segunda-feira, julho 25, 2016

GARIS NAT

O SENTIDO da VIDA é FAZER o BEM

Uma colega de profissão e uma amiga de longa data bem que poderia estar em casa sossegada, restringindo-se à vida particular.


No entanto, por ter alma inquieta, ela resolveu abrir uma ONG para melhorar o ambiente em que pessoas vivem. Unir-se para fazer o bem.
GARIS NET
Lucinea, professora e advogada, é o tipo de pessoa que fala, mas fala para fazer. Sua palavra é ação.


Para o trabalho sobre o filme "300"

 Amados alunos, sobre o filme "300", o livro "As origens do pensamento grego", de Jean-Pierre Vernant, pode ajudar para ajudar a escrever o trabalho.

A parte do livro que ajuda é o Capítulo IV, que é O Universo Espiritual da Polis.

Estudem! Leiam! Aprendam sempre!



domingo, julho 24, 2016

Filosofia para Setembro (2º ano)

SETEMBRO - 2º ANO

I) Leitura para sala de aula

PRIMEIRA SEMANA
1. Entregar o Trabalho sobre o filme "Matrix"; e 
2. As ciências de Aristóteles e a metafísica (substância).

Conteúdo 1

1. Ciências Práticas: 
elas se referem às ações que têm seu início e seu tempo no próprio sujeito que age: são as ações morais; o saber relaciona-se à atividade prática: a moral (ética e política);
  
2. Ciências Poiéticas ou Produtivas: elas se referem às ações que têm seu princípio no sujeito, mas são dirigidas a produzir algo fora do próprio sujeito (arte, incluindo medicina); e


3. Ciências Teoréticas: física, matemática e metafísica (teologia natural ou filosofia)

SEGUNDA SEMANA
1. Substância e o inteligível; e
2. Avaliação 1.

Conteúdo 2

1. Substância é “sub-stare”, ou seja, significa “por baixo de todo estar”, compreendendo que o verbo “estar” relaciona-se a movimento, à inconstância, à variação, quer dizer, ao que está sendo;

2. Por ser “sub-stare”, a substância nunca aparece em uma experiência sensível, porque essa experiência nos mostra não o que é, mas o que está sendo. A substância sustenta o mundo sensível, permitindo que ele seja conhecível e pensável, isso quer dizer que a substância determina o que uma coisa é e a substância permanece em tudo que muda. Por causa disso, a substância, princípio de organização do mundo sensível, é imaterial, incorpórea, inteligível;

3. Inteligível vem de “inte-legere”, que significa “ler dentro”, ler o interior, ler o profundo a fim de fundamentar, sabendo que a essência reside abaixo da superfície;

4. A substância é o imóvel que é causa absoluta do móvel, ou seja, a substância sustenta o mundo sensível e determina o que uma coisa é, porque ela permanece em tudo o que muda;

5. A parte imaterial da substância é a forma, o mesmo que essência; e a parte material é a potência, isto é, o que está sempre se devindo;

6. Se, para Platão, o sensível não passava de mera aparência destituída de ser, o sensível, para Aristóteles, tem ser, mas é um ser em potência, ou seja, a Essência não está no mundo Ideal, mas encontra-se no mundo material.

TERCEIRA SEMANA
1. Instrumentos da lógica clássica.

Conteúdo 3


I) SILOGISMO CONFORME A SUBSTÂNCIA

a) Silogismo 1

1ª premissa: A liberdade do ser humano é fazer o que ele quer.
2ª premissa: Judas quis trair Jesus.
3º conclusão: Logo, Judas é um ser humano livre.

b) Silogismo 2

premissa (maior): Todos os
animais (termo médio) são mortais. 

2ª premissa (menor): Todos os homens são animais (termo médio).
3ª premissa (conclusão): Logo, todos os homens são mortais.

OBS. 1ª) “Animais” desempenha a função de “termo médio” do silogismo e, por isso, ele é a “substância” ou alusão à “substância”. Por causa disso, existe a conclusão. Nesse caso, o silogismo é uma dedução necessária, ou silogismo demonstrativo, ou silogismo científico, ou silogismo do universal;

OBS. 2ª) A lógica aristotélica (lógica clássica ou formal) é, fundamentalmente, um processo discursivo que tende a determinar o porquê ou a causa;

OBS. 3ª) O lógica do silogismo demonstrativo deve fazer uso de axiomas, ou seja, proposições verdadeiras.

II) Órganon (instrumento ou meio)

1. Raiz “stru, struō”: subjacente à prática, essa raiz dispõe uma ordem que fixa, que mobiliza e que promove relações; essa raiz que tem como 1º) significado levantar, sustentar; 2º) significado retirar; e 3º) confortar,  juntar, ligar, preparar, compor, tecer, tramar, formar, causar, cobrir; e também tem o sentido de o que produz, o que causa;

QUARTA SEMANA

1. Tabela de verdade e algumas falácias;
2. Avaliação.


Conteúdo 4


PARA O PROFESSOR FAZER ANTES DE SETEMBRO




II) LEITURA PARA CASA - 1ª parte 


DO LÓGOS AOS PRINCÍPIOS DA LÓGICA

I. Razão e Fé na Idade Média: Patrística (do século II ao século VIII)  

1
. Precursor da Patrística:
a. Fílon de Alexandria ou Fílon Judeu (23 a.C – 41 d. C): 1) toma da Estoá o conceito de Lógos e toma de Platão a estrutura do mundo suprassensível e o mundo das Ideias.

2. Patrística Apostólica:                                                                                                                .
a
. Clemente de Roma, discípulo de Pedro, ele não tem preocupação com a filosofia e seu olha é para dentro;

3. Filosofia Patrística Apologista ou Apologeta Helênica ou Filosofia Helênico-Patrística:
a
. Os textos dos apologetas eram conforme as letras jurídicas, ou seja, suas obras defendia aos imperadores romanos o reconhecimento do direito legal dos cristãos à existência em um império oficialmente pagão;

b. São Justino (100-165), o mais destacado, filósofo e mártir: 1) segundo ele, a filosofia era “era o que nos conduz a Deus e a ele nos une”; 2) ele une filosofia e fé; 3) se admitirmos que Deus revelou a verdade aos homens apenas por meio de Cristo, então os que nasceram antes de Cristo não foram culpados de tê-la ignorado; 4) Justino vai a são João, que diz “todo gênero humano participa do Verbo”; 5) então, existe uma revelação universal do Verbo divino antes do Verbo se fazer carne; 6) Justino vai aos estoicos para afirmar que existe uma “razão seminal” (Lógos);

c. Taciano (120-180) , discípulo de Justino, é contra a filosofia;

d. Escola de Alexandria: Clemente de Alexandria (150-215), de origem grega, ele representa o que há de mais original na literatura patrística e foi discípulo de Panteno de Sicília (falecido em 200): 1) a filosofia não é obra do mal, mas é um bem de Deus, pois a filosofia aprofunda o sentido da fé; 2) o Verbo assume as funções de um pedagogo para estabelecer limites; e

e. Orígenes (185-253), discípulo de Clemente de Alexandria: 1) influenciado pela noção estoica de Lógos, que é a ordem racional do mundo, ou seja, o logos força de unidade na dispersão (grego); 2) no entanto, para Orígenes, o Lógos também não é grego, ao dizer que é princípio ativo que dirige o mundo, mas judaico-cristão; 3) o Lógos se faz o princípio divino que vive nos homens, divinizando-os; 4) Jesus é o Lógos, ou seja, é tempo imanente e transcendência, eis a fonte das duas naturezas de Jesus.  

 LÓGOS: lei, assim como ler, vem de legĕre, de raiz leg, também sob a forma lig-, cujo particípio é lectus, de radical lec.t-, transformadas em português em l(e)-, lh(e)-, le.ç- ou lei.t. Da mesma origem, lei e ler, portanto, encontram-se em colheita. Contudo, antes de separar o grão ruim do grão que é bom, o ato de selecionar está submetido a tudo que envolve o ciclo da terra, a natureza (physis, movimento).

1. “Heráclito, fragmentos contextualizado”, tradução, estudo e comentários de Alexandre Costa: 1) “Ouvindo não a mim, mas ao logos, é sábio concordar ser tudo-um” ou aparente-inaparente; 2) se ouve o  “eu”, dá ouvidos ao mundo enganoso de suas falsas impressões e ao bulício da idiossincrasia; 3) ouvir o logos é concordar com ele, obedecer, acatar o que ele diz e mostra é ser sábio para perceber que o Lógos é ser tudo-um; 4) a escuta determina a fala, que diz a mútua necessidade entre divergência e concordância, o que Heráclito designa como harmonia; 5) o Lógos mantém a unidade, a multiplicidade e a tensão entre elas, fazendo concordar o que discorda;
 
2. “Estoicismo, Ceticismo e Ecletismo”, de Giovanni Reale: 1) o Lógos é princípio da verdade (com suas leis do pensar, do conhecer e do falar) na lógica, é princípio criador (como princípio ontológico) do cosmo na física, é princípio normativo na ética ou princípio que determina o sentido das coisas, ou seja, o fim e o dever-ser do homem, que é objeto da ética; 2) a essência do Lógos não se esgota no conhecer e no falar; 3) princípio espiritual que dá forma a todo universo e a todo homem; 4) a lógica é método, é o esqueleto, é a casca do ovo; 5) o Deus dos estoicos, que é Physis (faz tudo nascer, crescer e ser), é também Lógos, vale dizer, princípio de inteligência, de racionalidade e de espiritualidade; 6) O Deus estoico, à medida que se identifica com a natureza, não pode ser pessoal; mas, depois, isso se transforma; e

3.
“Os assassinos do sol”, de Marcio Tavares d’Amaral: 1) Paulo, judeu-helenístico, é responsável pela helenização do cristianismo: penetração dos lógia de Jesus no mundo Greco-romano e sua difusão através da língua grega; 2) “Logos nós traduzimos depois apenas por pensamento, razão – e não é pouco, mas é menos. O dizer da palavra logos tinha ainda, em Heráclito, uma grande potência de instauração, contenção em limites, de dis-posição, recolha de “tudo o que é”. 

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III) LEITURA PARA CASA - 2ª parte


DO LÓGOS AOS PRINCÍPIOS DA LÓGICA


I) As três ciências de Aristóteles (384-383 - 323 a. C).

1. Ciências Práticas: elas se referem às ações que têm seu início e seu tempo no próprio sujeito que age: são as ações morais; o saber relaciona-se à atividade prática: a moral (ética e política);
  
2. Ciências Poiéticas ou Produtivas: elas se referem às ações que têm seu princípio no sujeito, mas são dirigidas a produzir algo fora do próprio sujeito (arte, incluindo medicina); e

3. Ciências Teoréticas: física, matemática e metafísica (teologia natural ou filosofia)

II) Metafísica, o saber em si.

1. Afilosofia primeira” refere-se às realidades que são separadas e imóveis, mas é conhecimento da substância primeira e mais elevada e, sendo primeira, é suprema, ou seja, é a causa de todas as coisas, é universal, qual seja, substância primeira;

II) Lógos é o que Aristóteles chama de substância (ousia).

1. Substância é “sub-stare”, ou seja, significa “por baixo de todo estar”, compreendendo que o verbo “estar” relaciona-se a movimento, à inconstância, à variação, quer dizer, ao que está sendo;

2. Por ser “sub-stare”, a substância nunca aparece em uma experiência sensível, porque essa experiência nos mostra não o que é, mas o que está sendo. A substância sustenta o mundo sensível, permitindo que ele seja conhecível e pensável, isso quer dizer que a substância determina o que uma coisa é e a substância permanece em tudo que muda. Por causa disso, a substância, princípio de organização do mundo sensível, é imaterial, incorpórea, inteligível;

3. Inteligível vem de “inte-legere”, que significa “ler dentro”, ler o interior, ler o profundo a fim de fundamentar, sabendo que a essência reside abaixo da superfície;

4. A substância é o imóvel que é causa absoluta do móvel, ou seja, a substância sustenta o mundo sensível e determina o que uma coisa é, porque ela permanece em tudo o que muda;

5. A parte imaterial da substância é a forma, o mesmo que essência; e a parte material é a potência, isto é, o que está sempre se devindo;

6. Se, para Platão, o sensível não passava de mera aparência destituída de ser, o sensível, para Aristóteles, tem ser, mas é um ser em potência, ou seja, a Essência não está no mundo Ideal, mas encontra-se no mundo material.

7. A substância composta é essência e acidentes. A essência vem acompanhada da ideia de necessidade, por exemplo: a essência de Platão é ser homem.

III) A Substância determina a ideia de Ética.

1. A Ética nasce na Grécia entre os séculos V e IV antes de Cristo, adotando uma nova forma de linguagem, a do logos demonstrativo ou da linguagem epistêmica, que é a da ciência. A Ética tem como estrutura fundamental a lógica;

2. A ciência nasceu como ciência da natureza (phisis) na Jônia do século VI, onde se formularam as primeiras regras do discurso científico ou as regras da necessidade lógica, ligando o antecedente e o consequente;


3. Ética é a ciência do ethos. Mas o que é ethos? Esse termo deriva de éthos, que significa “caráter habitual”, sendo equivalente ao termo latino moral, que é a “ciência dos costumes” ou “conjunto de costumes normativos da vida de um grupo social”. O grego arcaico, no entanto, não distinguia éthos de êthos, sendo que êthos significa “hábito” no sentido de “constância do comportamento do indivíduo cuja vida é regida pelo ethos-costume”. Aristóteles faz Ética derivar de êthos, cuja etimologia original é “morada, covil ou abrigo dos animais”.

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IV) LEITURA PARA CASA - 3ª parte

DO LÓGOS AO PRINCÍPIO DA LÓGICA


A LÓGICA OU A ANALÍTICA DE ARISTÓTELES (384-383 - 323 a. C)

I) SILOGISMO CONFORME A SUBSTÂNCIA

a) Silogismo 1

1ª premissa: A liberdade do ser humano é fazer o que ele quer.
2ª premissa: Judas quis trair Jesus.
3º conclusão: Logo, Judas é um ser humano livre.

b) Silogismo 2
1ª premissa (maior): Todos os animais (termo médio) são mortais.
2ª premissa (menor): Todos os homens são animais (termo médio).
3ª premissa (conclusão): Logo, todos os homens são mortais.

OBS. 1ª) “Animais” desempenha a função de “termo médio” do silogismo e, por isso, ele é a “substância” ou alusão à “substância”. Por causa disso, existe a conclusão. Nesse caso, o silogismo é uma dedução necessária, ou silogismo demonstrativo, ou silogismo científico, ou silogismo do universal;

OBS. 2ª)
A lógica aristotélica (lógica clássica ou formal) é, fundamentalmente, um processo discursivo que tende a determinar o porquê ou a causa;

OBS. 3ª)
O lógica do silogismo demonstrativo deve fazer uso de axiomas, ou seja, proposições verdadeiras.

II) Órganon (instrumento ou meio)
1. Raiz “stru, struō”: subjacente à prática, essa raiz dispõe uma ordem que fixa, que mobiliza e que promove relações; essa raiz que tem como 1º) significado levantar, sustentar; 2º) significado retirar; e 3º) confortar,  juntar, ligar, preparar, compor, tecer, tramar, formar, causar, cobrir; e também tem o sentido de o que produz, o que causa;

2. Alexandre de Afrodisia (198
- 209 d. C) “introduz o conceito de órganon para designar lógica em seu conjunto (e que, a partir do século VI d.C, foi utilizado como título do conjunto de todos os escritos aristotélicos relativos à lógica) define o conceito e a finalidade da lógica aristotélica, que forneceria os instrumentos mentais necessários para enfrentar qualquer tipo de investigação” (REALE, p. 151-52);


3. “Aristóteles
, que nasceu em Estagira (384-383 - 323 a. C), hoje Tessalônica, preferiu usar a palavra “”analítica”, e Analíticos é o título dos escritos fundamentais do Órganon” (Ibid, p. 152); como disciplina intelectual, foi criada no século IV a. C);

4.
Além de Analíticos, Aristóteles usa a expressão Escritos sobre o silogismo para referir-se a esses textos” (Ibid, NOTAS, p. 174);

5. O conceito analítico
significa “separação, resolução, dissolução”. “A analítica (...) explica o método pelo qual, partindo de determinada conclusão, podemos decompô-lo nos elementos dos quais ela deriva, isto é, nas premissas de onde brota; assim, é possível fundamentá-la e justificá-la” (Ibid, p. 152);

6. Analítica
ou Órganon divide-se em seis tratados: 1º) Categorias, 2º) Da Interpretação, 3º) Analíticos Anteriores, 4º) Analíticos Posteriores, 5º) Tópicos e 6º) Refutações Sofísticas. Como os tratados 3º) Analíticos Anteriores e 4º) Analíticos Posteriores são os fundamentais, as aulas se fixaram neles porque ambos referem-se ao que Aristóteles chamava de Escritos sobre o silogismo;

7. Analíticos Primeiros trata da estrutura do silogismo, termo vem do grego “syllogismós, cuja etimologia indica um conjunto ou uma reunião (de proposições), um raciocínio, sem determinar sua forma precisa. (...). Mas existe um emprego propriamente aristotélico desse termo, que designa, então, um raciocínio dedutivo de forma particular. A definição geral que Aristóteles dá é: ‘o silogismo é um discurso pelo qual, estabelecidas certas coisas, uma outra coisa resulta necessariamente devido a esses dados apenas’” (Primeiros analíticos I, 1, 24b18 apud PELLEGRIN, p. 57);

8. Analíticos Primeiros: 1º)
trata da estrutura do silogismo, de suas diversas figuras e de seus diferentes modos, considerando seu aspecto formal; 2º) esse aspecto prescinde de seu valor de verdade e examina apenas a coerência forma de raciocínio; e 3º) parte-se de determinadas premissas para deduzir as consequências que elas impõem (REALE, p. 153);

9. Analíticos Segundos: 1º)
além de correto formalmente, trata do silogismo verdadeiro das premissas (e das consequências), ou seja, pensa o silogismo científico ou demonstrativo (REALE, p. 153 e p. 164); 2º) a demonstração científica está quase inteiramente ligada à concepção metafísica de substância (ou essência, ou forma, ou eidos) (REALE, p. 165).


10. Silogismo: 1º) raciocínio
: passamos a raciocinar quando proposições têm determinados nexos entre si e que sejam, de certo modo, causas umas das outras, umas antecedentes, outras consequentes. Não há reflexão sem nexo, sem esse caráter de consequência; 2º) o silogismo se constrói com três proposições: dois antecedentes (ou duas premissas) e a terceira proposição é o consequente ou conclusão que deriva das duas premissas.

terça-feira, junho 21, 2016

3º ANO: de Lógos ao Princípio Ético

PARTE I

I) As três ciências de Aristóteles (384-383
- 323 a. C).

1. Ciências Práticas:
elas se referem às ações que têm seu início e seu tempo no próprio sujeito que age: são as ações morais; o saber relaciona-se à atividade prática: a moral (ética e política); 

2. Ciências Poiéticas ou Produtivas:
elas se referem às ações que têm seu princípio no sujeito, mas são dirigidas a produzir algo fora do próprio sujeito (arte, incluindo medicina); e

3. Ciências Teoréticas:
física, matemática e metafísica (teologia natural ou filosofia)

II) Metafísica, o saber em si.

1.
Afilosofia primeira” refere-se às realidades que são separadas e imóveis, mas é conhecimento da substância primeira e mais elevada e, sendo primeira, é suprema, ou seja, é a causa de todas as coisas, é universal, qual seja, substância primeira;

II) Lógos é o que Aristóteles chama de substância (ousia).

1.
Substância é “sub-stare”, ou seja, significa “por baixo de todo estar”, compreendendo que o verbo “estar” relaciona-se a movimento, à inconstância, à variação, quer dizer, ao que está sendo;

2. Por ser “sub-stare”, a substância nunca aparece em uma experiência sensível, porque essa experiência nos mostra não o que é, mas o que está sendo. A substância sustenta o mundo sensível, permitindo que ele seja conhecível e pensável, isso quer dizer que a substância determina o que uma coisa é e a substância permanece em tudo que muda. Por causa disso, a substância, princípio de organização do mundo sensível, é imaterial, incorpórea, inteligível;

3.
Inteligível vem de “inte-legere”, que significa “ler dentro”, ler o interior, ler o profundo a fim de fundamentar, sabendo que a essência reside abaixo da superfície;

4.
A substância é o imóvel que é causa absoluta do móvel, ou seja, a substância sustenta o mundo sensível e determina o que uma coisa é, porque ela permanece em tudo o que muda;

5.
A parte imaterial da substância é a forma, o mesmo que essência; e a parte material é a potência, isto é, o que está sempre se devindo;

6.
Se, para Platão, o sensível não passava de mera aparência destituída de ser, o sensível, para Aristóteles, tem ser, mas é um ser em potência, ou seja, a Essência não está no mundo Ideal, mas encontra-se no mundo material.

7.
A substância composta é essência e acidentes. A essência vem acompanhada da ideia de necessidade, por exemplo: a essência de Platão é ser homem.

III) A Substância determina a ideia de Ética.

1.
A Ética nasce na Grécia entre os séculos V e IV antes de Cristo, adotando uma nova forma de linguagem, a do logos demonstrativo ou da linguagem epistêmica, que é a da ciência. A Ética tem como estrutura fundamental a lógica;

2.
A ciência nasceu como ciência da natureza (phisis) na Jônia do século VI, onde se formularam as primeiras regras do discurso científico ou as regras da necessidade lógica, ligando o antecedente e o consequente;

3. Ética é a ciência do ethos. Mas o que é ethos? Esse termo deriva de éthos, que significa “caráter habitual”, sendo equivalente ao termo latino moral, que é a “ciência dos costumes” ou “conjunto de costumes normativos da vida de um grupo social”. O grego arcaico, no entanto, não distinguia éthos de êthos, sendo que êthos significa “hábito” no sentido de “constância do comportamento do indivíduo cuja vida é regida pelo ethos-costume”. Aristóteles faz Ética derivar de êthos, cuja etimologia original é “morada, covil ou abrigo dos animais”.

domingo, junho 19, 2016

LÓGICA ARISTOTÉLICA (2º ANO)

DO LÓGOS AO PRINCÍPIO DA LÓGICA
Professor de Filosofia
Aldo Tavares

Conforme o Currículo Mínimo o Estado do Rio de Janeiro

Instrumentos do Pensar Filosófico:
- Apropriar-se de princípios e de alguns dos instrumentos da lógica para o pensar filosófico; e
- Desenvolver o raciocínio lógico e a argumentação.

A LÓGICA
OU A ANALÍTICA DE ARISTÓTELES (384-383 - 323 a. C)

I) SILOGISMO CONFORME A SUBSTÂNCIA

a) Silogismo 1

1ª premissa: A liberdade do ser humano é fazer o que ele quer.
2ª premissa: Judas quis trair Jesus.
3º conclusão: Logo, Judas é um ser humano livre.

b) Silogismo 2

1ª premissa (maior): Todos os animais (termo médio) são mortais.
2ª premissa (menor): Todos os homens são animais (termo médio).
3ª premissa (conclusão): Logo, todos os homens são mortais.

OBS. 1ª) “
Animais” desempenha a função de “termo médio” do silogismo e, por isso, ele é a “substância” ou alusão à “substância”. Por causa disso, existe a conclusão. Nesse caso, o silogismo é uma dedução necessária, ou silogismo demonstrativo, ou silogismo científico, ou silogismo do universal;

OBS. 2ª)
A lógica aristotélica (lógica clássica ou formal) é, fundamentalmente, um processo discursivo que tende a determinar o porquê ou a causa;

OBS. 3ª)
O lógica do silogismo demonstrativo deve fazer uso de axiomas, ou seja, proposições verdadeiras.

II) Órganon (instrumento ou meio)

1.
Raiz “stru, struō”: subjacente à prática, essa raiz dispõe uma ordem que fixa, que mobiliza e que promove relações; essa raiz que tem como 1º) significado levantar, sustentar; 2º) significado retirar; e 3º) confortar,  juntar, ligar, preparar, compor, tecer, tramar, formar, causar, cobrir; e também tem o sentido de o que produz, o que causa;

2. Alexandre de Afrodisia (198
- 209 d. C) “introduz o conceito de órganon para designar lógica em seu conjunto (e que, a partir do século VI d.C, foi utilizado como título do conjunto de todos os escritos aristotélicos relativos à lógica) define o conceito e a finalidade da lógica aristotélica, que forneceria os instrumentos mentais necessários para enfrentar qualquer tipo de investigação” (REALE, p. 151-52);
3. “Aristóteles
, que nasceu em Estagira (384-383 - 323 a. C), hoje Tessalônica, preferiu usar a palavra “”analítica”, e Analíticos é o título dos escritos fundamentais do Órganon” (Ibid, p. 152); como disciplina intelectual, foi criada no século IV a. C);

4.
Além de Analíticos, Aristóteles usa a expressão Escritos sobre o silogismo para referir-se a esses textos” (Ibid, NOTAS, p. 174);

5. O conceito analítico
significa “separação, resolução, dissolução”. “A analítica (...) explica o método pelo qual, partindo de determinada conclusão, podemos decompô-lo nos elementos dos quais ela deriva, isto é, nas premissas de onde brota; assim, é possível fundamentá-la e justificá-la” (Ibid, p. 152);

6. Analítica
ou Órganon divide-se em seis tratados: 1º) Categorias, 2º) Da Interpretação, 3º) Analíticos Anteriores, 4º) Analíticos Posteriores, 5º) Tópicos e 6º) Refutações Sofísticas. Como os tratados 3º) Analíticos Anteriores e 4º) Analíticos Posteriores são os fundamentais, as aulas se fixaram neles porque ambos referem-se ao que Aristóteles chamava de Escritos sobre o silogismo;

7.
Analíticos Primeiros trata da estrutura do silogismo, termo vem do grego “syllogismós, cuja etimologia indica um conjunto ou uma reunião (de proposições), um raciocínio, sem determinar sua forma precisa. (...). Mas existe um emprego propriamente aristotélico desse termo, que designa, então, um raciocínio dedutivo de forma particular. A definição geral que Aristóteles dá é: ‘o silogismo é um discurso pelo qual, estabelecidas certas coisas, uma outra coisa resulta necessariamente devido a esses dados apenas’” (Primeiros analíticos I, 1, 24b18 apud PELLEGRIN, p. 57);

8. Analíticos Primeiros: 1º)
trata da estrutura do silogismo, de suas diversas figuras e de seus diferentes modos, considerando seu aspecto formal; 2º) esse aspecto prescinde de seu valor de verdade e examina apenas a coerência forma de raciocínio; e 3º) parte-se de determinadas premissas para deduzir as consequências que elas impõem (REALE, p. 153);

9. Analíticos Segundos: 1º)
além de correto formalmente, trata do silogismo verdadeiro das premissas (e das consequências), ou seja, pensa o silogismo científico ou demonstrativo (REALE, p. 153 e p. 164); 2º) a demonstração científica está quase inteiramente ligada à concepção metafísica de substância (ou essência, ou forma, ou eidos) (REALE, p. 165).

10. Silogismo: 1º) raciocínio
: passamos a raciocinar quando proposições têm determinados nexos entre si e que sejam, de certo modo, causas umas das outras, umas antecedentes, outras consequentes. Não há reflexão sem nexo, sem esse caráter de consequência; 2º) o silogismo se constrói com três proposições: dois antecedentes (ou duas premissas) e a terceira proposição é o consequente ou conclusão que deriva das duas premissas.

domingo, junho 12, 2016

O EVANGELHO SEGUNDO SÃO JOÃO


Quando abrimos as primeiras páginas do apóstolo João, lemos que “no princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. Princípio. Verbo. O que é o princípio? O que é verbo? Antes de qualquer coisa, saibamos que esses dois termos são as traduções latinas dos gregos arkhé (ἀρχή), “princípio”, e lógos (λόγος), “verbo”. Embora tenhamos em são João o termo arkhé, este texto seguirá só com lógos.                                                                 .          

Antes de buscarmos o significado de verbo em português, a origem desse termo é grega, ou seja, “verbo” passou pelo filtro da cultura romana. Por causa dessa passagem da língua grega para a língua latina, perdeu-se o sentido original, pois se perdeu a vida da palavra.
                                                                                                   .
Segundo a obra De Magistro, de Agostinho, verbo afirma “tudo o que é proferido por uma voz (vox) articulada com uma significação percute (verberare) no ouvido para ser percebido e é confiado à memória para ser conhecido (nosci)”. Nesse aspecto, verbo é palavra; mas entendamos “palavra” enquanto sentido original de “palavra interior”, porque, na obra De Trinitate, ainda de Agostinho, “verbum não abandona a alma daquele que fala”. Palavra é, portanto, o que vem do íntimo para o outro que me escuta, sabendo que, entre quem fala e quem ouve, só há encontro por pertencer à natureza da palavra a ordem.                                              .

“Lógos também foi traduzido para o latim como “ratio” ou “razão”. Mas qual a origem de “ratio”? Razão designava “a conta que o escravo mantinha com seu dono em um livro-razão”. Então, “ratio” pertence à ordem dos números, ou seja, por “ratio” derivar do verbo latino “reor”, a conjugação é “eu conto, eu cálculo”. Infelizmente, nós herdamos da cultura romana a ideia de razão, tendo sido sepultada a ideia de razão segundo os gregos.                                                                                                             .
Em grego, “lógos” não tem sua origem em livro-razão, objeto do comércio, do negócio, onde o número é precisão ou coisa em si mesma. Em grego, “lógos”, originado e pensado por Heráclito de Éfeso (544?-474? a.C), possui beleza metafísica que, embora tamanha beleza tenha sido muito alterada ao longo de séculos, chegou a nós pelo pensamento católico
                                                                                                         .
Primeiro a pensar no cristianismo a relação entre o divino e o humano foi Orígenes (185-253 d.C), discípulo de Clemente de Alexandria (150-215 d.C). Ainda que Heráclito tenha sido o primeiro a pensar “lógos”, Orígenes foi influenciado pela noção estoica, que é a ordem racional do mundo, ou seja, “lógos” é força de unidade na dispersão, princípio divino que vive nos homens, divinizando-os. Jesus é o “Lógos”, ou seja, sua natureza é dupla, divina e mortal, infinita e finita, imanente e transcendente, visto que “Lógos” é fonte das duas naturezas de Jesus Cristo. A beleza e a profundidade do pensamento de Orígenes, podemos encontrar em “Tratado sobre os Princípios”, páginas originárias dos pensamentos de Hegel (1770-1831) e de Feuerbach (1804-1872) a respeito da natureza dupla de Jesus.

Aldo Bourdieu
(língua.portuguesa@uol.com.br) é professor de Filosofia, de Sociologia, de Literatura, de Religião e de Língua Portuguesa.