quarta-feira, junho 26, 2013

O que houve depois do Dia do Basta?

A manifestação acriana pressionou os políticos? governador e prefeito responderam aos manifestantes? a tarifa do transporte será menor ou a caixa-preta do transporte coletivo será aberta?

Marcelo Hotimsky, um dos caras do MPL   


Os jovens acrianos estão muito bem organizados? se tiverem, como se organizam? o que pensam? o governador e o prefeito os receberam? os governantes recuaram? Aceitaram os apelos das ruas?

Em São Paulo, o Movimento do Passe Livre (MPL), com jovens unidos desde 2005, é uma organização política – e não partidária -, culta, bem articulada, fala com desenvoltura.

Em matéria do jornal O Globo, Marcelo Hotimsky, que representou o MPL diante da presidenta Dilma, soltou muito bem a voz após a reunião.

“A gente viu a Presidência completamente despreparada. Eles não mostraram nenhuma pauta completa para modificar a situação do transporte no país, que é de fato muito precária. Eles mostraram uma incapacidade muito grande de entender a pauta do momento, falaram que vão estudar e abriram este canal de diálogo”, disse o jovem Hotimsky.

Marcelo estuda filosofia na USP.


MPL

Nascida nos anos de 1990, essa garotada organiza o MPL de forma tão desconcertante que as velhas estruturas sindicais e partidárias só podem ser vistas pelo retrovisor.

Para início de conversa, não há líder, porque, da maneira como esses jovens se organizam, existe rotatividade constante.

Sua organização, horizontal, só decide conforme a voz do coletivo.

Não existem cargos. Para se ter uma ideia do detalhe organizacional, o MPL não tem carro de som, porque ninguém, na rua, deve estar acima dos outros. Não se discursa para “os de baixo”.


Zapatismo

Subcomandante Marcos
Muitos são alunos da USP, e o MPL, segundo O Globo, inspira-se no zapatismo do México. O subcomandante Marcos, um exemplo.

Intelectual da Universidade Autônoma do México, ele se embrenhou pela selva de Chiapas e, quando aparecia, seu rosto permanecia ocultado.

“Posso ser qualquer um de vocês”, dizia.

A intenção de se mascarar significa que um pode estar em todos os lugares.


Marcos é um gay em São Francisco, um negro na África, um asiático na Europa, um chicano em San Isidro, um anarquista na Espanha.   

“Nós somos fruto do movimento zapatista”, declarou Marcelo Hotimsky, jovem nascido em 1994 e, repito, aluno de filosofia da USP. “Podemos ser qualquer um de vocês”, repete a ideia do subcomandante.

Em 2007, Marcos recebeu no México esses jovens. 

O MPL, além de universitários, agrega trabalhadores da periferia, sendo ainda anticapitalista, apartidário, pacífico, autônomo e horizontal.


No Acre

Que organização juvenil existe para afirmar que o Dia do Basta foi uma vitória? Esse dia, talvez - e espero que seja engano meu -, não tenha passado de uma marola midiática e, com tal, sem força e sem insistência para desgastar o rochedo chamado governo estadual e prefeitura.

Não há no Acre organização de jovens para manter, ao longo do tempo, um movimento horizontal, apartidário, porque, na terra de minha filha, tudo é aparelhado pelo poder público, tudo não passa de uma dobra das estruturas de poder.

Posso estar enganado. Espero estar.




2 comentários:

Roniere Brandao disse...

Aldo, meu nome é Roniere e admiro seu blogue. Digo-lhe que, além de apresentarmos hoje no Acre movimentos aparelhados pelo poder público - como o que ocorreu em 13/06 em defesa dos acusados da operação G7, há movimentos que confundem o que é de interesse público com o privado -a manifestação dos dirigentes do Telex Free, que quebram ônibus no terminal urbano e agridem jornalistas, além de provocar tumultos em horários de pico no caótico trânsito de Rio Branco.

Aldo Nascimento disse...

Para superar esse tipo de coisa, os estudantes precisam criar um movimento organizado aos moldes do MPL de São Paulo. Eu penso que um dos caminhos é esse.