sexta-feira, novembro 30, 2012

De 2007 a 2011

Um professor estadual e colega deixou estas palavras:


Esses números, infelizmente, não me surpreendem. A precariedade da maioria das escolas públicas de Rio Branco é lamentável. Na escola Leôncio de Carvalho, por exemplo, onde leciono, não é possível climatizar as salas pois o orçamento da escola não é o suficiente sequer para providenciar a substituição da fiação elétrica, muito menos para a compra de ares-condiciados. O calor infernal em que tentamos realizar nosso trabalho afasta qualquer possibilidade de educação como instrumento de transformação social.

A Olimpíada de Jogos Digitais e Educação realizada em novembro deu muita visibilidade ao governo. Mas e a difícil realidade cotidiana? Foi varrida para baixo do tapete do desinteresse público, longe dos olhos da imprensa local, que também peca por omissão. Afinal, é mais fácil culpar o professor, atribuindo a ele a incompetência de muitos.

Prof. Gleyson Moura

Pontuações das escolas e, entre parênteses, suas colocações conforme o ENEM de cada ano.

MUNICÍPIOS

ESCOLAS


2011
51 escolas
2010
54 escolas

2009
43 escolas
2008
53 escolas
2007
39 escolas
1.         Rio Branco - particular
Centro Educacional Lato Sensu
60.16 
(1)
62,95 
(01)
63,20 (01)
61,27 (01)
68.07 
(01)
2.         Rio Branco - particular
Max Reino Encantado
-
-
63,17 (02)
59,54 (02)
-
3.         Rio Branco - particular
Meta
54.79
(
2)
59,98
(04)
61,56 (03)
58,80 (03)
64.08
(02)
4.         Rio Branco - particular
Técnico Plácido de Castro
54.36
(3)
60,62
(03)
-
58,04 (04)
63.96
(03)
5.         Cruzeiro do Sul - particular
Inst. Orfanológico Santa Teresinha
57.32 
(7)
62,47 
(02)
58,37 (05)
55,28 (05)
63.26
(04)
6.         Rio Branco - particular
Instituto Imaculada Conceição
52.98
(4)
59,56
(05)
55,60 (06)
55,27 (06)
61.26
(05)
7.         Rio Branco - particular
Colégio Alternativo do Acre Ltda.
52.04
(5)
58,67
(08)
55,58 (07)
53,30 (07)
-
8.         Rio Branco - estadual
Instituto São José
49.90
(8)
59,37
(06)
55,18 (08)
52,00 (08)
-
9.         Rio Branco - estadual
Prof. José Rodrigues Leite
48.43
(12)
54,19
(13)
54,13 (11)
50,81 (09)
53.74
(06)
10.      Rio Branco - particular
Fundação Bradesco
49.47
(9)
55,82
(11)
53,04 (14)
49,93 (10)
50.24
(12)
11.      Rio Branco - federal
Colégio de Aplicação
46.67
(17)
56,28
(10)
54,70 (09)
49,54 (11)
-
12.      Cruzeiro do Sul - estadual  
Dom Henrique Ruth
45.69
(20)
54,12
(14)
54,50 (10)
48,11 (12)
49.79
(13)
13.      Cruzeiro do Sul - estadual
Flodoardo Cabral
44.72
(30)
54,84
(12)
52,45 (15)
47,59 (13)
45.67
(29)
14.      Rio Branco - estadual
Arena da Floresta
-
-
-
47,27 (14)
-
15.      Rio Branco - estadual
Jornalista Armando Nogueira
45.19
(24)
51,79
(20)
50,54 (22)
46,54 (15)
48.33
(17)
16.      Rio Branco - estadual
Alcimar Nunes Leitão
45.15
(25)
53,68
(15)
58,44 (04)
46,27 (16)
46.53
(24)
17.      Rio Branco - estadual
Luíza Carneiro Dantas
-
-
-
46,27 (17)
44.37
(34)
18.      Rio Branco - estadual
Barão do Rio Branco
-
52,26
(18)
50,79 (21)
46,16 (18)
48.13
(18)
19.      Bujari - estadual
São João Batista
43.94
(36)
49,23
(41)
49,07 (33)
45,92 (19)
43.28
(37)
20.      S. Guiomard - estadual
15 de Junho
44.85
(27)
51,18
(26)
53,14 (13)
45,82 (20)
53.46
(07)
21.      Porto Acre - estadual
Edmundo Pinto de Almeida Neto
43.21
(44)
49,17
(44)
-
45,69 (21)
-
22.      Rio Branco - estadual
José Ribamar Batista
45.22
(23)
49,20
(43)
51,92 (16)
45,60 (22)
46.50
(25)
23.      Porto Acre - estadual
Jader Saraiva Machado
45.39
(21)
47,93
(54)
-
45,50 (23)
-
24.      Brasileia - estadual
Kairala José Kairala
-
51,76
(21)
44,51 (42)
45,31 (24)
46.43
(26)
25.      Rio Branco - estadual
Henrique Lima
43.60
(38)
49,75
(38)
49,33 (30)
45,20 (25)
47.67
(21)
26.      Epitaciolândia - estadual
Joana Ribeiro Amed
-
52,78 (16)
49,79 (26)
45,07 (26)
50.32
(10)
27.      Rio Branco - estadual
Lourival Sombra Pereira Lima
46.93
(16)
48,61
(49)
48,81 (35)
44,92 (27)
-
28.      Sena Madureira - estadual
Dom Julio Mattioli
-
51,36
(23)
47,78 (37)
44,83 (28)
49.48
(14)
29.      Feijo -  estadual - estadual
Jose Gurgel Rabelo
-
50,58
(27)
49,17 (32)
44,82 (29)
48.01
(20)
30.      Mâncio Lima - estadual
Antônio Oliveira Dantas
41.59
(48)
50,44
 (30)
49,69 (27)
44,64 (30)
44.22
(35)
31.      Acrelândia - estadual
Marcílio Pontes dos Santos
46.99
(15)
49,33
(39)
49,89 (24)
44,30 (31)
45.38
(30)
32.      Xapuri - estadual
Divina Providência
43.56
(39)
49,25
(40)
47,32 (39)
44,30 (32)
50.26
(11)
33.      Rio Branco - estadual
Gloria Perez
44.87
(26)
51,45
(22)
49,30 (31)
44,15 (33)
48.02
(19)
34.      Plácido de Castro - estadual
João Ricardo de Freitas
44.83 (28)
49,76
(37)
49,80 (25)
44,11 (34)
48.53
(16)
35.      Rio Branco - estadual
Leôncio de Carvalho
44.42
(34)
52,72
(17)
47,69 (38)
43,52 (35)
50.85
 (09)
36.      Cruzeiro do Sul - estadual
Manoel Braz de Melo
43.38
(41)
47,95
(53)
-
43,08 (36)
-
37.      Tarauacá - estadual
Dr. Djalma da Cunha Batista
-
52,07
(19)
45,55 (40)
42,90 (37)
44.80
(31)
38.      Rio Branco - estadual
Dr. João Batista Aguiar
43.23
(43)
49,22
(42)
48,54 (36)
42,73 (38)
45.98
(27)
39.      Rio Branco - estadual
Lourival Pinho
45.28
(22)
48,83
(46)
49,41 (29)
42,71 (39)
46.97
(22)
40.      Rio Branco - estadual
Heloisa Mourão Marques
44.51
(32)
50,27 
(32)
51,38 (18)
42,54 (40)
48.97
(15)
41.      Rio Branco - estadual
Lourenço Filho
-
48,95
(45)
50,95 (19)
42,42 (41)
46.58
(23)
42.      Assis Brasil - estadual
Íris Célia Cabanellas Zannini
43.51
(40)
50,275
(31)
41,77 (43)
42,09 (42)
44.65
(32)
43.      Capixaba - estadual
Argentina Pereira Feitosa
43.38
(42)
48,70
(48)
-
42,03 (43)
52.03
(08)
44.      Rio Branco - estadual
Humberto Soares da Costa
-
49,95
(35)
53,20 (12)
42,02 (44)
44.54
(33)
45.      Rio Branco - estadual
Prof.ª Berta Vieira de Andrade
-
48,39
 (50)
51,68 (17)
41,81 (45)
43.18
(37)
46.      Rio Branco - estadual
Dr. Santiago Dantas
    46.50   
     (18)
50,04
(34)
-
41,79 (46)
-
47.      Cruzeiro do Sul - estadual
Marcílio Nunes Ribeiro
41.28
(49)
49,33
(39)
-
41,72 (47)
-
48.      Cruzeiro do Sul - estadual
Craveiro Costa
42.19
(46)
50,22
(44)
48,96 (34)
40,63 (48)
45.97
(28)
49.      Porto Walter - estadual
Borges de Aquino
-
50,51
(28)
50,90 (20)
40,46 (49)
42.34
 (39)
50.      Manoel Urbano - estadual
Nazira Anute de Lima
-
49,86 
(36)
-
40,38 (50)
43.98 
(36)
51.      Acrelândia - estadual
Santa Lúcia
44.49 
(33)
-
-
39,85 (51)
-
52.      Plácido de Castro - estadual
São Luiz Gonzaga
43.21 
(45)
48,33
 (51)
-
39,52 (52)
-
53.      Jordão - estadual
Jairo de Figueiredo Melo
-
-
-
39,02 (53)
-
54.      Rio Branco - particular
AME
48.66 (10)
-
-
-
-
55.      Rio Branco - particular
Adventista
48.56 (11)
-
-
-
-
56.      Rio Branco - particular
Pingo de Ouro
48.27 (13)
-
-
-
-
57.      Rio Branco - particular
João Calvino
48.03 (14)
-
-
-
-
58.      Porto Acre - estadual
União e Progresso
45.82 (19)
-
-
-
-
59.      Rio Branco - estadual
Sebastião Pedrosa
44.78 (29)
-
-
-
-
60.      Rio Branco - estadual
Pedro Martinello
44.52 (31)
-
-
-
-
61.      Rodrigues Alves - estadual
Francisco Braga
41.73 (47)
-
-
-
-
62.      Senador Guiomard - estadual
15 de Maio
40.96 (50)
-
-
-
-
63.      Cruzeiro do Sul - estadual
Aldegundes Becker
40.65 (51)
-
-
-
-
64.      Rio Branco - estadual
Edgar Cerqueira Filho
44.09 (35)
-
-
-
-
65.      Rio Branco - estadual
Clícia Gadelha
43.86 (37)
-
-
-
-
66.      Rio Branco - particular
Vitória
51.68 (6)
-
-
-
-
  

quinta-feira, novembro 29, 2012

E aí, Tião Viana?. E aí, Arnóbio Marques? E aí, Jorge Viana?

Quem leciona nas escolas públicas acrianas (quem não é vereador, deputado, senador ou governador, homens que deveriam ser responsáveis por políticas públicas da educação) enxerga em sala de aula o que políticos só veem em suas propagandas.

Oito anos Jorge Viana. Quatro anos de Arnóbio Marques. Dois anos de Tião Viana. Ao todo, 14 anos de educação pública conforme os mandos do PT.

Não dizem mais que o salário do professor no Acre é o maior do país. Aníbal Diniz, que ignora o que seja escola pública, reproduzia essa falácia no meios de comunicação.

Falava do salário sem falar do custo de vida da sociedade acriana.

Pois bem, mais uma vez, após anos e anos, a escola pública acriana permanece como uma das piores do Brasil, uma das piores da Região Norte.

Abaixo, coloquei na sequência a relação de estados e Distrito Federal e, por meio de números, as melhores escolas públicas conforme o ENEM-2011.

       Minas Gerais: 704.29 1º
         Pernambuco: 676.95 2º
     Espírito Santo: 672.49 3º
     Rio de Janeiro: 664.98 4º
  Rio Grande do Sul: 660.56 5º
          São Paulo: 660.55 6º
             Paraná: 655.24 7º
 Mato Grosso do Sul: 637.43 8º
               Pará: 626.86 9º
              Bahia: 625.86 10º
              Ceará: 611.65 11º
Rio Grande do Norte: 606.20 12º
              Goiás: 605.73 13º
        Mato Grosso: 596.39 14º
           Amazonas: 595.54 15º
     Santa Catarina: 595.20 16º
           Maranhão: 587.26 17º
            Paraíba: 584.98 18º
   Distrito Federal: 578.30 19º
            Sergipe: 577.88 20º
              Piauí: 577.23 21º
            Alagoas: 572.80 22º
            Roraima: 563.62 23º
          Tocantins: 554.98 24º
           Rondônia: 540.00 25º
               Acre: 499.08 26º
              Amapá: 480.09 27º

A melhor escola pública acriana, o Instituto São José, deixa o estado do Acre na penúltima posição no Brasil e na Região Norte.

O que é melhor no Acre fica, no âmbito geral das escolas brasileiras, no 5.769º lugar.


A escola José Rodrigues Leite, com 484.32 pontos, encontra-se na 6.875ª posição do ranking nacional.

Na faculdade de medicina da UFAC, não existe aluno acriano de escola pública. Por causa disso, muitos temeram que a UFAC entrasse no ENEM.

A situação educacional no Acre permanece muito ruim. Os homens públicos, no entanto, colocam seus filhos em escola particulares, e os sindicatos da educação não estão nem aí.

Aos políticos da Frente Popular Acriana

Quando os números do MEC convêm a cada um dos senhores, seus discursos sobem à tribuna para afirmar que a educação acriana vai bem.

No entanto, números não revelam salas com 45 alunos. A educação pública ainda permanece ruim. Transformações profundas e estruturais não são pensadas pelos políticos.  

Já temos os números do Enem-2011. A melhor escola pública acriana, a São José, obteve 499.08 pontos, ficando, na Região Norte, na frente só do estado do Amapá, 480.09.

Os estados da Região Norte e os números de suas melhores escolas públicas.

     Pará: 626.86

 Amazonas: 595.54

  Roraima: 563.62

Tocantins: 554.98

 Rondônia: 540.00

     Acre: 499.08

    Amapá: 480.09 

segunda-feira, novembro 26, 2012

Um rabino, uma atriz e a palavra sagrada


Ausência de Deus

Este livro, sabedoria e beleza. 
Aqui, Deus se faz presente 


O governo do Acre deveria colocar no circuito acriano belas peças de teatro



Mas o governo do Tião Viana desenvolvimento se reduz a estradas
Antes de deixar o Acre por uns longos anos, fui me despedir de pessoas por quem possuo alegre admiração.

Sem dizer nome, um deles, hoje, é pastor e prega a palavra em uma igreja do Sobral. Pequena e localizada em uma rua triste, sem vida, eu o reencontrei.

Era noite, fazia muito calor, mas lá ele estava com paletó em um espaço "sagrado". Não havia ventilador, muito menos ar-condicionado.

Se havia algum deus ali, havia conforme os limites sociais e pessoais de um grupo. Antes de algum deus, havia também a condição social de pessoas.

Deus fala por meio dos homens, mas ouvir Deus na Candelária do Rio de Janeiro ou na Catedral de Rio Branco não é o mesmo deus na igreja do meu amigo.

No seu espaço "sagrado", tudo é desarmonia, ou seja, tudo agride meus olhos e meus ouvidos.

Um Deus ouve "Jesus, alegria dos homens", de Bach, na Candelária; outro deus suporta ruídos de baterias e de guitarras.

Nesse lugar sem vida, onde se acredita que deus tem um péssimo gosto por causa de um grupo social, a palavra é tormento, gritaria, feiura, clichês. Para mim, onde não há arte, Deus está morto.

A presença de Deus
Reencontrei-me com Deus em outro modelo de templo sagrado. No lugar de um homem com terno falando em profunda desarmonia com a estética de Deus, ouvi, 
por meio da voz de Clarice Niskier, expressada por um corpo nu em harmonia com um véu negro, o texto do rabino Nilton Bonder sobre as Escrituras Sagradas.

Igrejas e mais igrejas feias e intolerantes espalham-se como se fossem pragas do Egito. Não são belas palavras em cultos de pseudopastores, mas pestilência de línguas incultas que infectam o ar de fanatismo.

Essas igrejas me causam náuseas. "Estou só, em meio a essas vozes alegres e sensatas. Todos esses sujeitos passam seu tempo se explicando, reconhecendo com satisfação que têm as mesmas opiniões. Deus meu, que importância eles dão ao fato de pensarem todos as mesmas coisas!", diz-me o narrador de A Náusea, de Jean-Paul Sarte.       

Depois das palavras do rabino Bonder por meio da sacerdotisa Niskier, comprei, no dia seguinte, o livro A Alma Imoral.

Quando saí do templo sagrado, teatro Ziembinski, na Tijuca, ficou mais difícil eu entrar em igreja qualquer ou em igreja de rebanho, porque a palavra, em A Alma Imoral, escrita por um rabino e expressada por um corpo feminino entre a nudez e o véu, ofertou a meus sentidos sabedoria e beleza que nunca vi e que jamais verei em uma igreja de esquina. A intolerância nunca é bela.

Creio em um Deus que suaviza, que exige de minha alma sabedoria, desobediência, arte, cultura, bom gosto. O meu Deus é barroco, impressionista.


Rabino Nilton Bonder