terça-feira, agosto 07, 2007

Expoacre 1



A isso, chamam de festa popular: bois encaram os humanos e os humanos encaram os bois.

Sinceramente, não vejo festa popular nisso.

Evidente que esses animais representam a ostentação de fazendeiros. Rico gosta de se exibir.

A Expoacre é, também, exibicionismo dos que se apossaram de riquezas.

Quanto recebe o peão da fazenda X que cuida de alguns bois? Não sei.

Só sei que a genética do peão não vale mais do que a seleção genética de um nelore.

Para esse momento fotográfico entre bois e humanos, a música que não ouvi na Expoacre: Admirável gado novo.

Vocês que fazem parte dessa massa
que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer

Êh eô vida de gado, povo marcado, povo feliz

Essa música não foi cantada na Expoacre, porque a Expoacre é brega. Zé Ramalho não é brega.

3 comentários:

Fora disse...

Dinheiro, dinheiro fácil, gente besta...

Josafá disse...

Camarada Aldo,

A força de trabalho dos nossos peões foi o que criou não só a boviníssima riqueza pecuária do nosso Acre, mas toda a infra-estrutura econômica do nosso Estado, desde sempre apropriada por um reduzido grupo de "bem-nascidos". É a riqueza vendida ao preço de um salário mínimo - muitas vezes sem assinatura em carteira.
Ê, injustiça...
Ê, boi...

crisblog disse...

Talvez eles(gado), estejam perguntando ao bicho-homem:

Quem diria, heim? Você sabe o meu valor?

Pois é..."assim caminha a humanidade"!

Beijos, Aldo. Você é 10 !