sábado, agosto 08, 2015

Idade Média (476-1453)


1. A Fé e a Lógica


a. A reforma educacional de Carlos Magno (século VIII), a fim de fortalecer a unidade de seu império, estabeleceu, por meio do monge beneditino Alcuíno, as artes liberais, o trivium: o ensino literário (gramática, retórica e dialética); preparando o caminho para o Renascimento do século XII;

b. Antes, no século XI, alguns sacerdotes da Igreja  já tinham o ardor da dialética e da retórica. Pedro Damião (1007-1072) queixava-se de que o interesse era pelo seu estilo, pela sua eloquência, pela sua sutileza dialética, pelo silogismo, e não o interesse pela verdade do conteúdo. Até o dogma foi submetido à dedução silogística. Por causa disso, Pedro Damião rejeita a razão dialética porque ela não pode questionar a autoridade. Cristo é a autoridade maior e única, e não Aristóteles com sua razão. Monge não precisa de filosofia, mas Pedro Damião usa a filosofia contra a filosofia. Para Anselmo de Cantuária (1033-1109), “não se compreende para crer, mas, ao contrário, crê-se para compreender”. Anselmo trilha o caminho da lógica; e


c. O ápice dessa razão é Guilherme de Ockham (1288-1347).

quinta-feira, julho 30, 2015

A fala no espaço sindical



Ver a imagem e não pensar a imagem, mas a aparência deve ser lida para que tenhamos um pouco de profundidade. Um pouco.

A foto, reunião de professores paralisados e, diante deles, um professor fala para todos. Mas foto, sabemos, não emite som. 

Imagem comum. Imagem habitual. Imagem tradicional. Em que sentido comum, habitual, tradicional? O sentido encontra-se, claro, no que vemos. 

Mas o que é comum? Mas o que é hábito? Mas o que é tradição? O que é esse comum? O que é esse hábito? O que é essa tradição nesta foto?

Os professores que estão na foto respondem a isso? Ele desejam refletir sobre isso? O que a foto diz por meio de pensar isento de ideologias?

Esse, portanto, o abismal problema de muitos professores: eles não pensam - e nem querem - o que veem em suas próprias práticas.

segunda-feira, julho 27, 2015

Para um ex-senador, é muito pouco


A forma como professores agem contra o governador do Acre é a mesma como professores de São Paulo e do Paraná agiram neste ano contra seus governantes. Há um padrão CUT de luta, modelo que tem como estrutura estruturante uma rede de conceitos, um deles, o conceito de práxis. Sem repensar palavras, sem repensar conceitos, o agir sempre será o mesmo, ou seja, a luta sempre será o confronto físico ou o confronto verbal bem chulo. Inteligência limitada e ausência de criatividade eternizam e limitam a luta da educação.

Embora discorde desse padrão CUT, discordo mais ainda quando um ex-senador da República só escreve aos professores quando estes não servem às propagandas de Acre Feliz na Escola Pública do governo petista. Eu disse ex-senador, eu não disse professor que leciona todo dia em salas de aula sem ares-condicionados. Aníbal é ótima pessoa, ótimo amigo, ótimo marido, ótimo pai, ou seja, isso não me interessa, pois o que me interessa aqui é que, enquanto homem partidário e governista, escreve para justificar o “momento inoportuno” dos professores e para defender um partido que está governo há quase 20 anos.

Vamos às palavras do ex-senador.

O desconforto causado pelo barulho e pela longevidade, apesar da pouca adesão, da greve dos trabalhadores da educação, chama a atenção de todos. Por isso, dedico algumas linhas de reflexão sobre o assunto.
Antes, o ex-senador, formado em história, desconhece o que seja o uso correto da vírgula; erro, para mim, inadmissível vindo de um homem público que só ocupou elevados cargos no PT ou na República.
Observado isso, evidente que neste parágrafo os professores causam desconforto por causa do barulho e da longevidade da greve dos trabalhadores da educação. Greve, por sinal, com pouca adesão. Sobre esse assunto, sua reflexão.


Antes de tudo, quero deixar claro que não há dúvida quanto ao direito de greve, à livre manifestação e à justeza da reivindicação salarial de professores e outros profissionais da educação.
Aqui, o ex-senador reconhece direito de greve, livre manifestação e justeza da reivindicação salarial.

Então, ele refletirá qual assunto, o do primeiro ou do segundo parágrafos?



O problema é o momento inoportuno em que se dá o movimento, num cenário de crise profunda da economia nacional, com reflexos inevitáveis na diminuição dos repasses para estados e municípios.
Eis a resposta: ele não pensará direito de greve, livre manifestação e justeza da reivindicação salarial, e sim barulho e longevidade da greve dos trabalhadores da educação, pouca adesão. Não é isso?


Eu não tenho informação precisa do tamanho do comprometimento do orçamento do Acre com o pagamento de pessoal, mas sei que, desde a implantação do PCCS – Plano de Cargos, Carreiras e Salários no primeiro governo de Jorge Viana, a folha de pagamento vem tendo crescimento automático superior a 0,5% a cada mês.
Aqui, entra não os professores, mas o governo do PT. Embora seja ex-senador, Aníbal não tem informação exata do comprometimento do orçamento estadual com o pagamento a funcionários. Não tem informação exata. Deveria ter. Eu diria ainda: muito exata. Mas ele sabe, com precisão, que a folha de pagamento cresce 05% a cada mês.

Até aqui, o texto de Aníbal Diniz desqualifica os professores paralisados (desconforto, barulho, pouca adesão) e qualifica o governo de Jorge Viana. Outra observação: o ex-senador coloca um só travessão, o que, nesse caso, está errado.


E posso afirmar, sem risco de cometer impropério, que o maior investimento do Governo do Acre na era das administrações do PT e da Frente Popular, sempre foi na melhoria das condições de trabalho e de salário dos servidores, chegando ao patamar atual de R$ 160 milhões mensais com o pagamento da folha.
Amplia seu elogio ao governo (melhor condição de trabalho, de salário e R$ 160 milhões mensais ao pagamento) e permanece a errar ao usar a vírgula.   


Para quem tem dúvida a respeito, é só fazer algumas comparações: se somarmos todo investimento que o Governo do Estado fez na BR – 364 entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul ao longo dos últimos 16 anos será seguramente menor que o investimento anual que o Estado faz com o pagamento dos seus servidores. O mesmo pode ser feito com o montante investido na construção de milhares de casas na cidade do povo, no complexo da piscicultura, na aquisição de máquinas agrícolas ou no programa ruas do povo.
Para quem tem dúvida, basta, segundo Aníbal, comparar e, para tanto, devemos somar todo investimento do governo na BR-364 (Rio Branco-Cruzeiro do Sul) durante 16 anos. Depois, esse valor somado é menor do que o investimento anual do governo petista para a construção de milhares de casas na cidade do povo, para o complexo da piscicultura, para a aquisição de máquinas agrícolas ou para o programa Ruas do Povo.

Uma pergunta: onde está a reflexão anunciada no primeiro parágrafo? Outra pergunta: onde estão os professores? Até aqui, Aníbal cumpre sua função, que não é refletir, mas defender o seu governo, ou seja, o seu salário.


Todos os investimentos feitos nos maiores programas e políticas públicas do Governo do Acre não se comparam aos investimentos feitos a cada ano no pagamento dos funcionários públicos. Ouvi o anúncio do governador de que destinará R$ 260 milhões para o programa Ruas do Povo em 2015, ao passo que, também em 2015, serão investidos mais de R$ 1,92 bilhão (Um bilhão e 920 milhões) sem contar com o 13º, em pagamento de servidores.
Seu aqui se repete nas primeiras linhas. Retorno fixo de ideia ao próprio governo. Depois, ele especifica (R$ 260 milhões) para o programa Ruas do Povo em 2015 e mais R$ 1,92 bilhão no mesmo programa. Por fim o 13º.

Até aqui, não há professores mas servidores, ou seja, Aníbal enxerga o todo, e não uma parte desse todo, no caso, os professores. Outra observação: onde está a reflexão?   

Isso quer dizer que os servidores ganham muito? Não! É apenas uma demonstração de que o Governo faz o que pode, dentro de suas condições e limitações, para manter o pagamento de pessoal em dia, com uma folha que cresce vegetativamente, com as chamadas vantagens e puladinhas, a cada mês.
Quase 20 anos de PT, e os servidores não muito, porque, dentro de suas condições e de suas limitações, o governo faz o que pode. O governo do Modo Petista de Governar (lembra-se?) faz o que pode. O partido do Orçamento Participativo (lembra-se?) faz o que pode. O partido da Ética (lembra-se?) faz o que pode para manter o pagamento de pessoal em dia, e aí Aníbal escreve “com uma folha que cresce vegetativamente, com as chamadas vantagens e puladinhas”. Qual o sentido de “vegetativamente”? Aqui, diferente quando é governo, ele critica, mas não se aprofunda, não expõe abertamente seu pensamento quanto ao “vegetativamente”. Aqui, ele fala, finalmente, dos professores, mas deixa sua crítica subentendida.

Além do mais, já tivemos exemplo de irresponsabilidade no passado, durante o governo Romildo Magalhães, em que o Governo cedeu à pressão dos funcionários e o resultado foi de gravíssimas consequências para todos: primeiro, porque o Governo teve que lançar mão do fundo previdenciário dos próprios servidores (o que se espera que nunca mais aconteça!) e depois foi o histórico atraso no pagamento dos salários. Ou será que já nos esquecemos de que quando Jorge Viana assumiu o Governo havia atrasos de três, quatro e até cinco meses de salários para algumas categorias?
Uma das marcas do neurótico é a repetição. Desde que chegaram ao poder, os petistas remetem-se ao passado, e eles remetem-se ao passado para que o mal não retorne. Aníbal é o bem. O seu grupo, ungido por Deus. Aqui, mais uma vez, seu texto existe para o governo e, para isso, só colocou os professores no primeiro parágrafo como meio.  
 
Temos que cair na real! Vivemos um momento de crise profunda, com acordos de redução de jornadas de trabalho e redução de salários para a preservação dos empregos em muitas indústrias dos grandes centros econômicos do país, e o melhor que podemos fazer, como Estado pobre que somos, é usar do bom senso!
Só o governo cai na real, os professores não caíram na real. E aí surge “Estado pobre que somos, é só usar o bom senso”. Estado pobre, mas... pensões altíssimas para ex-governadores. Estado pobre, mas... DAS altíssimos para amigos e partidários. Estado pobre, mas... salários altíssimos para secretários. Estado pobre, mas... verbas altíssimas para gabinetes.  

E aí eu me pergunto: onde está a reflexão do ex-senador? Isso é reflexão? Além de não saber pontuar, além de escrever um texto mal estruturado, o ex-senador da República ignora o que seja reflexão. 


terça-feira, julho 14, 2015

A morte do infantil

 


MC Melody, 8 anos, canta
"e te confesso que um beijo já me desperta o desejo"


MC Vilãozin, 6 anos, canta
"senta com a pepeca"

Um trecho do meu artigo a ser publicado pela UERJ
Obs: neste espaço, ele está fragmentado.

Nesses tempos tão sérios e pilhados de coisas úteis, escrever sobre o bobo e sobre o palhaço é escrever sobre cadáveres, inutilidades sepultadas por crianças na cova rasa da indigência. 

O mundo infantil nem reconhece mais seus defuntos. Crianças agora são acolhidas pela estética agradável do shopping, onde o consumo alegra crianças neste templo mítico de PlayStation, de tablete, de Iphone, de marcas. 

Alegria, entretenimento utilitário. A criança, pequeno proprietário. Ela não assiste mais à invenção do mundo e muito menos o inventa, utiliza-o; pois, sem saber o que é o palhaço e muito menos o que ele conta, o adulto presenteia a inocência com gestos sem encontros, sem o imprevisível, sem aventura, gestos sem a fantasia. 

Para o bebê que chora por não querer comer, a mãe ameaça chamar o palhaço, por isso, quem sabe, a pequena Larissa de Macedo Machado tenha confessado que, quando criança, sentia muito medo de palhaço, até hoje Anitta se assusta com suas cores, suas formas, seu riso, suas brincadeiras. 

Crianças se alegram agora ao som do funk pornô (“senta com a pepeca”) de MC Vilãozin, de 6 anos, e do funk sensual (“e te confesso que um beijo já me desperta o desejo) de MC Melody, de 8 anos. A infância não se identifica mais com a inocência do palhaço.

quinta-feira, julho 09, 2015

Velhas práticas. Velhos erros.


ndical.
Os professores do Acre, após quase 3 anos, juntam-se como sempre para que as aulas sejam interrompidas.

Os de São Paulo pararam por mais de 90 dias, e os professores pararam.

A mesma prática ocorre no padrão sindical de luta do Acre. Por que sairiam vitoriosos?

sexta-feira, junho 19, 2015

Constantino Kaváfis (1863-1933)



O que esperamos na ágora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

terça-feira, junho 16, 2015

Crime e Biologia

Franz J. Gall, pai da frenologia

A palavra frenologia foi registrada pela primeira vez no dicionário, em 1836, como doutrina segundo a qual cada faculdade mental se localiza em uma parte do córtex cerebral, sendo, portanto, uma teoria que reivindica ser capaz de determinar o caráter, as características da personalidade e o grau de criminalidade pela forma da cabeça. Foi o médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828) que desenvolveu, por volta de 1800, a frenologia. Quem mais defendeu essa “ciência” e quem ficou mais famoso com ela foi Cesare Lombroso (1835-1909), criador da antropologia criminal e, de suas ideias, nasceu a Escola Positiva de Direito Penal. Em 1895, Lombroso publicou Antropologia criminal, onde associa características craniofaciais ao tipo de criminoso. Primo de Charles Darwin, Francis Galton (1822-1911), antropólogo e matemático, cunhou o conceito de eugenia em 1883, cujo significado é melhorar determinada espécie por meio da seleção artificial. Em 1964, o psicólogo britânico Hans Eysenck (1916-1997) editou Crime e personalidade, onde o delito é o resultado de uma interação entre condições do ambiente e características do sistema nervoso. Em 2002, a alemã neurocientista Terrie Moffitt publicou o primeiro estudo que relaciona fatores genéticos ao comportamento criminoso. O neurocientista e criminólogo britânico Adrian Raine foi um dos pioneiros a estudar o cérebro de criminosos violentos e, até 2013, pretendia fundar a disciplina “neurocriminologia”.
A sequência desses nomes no período de 213 anos aproximadamente é a permanência fixa no tempo de uma episteme pós-kantiana, cuja razão, sem poder conhecer a substância ou a essência do real, afirma o que é verdade por conhecer o fenômeno, a aparência do real. Um dos fundamentos de Lombroso encontra-se no positivismo de Auguste Comte (1798-1857), e, a fim de alicerçar a relação entre características da personalidade, grau de criminalidade e forma da cabeça, Franz Joseph Gall leu contornos, o exterior, a superfície, enfim, a razão pós-Kant leu a aparência de protuberâncias na cabeça para, após mapeá-la, sentenciar o que é a natureza personalidade-crime-fenômeno.


quinta-feira, junho 11, 2015

Quando o ódio é democrático

Na democracia, fala-se o que quiser, e o que é pior: fala-se o que nem entende. 

Quando se fala o que nem entende, não é para pensar, mas para agredir.

Quando se fala o que entende, fala-se não para agredir o adversário; porém, quando se fala sem entender, inventam-se inimigos políticos a fim então de odiá-los.

Uma forma de democracia serve a isso e se mantém assim por causa disso.

A última eleição presidencial foi a mais agressiva de qualquer outra anterior, ou seja, foi uma campanha para não pensar ideias para o país.

Ataques pessoais serviram para desviar a atenção do que é essencial à democracia: as ideias.

Assim, enquanto ideias não foram pensadas por causa do ódio pessoal, mentiras foram propagadas. 



 

sábado, maio 16, 2015

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Contar até 10, conforme o movimento, demora ou apressa. 

EuMony ou MonyEu chegamos ao 10 hoje, 16 de maio de 2015, sendo que nossa contagem iniciou-se em 16 de maio de 2005.

Não se trata de uma enumeração matemática apenas, mas um vida vivida a dois. 

Assim, em cada 1 ao redor da Terra, contou-se o 1 x 365. O um 1 vivido tem o 1 365 vezes. 

Só que o 1, só ele, tem nele o 24, e cada 1 de 24 tem 60, e cada 60 tem nele 3.600.

Foram muitos e muitos números vividos para muito além da matemática.

Só sei que nesses 10 anos de dedicação um ao outro, não senti o peso dos números, o peso das horas ou o peso ligeiro dos segundos.

Esta foto é p registro de nosso primeiro ano ou o número 1 de nossas vidas.

Te amo, minha eternidade!



       

sábado, maio 09, 2015

O que propor à escola?

Fatima Almeida​

Li sua postagem e eu senti na pele a presença intensa de cristãos fanáticos na vida acriana, o que vc chama de "imperialismo bíblico".

No Rio de Janeiro, essa fé deformada também se faz nas escolas, mas no Acre isso talvez seja mais amplo ou dê a impressão de ser mais amplo porque se trata de uma cidade com menos habitantes.

Esse assunto tem várias dobras, eu me prendo à escola. No Acre ou no Rio de Janeiro, em pleno século 21, a escola não é o lugar do saber, mas o lugar de uma moral, isso é tão forte que estudar História, que estudar Filosofia (isso é bem mais recente), que estudar Literatura, sem dúvida alguma, vale muito pouco diante da palavra de Deus.

A palavra da História, a palavra da Filosofia, a palavra da Literatura, por exemplo, nada representam diante da palavra de Deus. A escola, portanto, nada sabe ou quase nada pode falar quando a palavra do Senhor silencia a história, a filosofia, a literatura.

A palavra do Senhor salva alunos do mundanismo, e o saber escolar desempara esses mesmos alunos no mundo. É na igreja que alunos são educados, ou seja, conforme a palavra latina "educar, é na igreja que o interior ou o íntimos desses alunos é conduzido para fora, porque a palavra proferida na igreja consegue tocar no íntimos para que esse mesmo íntimo se manifeste com um "saber" acima do saber da História, da Filosofia, da Literatura, o que a escola não consegue, porque na escola não existe a palavra do Senhor.

O que propor?

quinta-feira, abril 23, 2015

Hegel não é pensamento cristão

Em sua fase teológica, Georg Friedrich Hegel (1770-1831) escreveu, aos 23 anos, "Religião popular e cristianismo" (1793), depois escreveu, em 1795, "Vida de Jesus", e escreveu "A positividade da religião" (1796-1799).

Embora os dois tenham recebido educação cristã,Kant e Hegel divergem muito quanto ao saber teológico.

Uma das diferença é que o Deus de Hegel é imanência e o de Kant, transcendente. Por essa diferença, o Deus de Hegel se afasta do Deus cristão.


   

terça-feira, abril 21, 2015

Círculo dos Filósofos


Filósofos da Universidade Federal do Acre

A única falha nesta foto é ausência de crédito. O fotógrafo foi muito feliz ao registrar o momento. São professores da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Acre.
Depois da Lei 5.692/71, quando a Filosofia foi excluída das escolas pela ditadura militar, o Saber Filosófico só retornou às unidades escolares como obrigação, por meio da Lei 11.684/08, ou seja, 44 anos depois.
Ora, se Alemanha é Alemanha, se França é França, se Inglaterra é Inglaterra, não é pelo motivo de todos serem advogados, não é pelo motivo de todos serem médicos, não é pelo motivo de todos serem engenheiros - profissões procuradas no Brasil pelo status (econômico) -, mas porque Alemanha, França e Inglaterra - só para ofertar três exemplos europeus - possuem como RAIZ a educação ou, para ser mais exato, a Filosofia como "arché" nas escolas e nas universidades.
Estes países foram atravessados pelo Pensar.
A foto
Trata-se de uma imagem sagrada, porque a origem histórica dessa formalidade é sagrada, ou seja, o Saber Filosófico encontra-se "separado" porque sagrado é separação.
Se assemelha-se a vestes monásticas ou sacerdotais, não é por capricho dos homens, mas é porque o Saber também precisa se separar do comum.
Atrás, pessoas olham para várias direções, mas o Círculo dos Filósofos, como denominou meu saudoso amigo Manoel Coracy Saboia Dias, com traços orientais, olha para uma só direção, no caso, à esquerda, que representa a desobediência (pensada).
No canto, ele, Guilherme (de Ockham?), que, com seu chapéu, quebra a formalidade dos sacerdotes, desobedecendo, portanto, ao sagrado.Guilherme Cunha, para quem conhece, mistura, é pro-fano, um ser híbrido, por isso um profundo leitor de Nietzsche. No entanto, saibamos: Nietzsche não nega Jesus.
À frente dos que olham para várias direções, embora a formação desses pensadores não seja circular, ainda sim podemos simbolicamente denominar de Círculo dos Filósofos, forma geométrica que representa a igualdade (das diferenças) não só entre eles, mas entre eles e o público. Eles estão separados, mas não estão distantes dos que olham para várias direções
Não só isso. A Geometria está no livro "Ética", de Espinosa; encontra-se na Escolástica; escreve-se no livro "Timeu", de Platão. Mas por que a Geometria?
Isso já é texto para outro momento.

Jozafá responde, e eu contrarrespondo

Primeiro parágrafo

Meu amigo 
Aldo Bordoada: estabelecer uma dualidade entre as instituições segundo a preferência de quem julga é apenas desonestidade intelectual. Sem mais. Compreendo e até concordo com a sua referência a Heráclito, embora me pareça que você está tentan
do categorizar a questão a partir de seus conhecimentos recém-adquiridos na Academia. Mas não é o caso, pra mim. Não se aplica, até porque me parece um reducionismo: mesmo o militonto petista mais empedernido não categoria dessa forma (ou pelo menos não deveria). Porque é absurdo. Categoriza assim, e com certo histrionismo, quem observa o militonto e a partir dele forma uma concepção fatalmente genérica do atual discurso petista sobre a luta de classes nas instituições e como ela afeta o PT.

Eu contrarrespondo

Copiando as falas de João Bosco, vou dar uma de Jack Estripador: vamos por parte.
Jozafá Batista, dividamos em partes o seu primeiro parágrafo em Parte 1, letra A; Parte 2, letra B; Parte 3, letra C.
Parte 1)
A) Você escreveu: "Meu amigo Aldo Bordoada: estabelecer uma dualidade entre as instituições segundo a preferência de quem julga é apenas desonestidade intelectual".
1.1) Meu procurador, não se trata de "preferência de quem julga", porque conceitos (uno e contradição) não são de preferência minha. Quando pessoas dizem que "todos os políticos são corruptos", essa declaração é falsa, porque o real não é uno, e ele não é uno porque o real é irregular, assimétrico, contraditório. Quando se diz que é irregular, é da natureza do real. Isso não é "preferência de quem julga". Então, nem todos os políticos são corruptos. Nem todo petista é mensalão. Nem todo PSDB é coxinha.
Parte 2)
B) Você escreveu: "Sem mais. Compreendo e até concordo com a sua referência a Heráclito, embora me pareça que você está tentando categorizar a questão a partir de seus conhecimentos recém-adquiridos na Academia".
2.1) Jozafá, Heráclito não é conhecimento recém-adquirido na Academia, eu já tinha lido alguns fragmentos dele, mas alguns livros lançados sobre ele são recém-adquiridos. O conhecimento sobre Heráclito e a influência dele em Hegel não é nada recém-adquirido; mas, isso sim, é conhecimento meu ampliado que eu adquiri fora e dentro da Academia, porque não havia publicações antes.
2.2) É claro que ótimos professores contribuem muito, ampliam mais, mais essa relação entre Heráclito e Hegel, eu sabia antes de entrar na Academia. Heráclito sempre me fascinou, mas havia, quando eu era jovem, pouca tradução, pouca mesmo.
2.3) Conhecimento recém-adquirido na Academia é a Filosofia Cristã. Sobre isso, eu era muito mais ignorante do que sou hoje e confesso que me surpreendeu, transformou minha visão sobre Filosofia Cristã.
2.4) Então, o que fiz: fui ler mais e mais sobre Filosofia Cristã, e isso não tem fim. Hoje, por exemplo, estou lendo "O Livre-Arbítrio", de Santo Agostinho, e perdi muito tempo de minha vida com pré-conceitos contra esse período da humanidade. Estou encantado com Agostinho no sentido de compreender a fundo o que se opõe, aí sim, à minha "preferência".
Parte 3)
C) "Mas não é o caso, pra mim. Não se aplica, até porque me parece um reducionismo: mesmo o militonto petista mais empedernido não categoria dessa forma (ou pelo menos não deveria)."
3.1) Meu amigo, sim, neste espaço virtual e até oralmente, tudo se reduz, mas o pouco que eu disse foi enxuto, preciso, porque partir do uno e do contraditório.
3.2) Não entendi o "militonto" e o "não categoria". Eu usei conceitos de forma que não deveria, assim como um petista militonto?
Parte 4)
D) "Porque é absurdo. Categoriza assim, e com certo histrionismo, quem observa o militonto e a partir dele forma uma concepção fatalmente genérica do atual discurso petista sobre a luta de classes nas instituições e como ela afeta o PT".
4.1) Histrionismo de minha parte? Mas eu partir só de dois conceitos, quais sejam, uno e contradição. Histrião? Confesso que sou apaixonado pela Filosofia do Bobo, mas não é o caso.
Fim do Primeiro Parágrafo.



domingo, abril 19, 2015

Heráclito e Hegel

Parte I

Jozafá Batista​, meu querido amigo,

os conceitos não existem segundo nossa opinião. Para que haja a conceituação, é preciso haver um profundo pensar não de pessoas comuns como nós, mas de gênios, cujo pensar atravessou séculos e séculos.

Nosso pensar não é original, por isso recorremos a nomes que atravessaram séculos e optamos por alguns.

Não é minha ideia quando digo: o real é movimento, e é movimento por ser contingente, por ser acidente; e é acidente por nos encontrarmos no mundo sensível, cuja marca é a contradição, ou seja, a instabilidade.

Hegel


Essa é a natureza do real. Como disse certa vez a você, até em um mosteiro pulsa essa instabilidade, pois o mosteiro é real, é variação. Não pertence à natureza (humana) o Uno, porque o Uno é estabilidade, imobilidade.

Uma vez humana, em nenhuma instituição existe o Uno, por exemplo, na Polícia Federal ou na Receita Federal. Nesses espaços, existe o Uno? todos são do PSDB? tudo é interesse político? todos são contra o PT?

Como diz Gilvan Fogel, "o real, a realidade do real é movimento de realização de realidade, isto é, ação". Não existe, portanto, a ideia do homogêneo, do absoluto no real, isto é, "todos os brasileiros", "todos na Polícia Federal", "a Polícia Federal age de forma política".

Parte II

O senso comum ignora, mas ele reproduz a ideia de Parmênides, que é a ideia da não contradição, e reproduz a não contradição porque Parmênides atravessou séculos e séculos - muito diferente de Heráclito, que é a ideia da contradição.

No século VI d. C, Heráclito passa a ser ocultado e só é des-coberto de forma bem ampla no século XX.

No entanto, mesmo não de forma bem ampla, só com alguns fragmentos, Hegel lê Heráclito e, embora seja outra contradição, mas tendo como base o pensamento desse grego, Hegel fundamenta a ideia da contradição.

Se Hegel escreveu "Fenomenologia do Espírito" ou "Fenomenologia da Mente" (1807) e "A Lógica da Ciência", não foi só por causa das obras de Kant, mas também por causa de Heráclito. Com Hegel, com Heráclito, com Platão, aprendemos que no tempo nada é absoluto, nem a totalidade.

Sobre a totalidade, pensamento que o senso comum reproduz, eu digo o seguinte a partir de Hegel, que o senso comum, nesse caso, o de Hegel, não reproduz: a totalidade final é tão una, única, homogênea e autônoma quanto à identidade primeira e primordial (a tese), porque ela, a totalidade final, é síntese e, por causa disso, por ser síntese, é identidade e negatividade enquanto nova tese, mas uma tese que já é devir. Assim, há nessa nova tese, que é síntese, estabilidade, imobilidade, fixidez, tal qual a identidade primeira (A=A). No entanto, ao sair de si mesma por causa da negatividade (fora de si), possibilita outra totalidade final, que também possui uma identidade primeira.

Dessa forma, a identidade primeira é homogênea porque não há nela a negatividade, porém tão somente a estabilidade, a imobilidade de A=A. Como na totalidade final tese e antítese têm uma suspensão - o que Hegel chama de "aufheben" (não há no português termo com o mesmo sentido) -, ocorre também na totalidade o uno, o único, o homogêneo, isto é, uma nova tese, uma identidade, sabendo que essa nova tese já um devir.

Heráclito

segunda-feira, abril 06, 2015

domingo, abril 05, 2015

Alma Imoral


"Alma Imoral", uma das melhores peças a que assisti.

A palavra aqui tem uma força reveladora que o ordinário oculta.