quinta-feira, março 12, 2009

Ronda Gramatical










De Edvaldo Solto

Meu amigo e minha amiga, a bruxa da tua mãe tá solta e a fada madrinha tá presa no presídio de segurança máxima. Coisa tá feia em Rio Branco, só não tá mais feia do que eu e aquele diagramador da TRIBUNA. Olha só, muita atenção para esta notícia. A repórter Lênilda Lê tem as informações. Imagem.

Repórter
- Edvaldo Solto, eu estou no blog do deputado João Edvaldo Amazonas Magalhães neste momento para mostrar que ele revolucionou a língua portuguesa. Do meu lado, está o capitão Celso Cunha, foi ele quem prendeu o deputado com a droga do erro na mão esquerda.

Policial
- Positivo e operante. Desde a Revolução Russa, a Polícia Ortográfica Brasileira monitora comunistas no Acre e, após anos, encontramos uma ação subversiva em um blog da foi-se o martelo. O deputado cometeu um crime contra a LÍNGUA-PÁTRIA quando escrevinhou... (a repórter interrompe)

Repórter
- Telespectador, eu interrompi o capitão para pedir que os alfabetizados se retirem da sala, a cena é forte, as crianças que não frequentam escola podem ficar.

Policial
- Pois bem, ele escrevinhou que “a vantagem do não tencionamento eleitoral é contrabalançada com o rigor da cobrança por parte dos que terão muita energia a gastar apenas com a vigilância oposicionista”. Quando encontramos a droga “tencionamento” em seu blog, ordenei que a Polícia Gramatical o prendesse, porque essa palavra não existe, sua intenção é disseminar desacordos ortográficos.

Repórter
- Direto do blog, Lênilda Lê, com imagens de João Glaucomatoso. Edvaldo Solto, agora é com você.

Meu amigo e minha amiga, se você está preso no Francisco D’Oliveira Conde e deseja fugir porque a tua pena passou do prazo de validade, passe pela concessionária Recol e fuja com um carro zero-quilômetro. Aproveite nossas condições, confira as ofertas antes de pular o muro do presídio.

A coluna chegou ao fim da picada. Na próxima terça-feira, se o Arquiteto permitir – e ele há de querer -, reformarei minha casa e estarei de volta. Fiquem com Deus e com nossos patrocinadores.

Cocô na "florestania"

Não sou simpático ao programa Gazeta Alerta por ser uma cópia de programas paulistas e cariocas, e estes já são ruins. Prefiro transmissões originais. Entretanto, em certos momentos, a equipe acerta.

Hoje, não publicaram imagens de presos no Francisco D'Oliveira Conde, mas a violência que essa unidade prisional comete contra a natureza. Desta vez - que ironia!!! -, o presídio é o criminoso.

Segundo a ótima matéria do repórter Adaílson Oliveira, o Francisco D'Oliveira Conde, mantido com o dinheiro público, despeja fezes de presos, merda de policiais, cocô de oficiais e bosta de seus diretores no igarapé São Francisco. A matéria revelou que o Estado joga muita merda na natureza.

Pensei: será que é para adubar a terra?

Conversando com Itaan Arruda, ex-assessor de comunicação do governo, ele disse-me que o governador Binho Marques jamais censurou a imprensa acriana. Acreditei, a matéria de Adaílson Oliveira, a prova.

Se este governo não põe sua mão reguladora na Redação de jornal, sobrou para os jornalistas publicarem boas matérias; no entanto, para isso, é preciso haver repórteres bons - e Adaílson Oliveira mostrou por meio dessa matéria que é um deles.

terça-feira, março 10, 2009

CQC voltou! & TV Aldeia


















Ontem, FINALMENTE, o CQC retornou, único programa INTELIGENTE da TV brasileira, mais os programas da TV Cultura, é claro.

Que prazer eu sinto quando O RISO diminui a importância de certos políticos. Rir deles, rir e rir. Ontem, eu ri muito de um Congresso que gasta por minuto mais de R$ 11 mil, o mais caro do mundo.

E a TV Aldeia? Com o retorno do Campeonato Acriano, não assisto mais ao programa Café Filosófico
. TV Aldeia, com isso, deixou de ser CULTURA para ser TV Esporte. O culpado disso: Jorge Henrique, Anibal e Itaan Arruda.

Por favor, deixem que eu assista ao Café Filosófico. Quem quiser assistir ao jogo vai ao estádio.

segunda-feira, março 09, 2009

É fantástico não haver chuchu no Jordão


Não poderia deixar de escrevinhar sobre a falta de chuchu no Jordão. Hoje, A TRIBUNA publica este artigo.

De Aldo Nascimento

Uma pessoa tem um sonho. “Quando crescer, serei jornalista.” A pessoa cresce. Estuda. Estuda. Estuda. Entra na faculdade de jornalismo. Estuda. Estuda. Estuda. Conclui a faculdade. Estuda. Estuda. Estuda. Pós-graduação. Finalmente, depois de tantos anos, consegue trabalhar na Globo. Vai para o interior do Acre e, aqui, depois de estudar tanto na faculdade, sua audiência divulga no Brasil que Jordão não conhece chuchu. A isso dão um nome: fantástico.

Depois, eu me perguntei: qual a relação entre não conhecer um chuchu e o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH? Outra dúvida: se o cálculo do IDH leva em consideração a expectativa de vida, o nível de educação e a renda da população, o que a falta de chuchu em Jordão estava fazendo em uma matéria sobre IDH? Última pergunta: qualidade de vida tem a ver com o consumo de chuchu?

Ficou a impressão de que quem não conhece chuchu é atrasado ou motivo de chacota. Mas ficou também a impressão de que o jornalista global não conhece o seu próprio país, passando pelo Jordão como turista. Assim, na condição de repórter-turista, sua matéria só poderia ter transmitido isto: superficialidade sobre nós.

Esperar de uma TV comercial e de um repórter-turista o registro de nossa identidade, convenhamos, seria anormal. O normal tem sido - que ironia! - os jornais acrianos ignorarem o interior deste Estado; tem sido desconhecerem o homem rural que nunca viu um chuchu.

Para uma Redação de Rio Branco, tão condicionada a ser aquário, Jordão não passa de um mapa. Se leitores daqui não encontram em nossos jornais o que é o Acre em Feijó, em Mâncio Lima ou em Assis Brasil, outros publicam o que não encontram no Jordão, neste caso, um chuchu. Se nossos jornalistas publicam matérias que ocultam o interior deste Estado, outros descobrem a falta de chuchu e riem de nós.

Após uma semana de o Fantástico rir do Acre, não houve um jornal da capital que tenha tomado a iniciativa de retirar do Jordão “a chacota do chuchu". O repórter-turista plantou nesta terra uma matéria para colher chuchu, e as redações acrianas só cultivam um jornalismo que desconhece Rodrigues Alves, Capixaba, Plácido de Castro. Do Rio de Janeiro, a Globo nos conhece “melhor”. Plim-plim!!!

A Bahia é aqui

Folga no TJ 1
No Mato Grosso do Sul, o novo presidente do Tribunal de Justiça instituiu, por portaria, folga para o servidor no dia do aniversário. A decisão é inédita no Brasil.

Folga no TJ 2
Se o servidor tiver o azar de fazer aniversário em um fim de semana ou em um dia que já é feriado, não tem problema: ele terá direito à folga no primeiro dia útil seguinte.

Folga no TJ 3
O presidente do TJ-MS, Elpídio Helvécio, faz aniversário em 11 de julho, que neste ano cai num sábado. Logo, ele terá direito à folga na segunda, dia 13.
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É preciso comentar?

sábado, março 07, 2009

"Aliança espúria"

Nesta semana, o Congresso Nacional, por meio do PMDB, deu um exemplo de que cargo no poder é o limite. Graças às articulações de Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor de Melo presidirá (PTB-AL) a Comissão de Serviços e de Infraestrutura do Senado. Assista

No passado, Renan não só apoiou como também esteve no (des)governo de Fernando Collor.

Após a eleição do "caçador de marajás", o senador Aluísio Mercadantes declarou que houve uma "aliança espúria" entra PMDB e PTB. Será que o Partido dos Trabalhadores tem moral política para afirmar isso? Pergunto porque Lula formou uma aliança com o PMDB. Não será aliança espúria o PT formar um governo com o PMDB de José Sarney?

Ora, se não há mais o "purismo petista", ser espúrio é detalhe. De passagem: "espúrio" significa "ilegítimo". Os ideais do PT há um bom tempo deixaram de ser legítimos.

sexta-feira, março 06, 2009

Intolerância Evangélica












O MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) ajuizou uma ação civil pública contra a Rede Record e a TV Gazeta pedindo indenização no valor de, respectivamente , R$ 13.600.000,00 e R$ 2.424.300,00, pela suposta discriminação das religiões de origem afrobrasileira na programação das emissoras.

De acordo com a Procuradoria, programas religiosos exibidos nas redes de TV utilizam há anos expressões que discriminam religiões como umbanda e candomblé, tais como “encosto”, demônios, “espíritos imundos”, “feitiçaria”, além da famigerada “macumba”.

Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, as emissoras não estão imunes de responsabilidade sobre programas feitos por produtoras independentes.

“A Record e a Gazeta são responsáveis pelas ofensas às religiões de matriz africana desferidas reiteradamente pelos programas religiosos veiculados em sua grade de programação”, ressaltou Adriana Fernandes.

Em liminar, o MPF pede que as emissoras interrompam a exibição de programas que façam esse tipo de referência aos cultos de origem afro, e sugere multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da possível decisão da Justiça.

A reportagem de Última Instância procurou a Rede Record e a TV Gazeta, mas até o momento não houve resposta. DireitosA procuradora destaca que os referidos programas ferem direitos fundamentais, como a liberdade de crença e o “respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

“O abuso praticado pelas rés contraria a dignidade da pessoa humana,(...) bem como os próprios objetivos de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, ressalta Adriana da Silva.

Segundo o MPF, em abril de 2008, o Ministério das Comunicações aplicou multa de R$ 1.012,32 às duas emissoras por ofensas às religiões afro, mas na visão da procuradora, a sanção não foi suficiente para acabar com as discriminações praticadas. Por isso pediu indenização equivalente a 1% do faturamento das empresas, que poderá ser revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

Moto & Bicicleta

Até hoje, a Câmara de Vereadores de Rio Bracno não elaborou e muito menos aprovou uma lei para regulamentar o uso da bicicleta em via pública. Sem retrovisores, sem lanternas, o ciclista pensa que no trânsito pode tudo.

Neste vídeo, no bairro Floresta, vi quando a moto bateu na bicicleta, jogando o ciclista longe. O carona da moto quase bateu com a cabeça no Uno parado.

O ciclista estava errado, ele deveria pagar o prejuízo.


quinta-feira, março 05, 2009

Suave e Inocente Loucura
















Um personagem no urbano. A ficção encarnada. A loucura que nos constrange. A liberdade que nos inibe. Teatro. Este homem assemelha-se ao deus Pan.

Escola pública na Ufac

Desde que cheguei à escola Heloísa Mourão Marques, sempre falei para que essa escola pública saísse do descaso em que se encontrava. Nada mais do que minha obrigação. Durantes seis anos, alguns professores elevaram a voz contra o sucateamento moral dessa escola que empilhava a desordem, a arbitrariedade, a preguiça, o descaso, a empáfia, a indiferença, o privilégio para uns e de alguns.

Muitos me viam com olhos antipáticos. O tempo, entretanto, não dilapida o que é sincero. Com outros colegas, professores dedicados à causa de educar, servidores comprometidos com o serviço público, NÓS transformamos a escola Heloísa Mourão Marques, colocando em sua direção a professora-gestora Osmarina.

Falta ainda. Sempre falta. O melhor, nós desejamos cada vez mais. O início foi fecundado, e os frutos brotarão mais e mais. Ainda que Cigliane não seja dessa gestão, os professores contribuíram.

Com 150 pontos, a ex-aluna da escola estadual Heloisa Mourão Marques, Cigliane Feitosa dos Santos, 21, obteve o primeiro lugar geral na Ufac para o curso de Direito. A jovem que concluiu todo o ensino básico na rede estadual comenta que, mesmo ainda existindo falhas, o ensino público tem avançado muito no Acre e que sua aprovação deve servir de estímulo e de motivação para outros jovens.

Na escola Heloísa, precisamos, primeiro, para o próximo ano, saber com exatidão o número de alunos que passarão para a Ufac e, em um segundo momento, propagar o nome desses alunos. Devemos saber criar nossa própria divulgação.

A Secretaria de Educação do Estado, por meio de Josenir Calixto, pessoa que dirige o ensino médio, precisa expor a escola pública por meio de propagandas intensas e muito bem elaboradas. Essas alunas de que passaram para medicina e direito deveriam aparecer na televisão, em propagandas do Estado.

quarta-feira, março 04, 2009

Ausência da ficção















Viver no Acre é ficar privado de bons cinemas e de boas casas de teatro. A inquietude irreverente do imaginário ausentou-se entre nós. Quando uma peça de fora surge, procuro sempre ir.

Se a realidade fosse clara, isto é, evidente, não haveria arte. Ouço com os olhos estas palavras de Gilles Deleuze: "A arte é o mais alto poder do falso, ela magnifica 'o mundo enquanto erros', santifica a mentira, faz da vontade de enganar um ideal superior."

Mais cargo

Na matéria de Nayanne Santana, a Frente Popular cria mais cargos. A oposição não gostou, tudo em vão: o projeto foi aprovado.
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Aleac aprova três projetos
De Nayanne Santana


Os deputados estaduais votaram na sessão de quarta-feira, dia 4, três projetos enviados pelo Executivo. O consenso prevaleceu na aprovação de dois projetos, e eles foram aprovados por unanimidade. Apenas o projeto que reestrutura a Secretaria de Planejamento (Seplands) gerou controvérsias entre situação e oposição. Os oposicionistas questionavam a criação de novos cargos na secretaria; mas, no final, o projeto de lei foi aprovado.

“Esse projeto cria cargos na Secretaria de Planejamento para reforçar o trabalho do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dos empréstimos do Bird e do BNDES”, detalhou Moisés Diniz (PC do B), líder do governo na Casa.

Mais terras

No pacote de projetos aprovados por todos os parlamentares presentes, a sessão realizada na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) também constava que autoriza o Estado a receber doações de terras feitas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Entre as terras que o Estado aguarda receber, estão áreas localizadas em Porto Acre, Senador Guiomard, Plácido de Castro e em Acrelândia.

“Um dos imóveis é destinado à construção de uma escola de ensino fundamental em Porto Acre”, informa o documento enviado pelo Executivo.

Conselho popular

No pacote dos três projetos de lei encaminhados à Aleac, aprovada na quarta-feira, estava o que trata das mudanças na Companhia Habitação do Acre. O projeto tem como objetivo adequar o conselho estadual à lei federal.

“Esse projeto abre espaço para o Movimento de Moradia Popular no Conselho Estadual de Habitação”, afirmou Diniz.

De acordo com informações, a mesma lei federal cria o Fundo Nacional de Habitação (FNHIS) e o Conselho Gestor do FNHIS.

A lei determina que os recursos do Fundo de Habitação sejam aplicados de forma descentralizada, tendo como intermediário o Estado, que deve constituir um conselho que conte com a participação de entidades públicas, privadas e de outras pessoas da sociedade ligadas à área de habitação. A lei assegura que um quarto das vagas do conselho devem ser preenchidas por representantes dos movimentos populares.

Todos os projetos foram aprovados, sendo que apenas um deles, que trata de contratações de servidores para a Secretaria de Planejamento, não obteve consenso. Por unanimidade, os deputados aprovaram a lei que autoriza o Estado a receber doação de terras do Incra e que amplia o número de representantes do movimento social no Conselho Estadual de Habitação.

O secretário em exercício de Habitação de Interesse Social (Sehab), Sebastião Carlos Menegazzo, explica que, com adequação do conselho estadual ao federal, a população terá mais participação. Menegazzo informa que agora serão destinadas mais três vagas para o movimento social. O secretário acredita que isso facilitará a captação e assegura o repasse e aplicação dos recursos destinados a esses programas de habitação.

terça-feira, março 03, 2009

PT, e o Jarbas?















Desde o dia em que a revista Veja publicou as palavras do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), não li um comentário de um deputado petista. Quem diria!

Leia este breve pedaço de discurso do senador.

"Estou nesta Casa há dois anos e um mês, e nada do que afirmei ao repórter Otávio Cabral, da revista 'Veja', difere muito do que eu disse a alguns dos senhores e das senhoras. Nesta mesma tribuna, já critiquei a degradação pública à qual está submetido à qual está submetido o sistema político brasileiro, alertando para a desqualificação moral dos partidos políticos.

A verdade é sempre inconveniente para quem vive da mentira, da farsa e é beneficiário dessa realidade perversa. Eu constatei, senhor presidente, é preciso que se diga isso com clareza desta tribuna, eu constatei o óbvio. Apenas isso. Essa realidade exige ações corretivas correção de rumos e de práticas
."

Será que o PT não luta mais contra a corrupção? Não acredito.

Moisés Diniz tem razão, em parte















Estas fotos não pertencem à realidade do Jordão; pertencem ao Complexo do Alemão. Nelas, eu vejo o que não existe no Jordão: selvageria. Prefiro a selva dos acrianos.










O deputado comunista Moisés Diniz discursou na Assembleia Legislativa do Acre contra a matéria do Fantástico. Sobre Jordão, localizado no Acre, Diniz incomodou-se e comparou: Jordão ou Complexo do Alemão? Favela da Rocinha ou Jordão?

No Complexo do Alemão - rede de favelas localizada perto da Ilha do Governador -, acredito que todos tomem banho sob um chuveiro, mas não creio que tenham a paz, ainda que monótona, que Jordão emite. Eu não gostaria de morar no Complexo do Alemão. Embora não tenha chuveiro nas casas, se eu fosse escolher, passaria meus dias e minhas noites entre os rios, a mata e a preguiça do Jordão.

Por outro lado, o deputado perde quando o ponto é educação. Segundo a matéria da Globo, há um índice alto de crianças fora da escola. Sobre isso, houve o silêncio de um deputado que é líder do governo da Frente Popular.

Leia a matéria da jornalista Nayanne Santana, da TRIBUNA.
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Moisés Diniz diz que matéria sobre o Jordão foi preconceituosa
De Nayanne Santana

O deputado estadual Moisés Diniz (PC do B), líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), criticou a matéria do programa Fantástico, apresentada no último domingo, dia 1°, pela Rede Globo.

A reportagem, que mostrou os quatro municípios brasileiros com os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), apontou Jordão, no Acre, como um dos que tem o pior desempenho no IDH.

“Acho que o Jordão ainda está muito distante de ser o melhor lugar para se viver, mas eu tenho certeza, porque convivo e vivo no Jordão e passo às vezes semanas no Jordão, e o Jordão é muito melhor de se viver do que EM uma favela do Complexo do Alemão ou na Favela da Rocinha”, declarou o parlamentar.

Diniz disse que está aberto para debater com qualquer defensor desse IDH, que, segundo ele, só avalia os critérios urbanos e esquece os “critérios de sustentabilidade, de um jeito diferente de se viver, que é a forma de viver na Amazônia”, afirmou o deputado.

Moisés Diniz sugeriu que o jornal que veiculou a reportagem falando da situação de Jordão e de Tarauacá deveria fazer uma matéria banhando-se no rio Tiete, mostrando que o rio está poluído ou que os repórteres fossem às favelas cariocas entrevistar a população.

“Não vão porque têm medo de levar um tiro de bala perdida, aí vem para o interior da Amazônia, vê um problema de dificuldade de abastecimento e fazem esse Carnaval. É uma matéria mentirosa, preconceituosa, anti-indígena, antiamazônica e antiflorestal”, concluiu Diniz.

segunda-feira, março 02, 2009

O jornalismo dócil das mulheres

Defensora do jornalismo literário, Lillan Ross,
como jornalista, não é dócil.

Texto de Aldo Nascimento

Com miríade de hipertextos disseminados por feixes de luz, prolifera todo tipo de informação em blogs e em sítios - não escrevo site, esta palavra estranha, porque na minha LÍNGUA há outra que substitui o estrangeiro.

No Acre, entretanto, poucos proliferam boa crítica e boa escrita. O blog, sabemos, oferta, por exemplo, a liberdade de escrever, porém a liberdade não implica escrever o que quiser e como quiser, porque, se for assim, não haverá encontro entre leitor e o que é lido. Somos livres, isso sim, para edificar o melhor para olhos que nos leem.

Diante dessa proliferação, fique a melhor escrita. Com tantos blogs, com tantos sítios, permaneça a melhor crítica. No Acre, raríssimos blogs e sítios são bem escritos. Suja-se a língua portuguesa com erros; emporcalham-na com superficialidades profundas, regidas por clichês, por bordões.

Escrever bem. Entre páginas, a escrita de Albert Camus [1913-1960 ] encanta-me por sua elegância, requinte. Jean Daniel, um de seus melhores amigos, conta que Camus encontrava-se exultante quando entrou certa vez em uma boate com seus colegas do jornal Combat, um periódico que resistia à ocupação nazista.

Naquele dia, a edição tinha sido ótima. Ao entrar no bar, o franco-argelino exclamou: "Vale a pena lutar por uma profissão como esta!". Antes de ser um dos maiores pensadores do século 20 e de receber o prêmio Nobel de Literatura em 1957, Albert Camus foi jornalista.

Qual a diferença entre nossas jornalistas e o jornalista Camus? Para mim, uma: só “vale a pena lutar por uma profissão com esta” quando pulsa o vigor incansável de um ideal.

Qual ideal de nossas jornalistas? Sabemos que um homem com poder é um homem que esconde alguma coisa; porém nossas jornalistas, quando moídas e modeladas pela máquina redacional, não desejam des-cobrir o discurso do poder sobre educação, sobre saúde pública ou sobre manejo sustentável. Escrevem para agradar, porque o ideal, se existe um, é se manter no emprego, é se dar bem com todos para, quem sabe, assegurar algo melhor depois. São escravas dóceis sem exigências.

As jornalistas são as mais despossuídas de senso crítico em suas matérias. Indiferentes a des-cobrir algo por que valha a pena lutar, seus textos agradam a todos, principalmente, ao poder. Há mais de dez anos nas Redações acrianas, eu não conheci uma jornalista - e muito menos uma escrita feminina - que exalasse o aroma da contestação ou o charme elegante da crítica.

Na Redação de um jornal, elas são mais domésticas do que na cozinha. Não agradam aos maridos, mas satisfazem as exigências do poder com uma escrita que ainda reproduz o gênero masculino, ou seja, distante, objetiva, dependente do objeto tratado. A escrita de nossas jornalistas, portanto, assemelha-se ao narrador do realismo-naturalista do século 19.

Mulheres que escrevem, mas não conforme o gênero feminino. Buscar esse caminho, o do gênero feminino, no entanto, não passa pelo jornalismo. Explico. Assim como a escrita da História se refez por meio da Literatura, a escrita do Jornalismo também se recriou por meio dessa mesma Literatura. Entre 1930 e 1960, surge o jornalismo literário. Mentira. Bem antes, em 1700, há registros de elementos literários no jornalismo. É verdade que, em fevereiro de 1972, a New York Magazine publicou o artigo O nascimento do new journalism, escrito por Tom Wolfe, mas esse americano não foi quem iniciou o amalgamamento entre jornalismo e literatura. As jornalistas precisam recorrer à literatura para que seus textos não reproduzam o gênero masculino.

Neste espaço de jornal, como não tenho mais linhas para estender minha palavra vã, deixo para teus olhos esta publicação da Rocco: Ficar ou não ficar, de Tom Wolfe, obra em que o jornalismo se comunica com a literatura, leitura obrigatória para as nossas jornalistas que escrevem como homens - às vezes, melhor pôr a mesa para a família, permanecer em casa, colocar as sandálias nos pés cansados do bom marido.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Educação: as marcas da vida

Manoel Jesus,
professor de Comunicação da UCPel

Alguns podem me acusar de saudosismo, mas não é assim. Infelizmente, no que se refere à educação, involuímos, voltamos tristemente para trás. Havia uma fórmula simples, mas eficaz: as famílias davam os primeiros ensinamentos, especialmente no que se referia aos valores e às referências, auxiliadas pelas igrejas, e quando a criança chegava ao ensino formal já tinha um lastro, em condições de alcançar o seu desenvolvimento.

Onde deu errado? Já foi dito: a família foi colocada em xeque, mesmo que não se tenha encontrado nenhuma estrutura alternativa em condições de suprir as carências dos primeiros anos. A mãe, como referência em educação, precisou sair para o trabalho, complementando a renda familiar; enquanto a autoridade do pai passou a ser questionada, nas coisas mais simples, como uma palmada, que pode ser pedagógica, na maior parte das vezes doendo mais em quem dá do que em quem recebe.

As igrejas perderam a sua força e bispos, padres, pastores, hoje, são apenas vistos como “figuras interessantes”, mas não ditam normas e orientações para a maior parte da população. E a educação formal, especialmente a pública, enfrenta grandes e sérios problemas, sem solução a curto ou médio prazo. Isto é um raio-X superficial de uma questão onde as perguntas são muitas e as respostas poucas. Não podemos voltar ao passado para refazer o caminho onde erramos, mas também não podemos descartar as experiências que deram certo.

Tenho visto escolas anunciarem um ensino de qualidade e “puxado”, onde as normas são claras e cobradas dos alunos, professores e pais. E, depois de todas as experiências “democráticas”, os responsáveis entendem que há regras que precisam ser seguidas e produtividade que precisa ser cobrada para que se desenvolvam padrões de aprendizado.

Não estou advogando “linha dura” nos colégios, mas que entre a oferta de ensino, convívio, prática esportiva, muitas vezes a própria alimentação, fique claro para alunos e seus pais que não há vitórias no ensino sem que haja esforço e colaboração. Não há professores “bonzinhos”, ou “maus”. Há preocupação com aqueles que julgam que “dando uma mãozinha”, agora, vão se dar bem mais adiante. Não vão. Esta etapa só pode ser vencida por quem entende que a cumplicidade entre educando e educador está, sim, numa cobrança recíproca que deixe marcas para sempre. As marcas que indicam os caminhos da própria vida.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Eu indico...







O Exercício Ético da Crítica

Vindo da palavra krinein, criticar significa julgar. Havendo isso como princípio, meus alunos precisam da liberdade responsável de julgar minhas aulas para que o ensino público seja exigido a servir sempre o melhor. Julguem-me com inteligência para que eu possa melhorar o ato de lecionar e de educar.

Além disso, por meio do blog das turmas 2º A e 2º B (Criticar para Melhorar), os alunos, expondo seus textos, serão corrigidos em sala e receberão dicar para melhorar os textos. Expor aulas, não ter receio de apresentar meus limites e até meus erros para que outros apontem novos caminhos.

Espero que meus alunos saibam criticar com maturidade. À esquerda, acesse Criticar para Melhorar.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Momo conforme o poder público

Das esquinas dos bairros Aeroporto Velho, Sobral, João Eduardo, Airton Sena até às ruas dos bairros Floresta, Estação Experimental, Tucumã, não vi sinais de vida de uma gente fantasiada para afirmar a identidade do Carnaval. No Acre, os súditos de Momo são insípidos.

Não parte dos bairros rio-branquenses a espontaneidade criativa de blocos ou a originalidade irreverente de grupos fantasiados. À noite, nesses espaços urbanos, preserva-se uma tristeza emudecida. Sem risos pelas ruas, sem mascarados, sem o escárnio das fantasias, o Momo acriano não passa de um roto.

Diante desse rei deformado, resta ao dinheiro público definir e organizar o espaço para que esse reinado adquira formas paraestatais. No Acre, um grupo político no poder define o início e o término da festa, concentrando contribuintes em um lugar cerceado pelo comércio e pelo aparato de Estado. Momo não se espalha pela cidade de Rio Branco, é mais seguro e econômico, segundo a ordem pública, vigiá-lo de perto em um redil. Depois, diante da câmera de TV, o policial militar afirma com satisfação que manteve Momo sob controle. Aqui, o governo organiza até trio elétrico.

Dinheiro público no Carnaval, entretanto, não é exclusividade acriana. No Rio de Janeiro, o caso que mais me chamou atenção ocorreu com a escola de samba São Clemente. Passando por dificuldade financeira, a escola de Botafogo pediu ajuda a César Maia, então prefeito. Ele disse que ajudaria com o dinheiro do contribuinte desde que a escola não apresentasse na Sapucaí um desfile irreverente, desobediente, avesso à normalidade da passarela. Com outras palavras, a São Clemente não poderia apresentar um Carnaval crítico, devendo se submeter, portanto, à domesticação da verba pública, assim como ocorre com as outras escolas de samba. A São Clemente se recusou, preferindo manter um Carnaval autêntico, ou seja, irreverente, desobediente, avesso.

Assim como ocorre no Rio de Janeiro, o poder público acriano corrompe, deforma e aliena o reinado de Momo, e a TV Aldeia, que pertence a um grupo político-partidário, ainda reforça essa aculturação do Carnaval por meio de sua transmissão infantil. Infelizmente, a TV Aldeia não sabe o que fala sobre o Carnaval, porque o que ainda fala não é Carnaval.

Para evitar essa transmissão que não (des)cobre o significado simbólico dessa festa popular, sugiro estudar A História do Riso, de Georges Minois; Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto D’Matta; e A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, de Mikhail Bakhtin. Antes que o prefeito entregue a chave ao rei Momo em 2010, os âncoras da TV Aldeia precisam saber o que falam sobre o Carnaval.

Se a procissão e a parada militar cultuam a reverência, o rei Momo não reverencia os santos e nem as autoridades. Seu reinado, segundo Mikhail Bakhtin, Roberto D’Mata e Georges Minois, promove a inversão ou o avesso depois que recebe a chave do prefeito. Filho do Sono e da Noite, esse mito não merecia que o poder público organizasse o controle contra ele.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Bloco Carnavalesco dos GTs

ou quando se atira no próprio pé.

















Na minha tola juventude universitária, acreditei na pureza ideológica do Partido dos Trabalhadores, época em que o Lulalá discursou em um palanque diante da Candelária, Rio de Janeiro. Seu vice era Bisol, do PSB.

Criticávamos todos e tudo, tínhamos soluções para tudo. Tudo. Sempre votei no PT, ainda sou petista não para adular, para obter algo ou para participar do Bloco Carnavalesco dos GTs, mas para manter esta desconfortável contradição: elogio e crítica.

No Acre, até aonde a informação chegou, os grupos de trabalho pegaram muito mal. Muito. Violaram o correto, o justo.

Bloguista, leia com atenção o que Élisson Miessa dos Santos, procurador do Trabalho, declarou.

"As contratações dos GTs são feitas como se o Estado fosse uma verdadeira empresa, porque os trabalhadores ficam sabendo das vagas de trabalho por meio de colegas ou de familiares e, em seguida, levam seus currículos nas secretarias, que os convidam para uma entrevista e depois são contratados.”

Deixei um pouco de lado, um pouco, aquele tolo ideológico diante da Candelária, ainda votarei no PT acriano, mas mantendo minha lucidez, qual seja: o PT é impuro. Bom saber que ele é feito por mortais, ou seja, ideais também morrem como morre a autocrítica. Criticávamos tudo e todos. O silêncio, hoje, nos alicia. O poder é uma questão de conveniências ou de GTs.
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Governador e secretários assinam TAC
para acabar com GTs

De Freud Antunes

O governador Arnóbio Marques, a procuradora-geral do Estado, Maria de Nazareth Mello de Araújo, e outros 20 secretários assinaram o termo de ajustamento de condutas (TAC) para pôr fim à contratação de pessoas por meio de grupos de trabalho (GT), atividade considerada ilegal pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelo Ministério Público do Trabalho.

De acordo com o contrato, o governador terá até o final de seu mandato - dezembro de 2010 - para eliminar de forma gradual os contratados sem concurso público.

O TAC afirma que os gestores deverão demitir 20% dos GTs neste 1º semestre, 30% no 2º semestre, mais 30% no 1º semestre de 2010 e, por último, outros 20% no 2º semestre do mesmo ano, totalizando os 100%.

De acordo com o procurador do Trabalho, Élisson Miessa dos Santos, os administradores alegaram que precisavam de tempo para realizar as mudanças, pois a eliminação repentina causaria problemas para a administração pública.

Élisson disse acreditar que o TAC deverá atingir de forma direta cerca de mil trabalhadores que não possuem direitos, como férias e 13º.

O procurador do Trabalho foi o responsável pelo acordo, pois iniciou uma investigação há um ano, realizando o levantamento de quantas secretarias estariam utilizando empregados de forma irregular.

“O caso foi descoberto por meio de uma denúncia, então firmamos uma parceria como o MPE, que foi o responsável pelo TAC”, detalhou o representante do MPT.

Durante o inquérito, Élisson descobriu que as contratações por GT eram feitas por meio de análise de currículo, como uma empresa.

“As contratações dos GTs são feitas como se o Estado fosse uma verdadeira empresa, porque os trabalhadores ficam sabendo das vagas de trabalho por meio de colegas ou de familiares e, em seguida, levam seus currículos nas secretarias, que os convidam para uma entrevista e depois são contratados”, detalhou o procurador.

No ajuste de condutas, depois de sanar a irregularidade, o gestor terá 30 dias para enviar as informações para o MPE.

GT

De acordo com o procurador do MPT, o GT só poderia ser oferecido a servidores concursados relacionados ao órgão. O benefício é oferecido por um curto espaço de tempo para que o trabalhador possa realizar funções, além daquelas já desempenhadas.

TCE

O jornal A TRIBUNA divulgou a denúncia da utilização de GTs depois que os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) concederam um prazo de 120 dias para que a Defensoria Pública pudesse extinguir a irregularidade descoberta nas prestações de contas.

Punição

Depois de vencido o prazo dado pelo TAC, o MPE poderá denunciar na Justiça o secretário que não eliminar o problema, sendo processado por improbidade administrativa, podendo perder o cargo, os direitos políticos, tendo que devolver todo o dinheiro gasto com as contratações irregulares, além de ter de pagar uma multa.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

No Acre, o Carnaval é paraestatal

O governo da Frente Popular e suas matérias sobre Carnaval. O estranho é que, sobre a Expo-Acre, as matérias têm outro conteúdo. Para a Expo, cria-se uma imagem diferente. Escreverei ainda sobre isso.

O deputado estadual Moisés Diniz, hoje líder do governo, certa vez disse que a "Expoacre é uma festa popular". Ao seu blog, enviei uma mensagem, criticando seu destempero conceitual. Para um comunista, acho até compreensivo, porque o PC do B nunca compreendeu a cultura brasileira. Os bons livros ou os bons autores registram isso. Enquanto cultuavam a União Soviética, Stalin, Gilberto Freire escrevia "Casa-Grande e Senzala" e Sérgio Buarque, "Raízes do Brasil".

O que a Frente Popular faz é um processo de aculturação do Carnaval, como já ocorre na Sapucaí, Rio de Janeiro, e mais ainda em Salvador, com os abadás. Restou a nós, somente, copiarmos o que passa pela TV, essa aldeia Global.

Mas, como a Globo não mostra o popular Carnaval da avenida Rio Branco e muito menos o reinado de Momo nos bairros cariocas e nos bairros de Niterói, nós, aqui, desconhecemos as fantasias de rua, a grandeza dos blocos, a sátira política do povo, que não é organizada pelo poder público. No Rio de Janeiro, moradores se reúnem para sair às ruas sem precisar de governos.

No Acre, até o governo organiza a festa, estabelece horário. Aqui, o Carnaval, longe de ser popular, é paraestatal. Leia agora a matéria dos que gostam da Expo-Acre.

Carnaval sem exploração sexual e trabalho infantil

Governo do Estado e Prefeitura discutem hoje à tarde estratégias de combate à exploração sexual e trabalho infantil durante o Carnaval

As secretarias de Estado de Desenvolvimento para Segurança Social e de Assistência Social de Rio Branco estão juntas no combate à exploração sexual e do trabalho infantil. A estratégia para o carnaval será definida em uma reunião hoje às 14 horas, no Sebrae da Avenida Ceará.

Vão participar do encontro cerca de 50 técnicos das duas secretarias que irão trabalhar durante o carnaval na tentativa de evitar os crimes contra crianças e adolescentes. (AN do Acre)

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Momo dorme à meia-noite

Dica. Quando você colocar uns R$ 50 no bolso, visite uma livraria de Rio Branco para comprar este clássico: Carnavais, malandros e heróis, de Roberto da Matta.

Entre outras análises, ele interpreta a procissão, a parada militar e o Carnaval. Para compreender um pouco nosso país, suas páginas apontam caminhos interessantes.

















Texto de Aldo Nascimento

No romance “1984”, obra-prima de George Orwell, um personagem cumpre a função de publicar a cada ano um dicionário. “É maravilhoso matar as palavras”, diz o lexicógrafo. Sim, matá-las. Syme, esse personagem a serviço do partido, mata os pensamentos

Se não sabemos o significado autêntico ou original da palavra, se ignoramos sua história, sua vida passada, perdemos a memória e já não sabemos sobre o que falamos. Como pode o pensamento falar se eu não penso a palavra?

Serei óbvio. Embora se proponha a transmitir cultura, a TV Aldeia cobre o Carnaval rio-branquense com matérias que ignoram o que Momo representa. Assim, sem dar sentido original a essa cultura popular, a TV Aldeia nos deseduca porque não sabe pensar a cultura autêntica do Carnaval

Quem é Momo? o que ele representa? por que ele recebe a chave do prefeito? com a chave da cidade, o que ele abre? por que Momo é gordo? se a parada militar desfila quando é dia, por que foliões brincam à noite? se a parada militar e a procissão são sérias, o que representa o riso no reinado de Momo? por que a máscara? qual o sentido da fantasia?

No Acre, o poder público regula o Carnaval, impondo a essa festa um só lugar para as pessoas se concentrarem e submetendo-a a um tempo limitado para ser encerrada. Sem que se espalhe pela cidade, Momo não vara a madrugada porque adormece à meia-noite, embalado pelas mãos controladoras e sérias de homens públicos. No Acre, o Carnaval não é popular – é paraestatal

Todo ano, antes da festa, a cúpula da Polícia Militar se reúne para propagar por meio da imprensa que a segurança será intensa no Carnaval, que policias proporcionarão a tranquilidade. Momo é violento. Na outra ponta de seu discurso, o poder público remodela a imagem violenta de Momo, difundindo a ideia de um Carnaval como antigamente, quando famílias saíam de casa para se divertir, quando crianças brincavam fantasiadas. Assim, para amenizar a imagem de violência, além do discurso de segurança, o poder público associa o reinado de Momo à família, ao doméstico (domesticar) e nivela esse rei à doçura de uma criança (Momo é infantil). Trata-se da aculturação do Carnaval.

Momo está aí segundo a TV Aldeia, conforme a Polícia Militar, segundo a prefeitura de Rio Branco e o governo, e ignoramos o que a chave da cidade, na mão desse rei, abrirá. Perdemos a memória original dessa festa porque não sabemos qual o sentido autêntico das palavras riso, máscara, fantasia. No lugar desse vazio semântico, caricaturamos o falso Carnaval da Sapucaí e o desfantasiado Carnaval de abadás da Bahia. A TV Aldeia transmitirá.

Ortografia. Segundo a lei ortográfica, escreve-se carnaval com letra minúscula por ser uma festa profana, oposta às festas cristãs. Minúsculo, aqui, é questão ideológica. Pois bem, por causa de minhas leituras sobre o Carnaval, registrei a palavra com letra maiúscula por causa de sua grandeza, de sua importância histórica. Carnaval, portanto, um substantivo muito próprio.

sábado, fevereiro 14, 2009

A malandragem do dízimo

Seria bíblico a Igreja cobrar 10% de seu salário?
De Sebastião Ramos
funcionário público federal @gmail.com

Num mundo em CONSTANTE MUDANÇA, tudo se tornou passível de questionamentos e incertezas. "O que era sólido se desmanchou no ar como fumaça", como disse certo analista de renome internacional. Até as descobertas científicas podem ser vistas por outro ângulo. E as crenças religiosas? Também já são observadas com desconfiança; uma que trataremos é sobre a cobrança do dízimo. Numa época passada, quando o dízimo não estava sendo pago pelos fiéis, regularmente, os pastores mandavam as irmãs entoarem um hino de louvor, com o objetivo de fazer PRESSÃO PSICOLÓGICA aos fieis, ou seja, se o dizimista não regularizasse suas mensalidades – o seu voto prometido a Deus - pagar o dízimo até o final de sua vida – estariam cometendo infração gravíssima, e, sendo assim, perderiam o direito de entrar nas moradas de Deus. ‘O QUE A RELIGIÃO NÃO TEM CONSEGUIDO FAZER!’

Perante tantas dúvidas persistirem sobre a cobrança dízimo, surgem perguntas: O dízimo é um mandamento bíblico para o cristão? Devo pagar ou não pagar? Dizem até que o dízimo está na Bíblia; mas, o que representa para os nossos dias? Talvez achem que é um assunto polêmico e difícil de obtermos resposta exata, porém a Bíblia, por advir de inspiração divina, pode nos revelar seguramente como proceder diante deste dilema. (2 Timóteo 3: 16)

Inicialmente, leiamos em nossa Bíblia, Deuteronômio, 26: 12, que diz:"De três em três anos, junte a décima parte das colheitas daquele ano e dê aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas que moram na cidade, para que tenham toda a comida que precisarem. Depois, na presença de (Jeová) nosso Deus, você dirá: "Entreguei aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas a parte das minhas colheitas que pertencem a ti”. Precisamente, o relato bíblico assegura, que, o dízimo era doado voluntariamente, para alimentar as viúvas, os órfãos, levitas e estrangeiros, e nunca foi em dinheiro, apesar de já existir. Hoje, os valores se invertem a medida que as próprias viúvas, que ganham um mísero salário mínimo, são obrigadas a pagar o dízimo, quando deveriam ser beneficiadas por ele. (Leia, Deuteronômio 14: 24 – 26)

Noutra ocasião, quando se juntava contribuições para os necessitados da Judéia, não fora mencionado nenhuma porcentagem específica - 10% - a ser entregue, como prova do seguinte relato bíblico: "Cada um dê a sua oferta conforme resolveu no seu coração, não com tristeza nem por obrigação...” (2 Coríntios. 9: 7). Já nos dias do antigo Israel, também os dízimos eram ofertados em cereais, frutas e gado. Notem: "Eu, Jeová, o Todo-Poderoso, ordeno que tragam todos os dízimos aos depósitos do Templo para que haja bastante comida na minha casa" (Mal 3:10). Quando os fariseus tentaram se justificar perante Cristo por serem fiéis ao dízimo, veja o que ele disse: “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro, e do cominho, mas desconsiderastes os assuntos mais importantes da lei...” Mais uma prova cabal de que o dízimo não era ofertado em dinheiro, mas em gêneros alimentícios. Após a morte de Cristo, esta lei foi ABOLIDA, definitivamente, até a que determinava apresentar ofertas e dízimos (materiais específicos). Portanto, no lugar do dízimo, os cristãos são aconselhados a darem uma oferta voluntária, como disse o próprio apóstolo Paulo: "Cada um contribua segundo o que propôs em seu coração.

A maior das ofertas que o cristão pode oferecer a Deus, hoje, é o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome, ou seja, pregar o Reino, tendo em vista que o Dia de Jeová está próximo e se apressa muitíssimo. É lógico que essas contribuições financeiras são essenciais para a manutenção dos locais de adoração com suas despesas inerentes, não para sustentar uma classe privilegiada de líderes religiosos, pois o apóstolo Paulo afirmou que os cristãos deviam estar preparados para trabalhar e sustentar a si próprio e não ser um fardo para outros, como ele mesmo fazia (Atos 18: 4, 1Cor. 9:13-15). Ademais, por causa da cobrança do dízimo, começam a pipocar casos em que a Justiça tem determinado que algumas organizações religiosas devolvam ao fiel o dízimo que este pagou, mediante recibo.

Uma sentença judicial contra a Igreja Universal do Reino de Deus deixa uma alerta para todas as Igrejas que cobram o dízimo. A referida instituição foi condenada a devolver ao fiel Edson Luiz de Mello todos os dízimos e doações feitas por ele. De acordo com o processo movido por sua mãe, Edson, que é portador de enfermidade mental permanente, passou a freqüentar a igreja em 1996 e desde então era induzido a participar de reuniões sempre precedidas e/ou sucedidas de contribuição financeira. Segundo o advogado, que representou o fiel, Walter Soares Oliveira, a quantia total a ser restituída será apurada com base nas provas, mas certamente ultrapassará os R$ 50 mil. Além de devolver as doações, a Igreja Universal ainda terá de indenizar o fiel em R$ 5 mil por danos morais. No processo consta que "promessas extraordinárias" eram feitas na igreja, em troca de doações financeiras e dízimo. Teria sido vendida a Edson Luiz , por exemplo, a "chave do céu". A vítima também recebeu um "Diploma de Dizimista" assinado por Jesus Cristo. Com isso, as colaborações doadas mensalmente chegaram a tomar todo o salário do fiel, que trabalhava como zelador”. (FONTE: Portal Uai).

Os antigos já diziam: "Podemos enganar as pessoas por um tempo, pela metade de um tempo, mas não por todo tempo". Então, é chegada a hora de se falar a verdade sobre o dízimo, que não é mais bíblica a sua cobrança. As religiões, em sua esmagadora maioria, não praticam as doutrinas da lei mosaica, como guardar o sábado, sacrificar animais, dentre outros; porém, quanto à cobrança do dízimo - dinheiro - não desistem jamais, mesmo sabendo que é um mandamento da lei. Em Gálatas, 3: 10, diz-se: “Os que estão debaixo das obras da lei estão debaixo da maldição...” Realmente, por mais que se sacrifique a pagar dízimos, não seria justificado diante de Deus, porque, segundo a Bíblia, o justo vive em razão de sua fé.

Os líderes religiosos, hoje, falam sobre dízimos de modo discreto porque sabem que não tem base bíblica a sua cobrança, porém, em compensação, investem noutros tipo de marketings para fazerem negócios das pessoas como afirma uma profecia bíblica. Exemplos: Em certa religião, um cartão de ouro é proporcionado por mil reais para quem desejar se tornar parceiro de Deus, mas também tem o de prata e o de bronze, com preços menores. Outras religiões apelam para o sensacionalismo midiático por afirmar que, se os fiéis não derem suas ofertas alçadas, o programa sairá do ar e muitas almas ficariam penando pelo mundo afora. Com tanto dinheiro arrecadado, é provável que digam em suas camarinhas: “E viva o dinheiro – o nosso céu”.

Concluindo, podemos observar nos textos bíblicos, que não há ORDENANÇA nenhuma para o cristão ser dizimista e, sim, um ofertante voluntário.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Carnaval antecipado

Como iniciar 2009? Pensei em ser um elegante e simpático cínico para viver bem com todos. É tão bom viver bem com as pedras, com as árvores, com as nuvens, com os vizinhos e, principalmente, com os que estão no poder.

O poder, entretanto, sendo de esquerda ou não, incomoda-me. Minha mãe me ama, mas aponta meus defeitos. "Filho, você fez errado." O PT também erra. O PC do B também erra. O jornalista Freud Antunes publicou uma matéria que expõe um erro da Frente Popular.

Depois que a li, percebi que o Carnaval chegou mais cedo neste ano, por isso estou neste blog pouco lido para publicar o texto desse repórter e depois comentarei um pouco.

Governo do Estado afirma que extinguirá GTs

Por meio da assessoria de imprensa, o governo do Estado admitiu ontem que existem trabalhadores contratados por meio de grupo de trabalho (GT), mas não informou quantas pessoas estão nessa situação.

A única notícia dada pela assessoria é que o Secretário Estadual de Fazenda (Sefaz), Mâncio Lima, estaria se reunindo com o Ministério Público Estadual (MPE) e com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para extinguir de forma gradual as vagas abertas por meio de GTs.

O tema veio a público nesta semana depois que os conselheiros do TCE decidiram notificar os gestores, dando um prazo de 120 dias para resolver o problema.

De acordo com o presidente do Tribunal, José Augusto Araújo de Faria, o GT é uma gratificação dada aos servidores que estiverem realizando um trabalho extra em sua repartição, um valor dado com o objetivo de oferecer uma compensação.

“Outros órgãos também estão utilizando os grupos de trabalho como alternativa à proibição de contratar as cooperativas, mas as duas formas são irregulares, porque a legislação afirma que é necessário ser servidor contratado por concurso público”, falou o conselheiro Antônio Malheiro durante o seu voto de pedido de notificação dos gestores, na quinta-feira.

Após o prazo, os conselheiros prometem encaminhar ao Ministério Público Estadual (MPE) os casos irregulares.A contratação sem concurso público é crime de improbidade e pode fazer o gestor perder o cargo, além de ter os direitos políticos cassados.
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Criticamos tanto o empreguismo; mas, segundo a matéria, a Frente Popular cometeu uma ilegalidade, uma injustiça.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Retornarei quando for Carnaval



Últimas horas de 2008, ano que levou Feyndews e meu amado tio-pai, o Dílson Tavares. Quando o Carnaval bater à porta, retornarei com um texto sobre a Festa de Momo.

Quando essa festa chegar, o governo propagará, mais uma vez, que está fazendo tudo para conter a violência no Carnaval, mas esse mesmo governo não fala em violência quando a Expoacre chega.

Por isso, quase todo ano, escrevo sobre o Carnaval ou faço uma matéria para mostrar que o sentido autêntico dessa festa está se perdendo aos poucos. A TV Aldeia, que fala tanto em cultura, nunca apresentou uma matéria original sobre Momo, jamais informou de forma autêntica sobre o Carnaval.

Bem, retornarei quando a festa chegar.

Que venha 2009, mas só depois das férias e com a reforma ortográfica.

A Antônio Alves

Não sei se Toinho se lembra, mas, na varanda de sua casa, conversamos por mais de duas horas, faz tempo. Palavras misturaram-se ao orvalho da noite. Gosto muito de sua fala. Gosto muito de sua escrita. Sua palavra é simples como é simples a paisagem acreana.

Conheci-o no PT, em 1992 ou em 1993, não sei. É um dos bons quadros do PT acreano. Na última propaganda eleitoral, suas ótimas crônicas salvaram os programas ruins da Companhia de Selva. Só assitia ao programa do PT para ouvir sua ironia, sua graça.

Boa pessoa, ser humano que luta da sua forma contra injustiças. Alguém como poucos. Ele é um desses acreanos por quem guardo apreço e admiração. Incapaz de fazer o mal contra alguém, Toinho resiste à mediocridade, à vulgaridade. Pulsa nobreza em sua alma.

Hoje, por estar no poder, compreendo sua situação, não podendo ser mais o homem crítico que fora um dia. O poder, sabemos, exige limites, e Toinho encontra-se no limite. Falar contra pensão vitalícia de governadores, falar contra uma revolução inexistente na educação, por exemplo, seria impróprio para quem está no poder. Eu compreendo.

É claro que perdemos com isso, mas talvez não seja o momento de o PT receber críticas, porque é preciso ainda melhorar este Estado. Eu acredito que o PT não irá se superar, não apontará caminhos profundos e novos, por exemplo, para a educação e muito menos negará um dia as pensões dos governadores. Para mim, o PT será seduzido pelo poder e, aí então, não conseguirá se superar.

Quando esse dia chegar, quando ramais forem asfaltados, quando os prédios todos forem reformados, quando pontes e viadutos forem contruídos, outros caminhos precisarão ser apontados, por exemplo, na educação. Para tanto, a autocrítica será indispensável.

Adversários, nós não os criticamos: debochamos, ironizamos, nós os ridicularizamos. Um partido em que acreditamos, por exemplo, o PT, nós criticamos, porque sabemos que a crítica é uma forma de exigir mais ainda o melhor, por isso teci minha crítica a Antônio Alves - ele pode ser ainda melhor.

domingo, dezembro 28, 2008

Do gado da reserva extrativista ao gado do rodeio

Primeiro, ouvi o que o jornalista Antônio Alves expressou quando recebeu o Prêmio Chico Mendes. Depois, com muita atenção, li o texto. Em blog e em jornal, propagou-se a idéia de que Antônio Alves é uma voz crítica dentro do poder, até Altino Machado concordou com isso.

Se fosse voz crítica, o bom Toinho Alves não estaria no poder. Como permanecer nele se sua fala se opõe à pensão vitalícia dos governadores? Como permanecer nele se sua fala propaga que não houve revolução na educação acreana? Sobre pensão e pseudo-revolução, silêncio.

Quando digo voz crítica, refiro-me a uma voz que emite rupturas. No poder, com seus amigos, Toinho não promove rupturas, mas se conserva no poder para pagar a conta de luz, as compras do mês, o crediário, para receber prêmios - coisa de que não gosta, disse certa vez.

Quando os senhores falarem de voz crítica, por favor, citem Frei Beto, por exemplo. Ele saiu do poder e revelou em livros o que blogs e jornais não publicam.

Neste pequeno mundo chamado blog, deixo aos teus olhos meu último artigo deste ano. Queria muito, minha mãe, que a senhora o lesse para comentá-lo, porque a senhora é a única que acessa minhas vãs palavras. Meu sonho desde criança, a senhora sabe, era ser um Altino Machado para não ser acessado só pela senhora. Paciência, sou um fracassado.














Do gado da reserva extrativista ao gado do rodeio
De Aldo Nascimento

Por sua natureza, o Estado precisa inventar heróis. No Acre, seria diferente? Entre árvores copadas, em plena Floresta Amazônica, surge um herói com farda e patente para militarizar a virtude. Outro herói emerge entre árvores depois que os gringos o projetaram para o mundo. Plácido de Castro, idealizado pela propaganda de Estado, e Chico Mendes, modelado pela comunicação de massa, não só se opõem como também deformam o que Mário de Andrade e Oswald de Andrade pensaram sobre a identidade de um povo, sobre a imagem de uma cultura.

Por meio de seus heróis, o Estado quer convencer, educar, disciplinar, ordenar e, por outro lado, tende a propagar uma ideologia que pode aborrecer ou irritar. A cultura do Estado é forçada, quer adaptar o público à sua cultura. Se tais heróis aborrecem, se eles irritam, é porque não foram germinados no solo fértil da cultura popular.

Zumbi dos Palmares, degolado em 20 de novembro de 1695. O negro jamais colocou seu herói em uma procissão cristã e nunca precisou do Estado ao longo da história para patrocinar sua lembrança. O passado do negro permanece intensamente vivo porque sua cultura, encarnada em seu corpo, dança, musicaliza, canta, veste-se e exporta moda, ou seja, sua cultura cicatrizou-se no modo ser, de existir, de falar.

Qual o herói do seringueiro? O Estado idealizou um. A comunicação de massa modelou outro. Mas onde encontramos a cultura do seringueiro encarnada no corpo social? Qual a dança do seringueiro? Qual a música do seringueiro? Qual o canto do seringueiro? Quais as vestes do seringueiro que exportam moda?

Por meio da Rádio Difusora, o seringueiro manda sua mensagem; hoje, porém, sua fala passa por uma limpeza. Se ele escreve em sua mensagem “Toin”, a rádio o corrige, o certo é “Toinho”. Em Cruzeiro do Sul, o professor-doutor Milton Chamarelli Filho chegou à conclusão em sua pesquisa de que a cultura da fala acreana está deixando de existir, eu acredito que seja por causa dos veículos de comunicação de massa. No caso da Rádio Difusora, que pertence ao Estado, a fala do seringueiro está passando hoje por uma assepsia: “Toin” é uma infecção lingüística. Assim, sem música que nos faça dançar, sem canto que nos faça sonhar, sem vestes que exportem moda, o seringueiro tem sua fala roubada, mas em troca recebe um herói modelado pelos veículos de comunicação de massa e outro idealizado pelo Estado.

Chico Mendes, segundo a cultura de Estado, é herói de um povo, e, por ser herói, um grupo político premia e premia-se; entretanto, na reserva extrativista que leva seu nome, seus ideais foram pro brejo, menos a vaca e o boi. O gado ri de nós, porque, enquanto sublimamos Chico Mendes, suas idéias pastam em sua reserva.

Esse, no entanto, ainda é o mal menor. Mal maior é quando a pecuária nos veste com suas botas, com suas calças justas e cintos largos, com suas blusas, com seus chapéus para o acreano José da Silva, que veio do seringal Redenção, ser chamado de cowboy. Ele ainda ouve música sertaneja e dança. Mal maior não é o gado na reserva, mas a pecuária transfigurada em cultura. Ele veio do seringal, é um jovem seringueiro, mas José da Silva encarna o modo de ser do rodeio.

O Estado pode inventar heróis, idealizá-los para nos convencer, para nos educar, propagando uma ideologia que aborrece e irrita por ser ela forçada e por querer adaptar o público à sua cultura pesada, mas os mitos que criam comportamentos são outros.

Depois que lemos Mitologias, de Roland Barthes, podemos afirmar que o cowboy é um desses mitos que, vindo da pecuária e oposto à cultura enfadonha do Estado, faz tudo para agradar, divertir, recrear. José Silva sai do seringal para ir ao rodeio porque o cowboy o despersonaliza como seringueiro para, em um segundo momento, repersonalizá-lo por meio da bota, da calça justa com cinto, do chapéu, da música sertaneja, da dança. Senhores, o gado na Reserva Extrativista Chico Mendes é mal menor. O mal maior é a pecuária agenciando a fantasia.

Heróis de um povo segundo o Estado. Leiamos Macunaíma, de Mário de Andrade. Leiamos Oswald de Andrade.

sábado, dezembro 27, 2008

Deputados gastam mais de R$ 1 milhão

De Freud Antunes

Os deputados federais do Acre gastaram juntos R$ 1.129.739,87 com verbas indenizatórias em 2008. O valor desperdiçado com hospedagens, com materiais gráficos, com gasolina, com transporte, com aluguéis de carros e até com o pagamento de consultorias daria para pagar mais de 2,7 mil assalariados.

Ilderlei Cordeiro (PPS) foi o congressista que mais gastou nos últimos 12 meses, atingindo a cota de R$ 179.955,25, utilizada para pagar transporte, hospedagem e combustíveis. O segundo lugar ficou com Perpétua Almeida (PC do B), que fez uso de R$ 179.917,33.

O curioso é que, mesmo com o chamado recesso parlamentar em janeiro, eles chegam a utilizar até R$ 22 mil, como é o caso de Sérgio Petecão (PMN), que aplicou o dinheiro público em aluguéis de imóveis (R$ 2 mil), em combustíveis (R$ 4,5 mil) e em consultorias (R$ 4 mil).

Do dia 1º até o dia 27 de dezembro, Perpétua Almeida foi quem mais gastou a verba indenizatória, chegando à marca dos R$ 22.549,33, sendo que foram destinados R$ 17 mil apenas com transporte, com hospedagem e com alimentação.

O benefício pago com o dinheiro do povo foi criado em 2001 para que o parlamentar possa gastar como for de seu interesse, apresentando apenas uma nota fiscal.

Os valores referentes aos gastos parlamentares são encontrados no sítio da própria Câmara dos Deputados: www2.camara.gov.br/.

Aluguéis
Nos benefícios oferecidos aos deputados, está um gabinete dentro do Congresso, um apartamento funcional e um auxílio-moradia, mas, mesmo com todos esses itens, eles ainda chegam a gastar de R$ 400 a R$ 8 mil com aluguéis conforme a planilha divulgada na internete. Os custos não são fixos, podendo chegar a R$ 408,21 em um mês e R$ 6 mil no outro, como é o caso dos valores pagos a Fernando Melo (PT).

Outros gastos
Para não tirar um tostão do próprio bolso, os parlamentares ainda possuem outras regalias, por exemplo, verba de gabinete (R$ 50 mil), auxílio-moradia (R$ 3 mil), cota de gasto postal e telefônico (R$ 4,2 mil), cota de gasto com publicações (R$ 6 mil), cota de passagens aéreas (de até R$ 16 mil) e o próprio salário de R$ 13 mil.Na soma de todos os gastos, cada parlamentar gera um custo de mais de R$ 100 mil por mês, o que ainda não está incluído o plano de saúde e as sessões extras.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

O quê? Onde? Por quê?












Ninguém aprendeu isso na auto-escola.

Quando vai à rua para trabalhar, Selmo Melo sempre fica atento às placas em Rio Branco. Desta vez, esse repórter-fotográfico não deixou essa passar.

O que um aluno de uma auto-escola faria diante dessa placa?

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Meu Natal













Com quem passarei meu Natal? Minha amada filha, meu único sangue neste chão, passará com a mãe. Longe de meus pais, de meu irmão, de meus primos, de meus tios e de meus bons amigos, eu passarei meu Natal com ela, minha única família neste Acre. Não é sangue do meu sangue, mas é alma de minha alma: Mony.

Falta pouco para a grande ceia, só que a nossa não se prepara na cozinha. Nós preparamos a carne no banheiro. Compramos ervas e perfumes para que a carne exale aromas antes da fome ser saciada.

Com a paciência santa dos que cuidam do que é mortal, nós a limpamos com água e sabonete, e com a alegria serena nas faces por sabermos que a carne não é eterna. Zelar pelo que morre, pelo que jamais retornará aos dedos, às mãos. Ao toque.

Agora, agora sim, espalharei sobre a carne ervas e perfumes, porque hoje é Natal, porque a vida renasce no amor que tenho por ti, Mony.

Falta pouco para meia-noite. Por favor, meu amor, ponha a tua carne sobre a cama para eu colocar a minha sobre a tua, e, uma vez bem postas, temperaremos nossas partes com o suor profano dos mortais que estão de bem com a vida.

Feliz Natal!!!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Até fevereiro


Saborosa Saquarema.

Paz





Entre Maricá e Saquarema, 45 minutos ao volante. Depois de Saquarema, Araruama e, depois, Arraial do Cabo e Cabo Frio. À beira mar, em um quiosque, um prato caseiro barato e muito bom. Um bife acebolado, um feijão carioca, muita sardinha e, diante dos olhos, o aroma do mar.
Finalmente, ele: o descanso.

Fui










Ponta de Maricá ou Ponta Negra, lado esquerdo. Do lado direito, Jaconé, caminho à beira mar até chegar a Saquarema.

Férias










Para os lados de Niterói, no Rio de Janeiro, Maricá é um município charmoso e tranqüilo. Montanhas e mar dão uma beleza única a essa Região dos Lagos. Vou descansar, rever meus pais, meu irmão.

Retorno só em fevereiro ou mais depois. Que tal uma licença-prêmio?

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A Primeira Vez (5)













Ao microfone, o professor Tadeu. Após a fala da gestora Osmarina, nosso colega agradeceu a Deus.

Ótimo encontro. Primeira formatura. Quero outras.

A Primeira Vez (4)













Abaixo, canto direito, minhas três alunas: Jaqueline (D), Fernanda e Tatiane (E). Que a vida as recompense com a inquietação de transformar sempre realidade de teus semelhantes.

Meninas aplicadas. Espero que alguma palavra minha tenha atingido vocês.

A Primeira Vez (3)












O jantar da formatura, além de ótimo, localizou-se na escola, ficou muito bom. O próximo deve ser no mesmo local. Tudo muito bem organizado.

Fiquei à mesa com colegas de profissão. Ótimo momento.

A Primeira Vez (2)













A gestora Osmarina sabe que transformar velhos e viciados hábitos é muito difícil. Essa formatura, a primeira da escola, é o início de outras.

Uma festa assim é uma forma de reconhecer um no outro, o trabalho de equipe, a importância da escola na vida das pessoas.

A Primeira Vez (1)













Foi a primeira vez que a escola Heloísa Mourão promoveu uma formatura. Alguns são responsáveis por isso, por exemplo, a gestora Osmarina e o professor Fernandes. Gostei muito desse momento, fato que eu desejava há anos. Foi muito bom. Foi ótimo.

É verdade que poucos professores foram. Uns viajaram e outros não apareceram por causa do descaso, da indiferença, do desinteresse. Muito alunos pagaram o evento, mas, sem explicação, faltaram.

A foto registrou o momento em que o Hino Nacional é cantado.

Professora Osmarina, parabéns!

Não sei de nada












Já pensou se foto de transeunte fosse enviada ao Detran para justificar uma multa?

Alimentassão













Em Rio Branco, no bairro Sobral, encontramos lugares que servem palavras. Comer na "penção" com um bom "mollho" deixa a LÍNGUA passar muito mal.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Eles e o revisor

Internete, megassena, caxinauá e o revisorzinho

No sábado, dia 13 de dezembro, dei uma carona à charmosa e simpática Alessandra Machado, editora-chefe do jornal A TRIBUNA. Se era a noite de Chalub Leite no teatro Plácido de Castro, o prêmio maior destinou-se mais uma vez a elas, às palavras.

O jornalista premiado, portanto, é aquele que escreve as melhores palavras. E elas, para serem melhores, divorciaram-se dos erros de português. Ora, decretada a dissolução entre o repórter e os erros, Chalub Leite premia o jornalista, mas não o co-autor do texto jornalístico, ele: o revisor.

Limpar texto de jornalista, retirar desse chão textual sujeiras que emporcalham a língua portuguesa. Algumas ainda ficam. Todo dia, o repórter deixa cair em sua sintaxe lixos de regências verbal e nominal, entulhos incorretos de vírgulas.

O revisor, sabemos, é o gari da redação. Talvez por isso que ele seja o menos importante no jornal, porque, assim como todo mundo pode limpar uma casa ou varrer uma rua, também toda pessoa alfabetizada pode limpar melhor a palavra do que um gari de redação.

Um secretário de Segurança ri de um revisor quando este escreve “caxianauá”. Os diagramadores debocham de um revisor quando este corrige o texto do repórter para escrever “megassena”. O repórter-fotográfico ridiculariza o revisor quando registra “internete”. O que pode um gari argumentar diante desses estudiosos da língua portuguesa?

Lixeiro, como sabemos, recebe pouco por mês, menos que um diagramador, bem menos que um repórter-fotográfico, não tendo condições, portanto, de comprar livros de Evanildo Bechara, de Celso Pedro Luft, de Celso Cunha, de Pasquale Cipro Neto, de José Carlos de Azevedo, de Adriano da Gama Kury, de Sérgio Nogueira Duarte da Silva, de José Nicola, de Antônio Houaiss, de Eduardo Martins.

Assim, sem dinheiro para comprar bons livros sobre a língua-pátria, o gari de redação deveria escrever “mega-sena”, porque, nos letreiros de casas lotéricas, escreve-se assim, ou seja, escreve-se como a rua registra a palavra, ou melhor, joga-se com a palavra assim como apostadores jogam com os números. “Todo mundo escreve ‘mega-sena’, menos A TRIBUNA”, falam-me.

Isso faz lembrar aquele personagem popular de Ariano Suassuna quando perguntam a ele a razão de ser assim: “Não sei, só sei que foi assim”, responde Chicó, do livro Auto da Compadecida. Por que se escreve “mega-sena” e não “megassena”? “Por que se escreve “internet” e não “internete”? Por que se escreve “aldeias Kaxinawá” e não “aldeias caxinauás”? E aí eles responderão: “Não sei, só sei que escrevem assim.” E como a rua escreve assim e como muitos escrevem assim, pronto, o gari não sabe limpar o chão. O revisorzinho está errado. Afinal, ele é um só, ele é só um, e as casas lotéricas são muitas com suas “mega-senas”.

Mas quem disse a vocês que eu jogo com as palavras?

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Chuva no Primeiro Mundo


Foto
de Selmo Melo

Não sou contra a terceira e a quarta pontes ou contra a bela passarela, mas deixar o pronto-socorro assim é sacanagem, só porque os carros não passam por ele. Aqui, não se senta a classe média ou política. Aqui, sentam-se faxineiras, domésticas, classe social que coloca os filhos em escola pública.

Ontem, resolvi meter uma bala na cabeça, coisa de suicida. Mas, por pura incompetência, acertei o meu pé esquerdo. Resultado, o Samu me deixou no pronto-socorro. Chovia muito lá dentro. "O senhor não trouxe o guarda-chuva?", perguntou-me a atendente. "Não sabia que tinha que trazer." Não fui atendido.

Na próxima vez que eu cometer um suicídio fracassado, irei para um pronto-socorro da Suíça. Lá, não neva, no hospital.

Sinjac

"Ontem, o jornalista-escritor Zuenir Ventura abriu no Teatro Plácido de Castro a Semana Chico Mendes de 2008 e a Semana de Comunicação do Sinjac, com um bate-papo sobre o livro Crime e Castigo, que reúne reportagens sobre o líder seringueiro desde seu assassinato, em 1988. A semana acontece há 20 anos, e toda a programação é aberta ao público."

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Acre, Marcos Vicentti, age muito bem quando proporciona uma mesa-redonda sobre conteúdos interessantes. Pena que Sinteac e Sinplac não promovam encontros assim sobre educação de forma contínua e cíclica.