
Só a fé não remove favelas e só as armas removem traficantes.











Em 22 de agosto, o riso realizou uma passeata em Copacabana contra o artigo 45 da Lei das Eleições, vigente desde 1º de outubro de 1997, que proíbe em período eleitoral rir dos políticos. “Humorista unido jamais será comido”, era a palavra de (des)ordem.
Tempo. Não queria deixar minhas aulas, mas o meu corpo dá sinais de que ele chegou a um limite. Não sei quando voltarei, se é que voltarei, a única verdade é que o Tempo, esse senhor silencioso, aponta para outra direção, e eu, obediente que sou, sei que ele sempre tem razão.
Em 12 de junho de 1998, quando candidatou-se a deputado estadual, Edvaldo Soares Magalhães, do Partido Comunista do Brasil, declarou ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre ter um imóvel de R$ 25.000,00 e um Corsa de R$ 12.100,00.
Em época de eleições, darei uma pequena contribuição a quem acessa este blogue.
Cheguei à UPA do segundo distrito por volta das 23 horas de segunda-feira e atravessei a madrugada de terça-feira. Gostei muito do tratamento.
Como meu pai, de 78 anos, irá se submeter a uma cirurgia, viajarei no dia 17 de agosto e, se tudo ocorrer bem após a operação, retornarei depois de um mês; entretanto, se houver algum problema com ele, voltarei após quatro ou sete meses.

Eu, esta individualidade contorcida, deformada por um grau saudável de anormalidade em sala de aula, leciono há 20 anos, talvez mais, porque, desde minhas 14 ou 15 primaveras, desejei pagar minhas contas com inquietude de lecionar.
Eu leciono para não morrer.
Em sala, quando o cansaço não me domestica, meus alunos percebem em mim a voracidade de lecionar. Minha palavra se rebela, ou seja, nela, pulsa o gesto livre de ler um livro ou de refazer textos. Não admito aula sem vida intensa. Meu palco, a sala.
Mas meu corpo já dá sinais de imperfeição. Um dor aqui. Uma dor ali. Há quase 14 anos na rede pública de ensino, não tirei sequer uma licença-prêmio. Preciso de mim para eu cuidar de mim. Partirei no dia 17 de agosto e, como a vida não é cálculo matemático, isto é, a vida é inexata como as nuvens, não sei quando retornarei.
Meus pais também precisam de mim. A imperfeição deles está bem exposta, muita mais do que a minha.
Já sinto saudade de meus alunos e de meus ex-alunos. Por causa disso, por causa de uma partida e de um retorno "não sei quando", tenho ficado nos corredores conversando com eles. Gosto de ouvi-los. Gosto de ouvir suas vidas.
Prometi a alguns deles que, pela manhã, antes de entrarem em sala, dedicarei poesias a cada. Sentados no banco do pátio, ouvirão Fernando Pessoa, Drummond, Chacal, Cazuza e outros tão desobedientes como a juventude.
No primeiro dia, dei a um deles estes versos de Fernando Pessoa:
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Um abraço fraterno em seus destinos!
Em 2008, com 53 unidades escolares do estado do Acre, a escola Heloísa Mourão Marques ficou na 4oº posição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Em 2009, com 48 escolas, Heloísa Mourão Marques subiu 22 posições, ou seja, 18º lugar.
Um dias desses, quando o tempo estiver cinzento e frio, quando uma aula não tiver nada a dizer e for mais fria, pularemos o muro da escola não por sermos moleques, mas por estarmos cansados daquele professor que não nos alegra com o saber. Negar quem não soube escolher ser professor.