terça-feira, junho 10, 2008

O livro didático



Há quase 20 anos lecionando Literatura, não conheço outro livro ótimo como este. Com textos profundos, ele sinaliza para o aluno do ensino médio o que estudará na faculdade de ciências humanas.

Não há outro livro que chegue a seus pés, digo, a seus rodapés.

Na rede pública estadual, entretanto, suas páginas não são folheadas. Nunca o vi como indicação do governo federal. Literatura com os atuais livros didáticos é desqualificar o ensino.

segunda-feira, junho 09, 2008

Pecados ortográficos



No bairro Aeroporto Velho, Rio Branco, um estabelecimento comercial profana contra a língua portuguesa.

Perdoai, Pai! eles não sabem o que escrevem!

O Futuro dos Jornais

MARCANDO A ASCENSÃO DA BURGUESIA, IMPRENSA TEVE PAPEL DECISIVO AO ELEVAR AS MASSAS A PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA; HOJE, CRESCIMENTO DO SETOR NOS MERCADOS EMERGENTES, EM CONTRASTE COM OS EUA, AJUDA A REDEFINIR A DISCUSSÃO DE IDÉIAS EM PAÍSES COMO O BRASIL
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ELEONORA DE LUCENA
Editora-executiva da Folha

A invenção de Gutenberg foi fruto da ascensão da burguesia, que começava a disputar a liderança do processo histórico com a aristocracia. Em sua trajetória, a imprensa pavimentou a incorporação das massas ao papel de protagonista, sempre em compasso com as disputas pelo poder.

Se na Inglaterra e na França a liberdade de expressão foi por muito tempo contida pelas forças do antigo regime, nos Estados Unidos a independência colocou a livre manifestação como dado constitutivo do país e possibilitou a criação de periódicos sem as amarras reais.

No Brasil, a Impressão Régia -que aportou no Rio de Janeiro com a fuga da corte portuguesa de Napoleão - estabeleceu em seus primeiros atos "fiscalizar que nada se imprimisse contra a religião, o governo e os bons costumes". Não foi à toa, portanto, que o primeiro jornal brasileiro -o "Correio Braziliense"- nasceu em Londres. Foi há 200 anos, comemorados na semana passada.

De lá para cá, o jornalismo nacional marcou sua presença na história, destacando-se nos momentos de polarização, como nas campanhas pela abolição da escravatura, pela república, pela democracia, pelas eleições diretas.Enfrentou períodos sombrios de censura e sufocamento econômico. Como no resto do mundo, acompanhou a chegada das novas mídias que disputam o tempo e o bolso do cidadão.

Nos últimos anos, a discussão sobre o futuro dos jornais passou a freqüentar o debate sobre comunicações. A internet - e suas infinitas possibilidades de informação e interação- é colocada como rival dos meios impressos, tachados de lerdos e opacos. Preocupados com a adesão avassaladora dos jovens à rede de computadores, os jornais buscam a renovação e discutem sua função nesse momento e seu espaço como negócio.

Tradicionais empresas jornalísticas já há muitos anos investem na internet e aproximam suas plataformas de informação. Embora sejam âncoras importantes na rede e ganhem audiências em crescimento exponencial, não encontram contrapartidas em suas receitas que possam justificar uma eventual transição do papel para a tela.

Ao mesmo tempo, a venda de jornais continua a crescer no mundo (2,6% em 2007), muito impulsionada por países como China e Índia -e Brasil, que teve alta de 11,8%.

Bússola para o leitor

Por aqui, onde a televisão ainda reina quase absoluta como em nenhum outro lugar do globo, a fatia dos jornais no bolo publicitário engordou. Foi de 19,4%, em março último. A internet ficou com apenas 3,2%. Só no primeiro trimestre deste ano, a publicidade em jornais brasileiros aumentou 24%.

Esse vigor mostra o interesse e a confiança de leitores e anunciantes nos diários impressos e coloca em xeque previsões pessimistas. Os jornais condensam uma credibilidade difícil de ser replicada em outros meios e funcionam como uma bússola para o leitor imerso no caos informativo atual. Apresentam um resumo organizado das notícias mais importantes das últimas 24 horas, selecionando e hierarquizando fatos, análises e opiniões. Já foi dito que editores atuam como curadores de notícias para seus leitores.

Os jornais também são os principais responsáveis pelos chamados furos de informação, fatos inéditos e relevantes que são trazidos à luz contra interesses e em benefício da democracia. Trazem um mosaico de opiniões único e se tornam referência na discussão de idéias do país. Finalmente, são elogiados também por serem práticos, portáteis.

Nem por isso deixam de enfrentar questionamentos variados. Nos Estados Unidos, sempre referência nesse e em outros debates, os jornais registram vendas estáveis ou declinantes e sofrem golpes -muitos advindos da internet- que atingem sua imagem de credibilidade e independência. O oficialismo e o adesismo na cobertura da Guerra no Iraque, por exemplo, deixaram cicatrizes incômodas.

Além disso, a pulverização do capital das empresas jornalísticas norte-americanas, a partir dos anos 60, introduziu novas lógicas para avaliação dos resultados dos produtos perante seus acionistas. Hoje, eles passam por mudanças sensíveis em seus controles -e em suas linhas editoriais. Movimento que coincide com um dos momentos mais ricos da história política recente nos EUA.

Há uma disputa de mercado e de poder. Os jornais estão nesse emaranhado tratando de achar o seu rumo. É disso que trata o texto que a Folha publica a seguir. O autor garimpa nos 300 anos de história da imprensa nos Estados Unidos explicações para os desafios de hoje.

Lá e aqui não existem respostas definitivas sobre os caminhos para os jornais. Como podem ampliar seu universo de leitores -especialmente em países, como o Brasil, onde o analfabetismo ainda é uma vergonhosa realidade? Como conseguir atrair as novas gerações bombardeadas pela multimídia? Como trabalhar com a internet? Como, enfim, melhorar a qualidade do produto despachado diariamente até a porta do consumidor antes do seu café da manhã?

No texto que segue, publicado originalmente na revista norte-americana "The New Yorker", o autor lembra que bons jornais devem ser como um país conversando consigo mesmo. Numa sociedade extremamente desigual e cada vez mais preocupada com o bem-estar em escala privada, os jornais colocam foco sobre o interesse público. Têm a tarefa de fazer uma reflexão cotidiana sobre a realidade. É o seu papel e o seu futuro.

A Senhora Gramática (1)

Quando a noite chega com seu frio, um bom livro me acolhe para eu apreciar a fachada da catedral de Notre-Dame com as estátuas de Botticelli. Uma delas representa uma senhora de idade que viveu na Ática e usa trajes romanos; num cofrinho de marfim, ela guarda uma faca e uma lima para corrigir os erros das crianças. Seu nome, Grammatica

Como sabemos, as crianças vivem do excesso, e a senhora Grammatica, com a faca e a lima, precisa podar os exageros infantis por meio da razão instrumental. Para essa austera senhora, faca e lima fatiam a linguagem em partes para, em um segundo momento, classificá-la

Em Crátilo, Platão é quem, primeiro, faqueia a língua no Ocidente. Mais tarde, Aristóteles aprimora o trabalho do mestre. Durantes séculos, alunos aprenderam a instrumentalizar a língua segundo classificações e análises por causa desses dois filósofos

No caso de Aristóteles, o que ele determinou para a biologia, para a medicina, o pensador transplantou para a língua, concebendo-a como um corpo a ser autopsiado pela faca das classificações e pela lima das análises. No livro A vertente grega da gramática tradicional, de Maria Helena de Moura Neves, evidencia-se essa intervenção cirúrgica

Isso, entretanto, não representa a morte de um corpo. Embora tenha sido retalhado (adjetivos, substantivos, verbos, advérbios), os professores de Língua Portuguesa sabiam o que fazer com essa “matéria” em sala de aula. No primeiro ano do ensino médio, por exemplo, o currículo formal apresentava com clareza os conteúdos, o mesmo ocorrendo em anos posteriores. O sistema funcionava, porque, para cada ano letivo, o conteúdo desse corpo estava bem exposto. Havia organização. O organismo funcionava. “Hoje, estudaremos fonologia e, depois, morfologia.” Partia-se do menor (fonemas) para o maior (sintaxe

Hoje, com a presença do texto, de onde partir? Sem unidade, visto que o corpo se fragmentou, isto é, as partes não se combinam, o professor de Língua Portuguesa leciona um conteúdo no primeiro ano do ensino médio; entretanto, à tarde, seu colega, no mesmo ano do ensino médio, leciona outro conteúdo. O aluno Evandro, da tarde, se transferiu para manhã, surpresa, o conteúdo é outro. As partes não se completam. Desorganizado, o organismo não funciona. Perdeu o que havia de bom na senhora Grammatica: sistematização.

sábado, junho 07, 2008

Poder público 5


Foto de Evandro Derze






Conquista, bairro. Urbanizar bairros periféricos. Humanizar o dinheiro público.

Poder público 4



Foto de Evandro Derze






A vida torna-se melhor quando a cidade é melhor para todos e não apenas para bairros de médicos, engenheiros, políticos, juízes, advogados. Outro bairro periférico que a Prefeitura de Rio Branco urbanizará.

Poder público 3


Foto de Evandro Derze






O dinheiro público passará por aqui.

Poder público 2

Foto de Evandro Derze








Ainda no bairro Conquista, a Prefeitura de Rio Branco urbaniza um local periférico. A Frente Popular precisa permanecer no poder municipal durante um bom tempo para sanear bairros que permaneceram à margem do dinheiro público por muito tempo.

Poder publico 1

Foto de Evandro Derze.








A realidade política de Rio Branco depende de onde a vemos. Eu a vejo através de uma manilha de esgoto. No bairro Conquista, onde muitos só chegam em época de campanha, a Prefeitura de Rio Branco configura uma nova realidade.

Amplie a foto e repare bem esse canto deixado por políticos no passado.

sexta-feira, junho 06, 2008

Gênero Masculino

Matou ex-sogro e degolou criança de 4 anos
De Antônio Carlos

Ontem de manhã, policiais civis da capital se deslocaram para a cidade de Xapuri para prender Jorge Santos da Cunha, o Jorge do Cid, autor de um duplo.

Na manhã de quinta-feira, dia 5, na Colocação Vai-quem-Quer, Seringal Boa Vista, depois de tentar reatar o romance com sua companheira Lenira Marques da Silva (20), de quem estava separado há dias, Jorge acabou matando o ex-sogro Francisco Pereira da Silva (51) e o enteado Ânderson da Silva Gonzaga, de 4 anos apenas.

Francisco foi assassinado com um tiro de espingarda nas costas, e o garoto foi degolado a golpes de terçado. O assassino ainda chegou a decepar a mão esquerda de Ânderson e exibi-la como troféu. A Lenira e uma menina de 11 anos escaparam da morte. “Ele estava possuído pelo demônio”, disse a mulher.

Jorge do Cid e Lenira Marques da Silva viviam maritalmente e, pelo fato do trabalhador ser excessivamente violento quando se embriagava, a garota se separou dele há pouco mais de uma semana.

Por volta das 8 horas de quinta-feira, dia 5, Jorge foi à casa de ex-mulher, na Colocação Vai-quem-Quer. Depois de conversar com Lenira, pediu que ela voltasse a morar com ele. Prometeu inclusive que mudaria de comportamento e ajudaria a criar o enteado Ânderson.

Como a jovem não aceitou a proposta, Jorge disse que a mataria. Lenira correu, gritando por ajuda. O criminoso deu um tiro para a mulher parar, mas não adiantou. Francisco Pereira da Silva ouviu os gritos da filha e correu para ajudá-la.

Ao perceber a presença do ex-sogro, Jorge colocou um novo cartucho na espingarda e, depois de discutir com ele, esperou que ficasse de costas para atirar, morrendo no local.

Depois, pegou a criança de 4 anos pelo braço e gritou para a ex-mulher que, caso não voltasse, mataria o garoto. Como não retornou, Jorge sentenciou: cortou seu pescoço.

“Eu corri para o mato com uma menina de 11 anos vários quilômetros até chegar a uma residência para implorar ajuda”, lembra. “Depois que degolou o meu filho, ele decepou a mãozinha dele e exibia como se fosse um troféu

Até a manhã de ontem, o assassino estava na floresta. Policiais civis da capital se deslocaram para a região para ajudar a prendê-lo.

quinta-feira, junho 05, 2008

O sindicalismo trocou de delegacia

ELIO GASPARI

O "poder das centrais", como a Caveira de Cristal do Museu Britânico,
é uma fraude a serviço de uma lenda

ERA UMA VEZ um pelegaço chamado Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997). Ele presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo durante 22 anos, até 1987. Comprava e vendia greves, mas em janeiro de 1976 foi o único presidente de sindicato de metalúrgicos a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército.

O sindicalismo do ABC, surgido nos anos 70, considerava-o ícone da corrupção sindical do entardecer da ditadura. Joaquinzão morreu pobre, numa modesta casa de repouso. Todos os seus sucessores, bem como os seus principais adversários, tornaram-se pessoas patrimonialmente prósperas e politicamente poderosas. (Quem quiser pode conferir: ele deixou um carro, uma pequena casa num bairro popular e um sítio.) Lula, seu jovem rival no século passado, preside hoje um contubérnio de sindicalistas com fundos estatais, corredores do Planalto e saletas do Ministério do Trabalho.

Joaquinzão vem ao caso porque ele pode ser considerado o avô do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, aliado parlamentar do Planalto. Joaquinzão entregou o Sindicato dos Metalúrgicos a Luiz Antônio de Medeiros e em dez anos seu sucessor produziu o "sindicalismo de resultados".

Dele resultaram a Força Sindical, 11 condecorações civis e militares, dois mandatos de deputado federal e, atualmente, a Secretaria de Relações do Trabalho, na pasta do doutor Carlos Lupi. Assim como em 1986 houve um dia em que Medeiros e Joaquinzão tiveram uma conversa, é provável que em 1990 tenha havido outra, ao fim da qual Medeiros entregou o domínio a Paulo Pereira da Silva, que ficou com o sindicato e a Força Sindical.

Poucos devem ter sido os casos de países onde o movimento sindical passou da delegacia de ordem política à de defraudações no espaço de uma só geração. A julgar pela definição que Lula colou em Lech Walesa ("pelegão"), pode ser que tenha ocorrido algo parecido, em ponto menor, na Polônia. Paulinho da Força capturou a presidência do conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador, fez parcerias milionárias no BNDES, noves fora preciosas alianças eleitorais. Houve um tempo em que o PT colocou no mesmo Codefat um jovem promissor, chamava-se Delúbio Soares.

Fala-se muito no "poder das centrais sindicais". Tudo indica que, como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, essa força é uma fraude a serviço de uma lenda. Até hoje, as centrais só conseguiram parar repartições públicas. O "poder das centrais", graças a Lula, será exercido na tunga dos salários dos trabalhadores e dos fundos dos contribuintes. Isso é que se pode chamar de sindicalismo de resultados. Avançam na patuléia e deixam os patrões em paz. Mordem a folha de salários dos trabalhadores, atravessam a rua e param os serviços médicos onde as mulheres dos operários buscam consultas para seus filhos.

Desde que a contabilidade de Paulo Pereira da Silva começou a ser estudada pela Polícia Federal percebe-se que há algo de novo na praça. Durante o collorato, a Força Sindical beliscava o patronato paulista.Paulinho estatizou os beliscões. Podem acusá-lo de tudo, menos de ter incomodado patrão.

quarta-feira, junho 04, 2008

Gramática é importante

Desde 1986, comecei a ouvir na faculdade produção textual. Nesta semana, conversando com uma colega de profissão que trabalha na Secretaria de Educação do Estado do Acre, ela me disse que o importante é leitura e texto, a gramática não tem importância.

Não é bem assim. A questão textual abre caminhos em que a secretaria ainda não toca e, quando fala por meio de uma funcionária, diz que a gramática não importa mais. Pessoas falam sem ter lastro bibliográfico.

Exemplo simples e prático. Por mais que leiamos, por mais que tenhamos textos em sala de aula, a escrita não apresentará sua universalidade, porque o professor não terá condições de observar a acentuação nos textos selecionados por ele.

Os textos apresentam parte da língua portuguesa, por exemplo, crase, hífen, acentuação. A regra, entretanto, universaliza. Quando o aluno estiver no mercado de trabalho, não poderá contar nem sempre com dicionário eletrônico para escrever "autocrítica". Deverá saber usar hífen diante de alguns prefixos.

A gramática tem a sua devida importância e, paralela a ela, leitura e produção textual.

Colega de profissão, ela é muito educada, simples, boa pessoa, só questiono sua fala quando alguém da área não souber questionar a sua.

segunda-feira, junho 02, 2008

Giramundo


Sessenta alunos assinaram seus nomes, "nós iremos ao teatro". O ônibus da Secretaria Estadual de Educação aportou na escola às 19 horas. Às 19h25, partiu com 20 alunos. Assistimos à obra-prima Cobra Norato, de Raul Bopp. Belíssima apresentação do grupo de teatro Giramundo.

Revi um homem por demais educado, gentil: Marcos Afonso. Ele sai do seu lugar para me cumprimentar, que figura! que alma doce!.

Que a tua casa, Marcos, tenha à mesa o banquete da compreensão, o sabor agradável do diálogo e das inquietações. Vida longa, meu amigo! Um grande abraço em teu destino.

Quanto aos alunos, eu jamais poderia levá-los, às 20 horas, ao teatro se fosse no Rio de Janeiro ou em São Paulo. É uma juventude interessada, um pessoal por quem tenho enorme carinho.

Que o teatro seja cada vez mais intenso neste Acre acolhedor.

sábado, maio 31, 2008

Açeçôr di Inpremçá

1)
"Quatro horas mais tarde, a equipe dos Jogos Escolares 2008 partiu de Rodrigues Alves para ir direto à Mâncio Lima, onde a população comemorou, na tarde desta sexta-feira, 30, os 31 anos do município, ao mesmo tempo em que recepcionou o fogo olímpico, representante do espírito esportivo dos jogos. O local escolhido para o acendimento da pira olímpica foi o Centro Esportivo Totão."

Antes de "Mâncio Lima", não há artigo "a". Você não diz "a Mâncio Lima é linda". Nós dissemos, isso sim, "iremos a Mâncio Lima". Esse "a" é uma preposição que surgiu por causa do verbo "ir". Só há, portanto, preposição, não existe artigo. Sendo assim, não há fusão entre preposição "a" e artigo "a", ou seja, não se cola acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de Mâncio Lima.

2)
"A proposta do banco é levar à todas as regiões brasileiras shows com grandes nomes de várias expressões artísticas."

O caso de "à todas" é bem pior. Escreve-se "a todas".

sexta-feira, maio 30, 2008

quinta-feira, maio 29, 2008

Ruído escolar



Esses dois rapazes são responsáveis pelas "músicas" da escola Heloísa Mourão Marques. Eles acham que colocam "música", mas, na verdade, são ruídos, porque quem ouve "Créu" não ouve música.

"Nós colocamos Créu porque os alunos querem", justificam.

Não sei se foi brincadeira, mas ele não conhecem Titãs ou um forró verdadeiro, original.

Amanhã, levarei aos ouvidos deles Rapa.

A minha alma
Tá armada e apontada
Para cara do sossego
Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz
é medo

Uma juventude sem letra, sem gosto musical. Na escola pública, deveria haver música, boa música. Que deixassem pelo menos Aldeia FM tocar.

quarta-feira, maio 28, 2008

Gênero feminino

Por que as garotas são melhores do que os garotos na escola?

De Martine Laronche

Por que as garotas são mais bem-sucedidas do que os garotos na escola? Quer isso aconteça na Europa ou, de modo mais abrangente, nos 30 países da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos), um número muito maior dentre elas consegue obter diplomas no ensino secundário e superior e, além de tudo, elas amargam muito menos fracassos escolares do que os rapazes.

A única ressalva que vem temperar este triunfo está no fato de elas obterem resultados um pouco inferiores aos dos rapazes no que diz respeito às notas de matemática, ao passo que elas se mostram nitidamente melhores do que eles no domínio e na compreensão da escrita. Isso também explica por que elas escolhem com menor freqüência seguirem carreiras científicas (matemática, ciências, e escolas de engenharia). Estas são algumas das conclusões da pesquisa internacional PISA (sigla em francês para Programa Internacional para o Acompanhamento da Assimilação dos Alunos).

Então, as garotas teriam mesmo predisposições inatas para o sucesso escolar? Ao ouvir esta pergunta, na certa, Paul Broca deve estar se revirando até agora dentro do seu túmulo. Em meados do século 19, este eminente cirurgião e antropólogo havia pressuposto que "o tamanho relativamente menor do cérebro da mulher (permitia explicar) ao mesmo tempo a sua inferioridade física e a sua inferioridade intelectual".

Desde então, gerações de neurologistas tentaram encontrar origens cerebrais para as diferenças entre os sexos. Catherine Vidal, uma neurobióloga e diretora de pesquisas no Instituto Pasteur de Paris, desmonta todas essas pesquisas num pequeno livro tão estimulante quanto divertido. Assim, a aptidão para a linguagem, que muitos apresentaram como sendo mais desenvolvida nas mulheres, havia sido atribuída, entre outros, a partir dos resultados de uma experiência realizada em 1995, ao fato de que elas mobilizavam os seus dois hemisférios cerebrais, enquanto os homens utilizavam apenas um deles. Contudo, outros estudos que foram realizados desde então infirmaram esta hipótese.

Outro exemplo: em 1982, alguns anatomistas haviam observado que o feixe das fibras que conectam entre si os dois hemisférios do cérebro era mais largo nas mulheres do que nos homens. Esta observação tampouco foi confirmada por estudos posteriores realizados em maior escala. "Os estudos evoluíram muito; hoje, os conhecimentos que nós temos em relação aos neurônios estão muito mais apurados e atualizados", explica a neurobióloga. "As capacidades biológicas cerebrais são idênticas para os dois sexos, e rapazes e garotas apresentam as mesmas aptidões. Para explicar as diferenças, é preciso referir-se aos estereótipos sócio-culturais e aos comportamentos que deles decorrem.

Análise dos estereótipos

Por ocasião do nascimento, apenas 10% dos neurônios estão conectados entre si, enquanto os 90% dos circuitos (sinapses) restantes irão se construírem posteriormente em função do meio-ambiente, social, cultural e familiar. "À medida que as suas capacidades mentais vão se desenvolvendo", prossegue Catherine Vidal, "a criança vai aprender a se identificar ao masculino e ao feminino.
"Christian Baudelot e Roger Establet, dois sociólogos especialistas em educação, analisaram esses estereótipos. Logo no ano de 1992, eles começaram a defender a tese segundo a qual as formas tradicionais de socialização das garotas estavam mais em conformidade com aquilo que a escola pode vir a exigir dos alunos. "A educação das garotas está fundamentada ainda atualmente na noção de docilidade, no sentido etimológico de capacidade de receptividade, de escuta", assegura Christian Baudelot. "Ocorre que na escola, o que se espera em primeiro lugar dos alunos é que eles interiorizem as regras".

Além do mais, as garotas, numa proporção muito maior, seriam alvos, por parte dos seus pais, de uma "solicitude preocupada", ao passo que os rapazes, que costumam ser mais raramente submetidos a esta vigilância, construiriam o seu desenvolvimento, com freqüência muito maior, fora da escola e em função de valores masculinos muito diferentes. "A cultura que é oferecida aos rapazes dá uma ênfase muito maior para o heroísmo, a violência e a demonstração de força. Ora, esses são valores que em todos os casos os dotam de um arsenal anti-escolar", consideram os dois sociólogos. No que vem a ser um outro fator importante, uma vez que os docentes, na grande maioria dos casos, são mulheres, a identificação revela ser mais fácil para as garotas.

Cerca de quinze anos mais tarde, Baudelot e Establet enriqueceram esta análise propondo uma visão mais dinâmica. Segundo eles, as garotas não são apenas mais bem formatadas para os estudos, como "elas também se envolvem de maneira mais positiva com as suas escolhas em sua orientação escolar". A escola é o lugar onde elas adquirem muito cedo a experiência de que elas podem ser as iguais, e até mesmo melhores do que os rapazes. Muito mais do que eles, elas se interessam e se divertem com as atividades culturais tradicionais. Segundo os dados divulgados pela OCDE, 51% das garotas de 15 anos lêem pelo menos um livro por mês, contra 37% dos rapazes. Além do mais, as suas mães as incentivam com maior afinco do que no passado a se tornarem independentes.

Uma socialização familiar

As garotas estão mais conscientes do fato de que os estudos constituem o principal vetor para a sua emancipação. E o seu sucesso escolar também representa uma conseqüência de uma dinâmica histórica e de uma evolução da sociedade", explica Catherine Marry, uma socióloga, diretora de pesquisas no CNRS (uma das principais entidades francesas dedicadas à pesquisa científica). "As expectativas dos pais são atualmente as mesmas em termos de nível de estudos para as crianças dos dois sexos, mas continuam sendo diferentes em termos de orientação".

No final, as garotas continuam até hoje sendo sub-representadas no que se refere às carreiras científicas. "Elas permanecem vítimas do imaginário social em relação às profissões", constata Catherine Marry, "e, com isso, elas tendem a se orientarem rumo a profissões que supostamente convêm melhor às qualidades das mulheres, tais como as que requerem uma maior atenção para com os outros".

Esta socióloga, que se dedicou a estudar mais especificamente os sucessos de mulheres em carreiras científicas, explica o percurso destas últimas como sendo o resultado de uma socialização familiar particular. "Essas garotas, em sua maioria, tinham mães mais voltadas para uma cultura científica, em muitos casos professoras de matemática", analisa Marry. "Elas também tinham sido objetos, em relação ao(s) seu(s) irmão(s), de uma transmissão de cultura igualitária, inclusive por parte do pai."

terça-feira, maio 27, 2008

Diretora ameaçada de morte

Para a imprensa, a escola só surge como tragédia, violência. Sem isso, não há educação pensada pela imprensa. Um carro bate no poste é notícia, mas a educação não é. Em Cruzeiro do Sul, uma diretora é ameaçada, por isso a reportagem existe para ela.
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Marcada para morrer, alunos ameaçam diretora
De Jairo Barbosa

Com mensagem pichada no muro da escola Prof. Flodoardo Cabral, em Cruzeiro do Sul, os alunos enviaram uma ameaça de morte explícita à diretora Ruth Bernardino da Costa. O texto, escrito à caneta, estava assim: “ O prazo de vida da diretora Ruth é até o dia 25/05. A Ruth vai levar facada.”

Na escola, os funcionários evitam falar sobre o assunto. Uma minoria de alunos ainda comenta o caso e atribuem às normas rígidas implantadas na escola pela diretora, o motivo da ameaça. Mas os casos de violência no Flodoardo Cabral vêm sendo registrado desde o ano passado.

Um aluno que pediu para não ter o nome publicado contou à TRIBUNA que, no turno da noite, o consumo de bebida alcoólica e de droga na parte interna da escola é quase uma rotina. Na frente do estabelecimento de ensino, então, disse o aluno, o consumo é liberado.

No mês passado, dois alunos, uma garota e um garoto foram flagrados na sala de aula com facas. No início desta semana, uma outra garota tentou contra a vida de uma colega ao descobrir que ela havia saído com seu namorado.

Apesar da onda de violência e da ameaça de morte, a diretora não registrou queixa na polícia. Em uma entrevista concedida ao repórter Francisco Rocha, da Rádio Verdes Florestas, ela culpou os pais pelo problema que a comunidade escolar vem enfrentando.

“Infelizmente , não tivemos a colaboração dos pais dos alunos da noite. Eles se acham de maior e os pais nunca comparecem à escola, por mais que eu peça ajuda, diferente dos outros turnos, onde tivemos um apoio muito grande. Fizemos várias reuniões envolvendo pais, alunos, promotor, defensor público e o Conselho Tutelar”, disse ela.

Ruth admite que os casos mais graves que envolvem até ameaças de mortes entre os alunos acontecem no período da noite. Por causa disso, muitos funcionários da escola pediram transferência para outros grupos escolares, o que reduziu o número de servidores e facilitou a ação dos rebeldes.

Ao redor da escola, existe um muro de aproximadamente dois metros de altura e um uma quadra coberta, por onde, segundo os funcionários da escola, entra a bebida e droga consumida lá dentro.

A escola Flodoardo Cabral atende mais de 1,2 mil alunos e funciona em três turnos.

segunda-feira, maio 26, 2008

Anfré Petry e Marina Silva

Na Veja, o colunista André Petry, de forma bem sutil, chamou a ex-ministra do Meio Ambiente de míope. Ele conclui seu artigo desta forma:

"Marina Silva sempre foi festejada como símbolo da defesa da Amazônia. Em cinco anos no ministério, não reduziu um grau que fosse a miopia ambiental do governo. Era só símbolo. Agora, com Carlos Minc, sob esse aspecto, não muda nada. Só não teremos nem símbolo mais."

Sintaxe de Jornalista

"Estão disponíveis 571 vagas, no qual, estão sendo divididas da seguinte forma:"

Não percebe que é mais simples escrever "estão disponíveis 571 vagas, divididas da seguinte forma:".