terça-feira, agosto 21, 2007

Drummond

Um visitante deixou aportado em meus olhos estes versos. Lindos. Venha, poesia, retire de mim a gosma azeda dos medíocres. Venham, versos, mostrar a meus olhos o outro lado.

Acordar, viver
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijoa cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.


Carlos Drummond de Andrade

Um comentário:

Helem Cristina disse...

TE AMAR É COMO NAVEGAR NO GALEÃO DOS LOUCOS E TER COMO BÚSSOLA, A PRÓPRIA LOUCURA
E TE AMO NEM MUITO E NEM POUCO, APENAS O SUFICIENTE PARA APRENDER A ENVELHERCER CONTIGO. BUSCANDO AS ETERNAS CONQUISTAS QUE OUTROS NAVEGANTES NÃO TIVERAM, PORQUE NÃO FORAM LOUCOS O BASTANTE A PONTO DE DIZER COMO EU, QUE VC ESTA EM MIM COMO A MORTE ESTA NA VIDA. E QUE SEJA ELA, A MORTE, O LIMITE DO GALEÃO DOS LOUCOS.QUE É NAUGRAGAR NO OCEANO MORENO DE TEU SERENO CORPO.

FICOU MARCADO!
ASSIM COMO DRUMMOND FICOU E FICARÁ