quarta-feira, outubro 31, 2007

Vagno Di Paula



Eu, crítico de colunas sociais que EXIBEM a riqueza de uns, não poderia deixar de reconhecer quando um colunista não EXIBE a plutocracia.

Di Paula é muito bem alfabetizado, o cara escreve bem. Por isso, seu texto pode alçar outras possibilidades.

Na próxima quinta, ele apresentará em sua coluna CIRCULANDO algo que nenhum colunista local ousou. Mostrará o chique que muitos ricos não têm.

A TRIBUNA ganha muito com sua escrita.

terça-feira, outubro 30, 2007

Volte, Naluh, para a sala de aula, volte!

Hoje, em frente do Tribunal de Contas do Estado do Acre, uma manifestação de professores da rede pública pediu com toda educação que a ex-professora Naluh Gouveia volte para a sala de aula.

Eles acreditam que ela não pode deixar a sala de aula depois que o Estado do Acre começou a pagar o melhor salário do país. "TCE, TCE, Naluh em sala de aula, a gente quer", em só coro, gritavam seus colegas de trabalho.

"Naluh é formada em Letras, ela adora poesia, romances, Carlos Drummond, Guimarães Rosa; ela não sabe contar, não entende matemática", declarou uma professora. "Agora que conseguimos a isonomia salarial, agora que ganhamos o melhor salário do Brasil, ela precisa saber que a sala de aula é melhor do que o TCE."

A teus olhos


De Aldo Nascimento

A única verdade inviolável setenciará o tempo, meu caro, em que a tua carne banqueteará a fome dos vermes e, após a missa de sétimo dia, o universo tratará de esquecê-lo para sempre.

Tua morte, questão de um tempo laborioso, acolherá tua empáfia a fim de envergá-la até os limites de tua dor. A Morte rirá de tua condição humana, e vós se inclinareis como um súdito se inclina ao Senhor.

Não credes em Deus? Não importa, porque a Morte crê em ti, e ela só exigirá isto, não mais que isto: a dor. Quem sabe um câncer em tua boca com um dente de ouro para que tua língua profira o mal hálito de tua palavra putrefata.

Teu espírito não surportará teu inegável fim, porque, ao longo da vida, ele careceu de honra, de caráter, de humildade, de um amor profundo pela vida.

Será amanhã? O tempo não dialoga com os mortais.

Isso não é obra literária



O Ministério da Saúde adverte:

droga faz mal à saúde.

Em outro momento, baseando-me em um livro de teoria literária, tecerei algumas breves observações sobre Seringal.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Os conselhos são essenciais

Existem vários bons professores e excelentes idéias, mas pouco norteamento por parte do eixo gestão-coordenação pedagógica. Esse direcionamento vai bem além de acatar uma idéia boa como os conselhos de área.

Você concordou com tais conselhos. Está muito claro que questões de Língua Portuguesa devem ser definidas com os professores de Língua Portuguesa, por exemplo: Redação. Se tem professor que sabe muito bem o que fazer com Redação em sala, ele deve coordenar a área para, com seus pares, definir práticas e metas.

Sobre coordenação, defendo esta idéia: na coordenação, deve haver um professor de Matemática e de Língua Portuguesa. Esses dois profissionais precisam ser escolhidos por meio de critérios bem definidos pelo corpo docente.


Significa participar ativamente, dando sugestões e cobrando relatórios, baseando-se na proposta pedagógica da escola.

A proposta pedagógica de Língua Portuguesa, por exemplo, inicia-se pelas áreas. Antes de pensar o todo, a escola, é preciso pensar a parte, a área. Os relatórios são essenciais, porque asseguram a memória da escola, das reuniões.

Vai além de parcos elogios quando um conselho vai bem e mostra resultados: estabelecer metas futuras que superem as atuais é fundamental. A escola deve funcionar como uma empresa: O objetivo final deve ser impreterivelmente alcançado, e para isso seus vários segmentos devem se articular produtivamente.

Quem é gestor tem a obrigação de saber o que faz, no caso, buscar qualidade de ensino e posturas na escola.

Açeçôr de inpremçá

"Durante a solenidade, o secretário Antônio Monteiro, disse que sua pasta vive um momento de celebração após o governador Binho Marques ter elegido a Segurança Pública como “carro chefe” de sua gestão."

1. Vírgula entre sujetio e predicado. Assessor não é escolhido por concurso ou por competência, mas por obediência.

Cesta básica


Na propaganda do governo do Estado do Acre, propaga-se pela TV que o salário do professor é bem maior do que o de São Paulo quando se compara a cesta básica paulista à cesta básica acreana.

Imagine o poder de compra de um médico se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Agora, imagine o poder de compra de um promotor se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Imagine o poder de compra de um juiz se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Nós não imaginamos essas comparações quando se trata de tais profissões, mas o governo do Estado, com sua propaganda ufanista, associa cesta básica ao salário do professor.

A Língua Marginal



Uma classe social marginalizada pelos ricos, só poderia marginalizar a LÍNGUA.

Conheço texto do Poder Judiciário muito mal escrito. Os pobres não são motivo de riso para mim.

Aos alunos

Professor, está na hora de dar um basta em projetos fajutos de Língua Portuguesa! Letras maiúsculas no meio da frase, "o" Heloísa em vez de "a" Heloísa, "segundão", "terceirão" (essas turmas não existem!). Dê uma olhada nos cartazes e panfletos que circulam por lá...Até o nome, "Sebinho", já virou motivo de chacota. E o pior é que estão querendo levar isso para fora do âmbito escolar!Como professor de Língua Portuguesa, tome uma atitude. Isso é uma vergonha!

Se são projetos fajutos, assim como você disse, os alunos, os interessados, poderiam criar um blog para criticar de forma inteligente e para dar propostas à escola.

Uma pergunta: que projeto poderia ser criado para ajudar os alunos?

Sobre o "Sebinho", há idéias boas, ótimas, mas elas precisam ser assumidas pela disciplina Língua Portuguesa por meio da área, não podendo, portanto, ser um ato isolado. Isso, é claro, depende da gestão, da direção.

A mesma professora que criou o Sebinho também deu a idéia de corrigir as placas com erros ortográficos, mas, como não há proposta educacional por parte da direção, idéias se perdem.

Eu já defendi na escola conselho de disciplina, porque, dessa forma, projetos passariam pela área. Infelizmente, a atual gestão não teve vontade ou entendimento para que tais conselhos funcionassem. Um problema da escola pública acreana chama-se administração.

Não temos, por exemplo, os conselhos de turma. Eles são importantes na estrutura escolar, mas pessoas, com péssima formação mental, não conseguem visualizar sua funcionalidade.

Penso que alunos interessados, jovens que lutam por uma escola pública com qualidade, deveriam se manisfestar por meio de um blog criativo. Precisamos lutar por boas idéias e criticar quem merece ser criticado por sua incompetência e por seu desinteresse.

sábado, outubro 27, 2007

Ronda Gramatical

A) "Botafogo quer voltar à vencer hoje contra Sport"

1. Botafogo quer voltar a - Esse "a" surgiu por causa de "voltar", ou seja, trata-se de uma preposição;

2. A vencer hoje contra Sport - Nesse caso, não podemos usar o artigo "a" antes do verbo vencer;

3. Podemos usar a preposição "a", mas não podemos usar o artigo "a". Dessa forma, não há união (crase) entre preposição e artigo, não podendo, portanto, haver o acento grave que indica o fenômeno da crase; e

4. Voltar a a vencer - Como não se usa artigo "a" antes de verbo, fica somente a preposição "a", ou seja, "voltar a vencer".

B) "Ensino à distância leva curso superior à todo o Acre"

1. Quando a distância não é especificada, não se usa o acento grave que indica o fenômeno da crase;

2. Como não cabe artigo "a" antes de "todo", fica só o "a" da preposição, isto é, não há união entre o "a" da preposição com o "a" de artigo.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Para as feministas acreanas


Há alguns tempo, publiquei no jornal A TRIBUNA uma matéria sobre movimento feminista que defendia na Europa a maternidade e a família.

No dia 21 de outubro, na Folha de São Paulo, publicou-se uma minientrevista com Camille Paglia, bom material. Leia com atenção o que a norte-americana disse.

"
O movimento feminista tende a denegrir ou marginalizar a mulher que quer ficar em casa, amar seu marido e ter filhos, que valoriza dar à luz e criar um filho como missão central na vida," diz Paglia. "Está mais do que na hora de o feminismo conseguir lidar com a centralidade da maternidade."

No Acre, quando chega 8 de março, anacrônicas que são, elas ainda ovulam muita besteira, por exemplo, o clichê "a mulher está ocupando seu espaço". É urgente pensar a casa, a família, a sexualidade, mas fica impossível quando o raciocínio é a própria
menopausa.

Dia das mães é muito mais significatico do que 8 de março.

Médicos ameaçam entrar em greve se a saúde não melhorar

De Josafá Batista

Em assembléia geral realizada na última quinta-feira, médicos de Rio Branco aprovaram um parecer que define uma greve de advertência se as negociações com o governo do Estado não avançarem.

De acordo com o Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC), essas negociações se arrastam há meses e até hoje nada ficou definido.

Os médicos reclamaram da lentidão das negociações e autorizaram o Sindmed-AC a tomar uma postura mais firme. Uma nota distribuída à imprensa afirma que “está ficando impossível trabalhar sem condições estruturais”. A categoria reclama de excesso de plantões e salários que não têm reajuste desde o inicio do atual governo.

“Hoje, pela manhã, fui ao pronto-socorro para acompanhar a movimentação e lá estava um caos. Faltam médicos, havia pacientes deitados no chão e só um médico para atender. É um absurdo que as coisas fiquem assim, porque está faltando profissionais. Por isso, quando um médico adoece, não tem ninguém substitui-lo e cria-se um caos”, reclama Enoque Pereira de Araújo, presidente do Sindmed-AC.

Além da contratação de médicos para as emergências e a melhoria das condições de trabalho, os médicos querem que o governo pague insalubridade e que reforme algumas instalações. No caso do pronto-socorro, por exemplo, um dos ambulatórios não tem sequer ar-condicionado.

Na próxima semana, o Sindmed-AC vai elaborar um documento com todas as reivindicações da classe para entregá-la ao representante da Sesacre e, se nenhuma solução for encontrada, a greve começa em novembro, especificamente, a partir do dia 12.

A paralisação, se acontecer, vai paralisar o pronto-socorro e todos os centros de saúde da capital.

Governo vai negociar

O subsecretário estadual de Saúde, Sérgio Roberto Gomes de Souza, disse que ainda não recebeu o documento, mas que, quando receber, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) vai “estabelecer uma relação de negociação com os médicos, consolidar direitos e estabelecer deveres”.

Perguntado sobre o significado desse pacote fechado, ele aproveitou para reclamar das entrevistas feitas por telefone. “Vocês ficam aí na Redação, coletando versões, é complicado”.
Mesmo assim, o subsecretário ressaltou.

“Vamos ouvir e discutir as reivindicações e estabelecer uma lógica de gestão. E, ao mesmo tempo, vamos normatizar as atribuições. É uma pista de mão dupla, vamos discutir, só isso”, afirmou o secretário.

Atento à própria fala, ele mandou repetir o que havia dito - foi obedecido.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Dissertar

Na prova dissertativa, meus alunos, a maioria, não entendeu o que o Enem propôs em 2000. Fui ao quadro para explicar. Mostrei um esquema sobre.

Na próxima terça-feira, reconstruirão a introdução segundo a proposta do Enem de 2000. Poderia deixar assim mesmo, porque o estado paga da mesma forma. Exigindo ou não do aluno, tendo ou não tendo mais trabalho, o salário é o mesmo.

Não ganho mais por trabalhar melhor, por me esforçar mais.

A questão, entretanto, é que eu não sou assim mesmo: sou problemático.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Maior salário do país...

Acabei de dar uma olhadinha em um concurso da prefeitura de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Lá, com 20 horas semanais, o professor recebe R$ 1.559,99, o bruto. O custo de vida é mais barato do que no Acre.

Deputado-ex-professor

Os deputados estaduais, principalmente os ex-professores Edvaldo Magalhães, Naluh Gouvea e Moisés Diniz, deveriam criar leis para qualificar a gestão das escolas públicas acreanas.

Gestores escolares transitam livres e alegres com suas irresponsabilidades, com seus descasos, com suas indiferenças. Há caso de escola pública saqueada por diretores e, sem nenhuma punição séria, deixam a escola pública depredada. Ganham muito bem para deixarem muito mal o ensino público.

O caso da escola Heloísa Mourão Marques é exemplar no sentido de que, até hoje, ela se encontra inadimplente com a Secretaria de Educação. Sem papel, professores tiram do bolso dinheiro para que provas sejam impressas. A escola não tem verba. Ninguém é responsabilizado e punido.

Gestores escolares devem ser submetidos à avaliação por meio de questionário respondido por alunos, por professores, por pais de aluno e por funcionários de apoio. Essa avaliação deve ser semestral.

Os deputados pouco, ou quase nada, trabalham para apresentar idéias que qualifiquem a gestão escolar. Lamentável.

terça-feira, outubro 23, 2007

Parabéns!!!



O que dizer à editora-chefe da TRIBUNA?

Sem Alexandra Machado, a redação desse jornal não seria a mesma.

Simpática e charmosa, essa menina sabe exercer como ninguém o gênero feminino no trabalho.

Que a tua família seja farta de compreensão e empanturrada de amor.

Vida longa, menina!!!

Aluno & Ronda Gramatical

Aluno

Professor Aldo, foi muito bem colocada a sua correção a respeito da expressão no comunicado, mas o senhor chegou a falar para a coordenação que não estava correto daquela forma?

Não avisei.

Professor, gostaria que o senhor divulgasse também os trabalhos interessantes que são feitos na escola. O turma vespertino realizará amanhã, 23/10, uma pequena mostra de trabalhos desenvolvidos por meio de maquetes. São trabalhos simples, porém criativos.

Você não me chamou na escola para fotografar e para comentar sobre, além de vocês comentarem sobre.

Ronda Gramatical

"A presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargadora Isaura Maia, fez ontem a tarde, uma visita ao gabinete do senador Sibá Machado. Izaura Maia procurou o senador acreano para pedir apoio do parlamentar na destinação de emendas que ajudem a desenvolver projetos do Tribunal que atendem gratuitamente a população acreana."

1. Sempre digo a meus alunos que evitem palavras desnecessárias no texto. "Fez ontem a tarde uma visita". Muito melhor escrever "visitou ontem, à tarde". Péssimo "fez uma visita". Transforme "visita" em verbo, é melhor.

segunda-feira, outubro 22, 2007

A ética dos robôs


De Aldo Nascimento

Depois da revolução industrial no século 18, conseqüência também de investimentos na educação, a cova secular entre Europa e países como Brasil só tem se tornado mais funda.

Aqui, país do samba e do futebol, o pentacampeão do mundo, a falta de ética na vida pública parece dar um show de bola no povão. Na Europa, Reino Unido, o debate sobre a ética dos robôs revela que nós, nação com os piores índices educacionais, perdemos o mouse da história.

Para os países desenvolvidos, enviamos mão-de-obra barata, nós não precisamos pensar no velho continente. Pois bem, daqui a alguns anos, a Europa não precisará de nós nem como garçons ou como lavadores de prato - os robôs humanóides nos substituirão.

"Bill Gates, cuja Microsoft acaba de desenvolver um sistema operacional padronizado para esse tipo de máquina, acredita que a indústria da robótica, como a dos computadores pessoais 30 anos atrás, está às portas de uma forte expansão", escreveram FRANÇOISE LAZARE e PHILIPPE MESMER no Le Monde.

Leia com atenção o que os dois registraram no jornal francês.

Podem votar?

Sob o título "sonhos utópicos ou máquinas melhores", os especialistas discutem aquilo que será preciso prover aos robôs à medida que sua inteligência artificial se desenvolva. Será que terão direito de voto? Serão forçados a pagar impostos, a prestar serviço militar?

De acordo com o estudo, caso os robôs participem da força de trabalho e, portanto, do crescimento da economia, será necessário fornecer a eles, por exemplo, uma cobertura de seguro social que garanta o bom funcionamento de seus equipamentos. Como aponta o texto, um computador, que legalmente não é considerado uma pessoa, não poderia ser responsabilizado judicialmente por qualquer delito. Seu fabricante, no entanto, poderia proteger seus direitos de propriedade intelectual.

No Japão, os avanços não se comparam aos europeus. Os robôs humanóides vêm sendo desenvolvidos pouco a pouco pelos laboratórios. O Wakamaru está à venda para trabalhar como recepcionista em empresas. A Alsok, uma fabricante de produtos de segurança, está oferecendo aos clientes os robôs de vigilância C4 e C5, para operar em centros comerciais.

A Coréia do Sul, país igualmente avançado em termos de robótica e grande rival do Japão nessa área, redigirá uma "carta ética dos robôs" ainda neste ano. O texto se inspira nos princípios propostos pelo escritor de ficção científica Isaac Asimov.

Para uma nação que fica entre as piores nas olimpíadas de matemática, não serviremos nem mais como garçons.

Oremos, irmãos!

Abandonada cidade cenográfica da minissérie

Ficou só na intenção a promessa de tornar a cidade cenográfica da minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes um ponto turístico permanente do Acre. A falta de manutenção transformou o local em um grande depósito de quinquilharias e várias estruturas já começaram a ficar inutilizadas.

A promessa de transformar a cidade cenográfica, localizada no Quixadá, em um ponto turístico, foi feita pelo governo do Estado antes da gravação da própria minissérie, durante a construção. Na época, alardeou-se que o objetivo era popularizar a história e as tradições acreanas.

No local, porém, tudo está se transformando em ruínas. A casa onde morou o coronel Firmino, personagem do ator José de Abreu, por exemplo, está começando a ser invadida por insetos. Não há qualquer indício de uma estrutura digna de ponto turístico.

Os espaços começaram a virar pontos de encontro de moradores da região, que se dizem donos da cidade cenográfica. Festinhas particulares são registradas com freqüência, de acordo com a vizinhança.

Pela promessa, o local teria um restaurante de comidas típicas, como galinha caipira, tacacá, tapioca, açaí e outros. Moradores do Quixadá chegaram a sugerir que o governo do Estado procurasse parceiros na iniciativa privada para restaurar o espaço, inclusive, mantendo outros elementos do cenário e não somente as casas.

O problema não é específico da cidade cenográfica do Quixadá. Em Porto Acre, de acordo com uma denúncia, funcionários de um órgão do governo do Estado já começaram a demolição de quase tudo o que foi construído nas gravações. Ao contrário do prometido, nenhum investimento foi feito.

Desmatamento em alta

Do caderno Mais!,
da Folha de São Paulo

De Marcelo Leite

Permanece limitada a capacidade do governo de inibir
a ação de grileiros, madeireiros e seus sócios

Em agosto, duas colunas neste espaço ofereceram informações contraditórias sobre desmatamento na Amazônia brasileira. A primeira, no dia 5 daquele mês, previa aumento no corte de florestas com a subida dos preços de commodities como soja e carne bovina.

A segunda, duas semanas depois, apontava erro no primeiro texto, diante de dados de satélite que indicavam queda no desmate pelo terceiro ano consecutivo.Ambas as colunas estavam certas, e também erradas. O desflorestamento de fato vinha caindo, pelo menos até junho ou julho. Mas começou a subir de novo, forte, em agosto.

Apesar disso, ainda está distante da cifra escandalosa de 2003/ 2004, a segunda maior área devastada de todos os tempos (27.429 km2). Eis o dado do Sistema Deter, acompanhamento em "tempo real" (poucas semanas de defasagem entre coleta de imagens por satélites e processamento dos dados) operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) orientar a fiscalização: de junho a setembro, foram derrubados 4.570 km km2 de mata amazônica, contra 4.250 km2 no mesmo período do ano anterior.

Isso dá um aumento de 8%, como noticiou a Folha na quinta-feira. O MMA ainda se contorcia para dizer que não estava ocorrendo um aumento substantivo, só uma desaceleração da queda. O ano de 2007 terminaria ainda com uma redução na taxa de desmatamento, argumentava.

A série histórica de estatísticas oficiais iniciada em 1988 leva em conta o período de agosto a julho. Como até três meses atrás a taxa vinha caindo, tendo registrado -33% de variação em junho e oscilação de 4% em julho (no confronto com os mesmos meses de 2006), o ano-desmate 2006/2007 terminará, sim, com redução.

Marina Silva terá, portanto, mais um relatório positivo sobre desmatamento anual para apresentar. Mas já não será um retrato fiel da situação quando se iniciar a reunião das Nações Unidas sobre mudança climática de Bali, Indonésia, em dezembro. Ali o Brasil e outros países emergentes serão pressionados a adotar metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, como já fizeram vários países desenvolvidos no quadro do Protocolo de Kyoto. Três quartos das emissões brasileiras vêm do desmatamento.

Em agosto deste ano, ele aumentou 53% sobre agosto de 2006 (passou de 474 km km2 a 723 km km2). Em setembro, mais 107% (de 687 km km2 a 1.424 km km2). Como de hábito, a aceleração é mais acentuada nos Estados que compõem o chamado Arco do Desmatamento. Rondônia, aquela Unidade da Federação em que Lula vai erguer os monumentos hidrelétrico-desenvolvimentistas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, teve aumento de 602%.

Em Mato Grosso, terra de Blairo Maggi e portanto de soja, foram 84%. No Pará de tantas unidades de conservação criadas na gestão Marina Silva, 59% (e maior área total, 655 km km2). É bom repetir: 4.570 km km2 de desmate nos melhores meses (mais secos) para derrubar e queimar floresta não chega a ser um desastre (ainda que a área represente três vezes a do município de São Paulo).

A aceleração inegável, no entanto, vem sugerir que permanece limitada a capacidade do governo federal de inibir a ação predatória de grileiros, madeireiros e seus sócios no avanço da frente agropecuária, sobretudo quando capitalizados pelo aumento nos preços de commodities.
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MARCELO LEITE é autor de "Promessas do Genoma" (Editora da Unesp, 2007) e de "Clones Demais" e "O Resgate das Cobaias", da série de ficção infanto-juvenil Ciência em Dia (Editora Ática, 2007). Blog: Ciência em Dia (www.cienciaemdia.zip.net). E-mail: cienciaemdia@uol.com.br