11/06/2009

Alunos, leiam...


Fernão Capelo Gaivota, esse pássaro-protagonista que representa o ser humano que voa muito além da multidão, do bando. Todo dia, gaivotas se alimentam com os restos de peixes que pescadores jogam ao mar.

Por que comer as sobras que outros nos dão? Por que não comer peixes frescos?

Capelo precisa voar mais alto e, para tanto, precisa voar melhor, porque, se não for assim, ele não pegará os peixes que estão no fundo do mar.

Lemos bons livros para perder a condição de tolos. Alunos, não se acomodem com o que dão aos seus destinos. Superem seus limites, sabendo que, para superá-los, os obstáculos são necessários. Não fortalecemos os músculos com pesos leves como os pesos da acomodação.

Inquietem-se!



11/05/2009

Tiago vai a Brasília

O pai trabalha como mestre de obra e a mãe, em serviços gerais. Por mês, a renda não ultrapassa os R$ 800. As dificuldades, entretanto, não modelaram o espírito de Tiago Araújo de Sousa, de 17 anos, terceiro ano do ensino médio. Ele foi além. Entre estudantes do Acre, o primeiro.

Está preparando as malas para pousar em Brasília porque foi premiado. Ele representará o Acre por ter elaborado um projeto de lei que torna obrigatória a arborização de vias, de praças e de centros urbanos das grandes cidades do país.

"Irei a Brasília para conhecer o funcionamento do Senado, da Câmara dos Deputados e os representantes de cada Estado", disse o jovem.

Em uma escola onde não havia norma, regras, é uma ironia do destino um aluno da Heloísa Mourão Marques receber um prêmio por causa de um projeto de lei.

Parabéns, rapaz!

11/04/2009

Condenação Fatal

De Cruz e Sousa [1861-1898]













Ó mundo, que és o exílio dos exílios,
um monturo de fezes putrefato,
onde o ser mais gentil, mais timorato
dos seres vis circula nos concílios;

Onde de almas em pálidos idílios
o lânguido perfume mais ingrato
magoa tudo e é triste, como o tato
de um cego embalde levantando os cílios;

Mundo de peste, de sangrenta fúria
e de flores leprosas da luxúria
de flores negras, infernais, medonhas.

Oh! como são sinistramente feios
teus aspectos de fera, os teus meneios
pantéricos, ó Mundo, que não sonhas!

11/03/2009

Zangado

As pessoas mal-humoradas possuem uma inteligência mais afiada segundo um estudo realizado por um cientista australiano e publicado na última edição da revista científica Australasian Science, informou hoje a rádio ABC.

"A tristeza e o mau humor melhoram a capacidade de julgar os outros e também aumentam a memória", assegura o professor Joseph Forgas, da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney.

O mau humor melhora a atenção e proporciona prudência, segundo o artigo

"Enquanto um estado de ânimo positivo facilita a criatividade, a flexibilidade e a cooperação, o mau humor melhora a atenção e facilita um pensamento mais prudente", explica o artigo.

"Nossa pesquisa sugere que a tristeza melhora as estratégias para processar a informação em situações difíceis", acrescenta.

Forgas ressaltou que as pessoas com um estado de ânimo mais decaído possuem maior capacidade de argumentar suas opiniões por escrito, pelo que concluiu que "não é bom estar sempre de bom humor".

10/31/2009

A Redação no Conselho de Disciplina (1)


Desde 2006, quando os conselhos de disciplina deram sinais de vida na escola estadual Heloísa Mourão Marques (HMM), o corpo docente de Literatura e de Língua Portuguesa não escreveu na lousa o que pensa sobre produção textual.

Não há metodologia, não há processo de avaliação, não há procedimentos para reconstrução textual, ou seja, não há um plano pedagógico fundamentado, não há documento que dê um norte à produção textual. Existe, isso sim, o lecionar isolado de cada professor e inexiste a produção textual como imagem e semelhança do corpo docente.

Para uma escola que não foi nada bem no último Exame Nacional do Ensino Médio, deixar esse vácuo na produção textual é impor aos alunos o fracasso no Enem. Mas quem impõe? Ora, o desinteresse do corpo docente.

Secretaria, socorro!
Para ratificar o que escrevi antes, posso dizer que duas funcionárias da Secretaria de Educação afirmaram que o plano de curso de Língua Portuguesa da escola HMM é inadequado à proposta do Ministério da Educação.

Na época, por questão de pressa, o corpo docente o escreveu para mera (inútil) formalidade. Trabalho malfeito é trabalho dobrado.

É preciso fazer
Depois que o prof. Luís Carlos entregou a função de presidente do Conselho de Disciplina de Literatura e de Língua Portuguesa no começo deste ano, assumi a responsabilidade não por agradar a todos, mas por ninguém se candidatar.

O que fazer? Na condição de presidente do conselho, busquei retormar ideias esquecidas em 2006, quando o conselho reuniu-se pela primeira vez. Quais ideias? A primeira foi descrever os problemas redacionais de nossos alunos.

Dois deles: gramática tradicional e retomadas de ideias. Pois bem, no dia 26 de setembro de 2009, os professores de Literatura e de Língua Portuguesa concordaram que no dia 21 de outubro deixariam no pendrive e imprimiriam exercícios de gramática tradicional e de retomadas de ideias.

Escrevi a lista e cada professor recebeu sua tarefa para o dia 21 de outubro. Ei-la:

a) Professora Alessandra
1. Marcadores;
2. Pronomes oblíquos; e
3. Retomadas de ideias.

b) Professora Robenilde
1. Regência nominal;
2. Concordância nominal; e
3. Aposto.

c) Professor Luís
1. Subordinadas adverbiais;
2. Ponto contínuo; e
3. Particípio regular e gerúndio.

d) Professora Elivânia
1. Transformar substantivo em verbo;
2. Ampliar o vocabulário do aluno; e
3. Uso adequado de palavras no texto.

e) Professor Aldo
1. Vírgula;
2. Colocar parágrafos na ordem;
3. Concordância verbal; e
4. Regência verbal.

Quase um mês depois, o dia 21 chegou, é hoje. Entretanto, dois colegas faltaram à reunião, um não apresentou sua tarefa e só dois cumpriram o acordo firmado em 26 de setembro. A professora Elivânia entregou sua parte a mim, e eu entreguei a ela a minha.

Se é em nome da Redação, diga ao povo que fico
Depois de hoje, depois de um acordo ignorado, não tenho a menor vontade de presidir esse conselho. No entanto, não desisto de buscar o melhor para a escola pública em que leciono, não abandonarei a luta do diálogo, das críticas e das propostas para ver um currículo de produção textual.

Embora não presida mais o conselho, retomarei sempre no Conselho de Disciplina de Literatura e de Língua Portuguesa o que foi acordado em reuniões anteriores no tocante à produção textual. Assumirei o desejo incansável de "atar" acordos sobre produção textual, de "retomar" ideias sobre produção textual até que elas sejam concluídas e registradas como documento, ou seja, se houve um acordo sobre um plano pedagógico de redação em 26 de outubro, ele deverá ser esgotado e, aí sim, cumprir outra etapa de uma nova pauta sobre produção textual.

Dedicar-me-ei para que nossa escola tenha um plano pedagógico consistente de produção textual. O blogue será um bom espaço para registrar isso.

10/27/2009

Vai um cachorro-quente?


O prazer (sádico) de estudar

A escola acriana é a última instituição pública em tudo. Nela, nem uma rede de computadores existe. Professores e secretaria registram notas escolares em papéis. Sua imagem é a mesma de 50 anos atrás. Nas salas, o calor abafa o conhecimento, não existem ares-condicionados e os ventiladores circulam em vão.

O professor deve lecionar de forma prazerosa. Antes, prazerosa deveria ser a sala de aula.
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Estudantes desmaiam em sala de aula por causa do calor
De Ana Paula Batalha

Quatro alunos desmaiaram em sala de aula por causa do forte calor. Eles foram encaminhados ao pronto-socorro de Rio Branco pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu) nesta terça-feira, dia 27. Os estudantes da escola Rodrigues Alves Leite, no Centro da capital, assistiam à aula no momento em que começaram a se sentir mal.

Com isso, vários alunos e professores deixaram as salas de aula e foram protestar em frente à escola. Eles pedem melhores condições na entidade, pois, segundo eles, muitas salas não possuem nem ventiladores.

“Algumas salas possuem ares-condicionados mas eles não prestam. Funciona o primeiro horário e depois não gela mais. Queremos que concertem os aparelhos, pois não temos condições de estudar nesse calor insuportável. A nossa sala fica de frente para o sol, esquenta o dobro. O que adianta ficarmos dentro de sala se não conseguimos prestar atenção nas aulas?”, argumentou a estudante Tabita Lima.

A estudante Tainara Viana também ressaltou sobre a falta de interesse da diretoria da escola com a situação.

“Foi preciso os alunos ligarem para o Samu, pois a diretora não queria. O pessoal do Samu pensou que fosse trote e demoraram para socorrer as meninas”, ressaltou.

No início do ano, os estudantes tinham feito um protesto pelos menos motivos, mas não foram atendidos. A diretora da instituição não foi encontra para comentar o assunto.

10/26/2009

A democracia da escola pública

Após alguns anos na rede pública de ensino, lecionando Literatura e Língua Portuguesa em salas de aula sem ares-condicionados, afirmo, com toda propriedade, a minha mais sólida desconfiança na democracia escolar.

Na escola Heloísa Mourão Marques, antes de o ano letivo de 2009 ter sido iniciado, direção e corpo docente reuniram-se para definir o calendário escolar do primeiro e do segundo semestres de 2009.

Em julho, segundo semestre, em uma reunião onde todos os professores podiam participar, definiu-se que em um sábado de cada mês haveria encontro pedagógico por meio dos conselhos de disciplina.

Uma vez por semana, o professor da rede pública estadual de ensino deveria se reunir com outros professores para o planejamento pedagógico, porém esse planejamento transformou-se em "folga".

Nada mais justo, portanto, haver encontro pedagógico aos sábados para compensar a "folga". E mais. Como a "folga" dos professores difere-se na semana, o corpo docente concordou em reunião que o encontro pedagógico deve ser aos sábado porque a grande maioria dos professores pode comparecer.

A democracia segundo o interesse do feriado
E assim ficou determinado conforme votação. Em julho, nós sabíamos que em 31 de outubro (sábado) deste ano haveria um encontro pedagógico para estabelecer, por exemplo, os rumos da Literatura e da Língua Portuguesa na escola HMM.

No entanto, alguns professores rompem com o que votaram em julho, e tudo por causa de um feriado prolongado. Como o governo transferiu o feriado de 28 de outubro (quarta-feira) para o dia 30 (sexta-feira), a democracia escolar transfere o encontro pedagógico do dia 31 de outubro (sábado) para o dia 29 de outubro (quinta-feira, à noite).

Na quinta-feira, não poderei ir à reunião do Conselho de Língua Portuguesa. Mas o que importa a minha ausência em um conselho de disciplina se podemos ter um feriado prolongado?

A democracia escolar não se reúne para haver mais sábados com encontros pedagógicos, mas, para prolongar feriado, rompendo com o que tinha sido aprovado em julho, a maioria vota conforme sua comodidade.

A questão não é "eu não tenho culpa de você trabalhar na quinta-feira, à noite". A questão é que houve uma reunião em julho para definir um calendário para todos, mas, por causa de uma feriado prolongado, transfere-se um encontro pedagógico para uma quinta-feira. A democracia escolar vota a favor de seu conforto.

Como indivíduo, o que posso diante dessa democracia?

Pergunto a ela: vamos votar para haver por mês quatro encontros pedagógico em quatro sábados? Vamos transferir a "folga" para os sábados?

Ótimo sítio

Acesse Viviane Mosé