quarta-feira, março 07, 2012

Leitura em sala de aula


Amanhã, concluirei com os alunos a leitura de "A força das palavras", da escritora e articulista Lya Luft. 

Esse texto encontra-se em um material da Secretaria de Educação do Acre.    

Ao todo, foram oito aulas. Consegui chegar à metade do texto, porque a ideia de leitura em sala de aula não significa encontrar as características do "gênero textual"; mas, segundo bons professores e bons autores de livros, desconstrução.

Em maio de 2011, a Secretaria de Educação do Acre distribuiu o "Caderno 4", um bom material para o curso de capacitação, onde está escrito na página 5:

"A informação detalhada sobre as características específicas dos gêneros é imprescindível somente para o professor. Esse tipo de conhecimento não deve se converter em aulas específicas porque não é dele que depende a possibilidade de ler e de escrever bem."

Ler na sala de aula, portanto, não é falar de gênero mas de desconstrução, sabendo que essa desconstrução relaciona-se a problemas redacionais dos alunos.

Não é a leitura em si, mas sua relação com problemas redacionais.   

Desconstrução"A Força das Palavras", de Lya Luft 

1º parágrafo
Palavras assustam mais do que fatos: às vezes é assim.

1. A aula inicia-se com essa frase-oracional. Nela, o aluno precisa retirar as palavras principais. Alguns não sabem. Eles, entretanto, devem saber que as palavras em uma frase-oracional não estão isoladas, havendo, pois, relação entre elas, ou seja, uma relação entre sujeito e predicado. Qual termo recebe informação do predicado? Quais os termos principais do predicado? Tais perguntam implicam "desmontar" a estrutura sintática. A leitura em sala é, também, gramática;
       
2. Depois da sintaxe, saber o porquê de "palavras" assustarem mais do que fatos. Para isso, esta pergunta: o que significa "fatos"? O aluno irá ao dicionário; porém, em minhas aulas, o dicionário não basta, porque é preciso criar uma imagem para a palavra, uma cena, uma relação com a vida. Dada as respostas para "fatos", o significado oposto de "palavras". E assustar?;

3. Após isso, explico o uso de dois pontos.   

2º parágrafo
Descobri isso quando as pessoas discutiam e lançavam palavras como dardos sobre a mesa de jantar. Nessa época, meus olhos mal alcançavam o tampo da mesa e o mundo dos adultos me parecia fascinante. O meu era demais limitado por horários que tinham de ser obedecidos (por que criança tinha de dormir tão cedo?), regras chatas (por que não correr descalça na chuva, por que não botar os pés em cima do sofá, por quê, por quê, por quê...?), e a escola era um fardo (seria tão mais divertido ficar lendo debaixo das árvores no jardim de casa...).

1. Parágrafo longo, mas só compreendo o todo por meio das partes, quais sejam, os pontos contínuos. Ponto contínuo por ponto contínuo; 

2. Nesse parágrafo, uma constância em minhas aulas: a retomada de ideias. Para tanto, o uso de "isso" indica a retomada de que ideia? Os alunos devem responder. Caso não haja resposta, eu explico;

3. Outra vez, descobrir o significado dos termos, nesse caso, discutir e lançar. Depois, entender o porquê de colocar na sequência "discutiam" e "lançavam";

4. Por que a escritora escreveu "mesa de jantar" e não "de almoço". O que a "mesa de jantar" representa? É um objeto? No ambiente da casa, ela é simbólica? Mas o que é o simbólico? Professor, onde nós nos alimentamos é "sagrado". Mas qual o sentido de sagrado? Dê-me um exemplo de a palavra ocorrendo na vida.     

4. Palavras são dardos. O que são "dardos"? Sim, mas qual o sentido de "dardos" no texto? Dadas as respostas, tarefa para casa: assistam ao filme "O carteiro e o poeta" para que me expliquem o que é linguagem figurada. Por que o filme? Porque a palavra não está em estado de dicionário; a palavra está criando ações, imagens, vida. Qual a importância da figura de linguagem na vida humana?   


Isso é desmontar o texto. Ler em sala é significado da palavra no dicionário; é o sentido da palavra na imagem, na vida; é estrutura sintática; é a relação entre as partes; é encontrar as especificações, é retomar as ideias. Isso demora.

Por causa disso, não concluí a leitura em oito aulas, e nem deveria, porque o aluno precisa realizar a sua leitura sozinho para depois submeter-se a uma prova.

O professor, primeiro, deve ser o exemplo de leitor, e o aluno deve perceber como o professor lê.

Após essa desmontagem, o aluno saberá sobre "gênero textual", no caso, "a força das palavras". Para quem escreve? Qual a característica desse gênero?      

4 comentários:

Tiago Tavares disse...

Olá, professor Aldo. Apesar de nunca mais ter te visto, saibas que continuo a ler teus textos. Agora, com muito mais frequência, pois fui chamado pela SEE e já estou em sala de aula. Este teu último texto, em particular, é bastante esclarecedor no que diz respeito ao trabalho de produção textual na escola. Também penso que trabalhar com gêneros vai muito além de mostrar características textuais aos alunos. Trata-se, como tu disseste, de desconstruir o texto.

Um forte abraço de seu amigo,

Tiago Tavares

Anônimo disse...

Professor o senhor não vai fazer uma poesia sobre as mulheres? Aluna do 2°C

Aldo Nascimento disse...

Tiago, fico feliz por vc estar na secretaria. Espero que vc transforme a vida de teus alunos ou um só aluno. Retornarei à questão de texto em outras postagens.

Um abraço em teu destino.

Aldo Nascimento disse...

Anônimo, há neste blogue poesia a mulheres.

Um abraço