domingo, dezembro 31, 2006

Minha filha


Feliz 2007!!! :-)

LuLa, Binho & os PoBreS


Na última atualização do blog deste ano, tenho a certeza de que o Brasil e o Acre são melhores do que ontem e serão ainda melhores amanhã.
O Partido dos Trabalhadores, representado pelo presidente Lula nos últimos quatro anos, deixa índices sociais melhores do que o governo de FHC, do PSDB.
O economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), calculou, com os economistas Nanak Kakwani e Hyun H. Son, das Nações Unidas, as taxas de crescimento que refletem a evolução da renda dos mais pobres.
Em 1996, no governo do PSDB, a renda per capita do brasileiro chegou à media de 1,59% e, em 1998, a renda dos mais pobres alcançou 5,07%. Esses, os índices de FHC.
Como o PT, a renda per capita em 2004 foi a 3,56% e, ainda em 2004, a renda dos mais pobres tocou em 14,11%. "2004 é o grande ano da queda da desigualdade no Brasil, um ano espetacular", segundo Marcelo Neri, da FGV.
No Acre, tenho certeza de que os próximos anos ofertarão aos mais humildes uma realidade social mais humana, porque o PT tem um compromisso histórico com a justiça social.
Que venha 2007!

sábado, dezembro 30, 2006

- junto à -

"Com os salários dos servidores praticamente atrasados, a mesa-diretora pediu, pela terceira vez neste ano, auxílio financeiro junto à prefeitura."
    1. - junto à prefeitura - Nossos jornalistas habituaram a escrever "junto à" de forma errada, porque a mesa-diretora não pediu auxílio "perto da" prefeitura. A mesa-diretora pediu auxílio à prefeitura.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

- eleito governador -

Todo repórter da TRIBUNA - e não só - escreve "eleito governador", "eleito deputado".
No Dicionário Prático de Regência Nominal, do Celso Pedro Luft, página 193, há duas preposições para "eleito", quais sejam: "a" e "para".
O autor dá exemplo: "eleito a (ou para) deputado."
Portanto, errado escrever "eleito governador". O correto é "eleito para governador" ou "a governador".
Leia bons autores.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Imprensa & Binho Marques


Nada é tão bom que não precise de transformações. Mas, quando é ruim, muito menos precisa ficar como está.
A imprensa, nos últimos oito anos, por causa de alguns jornalistas, só escreveu para adular o poder como se não existisse uma sociedade para ser transformada. A adulação, rebento deformado dos tolos, obstrui veredas e varadouros para novas possibilidades.
O tempo exige outros jornalistas, outros textos, outra forma de expor a realidade. Repetir com o governador Binho o que ocorreu com o governador Jorge Viana significa parar no tempo. A sociedade, a parte que lê jornais, perde com essa paralisia.
Por que o futuro governo não incentiva a criação de jornais escolares? Por que os jornais não publicam matérias propositivas sobre a educação e a saúde, por exemplo? Por que a crítica ética e inteligente é impossível?
Tenho aversão aos aduladores e aos panfletários, tipo de gente que desqualifica a democracia. Nosso jornalismo precisa pensar o Acre a fim de que não seja pensado pelo poder.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Angeli, da Folha de São Paulo

















Simples e, profundamente, sarcástico. Angeli é o mestre da charge, inteligência em traços cortantes.

sábado, dezembro 23, 2006

Aécio Neves não Aumentou o próprio Salário

Antes de deixar o poder, o governador Zeca do PT encaminhou um projeto de lei à Assembléia Legislativa de Mato Grosso a fim de receber como ex-governador dinheiro público por toda a vida, mais de R$ 20 mil.
Acreditando que o Natal pode trazer mais presentes, Zeca do PT se presenteou: quando morrer, sua família receberá a metade da grana pública durante toda a vida.
No Acre, o governador Jorge Viana deixa o governo após aumentar o seu salário. Como eleitor, como pessoa que vive em um país democrático e pobre, discordo desse procedimento de um partido que luta por justiça social. Não votei em Jorge Viana para isso. A população deveria ter sido consultada, porque os governadores são empregados do povo.
Em Minas Gerais, Aécio Neves sai do governo sem ter aumentado o seu salário. O governandor de Minas recebe R$ 10,5 mil. O do Acre, pouco mais de R$ 20 mil. Esse, definitivamente, não é o PT de minha adolescência, da minha juventude. Sou contra essas pensões eternas.
No entanto, entregue a uma contradição barroca, ainda voto no PT acreano por determinados motivos.

As assembléias legislativas dos Estados do ES, MG, MT e PR aprovaram na semana que passou aumentos salariais para governadores e vices.
No Estado de Alagoas, está tramitando um projeto de lei que propõe um reajuste de 14% no subsídio do governador e dos secretários.
No Acre, a Assembléia Legislativa também aprovou novo salário para o governador Jorge Viana. No último dia 14, os deputados aprovaram, por unanimidade, projeto de lei que eleva dos atuais R$ 16,7 mil para R$ 22.111 o salário do governador.
A matéria foi enviada pelo Executivo e aprovada em sessão extraordinária. Com o reajuste, o salário do chefe do Executivo estadual iguala-se ao dos desembargadores do Tribunal de Justiça. No efeito cascata, também aumentaram as pensões dos ex-governadores.
Por todo o País, uma onda de projetos de reajuste salarial de governadores, de vices e de secretários de Estados foram analisados e, em vários Estados, aprovados.
No Paraná, os deputados aprovaram elevação do salário do governador Roberto Requião (PMDB) de R$ 21,5 mil para o valor recebido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, R$ 24,5 mil.
Em Minas, os salários do vice governador eleito, Antônio Anastásia (PSDB), dos 15 secretários do estado e dos secretários adjuntos serão reajustados entre 13,8% e 20%.
Os salários vão variar entre R$ 9 mil e R$ 10.250. Só não foi reajustado o de Aécio Neves (PSDB), que continua R$ 10,5 mil.
Em Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS) teve aumento de 5,05%, aprovado pela assembléia.
Assim, o salário sobe de R$ 10,5 mil para R$11.030. O governador Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo, receberá remuneração de R$ 12.168. O reajuste para o governador foi de 8%.

Angeli, da Folha de São Paulo

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Por que escrevemos tão mal?

Estou para publicar na TRIBUNA sobre a colocação da Língua Portuguesa por Estado e por capital. O texto abaixo é o início.

Pela primeira vez na história da República, o Ministério da Educação realizou em 2005 uma pesquisa para medir a qualidade do ensino de Língua Portuguesa da 4ª e da 8ª série do ensino fundamental. Foram 3.306.378 alunos de 40.920 mil escolas públicas, distribuídos em 122.463 turmas. Ao todo, 5.398 municípios foram avaliados.
A Prova Brasil, aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), considerou uma pontuação que obedece a uma escala de nove níveis, de 125 até 350. Essa avaliação compõe o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, o Saeb.
Na 4ª série, o Acre atingiu 172.43 pontos, ficando o ensino público estadual na 11ª colocação. Na 8ª série, o Estado desceu alguns degraus, permanecendo na 16ª posição com 219.56 pontos, ou seja, no nível 200.
Esse nível significa que o aluno da 8ª série ingressa no ensino médio sem saber, por exemplo, identificar informações explícitas em textos argumentativos com alta complexidade lingüística. E nem precisa de complexidade. A mais simples pontuação, como o ponto contínuo, o aluno não sabe usar no texto quando deixa o ensino fundamental.
Como o aluno sai do ensino fundamental sem nunca ter lido um livro em sala de aula com o professor, a pesquisa Prova Brasil acabou revelando que esse estudante não tem habilidades em empregar estratégias para localizar informações explícitas e inferir informações implícitas em um texto. Ele não consegue ultrapassar os limites do que está escrito e não reconhece também o que está textualmente registrado e nem subentendido.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Um Livro, um Braga

História Desenhada é o novo livro do chargista Braga
Texto não é meu

A charge confirma, como nenhum outro veículo, que sua função não é, prioritariamente, fazer rir, mas produzir reflexão. Os bons chargistas sintetizam em poucos traços aquele sentimento que está na cabeça das pessoas e que muitas vezes não consegue ser expresso em palavras ou em imagens.
Uma prova disso é o livro História Desenhada, do jornalista e chargista Francisco Braga, que será lançado no próximo sábado, 23, às 16h, na Fundação Elias Mansour.
O livro, com quase 200 páginas, reúne os melhores trabalhos publicados na imprensa local nos últimos 10 anos e sua concepção se deu graças à Lei de Incentivo à Cultura, que permitiu o patrocínio da Papelaria Arnaldo e o apoio da Printac Gráfica e Editora.
Braga é ganhador do Prêmio José Chalub Leite, categoria charge, nas edições 2004, 2005 e 2006. Ele sofreu para organizar o material que estava disperso em pastas perdidas em várias casas, redações de jornais e arquivos de computador. Mas o esforço valeu à pena.
Agora, a produção está eternizada nesse livro e poderá ser consultada por várias gerações que quiserem entender um pouco do que foram os últimos 10 anos para o Brasil e o mundo e o quanto eles transformaram o Acre.
Isso porque a charge registra o clima de uma época, caminha abraçada com a crítica social e tem o humor como aliado. Ela não precisa de recursos sofisticados para produção e por isso torna-se uma arma nas mãos de alguns artistas em determinado tempo e sociedade. Exemplos não faltam: Henfil (Graúna e outros), Angeli (Rê Bordosa e outros), Dick Browne (Hagar, o Horrível) e o genial Quino, pai da Mafalda.
É também um trabalho opressivo, principalmente, àqueles que têm obrigação de publicar todos os dias. “Tem hora que não vem nada”, explica Braga, lembrando-se de um desses momentos terríveis. “Um dia faltou inspiração, não pintava nada. A saída foi desenhar um bilhete no espaço da charge com o seguinte recado: Moçada, hoje deu branco!. Bastou para ser o assunto mais comentado do dia”. O evento de lançamento do livro é aberto a todos os interessados.

Outras informações:
Francisco Braga (francisco.silvabraga@ac.gov.br)
Jornalista e chargista
68 8111 0124

Blog Aberto ao Senador Tião Viana


Senador, desde o dia em que o senhor foi candidato, sempre votei em teu nome, porque, primeiro, ainda, sou um petista; e, segundo, porque o senhor é um homem público probo.
Este blog, senador, não é lido por milhares de pessoas, mas é lido por mim e por alguns e, por meio desta bolha, desejo aqui revelar minha insatisfação ao saber que o senhor aprovou o aumento de 91% para os congressistas.
O senhor já havia votado contra a CPI, ao contrário do senador Suplicy, deixando-me incomodado a sua posição. Após algum tempo, vota a favor de um aumento de 91%.
A imprensa local silencia-se, mas a tecnologia permite uma democracia que alguns petistas negam. Alguns. Graças à internete, a esse ainda pequeno meio de informação, afirmo-lhe que não votarei mais no senhor, porque o PT, nesse aspecto, não é isso. Mais: a esquerda não é 91%.
Poderia eu permanecer no aconchego de minha indiferença; entretanto, escrevo-lhe, porque não consigo ser indiferente ao meu país. Sabe, ainda possuo o vigor de expressar a minha indignação por meio desta democracia ao sabor da internete.
Sei que meu voto não fará diferença, mas a questão aqui não se reduz a número, a um voto, mas a uma porcentagem - os 91%.
Meu voto pertence a um cidadão comum, sem importância, por alguém que só deseja viver em um Brasil justo; todavia, esse voto lhe será negado, porquanto não vale menos do que a vergonha de um aumento que me agride.

Para o bem da democracia, penso melhor agir assim, um blog. Rejeito a ação de Rita de Cássia Sampaio de Souza, de 45 anos, mulher que esfaqueou o deputado federal, o sr. Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

"Eles têm tudo, mordomias, e eu nem consigo sacar o meu FGTS", protestou.

Minha arma não fere, não mata, pois, como escreveu Drummond, "lutar com as palavras/é a luta mais vã/Mas eu luto/ mal rompe a manhã".

Vida longa, senador!

Vida longa à justa democracia!

sábado, dezembro 16, 2006

Jean, da Folha de São Paulo

Paixão, do jornal Gazeta do Povo

- Junto àquela -

Processo na Justiça
Dóris anunciou que vai processar o senador por ele, segundo ela, ter aberto em público o sigilo de sua conta no Banco do Brasil. Mesquita disse, na tribuna do Senado, que ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil junto àquela instituição. Essa denúncia é bastante grave.

1 - junto àquela - Bastante grave é todo dia não melhorar sua escrita e repetir dia após dia o mesmo erro. Quando se escreve assim, o sentido é "ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil perto da instituição". É "perto da" ou "para com"? É "perto da" ou "com"? O correto é "ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil com (ou para com) a instituição".

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Os R$ 267,32 da Copeve

Aldo Nascimento

No país do samba e do futebol, o brasileiro, no começo do século 21, lê menos de dois livros por ano. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, são cerca de cinco livros. Na França, sete. Na Finlândia, esse número chega perto de 20.
Em nossas escolas públicas, o aluno passa pelos ensinos fundamental e médio sem ler, em sala de aula, uma narrativa. Não há leitura na escola, e os irresponsáveis por isso, eles: professores e currículos formais do Estado e dos municípios.
Nem tudo, entretanto, nega a leitura. A Copeve, da Universidade Federal do Acre, a Ufac, contribui para que o aluno adquira o hábito prazeroso de ler à força. “Compre os dez livros da lista para a prova de Literatura.” Tanto pela quantidade quanto pelo conteúdo, esses dez mandamentos literários estimulam, dê-mais, os alunos a ter antipatia pela arte literária.
Somente em junho deste ano, a Copeve divulgou à imprensa uma lista não com os dez livros, mas com oito - Álbum de Família, de Nelson Rodrigues; e Inocência, de Viconde de Taunay, excluídos.
Em agosto, entretanto, o vestibulando se deparou com os dez livros no manual do candidato. Para coroar esse estímulo literário desorganizado, eis o grand finale: na prova de Literatura, domingo, dia 10, o vestibulando não leu sequer uma questão sobre um dos dez livros. Outro estímulo para ler.
“Prestei vestibular para Medicina e, por causa disso, comprei os livros da lista da Copeve, porque todo ponto é importante para eu passar”, disse João Carlos, do pré-vestibular Ideal.
Filho de uma família humilde que investe em seus estudos, seus pais gastaram R$ 267,32 para comprar 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 & 10 livros. João leu todos, superando, graças à Copeve, a média anual dos brasileiros.
“Não caiu uma questão sobre os livros, meus pais gastaram dinheiro em vão, e eu perdi tempo”, disse o aluno. “Na próxima vez, vou ler os resumos desses livros”.
Há muito tempo, a Copeve reproduz em suas provas de Literatura questões que visam somente ao anacrônico historicismo literário. Ao empobrecer a Literatura, por exemplo, de uma Clarice Lispector, a Copeve concedeu aos vestibulandos o vício dos resumos fotocopiados.
Há muito tempo, decretou-se a morte da leitura. Neste ano, a Copeve se superou. Parabéns!!!




quinta-feira, dezembro 14, 2006

Angeli, do jornal A Folha de São Paulo



Para mim, um dos melhores chargistas do Brasil.

Braga & Braga


Há muito tempo não converso com o cearense Braga. No blog do Altino, encontrei-o em forma de charge. Talentoso.
Só lamento que seus traços não residem mais nos jornais, porque dono de jornal no Acre não sabe rir.

Sem ele, sem o Gean Cabral, por exemplo, nossos jornais são menos inteligentes.

Uma pena.

Associação dos Cronistas Esportivos do Acre


No site da Acea, está escrito "Acea premeia os melhores de 2006".
Eu premio
Tu premias
Ele premia

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Os 10 livros da Copeve

Neste ano, somente em junho, a Copeve divulgou à imprensa a lista dos livros exigidos para a provra de Literatura.
Nessa relação, não havia dois: Álbum de Família, de Nelson Rodrigues; e Inocência, de Visconde Taunay.
Em agosto, no manual do candidato, entretanto, a Copeve publicou os dez livros, incluindo, para a surpresa dos vestibulando, Álbum de Família e Inocência.
Na prova de Literatura, domingo, dia 10, não havia sequer uma questão sobre um dos livros. Uma questão.
No pré-vestibualr Ideal, alguns alunos compraram os dez livros. O preço, R$ 267,32. Foi tempo de leitura jogado fora.
Em um país onde o brasileiro lê menos de dois livros por ano, a Copeve, com os seus livros (ausentes no vestibular) e com sua concepção historicista da literatura, presta um desserviço à leitura.
A arte literária não merece isso.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Fecury & Astélio



O secretério municipal de Educação, prof. Moacir Fecury, baixou uma portaria que proíbe a utilização de músicas e de coreografias evangélicas em eventos escolares.
O vereador Astélio Moreira, do PSB e avangélico, discorda. Para ele, música e coreografia devem estar na escola pública, porque a "Constituição garante liberdade religiosa aos brasileiros".
Alguns políticos, como é o caso do vereador do PSB, usam o conceito "democracia" para que não haja limite. Todos podem. Por exemplo, só para ironizar, eu sou macumbeiro e a minha filhinha também.
Por causa disso, nós podemos chamar o pessoal do centro de umbanda para cantar e rodar a baiana na escola pública de minha filha. Levarei galinha preta, vela, atabaque, porque a "Constituição garante liberdade religiosa aos brasileiros".
O vereador ignora o que seja o conceito "democracia". Além disso, até onde eu sei, a escola pública é laica.

Breves Observações

Um aluno, do pré-vestibular Ideal, por meio do correio eletrônico, enviou uma introdução e um desenvolvimento para eu comentar.
O voto é a capacidade do eleitor escolher seus candidatos de forma que estes venham a corresponder às expectativas daqueles. Será que o Brasil tem eleitores conscientes?
No Brasil, há muitos eleitores que analisam criteriosamente seus candidatos. Ações como a leitura de revistas de circulação nacional ou de jornais tanto impressos como televisivos ajudam a conhecer os candidatos. Além disso, a propaganda eleitoral tem o objetivo de que o cidadão observe a veracidade das propostas.

  1. - é e tem - Muito comum, o aluno iniciar a introdução com os verbos “ser”, “estar” e “ter”. Não é errado, mas é lugar-comum. Caso o conteúdo da introdução tenha uma ótima elaboração, nem percebemos a presença desses verbos; no entanto, se o conteúdo for superficial e se esse conteúdo, ainda, não apresentar uma boa elaboração, usá-los torna-se um equívoco;

  2. - linhas - Em uma folha, essa introdução não apresenta cinco linhas no mínimo. Como sabemos, um texto com 30 linhas precisa de uma distribuição harmoniosa de linhas nos quatro parágrafos. Vejamos: introdução (5 ou 7 linhas), desenvolvimento 1 (10 ou 8 linhas), desenvolvimento 2 (10 ou 8 linhas) e conclusão ou solução (5 ou 7 linhas). Essa introdução, portanto, nesse sentido, precisa ser maior;

  3. - leitura de jornais televisivos - Quando assisto ao jornal da TV Cultura, eu não o leio; eu o ouço;

  4. - leitura de revistas - No desenvolvimento, é necessário especificar, porque, nesse espaço, o leitor precisa ser convencido por meio de detalhes, e ninguém detalha escrevendo generalidades, é óbvio. Nem toda revista permite conhecer o candidato. Nem todo jornal permite conhecer o candidato;

  5. - de que o cidadão observe - "(...) tem o objetivo de o cidadão observar a veracidade das propostas";

  6. - ações como - Eu evitaria. Começaria com "a leitura de".

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Vida Dura




Vara de velhinhos
só pesca
Peixe Podre


Ontem, no bairro 6 de Agosto, à tarde, a PM roubou o espetáculo erótico para homens idosos no exato momento em que uma ex-presidiária, a Peixe Podre, retirava a última peça. "É duro ser velho, e a polícia ainda resolveu tirar de nós a nossa única alegria", disse seu João dos Santos, de 76 anos.

Tudo bem que Maria Antônia Liberdade de Souza, de 31 anos, não tem o apelido de Sereia do Norte, mas pelo menos cobrava muito barato para os velhinhos pescarem: R$ 5 de cada um.
Os policiais disseram que se tratava de um atentado contra o pudor. "Contra o pudor?", perguntou seu Carlos Antônio, de 82 anos. "Contra o pudor é velho não sentir prazer com os olhos".

terça-feira, dezembro 05, 2006

- a quem acusou -

"A dona-de-casa Raimunda Santos da Silva, de 37 anos, esteve ontem na 8ª Unidade de Segurança Pública para denunciar seu ex-marido Juscelino Oliveira da Silva, a quem acusou de espancá-la com uma corrente contendo um cadeado na ponta. O caso ocorreu quando a denunciante procurou Juscelino para cobrar a pensão dos filhos menores."
    1. "A quem acusou" - Qual o motivo de colocar a preposição "a" antes de "quem"? Nós acusamos alguém e não a alguém. A regência é direta, isto é, não há preposição. Consulto Celso Luft, e ele oferece um exemplo: "Acusa colegas (Acusa-os) de corrupão. O correto é "quem acusou de".

Para Vestibular


Thaís Nicoleti de Camargo é professora de português desde 1984. Consultora do jornal Folha de São Paulo, ela leciona no ensino médio e em pré-vestibulares.

Desde 2000, escreve sobre gramática, literatura e redação na coluna semanal Vale a Pena Saber, do caderno Fovest, da Folha.

Assina também a coluna Redação do Leitor, que deu origem a este livro.

Neste livro, há 21 dissertações escritas por alunos. No texto, ela registra observações gramaticais e, em uma página ao lado, comenta sobre a dissertação.

Em outras duas páginas, aparece a Redação Corrigida e Orientação de Estudo.

Para apresentar melhor o livro, entrevistei a autora neste espaço chamado ENTRELIVROS.

Professora, o que é preciso para escrever bem?

Thaís Nicoleti - Para escrever bem, é preciso ler, adquirir informação e, sobretudo, aprender a pensar. Seria ingenuidade acreditar na existência de um conjunto de técnicas que, milagrosamente, levariam alguém a redigir bem. Na verdade, a prática constante a que todos nos devemos submeter é a leitura crítica do mundo, esse o verdadeiro caminho para o exercício da cidadania.

Nos textos dos alunos, suas observações só são gramaticais?

Thaís Nicoleti - Não. Há sugestões de encadeamento das idéias, de reformulação de parágrafos, de alteração de vocabulário e, eventualmente, o acréscimo ou a supressão de alguns trechos.

Logo no primeiro texto, Juventude iletrada, seu comentário indica que uma reflexão superficial prejudica texto.

Thaís Nicoleti - Nessa dissertação, a visão de mundo limitada deve-se mais à falta de formação intelectual adequada que à falta de informações.

No século 17, o padre Antônio Vieira criticava as generalizações. Nossos alunos são genéricos?

Thaís Nicoleti - São demais. A reflexão superficial compromete texto. As generalizações fragilizam a argumentação. Generalização dá tom simplista à argumentação.


segunda-feira, dezembro 04, 2006

Habeas corpus, habeas-corpus ou hábeas-córpus?

Não há neste Brasil um órgão que regulamente a grafia.
Se consultarmos o manual do jornal O Estado de São Paulo, Eduardo Martins registra "habeas-corpus".
Se consultarmos o manual da Folha de São Paulo, registra-se "habeas corpus".
Se consultarmos o livro "O português do dia-a-dia", do prof. Sérgio Nogueira, registra-se "hábeas-córpus".
E agora?
Bem, o advogado deve usar "habeas corpus", porque a sua profissão mantém a grafia do latim clássico.
E o jornalista? O texto de jornal, por ser popular, deve registrar "hábeas-córpus", porque o hífen é conseqüência do aportuguesamento, assim como os dois acentos graves.
No entanto, Eduardo Martins aportuguesa com "hífen", mas não considera os acentos graves. Como sigo o manual do Estadão, registro na TRIBUNA "habeas-corpus".

Prof. Sérgio Nogueira


"O português do dia-a-dia", do professor Sérgio Nogueira merece ser aprecisado por quem deseja escrever melhor.
Sobreviver - Não significa "viver mal". Sobreviver significa "viver além, ter uma sobrevida": "Após duas cirurgias, ele sobrevive com um único rim."
Exemplo inadequado: "Não sei como o brasileiro sobrevive com um salário mínimo (= com certeza "o brasileiro mal vive ou vive mal com salário mínimo").
Sinalizar - É "fazer sinais". Evite o uso do verbo sinalizar no sentido de "indicar" ou "anunciar".
Reverter - Verdadeiramente significa "voltar ao ponto de partida". Usar somente quando houver a idéia de "volta, retorno", à situação anterior: "Entrou em coma, mas o médico conseguiu reverter o quadro clínico." Se houver apenas uma idéia de "mudança", podemos usar mudar, modificar ou alterar. Se a idéia for mudar para uma situação oposta, devemos usar inverter: "O governador quer inverter (e não reverter) o atual quadro de degradação em que se encontra a polícia do Rio de Janeiro."

Para além da gramática, idéias erradas

A gente encontra cada uma em nosso jornalismo.

1. "Um tumulto envolvendo diversas pessoas." - Sim, deveria ser "envolvendo camelos"?

2. "Ele espancou João o deixando lesionado." - Sim, deveria ter deixado "beijos"?

3. "A Operação Papai Noel, com participação da Companhia de Trânsito (Ciatran), começou a averiguar o volume e a freqüência dos sons produzidos por equipamentos de carros de passeios dos acreanos." - Quer dizer, se um paulista ou um rondoniense estiverem na avenida Chico Mendes dirigindo, seu carro não será averiaguado.

- à produzir -

"As câmeras digitais na verdade não se limitam à produzir fotos. Também gravam cenas, como uma pequena filmadora. A vantagem sobre as manuais, além da dispensa de filmes, é poder armazenar no computador, como num álbum virtual e também mandar por e-mail para quem se quer. A maioria dos modelos oferecem facilidade de operação, o que possibilita mesmo a iniciantes produzirem fotos de qualidade."
    1. - à produzir - Como um repórter coloca o acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de "produzir"? Não há (`) antes de verbo.

sábado, dezembro 02, 2006

Vestibulando

Dica para uma ótima leitura. Vestibulando, compre o livro Redação - linha a linha, de Thaís Nicoleti de Camargo. A editora, Publifolha.
Muito bom!

A MatemÁtica de GleiDsoN

Professor da disciplina Matemática, José Gleidson Ferreira do Nascimento, de 24 anos, começou a edificar um trabalho significativo na escola Heloísa Mourão Marques.
Em reunião do Conselho de Disciplina de Matemática, ele apresentou um caminho social para a sua disciplina.
Seus alunos aprenderão, por exemplo, porcentagem por meio de pesquisa de preço em supermercados e em pequenos comércios. Não se constrói, no entanto, uma idéia sozinho.
À mesa com ele, os professores Antônio Fernandes, Miguel Antônio Cairo Reis e Francisco Ivo de Oliveira.
Os objetivos são estes:
  1. aplicar conteúdos básicos da disciplina de Matemática à economia doméstica;
  2. entender a Estatística como um ramo da Matemática necessário à tomada de decisões; e
  3. promover o senso de responsabilidade para com a renda familiar.

Por meio disso, o corpo discente estudará porcentagem, razão e proporção, funções (construção e análise de gráficos) e planilhas eletrônicas.

Bem que a Matemática poderia publicar essa pesquisa em um jornal escrito pelos alunos de Língua Portuguesa. Dessa forma, as duas disciplinas seriam úteis às famílias dos próprios alunos, mostrando preços diferentes do mesmo produto.

Alguns dirão que não há nada de novo nisso. A questão, entretanto, não essa. A questão é que alguns fazem "o novo" e outros não o fazem, porque permanecem imóveis com os seus anacrônicos hábitos. É mais cômodo.

A FloresTania de ToinHo aLveS


Aprecio a palavra florestania ou o termo. Palavra não é o mesmo que termo. Conceito se opõe a termo e à palavra. E o que é palavra? O que é termo? E conceito?
Em uma certa noite, na varanda de sua arejada casa, ouvi Toinho Alves, o homem que talhou na árvore florestania. Depois dessa sonoridade, alguns falantes começaram a propagar florestania como conceito.
Ingênuo equívoco. Florestania não é conceito; florestania, senhores, é "neologismo".
E por que não é conceito ou categoria analítica? Que alguns repórteres não afirmem que se trata de conceito, porque, sem base, fala-se por falar.
Paixão é conceito. Família é conceito. Estado é conceito. Amor é conceito. Carnaval é conceito. Ordem é conceito. Ética é conceito. Educação é conceito. Estética é conceito. Subjetivação é conceito. Poder é conceito. Florestania não é conceito. Florestania é neologismo.

quinta-feira, novembro 30, 2006

- empatar em ou empatar por -

Na página de esporte, jornal A TRIBUNA, escrevia-se "empatado por 2 x 2". Falei com Paulinho. Ele passou a escrever "empatado em 2 x 2".
Consultando Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, registra-se o verbo "empatar" assim:
Igualar em tentos (um jogo).
"Igualar" ou "empatar". O Flamengo se igualou ao Vasco em 2 x 2.
Luft dá um exemplo:
"Igualar uma coisa ou pessoa a outra, com outra (em algo)". Quer dizer, o Flamengo se igualou ao Vasco em algo, no caso, no placar, qual seja, 2 x 2.
No Dicionário Prático de Regência Nominal, também de Celso Pedro Luft, encontra-se EMPATADO a. EMPATE s.m. com o seguintre exemplo:
"Jogo empatado com o maior rival (em zero a zero). Partida empatada de um a um. Empate honroso (em dois a dois) com o Flamengo."
No entanto, no Manual de Redação e Estilo, de Eduardo Martins, o autor diz:
"Use empatar por, e nunca 'empatar em', pois os adjuntos adverbiais de quantidade não admitem a preposição em. Repare que, se um time ganha ou perde por, também empata por. Da mesma forma, empate por ou empate de, e não 'empate em'."
E agora? Bem, como escreveu Nietzsche, não existe verdade; existem interpretações.
Celso Pedro Luft considera a preposição "em" a partir do verbo "empatar" no sentido de "se igualar".
Eduardo Martins, do jornal O Estado de São Paulo, segue outro caminho, o do advérbio de quantidade. Exemplo, "o Flamengo empatou com o Vasco pela quantidade de 2 a 2".
Reduzindo, escreve-se "o Flamengo empatou com o Vasco por 2 a 2 ou de 2 a 2.
Manual de Redação e Estilo, de Dad Squarisi, a autora concorda com Eduardo Martins. Como sigo as linhas do manual dele, devo optar por "empatou por" ou "empatou de".

quarta-feira, novembro 29, 2006

Maus-lençóis ou maus lençóis?

Hoje, na capa da TRIBUNA, publica-se "maus-lençóis".
Consultei os dicionários do Aurélio, do Houaiss e o da Academia Brasileira de Letras, além do manual ortográfico de Celso Pedro Luft, mas não encontrei o registro de "maus-lençóis".
No entanto, segui o texto de Celso Pedro Luft, escrito em Grande Manual de Ortografia Globo, que diz na página 133:
Condições para a hifenização em palavras compostas:
1.a) unidade semântica: significação global distinta da significação individual das parcelas.
Com essa observação, entendemos o porquê de "mau-olhado"; não encontrei, no entanto, "maus-lençóis".
Mau-olhado é causar melefício. Maus-lençóis é deixar "sem jeito", deixar em "situação perigosa", que se encontra "ameaçado".
Fiz a minha opção como fiz por "mesa-diretora".
Detalhes de um revisor.



O Mal - página 69



Há nomes que são eternos. Eu não sou. Você também não. Seremos pulverizados pelo tempo depois da missa de sétimo dia. Nós nunca existimos.
Mas meus olhos apreciam palavras eternas, a imensidão infinda de termos que dizem mais do que esta vidinha que levamos. Ler um ótimo autor, um dos maiores escritores do século 19, insulta a minha insignificante vida.
Leio para rir dos tolos, de mim, por exemplo. Leio, porque a realidade nada me diz. Assim, ele me diz "examinem a vida dos melhores e mais fecundos homens e povos e perguntem a si mesmos se uma árvore que deve crescer orgulhosamente no ar poderia dispensar o mau tempo e os temporais; se o desfavor e a resistência externa, se alguma espécie de ódio, ciúme, teimosia, suspeita, dureza, avareza e violência não faz parte das circunstâncias 'favoráveis' sem as quais não é possível um grande crescimento, mesmo na virtude? O veneno que faz morrer a natureza frágil é um fortificante para o forte - e ele nem o chama de veneno".
Fecho o livro. Amanhã, abraçarei a minha leitura como quem se entrega à amada - leitura, A Gaia Ciência, de Nietzsche.

terça-feira, novembro 28, 2006

Dinheiro Público

A imprensa acreana e o Sindicato da Educação permanecem indiferentes ao dinheiro público da escola.
As Redações acompanham a eleição da OAB, porque advogado tem mais importância do que educador. O sindicato, por sua vez, só se refere à educação quando o assunto é isonomia.
Paralelo a isso, gestores de escolas públicas permanecem impunes por suas péssimas e pseudo-administrações.
Para citar um exemplo, na escola Heloísa Mourão Marques, por causa de uma administração anterior, o dinheiro escolar foi bloqueado, mais de R$ 50 mil. Não pagaram os encargos sociais da fanfarra - mais de mil reais.
Na Assembléia, não há lei que puna o homem público (o diretor de escola ou o gestor escolar) que administra muito mal o dinheiro da população.
Faz campanha e, uma vez eleito, apresenta uma prestação "faz-de-conta". Candidata-se mais uma vez e perde a eleição. Sai da escola e deixa tudo nas costas de um futuro diretor sem que haja uma única punição contra o péssimo diretor escolar, porque não há lei no Estado para isso.
Se o governador administra mal, o TCE pune. O mesmo deveria ocorrer com este homem público: o diretor de escola.
Escola é mais importante que a OAB. Educação não é só isonomia. Dinheiro público é dinheiro público, seja no Poder Executivo, seja na escola.

Mesa-diretora ou mesa diretora?

Pelo correio eletrônico, enviei uma mensagem ao professor Dílson Catarino a fim de tirar esta dúvida: mesa-diretora ou mesa diretora?
Dílson leciona gramática na 3ª série do ensino médio e no cursinho pré-vestibular do Colégio Maxi, em Londrina (PR), além de publicar sua observações gramaticais no UOL.

Disse-lhe.
Penso que seja mesa-diretora por causa de professor-diretor. Consultando Celso Pedro Luft, Grande Manual de Ortografia Globo, há, por meio desse exemplo, "uma unidade semântica, isto é, significação global distinta da significação individual das parecelas".
Respondeu-me.

Olá, Aldo.
É assim que eu penso também, apesar de a palavra "mesa-diretora" não ser registrada em nenhum dicionário nem no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
Nos jornais acreanos, não se escreve "mesa-diretora". Em O Rio Branco, na capa, li "Mesa Diretora".
Quando se trata de conhecimento, os livros, eles são indiferentes. Quando não corrijo Mais de de 2 mil não sacaram o PIS no Acre, escrito em uma chamada, todos falam.
Preciso ser mais óbvio.

segunda-feira, novembro 27, 2006

O NOvo JornaLismO


"Uma boa reprotagem se faz com precisão, rigor e correção, mas também e sobretudo com emoção." Zuenir Ventura

Pirâmide Invertida

O quê?
Quem?
Quando?
Onde?
Como?
Por quê?

Com seis perguntas, inicia-se o primeiro parágrafo de uma matéria jornalística. Trata-se de uma "receita" usada nas redações de jornais. É o famoso lead que mantém jornalistas padronizados.
Nos anos 60, Tom Wolfe, Truman Capote, Gay Talese e Norman Mailler inovaram. Abandonaram a estrutura clássica do texto factual, acrescentando elementos literários. Criaram o Novo Jornalismo.
Sugiro a leitura de A sangue frio, de Truman Capote.

Volte para onde veio?


Texto de Dílson Catarino

"Volte para onde veio"
Há pouco tempo, estudamos esses vocábulos e vimos que onde corresponde a em algum lugar, aonde a a algum lugar e donde, a de algum lugar, podendo este último ser separado da preposição: de onde. Por exemplo:
Eu moro em algum lugar: A casa onde moro é confortável.
Eu vou a algum lugar: A cidade aonde vou é belíssima.
Eu venho de algum lugar: A cidade donde vim é belíssima. A cidade de onde vim é belíssima.
Até aqui tudo bem, já que, como dissemos, estudamos isso há pouco tempo. O problema reside quando montamos frases mais complexas, em que há dois ou mais verbos exigindo preposições diferentes.
Esses dias, um conhecido meu me perguntou como montar uma frase com o seguinte objetivo: Ele estava zangado com determinada pessoa e queria dizer que ela deveria voltar ao seu lugar de origem; queria montar a frase e não sabia como. Perguntou-me então: Como devo falar? Volte para onde veio ou Volte de onde veio? Qual a maneira adequada? Vamos, então, à explicação:
A pessoa veio de algum lugar. Ele quer que essa pessoa volte para esse lugar. Ele quer, então, que a pessoa volte para o lugar de onde veio, ou ele quer que a pessoa volte para o lugar donde veio.
O advérbio onde, como vimos, tem o sentido de em algum lugar, e donde, de de algum lugar. Na construção da frase, não há necessidade de escrever a palavra lugar, já que esse significado está incluso no advérbio. Retira-se, então a expressão o lugar, estruturando, portanto, a frase assim:
Volte para donde veio é o correto

sexta-feira, novembro 24, 2006

- Junto a -

"A partir desta segunda-feira, quem estiver com o nome cadastrado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Serasa por conta de débito junto ao comércio local, poderá procurar o Procon/AC para tentar negociar o débito com o comerciante e regularizar sua situação."
    1. "Junto a" - Se escreve "junto a", é o mesmo que "por conta de débito perto do comércio local". "Junto a" é o mesmo que "perto de". O correto é "por causa de débito no comércio local".

- , e teve -

"A reunião de planejamento ocorreu na sede do Ibama no Acre, e teve a participação de um representante da reserva."
    1. Como só há o mesmo núcleo do sujeito, nesse caso, reunião, não se coloca vírgula antes de "e". Com dois núcleos diferentes, a vírgula é facultativa.

- que foi analisado -

"No julgamento do relatório do 3º bimestre, que foi analisado na mesma sessão, a falta de investimentos nas áreas da saúde e na educação também apareceram, mas o documento do 4º bimestre acabou sanando o problema da falta de investimento no ensino."
    1. "que foi analisado" - Não há necessidade de escrever "que foi", porque "analisado", sendo Particípio Regular, remete ao passado. Melhor escrever "no julgamento do relatório do terceiro bimestre, analisado na mesma sessão, a falta de investimentos nas áreas da saúde e da educação também apareceu (...)".

quinta-feira, novembro 23, 2006

Fala do governador

"Nos últimos oito anos, conseguimos trabalhar bem em todas as áreas, mas, como o cobertor é curto, a cada ano a gente tem de atualizar as prioridades. Mas agora nós precisamos concluir a BR-364 nos próximos quatro anos. Isso é uma obra grandiosa, significa um volume de recursos da ordem de R$ 500 milhões e é uma prioridade de todos os acreanos para que o Acre possa ter verdadeiramente uma integração. E esse apelo foi bem recebido pelos parlamentares, assim como a prioridade para melhorar a produção rural e a saúde junto com o saneamento", disse o governador Binho Marques.
    1. Como pode um repórter iniciar sua matéria com fala e, ainda, com esse tamanho? Bem, vamos ler o Manual de Redação e Estilo, do Eduardo Martins. Na página 18, item 26, o autor escreveu "não inicie matéria com declaração entre aspas e só faça se esta tiver importância muito grande (o que é a exceção e não a norma)".

Aos jornalistas da TRIBUNA

Pessoal, por favor, em nome da Paz e do Bom Convívio, pensem em mim em certas linhas, por exemplo, quando bóia sobre elas o tal do "já que".
Como sou muito educado, militante da paz e dos bons costumes, evite, porra!!!, usar esse "já que, ouviu?, seu bosta!!!

Trás

"A ZP Eventos trás a Rio Branco mais uma etapa do Meca Brasil, no próximo domingo, dia 26."
    1. "Trás" - Eu trago/tu trazes/ele traz/nós trazemos/vós trazeis/ eles trazem. Deus, tenha piedade, porque eles, os colunistas, não sabem o que fazem, digo, escrevem.

quarta-feira, novembro 22, 2006

EntreVista com Mano Brow, 35 anos

DENISE BRITO
Colaboração para a Folha
A descrição de uma realidade dura e crua, de pobreza e de discriminação pela polícia e pela sociedade são constantes nas letras do rap, como é o caso do pioneiro Racionais MCs. Em 18 anos de estrada, prestes a lançar o quinto CD e mantendo a mesma formação original, Ice Blue, Edy Rock, KL Jay e Mano Brown conseguiram uma posição ímpar no cenário do rap. Trata-se do único grupo que obteve projeção nacional mantendo-se à distância da grande mídia. Mano Brown, 35, falou ao Folhateen sobre o fato de companheiros ingressarem na grande mídia e sobre outros temas ligados aos rumos do país.

FOLHATEEN - Qual a sua opinião sobre os colegas que fizeram contratos com a grande mídia?
MANO BROWN - Somos jovens cheios de vontade de vencer e, às vezes, somos arrogantes. Quando a mídia abriu as pernas e disse "vem", a gente falou "não". Mas, se hoje chegou o momento de alguns companheiros ocuparem a mídia, eu não vou oprimir a vontade deles. Sou a favor da liberdade.
FOLHATEEN - Você se refere também ao Thaíde, que começou junto com vocês e hoje está numa minissérie da Globo?
BROWN - O Thaíde não tem o pensamento igual ao nosso, mas temos mais coisas em comum do que diferenças. Ele conhece o rap, está na estrada há anos e conhece os espinhos. Cada um defende com amor as suas razões, e elas não são iguais. Porque os pretos não têm todos as mesmas idéias.
FOLHATEEN - Você apoiou o Lula nas eleições? Chegou a pedir voto?
BROWN - Democracia é isso. Pedi voto para o Lula em shows. Fui pelo olhar e pelas idéias dele.

FOLHATEEN - Houve mudanças no panorama da vida na periferia nesses últimos anos?
BROWN - Eu não sei até que ponto conseguimos fazer esse tipo de análise. Vejo pequenas mudanças. Uma que me deixou contente foi um aumento do pequeno comércio nas ruas das favelas. Salões de beleza, pizzarias, locadoras, e os bares perdendo espaço. Acho que prefiro não ver as mudanças para não perder a ambição de fazer outras. Eu sempre quero mais.

FOLHATEEN - O que você gostaria de ver mudar?
BROWN - Tenho sonhos românticos, com a população ouvindo música nas ruas, se dedicando a uma atividade dentro de seu próprio bairro, fazendo academia, cuidando do corpo, tendo uma boa alimentação... Mas isso tudo não está tão longe. Há metas próximas, como a divulgação da prática de esportes. O ser humano atrás da favela também pode ser sensível.

FOLHATEEN - O crescimento do rap atrapalha ou ajuda o movimento?
BROWN - Quando você se impõe e passa a ser uma coletividade não é ruim; é bom para o rap. Ao mesmo tempo, os valores não são aqueles que se gostaria de difundir. Há muita valorização de roupas, aparência, cabelo. Ainda mais para nós, que somos pretos, se vestir melhor faz muita diferença. Mas não me agrada ver os irmãos escravos de marcas. É a escravidão do século 21. É ficar pondo comida na boca do monstro.

FOLHATEEN - Como você vê o alcance do discurso do rap?
BROWN - Esse discurso contra a elite foi defendido por toda uma geração. De 1988 até hoje, 2006. Algumas idéias foram insistentemente repetidas durante uma época, em palavras, em discos. Essa mensagem de vencer, de lutar, seja negro, tenha orgulho, não abaixe a cabeça, responda, estamos juntos. Como filosofia de vida, a primeira que aprendi e fielmente tentei seguir foi "se imponha, você não depende deles, muitos de nós já foram esmagados".

Rap & Rap & Rap

O poder, antropofágico que é, comeu o hip hop. Se antes sua exposição criticava a realidade social, agora, ironia, representa ascensão individual, como é o caso de Thaíde.
"O rap de protesto acabou", diz DJ Hum

Colaboração para a Folha, Denise Brito
A forma de divulgar o rap e toda a produção cultural do hip hop é motivo de polêmica no seu próprio meio. Para alguns, é preciso mudar o discurso, descartar o tom crítico e politizado e se abrir ao grande público para se tornar um produto vendável, gerador de lucro, com o mero objetivo de divertir as massas.
Os puristas, no entanto, acreditam que desvincular o movimento de seu discurso inicial é sinal de corrupção ao sistema que tanto já combateram. Nesse cenário polêmico, figuram com diferentes posições alguns ícones da primeira geração do hip hop nacional.
O MC Thaíde e DJ Hum, que estrearam juntos em 1988 com "Corpo Fechado", de batida seca e letra dura e crítica, hoje desfrutam de forte projeção na mídia e se vêem cobrados pelos colegas do underground atual.
Thaíde, 39, saiu da apresentação de um programa da MTV após cinco anos para ir para a Globo, a emissora mais combatida por ele no passado, participar da série "Antônia"."Naquela época, a gente tinha necessidade de martelar aquilo (as críticas).
Hoje eu acredito em popularizar o hip hop para fazê-lo dar lucro, para adquirir bens através do nosso trabalho. A gente não consegue isso fechado dentro do nosso próprio mundo, fazendo música para os amigos...
O amigo sempre fala que está tudo bom e aí fica difícil melhorar a qualidade para entrar na programação de uma rádio", afirma."Muita gente me acusa de vendido, e as críticas já me incomodaram muito, hoje, não mais. Eu vou fazer 40 anos, não posso ter a mesma mentalidade daquela época.
"DJ Hum, 40, tornou-se produtor musical e lançou o projeto Motirô, do hit "Senhorita", que ganhou as pistas e as rádios com melodia dançante e letra sobre amor adolescente. "O rap de protesto acabou, foi daquela geração", justifica Hum.
"Já relatamos muito a violência, mas o cotidiano não é só isso, é também casar, ir ao mercado, se divertir. Falar da violência é mais fácil que vender a paz."GrafiteOs irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, os Gêmeos, 32, que ainda pivetes dançavam break e grafitavam no largo São Bento, hoje desenvolvem carreira internacional como artistas plásticos e se desvincularam do movimento.
"Quisemos sair fora para não ficarmos presos em uma cultura só, americanizada, e partir para uma nossa, do nosso país, muito mais rica", diz Otávio."É normal que aconteça assim quando um movimento se expande.
A galera da São Bento hoje está casada, com filhos, mas o trabalho social e a atitude continuam. Nos mantemos fiéis aos valores difundidos por Afrika Bambaataa (um dos fundadores do hip hop): paz, união e diversão", diz Gustavo.

Bastantes satisfeitos

“Nós estamos bastantes satisfeitos com o resultado da reunião, ficou acertado que uma outra reunião será realizada com as autoridades da segurança para tratar o assunto e nós acreditamos que alguns pontos da portaria serão revistos", disse Hamilton Brito, empresário."
  1. "Bastantes satisfeitos" - Por favor, "bastante satisfeitos". Nesse caso, trata-se de um advérbio e, por isso, não se flexiona.
  2. "Tratar o assunto" - Melhor escrever "tratar sobre o assunto".

Previsão é que & Lei Chico Mendes

"Neste ano, a previsão é que o Estado chegue a 2.245 toneladas de produção de borracha com o subsídio de R$ 0,70 pelo quilo do produto. O subsídio foi instituído em janeiro de 1999, com a Lei Chico Mendes, de autoria do então deputado Ronald Polanco. De lá para cá, tornou-se uma das grandes ferramentas de melhoria da renda e da qualidade de vida de milhares de famílias extrativistas."
  1. "Previsão é que" - Ao consultar o Dicionário Prático de Regência Nominal, de Celso Pedro Luft, encontramos "previsão de, previsão sobre e previsão quanto a. Nesse caso, "a previsão é de que o Estado a 2.245 toneladas.

  2. "Lei Chico Mendes" - Sobre isso, O Manual de Redação e Estilo, de Eduardo Martins, esclarece na página 160. Assesssor de comunicação deveria consultar esse bom manual. O correto é "lei Chico Mendes".

terça-feira, novembro 21, 2006

CrasE

"A gerente destaca que nos últimos anos o Estado vem recebendo cada vez mais turistas. Várias associações estão sendo criadas para atender à esse mercado tão promissor."
    1. "À esse" - O poder público, sem critério ou com o critério da amizade, convida "jornalistas" para trabalhar e o resultado é "à esse" em suas matérias. O revisor corrige, e o jornalista sai bem na foto ao lado do governador Jorge Viana. Quem sabe, não sei, ganhará o prêmio Chalub Leite. Realmente, revisor apaga as vergonhas de alguns jornalistas.

Vai fazer

"A Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai fazer uma manifestação em Rio Branco no dia 29 e planeja uma marcha para Brasília (DF) no dia 6. Tanto barulho tem um objetivo: forçar o governo a desistir de reajustar o salário mínimo para 367 reais."
    1. "Vai fazer" - Nas redações dos vestibulandos, muito comum escrever uma locução verbal desnecessária, nesse caso, o uso do verbo "vai". Conjugue o "fazer". "A Central Única dos Trabalhadores (CUT) fará uma manifestação", e é isso aí.

Vírgula

"As observações mais seguras, tiveram início em uma tarde de março de 1999, quando o paleontólogo Alceu Ranzi, em vôo de Porto Velho para Rio Banco, visualizou um grande círculo desenhado no solo, em uma fazenda nos arredores de Rio Branco."
    1. "Seguras, tiveram". Essa vírgula não existe. Não há vírgula quando ocorre uma Ordem Sintática Direta. Sem mais comentários.

segunda-feira, novembro 20, 2006

UfAc: CaDidatO & VagA

Cursos

Direito
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 27
Total de inscritos: 1.093

Medicina
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 22
Total de inscritos: 908

Enfermagem
Número de vagas: 30
Candidato-vaga: 22
Total de inscritos: 661

Engenharia Florestal
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 17
Total de inscritos: 710

Educação Física (licenciatura)
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 16
Total de inscritos: 653

Enfermagem (Cruzeiro do Sul)
Número de vagas: 25
Candidato-vaga: 16
Total de inscritos: 405

Ciências Sociais
Número de vagas: 45
Candidato-vaga: 15
Total de inscritos: 717

Biologia
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 14
Total de inscritos: 598

Economia
Número de vagas: 45
Candidato-vaga: 13
Total de inscritos: 600

Letras-Espanhol
Número de vagas: 25
Candidato-vaga: 13
Total de inscritos: 342

História (noturno)
Número de vagas: 50
Candidato-vaga: 13
Total de inscritos: 684

Jornalismo
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 12
Total de inscritos: 514

Letras-Português (Cruzeiro do Sul)
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 11
Total de inscritos: 447

Educação Física (bacharelado)
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 11
Total de inscritos: 442

Geografia
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 10
Total de inscritos: 402

Engenharia Florestal (Cruzeiro do Sul)
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 10
Total de inscritos: 436

Pedagogia
Número de vagas: 50
Candidato-vaga: 10
Total de inscritos: 547

Sistema de Informação
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 10
Total de inscritos: 439

Biologia (bacharelado em Cruzeiro do Sul)
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 9
Total de inscritos: 368

Engenharia Civil
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 9
Total de inscritos: 397

História (diurno e licenciatura)
Número de vagas: 50
Candidato-vaga: 9
Total de inscritos: 491

Letras-Inglês
Número de vagas: 25
Candidato-vaga: 8
Total de inscritos: 204

Letras-Português
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 8
Total de inscritos: 344

Pedagogia (Cruzeiro do Sul)
Número de vagas: 50
Candidato-vaga: 7
Total de inscritos: 399

Geografia (bacharelado)
Número de vagas: 20
Candidato-vaga: 7
Total de inscritos: 154

Engenharia Agronômica
Número de vagas: 50
Candidato-vaga: 7
Total de inscritos: 356

Música
Número de vagas: 30
Candidato-vaga: 7
Total de inscritos: 213

Matemática
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 6
Total de inscritos: 250

Química
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 5
Total de inscritos: 211

História (bacharelado e vespertino)
Número de vagas: 50
Candidato-vaga: 5
Total de inscritos: 284

Letras-Inglês (Cruzeiro do Sul)
Número de vagas: 25
Candidato-vaga: 5
Total de inscritos: 145

Artes Cênicas
Número de vagas: 30
Candidato-vaga: 4
Total de inscritos: 149

Letras-Francês
Número de vagas: 25
Candidato-vaga: 4
Total de inscritos: 108

Física
Número de vagas: 40
Candidato-vaga: 4
Total de inscritos: 149

terça-feira, novembro 14, 2006

A Matemática de Mário Quintana



Um pouco de geometria

A curva é o caminho mais agradável entre dois pontos

Mário Quintana para Altino Machado

Meu colega Altino Machado, muito teimoso, acredita que o fato é a verdade, por isso sua escrita encarcera-se nas linhas do jornalismo. Aos seus olhos, dou-lhe... Mário Quintana.
Realidade
O fato é um aspecto secundário da realidade

segunda-feira, novembro 13, 2006

do qual

"No entanto, existe o contrabando de madeira das regiões fronteiriças, algo do qual a PF no Acre ainda se ocuparia de maneira intensa."
    1. O verbo "ocuparia" pede a preposição de (de + o = do) e, também, as preposições "com" e "em". "Do qual" está correto.

À época

"1.020 camelôs à época foram cadastrados, tendo sido adotado o critério da antigüidade. Isso porque muitos vendedores vinham de cidades do interior para trabalhar na capital, sobretudo no verão, quando a rodovia BR-364 é transitável."
    1. Segundo Celso Pedro Luft, "à época" é usado pela linguagem jurídica, mas não encontra defesa na gramática. O correto é "na época".

- 2004 e 2005 - onde

"De janeiro deste ano até o mês passado, foram registrados cerca de 168 casos de dengue, número inferior aos dois últimos anos – 2004 e 2005 – onde houve uma epidemia da doença. Em 2004, por exemplo, foram notificados cerca de 1,8 mil casos, número que diminuiu ano passado, onde foram registrados 600 casos."
    1. "Onde" é usado quando o termo anterior refere-se a lugar. Nesse caso, o que temos é "tempo": 2004 e 2005. Ora, se há o tempo, usa-se "quando".

sexta-feira, novembro 10, 2006

"Pai, eu sou carioca"

Há muito tempo, recolhi meus gestos entre quatro paredes. Muito longe de minha família, as companhias têm sido namorada, filha, colegas de trabalho, alunos e páginas de livros. Cada vez mais, limito-me ao reservado.
Não tenho visitado pessoas por quem tenho enorme apreço, como o prof. Carlos Alberto, o médico Matheus, o prof. João Bosco e... são poucos a quem, hoje, dôo palavras, à beira do rio Acre, à minha acreana filha, ela me olha, "pai, eu sou carioca".
Como!? Menina, você nasceu em Rio Branco, Acre, em 1997, deu para entender?
Um sorriso, de 9 anos, maroto. "Não, pai, eu sou carioca."
Morena, cor de índia, linda pele, sempre procurei mostrar à Lara Valentina a beleza de sua origem, expressada por meio, por exemplo, de sua avó materna, uma mulher-índia, mulher-aldeia.
Mas a floresta não a seduziu como a seduziu o mar. Desde o dia em que visitou os avós paternos no Rio de Janeiro, Lara, em seu íntimo, foi deixando de ser acreana para se deslumbrar com a Cidade Maravilhosa: Barra Shopping, McDonald's, Bob's, C&A e.. o mar.
Minha filha, eu sei, ainda é pequena, não alcança o tamanho de certas palavras, não as que tocam no consumo da cidade grande, mas na identidade de uma pessoa. Ela levará um certo tempo para subir a palavra-rio e ouvir a palavra-silêncio da palavra-floresta.
Conversávamos no Mercado Velho, o novo. O dia estava lindo. Está vendo esse rio, filha? Sente esse vento? Percebe a beleza do céu? Vê esse lugar, as pessoas? " Sim, hoje o dia tá lindo, pai."
Então, não é Rio de Janeiro, não é o Acre, filha, é a vida. O sentido da tua vida não está em ser carioca.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Disputas internas dentro do PT

O jornalista escreve "disputa interna dentro do PT". É tão simples: "disputas internas do PT".

TV Cultura - Amor

LAURA KIPNIS escritora - No Roda Viva, dia 13, às 23 horas (local)

Polêmica, a escritora americana Laura Kipnis defende que o amor é uma invenção moderna, não traz toda a felicidade que promete, cria ansiedade e provoca estresse e depressão.
No seu último livro - “Contra o Amor”, Laura Kipnis questiona o fato da sociedade continuar idealizando relacionamentos duradouros e monogâmicos, quando a realidade mostra que isso é cada vez menos possível.
Na sua obra, ela escreve sobre o amor e casamento e quebra conceitos e tabus. Laura Kipnis diz que os relacionamentos amorosos atuais são marcados cada vez mais, segundo ela, por brigas, traições, infidelidade e separações.
Ela é autora de vários estudos sobre sexualidade e política, e esteve em São Paulo para o lançamento de seu novo livro, que tem o título “Contra o Amor”.
Entrevistadores: Fábio Santos, editor da revista e do site Primeira Leitura; Oscar Pilagallo, editor da revista Entrelivros; Silvia Poppovic, apresentadora da TV Cultura; Gioconda Bordon, da Rádio Cultura; José Ângelo Gaiarsa, médico pscicoterapeuta; Mário Lorenzi, jornalista e escritor.

Cruz e Souza


Imortal atitude

Abre os olhos à Vida e fica mudo!
Oh! Basta crer indefinidamente
Para ficar iluminado tudo
De uma luz imortal e transcendente.

Crer é sentir, como secreto escudo,
A alma risonha, lúcida, vidente...
E abandonar o sujo deus cornudo,
O sátiro da Carne impenitente.

Abandonar os lânguidos rugidos,
O infinito gemido dos gemidos
Que vai no lodo a carne chafurdando.

Erguer os olhos, levantar os braços
Para o eterno Silêncio dos Espaços

E no Silêncio emudecer olhando...

quarta-feira, novembro 08, 2006

"Dom Casmurro", por Márcia Lígia Guidin

Se você ler a obra com atenção, vai ver que Bentinho (apelidado de "casmurro", porque velho, viúvo e calado) decide contar sua história desde a infância para compreender algo mais do que o suposto adultério de sua mulher: ele quer saber se ela sempre fora como ele a via depois do casamento: falsa e dissimulada.
Enquanto Bentinho narra seus amores, ele (leia para ver isso) manipula nossas opiniões, pois vai dando pistas de que ela poderia mesmo tê-lo traído e ter tido um filho com o melhor amigo dele. Mas fique esperto(a): é a voz dele, rico e bem-sucedido advogado, que você lê. Capitu não está mais lá no seu "julgamento" para se defender.
Ela já morrera. E ele precisa entender o que houve com seu amor e seu casamento. Ele é, se não nos deixamos enganar e o lermos melhor, um homem conservador, patriarcal, inseguro (filho único de D. Glória, viúva rica). Inseguro e mimado desde menino, só soube, por exemplo, que gostava de Capitu quando ouve, aos quatorze anos, atrás da porta, uma conversa de José Dias com sua mãe.Leva um susto, pois descobre o amor pela voz de outra pessoa.
Crescido, depois de conseguir se livrar do seminário a que estava destinado por promessa de sua mãe (leia a "negociação" que fizeram com Deus...é deliciosa), casa-se com Capitu. E pouco depois do nascimento do filho começam os ciúmes.
Do romance "Dom Casmurro", se alguém nos pedir o tema, devemos dizer que é mais o ciúme que o adultério. Por que a questão central não é o adultério? Porque não sabemos (nem saberemos) se Capitu o traiu.
Machado escreve o romance com total ambigüidade, dando sinais de que de fato a mulher poderia ter traído o marido, mas este, contando sua própria história e sendo tão frágil, também pode ser um psicótico. Esse romance é um exercício de escrita fabuloso, pois até hoje discutimos a força dos argumentos do narrador de "Dom Casmurro".

0,18% destinados

Como fica a concordância com 0,18%?
    1. 0,18% destinado ou 0,18% destinados? - O correto é 0,18% destinado, o termo concorda com o zero.

À diversos

"Essa foi mais uma das homenagens que os parlamentares prestam periodicamente à diversos setores da sociedade. Nesta quarta será a vez dos profissionais de Serviço Social de todo o Estado serem recebidos em sessão solene."
    1. "À diversos" - Há pessoas que duvidam da existência de Deus. Eu já duvido de um repórter, em sua sanidade profissional, escrever "à diversos". É não ter a mínima não noção do fenômeno da crase. Nem macumba tira esse mal.

Mais de uma chapa deverão

"De acordo com isso, estaria sendo feito na maioria dos municípios, menos Senador Guiomard e Brasiléia, locais onde mais de uma chapa deverão disputar as convenções."
    1. "Locais onde" - Basta só "onde"; e
    2. "Mais de uma chapa deverão" - O correto é cerca de mil pessoas ocuparam a praça, perto de trinta deputados perdem o mandato, mais de um governador assumiu a promessa e mais de uma chapa deverá.

terça-feira, novembro 07, 2006

Se tornaria

"Jamais imaginei que a velha lamparina, adquirida em maio como peça de decoração, se tornaria realmente útil para iluminar minha casa durante as noites dos últimos dois meses."

    1. "Se tornaria" - Quando o verbo encontra-se no Futuro do Pretérito ou do Presente, o pronome fica no meio do verbo, é a chamada mesóclise. Os jornais, há algum tempo, não obedecem a essa regra. Para mim, texto de repórter deve ser elegante, porque o leitor merece o melhor. O correto é iria se tornar ou tornar-se-ia.

Desde por volta

"Os clientes e usuários começariam a se concentrar em frente da agência desde por volta das sete da manhã, o que não acontecia em outros anos, relata o gerente."
    1. "Desde por" - "Desde" é preposição. Por causa disso, não se escreve desde às 22h, mas "desde as 22h", porque não usaremos duas preposições: desde + a(o). A exceção, "até às" ou "até as" 22h. O correto é "desde as 7 horas".

Junto a

"As empresas têm até cinco dias, a partir da data da publicação da lista, para retificar qualquer erro contido no cadastro. Para isso, elas devem entrar com uma petição junto ao Procon e comprovar o erro apontado."
    1. "Junto ao Procon" - Isso que dizer que elas devem entrar com uma petição perto do Procon, "junto a" significa "perto de". Ora, não é essa a idéia. A idéia é "elas devem entrar com uma petição no Procon".

À essas

"A principal punição à essas empresas é a divulgação dessa lista pela imprensa."
    1. "À essas" - Não há acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de "essa", muito antes de "essas", plural. Só rezando!

segunda-feira, novembro 06, 2006

Lula & Cicarelli

Macaco Simão

O Lula e a galega!!! E onde está a nossa musa??? Desta vez o Lula não pode falar que não viu!!! Rárárá!!!
A Cicarelli está lá para manter o seu posto de musa do verão que a Dona Marisa quer desbancar!!! Dona Marisa é forte concorrente à musa do verão!!! O maiô dela foi comoção nacional!!!
O que paralisou a nação mesmo foi o maiô da Dona Marisa. Agora, vamos combinar? Maiô branco com estrela vermelha na pança??? Pança não, PANCEPS!!!
Dona Marisa com seu maiô branco e estrela vermelha na panceps!!! E já falaram de tudo, que ela parece caixa de bombinha de São João!! Rárárá!!! Mas o que eu acho que parece mesmo é um barril da Texaco!!
Se vier cheio de petróleo eu vou adorar!!! Outros disseram que a Dona Marisa já apareceu com este maiô que é um atentado ao pudor, e a gente ainda quer que ela fale???? Rárárá!!! Melhor ficar assim!!

Juntamente com

"No caso do TSE, será proclamada a recondução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à chefia do Executivo por mais quatro anos, juntamente com o vice, José Alencar, a contar de 1º de janeiro de 2007."
    1. "Juntamente com" - Por favor, só "com".

Tinham entregue

"Até ontem, à tarde, apenas o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B) tinham entregue ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre suas prestações de contas completas das eleições gerais de 1º de outubro no Estado."
    1. "Tinham entregue" - O correto é "tinham entregado". Incorreto dizer "tinha pago". O correto é "tinha pagado."

Houveram 41 casos

"Souza exibiu números da Secretaria Estadual de Saúde que mostram uma diminuição de casos neste ano. Na última semana, houveram 451 casos de diarréia, o principal sintoma da doença."
    1. "Houveram 41 casos" - Houve 451 casos.

A incidência têm & este ano

"A incidência de virose, causada por rotavírus, têm sido menor este ano em relação ao ano passado. E sem mortes, contra oito em 2005. É o que relata o diretor-geral do Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco (Huerb), Antônio Gonçalves de Souza, no que concorda o secretário municipal de Saúde, Eduardo Farias."
    1. "Têm" - Onde está o sujeito que concorda com o verbo "têm"? O verbo concorda com "incidência", não há, portanto, "têm", mas "tem";
    2. "Este ano" - O correto é "neste ano";
    3. "E sem mortes, contra oito em 2005". "(...) em relação ao ano passado e, comparado a 2005, não houve morte";
    4. "No que concorda" - O verbo concordar pede a preposição "em" ou "com". Podemos falar "concordo com tudo" ou "concordo em tudo". Há caso em que não se usa "em que", por exemplo, "todos concordaram que aquele parecer era o mais avisado". Eu tenho preferência por "com que concorda o secretário (...)."

sábado, novembro 04, 2006

Conselho de Área

Hoje, mais uma vez, a área Literatura-Língua Portuguesa reuniu-se para traçar o plano de curso do primeiro ano (ensino médio) para 2007, na escola Heloísa Mourão Marques.
Antes, a professora Alessandra leu a ata que determinou alguns pontos para Literatura na última reunião.
Por exemplo, em sua leitura, a partir do próximo ano, os professores de Literatura levarão textos literários para a sala de aula. Literatura é texto para ser lido, compreendido e interpretado em sala.
Mas, como o professor Tadeu defendeu a idéia de que o historicismo literário não deve ser excluída, algo com que não concordei, a área aprovou esse historicismo. Para isso, um trabalho, escrito à mão, servirá para a avaliação.
Falta mais sobre Literatura.
Chegamos hoje a iniciar algo sobre Redação para o primeiro ano. Para a próxima reunião, os professores deverão apresentar um plano de curso. Aqui, coloco algumas idéias.
  1. Nos três anos do ensino médio, o professor precisa lecionar texto dissertativo;
  2. No primeiro ano, deve haver, também, texto narrativo, mas sua carga horária precisa ser menor;
  3. Primeiro ano: 8o% de dissertação e 20% de narração;
  4. Devemos seguir a orientação da Copeve sobre Redação;
  5. Devemos seguir os Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa sobre reconstrução textual;
  6. É preciso definir essa construção de forma bem detalhada;
  7. Precisamos massificar exercícios gramaticais a partir de problemas apresentados pelos alunos em suas dissertações;
  8. Precisamos criar um modelo de folha para a dissertação.

Esses, alguns pontos.

Na próxima reunião de área, pedirei que os professores mostrem, concretamente, como lecionam dissertação em sala de aula (ou na "caixa-preta"). Desejo questionar e ser questionado, e muito.