sexta-feira, janeiro 05, 2007
- o óbvio & naquele município -
"As fortes chuvas que caem em Cruzeiro do Sul promoveram uma visão do caos naquele município."
- - chuvas que caem - Li isso em um jornal local. Por favor, se eu estiver errado, corrijam-me: existe chuva que sobe?
- - naquele - "(...) uma visão de caos no município."
BanHeirO para ProFessoR

A escola Heloísa Mourão Marques passou por uma reforma há algum tempo e ficou bem melhor, mas o arquiteto ou o engenheiro não pensaram bem quando o espaço foi "banheiro".
No mesmo espaço íntimo, há duas divisões: uma para homens e outra para mulheres.
Pois bem, se o professor passar mal e for ao banheiro, a professora ao lado ouvirá toda sua intimidade. Constrangedor.
Banheiro para juiz não é assim. Banheiro para médico não é assim.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Jesus dos Santos
Em 2004, lecionei para Jesus. Em sala, cometeu alguns pecados, um deles, "matar" minhas aulas de Literatura. Estudar é chato. Ler livro em sala, mais ainda.Mas Jesus sempre me respeitou. Entre nós, pelo corredor da escola, o papo rolava e foi assim que conheci, aos poucos, sua vida.
Após dois anos, retornei a vê-lo em janeiro de 2007. Sentado no pátio, Jesus me cumprimentou quando eu saía da escola. "E aí, professor?". Voltei e conversamos sobre a vida, a sua.
Quanto tempo, cara.
Faz algum tempo, professor.
Soube que você ficou preso no Oliveira Conde
É verdade, fiquei 1 mês e 15 dias.
Mas você nunca foi violento na escola, nunca me tratou mal.
Professor, eu sou pobre, isso é motivo para ser preso.
Na verdade, o que houve?
Meu irmão matou um cara, e a família do morto queria se vingar, porque o meu irmão acabou preso. Por isso, eu usava uma espingarda em casa para me defender. Mas a polícia bateu lá e pegou uns caras fumando maconha no fundo do quintal. A PM bateu em todo mundo e pegou a arma.
Você chegou a matar alguém na sua vida?
Claro que não, professor. Eu só tinha a arma para a minha defesa.
Você roubou alguma vez?
Não.
E depois?
Os policiais me bateram, me levaram para a delegacia e, na delegacia, fui preso por formação de quadrilha, mas eu nunca fiz parte de quadrilha. Os policiais aumentaram, disseram o que não era verdade, os PMs mentiram.
E as porradas?
Fizeram exame em meu corpo, mas ficou por isso mesmo. Só que depois, eu estava no presídio e lá levei muita porrada logo que entrei e depois levei mais.
E como era a tua cela?
Eu fiquei em um espaço de 2x5, onde havia 25 pessoas, é o cubículo do corretivo.
E hoje?
Moro com meus pais.
Quanto teu pai recebe?
Uns R$ 500.
Vive-se com R$ 500?
E pobre vive, professor?
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Acreana
- Saúde -
"Na parte da tarde, o governador foi se inteirar das questões de segurança, como havia feito antes com a Saúde."
- - Saúde - Outro hábito é colocar a palavra "Saúde" em caixa-alta. Quando se trata de Secretaria da Saúde, tudo bem, mas, quando é substantivo comum, coloca-se em caixa-baixa, por favor!
domingo, dezembro 31, 2006
LuLa, Binho & os PoBreS

Na última atualização do blog deste ano, tenho a certeza de que o Brasil e o Acre são melhores do que ontem e serão ainda melhores amanhã. O Partido dos Trabalhadores, representado pelo presidente Lula nos últimos quatro anos, deixa índices sociais melhores do que o governo de FHC, do PSDB. O economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), calculou, com os economistas Nanak Kakwani e Hyun H. Son, das Nações Unidas, as taxas de crescimento que refletem a evolução da renda dos mais pobres. Em 1996, no governo do PSDB, a renda per capita do brasileiro chegou à media de 1,59% e, em 1998, a renda dos mais pobres alcançou 5,07%. Esses, os índices de FHC. Como o PT, a renda per capita em 2004 foi a 3,56% e, ainda em 2004, a renda dos mais pobres tocou em 14,11%. "2004 é o grande ano da queda da desigualdade no Brasil, um ano espetacular", segundo Marcelo Neri, da FGV. No Acre, tenho certeza de que os próximos anos ofertarão aos mais humildes uma realidade social mais humana, porque o PT tem um compromisso histórico com a justiça social. Que venha 2007!
sábado, dezembro 30, 2006
- junto à -
"Com os salários dos servidores praticamente atrasados, a mesa-diretora pediu, pela terceira vez neste ano, auxílio financeiro junto à prefeitura."
- - junto à prefeitura - Nossos jornalistas habituaram a escrever "junto à" de forma errada, porque a mesa-diretora não pediu auxílio "perto da" prefeitura. A mesa-diretora pediu auxílio à prefeitura.
quinta-feira, dezembro 28, 2006
- eleito governador -
Todo repórter da TRIBUNA - e não só - escreve "eleito governador", "eleito deputado".
No Dicionário Prático de Regência Nominal, do Celso Pedro Luft, página 193, há duas preposições para "eleito", quais sejam: "a" e "para".
O autor dá exemplo: "eleito a (ou para) deputado."
Portanto, errado escrever "eleito governador". O correto é "eleito para governador" ou "a governador".
Leia bons autores.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Imprensa & Binho Marques

Nada é tão bom que não precise de transformações. Mas, quando é ruim, muito menos precisa ficar como está.
A imprensa, nos últimos oito anos, por causa de alguns jornalistas, só escreveu para adular o poder como se não existisse uma sociedade para ser transformada. A adulação, rebento deformado dos tolos, obstrui veredas e varadouros para novas possibilidades.
O tempo exige outros jornalistas, outros textos, outra forma de expor a realidade. Repetir com o governador Binho o que ocorreu com o governador Jorge Viana significa parar no tempo. A sociedade, a parte que lê jornais, perde com essa paralisia. Por que o futuro governo não incentiva a criação de jornais escolares? Por que os jornais não publicam matérias propositivas sobre a educação e a saúde, por exemplo? Por que a crítica ética e inteligente é impossível? Tenho aversão aos aduladores e aos panfletários, tipo de gente que desqualifica a democracia. Nosso jornalismo precisa pensar o Acre a fim de que não seja pensado pelo poder.
terça-feira, dezembro 26, 2006
Angeli, da Folha de São Paulo
sábado, dezembro 23, 2006
Aécio Neves não Aumentou o próprio Salário
Antes de deixar o poder, o governador Zeca do PT encaminhou um projeto de lei à Assembléia Legislativa de Mato Grosso a fim de receber como ex-governador dinheiro público por toda a vida, mais de R$ 20 mil. Acreditando que o Natal pode trazer mais presentes, Zeca do PT se presenteou: quando morrer, sua família receberá a metade da grana pública durante toda a vida. No Acre, o governador Jorge Viana deixa o governo após aumentar o seu salário. Como eleitor, como pessoa que vive em um país democrático e pobre, discordo desse procedimento de um partido que luta por justiça social. Não votei em Jorge Viana para isso. A população deveria ter sido consultada, porque os governadores são empregados do povo. Em Minas Gerais, Aécio Neves sai do governo sem ter aumentado o seu salário. O governandor de Minas recebe R$ 10,5 mil. O do Acre, pouco mais de R$ 20 mil. Esse, definitivamente, não é o PT de minha adolescência, da minha juventude. Sou contra essas pensões eternas. No entanto, entregue a uma contradição barroca, ainda voto no PT acreano por determinados motivos.
As assembléias legislativas dos Estados do ES, MG, MT e PR aprovaram na semana que passou aumentos salariais para governadores e vices. No Estado de Alagoas, está tramitando um projeto de lei que propõe um reajuste de 14% no subsídio do governador e dos secretários. No Acre, a Assembléia Legislativa também aprovou novo salário para o governador Jorge Viana. No último dia 14, os deputados aprovaram, por unanimidade, projeto de lei que eleva dos atuais R$ 16,7 mil para R$ 22.111 o salário do governador. A matéria foi enviada pelo Executivo e aprovada em sessão extraordinária. Com o reajuste, o salário do chefe do Executivo estadual iguala-se ao dos desembargadores do Tribunal de Justiça. No efeito cascata, também aumentaram as pensões dos ex-governadores. Por todo o País, uma onda de projetos de reajuste salarial de governadores, de vices e de secretários de Estados foram analisados e, em vários Estados, aprovados. No Paraná, os deputados aprovaram elevação do salário do governador Roberto Requião (PMDB) de R$ 21,5 mil para o valor recebido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, R$ 24,5 mil. Em Minas, os salários do vice governador eleito, Antônio Anastásia (PSDB), dos 15 secretários do estado e dos secretários adjuntos serão reajustados entre 13,8% e 20%. Os salários vão variar entre R$ 9 mil e R$ 10.250. Só não foi reajustado o de Aécio Neves (PSDB), que continua R$ 10,5 mil. Em Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS) teve aumento de 5,05%, aprovado pela assembléia. Assim, o salário sobe de R$ 10,5 mil para R$11.030. O governador Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo, receberá remuneração de R$ 12.168. O reajuste para o governador foi de 8%.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Por que escrevemos tão mal?
Estou para publicar na TRIBUNA sobre a colocação da Língua Portuguesa por Estado e por capital. O texto abaixo é o início.
Pela primeira vez na história da República, o Ministério da Educação realizou em 2005 uma pesquisa para medir a qualidade do ensino de Língua Portuguesa da 4ª e da 8ª série do ensino fundamental. Foram 3.306.378 alunos de 40.920 mil escolas públicas, distribuídos em 122.463 turmas. Ao todo, 5.398 municípios foram avaliados.
A Prova Brasil, aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), considerou uma pontuação que obedece a uma escala de nove níveis, de 125 até 350. Essa avaliação compõe o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, o Saeb.
Na 4ª série, o Acre atingiu 172.43 pontos, ficando o ensino público estadual na 11ª colocação. Na 8ª série, o Estado desceu alguns degraus, permanecendo na 16ª posição com 219.56 pontos, ou seja, no nível 200.Esse nível significa que o aluno da 8ª série ingressa no ensino médio sem saber, por exemplo, identificar informações explícitas em textos argumentativos com alta complexidade lingüística. E nem precisa de complexidade. A mais simples pontuação, como o ponto contínuo, o aluno não sabe usar no texto quando deixa o ensino fundamental.Como o aluno sai do ensino fundamental sem nunca ter lido um livro em sala de aula com o professor, a pesquisa Prova Brasil acabou revelando que esse estudante não tem habilidades em empregar estratégias para localizar informações explícitas e inferir informações implícitas em um texto. Ele não consegue ultrapassar os limites do que está escrito e não reconhece também o que está textualmente registrado e nem subentendido.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
terça-feira, dezembro 19, 2006
Um Livro, um Braga
História Desenhada é o novo livro do chargista BragaTexto não é meu
A charge confirma, como nenhum outro veículo, que sua função não é, prioritariamente, fazer rir, mas produzir reflexão. Os bons chargistas sintetizam em poucos traços aquele sentimento que está na cabeça das pessoas e que muitas vezes não consegue ser expresso em palavras ou em imagens.
A charge confirma, como nenhum outro veículo, que sua função não é, prioritariamente, fazer rir, mas produzir reflexão. Os bons chargistas sintetizam em poucos traços aquele sentimento que está na cabeça das pessoas e que muitas vezes não consegue ser expresso em palavras ou em imagens.
Uma prova disso é o livro História Desenhada, do jornalista e chargista Francisco Braga, que será lançado no próximo sábado, 23, às 16h, na Fundação Elias Mansour.
O livro, com quase 200 páginas, reúne os melhores trabalhos publicados na imprensa local nos últimos 10 anos e sua concepção se deu graças à Lei de Incentivo à Cultura, que permitiu o patrocínio da Papelaria Arnaldo e o apoio da Printac Gráfica e Editora.
Braga é ganhador do Prêmio José Chalub Leite, categoria charge, nas edições 2004, 2005 e 2006. Ele sofreu para organizar o material que estava disperso em pastas perdidas em várias casas, redações de jornais e arquivos de computador. Mas o esforço valeu à pena.
Agora, a produção está eternizada nesse livro e poderá ser consultada por várias gerações que quiserem entender um pouco do que foram os últimos 10 anos para o Brasil e o mundo e o quanto eles transformaram o Acre.
Isso porque a charge registra o clima de uma época, caminha abraçada com a crítica social e tem o humor como aliado. Ela não precisa de recursos sofisticados para produção e por isso torna-se uma arma nas mãos de alguns artistas em determinado tempo e sociedade. Exemplos não faltam: Henfil (Graúna e outros), Angeli (Rê Bordosa e outros), Dick Browne (Hagar, o Horrível) e o genial Quino, pai da Mafalda.
É também um trabalho opressivo, principalmente, àqueles que têm obrigação de publicar todos os dias. “Tem hora que não vem nada”, explica Braga, lembrando-se de um desses momentos terríveis. “Um dia faltou inspiração, não pintava nada. A saída foi desenhar um bilhete no espaço da charge com o seguinte recado: Moçada, hoje deu branco!. Bastou para ser o assunto mais comentado do dia”. O evento de lançamento do livro é aberto a todos os interessados.
Outras informações:
Francisco Braga (francisco.silvabraga@ac.gov.br)
Jornalista e chargista
68 8111 0124
Outras informações:
Francisco Braga (francisco.silvabraga@ac.gov.br)
Jornalista e chargista
68 8111 0124
Blog Aberto ao Senador Tião Viana

Senador, desde o dia em que o senhor foi candidato, sempre votei em teu nome, porque, primeiro, ainda, sou um petista; e, segundo, porque o senhor é um homem público probo.
Este blog, senador, não é lido por milhares de pessoas, mas é lido por mim e por alguns e, por meio desta bolha, desejo aqui revelar minha insatisfação ao saber que o senhor aprovou o aumento de 91% para os congressistas.
O senhor já havia votado contra a CPI, ao contrário do senador Suplicy, deixando-me incomodado a sua posição. Após algum tempo, vota a favor de um aumento de 91%.
A imprensa local silencia-se, mas a tecnologia permite uma democracia que alguns petistas negam. Alguns. Graças à internete, a esse ainda pequeno meio de informação, afirmo-lhe que não votarei mais no senhor, porque o PT, nesse aspecto, não é isso. Mais: a esquerda não é 91%.
Poderia eu permanecer no aconchego de minha indiferença; entretanto, escrevo-lhe, porque não consigo ser indiferente ao meu país. Sabe, ainda possuo o vigor de expressar a minha indignação por meio desta democracia ao sabor da internete.
Sei que meu voto não fará diferença, mas a questão aqui não se reduz a número, a um voto, mas a uma porcentagem - os 91%. Meu voto pertence a um cidadão comum, sem importância, por alguém que só deseja viver em um Brasil justo; todavia, esse voto lhe será negado, porquanto não vale menos do que a vergonha de um aumento que me agride.
Para o bem da democracia, penso melhor agir assim, um blog. Rejeito a ação de Rita de Cássia Sampaio de Souza, de 45 anos, mulher que esfaqueou o deputado federal, o sr. Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).
"Eles têm tudo, mordomias, e eu nem consigo sacar o meu FGTS", protestou.
Minha arma não fere, não mata, pois, como escreveu Drummond, "lutar com as palavras/é a luta mais vã/Mas eu luto/ mal rompe a manhã".
Vida longa, senador!
Vida longa à justa democracia!
segunda-feira, dezembro 18, 2006
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