quarta-feira, abril 16, 2008

Reconhecimento

A escola Heloísa Mourão Marques não é a mesma. Não se trata de adular a atual diretora - não sou disso -, mas de reconhecer que mudanças simples ocorreram, por exemplo, os alunos só saem de sala às 11h25. Nenhum professor os dispensa 20 minutos antes.

Hoje, há uma diretora que se faz presente na escola, cumpre seu horário e não entra com atestado médico para ficar em casa. Tenho fé que será assim até o final desta administração.

Na foto, um curso para mães de alunos. Depois, colocarei mais fotos e escreverei mais sobre essa iniciativa da atual gestão.

terça-feira, abril 15, 2008

Letralamento

Hoje, em uma aula sobre letramento, a professora afirmou que o aluno deve ter acesso a vários textos. Generalidades. Para quem se dedica à sala de aula, sabe que o aluno não pode ter acesso a vários textos. A questão essencial não é essa.

A professora disse, disse, disse, disse. Disse coisas que ouço há 20 anos, época de faculdade. A moda chegou ao Acre agora. É preciso ter muita paciência nessa hora.

Equanto isso, ocorre isto. Um professora de uma escola estadual pede aos alunos uma dissertação. Um copia a letra dos Irracionais, e a professora considera a melhor redação. "Nessa escola, não se aprende redação, porque o professor não dá", reclama a aluna.

Como o aluno não quis ser identificado (foto), o fato é que, mais uma vez, alunos do ensino médio reclamam de professores que não lecionam Redação.

segunda-feira, abril 14, 2008

sábado, abril 12, 2008

O PT que não desejamos

De Aldo Nascimento

Quando saí da Linha Amarela para entrar em Jacarepaguá, o carro parou sob o sinal vermelho. Foi quando uma criança ofereceu suas mercadorias à maioria dos brancos que dirige automóveis. No Rio de Janeiro, menores, muitos, tantos, vendem doces, balas, água, refrigerantes na Barra da Tijuca, em Ipanema, no Leblon – bairros dos ricos e dos brancos.

Quando o menor deixou três pacotes plásticos de bala no retrovisor, era uma tarde de 2 de fevereiro de 2008 e, no banco traseiro do carro, uma negra petista no jornal O Globo era manchete: Gastos com cartão derrubam ministra.

Nesse dia, dois negros em condições sociais bem opostas cruzaram meu destino: a então ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro; e o vendedor ambulante Marcelo da Silva Rodrigues, de 9 anos.

Condições sociais bem opostas. Ela usa o cartão corporativo. Ele, o cartão do Programa Bolsa-Família. Mesma cor, a negra, porém o contraste permanece. Marcelo mora em uma nova senzala, a favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá. Matilde chegou à casa-grande, o Palácio do Planalto. Marcelo consome droga com a grana de vendedor de rua. Com o dinheiro público, Matilde consumiu, no dia 21 de junho de 2007, R$ 322,74 na Miski Rotisserie, restaurante de comida árabe no Jardim Paulista, em São Paulo. O lugar foi freqüentado por ela sete vezes no ano passado.

Em 31 de outubro a 5 de novembro de 2007, Matilde usou o cartão do bolsa-família, perdão, cartão corporativo para pagar R$ 2,6 mil pela locação de um veículo Astra luxuoso, sendo que entre os dias 1 a 4, feriadão de Finados, ela não tinha agenda em São Paulo. Antes, em 10 de outubro, ela tinha gastado R$ 460 no free shop.

Em 2007, o gasto mensal de Matilde foi de R$ 14,2 mil, 14 vezes mais que a média. No mesmo ano, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, teve uma despesa de R$ 2,4 mil. Em período igual, Matilde gastou R$ 171,5 mil por meio do cartão corporativo.

Certas mulheres nunca deveriam sair de casa. Minha mãe, dona Dilma Tavares do Nascimento, sempre preparou o almoço e a janta da família. Aos 66 anos, ela ainda usa avental quando lava os pratos e os enxuga. Mamãe é honesta. Matilde se alimenta em restaurante de comida árabe com dinheiro público. Muito longe da senzala, Matilde quis ser branca, gastar dinheiro igual a brancos ricos que usaram dinheiro público em proveito próprio. Matilde não é negra - é burguesa.

Se Marcelo foi picado uma vez pelo mosquito da dengue no Rio de Janeiro, a negra Matilde foi picada pela mosca azul em Brasília. Na pele da ex-ministra, cai bem, muito bem, o livro A Mosca azul – reflexões sobre o poder, de Frei Beto.

O militante de esquerda é vulnerável a erros. Erra-se movido pela presunção, pela arrogância, pela ambição desmesurada. Erra-se pela falta de contato direto com os que são a razão de ser de sua causa: os pobres. (...). Um militante de esquerda pode perder tudo – a liberdade, o emprego, a vida. Menos a moral. Ao desmoralizar-se, enxovalha a causa que defende e encarna. Presta um inestimável serviço à direita (...).”

Cicleata

No dia 1 de maio, às 8 horas, na escola Heloísa Mourão Marques, haverá uma cicleata.

A finalidade é arrecadar alimento para os alunos mais necessitados. A direção escolar, por meio de um levantamento socioeconômico, saberá quem é mais carente. As sacolas serão entregues em domicílio.

sexta-feira, abril 11, 2008

Sabedoria popular

Foto de Selmo Melo.

Segundo Antônio Houaiss, a nova reforma ortográfica realizou-se por causa da fala popular e não por causa de leis da filologia.

O que admitimos como certo hoje pertence ao "erro da diacronia". O uso da preposição, por exemplo, é uma conseqüência desse erro. A preposição surge por causa do latim vulgar, usado pela plebe, pelos comerciantes, pelos soldados romanos.

Como afirmar que o "ocê" do mineiro pode ser um erro quando sabemos que a ortografia "você", dita como certa hoje, não passa do uso "errado" de Vossa Mercê?

A língua, saibamos, é formal, tradicional, mas também é desobediência, marginalidade.

quinta-feira, abril 10, 2008

Carro à gasolina ou a gasolina?

Um gramático afirma "a gasolina"; e outro, "à gasolina".

Para aquele, como não cabe artigo "o" antes de uma palavra masculina - por exemplo, carro ao álcool -, não cabe também artigo "a"; o "a", portanto, de "carro a gasolina" é só preposição "a".

Para este, "carro à gasolina" está correto, porque é carro movido "a", ou seja, preposição. Antes de gasolina, cabe artigo "a" - por exemplo, a gasolina acabou. Há, portanto, crase, isto é, a fusão entre preposição de movido "a" e o artigo de "a" gasolina acabou.

Amanhã, mais uma explicação sobre crase: à distância ou a distância?

Romerito Aquino, antes de carro a gás não há o cento grave, indicador do fenômeno da crase, porque gás é palavra masculina. Em sua matéria, eu retifiquei para a sua boa reputação.

quarta-feira, abril 09, 2008

Palpite de assessor de senador

Gente boa, alegre, seu único problema é dar palpite errado no trabalho dos outros, no caso, no meu. Nesta semana, depois que chegou de Brasília, passou pela Redação e resolveu rir de "internete" no jornal A TRIBUNA, sabendo que sou copidesque.

Romerito Aquino, veja primeiro seu "à gás", o seu "povos Kaxinawá" e Senado Federal. Sobre este último, não existe Senado Estadual e nem Senado Municipal. Coloque em suas matérias, por favor, somente Senado.

terça-feira, abril 08, 2008

Saúde pública

Foto de Selmo Melo


No centro de Rio Branco, a TRIBUNA fotografou carapanãs tomando banho. Se fosse em um país sério, haveria guarda-sol nesta piscina.

A Ida


Foto de Selmo Melo.

Sem noção.

A Volta


Foto de Selmo Melo.

Em Rio Branco, a natureza impõe sua ordem por meio de uma enchente.

Pai, perdoai, eles não sabem o que escrevem!

"Fico emocionado quando ousso esse tipo de comentários a respeito da competentíssima diretora do IAPEN Laura Okamura, como pode o Binho trazer alguem despreparado para o cargo? onde vidas estão sendo ceifadas, governador chegou ao limite, mude a direção desse sistema, ou o seu nome vai estar negativo perante a opinião pública."

O texto acima pertence a um acadêmico de Direito e mostraram-me essa maldição ou doença ortográfica no sítio wwwac24horas.com.br

Há outras perdições gramaticais, mas deixo esse "ousso" aos teus olhos. Ainda no sítio do AC 24 horas, "sub-promotor".

Quando há sub-, coloca-se o hifen antes da palavra que começar por "r" ou "b". O correto é subprocurador.

Não sei se a justiça é cega, mas esse acadêmico é. Exijo justiça ortográfica.

segunda-feira, abril 07, 2008

Bolsa-Ditadura


















Ziraldo, Menino Maluquinho, Saci, a turma toda
& Jaguar
serão indenizados por período militar

ALEXANDRE RODRIGUES & CLARISSA THOMÉ -
Agência Estado

RIO - Os jornalistas Ziraldo e Jaguar foram contemplados ontem com mais de R$ 1 milhão em indenizações pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pelos alegados prejuízos que sofreram com a perseguição política durante o regime militar. O julgamento dos processos foi realizado na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, juntamente com os de outros 18 jornalistas. "Aos que estão criticando, falando em bolsa-ditadura, estou me lixando. Esses críticos não tiveram a coragem de botar o dedo na ferida, enquanto eu não deixei de fazer minhas charges. Enquanto nós criticávamos o governo militar, eles tomavam cafezinho com Golbery", afirmou Ziraldo.

Entre os beneficiados também estava o jornalista Ricardo de Moraes Monteiro, chefe da assessoria de comunicação do Ministério da Fazenda, que receberá R$ 590 mil. Preso e torturado durante a ditadura, Monteiro alegou ter perdido o vínculo com a empresa onde atuava como jornalista por causa da perseguição política. "Sou de família comunista, meu pai foi preso em 1974. Meu irmão foi preso comigo em 1975 e depois se suicidou. Essa dor não vai ser reparada. Orgulho-me do que fiz. Quero homenagear os jornalistas que lutaram contra a ditadura", afirmou.

Já Ziraldo, escritor e chargista de sucesso, e o cartunista Jaguar, trabalhavam no Pasquim quando o semanário sofreu forte repressão por ser considerado ofensivo pela ditadura. Os dois receberão pensão mensal de cerca de R$ 4 mil. Jaguar e Ziraldo receberão ainda R$ 1.000.253,24. O montante, que será pago em parcelas, é retroativo a 1990, antes da criação da Comissão de Anistia, em 2001, porque os jornalistas já haviam feito o pedido, por meio da ABI, ao Ministério do Trabalho em 1990.
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Na fila de espera, há cerca de 30 mil pedidos do Programa Bolsa-Ditadura. Não escreverei sobre. Indico a leitura de Marcelo Tas.

Gramática de Blog

"Soube disso hoje, ao comparecer à sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre (Sinjac) (...)"

Não sei o porquê do blog do Altino Machado colocar essa vírgula solitária. Coloca-se hoje entre duas vírgulas ou sem elas. Pegou mal.

Agência Nacional do Acre

"Obras de 11 artistas plásticos serão expostas para apreciação de 8 às 20 horas com monitoramento dos professores. Os alunos chegam mais perto também da poesia de Mário Quintana, de sessões de cinema acreano e nacional, assistem ao espetáculo Manuela e o boto, ouvem histórias e músicas regionais. "Tudo isso num só pacote", explica a realizadora do projeto Maria Rita Costa da Silva."

Se questões elementares de gramática fossem bem menores em nossas redações, poderia haver um outro modelo de texto. Enquanto isso se irrealiza, vírgula, crase, caixa-alta, presença constante na Agência Nacional de Notícia.

1. De 8 às 20 horas - Não se coloca o acento grave que indica o fenômeno da crase. Coloca-se quando ocorre "das 8 às 20 horas". O correto é "de 8 a 20 horas".

2. Realizadora do projeto Maria - Nesse caso, coloca-se vírgula antes de Maria.

Responsável pela produção textual do governo estadual, Oly bem que poderia mudar esse quadro gramatical.

Aldeia FM

No Rio de Janeiro, sempre ouço a rádio JB. No Acre, sempre ouço Aldeia FM. Inteligente, ela transmite a pluralidade do bom gosto.

Como não há aqueles comerciais incômodos para manter R$, Aldeia FM sabe fazer uso de sua liberdade musical sem patrocinadores.

Os caras estão de parabéns!!!

sábado, abril 05, 2008

Forte São Luís, Niterói




Ainda Bem






Vanessa Da Mata
Composição: Liminha/Vanessa da Mata

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque se não
Como seria esta vida?

Sei lá, sei lá

Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto de amar, de amar
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar

As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

O uso do "não"

Quando usar não- antes de um palavra? Celso Pedro Luft indica um caminho em seu livro Grande Manual de Ortografia Globo.

Se escrevo ametal, é possível não-metal; se escrevo insaturado, é possível não-saturado; se escrevo assimétrico, é possível não-simétrico; se escrevo inexistência, é possível não-ser; se escrevo incoformista, é possível não-conformista.

Em seus exemplos, se é possível colocar um prefixo de negação (in-, des-, a-), coloca-se não- ou sem- antes.

Selecionar alunos

Deveria haver um prova para selecionar os alunos e, dessa forma, formar turmas conforme o grau de aprendizado de cada um.

Mas, se a escola não seleciona, isto é, se mistura alunos com rendimentos tão opostos, o Enem seleciona. Evita-se na escola o que a realidade impõe.

Leia a matéria.
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A lista do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem ) de 2007 traz apenas duas escolas públicas: os colégios de aplicação da UFV e da UFRJ. Ligadas a universidades federais, as duas instituições aplicam provas para selecionar os estudantes para as suas "ilhas de excelência".

No Coluni, o colégio de aplicação da UFV (Universidade Federal de Viçosa), de Minas Gerais, anualmente, uma média de 1.490 alunos que terminam o ensino fundamental disputa as 150 vagas oferecidas para cursar o ensino médio na instituição.

As melhores públicas do Enem

Rio de Janeiro - Aplicação da UFRJ - 79.63
Viçosa (MG) - Aplicação da UFV - 79,30
Recife - Aplicação da UFPE - 77,47
Curitiba - UTFPR - 76.71
Rio de Janeiro - Aplicação da Uerj - 76.25
São Paulo - Cefet-SP - 75,93
Rio de Janeiro - Cefet Celso Suckow - 75,78
Rio de Janeiro - Colégio Militar do RJ - 75.61
Curitiba - Colégio Militar de Curitiba - 75.60
São Paulo -Etesp - 75.56
Acre - Colégio de Aplicação - 59.21

Esse vestibular precoce, o "vestibulinho" - nos moldes dos exames de seleção aplicados por universidades, com questões discursivas, objetivas e redação -, é apontado pela instituição como um dos motivos do bom desempenho da instituição.

"Os alunos que entram querem aprender e por isso se saem bem", diz Catarina Greco Alves, orientadora educacional do Coluni.

Segundo Alves, 63,75% dos alunos da escola, gratuita, fizeram ensino fundamental em colégios particulares.

Sorte

Na escola de aplicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a seleção é feita com prova e sorteio, dependendo da série. Em 2007, 1.241 jovens inscreveram-se para a seleção das 30 vagas oferecidas pela escola de aplicação no ensino médio. A concorrência de 41,37 candidatos por vaga é maior do que a enfrentada pelos candidatos a uma vaga de medicina em 2008 na UFRJ (27,58).

Depois de fazerem teste de português e matemática, os alunos que acertam pelo menos a metade de cada um dos testes vão a sorteio decidir quem consegue uma das vagas no ensino médio.

No ensino fundamental, as crianças são selecionadas apenas por sorteio. A seleção aleatória, para Celina Costa, diretora geral do colégio, contribui para a diversidade socioeconômica dos alunos.

"Na escola particular, estuda a classe média; nas públicas, geralmente, as classes menos favorecidas; aqui, o garoto da favela estuda com o menino da Barra da Tijuca", disse Costa.Para a explicar o bom desempenho dos alunos no Enem, a diretora diz que "não tem fórmula mágica".

"Damos aula, com giz e lousa. Quando não temos retroprojetor, utilizamos cartolina, canetinha e fazemos cartazes", disse Costa."Temos um corpo docente estável e qualificado (a maioria é de mestres e doutores), que tem plano de carreira e incentivos para permanecer na instituição", disse.