sexta-feira, agosto 31, 2012

Nestes 100 anos de Nelson Rodrigues, uma tragédia

De Aldo Nascimento


         A um dono de uma locadora, perguntei certa vez quais gêneros mantêm pagos os impostos e os encargos sociais de sua empresa. Entre os filmes de ação (mais correto dizer violência) e os de terror, ele respondeu que o poder público arrecada mais com ela, a pornografia

         Assim, se Alexandre Frota é muito mais consumido do que os diretores Luís Fernando Carvalho (“Lavoura Arcaica”) e Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”), podemos afirmar, com a devida ironia, que a cultura pornográfica gera “riqueza”. 

         Mas saibamos com Nelson Rodrigues - e não com Alexandre Frota – que a pornografia, bem mais do que imagem, é ideia. Em Álbum de Família, não há uma cena explícita de sexo; a pornografia, no entanto, pulsa nessa peça trágica de Nelson Rodrigues como ideia oposta ao sagrado.   

         Sobre o móvel da sala, a aparência da família rica em um álbum. Jonas, 45 anos, o patriarca, é candidato ao Senado. Situada na década de 20 do século passado, a imagem da família é preservada pela fala da compostura, speaker, mas o teatro, artifício dionisíaco, nos liberta da aparência quando D. Senhorinha conta ao marido quem foi seu amante, o jornalista Teotônio. Jonas o mata. D. Senhorinha, entretanto, mentiu para ocultar a verdade. Seu amante, o verdadeiro e único, um garoto de 13 anos, ele, Nonô: seu filho.

         Por causa desse incesto, a cria de D. Senhoria cai em desgraça, passando o resto da vida nu ao redor da casa. Entregue a esse movimento rotatório, Nonô gira como se fosse um ciclo, mas, nesse espaço circundante, Nonô, criança despida, jamais nascerá, porque, sem perpetuar a espécie, sozinho, louco, ele representa a morte que ronda a família. 

          Tudo nesse texto de Nelson exala morte, próprio da tragédia. D. Senhorinha mata o esposo para viver com Nonô. Tamanha loucura não deixa de ser sepultamento. Edmundo, seu outro filho, a deseja, mas, quando descobre o incesto pela boca do pai, mata-se diante da mãe. Guilherme, filho mais velho, tem desejo carnal por Glória, caçula e lésbica. Mas, como a irmã deseja o pai, Guilherme a mata e se mata.

         Dessacralizado pela pornografia, o corpo familiar se reduz a objeto. Impera, aqui, a matéria. Jonas submete meninas pobres à sua devassidão animalesca. “São umas porcas e eu também”, delira diante da esposa. Onde a carne é senhora absoluta, onde o naturalismo se alastra, comparando o humano a animal, a vida se coisifica. Sem poesia, sem existência espiritualizada, sem transcendência, a violência é inevitável. Tudo se brutaliza. “Mas o pai tem o direito. O pai até se quiser pode estrangular, apertar assim o pescoço da filha!”, diz Jonas à esposa.

         Sem mais espaço nesta coluna, digo apenas que, embora tenha escrito essa peça em 1945, Nelson é atualíssimo, porque nunca a indústria do sexo gerou tanta “riqueza”. Ora, leitor, filmes como “Lavoura Arcaica” não empregam funcionários de locadora.   


terça-feira, agosto 28, 2012

Gestão do professor Waldir

Na semana passada, escolhi os cinco melhores alunos de uma sala do segundo ano médio. A direção pediu.

Um tempo depois, eu soube que alunos foram escolhidos para avaliar os professores.

Quando a professora Osmarina administrou a escola, insisti para que alunos avaliassem professores.

Todos avaliaram um dia, porém alunos desinteressados avacalharam a "democracia".

Disse então à Osmarina que sua direção escolhesse alunos interessados, focados, os que buscam o melhor para a escola e para eles.

Osmarina, no entanto, não continuou, ela dizia que o professor mal-avaliado continuaria na escola.

Mas a intensão não era substituir o professor, mas registrar por meio de documento que alunos bons saberiam criticar com moderação professores ruins.

Seria uma forma de mostrar que índices negativos da escola relacionavam-se também a professores com pouca qualidade.

O gestor Waldir ouviu os melhores alunos escolhidos por professores. Um disse, por exemplo, que não pode dizer "bom-dia!" ao professor, porque, certa vez, acredite, foi destratado pelo próprio professor.
Esse professor avalia e, quando se reúne com seus colegas, só sabe reclamar do aluno. A escola, por sua vez, não cria um meio de o aluno avaliar o professor que só vê estudante ruim na escola ou que só abre a boca para falar mal de aluno.

Com o tempo, esse processo deve ser melhorado. O importante é que a escola Heloísa Mourão Marques é a primeira no estado a fazer isso.

A escola HMM criou um meio para o professor se ver na palavra dos bons alunos, já que falta espelho em casa para uma autocrítica profissional.

O Ideb do PT




Ando por Rio Branco, e o tempo evidencia mudanças. Raimundo Angelim, do PT, é um dos responsáveis por uma capital melhor.

O governo de Angelim, por exemplo, alterou o  Índice de Desenvolvimento da Educação do Brasil (Ideb): de 4,1 (2007), o ensino fundamental chegou a 4,9 (2011) - 0,8 em quatro anos.

Ascensão.

Ideb , por causa da administração de Angelim, está em ascensão. Se a oposição não reconhece esses números, ela não sabe calcular o óbvio.

Para tocar em uma educação pública com qualidade, a prefeitura rio-branquense precisa de 6,0.

Caso Marcus Alexandre, do PT, substitua seu antecessor, o 
Ideb de Rio Branco, em quatro anos, chegará a 5,3 em 2015 e, em 2017, a 5,7.

Se reeleito, Marcus deixará a Secretaria Municipal de Educação com a marca de 6,3 no Ideb

Essa qualidade, entretanto, pode ser conseguida sem que o professor primário invista por mês R$ 300 em livros, sem que o professor primário financie uma boa casa em um bom bairro, sem que o professor primário financie um bom carro, sem que o professor primário passe suas férias nas boas praias do Rio Grande do Norte, sem que o professor primário primário saia do shopping com boas roupas, sem que o professor primário use o smartphone de última geração, sem que o professor primário da área rural tenha um bom pedaço de terra para ser cultivada.

Ideb  pode ser conseguido sem que tenhamos  escola pública com menos alunos em sala, sem que tenhamos sala de leitura confortável, sem que tenhamos gestão moderna e tradicional, sem que tenhamos uma democracia escolar meritória.

Ideb é número, mas os números salariais do professor não são Ideb               

sexta-feira, agosto 24, 2012

TV Acre e os candidatos de Rio Branco



A cidade é complexa, os temas da cidade são complexos. Entretanto, na televisão, não há tempo para essa complexidade.

O âncora Ayres Rocha, da TV Acre, retira de uma caixa um tema de cada vez. O candidato responde em dois minutos ou pouco mais.

São menos de 10 minutos para falar de educação, segurança, funcionário público, lixo, saúde. Nesse espaço de tempo, a palavra não é aprofundada. Mais do que isso: ela não tem importância, por isso o seu tempo na TV Acre é muito menor do que o tempo do jornalismo policial.

O tempo do crime é bem maior do que o tempo da educação na tevê.

Hoje, um dos primeiros temas, educação. O repórter pergunta o que o candidato do PT fará para qualificar o ensino. Marcus Alexandre fala, fala e fala, mas não responde, limitando-se a falar de creche.    

Dos candidatos que apareceram, todos, sem o devido tempo, não falaram de educação. E ainda sendo pouco o tempo, o candidato do PT não responde à pergunta do repórter.
    

Jorge Viana e a Educação (1)


No dia 22 de agosto de 2012, o senador Jorge Viana (PT-AC) falou sobre educação e apresentou números do Ideb.

A diferença entre os professores e o senador Jorge Viana é que ele discursa sobre a sala de aula, e os professores lecionam nela.

Há uma imensa distância entre discursar e lecionar. Ele fala fora da sala; os professores, dentro dela.
 

Os professores são o soldado raso na linha de frente de uma guerra perdida, e o senador é o general que vê a educação em sua maquete.

Em sala, professores avaliam seus alunos; no Senado, ele apresenta os índices.

No entanto, reconheço que há uma educação pública antes e depois de Jorge Viana. Mais: a história sabe que existe um tempo escolar antes e depois dele.

A educação pública acriana melhorou muito por causa do governo desse petista. Sua política educacional tirou as escolas da merda, mas isso não quer dizer que os professores usem o melhor papel higiênico. Ainda falta bastante para que a profissão professor seja passada a limpo.
 

terça-feira, agosto 21, 2012

Gramática na escola

A primeira competência do Enem chama-se gramática, mas essa competência é ignorada por muitos professores em sala de aula. Dizem que gramática, só no texto.

Embora o aluno estude gramática por meio de texto, ele não irá ver, por exemplo, todo fenômeno da crase. O professor deverá apresentar ao aluno muito texto para estudar crase, o que é inviável.

Uma das características da gramática é separar a parte do todo, ou seja, como é impossível apresentar muitos textos para estudar o fenômeno da crase, é preciso que o aluno estude crase por meio de exercícios à parte, tarefa separada do texto.

Não estudar gramática, primeira competência do Enem, é um dos erros da escola pública acriana.
         

quarta-feira, agosto 15, 2012

Prefeitura de Rio Branco não sabe o português

Quando o assunto é língua portuguesa, a prefeitura de Rio Branco dá péssimo exemplo aos seus alunos do ensino fundamental.

Há uns carinhas da prefeitura que não entendem porra nenhuma de língua portuguesa, por exemplo, porra nenhuma de vírgula. É ignorância em estado sólido.

Eles prepararam um convite bonito para um português feio. Leia o convite.    

O Prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim e o Superintendente da RBTRANS, Ricardo Torres tem a honra de convidar para a solenidade de inauguração da Rodoviária Internacional de Rio Branco.

Qualquer pessoa bem alfabetizada sabe que Raimundo Angelim deve ficar entre duas vírgulas. Ricardo Torres também.

Há outros erros, mas fico agora só com o uso errado da pontuação.
  

Redação HMM 2

George Orwell (1903-1950)

Quando o Jornal Nacional anunciou o manual de redação do governo federal, acessei a internete e transferi-o para meu computador. 


No dia seguinte, eu o escrevi na lousa para analisar o texto de Isabela Carvalho, "O fim do Grande Irmão".


      Câmeras que gravam qualquer movimento, telas transmitindo notícias a 
todo minuto, o Estado e a mídia controlando os cidadãos. O mundo idealizado por George Orwell em seu romance 1984, onde aparelhos denominados teletelas controlam os habitantes de Oceania vem se tornando realidade. Com a televisão e, principalmente, a internet, somos influenciados – para não dizer manipulados – todos os dias.

Análise é decompor, desmanchar, ou seja, para ver o todo, no caso, o parágrafo, é preciso, primeiro, separar as partes, isto é, os pontos contínuos e o ponto final.

1. 
Câmeras que gravam qualquer movimento, telas transmitindo notícias a todo minuto, o Estado e a mídia controlando os cidadãos.

2. O mundo idealizado por George Orwell em seu romance 1984, onde aparelhos denominados teletelas controlam os habitantes de Oceania vem se tornando realidade.

3. Com a televisão e, principalmente, a internet, somos influenciados – para não dizer manipulados – todos os dias. 

Dividida em três partes, a primeira parte deve ser também dividida.

1. 
Câmeras que gravam qualquer movimento,

2. telas transmitindo notícias a todo minuto,

3. o Estado e a mídia controlando os cidadãos.

Os alunos precisam saber quais termos recebem informação e quais passam as informações.

Um esquema deve ser apresentado a aluno.

1. Câmeras---gravam---movimento.
2. Telas---transmitindo---notícias.
3. Estado e mídia---controlando---cidadãos.

O aluno deve perceber que câmeras, telas, estado e mídia são termos equiparados como instrumentos de domínio.

Nesse sentido, ou seja, o de equivalência, gravar e transmitir têm significados conforme a ideia última, qual seja, a ideia de controle.

Gravar, no parágrafo, não é somente memorizar, guardar, salvar, mas a máquina grava para não haver o particular, o íntimo, o oculto, o escondido.

Ao ser gravado, aprisiona-se o tempo para ele pertencer ao outro que vigia para memorizar.

Quando perguntei qual o significado de "transmitindo", muitos alunos disseram que é "passar", "comunicar". O aluno deve aprender que o significado de um termo depende da relação desse termo com outros termos.

Sendo assim, "transmitir" não é "comunicar", mas o "controle da comunicação", porque "transmitir" não é palavra isolada, mas palavra-texto, ou seja, palavra que se relaciona com outras palavras. Texto não é ditado.


2. O mundo idealizado por George Orwell em seu romance 1984, onde aparelhos denominados teletelas controlam os habitantes de Oceania vem se tornando realidade.

O primeiro ponto contínuo prepara o segundo ponto contínuo ou, se quiser, o segundo ponto contínuo exemplifica os termos principais do primeiro ponto contínuo por meio de uma obra literária.

Além disso, o aluno deve saber que a relação entre as partes um e dois ocorre por meio de duas palavras: "teletelas controlam".

Mais: devem saber que essa relação ocorre por causa do aposto (
onde aparelhos denominados teletelas controlam os habitantes de Oceania), cuja vírgula a aluna se esqueceu de colocar antes do verbo "vem".

Ler em sala de aula é desconstruir o texto, expondo aos alunos as partes que compõem o todo.

Ler é detalhar e, somente depois disso, saber a que gênero pertence o texto.

Poderia continuar, mostrando a relação entre as partes dois e três, mas já é tarde. Tenho de dormir.
   

terça-feira, agosto 14, 2012

Redação HMM 1


Em abril, iniciei o processo de construção textual no 2º ano do ensino médio. Quase 50 alunos. Aula muito cansativa para um salário que não massageia o meu ego após 14 anos como professor do estado.

No entanto, antes da elaboração textual, expliquei a proposta do Enem-2011 e o uso correto da vírgula e do ponto contínuo.

No caso da vírgula, passei cem questões, sendo vinte relacionadas às orações subordinadas adjetivas. Ao todo, foram 16 aulas sobre vírgula.

Antes disso, os alunos analisaram poesias, o que implica também o estudo da construção frasal, isto é, da ordem sintática indireta, havendo a possibilidade de vírgula.

Na turma C, a aluna Krisla Ripardo Domingos reconstruiu sua introdução cinco vezes, deixando-a no final desta forma:

      No início do século XXI, as redes sociais tornaram-se a principal forma de interação entre os indivíduos. Por meio de uma dessas redes, o Facebook, expõem-se ideias e imagens que promovem a perda de reputações e de identidades. Essas exposições mostram-se como o maior erro dos usuários.

Hoje, diferente de abril, o método foi outro. Dividi a turma entre garotos e garotas, e cada grupo escreveu o desenvolvimento 1 até o primeiro ponto contínuo. As garotas ganharam e receberam ponto extra. Repare o que elas escreveram!

      Tal erro é ocasionado pela busca, sem limite, da popularidade, promovendo descontroladamente a exibição do que há mais íntimo nas pessoas.

Infelizmente, esse trabalho redacional será interrompido quando eu sair da escola, porque professor leciona redação na rede pública se quiser.
   

segunda-feira, agosto 06, 2012

Leitura não é questão de gênero

A Secretaria de Educação do Acre propagou a ideia nas escolas de que "leitura é gênero". A respeito de leitura na escola pública, nem iniciamos um trabalho consistente.

No entanto, na escola Heloísa Mourão Marques, após a reunião do dia 4 de agosto, sábado, a secretaria, por meio de seu diretor do ensino médio, professor Josenir Calixto, deseja que um planejamento seja realizado, por exemplo, para leitura.

Não estarei nesse processo de construção. O que tanto desejei, droga!, só veio após a minha partida.

Acabei de ler "Aprender e ensinar com textos de alunos", livro coordenado por J. Wanderley Geraldi e Beatriz Cirelli, e Wanderley afirma que "gramaticalizou-se o gênero". Ele critica a questão de gênero.

Espero que a escola pública acriana corrija esse erro.     

sábado, agosto 04, 2012

O PC do B na Educação




Certa vez, uma coordenadora de ensino da escola Heloísa Mourão Marques levou ao diretor de ensino médio, professor Josenir Calixto, um documento secreto para me prejudicar.

Em sua sala, o diretor pediu que a coordenadora retornasse à escola para que o documento seguisse seu trâmite legal.

Um documento a meu respeito, eu nunca o tinha lido. A coordenadora não deu o devido encaminhamento legal. O diretor de ensino foi justo.

Sábado, reunião

Hoje, às 9 horas, sábado, iniciou-se uma reunião entre professores, gestão escolar e Josenir Calixto. 

Calmo, objetivo e dialogando com perguntas ou com críticas de professores, Calixto é aquele tipo de diretor que admite "a secretaria errou", ou seja, ele errou com a sua equipe.

Ele lê minhas críticas neste blogue - não gosta do sabor ácido - e sabe que as faço para ver sempre o melhor; elas não são para diminuir o trabalho de uma pessoa que respeito, que admiro e que, para mim, é um dos bons nomes do PC do B.

Trata-se de um reconhecimento, não de adulação. Isso não é troca de favores, porque permaneço com as críticas mesmo havendo o reconhecimento de minha parte.

Aluno também avaliará seu professor

Na escola Heloísa Mourão Marques, sempre defendi a ideia de alunos (meritórios) avaliarem seus professores.

Calixto defenderá essa ideia em outras escolas. O professor-diretor Waldir permitirá ainda neste ano que alunos avaliem a qualidade profissional dos professores.

Apresentei outras ideias. Colegas de trabalho apresentaram outras.

Como Calixto falou, a escola Heloísa Mourão Marques saiu do fundo do poço, sendo hoje uma referência para ele. Os índices estão melhores; no entanto, para quem busca sempre o melhor, ainda falta muito.

A gestão do professor Waldir possibilitará mais avanços. Eu creio nisso.

Fim da reunião

A reunião chegou ao fim às 12h25min.

Uma reunião no sábado para dar início a um planejamento na escola.

Que venham outros sábados!

terça-feira, julho 31, 2012

A Língua Portuguesa e o PT (2)

O governo petista acriano não tem política para que alunos escrevam melhor. Na rede pública de ensino, não há sequer uma proposta pedagógica para o ensino-aprendizagem de produção textual.

Quando eu soube que o governo federal colocou na rede "A Redação no Enem 2012, Guia do Participante", transferi para o meu computador o material.

Nesse guia, apresentam-se seis redações, sendo duas do Rio de Janeiro, duas de São Paulo e duas de Minas Gerais.

Na primeira, há 34 linhas; na segunda, 30; na terceira, 28 linhas; na quarta, 30; na quinta, 36 linhas; e, na última, 29.

Consideradas as melhores do Enem, essas redações apresentam uma harmonia numérica entre os parágrafos, sendo que quatro redações têm cinco parágrafos e duas, quatro.

Tendo como exemplo esse manual e bons livros de redação, o aluno deve distribuir seu pensamento em uma quantidade adequada de linhas e de parágrafos.

Mas nem isso a escola pública ensina, porque, para alguns professores, quantidade de linha não tem importância.

Diante disso, a Secretaria de Educação do Acre cala-se, deixando, neste país tão cristão, a deus-dará as aulas de redação.                

segunda-feira, julho 30, 2012

A Língua Portuguesa e o PT (1)



Acolhido pelo conforto da Biblioteca da Floresta, o ex-professor Marcos Afonso,atual diretor dessa biblioteca, deixou em meu correio eletrônico a sugestão de visitar o seu blogue para eu ver as imagens antigas e atuais de Rio Branco.

Em época de campanha política, Marcos defende seu salário (de não professor) com uma propaganda que compara o passado sem o PT e o presente com o PT.

Para defender o PT, Marcos apresenta fotos, imagens, ou seja, aparências, como se uma vida melhor dependesse de asfalto novo, de prédio novo.

O mais fácil, Marcos, é transformar a imagem de uma capital. A imagem. Difícil é transformar a escola pública. Mais: a maneira como alunos escrevem.

Nesse sentido, o PT é um fracasso, porque não se reduz à imagem.  

 

 

domingo, julho 22, 2012

Quando se fala besteira na Frente

Certa vez, o deputado estadual Moisés Diniz, do PC do B, afirmou que a Expo-Acre é a maior festa popular do Acre.

Agora, Marcus Alexandre, candidato do PT à prefeitura de Rio Branco, solta esta pérola:

"A cavalgada é a expressão da cultura acreana."

Não poderíamos esperar muito de um engenheiro para falar de cultura.

Os caras falam muita merda quando o tema não é ponte, estrada, asfalto, posto médico.

Um deputado ignora os conceitos cultura e popular. Um candidato a prefeito não sabe o que é acrianidade.

Retirado do blogue do Altino Machado

A VOLTA DOS "PAULISTAS"
Candidato do PT à prefeitura de Rio Branco, o engenheiro Marcus Alexandre tascou no Twitter:

- Cavalgada está muito animada, parabéns a toda organização. Essa é a expressão da cultura acriana.

Só um paulista do interior para concluir que cavalgada é a expressão da cultura acreana.

Marcus Alexandre precisa conhecer melhor o Acre porque de cultura acreana não entende nada.

quarta-feira, julho 18, 2012

A cavalgada na revista da Euclides da Cunha


Não sei se estarei no Acre para o lançamento da revista Pontos da Educação, da Faculdade Euclides da Cunha, mas, se eu estiver, já comprei a roupa.

Dentro de alguns  limites, a revista saiu bem na foto. Poderia ter sido melhor, mais ousada,  porém foi o possível.

A Faculdade Euclides da Cunha, do professor-doutor Carlos Alberto, muito bem avaliada pelo MEC, é a única no Acre que, sendo particular, publica artigos acadêmicos.

Pontos da Educação está indexada.

Sua proposta é selecionar bons artigos para que o Acre seja pensado por profissionais da área da educação.

Nestas terras, quem fala de educação pública é político, o que é um erro, porque o político local não sabe o que fala.

Quem sabe expor os problemas da educação pública acriana é quem vive dela, é quem defendeu dissertações de mestrado, é quem defendeu teses de doutorado.

Nela, deixei minha opinião, que publico parte neste blogue.

                 A festa do pasto


           A Expo-Acre é o espetáculo do cavalo, do comércio, do gado, da indústria; é o espetáculo de grandes terras. Para sua abertura, a tradicional Cavalgada exibe nobres cavalheiros com o poder econômico de comprar luxuosas caminhonetes, carretas, cavalos de raça, expondo sobre eles o padrão da moda country, a fartura de bebidas alcoólicas, o modelo feminino de beleza. A Cavalgada, por ser o exibicionismo dos que exercem o poder na cidade, ostenta o narcisismo da riqueza, da griffe de roupas bem acochadinhas, da bota de couro mais cara, do cinto de couro mais viril. Enquanto mortais pensam na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), enquanto as bienais do livro de São Paulo e do Rio de Janeiro representam riqueza cultural a cada dois anos, a pecuária acriana, que gera milhões ao estado, seduz a massa com musiquinhas pseudossertanejas, com seu vestuário norte-americanizado, ou seja, o gado no pasto gera não só riqueza econômica para poucos; mas, sobretudo, o seu efeito mais nefasto para a identidade de uma região: alienação cultural. No lugar do caipira, este homem simples do roçado, a festa do corte aplaude seu mito: o caubói. Nossas crianças, portanto, não precisam de festas de livro, elas sorriem quando seus pais a fotografam ao lado de um belo Nelore na baia de uma Expo-Acre: “Filha, você ficou mais linda ao lado deste boi”.

Alunos modernizam a escola pública


Depois que o celular surgiu, a escola pública modernizou-se, porque passar cola é só uma questão de torpedo.

Os celulares esperam o momento exato para ludibriar o professor. Tudo é questão de paciência. Basta esperar.

É quando um aluno conclui a prova e entrega-a ao professor. Fora da escola, o único torpedo envia as respostas.

A escola pública é terreno fértil de permissões. Proibir tornou-se coisa atrasada.

Os celulares agradecem.
 

segunda-feira, julho 16, 2012

Por que alunos não avaliam seus professores?

Os políticos acrianos desconhecem os reais problemas da escola pública. Evidencia-se isso quando abrem suas bocas.

Superficiais, anacrônicos, não há uma ideia original por parte deles.

No atual modelo de democracia escolar
 , o aluno vota em professor, mas o aluno não avalia seu professor.

O voto do aluno tem evidenciado ao longo do tempo que essa democracia escolar não significa qualificar o ensino, por exemplo, o de Língua Portuguesa.

Por outro lado, os defensores dessa democracia não aceitam que alunos - os melhores, os que têm mérito - avaliem seus professores.

Votar pode. Avaliar não pode.

Votar não qualifica o ensino. Aluno avaliar professor qualifica.

No entanto, não seriam todos os alunos, mas tão somente os melhores, ou seja, os dedicados, os inteligentes, os esforçados, os que reconhecem que ser exigido é buscar qualidade.

Esses alunos podem avaliar, porque eles entendem que professores exigentes - e que se exigem - qualificam o ensino. Aula boa ou aula ruim, só o aluno sabe, mas não avalia.

O aluno sabe qual o professor perde tempo em sala. O aluno sabe qual professor domina o conteúdo. O aluno sabe qual professor sabe passar o conteúdo. O aluno sabe qual professor deixa boas marcas no ensino público.

A burocracia estatal não reconhece o bom professor. O aluno, o bom aluno, o dedicado, aquele que luta para ser melhor, reconhece... mas não avalia o professor. Só vota, mas o voto não qualifica o ensino público.

Político acriano desconhece a educação pública.  

domingo, julho 15, 2012

Ronda Eleitoral

Domingo. Abro os jornais da capital acriana. Em um deles deles, a política:

1. Na baixada do Sol, Fernando Melo recebe apoio popular;

2. FP realiza a maior inauguração de comitê de sua história; e

3. Bocalom defende trabalho dos camelôs no Centro de Rio Branco.

Isso é política? O que me interessa como pagador de impostos saber que Fernando Melo recebe apoio popular?

Isso é política? O que me interessa como cidadão saber que a Frente Popular inaugura o maior comitê de sua história?

Qual a política para os camelôs? Isso interessa. A matéria, além de mal-escrita pela assessoria do candidato, é muito profunda em sua superficialidade.

Se o (e)leitor não quer saber o que ocorre com a política acriana, leia os jornais rio-branquenses.
       

Quando a morte chega depois

Hoje, para a minha surpresa, eu soube que uma amiga virtual do Rio Grande do Sul faleceu em 1º de fevereiro deste ano.

Seu nome, Ivone Bengochea.

Desde 2008, essa charmosa senhora chegava a mim em forma de palavra, e, dessa maneira, uma webamizade fez bem à minha alma.

Formada em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ivone enviou-me um de seus artigos, Arte e Revolução em Marcuse e Drummond, editado no livro "Drummond e a Filosofia", da Universidade de Santa Cruz do Sul.

"
Aldo, que tudo de bom que há em nós permaneça", sua dedicatória me tocou. Hoje, ao deixar uma mensagem em seu Facebook, soube de sua partida.

Na revista Pontos da Educação, da Faculdade Euclides da Cunha,
Ivone escreveu um belo artigo sobre as mulheres.

Tinha prometido a ela ir a Porto Alegre para conhecer as expressões de seu rosto. Irei. Irei para entregar ao seu esposo o que ela deixou pensado em Pontos da Educação, um artigo inédito.

Ivone se foi, mas suas palavras ficaram. A vida não é mais que isto: palavras.

  
        

sábado, julho 14, 2012

Uma escola pública

Ontem, após o término do semestre, realizou-se uma reunião entre direção e corpo docente em uma escola estadual.


Falar sobre a gestão do professor Waldir.

Comecei a dizer que parte do corpo docente o escolheu para desmanchar algo da gestão anterior.

Que algo?

Ora, desmanchar a rigidez da gestão anterior. Desmanchar o controle da gestão anterior. Desmanchar a ordem da gestão anterior. Desmanchar a cobrança da gestão anterior. Desmanchar a organização da gestão anterior.

Mas desmanchar para apresentar algo melhor?

Pois bem, parte desse corpo docente conseguiu, e alunos, funcionários e professores puderam ver o desmanche explícito no primeiro semestre.

O professor Waldir foi um meio para se colocar em prática o que parte do corpo docente  desejava fazer com a escola pública, por exemplo, professor faltar, faltar, faltar, faltar e, no final do mês, ainda receber seu dinheiro de forma integral, sem que uma falta tenha sido descontada.

Para isso, certos professores votaram em Waldir, porque, para eles, esses professores, "a gestão é mais humana". No entanto, deixar professor faltar sem descontar no bolso, não é mais humano, e sim mais injusto.

E quem não falta recebe um adicional no salário?

Eu sou o único responsável por haver a prévia eleitoral para que a escola Heloísa Mourão Marques tenha saído com o seu  candidato único. A prévia é ideia minha.

Iniciei isso na época da (indi)gestão da professora Lúcia, foi uma forma que eu encontrei para manter a unidade eleitoral em torno da professora Osmarina e do professor Waldir. Com isso, evitaram-se brigas, insultos, agressões entre candidatos da mesma  escola.

Waldir é consequência de uma prévia; é a consequência eleitoral sem tumulto, porque a professora Osmarina retirou seu nome após perder na prévia.

Se parte do corpo docente votou para desmanchar algo anterior - e conseguiu -, a unidade após uma prévia deve ser mantida para buscar a escola pública que podemos edificar com justeza, com igualdade para todos, com qualidade, com inteligência, com afetividade.

Com Ordem.

Se alguns desejam faltar, faltar, faltar, porque essa "liberdade" não havia antes; se alguns desejam não ser cobrados como antes; se alguns têm a "liberdade" que não havia antes; se alguns pensam a escola pública como lugar de desordem cínica, de preguiça alegre ou como lugar para reclamar de aluno, resta saber o que a atual gestão fará no segundo semestre de modo justo e, depois, de modo mais humano.
   

domingo, julho 08, 2012

Onde não encontrar político acriano

Quando há ótimas peças de teatro no Acre, eu vou.

Na sexta, assisti a Instantâneos.

Nesses anos, no entanto, nunca vi um político acriano dentro de um teatro.

Eles são assim mesmo, incultos. Político acriano é de uma incultura espessa como uma porta de mogno.

O cinismo petista


Meu coleguinha de Jardim da Infância, o malhado Josafá Batista, enviou-me uma ótima entrevista do programa Roda Viva - tipo de entrevista bem diferente das perguntas desnecessárias e das respostas inúteis dos perguntadores Archibaldo, Allan Rick.

O entrevistado, a inteligência de Chico de Oliveira, sociólogo.

Logo no começo, ele diz a palavra "cinismo" por causa da união em São Paulo entre PT e Paulo Salim Maluf.







Tear. Teor. Teatro

Na peça, o suicida não consegue se livrar de si mesmo 
No palco, o suicida não é a cópia do real

Em Rio Branco, os bons filmes são escassos; e as peças de teatro, raras.



Na sexta, dia 6, meus olhos tocaram no que o realismo rejeita: o sensível. 

Em uma cidade onde cultura é ir à Expo-Acre, a peça Instantâneos ofertou a mim a vida transfigurada por meio de gestos, de cores, de som, de formas.

Na sexta, saí da realidade, fatigada de objetos, de matéria, de utilitarismo, de banalidade, para sentir a presença de outro ambiente, o da representação.

Ver o mundo como ele se apresenta, isto é, vê-lo em sua condição de superfície ou de aparência, é limitar-se à matéria fixa, à ordem domesticada das coisas, dos objetos.

Um suicida na calçada da Avenida Ceará não sensibiliza quem passa a seu lado. Sua face de moribundo, seu passo cambaleante e sua fala solitária não só são indiferentes aos seus "semelhantes" como sua loucura de matar-se enfeia o trânsito da cidade. 

Nesse realismo, o suicida é coisa, objeto, obstáculo, impedimento de qualquer ato de comoção. 

A matéria por si não sensibiliza. No máximo, o suicida irá atrapalhar o trânsito e, dessa forma, virar notícia em página policial.

Poderia dizer Drummond que...

prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Na peça "Instantâneos", instaura-se a desordem porque no palco pulsa o estranho, o confuso, a inadequação. Não vemos, portanto, a cópia da realidade.


"Eu não estou entendendo", diz alguém a si mesmo.

Depois, aos poucos, nenhum pouco objetivo, entende-se, e o suicida no palco nos comove, nos toca. E não menos: afeta-nos.

O teatro, com o seu poder das formas,        re-apresenta o suicida, agora, mistificado, isto é, transfigurado, isto é, livre da matéria fixa, livre da condição de coisa, livre do realismo da Avenida Ceará.

Saio do teatro mais humano.  
  
 

Ronda Gramatical

Repórter escreve...

Código volta para à discussão na segunda; setor ambiental tenta evitar 'radicais'

Neste domingo, a violência contra a língua portuguesa no jornal A Gazeta teve requintes de ignorância.

Não há limites para o leitor desaprender a usar o mesmo idioma dos jornalistas Pedro Bassan, Nelson Rodrigues, Paulo Francis.

Como sabemos, a língua de uma pátria, assim como os seres humanos, também morre, e o túmulo onde podemos encontrar os seus restos encontra-se nos jornais acrianos.

E eu, na condição de coveiro, desenterro esse corpo para sentir o odor fétido da ignorância. Enquanto jornalistas sujam páginas e mais páginas, os lixeiros limpam as ruas.

Escrever "para à discussão", bem mais do que um erro, eu chamo isso de falta de vergonha, prova de que a palavra no jornal é lixo; e o jornal, depósito de um exercício diário de patetice, de palurdice, de inaptidão.

Bastava escrever
 "volta à discussão".
Como escreveu Paulo Leminski,

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo 
        

Leitor. Eleitor.



A saúde política do senador Jorge Viana (PT) não passa bem
pelas urnas eletrônicas desde as últimas eleições,
quando, ao colocar o dedo na tomada de sua seção eleitoral,
levou um choque de realidade 
  

Lendo as notícias dominicais, deparo-me com o proprietário dos jornais rio-branquenses, o senador e pensionista Jorge Viana, do PT, o mesmo que deu a maior força ao senador Demóstenes Torres quando este afirmou que não tinha nenhuma relação com Carlos Cachoeira, o mesmo que aceitou a união entre o PT de São Paulo e Paulo Salim Maluf.

Muito presente nos jornais da capital por causa também das eleições municipais deste ano, o senador, mais uma vez, surge em A Gazeta para afirmar, com alguns anos de atraso, o que muitos já sabiam:

1) que o tempo na para;

2) que o Natal é em dezembro;

3) que "a FPA precisa aprender a fazer com o povo e não só para o povo".

Com essa frase de efeito eleitoreiro, Jorge Viana admite com isso que o PT errou ao longo dos anos.

Por exemplo: há muito tempo, o orçamento participativo - um dos produtos da propaganda O Modo Petista de Governar - deixou de existir.

O PT concentrou o poder em nome de uma "democracia" que exclui a participação popular.

Em tempo de eleições, Jorge agora fala do óbvio. Ora, do já sabido, nós já sabíamos.

Senador, Agora é Tarde.

O programa do Danilo Gentili é mais original.

sábado, junho 30, 2012

Poesia para mim









De Aldo Nascimento

com sua afiada paciência,

a lâmina do tempo,


em minha carne,
deixa novos cortes.


Há muito,
minha juventude entrou em fuga:

é que o punhal das horas,
em silêncio tão lento,

começou a talhar na pele
o germe da morte:

minhas rugas.

Eu nem lamento,
porque, em ponta de faca,
dou meus murros.

E luto.

terça-feira, junho 26, 2012

Sobre sindicatos e interesses pessoais

Tanto o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) quanto o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre(Sinplac) acham-se no direito de eles não darem nenhuma satisfação a seus filiados a respeito do dinheiro arrecadado.

O caso da professora Alcilene torna-se mais grave, porque o Sinplac surgiu para corrigir os erros do Sinteac, o que não ocorre.

Para falar a verdade, peço a Deus perdão por ter feito campanha e por ter votado na atual presidenta do Sinplac, um erro infeliz que cometi.

A presidenta do Sinplac abusa do poder que tem, por exemplo, usa o carro do sindicato para realizar suas compras pessoais; alongou de forma ilegal seu mandato sindical; e o pior: mantém relações escusas com gente do governo.

E o revolucionário Manoel Lima, o presidente do Sinteac? Esse sindicalista NÃO POSSUI dois valores que aprecio tanto nos seres humanos: a inteligência e os ideais. Lima não passa de um objeto da história.

Eles desejam ocupar a Câmara dos Vereadores de Rio Branco ou a Assembleia Legislativa. Eu não voto.  

domingo, junho 24, 2012

Ronda Eleitoral









Candidato do PT
coloca o pé no chão   



Marcus Alexandre,
 candidato do PT a prefeito de Rio Branco e acriano de Ribeirão Preto,  declarou ontem na convenção da Frente Popular que fará uma campanha "pé no chão". 

A reação dos podólogos da capital foi imediata. "Esse candidato está dando um péssimo exemplo às crianças e à saúde pública."

Não deu outra. Hoje, o acriano Marcus, de São Paulo, também conhecido como O Novo de Novo, depois de colocar o pé no chão em ruas não asfaltadas das periferias de Rio Branco, contraiu micose e pereba no pé.

Após ser medicado em um clínica particular, seu pé passa bem. Marcus disse que não colocará mais seus dez dedos no chão da periferia.

"Eu vou esperar o governo asfaltar todas ruas e, só depois disso, farei uma campanha pé no chão", disse muito emocionado.

A periferia ainda espera pelas calçadas de Jorge Viana (PT) e pelos pontos de ônibus do Angelim (PT).

   

Ronda Gramatical

Jornalista é sequestrado
pela milícia Olavo Bilac



Hoje, por volta das 2 horas da madrugada, o repórter Rutemberg Crispim, do jornal A Gazeta, foi sequestrado à porta de sua casa.

Quando o dia amanheceu, sua família recebeu um bilhete. Nele, os sequestradores disseram que, se sua mãe não o colocar outra vez na escola, Rutemberg será torturado em aulas particulares de Língua Portuguesa.

“Acreditamos que isso ocorreu porque, na capa do jornal, ele escreveu ‘o candidato à prefeito Marcus Alexandre (PT)’, dando, aos leitores, um péssimo exemplo de uso errado do fenômeno da crase”, disse Sérgio Nogueira, capitão da Grupo Especializado em Antissequestro Gramatical, o Geag.

O capitão Nogueira desconfia de que os sequestradores pertençam a uma dissidência da Polícia Ortográfica. Para ele, trata-se da milícia Olavo Bilac.

“Como perderam a paciência com alguns jornalistas acrianos, Olavo Bilac faz agora justiça gramatical com as próprias mãos”, observou o capitão Sérgio Nogueira. “Porque o bilhete está muito bem escrito, só pode ser Olavo Bilac.”

Sua mãe se recusa a pagar o resgate, que é colocar o filho outra vez na escola pública. Neste momento, o jornalista já deve estar sendo torturado no cativeiro de aulas particulares.

“Não adianta meu filho voltar a estudar na escola pública, lá não se ensina acentuação, pontuação, regência verbal, concordância verbal e muito menos crase, lá não se ensina gramática, agora tudo é gênero textual”, desabafou a mãe.

Segunda ela, Gutemberg jamais ouviu seus conselhos, um deles: não se coloca acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de palavras masculinas.

Há exceções, mas não no caso de “à prefeito”.
   

domingo, junho 17, 2012

Jornal A Gazeta

O que há de mais verdadeiro nos jornais acrianos são as datas. Fora esse tempo contado, os erros de português são precisos como os relógios suíços. Aqui, o leitor desaprende.


Hoje, por R$ 2, comprei A Gazeta. Comparado a O Globo, do Rio de Janeiro, R$ 4 aos domingos, embora receba subsídios do governo, o jornal acriano é muito caro por faltar nele o que mais enobrece a espécie humana: a inteligência.


Publicam-se jornais no Acre não para (e)levar a informação e a cultura à população, mas com a finalidade de fazer circular a imagem do governo com o português bem... bem embaçado.


Português 1. Paguei R$ 2 para ler isto: “os partidos da oposição tem uma semana decisiva”. 

Anos atrás, o professor de Português diria que não se fala “tem aula”, mas que “há aula”. Ao pé da letra, ninguém “tem aula”, assim como ninguém “tem uma semana”. Tem-se um livro, mas não se tem uma semana. Melhor teria sido escrever “semana decisiva para os partidos de oposição”.



Português 2. Paguei R$ 2 para ler isto: “os partidos de oposição tem uma semana decisiva”.

O repórter fez a concordância verbal entre “oposição” e “tem”, porém a concordância é com “os partidos”, ou seja, deveria ter escrito “têm”, com acento.

Português 3. Paguei R$ 2 para ler isto: “Senado prestará homenagem aos 50 anos do Acre Estado”.



Entre Acre e estado deveria haver um hífen: Acre-estado. Nos bons manuais do jornalismo, só se coloca estado em caixa-alta quando o seu sentido for o de Nação, que não é o caso.


Português
4. Paguei R$ 2 para ler isto: “o revendedor de jóias, Isaías Peres da Silva, 39 anos, teve sua residência, no bairro Sobral, invadida pela segunda vez neste ano.”

Por ser uma paroxítona com ditongo decrescente (oi), não se acentua, assim como “jiboia”, é a nova ortografia.

Quem disse que há vírgula depois de “joia”? Colocam-se vírgulas quando escrevemos “a presidenta da República, Dilma Rousseff, esteve no Acre”, mas nós não as colocamos quando escrevemos “o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso governou bem”.


Motivo: a primeira é oração subordinada adjetiva explicativa; e a segunda, restritiva. O correto é escrever “o revendedor de joias Isaías Peres da Silva, 39 anos, (...)”, por ser uma oração subordinada adjetiva restritiva.


Ronda Gramática

No último sábado, dia 16, final de tarde, a sede do jornal A Gazeta foi invadida pela Polícia Ortográfica. Porque os jornalistas resistiram à prisão, houve um forte tiroteio, deixando a Acentuação morta e a Concordância Verbal ferida.

O comandante Evanildo Bechara, da Operação Mãos Sujas de Erros de Português, afirmou que a tropa de elite da Polícia Ortográfica cansou-se de ver tanto erro nas páginas de A Gazeta. “Não podemos tolerar mais essa desobediência, esse descaso com a língua-padrão”, disse o militar.

Armado com um 38, o repórter Rutemberg Crispim atirou contra a língua, a portuguesa, ferindo Concordância Verbal com um tiro de raspão em “os partidos tem”. Quando se preparava para matar outra regra gramatical, o soldado Celso Cunha jogou na cara de Rutemberg o Manual da Folha de São Paulo, deixando-o desacordado.

Cúmplice de Rutemberg, Lenilda Cavalcante também resistiu à prisão gramatical, sendo baleada na 5ª série vertebral da coluna. Foi ela-ele quem matou pelas costas Jóia com “requintes de crueldade” e com outros clichês.

Em seu depoimento, Lenilda soltou o verbo com a regência errada.

“Técnicos da Língua Portuguesa da Secretaria de Educação do Acre me disseram que não é preciso estudar mais gramática, que nas escolas públicas alunos só estudam gêneros textuais, não obedecem regras, por isso eu atiro para qualquer canto da acentuação e da vírgula”.

Os meliantes foram conduzidos ao presídio Celso Pedro Luft, onde estudarão noções básicas de bom comportamento gramatical.