de quase todo o século 20.

O desconforto aparece na justificativa editorial da poesia reunida (incluindo vários inéditos) de Alberto Pucheu, no destaque dado à existência de um "projeto", reforçado pela presença de entrevistas do autor, como se a poesia devesse ininterruptamente explicar a que veio.

A obra permite acompanhar as transformações -não apenas o programa- de uma escrita que busca a "fronteira desguarnecida" entre poesia e filosofia, passando das elipses metonímicas a uma expansão reflexiva.

A profusão textual ("falatório"), organizada pelo princípio da montagem ("arranjo"), é seu modo de acolher o "silêncio", no "espanto" do acontecimento.

Abandonando a trava poundiana da síntese carregada de significados, o poeta encontra no parentesco com o pensamento um modo de merecer a vida ("Passo a vida imerecidamente"), mas também de atribuir sentido à manifestação poética. É significativo que essa transformação tenha início na comoção pelos livros esquecidos nas bibliotecas, o que legitima o poético como espaço de transgressão ("O mais novo interdito: não há lugar para o livro./ Transgressão em exercício: o livro como lugar").

O novo livro de Paulo Henriques Britto dá continuidade a uma voz poética mais conhecida dos leitores de poesia. Seu gesto demolidor contraria o de Pucheu, dirigindo-se contra o pensamento abstrato e contra a experiência sentimental.Em Pucheu, a vida "espreita a cada esquina"; em Britto, ela se limita ao mínimo suspiro.

Há certa violência crítica em Britto contra a profundidade do assunto, a favor da superfície, ou seja, da comunicação que se aproxima do simples contato ("e se a linguagem for apenas fática?"). Nota-se a proximidade dessa poética não apenas com a lucidez mas também com a obsessão da forma típica de João Cabral, acolhedora e claustrofóbica. Seu espaço é estreito, sem saída ("beco"), como a medida fixa, tendo em vista a tênue razão de não ser "pior do que outro qualquer".

Dissimetria

Apesar disso, um breve suspiro de vida se manifesta: pragmático, ácido, sem concessões. É o lado talvez drummondiano da poesia de Britto que, à bem cabralina "inapetência para os sentimentos", acrescenta o patos da recusa da "piedade".

É nesses momentos de dissimetria, entre a aridez de superfície e o envolvimento subjetivo com algo que tem que "seguir em frente", que a poesia de Britto respira mais livre, para além da reconhecida coerência de sua poética.

Com "Andaimes", Milton Torres, que é também historiador e diplomata, prossegue um projeto recente (outro livro de poemas saiu pela Ateliê, em 2005), mas de fôlego amplo, que o prefaciador define como busca dos "fundamentos intelectuais da cultura eurocêntrica". O leitor não deve deixar-se enganar pela modéstia do título: Torres se apresenta como um cosmopolita erudito, com manuseio maduro da tradição poética.

Pelo domínio de referências culturais heterogêneas, de modo fragmentário e citacional, seus poemas evocam uma espécie de "pós-modernismo crítico" no qual, entretanto, a questão cultural dificilmente ganha corpo, em sua abrangência, uma vez que tende a diluir-se na exuberante profusão de línguas (basicamente português e inglês, com incursões freqüentes pelo espanhol, francês e italiano), de citações, de exercícios de estilo. Embora organizado tematicamente, o ecletismo do livro é algo desconcertante.

Se, para Britto, o real é um "excremento de palavras" e a razão de escrever oscila entre o desencanto individual e uma exigente visão da vida literária, para Torres é a poesia que está na "lixeira" do real, pois, à falta de "mercado", vive de "propina".

A conclusão, neste caso, sugere que o poeta supostamente corrompido está ausente do poema realizado: o impasse se resolve pela presunção de inocência -ingênua ou cínica- que apenas reforça os motivos da suspeita.

A despeito disso, o cuidado em oferecer uma justificação pública ou pessoal para a prática poética encontra sintonia com os "faits divers" da poesia. O modo inquieto, sistemático e contraditório com que essa justificação tem sido feita mostra que alguma coisa respira na poesia contemporânea, ainda que renovando as razões de sua perplexidade.

MARCOS SISCAR é professor de literatura na Universidade Estadual Paulista.
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A FRONTEIRA DESGUARNECIDA
Autor: Alberto Pucheu
Editora: Azougue (tel. 0/xx/21/ 2240-8812)
Quanto: R$ 32 (288 págs.)

TARDE
Autor: Paulo Henriques Britto
Editora: Companhia das Letras (tel. 0/xx/11/ 3707-3500)
Quanto: R$ 33 (96 págs.)

ANDAIMES
Autor: Milton Torres
Editora: Ateliê (tel. 0/xx/11/ 4612-9666)
Quanto: R$ 45 (200 págs.)

sábado, junho 23, 2007

Eu-lírico (4)






Theodor Wiesengrud-Adorno (1903-1969) publicou Lírica e sociedade, uma interessante contribuição da sociologia para a literatura.

Em sala de aula, por causa de péssimos professores de Literatura, a poesia não se relaciona à política, a um eu-lírico que não surge como linguagem que se opõe à cultura de massa.

"A sensibilidade do eu-lírico faz questão de que continue sendo assim, de que a expressão lírica, desvencilhada do peso da objetividade, conjure a imagem de uma vida que seja livre da coerção da prática dominante, da utilidade, da pressão da autoconservação obtusa."



sexta-feira, junho 22, 2007

Eu-lírico (3)



Para quem encara a disciplina Literatura como quem nega sua infantilização em sala de aula por meio de livros didáticos, tem o dever de ler e de reler Maurice Merleau-Ponty.

Em seu livro Signos, "a palavra não é um meio a serviço de um fim exterior, tem em si mesma sua regra de emprego, sua moral, sua visão de mundo". Para ele, a Literatura é linguagem conquistadora.

Açeçor de Comunicassão

"O deputado, o debate como um dos grandes passos que promovem caminhos para maior desenvolvimento da educação."

1. "O deputado, ", mas o açeçor de comunicassão do deputado federal Henrique Afonso (PT-AC) não viu uma vírgula entre sujeito e predicado. Para um deputado que luta por uma educação melhor no Estado, seu açeçor deveria errar menor, porque ganha muito bem para comprar uns bons livros de gramática em Brasília.

Não Gosto de Louros

Amigo,

Maravilhosa é a sua coragem em criticar, isso enche de esperanças alguns, de raiva outros e pior, despertam naqueles que deveriam recebê-la como incentivo a melhora, antipatia. Continue, porém lembre-se, os louros da vitória nunca são daqueles que laboram , mas dos omissos que fazem parte da turma do amém. Tentei dizer-lhe isso no blog, mas não consegui...abraços

"Evoluir é o nosso destino"

Amiga bloguista,

Fernando Pessoa, em um de seus versos, diz que "viver é não conseguir". Não espero louros. Espero, isso sim, a forma ética e inteligente de travar batalhas por meio de palavras que, para mim, são posturas diante da vida.

Se alguns na escola lêem este blog com raiva, deveriam agir na escola de outra forma para o bem dos alunos.

Coloco a escola neste blog para que, em um futuro próximo, quem sabe, outros professores criem blogs a fim de que eles exponham a escola pública para muito além das propagandas de governo e para muito além dos gestores.

Eu vivo o cotidiano escolar, conheço bem os problemas de uma escola pública e também sei dar propostas. Sou apaixonado pelo ato inquieto de lecionar e, neste blog, jamais lancei palavras para deformar o nome de alguém. Agora, críticas, sim, eu as crio, porque tenho fome de qualidade de ensino na escola onde leciono.

quinta-feira, junho 21, 2007

Eu-lírico (2)



Em José, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos livros pedidos pelo vestibular da Universidade Federal do Acre, a linguagem poética revela um nome bíblico dessacralizado pela sua condição social de boi no campo-cidade (segunda poesia).

Oposto ao sagrado, o eu na poesia Boi não se encontra em comunhão com os outros. Os bois são incomunicáveis. No campo-cidade, não há transcedência, porque nem uma tempestade de amor cai (terceira estrofe, quarto verso).

quarta-feira, junho 20, 2007

Não sou gay, mamãe!



Sempre simpático, alegre, o professor Márcio se diverte com a seriedade de alguns, a minha, por exemplo.

Recente no magistério, espero que a geração de meu colega de trabalho lute por uma escola pública melhor "sem perder a ternura jamais" e o riso.

Sim, ele é homem.

Indigestão



Ontem, com muita fome, fui ao encontro de um sanduba. Abri, vamos dizer assim, o menu.

De cara, um erro ortográfico causou-me indigestão: "sanduiches diverços".

Sentei-me. Não quis mais o sanduíche.

Fui para casa com fome de justiça ortográfica.

Proibido blogar


Hoje, chamado a uma reunião na escola Heloísa Mourão Marques, disseram-me que é contra a lei fotograr a realidade de uma escola pública.

Hoje, um fato ocorreu no corredor escolar, mas não publicarei a foto neste blog, porque dei minha palavra.

No entanto, por favor, publicarei imagens da escola e continuarei a criticar e a propor soluções.

Na foto de hoje, incomoda-me uma parede de escola pública suja. O governo reformou a unidade escolar, mas o ex-gestor e a atual gestora não inibiram o processo de favelização na escola.

Essa parede encontra-se imunda há meses. Tenho orado e rezado para que um milagre aconteça, mas isso independe de Deus. Isso depende do compromisso cívico com o erário, com o dinheiro público.

Quem sujou?

Quem permitiu?

Quem limpará?

Quando limpará?

É contra a lei publicar essa imagem em um blog? Que seja.

Essa imagem não estaria aqui se outras leis fossem cumpridas, por exemplo, zelar pelo patrimônio público.

O ÓbviO

"O deputado cearense ainda comprometeu-se em visitar todo o interior acreano numa próxima vinda ao Acre."

1. Claro, não seria numa próxima vinda a Marte ou a Saturno.

terça-feira, junho 19, 2007

Deixei passar

"Lutar pela insalubridade para professores e funcionários de apoio"

1. Como sabemos, "insalubre" significa algo "sujo". A luta, portanto, é por salubridade, mas o errou foi publicado, porque o repórter que escreveu sempre tem razão embora não consulte os livros.

Lei 1.513

Escola não sai em jornais acreanos. Carro bate em poste quando o cachorrinho fazia xixi é matéria publicada em jornal.

Em uma das reuniões, ficou acertado que professores indicariam dois ou três nomes para que a gestora da escola Heloísa Mourão Marques escolhesse um nome para ser coordenador de ensino.

Até onde eu sei, não como cocô e não rasgo dinheiro, ainda. Bem, como não sou maluco, lembro-me dessa reunião, sem ata.

Antes de ficar internado, não havia um coordenador. Quando retornei à escola, final de abril, havia uma coordenadora de ensino, mas ela não tinha saído do acordo verbal entre professores e gestora. A palavra tinha sido quebrada.

Em seu Capítulo VI, Do Coordenador de Ensino, artigo 40, está escrito:

O Coordenador de Ensino será nomeado pelo Diretor da unidade de ensino, dentre os funcionários da escola que atendam aos requisitos dispostos no art. 39 desta Lei.

Lei desobedecida.

Língua não é droga

Os responsáveis pela semana nacional antidrogas publicaram um texto drogado de erros. Instituições tem a obrigação cívica de obedecer às regras da língua portuguesa. Um errinho aqui, outro errinho ali, tudo bem. O problema é quando o erro é vício.

IX Semana Nacional Antidrogas - Desde quando "IX" representa "9ª"? Número romano não é número ordinal. Já pensou se fosse a 39ª Semana Nacional de Antidrogas? As instituições escreveriam XXXIX. Instituições devem dar bons exemplos, também, de... língua portuguesa.

O Esporte e o Lazer na Prevenção - Ao meu ver, o uso do "na" (em + a) está errado, porque o esporte não se encontra dentro da prevenção. Trata-se, isso sim, de esporte e lazer para algo, no caso, para a prevenção.

Há outros erros no texto publicado pelas instituições? Muitos. Tudo bem que combatam as drogas, mas, por favor, imploro, não façam da língua portuguesa uma droga. Respeitem-na!!!

Não Vi a Diretora - 1 falta

A partir de hoje, restou a mim publicar neste blog a ausência da diretora. Todo dia, de segunda a sábado, colocarei falta. Eu devo satisfações quando falto, o mesmo deveria ocorrer com um diretor de escola pública.

Cobram de mim. Mas quem cobra de um diretor?


segunda-feira, junho 18, 2007

Eu-lírico (1)

No início de Dom Quixote, o narrador nos conta que "encheu-se-lhe a fantasia de tudo que achava nos livros, assim de encantamento (...); e assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia (...)."

Quem leu a obra de Cervantes sabe que seu personagem interpreta e decide não acreditar no que vê. Dom Quixote nos ensina a suspeitar do que vemos.

Por causa disso, ela, a fantasia, Dom Quixote encheu-se dela. Na raiz da palavra, "fantasia" significa "visão das sombras".

Assim, pela fantasia, a visão de Dom Quixote inverte o que vê, focaliza "o outro lado". Há nesse protagonista a linguagem do eu-lírico, porque sua visão deseja o "outro lado", isto é, "o verso".

A linguagem poética é essa expressão inconformada com o que vê, por isso o verso, o outro lado da página... da vida.

Em José, obra poética de Carlos Drummond de Andrade, páginas obrigatórias para o vestibular da Universidade Federal do Acre, o eu-lírico expõe uma inadequação entre o eu e o mundo logo na primeira poesia, A bruxa.

Amo este homem e a sua família


Minas Gerais, nos últimos 15 anos, chegou a mim em forma de um homem que abre a porta de sua casa como quem abre sua alma para a amizade.

Se Minas é Estado, é estado de alegria encarnado em Matheus, pessoa que prepara um churrasco delicioso e que oferta a suculenta carne à boca de amigos.

Soube que esse Amigo morreria por causa de um problema cardíaco. Aos poucos, Matheus estava partindo. Quando eu soube do grave problema, ele encontrava-se em São Paulo para se submeter a uma cirurgia.

Chorei. Senti dor.

Minas permanece de pé. Minas ainda viverá por muitos anos. A cirurgia possibilitou a esse jovem sua continuidade no tempo.

Tempo, alimento que sustenta quem sabe degustá-lo com a saliva que umedece o amor que tenho por ti, por tua esposa Lucinéa, por teus filhos João Rodolfo e Matheusa.

Que a mesa de tua CASA seja farta de compreensão. Que a fartura do diálogo empanzine tua carne de entendimento sobre você e sobre teu semelhante.

Vida longa, meu amigo!!!

Palavras a Marcos Afonso

Li tua carta, Marcos, com toda lentidão de um senhor de idade. Calma. Muita calma. O que dizer a teu olhos?

Antes de mais nada, sinto-me na humana responsabilidade de escrever com muito esmero neste blog, porque minhas palavras são captadas por pessoas exigentes, você.

Depois, digo-lhe que sou muito grato por tuas palavras. "Gosto das suas palavras. Seu blog é leve, tem boa diagramação, as fontes são elegantes, as fotografias bem definidas, os sites que você sugere, importantes."

Queria ter um tempo largo para exigir mais de mim. Às vezes ou quase sempre, atualizo este espaço a mando da rapidez. Queria humanizar este blog com a fala de gente comum, ter tempo para ouvi-las e misturá-las a poesias.

Gostei de tuas observações sobre a escola, sobre a minha profissão de fé. Leciono, Marcos, para não morrer.

Obrigado, querido!!!, que a vida o recompense com os gestos mais simples e com a certeza de que ir ao encontro do Outro confessa a nossa alegre fragilidade.

Tua carta, eu a guardarei.

quinta-feira, junho 14, 2007

Deu na Folha de São Paulo


NOTA da coluna BOM-DIA!, do jornal A TRIBUNA

Deu na Folha
Know-how. Ao saber que Sibá Machado (PT-AC) já foi coveiro, um senador ficou todo animado. Segundo ele, o presidente do Conselho de Ética poderá utilizar sua experiência para enterrar a investigação contra Renan. Sibá nada respondeu. Fez de conta que não era com ele, ou seja, se fez de morto.

Ronda Gramatical - "Oportunizar"

"Eu quero elogiar a iniciativa da Assembléia Legislativa de oportunizar às lideranças do Alto Acre, desde o prefeito ao líder dos produtores rurais, a chance de dizermos o que queremos, o que é melhor para quem vive no interior. Esse exemplo deve ser seguido e posto em prática por outros setores da administração pública. O povo não quer muito, quer apenas ser ouvido e falar, dizer dos seus problemas e sonhos." (Joais Santos, prefeito de Capixaba)

1. Oportunizar - Não há esse verbo no dicionário Houaiss. Não há esse verbo no dicionário Aurélio. Não há esse verbo no livro Regência Verbal, de Celso Pedro Luft. Como estamos na floresta, existem fadas, gnomos e oportunizar.


Ontem, depois de sair do jornal, cheguei ao meu descanso às 22h45min. Abri a porta. Do outro lado da rua, um homem, à porta de sua bela casa, falava alto para outro homem.

O outro homem procurava em seu lixo. "Não mexa em meu lixo, saia daí". "Eu arrumo, quando eu acabar de catar em seu lixo, eu deixo tudo arrumado." "Não, deixe isso aí".

A porta aberta. Não entrei. "Deixe o homem, é um miserável, não está fazendo mal a ninguém", eu disse.

O lixo foi arrumado. O homem da bela casa entrou. Fechei a porta e fui ao encontro do homem que mexeu e arrumou o lixo.
Qual seu nome?
José Alves.

Sua idade.
26 anos.

Ele não concluiu a 4a série. Muito falador, esse rapaz fedia muito e catava comida no lixo de alguém que não queria que ele mexesse no lixo. Na foto, à direita dele, restos.

Eu poderia ter ignorado sua vida, porque ele não pode dar nada em troca. Pior: ele não existe. José não tem vida.

Por que o senhor está falando comigo?, perguntou o rapaz
Porque você me incomodou. Seu resto de comida, catada no lixo, me incomodou.

Em final de mês, a comida é menor. Na geladeira, pouco. Peguei uma caixa de leite, duas laranjas e pão de forma.

Tome.
Obrigado, que Deus lhe dê sempre mais.

"Deus está morto". Os homens O mataram com suas palavras no Poder Legislativo, nas igrejas. A miséria desses homens é maior que a sua.

Não posso sempre lhe dar comida, mas, quando a necessidade apertar, não vá à Assembléia Legislativa do Acre, porque o povo é uma idéia abstrata, genérica lá. O Cristo na cruz só ornamenta o espaço.

Pode ir a meu quitinete. Eu, tendo, darei um pouco de alimento a ti. Não poderei dar sempre.

Como é fácil ignorar o semelhante. Semelhante!?!?!? Deputados, por exemplo, não se assemelham a José Alves. Igrejas, idem.

Por que não ignorei José? Foram duas laranjas, um pacote de leite, pão de forma. Por que não o ignorei? A indiferença é tão elegante, soberba, inflexível. Deveria ter tomado conta de minha vida.

Blog não sensibiliza.

Respondendo a dois bloguistas

Michelle Stephane

Estou afim de escrever um texto sobre a ruim minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes e a ótima minissérie Pedra do Reino.



Marcos Afonso

Grande pessoa humana, meu correio eletrônico é lingua.portuguesa@uol.com.br Mande sua carta. Um abraço em teu destino.

quarta-feira, junho 13, 2007

Ronda Escolar

Escrevi em outro momento que escola não interessa aos jornais acreanos, a não ser quando houver morte, tráfico, estupro.

Neste blog, quando eu for informado, publicarei algo sobre o que ocorre em escolas públicas e privadas. É a Ronda Escolar.

"Carro bate contra o poste" sai em jornal. Neste blog, escola importa mais que carro contra o poste.

Na escola Heloísa Mourão Marques, o professor Gleidson leciona Matemática. Pessoa séria, ética, até hoje não existe algo que o coloque em descrédito.

Em sala de aula, uma aluna, a Jéssica, segundo ano E, manhã, disse-lhe "vai tomar no..., seu filho da...". O que fazer?

O fato ocorreu em 30 de maio e, desde então, ela não entra em sala até que os responsáveis compareçam à escola. O professor não permitiu que ela fizesse prova, porque os pais não compareceram.

Bem, a professora-gestora Lúcia autorizou que ela entrasse em sala para prestar exame. O professor não permitiu.

Quem tem razão?




Drummond


As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.