terça-feira, outubro 17, 2006

Conselho de Área

Em 12 de outubro, iniciaram-se os conselhos de área na escola Heloísa Mourão Marques para que os professores de Literatura, por exemplo, troquem experiências por meio do diálogo a fim de que práticas em sala de aula sejam alteradas.
No entanto, revelo minha descrença neste blog, porque a escola pública, por causa de sua natureza, resiste a transformações. Há professores que declaram que não mudarão suas práticas, porque não são obrigadas a isso.
Em sala, "a caixa-preta" de que falou a secretária estadual de Educação, Maria Corrêa, leciona-se como bem quiser, porque, na escola pública, trabalhando bem ou trabalhando mal, recebe-se o salário no fim de mês e o profissional relaxado e incompetente jamais será demitido. Nada é cobrado.
Como qualificar o ensino se o hábito na escola pública é a indiferença?

segunda-feira, outubro 16, 2006

Jornalistas e Binho Marques

Na semana passada, o governador Jorge Viana, do PT, visitou a Redação e, mais uma vez, perguntei a ele se é inteligente a imprensa local adular o poder.
O governador respondeu que isso é um processo de transição, reconhecendo que uma imprensa aduladora não contribui para a democracia e muito menos contribui para qualificar a pauta.
Disse que na Redação deveria haver um repórter que cobrisse o poder de forma inteligente, escrevendo matérias propositivas. Creio que Binho Marques, do PT, a partir de janeiro, possibilitará uma nova prática de escrita nas Redações.
Quero ver, digo, ler.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Introdução de um aluno

Às sextas-feiras, leciono Redação em uma escola pública. Há na escola do Estado ou do município uma liberdade imensa para trabalhar e, para mim, liberdade implica buscar o melhor para o outros, no caso, os alunos.
Liberdade não significa relaxar, negligencair; liberdade representa se responsabilizar por algo melhor.
Na aula, apresentei uma Introdução de um aluno do 2º ano, ensino médio. Leia.
"[Toda forma de poder e sempre uma forma de votar por nada. 1] [A grande maioria das vezes, os políticos usam o poder da mentira para iludir os cidadãos para que ele consiga uma autoridade sobre as pessoas. 2] [A democracia é apenas um obstáculo obrigatório em nossas vidas. 3]"
Observação 1 - O professor deve trabalhar a partir das partes redacionais, nesse caso, a Introdução.
Observação 2 - Devemos enumerar as partes internas, nesse caso, são [1], [2] e [3].
Observação 3 - [Toda forma de poder e sempre uma forma de votar por nada. 1] a) Em pleno ensino médio, a maioria dos alunos confunde "e" com "é". b) Outro ponto, os termos genéricos. Padre Antônio Vieira (1608-1697), no século 17, advertia sobre as generalizações no sermão. O termo nada deve ser retirado.
Observação 4 - Na segunda, eu atualizo.
Observação 5 - [A grande maioria das vezes, os políticos usam o poder da mentira para iludir os cidadãos para que ele consiga uma autoridade sobre as pessoas. 2] a) Melhor é "a maioria dos políticos". b) Na introdução, o aluno não deve usar verbos inapropriados, nesse caso, o verbo "usar". Transforme "mentira" em verbo. Melhor é "a maioria dos políticos mente ou mentem para conseguir autoridade sobre os eleitores". O aluno deve especificar a palavra "pessoas", ou seja, eleitores.
Observação 6 - [A democracia é apenas um obstáculo obrigatório em nossas vidas. 3] a) Não é a democracia, mas "essa democracia", a da mentira. Melhor é "essa democracia torna-se uma obstáculos para uma classe social". "Nossas vidas" é muito genérico.
Os alunos pecam quando são muito previsíveis em seus textos. Ignoram uma introdução com a idéia de surpresa, contrariando o senso comum. Cansam o leitor com textos obedientes a uma informção superficial.
Não formam um elo adequado entre os conceitos e entre os termos.
Erram muito quando não especificam a idéia. Seus textos são muito genéricos.

Alckmin 3

Alckmin 2

Alckmin 1

terça-feira, outubro 10, 2006

PSDB 5

PSDB 4

PSDB 3


E as privatizações?

PSDB 2


Se vamos falar de erro, certos tucanos erraram e certos petistas também. Há, no entanto, uma diferença: o PT cortou na própria carne, abrindo sua ferida.
Nem todos no PT se corromperam. Nem todos do PSDB se corromperam. Há, entretanto, uma diferença: o PT não evitou as CPIs.

PSDB 1


No passado, o PSDB cometeu vários erros, e a revista Veja os denunciou. Há impurezas, também, nos tucanos, por exemplo, compra de voto para a reeleição. O PSDB impediu que houve a CPI da Reeleição, lembra?

Ique, do Jornal do Brasil (RJ)


Para mim, Ique, assim como Angeli, da Folha de São Paulo, é um dos melhores chargistas do Brasil.

sábado, outubro 07, 2006

Eleito

Nos jornais acreanos, habituou-se a escrever "eleito governador", "eleito deputado estadual". Dizem que a mentira muitas vezes repetida vira verdade.
Como não sou chegado a uma mentira gramatical, "eleito governador" é errado. Consultando Celso Pedro Luft, o Dicionário Prático de Regência Nominal registra duas preposições - "a"e "para".
O autor cita este exemplo: "Os (cidadãos) eleitos a(ou para) deputado, para (ou a) vereador". Partindo de um autor, o correto é "eleito a ou para governador ".
Nossos jornais precisam parar de mentir.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Quem nasce em Boca do Acre é...

Quem nasce em Boca do Acre é... aí quem estava na Redação do jornal respondeu "bocacrense". "Acrense" surge por causa de Acre, mas quem nasce no Acre não é "acrense", é "acreano" ou "acriano".
Assim sendo, "Boca do Acre" não cabe "acrense", mas "acreano" ou "acriano". Como há muitos revisores na Redação, incluindo Weverton e Márcio, os diagramadores, eles riram de mim, que não sou diagramador, quando disse que "bocacrense" é errado.
O uso popular determinou "bocacrense", mas um texto de jornal, quando escrito por um repórter, não pode registar "bocacrense", a não ser que a palavra tenha sido dita por uma pessoa entrevistada, por exemplo.
Bem, como revisor não é diagramador, fui consultar os livros da aéra e o dicionário do filólogo Antônio Houaiss.
No livro de Celso Pedro Luft, o correto é "mato-grossense", é "rio-branquense", é "boca-", isto é, coloca-se hifen. Na gramática de Celso Cunha, também. Na gramática de Evanildo Bechara, também. Os diagramadores discordam.
Consultando o Houaiss, encontra-se "boca-acreano" e "boca-acriano". Os diagramadores discordam.
Para não haver discórdia gramatical, A TRIBUNA publicou "bocacrense". Trata-se de um erro, mas deixei passar por causa de colegas que riram de mim.
Proporei ao dono do jornal que diagramadores sejam revisores.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Assessor ganha bem e escreve mal

Há pessoas que, por causa de suas relações pessoais com políticos, são escolhidas a dedo, só que seus dedos preocupam-se mais com a contagem do salário de gabinete e não com a prática da boa escrita.
Ganham bem para comprar roupas. Uma boa gramática não custa caro, bem menos do que vestidos. Hoje, deparei-me com um texto de gabinete.
Pergunta 1 - "O candidato (...) desponta como um dos nomes mais jovens da política local. (...), o candidato obteve nestas eleições (...) votos, alcançando a primeira suplência da Frente Popular à Assembléia Legislativa."
Por que esse acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de Assembléia Legislativa?
Pergunta 2 - "Nós fazemos uma campanha pé no chão."
É assim que se escreve?

O Rio Branco

Como revisor da TRIBUNA, cometo meus erros e os publico aqui. Hoje, no entanto, o erro saiu no jornal O Rio Branco, na capa.
"Circuito cultural do Banco do Brasil trás Alceu Valença"
Vacilo. Verbo trazer - traz.