quinta-feira, junho 08, 2006

"Álbum de Família" 1

Hoje, no pré-vestibular do Ideal, iniciei as aulas sobre um dos livros para o vestibular da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Literatura, nesse tipo de curso, o pré-vestibular, limita-se à funcionalidade de um ensino submetido a um modelo de prova para ingressar na universidade. Infelizmente, por causa do modelo das questões - e somente três delas caem no vestibular da Ufac -, a Literatura não encanta, não envolve, não estimula a ler outros livros.
E mais. O vestibulando ainda se vê obrigado a ler 10 livros, e a Copeve, só agora, hoje, informou, por meio da TRIBUNA, que a lista de livros é igual à do ano passado. O primeiro, Álbum de Família.
Publicada em 1946, essa tragédia reapareceu no cinema em 1981 e, para minha breve interpretação neste blog, que não termina hoje, começo com este pensamento de Nelson Rodrigues.
"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha óticade ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."
Com que palavra, começo a interpretar Álbum de Família? Jonas, casado com D. Senhoria, consegue, por meio de tia Rute, irmã da esposa de Jonas, meninas virgens e menores para o cunhado. Ele transa com elas na casa da família.
A palavra que me interessa e sai da boca de Nelson Rodrigues é esta: pornografia.
Amanhã, continuo.

quarta-feira, junho 07, 2006

06.06.06

Ontem, 06.06.06, isto é, 666 é o número da besta, no caso, das bestas que invadiram ontem o Congresso Nacional.

Concordância Verbal

Ninguém das pessoas conseguiu.
Ninguém das pessoas conseguiram.
Qual das duas frases-oracionais está correta? Quando o pronome indefinido (ninguém) estiver no singular, o verbo concorda, sempre, com o pronome.
O correto, portanto, ninguém das pessoas conseguiu.

terça-feira, junho 06, 2006

Os Feios da Copa 8

Os Feios da Copa 7

Os Feios da Copa 6

Os Feios da Copa 5

Os Feios da Copa 4

Os Feios da Copa 3

Os Feios da Copa 2

Os Feios da Copa 1

segunda-feira, junho 05, 2006

Goooooooooooooool!!! contra da CBF

Orlandeli, de A Charge Online

Por dia, Ronaldo Gaúcho recebe mais de R$ 160 mil. Eu acho pouco para a miséria brasileira. Quando se fala em grana, a situação piora com a CBF.
Segundo Aline Sá Teles, do portal contasabertas.uol.com.br, a CBF deve muitas cifras à Previdência Social. Enquanto gritamos goooooooool!, o dinheiro público brasileiro perde de goleada para Ricardo Teixeira. Leia este parágrafo do portal.
"Os problemas da CBF com o poder público, no entanto, vêm de outras Copas do Mundo. Pouco antes da seleção brasileira conquistar o penta, a entidade foi alvo de investigações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito instalada na Câmara dos Deputados em 2000, que evidenciou a situação caótica da administração do futebol brasileiro, comandada pela CBF. A CPI, que tinha como objetivo inicial analisar o contrato entre a Confederação e a Nike, acabou descobrindo uma série de irregularidades na entidade e nas federações, como uso indevido de recursos, doações ilegais para políticos em campanha eleitoral, dentre outros."

"Elas entram em rítimo da Copa"

O portal wwww.noticiasdahora.com deveria ser "caçado" por causa dos crimes contra a língua portuguesa. Escrever "rítimo" expõe o descaso pelo ato de escrever bem. Isso envergonha o Acre.

sexta-feira, junho 02, 2006

Notícias da Hora

Altino Machado deixou endereço no MSN e entrei no portal de Notícias da Hora. Lá, uma entrevista com Toinho Alves.
Olhando para o passado, lembro-me quando conversei com Toinho em sua casa. Por mais de duas horas, esse acreano refletiu sobre a vida, daime, PT. Conversa franca, aberta, livre.
Em outro dia, no centro de Rio Branco, encontrei-me com ele. Chovia. Alguns minutos trouxeram palavras sobre a BOSTA que uma parte do PT executou contra a nação.

Agora, por meio de um entrevista, leio suas palavras, ouço Toinho Alves com os olhos. Palavras sobre poder, sobre florestania. Sobre esses dois conceitos, li e reli um conteúdo - não se zangue, por favor - superficial.
Sobre poder, ele não entra em outros conceitos para que o leitor perceba a sua natureza invisível. Toinho fala de poder como se estivéssemos no século 19 ou no século de Maquiavel.
Sobre florestania, falou, falou, falou e falou, mas só falou o que foi falado sem ter falado para surpreender com uma abordagem interessante sobre cultura. Diz que precisamos valorizar o que é nosso, mas seu equívoco é não problematizar sobre "quem somos".
O que é ser acreano? Falta um estudo bem articulado sobre o que somos. Não conheço um estudo sério neste Estado sobre esse conceito, o da identidade acreana. Há um vazio sobre isso. Florestania se reduz, portanto, a um conceito sem estudo, um bonito significante para inglês ver, mais nada.
Fora isso, queria que o acaso possibilitasse um encontro entre nós para incomodá-lo, para eu ser incomodado. Queria ver Toinho ser entrevistado no programa Provocações, de Antônio Abujanra.




quinta-feira, junho 01, 2006

A Copeve & A Literatura

Para o vestibular da Universidade Federal do Acre, o aluno é obrigado a ler 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 livros para, no dia da prova, a literatura ser contemplada por três questões. Cruel.
Pior. A Copeve, até o momento, não publicou a lista dos 10 livros.
Estamos em junho. Argumentarão que a Ufac entrou em greve no começo do ano? Ora, o tempo do ensino médio não se assemelha ao tempo da Ufac.

quarta-feira, maio 31, 2006

Vazio 3


Foto de Gleilson Miranda. Hoje, mais um vazio sindical. As atuais direções do Sinteac e da APL reduziram os problemas da educação à isonomia salarial. Porra, será só isso até o final dos dois mandatos? Isonomia é justa, mas será só isso?
No faixa da foto, questão de gênero. Essas mulheres ignoram o que seja gênero feminino, porque conduzem os dois sindicatos segundo o gênero masculino.
Como deve ser a organização sindical segundo o gênero feminino? Respondam-me, por favor!!!

Vazio 2

Foto de Alberto Nogueira. Em 25 de abril deste ano, o sindicato mostrou que precisa se transformar. Na Assembléia Legislativa do Estado do Acre, ele reuniu, mais uma vez, um número muito pequeno de filiados.
Eu não sou o culpado. Não sou sindicalista. Não desejo o poder. Não faço do sindicato um meio para a minha candidatura. Quem tanto deseja o poder tem a obrigação de apontar outros caminhos.

Vazio 1


A foto acima revela o quanto a assembléia sindical não passa de solidão. Um grupo, sem inteligência para aglutinar pessoas, fala para si mesmo. Surdo, o sindicato não ouve os apelos do tempo, da história.
Há anos, escrevi no Página 20 que o movimento sindical acreano perdeu o mouse da história. O tempo precisa passar mais ainda para que percebam que a imagem sindical não reflete em uma nova realidade social. O corporativismo e a falta de inteligência impedem ver além.
No caso da APL, lamentável. Quando surgiu, pensei que a Associação dos Professores Licenciados fosse apresentar no tempo um novo modelo de organização sindical, mas a APL caiu no lugar comum, no clichê.
Todo mês, sai do meu bolso R$ 14 para a conta bancária da APL e, até hoje, não recebi na escola onde leciono um boletim informativo sobre os gastos. Uma questão tão óbvia que deveria estar diante de meus olhos, mas a APL, não me informando, nega a ética mais elementar - a prestação de contas.

Um Talento


Aluno da escola estadual Heloísa Mourão Marques, o calmo Wílson, do 3º ano do ensino médio, é um talento ignorado pela escola pública.
Não foi ignorado pelo excelente desenhista Enílson Amorim, funcionário da TRIBUNA e no mercado de trabalho há anos. Enílson Amorim olhou o desenho de Wílson com admiração.
"Peça a ele para vir à Redação, poderíamos trocar umas idéias", sugeriu.
A Secretaria de Educação, por outro lado, não reconhece; não premia; não cria condições para alunos diferenciados pelo talento.

Para o meu ótimo ex-aluno, eu exponho neste blog o desenho de um rapaz que merece uma escola que tenha outra prática - a do reconhecimento.

Em 2004, coloquei em prática, com os alunos, um jornal publicado pela TRIBUNA e escrito pelos estudantes. Nunca recebi um incentivo da secretaria e da escola.
Ildo Montezuma, o responsável pelo currículo do ensino médio, deveria motivar novas práticas nas escolas, mas...

Depois, sou obrigado a ouvir que o professor não inova.

Minha Nada Mole Vida

Por Ana Carolina Soares

O ator revela que vê pessoas que já morreram. E ainda fala sobre a timidez, a primeira transa, vaidade, casamento e fé. ''Acredito em tudo.''

Aos 56 anos, Luiz Fernando Guimarães é conhecido pelo bom humor e pela descontração. É sempre visto sorrindo ou fazendo graça com os amigos. Nesta entrevista exclusiva, o ator carioca revela um lado até então desconhecido.
"De vez em quando, eu vejo espíritos. Mas não converso com eles. Apenas sinto a presença deles", conta.
Mas a intensa espiritualidade não tira o jeitão leve e espontâneo tão característico de Luiz Fernando. De fala rápida e gestos largos, o ator é, de fato, aquele cara divertido e gente boa que parece ser na TV - ele estava na série Minha Nada Mole Vida, cujo último episódio foi ao ar na sexta-feira passada (26), na Globo.
A seguir, veja o que ele fala sobre família, vaidade, morte, religiosidade e amor.
Timidez
"Até os meus 17 anos, eu era muito tímido. Na época, comecei a trabalhar num banco, como escriturário. Até então, não sabia que eu era um cara engraçado. Lembro de uma vez em que fiz um manifesto contra a gravata. Pesquisei a origem dela e descobri que tinha a ver com Luís XV (rei da França, que governou em meados do século 18), na época dos babados, que eram usados para esconder os botões da camisa. Falei para o pessoal que seguir uma tradição como essa, da época de Luís XV, era, no mínimo, ridículo. Hoje, no meu armário, só tenho duas gravatas. Só uso em casamento, em cena ou para apresentar shows."
Infância
"Fui um garoto muito feliz. Fui criado num condomínio de bancários, em Laranjeiras (Rio de Janeiro). Até hoje, a minha mãe mora no mesmo apartamento em que eu cresci. Tinha uma garotada enorme no condomínio. A gente fazia até piquenique no parque."
Terror
"Desde criança, gosto de sentir medo. Eu adorava as histórias de Monteiro Lobato e sempre ia para o escuro sozinho, para ter o calafrio. Eu nem olhava para trás, porque tinha certeza de que havia uma mula-sem-cabeça me seguindo (risos). Até hoje, adoro filmes de terror e de suspense, como O Sexto Sentido, por exemplo."
Na escola
"Nunca fui o palhaço da turma, mas dava um certo trabalho. Gostava muito de português. Por outro lado, não entendia nada de física nem gostava de matemática."
Primeira namorada
"Apesar de minha imensa timidez, nunca tive dificuldades para ter relações ou para namorar. Minha primeira namorada se chamava Tânia. Ela era a garota mais popular da nossa turma. Eu tinha uns 14 anos. Nosso relacionamento não durou muito, apenas uns dois dias (risos)."
Primeira transa
"Aconteceu quando eu tinha 14 anos. Foi com uma chinesinha que trabalhava lá no prédio. Mas não foi nada muito marcante."
Pé-de-valsa
"Eu era o rei das festas. Dominava a pista de dança. Até as garotas mais velhas queriam dançar comigo. Eu era o bambambã da dança. E até hoje gosto muito de dançar."
Pais
"Sou filho de dona Yara, 91 anos, uma bancária aposentada, e de seu Hélio, que também era bancário e morreu há seis anos, aos 85, de câncer. Tenho dois irmãos: Luiz Felipe, 60, e Luiz Carlos, 55. Esse negócio de colocar o nome de Luiz em todos os filhos foi uma idéia que meus pais tiveram."
Vaidade
"Sou vaidoso por causa do trabalho na TV. Não sou bonito. Mas me acho interessante. Se eu fosse bonito, teria sido modelo aos 13 anos. Eu era muito franzino. Depois, comecei a malhar. Agora, acho que estou com o corpo legal."
Paixão
"Há seis anos, estou apaixonado e casado. Mas não moro junto. E não falo o nome da pessoa. Não quero esconder nada, mas também não estou preocupado em levantar bandeiras."
Filhos
"Já tive muita vontade de adotar uma criança. Hoje, não tenho mais. Meu dia-a-dia é muito complexo."
Qualidade
"Sou sincero, bom colega, saudável e uma pessoa boa para se conviver." Defeito "Sou muito aflito e, às vezes, inseguro. Sou ciumento, mas não com as pessoas. Sou ciumento com meus objetos."
Fé
"Fui criado na religião católica, mas não sou católico. Acredito nos espíritos, mas também não sou espírita."
Espiritualidade
"De vez em quando, eu vejo espíritos. Minha avó e minha mãe também tinham esse dom. Eu só vejo pessoas que foram amigas, que freqüentavam a minha casa. Não forço nada. É um negócio bacana. Não sei como explicar. Não falo com esses espíritos. Apenas sinto a presença deles em algum cômodo da casa. Na primeira vez em que isso aconteceu, eu tinha 15 anos. Vi um amigo que tinha morrido de tétano. Um dia, ele apareceu no meu apartamento e ficou na sala. Encaro isso com naturalidade. Não quero que as pessoas olhem para mim e pensem: 'Que cara esquisito. Ele vê espíritos'. Eu poderia ser médium, mas não quis desenvolver esse meu lado. Não quero ficar levando mensagens dos espíritos para as pessoas."
Envelhecer
"Acho que envelhecer é muito legal. Sou saudável e faço tratamento com medicina ortomolecular. Acho que o medo da velhice está muito ligado ao medo da solidão. Eu não tenho esse tipo de receio. Não tenho medo de ficar só. Quando me sinto mal, pego o telefone e ligo para os meus amigos."
Dinheiro
"Quando era mais jovem, meu maior medo era saber como iria pagar as contas de gás e de luz. Mas já superei isso há muito tempo. Sou bastante cuidadoso com o meu dinheiro. Gosto de ter dinheiro para cuidar da saúde de pessoas próximas."
Fim do mundo
"Tenho medo da humanidade. Acho que, um dia, a água vai cobrir todo o planeta ou o mundo vai secar, algo assim. Vejo isso pelo que tem acontecido no meu sítio. Já vi trechos de rios secarem totalmente. Acho o filme O Dia Depois de Amanhã realíssimo."
Plástica
"Fiz uma no nariz, porque ele era muito caído. Fiz também no tórax (aponta para o peito direito), para corrigir um defeito de nascença. Fiz também um implante de cabelo. E vou fazer tudo o que for preciso para continuar bem."
Daqui a 50 anos
"Até lá, acho que já morri. Não queria morrer muito velho. Mas não tenho medo da morte. Acho que a lei que impera é aquela do "aqui se faz, aqui se paga". Depois da morte, é tudo ótimo."
Relação com fãs
"Acredito que nunca terei problemas com fãs. Mas não sou de engolir sapos. Certo dia, eu estava numa praia do Nordeste e uma pessoa exigiu que eu posasse para uma foto ao lado dela. Essa pessoa falou: 'Vai tirar foto, sim! Quem mandou ser ator?' Daí, eu falei: 'Que negócio é esse?' Mas isso é raro. Normalmente, os fãs chegam de forma tranqüila. Nunca cheguei a dar porrada em ninguém. Acho esse tipo de coisa uma energia muito ruim, quase um crime."
Styling: Alê Du Prat. Produção: Bruno Couto. Calça: Black Jeans Ricardo Almeida. Camisa: Paul Smith. Sapatênis: Puma