sexta-feira, janeiro 12, 2007
Falta & Falta

Certa vez, na escola Heloísa Mourão Marques, alunos seriam reprovados por falta, mas algumas pessoas - e não seria ético dizer nomes - levaram os estudantes ao Conselho Escolar e, contrariando a LDB, passaram uma borracha em suas faltas. "Eles sempre assistiram às aulas." Por causa da professora Lúcia, gestora da escola, alguns alunos se desesperaram no ano letivo de 2006 , visto que estão sendo reprovados por falta. Sentado e de costa, esse jovem disse que sairá do Heloísa, porque não dá mais para "zoar". Lúcia, assim como o professor Walmir, colocou ordem na escola, mas precisamos melhorar mais. O bem público deve estar muito acima de interesses particulares. Por isso, a unidade do corpo docente para votar em um único candidato é vital para construir uma escola pública séria. A professora Lúcia, se quiser, é um nome.
Outra Boa Entrevista de Josafá Batista
Quando conheci Josafá Batista, eu estava no Página 20, e alguns repórteres chamavam Josafá de "maluco", de "doido", pois era um cara que voava nas suas matérias. Alguns jornalistas acreanos são até hoje "focas", porque, quando o poder dá sardinha enlatada a eles, nossos repórteres batem palminhas e gritam alegres. Josafá nunca foi "animalzinho adestrado". Ele sempre foi acreano, rio-branquense. Josafá Batista é jornalista que possibilita uma entrevista que não assiste à minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes, da Globo.
A Amazônia real
Historiador diz que Galvez e Plácido eram mercenários
e que o Acre não foi “conquistado”: foi roubado da Bolívia
Se a narrativa da história do Acre contar com a versão boliviana, muito bem ocultada por mais de um século de “ladainhas sobre bravos heróis da floresta”, muita coisa terá que ser reescrita.
Para começar, o Acre foi sim “doado” ao Brasil em troca de um cavalo. E mais: o puro-sangue, um mimo estratégico do governo brasileiro ao ditador da Bolívia, Mariano Melgarejo, foi acompanhado de duas medalhas... de latão.
Se a narrativa da história do Acre contar com a versão boliviana, muito bem ocultada por mais de um século de “ladainhas sobre bravos heróis da floresta”, muita coisa terá que ser reescrita.
Para começar, o Acre foi sim “doado” ao Brasil em troca de um cavalo. E mais: o puro-sangue, um mimo estratégico do governo brasileiro ao ditador da Bolívia, Mariano Melgarejo, foi acompanhado de duas medalhas... de latão.
Os detalhes desse e de outros trechos nada gloriosos da famosa e misteriosa “Questão do Acre” são expostos com farta documentação por um historiador boliviano. Aos 84 anos, Hernán Messutti Rivera, professor de História da Universidad Mayor de San Andréas, em La Paz (Bolívia), é pioneiro na pesquisa e na documentação do conflito que gerou o Estado, onde, hoje, vivem todos os acreanos.
Autor do livro El Desmembramiento de La Bolivia, ainda sem tradução no Brasil, Rivera apresenta uma nova e polêmica versão: a de que Luís Galvez e Plácido de Castro eram mercenários, isto é, homens pagos pelo governo do Amazonas com um único objetivo: enfraquecer a Bolívia, recém-saída de uma derrota em uma guerra contra o Chile. Para o historiador, a ambição brasileira, justificada pela explosão do mercado da borracha, era só uma: la plata.
Confira os detalhes da entrevista exclusiva.
É verdade que o senhor é o primeiro, do lado boliviano, a estudar a famosa “Questão do Acre”?
Eu era pioneiro quando comecei há mais ou menos 30 anos. Escolhi esse tema porque aqui ainda não havia consenso sobre a guerra, apenas alguns relatos muito antigos dos eventos. Mas foram escritos pouco depois da revolução, são mais documentos da época do que propriamente livros. Mas os historiadores não estudavam esse tema, por isso o escolhi.
O senhor também consultou fontes brasileiras?
Sim, viajei em busca de documentos a Rio Branco, ao Rio de Janeiro, a Manaus e a Brasília. Fui inclusive até o Itamaraty em busca de documentos para pesquisar os detalhes sobre a guerra.
O senhor usa sempre a expressão “guerra” em vez de “revolução”, por quê?
Porque o exame cuidadoso dos fatos mostra que foi uma guerra. Quando o senhor fala em revolução, o senhor fala do povo lutando contra o seu próprio governo. Fala do povo não muito contente pela maneira como é conduzido o governo. Por isso, revolução é sempre contra o seu próprio governo e não contra um governo estrangeiro. Um ato belicoso contra um governo de outro país chama-se guerra. Está tudo no dicionário.
Alguns historiadores brasileiros refutam esse argumento, dizendo que era uma revolução devido à posse da Bolívia na região. Não faz sentido? Não foi a revolução de pessoas que viviam dentro do território boliviano contra o governo boliviano?
Não, porque não foi feita por bolivianos, mas por brasileiros. Isso faz toda a diferença. O território era boliviano, sim, mas a guerra foi feita por brasileiros.
Como essa guerra começou na sua opinião?
O Tratado de São Ildefonso, de 1777, estabelecia o limite oeste do Brasil no sul de onde hoje fica o Estado do Amazonas. Daí para baixo, era tudo da Bolívia. Em 1867, o ditador boliviano Mariano Melgarejo, que era analfabeto e que não tinha legitimidade para representar o nosso país, deu um brinde de 540 mil quilômetros quadrados para o governo brasileiro.
Por quê?
Porque o governo brasileiro havia lhe dado um lindo cavalo e também duas medalhas de latão. Era uma estratégia, na verdade, porque o governo brasileiro não queria que o Brasil apoiasse o Paraguai em outra guerra em que se metera, por isso ofereceu o presente. E teve sucesso.
Mas 540 mil quilômetros quadrados, doados assim, é muita coisa, não?
Essas terras para os bolivianos não tinham significado algum. Eles preferiam morar lá no alto, a oeste, nos altiplanos andinos. Essas terras baixas, quentes, com bichos e doenças não eram do agrado dos bolivianos.
Então é correto dizer que o Acre foi trocado por um cavalo?
Sim, os cavalos foram um brinde do Brasil ao tirano Melgarejo. Um cavalo e duas medalhas. E ele retribuiu com as terras, assinando o famoso Tratado de Ayacucho.
E por que o senhor acha que o Brasil teria interesse nessa área, sendo que a Bolívia não tinha?
O Brasil era bem maior, tinha uma economia mais desenvolvida e percebeu que o preço da borracha vinha crescendo. Houve uma explosão do preço do látex, na verdade. Ela atingiu um preço altíssimo. Um quilo de borracha custava o equivalente a cinco dólares de hoje, preço tão tentador que vinham aqui aventureiros de todo o mundo.
Quem eram eles?
Eles integravam companhias estrangeiras, mas usavam nomes brasileiros e andavam com brasileiros. Veja, tanta ambição despertada se devia a um único fato: o Acre era o único lugar no mundo onde se produzia o látex. E também no sul do Amazonas, mas em escala desprezivelmente menor.
No Acre, está sendo exibida uma minissérie sobre a guerra.
Sim, eu fui entrevistado por uma equipe da televisão brasileira sobre essa produção. Parte da novela é baseada no famoso Luíz Galvez, esse aventureiro espanhol que criou a República do Acre. No entanto, algumas pessoas não sabem, outras não querem saber, mas o Galvez era pago pelo governador do Amazonas, Ramalho Júnior. Por isso, ele queria fazer um país independente.
Um herói pago?
Não, um aventureiro mesmo. Os documentos da época mostram de tudo um pouco. Era escroque, mulherengo, ladrão, enfim, fazia várias bobagens, mas ele tinha carisma e conquistava as pessoas. Fazia com que elas aderissem à sua causa, sabia conquistá-las. Mas era pago, e muito bem pago, por isso.
E Plácido de Castro?
Plácido era militar. Ele começou a carreira e ascendeu muito, mas, quando chegou à certa patente, percebeu que sua vocação não era aquela, porque ele queria ganhar dinheiro. Então veio para a Amazônia. Em Manaus, foi contratado para fazer incursões, limitando o tamanho dos seringais, mas contraiu malária e voltou a Manaus. Foi então que o governador José Néri, sucessor do Ramalho Júnior, contratou-o para fazer uma demonstração de força do Brasil para a Bolívia. A idéia era fazer os bolivianos desistirem de defender essa região. Por isso, ele foi enviado e também foi pago muito bem.
A sua versão de Plácido de Castro bate de frente com a versão dos acreanos. Lá, ele é um herói, com monumentos em sua homenagem.
Para os brasileiros, Plácido pode ser um herói, mas, para os bolivianos, ele foi um mercenário. Um herói é alguém que dá sua valentia, sua vontade, seu suor por amor à pátria sem compensações. Mas uma pessoa que faz um trabalho de guerra, sendo paga para isso, chama-se mercenário, isso desde a Idade Média. Ele condicionava o seu proceder ao dinheiro que recebia. Um mercenário.
E o Bolivian Syndicate? Até onde é verdadeira a história de arrendamento do Acre para o capital internacional? Foi isso que precipitou os fatos que levaram à guerra na versão brasileira.
Aconteceu o seguinte. A Bolívia não tinha dinheiro para desenvolver seu território, porque perdeu o mar e enfrentava diversos conflitos. Então, o governo planejou participar de uma sociedade anônima para a exploração dos recursos naturais, que, estes, sim, eram vastos. Foi algo parecido com a Lei de Exploração de Florestas recentemente aprovada no Brasil, mas com a diferença de ações para venda. Pelas regras, a Bolívia ficava com 50% da exploração e o restante era vendido a quem quisesse comprar.
Mas isso não foi um atentado à soberania boliviana?
Não, porque o que se negociava era apenas o direito de explorar economicamente as terras, e não de possuí-las. E, como eu disse, o governo boliviano tinha 50% das ações, o que, em tese, impediria qualquer tentativa tresloucada de invadir o território para assaltá-lo. Era uma idéia boa para os bolivianos e para os empresários da época, que inclusive se interessaram.
Quem se interessou?
Quem não se interessou foi o Brasil, que foi convidado, mas não quis. O governo taxou a idéia de maluca. Então, a Bolívia ofereceu à Europa e aos Estados Unidos, onde os industriais mais ricos compraram as ações.
Quais industriais?
Os mais ricos. Deixe-me lembrar. Rockefeller, Kennedy, Ford, Vanderbilt e outros. Todos compraram ações. A família do presidente Roosevelt também comprou ações, havia muitos interessados exatamente devido à borracha. O problema é que, quando o chanceler do Brasil, que nessa época ainda não era o Barão do Rio Branco, era José Paranhos da Silva, viu que a idéia daria certo, resolveu espalhar boatos e assustar os investidores.
Estratégia de mercado?
Isso mesmo. Assustando os investidores, aproveitando-se da sua proximidade na região para espalhar boatos inverídicos sobre desgraças naturais, índios carniceiros, doenças incuráveis e outras coisas, o Brasil conseguiu não apenas a desistência de muitos investidores, mas também comprar as ações a um preço baixíssimo.
Quanto?
Menos de quarta parte do valor original. O governo brasileiro agiu assim até comprar os 50% destinados ao mercado. As ações valiam cerca de um milhão de libras esterlinas. O Brasil comprou todas por 50 mil libras esterlinas.
Então, o Brasil comprou o Bolivian Syndicate?
Isso mesmo.
Mas, convenhamos, o senhor não acha que parte dessa estratégia se devia à preocupação com brasileiros que já viviam na região?
Se assim fosse, se a preocupação fosse essa, o Brasil teria aceitado a primeira oferta e comprado ações para empregar o seu povo. Não havia problema algum. O que a Bolívia queria era investir esse dinheiro em uma indústria poderosa da borracha na própria Bolívia. Quando se trata de mercado, é fácil negociar essas coisas, especialmente porque os bolivianos não moravam nessa região, como eu já citei. A Bolívia precisaria e contrataria mão-de-obra brasileira, pacificamente, mas o Brasil infelizmente queria guerra. O governo de vocês queria a posse das terras.
Mas, se na versão brasileira o argumento mais forte da revolução ou guerra foi exatamente o Bolivian Syndicate, então por que Plácido de Castro usou esse argumento?
Ele mentiu, é claro. E isso confirma a narrativa histórica dele. Quando Plácido dizia que estava lutando pelo Acre para impedir a intromissão dos grandes capitalistas norte-americanos, isso era falso, porque nessa época o Brasil já havia comprado todas as 50% das ações do Bolivian Syndicate.
Mas, se o Brasil havia comprado, por que fazer guerra?
Porque o seu país comprou o direito de trabalhar dentro, apenas. Não tinha a posse da terra. O Bolivian Syndicate nunca negociou a soberania boliviana.
Por que os parceiros comerciais não ajudaram a Bolívia?
Porque eles compravam borracha dentro do Brasil, diretamente. Havia toda uma cadeia de exportação da borracha, burlando-se impostos ao governo federal brasileiro e outras irregularidades. Se fosse pela Bolívia, os compradores teriam que pagar todos os impostos, mas isso não acontecia no Brasil. Então, eles estavam envolvidos demais economicamente para qualquer tomada de posição pró-Bolívia.
Então houve uma certa omissão internacional nesse conflito, é isso?
Houve, porque a borracha era vendida às grandes indústrias de pneus. A indústria do automóvel na época crescia enormemente e precisava de borracha para os pneus. E o único lugar do mundo onde se produzia borracha era aqui, no Acre. E, nessa época, já havia muitos brasileiros na região.
Então, o senhor está dizendo que houve toda uma conjugação de interesses econômicos e que, para mantê-los, o Brasil invadiu um território de outro País e o tomou, usando mercenários pagos. É isso?
Esse é o resumo de tudo. Veja, o governador do Amazonas, Ramalho Júnior, ganhava desse território com a produção e importação de borracha cerca de um bilhão de contos de réis por ano. Se ele perdia esse território, devolvendo-o à Bolívia, ele perderia tudo. E Ramalho precisava, porque gastava muito, inclusive, com malversação de recursos públicos. Ele simplesmente não podia perder essa mina, inclusive, para manter sua influência e poder.
Por que a Bolívia não denunciou tudo à comunidade internacional?
Denunciar para quem? Não existia ONU nem Liga das Nações nessa época. Pior: a Bolívia não podia fazer muito esforço econômico, porque acabávamos de sair da guerra com o Chile. Nessa guerra, nós perdemos 50 mil soldados. A economia boliviana estava quebrada e, logo em seguida, veio esse problema. Não tínhamos recursos para fazer nada e, quando resolvemos fazer, recebemos um ultimato do governo brasileiro.
Como assim?
Quando a Bolívia venceu um conflito com as tropas de Plácido de Castro, em Puerto Alonso, o governo brasileiro colocou em cena o Barão do Rio Branco. Ele enviou uma carta ao governo boliviano com negociações, mas, quando o governo boliviano respondeu que não aceitava, ele mandou essa resposta: “Isso não é uma negociação. É uma ordem!”. E também avisou que 50 mil brasileiros, das Forças Armadas do Brasil, estavam prontos para invadir La Paz e tomar a Bolívia. E estavam mesmo.
Isso está documentado?
Está. Tudo o que estou lhe falando está documentado, com fontes brasileiras e bolivianas. Na segunda edição do meu livro, vou publicar a carta completa do Barão do Rio Branco com o ultimato à Bolívia. Todos poderão conferir como se deu esse assalto, porque foi disso o que se tratou - um assalto.
Mas o governo brasileiro não pagou dois milhões de libras esterlinas pela posse do Acre?
O Brasil nunca pagou essa dívida. Aliás, pagou sim, mas com uma estrada de ferro que nunca foi concluída e dentro do território brasileiro, com gente brasileira e que sequer chegava à Bolívia nem mesmo no projeto. É como se eu tivesse uma dívida com o senhor, comprasse um aparelho de som no mesmo valor da dívida e lhe dissesse: “Eu paguei aquela dívida com um aparelho de som. Está lá em casa. Quando quiser ouvir som, passe por lá”.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Ele (1902-1987)
A Polícia Federal e a Linguagem
Liminar obriga fiscalização de "estrangeirismos" no comércio e na publicidade
Uma liminar, expedida pelo juiz federal substituto da 1ª Vara de Guarulhos, Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, determinou que a União Federal fiscalize a utilização da língua portuguesa no comércio de produtos e de serviços, inclusive, nas ofertas publicitárias em vitrines, prateleiras, balcões ou anúncios.
Segundo a determinação, os anúncios que utilizarem termos como "sale", "off", "summer", entre outros, deverão ser acompanhados de tradução, no mesmo destaque.
Expressões em língua estrangeira deverão ser traduzidas com texto correspondente na língua portuguesa. Além disso, os anúncios deverão ter clareza e precisão ao se referirem às características, qualidades, quantidade, composição, preço (também condições de pagamento e descontos), garantia, prazos de validade, origem, riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.
Na opinião de Antônio Mascarenhas de Souza, o artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor é claro: "oferta e apresentação de produtos ou serviços devem exteriorizar-se por meio de informações em português".
"Qualquer fornecedor que se utilize dos termos 'sale' ou 'off' objetiva propor ao consumidor a aquisição de seus produtos ou serviços, tornando-os mais atrativos, relacionando tal informação diretamente à diminuição do preço, ao seu barateamento."
Para o juiz, somente a publicidade que não tiver algum tipo de oferta é que poderá usar indiscriminadamente qualquer símbolo, palavra ou gesto, "desde que esteja dentro das regras dos artigos 36 a 38 do CDC, que proíbem a mensagem enganosa ou abusiva."
Souza esclarece que a oferta, publicitária ou não, é meio de interlocução com o consumidor para convencê-lo e atraí-lo, mediante realce de elementos contratuais do negócio.
"Em conseqüência, nesse aspecto, suprir-lhe a comunicação na própria língua significa negar os objetivos expressos no Estatuto de Defesa do Consumidor e dificultar o acesso de compreensão para boa parte [senão a maioria] da população brasileira."
Quem não respeitar as regras, segundo decisão do juiz, deverá ser penalizado de acordo com o artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor, com multa, apreensão do produto, cassação do registro, entre outras penas.
Uma liminar, expedida pelo juiz federal substituto da 1ª Vara de Guarulhos, Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, determinou que a União Federal fiscalize a utilização da língua portuguesa no comércio de produtos e de serviços, inclusive, nas ofertas publicitárias em vitrines, prateleiras, balcões ou anúncios.
Segundo a determinação, os anúncios que utilizarem termos como "sale", "off", "summer", entre outros, deverão ser acompanhados de tradução, no mesmo destaque.
Expressões em língua estrangeira deverão ser traduzidas com texto correspondente na língua portuguesa. Além disso, os anúncios deverão ter clareza e precisão ao se referirem às características, qualidades, quantidade, composição, preço (também condições de pagamento e descontos), garantia, prazos de validade, origem, riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.
Na opinião de Antônio Mascarenhas de Souza, o artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor é claro: "oferta e apresentação de produtos ou serviços devem exteriorizar-se por meio de informações em português".
"Qualquer fornecedor que se utilize dos termos 'sale' ou 'off' objetiva propor ao consumidor a aquisição de seus produtos ou serviços, tornando-os mais atrativos, relacionando tal informação diretamente à diminuição do preço, ao seu barateamento."
Para o juiz, somente a publicidade que não tiver algum tipo de oferta é que poderá usar indiscriminadamente qualquer símbolo, palavra ou gesto, "desde que esteja dentro das regras dos artigos 36 a 38 do CDC, que proíbem a mensagem enganosa ou abusiva."
Souza esclarece que a oferta, publicitária ou não, é meio de interlocução com o consumidor para convencê-lo e atraí-lo, mediante realce de elementos contratuais do negócio.
"Em conseqüência, nesse aspecto, suprir-lhe a comunicação na própria língua significa negar os objetivos expressos no Estatuto de Defesa do Consumidor e dificultar o acesso de compreensão para boa parte [senão a maioria] da população brasileira."
Quem não respeitar as regras, segundo decisão do juiz, deverá ser penalizado de acordo com o artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor, com multa, apreensão do produto, cassação do registro, entre outras penas.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Tonivan & Tonivan & Tonivan
Há quase 10 anos, tenho a amizade e os bons serviços de Tonivan, responsável pela filmoteca, pelos filmes que passam pela escola pública. Após a leitura de um romance em sala de aula, passo para meus alunos a imagem-palavra do que foi lido. São filmes relacionados à temática da narrativa romanesca. Neste ano, após a leitura de Admirável Mundo Novo, assistimos aos filmes Tristão e Isolda, Triunfo do Amor e O Sorriso de Mona Lisa. Falei sobre os conceitos relacionados ao Romantismo "expostos" pela imagem a fim de compará-lo como valores opostos ao livro Admirável Mundo Novo. Se não existissem funcionários como Tonivan, seria impossível. Muto obrigado! Sempre precisamos do Outro. Itaan & a Imprensa
Hoje, o governador Arnóbio Marques escolheu Itaan Arruda como assessor de imprensa do Estado.
Quando começou a escrever no jornal A Gazeta, publiquei um artigo não para elogiar suas linhas, mas para reconhecer sua inteligência. Formado em jornalismo, Itaan possui um valor que a faculdade não ensina: caráter. Leitor de bons livros - algo incomum entre nosso jornalistas -, esse rapaz tem a chance de transformar a relação entre imprensa e governo. Escrevi certa vez que atual relação não está à altura de um governo de esquerda. A imprensa não pode servir como um meio do poder propagar sua imagem narcísica. Para um governo de esquerda, exige-se mais, bem mais do que "eu sou belo". O exercício da autocrítica não deve ser esquecido pelo PT. A Itaan, desejo que o poder jamais retire dele a simplicidade. Vida longa, garoto!!!
terça-feira, janeiro 09, 2007
Os SindicaTos se CalaM
Elas não tocam no assunto. Os sindicatos - os da educação, principalmente - não deveriam se comportar como empregadas domésticas ou domesticadas. No Acre, sobre a pensão eterna dos ex-governadores, o silêncio oculta uma injustiça social.
Durante toda a vida, ex-governadores acreanos receberão uma pensão que, por mês, retira dos cofres públicos mais de R$ 350 mil. "Governador" não é profissão. "Professor" é.
Acre paga pensão a 16 ex-governadores
O Supremo Tribunal Federal recebeu parecer do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, que considera inconstitucional o pagamento de pensões vitalícias a ex-governadores.
O Supremo Tribunal Federal recebeu parecer do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, que considera inconstitucional o pagamento de pensões vitalícias a ex-governadores.
No Brasil, 21 Estados pagam o benefício aos ex-administradores. Há 16 anos , o STF deu liminares contra o privilégio, mas nunca julgou o mérito.
No Acre, o pagamento de pensões vitalícias consome, mensalmente, mais de R$ 350 mil.
O presidente do Instituto de Previdência do Estado, José de Anchieta, não quis falar sobre o pagamento do benefícios, alegando que o assunto não é da ordem previdenciária, mas informou que o Estado mantém na folha de pagamento 16 ex-governadores.
Cada um recebe mensalmente R$ 22.11,25. Desse valor, 11% são recolhidos ao Tesouro Estadual. Até dezembro do ano passado, o valor de pensão era de R$ 16 mil, mas foi reajustado em projeto aprovado na Assembléia Legislativa, encaminhado pelo ex-governador Jorge Viana.
O artigo 77, da Constituição Estadual, trata do pagamento das pensões vitalícias quando diz que cessada a investidura do cargo de governador, quem o tiver exercido, em caráter permanente, fará jus a um subsídio mensal e vitalício correspondente aos vencimentos e representação do cargo.
No artigo 3º da mesma lei, a constituição fala da suspensão do pagamento, que ocorrerá em caso de morte de todos os beneficiários.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Município cria regras para avaliar eficácia da alfabetização
O secretário municipal de Educação, por meio da Instrução Normativa 003, de 5 de janeiro de 2007, institui um processo de avaliação para professor alfabetizador e determina que, no final de cem dias, pelos menos 90% dos alunos da turma deverão ter construído a hipótese de escrita silábica como valor sonoro convencional e, no final de 200 dias letivos, pelo menos 90% dos alunos da turma deverão ter construído a escrita alfabética. Evidente que esse professor será observado por uma Comissão de Avaliação. Caso o professor não cumpra o que está escrito nessa instrução normativa, poderá ser afastado da sua função. Creio que, aos poucos ou de repente, a Secretaria de Educação do Estado desejará algo semelhante para os professores do ensino médio. Isso pode ser perigoso se outras medidas não forem apreciadas. Em breve, escreverei um artigo sobre isso. Por enquanto, fiquemos com a matéria do jornalista Josafá Batista, da TRIBUNA
De olho na eficácia dos programas de alfabetização nas escolas de ensino infantil, a Prefeitura de Rio Branco acaba de criar um procedimento para avaliar a eficácia dos professores em sala de aula. As novas medidas pretendem avaliar os professores a partir da aprendizagem dos alunos.Seis avaliadores, sendo quatro professores e dois integrantes da Divisão de Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Educação (Seme), irão compor o quadro de avaliadores. As avaliações serão feitas duas vezes por ano, sendo o primeiro ao final dos cem dias letivos e o segundo a partir do 200 dias.
“Além da avaliação a partir dos alunos, o professor terá ainda que se inscrever e participar de um curso de certificação oferecido pela secretaria, com freqüência mínima de 95% da carga horária total e aproveitamento mínimo de 80% dos conteúdos. As medidas entram em vigor já neste ano”, explica o subsecretário municipal de Educação, Cláudio Ezequiel.
Ainda segundo a Seme, as avaliações pretendem melhorar a alfabetização nas escolas de ensino infantil e também incentivar os professores com melhores pontuações. O incentivo será sentido no bolso, garante Ezequiel. “Queremos selecionar e vamos pagar mais, só que vamos pagar mais para aos melhores”, revela.
Pelas novas regras, o professor será considerado aprovado quando pelo menos 90% dos alunos de sua turma conseguir uma escrita silábica com valor sonoro convencional. Esse, porém, é o primeiro exame, realizado ao final dos cem dias letivos.
No segundo exame, realizado no final dos 200 dias letivos, pelo menos 90% dos alunos da turma devem conseguir construir a escrita alfabética.
Professores que não conseguirem notas mínimas serão encaminhados à Comissão de Avaliação. De acordo com a Instrução Normativa 003/2007, que estabeleceu as regras da avaliação, eles terão uma “análise e avaliação de sua prática pedagógica, podendo ser afastado da função”.
sábado, janeiro 06, 2007
Livro Didático de Língua Portuguesa & de Literatura

O poder público propaga que as escolas agora têm livro didático. Na Heloísa Mourão Marques, as fotos revelam a quantidade de livro didático de Língua Portuguesa e de Literatura. Sim, os livros existem, mas a pergunta é "que livros?". Existe um problema na escola pública que é a falta de organização, por exemplo, para escolher o livro didático. Cada um escolhe do seu jeito, sempre às pressas, não há tempo, não há encontro entre os professores da área, porque não há conselhos de disciplina para debater e refletir sobre sua escolha. Sem critério, sem organização, o resultado está na foto: livros didáticos de Língua Portuguesa e de Literatura péssimos. Dinheiro público compra material ruim para os alunos. Deveria, isso sim, haver um livro para Língua Portuguesa e outro para Literatura. A escola, por meio de seu Conselho de Língua Portuguesa e de Literatura, adotaria o livro do professor Pasquale para estudar Língua Portuguesa e o livro de Domício Proença Filho para os alunos estudarem Literatura. Quem conhece esses dois livros sabe do que estou falando. sexta-feira, janeiro 05, 2007
- o óbvio & naquele município -
"As fortes chuvas que caem em Cruzeiro do Sul promoveram uma visão do caos naquele município."
- - chuvas que caem - Li isso em um jornal local. Por favor, se eu estiver errado, corrijam-me: existe chuva que sobe?
- - naquele - "(...) uma visão de caos no município."
BanHeirO para ProFessoR

A escola Heloísa Mourão Marques passou por uma reforma há algum tempo e ficou bem melhor, mas o arquiteto ou o engenheiro não pensaram bem quando o espaço foi "banheiro".
No mesmo espaço íntimo, há duas divisões: uma para homens e outra para mulheres.
Pois bem, se o professor passar mal e for ao banheiro, a professora ao lado ouvirá toda sua intimidade. Constrangedor.
Banheiro para juiz não é assim. Banheiro para médico não é assim.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Jesus dos Santos
Em 2004, lecionei para Jesus. Em sala, cometeu alguns pecados, um deles, "matar" minhas aulas de Literatura. Estudar é chato. Ler livro em sala, mais ainda.Mas Jesus sempre me respeitou. Entre nós, pelo corredor da escola, o papo rolava e foi assim que conheci, aos poucos, sua vida.
Após dois anos, retornei a vê-lo em janeiro de 2007. Sentado no pátio, Jesus me cumprimentou quando eu saía da escola. "E aí, professor?". Voltei e conversamos sobre a vida, a sua.
Quanto tempo, cara.
Faz algum tempo, professor.
Soube que você ficou preso no Oliveira Conde
É verdade, fiquei 1 mês e 15 dias.
Mas você nunca foi violento na escola, nunca me tratou mal.
Professor, eu sou pobre, isso é motivo para ser preso.
Na verdade, o que houve?
Meu irmão matou um cara, e a família do morto queria se vingar, porque o meu irmão acabou preso. Por isso, eu usava uma espingarda em casa para me defender. Mas a polícia bateu lá e pegou uns caras fumando maconha no fundo do quintal. A PM bateu em todo mundo e pegou a arma.
Você chegou a matar alguém na sua vida?
Claro que não, professor. Eu só tinha a arma para a minha defesa.
Você roubou alguma vez?
Não.
E depois?
Os policiais me bateram, me levaram para a delegacia e, na delegacia, fui preso por formação de quadrilha, mas eu nunca fiz parte de quadrilha. Os policiais aumentaram, disseram o que não era verdade, os PMs mentiram.
E as porradas?
Fizeram exame em meu corpo, mas ficou por isso mesmo. Só que depois, eu estava no presídio e lá levei muita porrada logo que entrei e depois levei mais.
E como era a tua cela?
Eu fiquei em um espaço de 2x5, onde havia 25 pessoas, é o cubículo do corretivo.
E hoje?
Moro com meus pais.
Quanto teu pai recebe?
Uns R$ 500.
Vive-se com R$ 500?
E pobre vive, professor?
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Acreana
- Saúde -
"Na parte da tarde, o governador foi se inteirar das questões de segurança, como havia feito antes com a Saúde."
- - Saúde - Outro hábito é colocar a palavra "Saúde" em caixa-alta. Quando se trata de Secretaria da Saúde, tudo bem, mas, quando é substantivo comum, coloca-se em caixa-baixa, por favor!
domingo, dezembro 31, 2006
LuLa, Binho & os PoBreS

Na última atualização do blog deste ano, tenho a certeza de que o Brasil e o Acre são melhores do que ontem e serão ainda melhores amanhã. O Partido dos Trabalhadores, representado pelo presidente Lula nos últimos quatro anos, deixa índices sociais melhores do que o governo de FHC, do PSDB. O economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), calculou, com os economistas Nanak Kakwani e Hyun H. Son, das Nações Unidas, as taxas de crescimento que refletem a evolução da renda dos mais pobres. Em 1996, no governo do PSDB, a renda per capita do brasileiro chegou à media de 1,59% e, em 1998, a renda dos mais pobres alcançou 5,07%. Esses, os índices de FHC. Como o PT, a renda per capita em 2004 foi a 3,56% e, ainda em 2004, a renda dos mais pobres tocou em 14,11%. "2004 é o grande ano da queda da desigualdade no Brasil, um ano espetacular", segundo Marcelo Neri, da FGV. No Acre, tenho certeza de que os próximos anos ofertarão aos mais humildes uma realidade social mais humana, porque o PT tem um compromisso histórico com a justiça social. Que venha 2007!
Assinar:
Postagens (Atom)






