sábado, junho 14, 2008

E a Transparência, deputados?

A chularia entre os deputados estaduais Luiz Calixto (PDT) e Moisés Muniz (PC do B) incomoda-me como contribuinte. Acessando o sítio da Assembléia Legislativa do Acre (Aleac), não encontro um debate profundo e inteligente sobre educação, mas, quando o acesso é blog, as banalidades desses deputados empobrecem a democracia.

Se formos ao sítio Transparência, observaremos que a Aleac deixa a desejar quanto à sua transparência. Os deputados deveriam apresentar um projeto de lei que iluminasse os gastos do Poder Legislativo, seguindo o exemplo do Rio Grande do Sul.

Sobre verba de gabinete, a Aleac não expõe suas contas. É uma das assembléias que mais gastam no Brasil. O assunto não é novo, mas, como existe a liberdade ética de alguns blogs neste Estado, o silêncio não pode haver.

É preciso dizer que Aleac gasta muito e não é transparente com suas contas, é o que aponta o sítio Transparência.

Moisés e Calixto, por favor, sejam transparentes com ótimas idéias para a democracia. Seus ataques por meio de blogs viraram um circo sem graça, e os senhores não são pagos para isso.

De bem com a vida

Foto de Selmo Melo







Sem dinheiro no bolso e sem dentes na boca, o povo ainda sabe sorrir.

+ Olinda + Batista + Olinda + Batista + Reitora

Eu soube anteontem que a professora-doutora Olinda Batista, vice-reitora da Universidade Federal do Acre, é candidata à reitora. O que posso ofertar a essa dama?

Às terças, publico minhas palavras. Pois bem, antes da eleição, ofertarei minhas palavras a essa dama, ser humano por quem tenho profundo respeito e admiração.

Não será muito para a sua campanha, mas será muito sincero.

sexta-feira, junho 13, 2008

Ferreira, o Gullar

Mas a vida onde está
nos perguntamos

Nas tavernas?
nas eternas
tarde tardas?

nas favelas
onde a história fede a merda?
no cinema?

na fêmea caverna de sonhos
e de urina?
ou na ingrata
faina do poema?
(a vida
que se esvai
no estatuário da Prata)

Quase passa

"Para se ter uma idéia da tensão, basta dizer que em um município insipiente como Porto Acre, a FPA tem quatro candidatos a prefeito. Em Epitaciolândia, são mais quatro, em Tarauacá três, incluindo o atual prefeito, o enroladíssimo Vando Torquato que ainda tenta a todo custo ser o candidato da coligação, como se isso fosse possível, diante de sua ficha criminal."

1. Se tivesse sido publicada, a palavra chamou Porto Acre de burro. Por favor, incipiente, novo.

quinta-feira, junho 12, 2008

Açeçôr di Inpremçá

"A Secretaria da Fazenda já elaborou um suplemento financeiro afim de que os defensores sejam beneficiados no pagamento de junho", pontuou Edvaldo Magalhães (PC do B)."

1. Estou afim de você. Se não é o caso. escreve-se "a fim de".

"Como se tratam de matérias mais complexas e que mexem com a Constituição Estadual será preciso mais tempo para elaborá-las", explica o presidente."

2. Tratam de matérias.

E ainda rimos dos erros dos pobres, das placas de ruas. Açeçoris não são pobres, bem que poderiam comprar boas gramáticas. Os pobres não podem comprar Celso Cunha, Evanildo Bechara, Celso Pedro Luft.

Leitura obrigatória...

menos para jornalista que "suga" matéria na internete e ainda assina. Não li o livro todo, mas deu para perceber que se trata de um ótimo material. Para quem deseja melhorar sua escrita para além da internete, esse livro é leitura obrigatória... menos para jornalista que "suga" matéria na internete e ainda assina.

quarta-feira, junho 11, 2008

12, 15, 16 e 17 anos

Uma menina de 12 anos estrangulada. O corpo, jogado no igarapé São Francisco, bairro Conquista. Nesse caso policial, há quatro menores. Além de Cassandra, de 12 anos, um garoto de 15 anos, um garoto de 17 anos e uma garota de 16 anos.

Cassandra namorava o rapaz de sua amiga. Esta pede à Cassandra para deixar o namorado dela. Cassandra não deixa. A amiga conversa com um garoto de 15 anos e com um garoto de 17 anos para eles matarem Cassandra. Um dos garotos é o próprio namorado. Cassandra é assassinada.

Eles usavam camisinha? Segundo alguns, deveriam. Transe, mas, antes, use camisinha para você se proteger da aids. Aids mata. Se usaram, mesmo assim, Cassandra morreria, porque a camisinha não protege contra a falta de amor.

Para jovens que tiveram coragem de matar, acredito que tivessem o desejo de transar sem limite. Deveria haver muito sexo entre eles, ou seja, muito excesso. Desmedida. Sem limites, acreditaram poder tudo.

Camisinha para se prevenir? Mas o que os preveniu contra a idéia errada de sexo?

O Enem e as 40 escolas

Redação e prova objetiva

1º Lato Sensu
68.07 (particular de Rio Branco)

2º Meta
64.08 (particular de Rio Branco)

3º Plácido de Castro
63.96 (particular de Rio Branco)

4º Santa Terezinha
63.26 (particular de Cruzeiro do Sul)

5º Instituto Imaculada Conceição
61.26 (particular de Rio Branco)

6º José Rodrigues Leite
53.74 (estadual de Rio Branco)

7º 15 de Junho
53.46 (estadual de Senador Guimard)

8º Argentina Pereira Feitas
52.03 (estadual de Capixaba)

9º Leôncio de Carvalho
50.85 (estadual de Rio Branco)

10º Joana Ribeiro Amed
50.32 (estadual de Epitaciolândia)

11º Divina Providência
50.26 (estadual de Xapuri)

12º Fundação Bradesco
50.24 (particular de Rio Branco)

13º Dom Henrique Ruth
49.79 (estadual de Cruzeiro do Sul)

14º Dom Júlio Mattioli
49.48 (estadual de Tarauacá)

15º Heloísa Mourão Marques
48.97 (estadual de Rio Branco)

16º João Ricardo de Freitas
48.53 (estadual de Plácido de Castro)

17º Armando Nogueira
48.33 (estadual de Rio Branco)

18º CERB
48.13 (estadual de Rio Branco)

19º Glória Perez
48.02 (estadual de Rio Branco)

20º José Gurgel Rabelo
48.01 (estadual de Feijó)

21º Henrique Lima
47.67 (estadual de Rio Branco)

22º Lourival Pinho
46.97 (estadual de Rio Branco)

23º Lourenço Filho
46.58 (estadual de Rio Branco)

24º Alcimar Leitão
46.53 (estadual de Rio Branco)

25º José Ribamar Batista
46.50 (estadual de Rio Branco)

26º Kairala José Kairala
46.43 (estadual de Brasiléia)

27º João Batista Aguiar
45.98 (estadual de Rio Branco)

28º Craveiro Costa
45.97 (estadual de Cruzeiro do Sul)

29º Flodoardo Cabral
45.67 (estadual de Cruzeiro do Sul)

30º Marcílio Pontes dos Santos
45.38 (estadual de Acrelândia)

31º Djalma da Cunha Batista
44.80 (estadual de Tarauacá)

32º Íris Célia Cabanelas Zannine
44.65 (estadual de Assis Brasil)

33º Humberto Soares da Costa
44.54 (estadual de Rio Branco)

34º Luiz Carneiro Dantas
44.37 (estadual de Rio Branco)

35º Antônio Oliveira Dantas
44.22 (estadual de Mâncio Lima)

36º Nazira Anute de Lima
43.98 (estadual de Manoel Urbano)

37º São João Batista
43.28 (estadual de Bujari)

37º Berto Vieira de Andrade
43.18 (estadual de Rio Branco)

38º Francisco Braga de Souza
42.91 (estadual de Rodrigues Alves)

39º Borges de Aquino
42.34 (estadual de Porto Walter)

40º Elvira Ferreira Gomes
41.54 (estadual de Marechal Thaumaturgo)

terça-feira, junho 10, 2008

O livro didático



Há quase 20 anos lecionando Literatura, não conheço outro livro ótimo como este. Com textos profundos, ele sinaliza para o aluno do ensino médio o que estudará na faculdade de ciências humanas.

Não há outro livro que chegue a seus pés, digo, a seus rodapés.

Na rede pública estadual, entretanto, suas páginas não são folheadas. Nunca o vi como indicação do governo federal. Literatura com os atuais livros didáticos é desqualificar o ensino.

segunda-feira, junho 09, 2008

Pecados ortográficos



No bairro Aeroporto Velho, Rio Branco, um estabelecimento comercial profana contra a língua portuguesa.

Perdoai, Pai! eles não sabem o que escrevem!

O Futuro dos Jornais

MARCANDO A ASCENSÃO DA BURGUESIA, IMPRENSA TEVE PAPEL DECISIVO AO ELEVAR AS MASSAS A PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA; HOJE, CRESCIMENTO DO SETOR NOS MERCADOS EMERGENTES, EM CONTRASTE COM OS EUA, AJUDA A REDEFINIR A DISCUSSÃO DE IDÉIAS EM PAÍSES COMO O BRASIL
_______________________
ELEONORA DE LUCENA
Editora-executiva da Folha

A invenção de Gutenberg foi fruto da ascensão da burguesia, que começava a disputar a liderança do processo histórico com a aristocracia. Em sua trajetória, a imprensa pavimentou a incorporação das massas ao papel de protagonista, sempre em compasso com as disputas pelo poder.

Se na Inglaterra e na França a liberdade de expressão foi por muito tempo contida pelas forças do antigo regime, nos Estados Unidos a independência colocou a livre manifestação como dado constitutivo do país e possibilitou a criação de periódicos sem as amarras reais.

No Brasil, a Impressão Régia -que aportou no Rio de Janeiro com a fuga da corte portuguesa de Napoleão - estabeleceu em seus primeiros atos "fiscalizar que nada se imprimisse contra a religião, o governo e os bons costumes". Não foi à toa, portanto, que o primeiro jornal brasileiro -o "Correio Braziliense"- nasceu em Londres. Foi há 200 anos, comemorados na semana passada.

De lá para cá, o jornalismo nacional marcou sua presença na história, destacando-se nos momentos de polarização, como nas campanhas pela abolição da escravatura, pela república, pela democracia, pelas eleições diretas.Enfrentou períodos sombrios de censura e sufocamento econômico. Como no resto do mundo, acompanhou a chegada das novas mídias que disputam o tempo e o bolso do cidadão.

Nos últimos anos, a discussão sobre o futuro dos jornais passou a freqüentar o debate sobre comunicações. A internet - e suas infinitas possibilidades de informação e interação- é colocada como rival dos meios impressos, tachados de lerdos e opacos. Preocupados com a adesão avassaladora dos jovens à rede de computadores, os jornais buscam a renovação e discutem sua função nesse momento e seu espaço como negócio.

Tradicionais empresas jornalísticas já há muitos anos investem na internet e aproximam suas plataformas de informação. Embora sejam âncoras importantes na rede e ganhem audiências em crescimento exponencial, não encontram contrapartidas em suas receitas que possam justificar uma eventual transição do papel para a tela.

Ao mesmo tempo, a venda de jornais continua a crescer no mundo (2,6% em 2007), muito impulsionada por países como China e Índia -e Brasil, que teve alta de 11,8%.

Bússola para o leitor

Por aqui, onde a televisão ainda reina quase absoluta como em nenhum outro lugar do globo, a fatia dos jornais no bolo publicitário engordou. Foi de 19,4%, em março último. A internet ficou com apenas 3,2%. Só no primeiro trimestre deste ano, a publicidade em jornais brasileiros aumentou 24%.

Esse vigor mostra o interesse e a confiança de leitores e anunciantes nos diários impressos e coloca em xeque previsões pessimistas. Os jornais condensam uma credibilidade difícil de ser replicada em outros meios e funcionam como uma bússola para o leitor imerso no caos informativo atual. Apresentam um resumo organizado das notícias mais importantes das últimas 24 horas, selecionando e hierarquizando fatos, análises e opiniões. Já foi dito que editores atuam como curadores de notícias para seus leitores.

Os jornais também são os principais responsáveis pelos chamados furos de informação, fatos inéditos e relevantes que são trazidos à luz contra interesses e em benefício da democracia. Trazem um mosaico de opiniões único e se tornam referência na discussão de idéias do país. Finalmente, são elogiados também por serem práticos, portáteis.

Nem por isso deixam de enfrentar questionamentos variados. Nos Estados Unidos, sempre referência nesse e em outros debates, os jornais registram vendas estáveis ou declinantes e sofrem golpes -muitos advindos da internet- que atingem sua imagem de credibilidade e independência. O oficialismo e o adesismo na cobertura da Guerra no Iraque, por exemplo, deixaram cicatrizes incômodas.

Além disso, a pulverização do capital das empresas jornalísticas norte-americanas, a partir dos anos 60, introduziu novas lógicas para avaliação dos resultados dos produtos perante seus acionistas. Hoje, eles passam por mudanças sensíveis em seus controles -e em suas linhas editoriais. Movimento que coincide com um dos momentos mais ricos da história política recente nos EUA.

Há uma disputa de mercado e de poder. Os jornais estão nesse emaranhado tratando de achar o seu rumo. É disso que trata o texto que a Folha publica a seguir. O autor garimpa nos 300 anos de história da imprensa nos Estados Unidos explicações para os desafios de hoje.

Lá e aqui não existem respostas definitivas sobre os caminhos para os jornais. Como podem ampliar seu universo de leitores -especialmente em países, como o Brasil, onde o analfabetismo ainda é uma vergonhosa realidade? Como conseguir atrair as novas gerações bombardeadas pela multimídia? Como trabalhar com a internet? Como, enfim, melhorar a qualidade do produto despachado diariamente até a porta do consumidor antes do seu café da manhã?

No texto que segue, publicado originalmente na revista norte-americana "The New Yorker", o autor lembra que bons jornais devem ser como um país conversando consigo mesmo. Numa sociedade extremamente desigual e cada vez mais preocupada com o bem-estar em escala privada, os jornais colocam foco sobre o interesse público. Têm a tarefa de fazer uma reflexão cotidiana sobre a realidade. É o seu papel e o seu futuro.

A Senhora Gramática (1)

Quando a noite chega com seu frio, um bom livro me acolhe para eu apreciar a fachada da catedral de Notre-Dame com as estátuas de Botticelli. Uma delas representa uma senhora de idade que viveu na Ática e usa trajes romanos; num cofrinho de marfim, ela guarda uma faca e uma lima para corrigir os erros das crianças. Seu nome, Grammatica

Como sabemos, as crianças vivem do excesso, e a senhora Grammatica, com a faca e a lima, precisa podar os exageros infantis por meio da razão instrumental. Para essa austera senhora, faca e lima fatiam a linguagem em partes para, em um segundo momento, classificá-la

Em Crátilo, Platão é quem, primeiro, faqueia a língua no Ocidente. Mais tarde, Aristóteles aprimora o trabalho do mestre. Durantes séculos, alunos aprenderam a instrumentalizar a língua segundo classificações e análises por causa desses dois filósofos

No caso de Aristóteles, o que ele determinou para a biologia, para a medicina, o pensador transplantou para a língua, concebendo-a como um corpo a ser autopsiado pela faca das classificações e pela lima das análises. No livro A vertente grega da gramática tradicional, de Maria Helena de Moura Neves, evidencia-se essa intervenção cirúrgica

Isso, entretanto, não representa a morte de um corpo. Embora tenha sido retalhado (adjetivos, substantivos, verbos, advérbios), os professores de Língua Portuguesa sabiam o que fazer com essa “matéria” em sala de aula. No primeiro ano do ensino médio, por exemplo, o currículo formal apresentava com clareza os conteúdos, o mesmo ocorrendo em anos posteriores. O sistema funcionava, porque, para cada ano letivo, o conteúdo desse corpo estava bem exposto. Havia organização. O organismo funcionava. “Hoje, estudaremos fonologia e, depois, morfologia.” Partia-se do menor (fonemas) para o maior (sintaxe

Hoje, com a presença do texto, de onde partir? Sem unidade, visto que o corpo se fragmentou, isto é, as partes não se combinam, o professor de Língua Portuguesa leciona um conteúdo no primeiro ano do ensino médio; entretanto, à tarde, seu colega, no mesmo ano do ensino médio, leciona outro conteúdo. O aluno Evandro, da tarde, se transferiu para manhã, surpresa, o conteúdo é outro. As partes não se completam. Desorganizado, o organismo não funciona. Perdeu o que havia de bom na senhora Grammatica: sistematização.

sábado, junho 07, 2008

Poder público 5


Foto de Evandro Derze






Conquista, bairro. Urbanizar bairros periféricos. Humanizar o dinheiro público.

Poder público 4



Foto de Evandro Derze






A vida torna-se melhor quando a cidade é melhor para todos e não apenas para bairros de médicos, engenheiros, políticos, juízes, advogados. Outro bairro periférico que a Prefeitura de Rio Branco urbanizará.

Poder público 3


Foto de Evandro Derze






O dinheiro público passará por aqui.

Poder público 2

Foto de Evandro Derze








Ainda no bairro Conquista, a Prefeitura de Rio Branco urbaniza um local periférico. A Frente Popular precisa permanecer no poder municipal durante um bom tempo para sanear bairros que permaneceram à margem do dinheiro público por muito tempo.

Poder publico 1

Foto de Evandro Derze.








A realidade política de Rio Branco depende de onde a vemos. Eu a vejo através de uma manilha de esgoto. No bairro Conquista, onde muitos só chegam em época de campanha, a Prefeitura de Rio Branco configura uma nova realidade.

Amplie a foto e repare bem esse canto deixado por políticos no passado.

sexta-feira, junho 06, 2008

Gênero Masculino

Matou ex-sogro e degolou criança de 4 anos
De Antônio Carlos

Ontem de manhã, policiais civis da capital se deslocaram para a cidade de Xapuri para prender Jorge Santos da Cunha, o Jorge do Cid, autor de um duplo.

Na manhã de quinta-feira, dia 5, na Colocação Vai-quem-Quer, Seringal Boa Vista, depois de tentar reatar o romance com sua companheira Lenira Marques da Silva (20), de quem estava separado há dias, Jorge acabou matando o ex-sogro Francisco Pereira da Silva (51) e o enteado Ânderson da Silva Gonzaga, de 4 anos apenas.

Francisco foi assassinado com um tiro de espingarda nas costas, e o garoto foi degolado a golpes de terçado. O assassino ainda chegou a decepar a mão esquerda de Ânderson e exibi-la como troféu. A Lenira e uma menina de 11 anos escaparam da morte. “Ele estava possuído pelo demônio”, disse a mulher.

Jorge do Cid e Lenira Marques da Silva viviam maritalmente e, pelo fato do trabalhador ser excessivamente violento quando se embriagava, a garota se separou dele há pouco mais de uma semana.

Por volta das 8 horas de quinta-feira, dia 5, Jorge foi à casa de ex-mulher, na Colocação Vai-quem-Quer. Depois de conversar com Lenira, pediu que ela voltasse a morar com ele. Prometeu inclusive que mudaria de comportamento e ajudaria a criar o enteado Ânderson.

Como a jovem não aceitou a proposta, Jorge disse que a mataria. Lenira correu, gritando por ajuda. O criminoso deu um tiro para a mulher parar, mas não adiantou. Francisco Pereira da Silva ouviu os gritos da filha e correu para ajudá-la.

Ao perceber a presença do ex-sogro, Jorge colocou um novo cartucho na espingarda e, depois de discutir com ele, esperou que ficasse de costas para atirar, morrendo no local.

Depois, pegou a criança de 4 anos pelo braço e gritou para a ex-mulher que, caso não voltasse, mataria o garoto. Como não retornou, Jorge sentenciou: cortou seu pescoço.

“Eu corri para o mato com uma menina de 11 anos vários quilômetros até chegar a uma residência para implorar ajuda”, lembra. “Depois que degolou o meu filho, ele decepou a mãozinha dele e exibia como se fosse um troféu

Até a manhã de ontem, o assassino estava na floresta. Policiais civis da capital se deslocaram para a região para ajudar a prendê-lo.

quinta-feira, junho 05, 2008

O sindicalismo trocou de delegacia

ELIO GASPARI

O "poder das centrais", como a Caveira de Cristal do Museu Britânico,
é uma fraude a serviço de uma lenda

ERA UMA VEZ um pelegaço chamado Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997). Ele presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo durante 22 anos, até 1987. Comprava e vendia greves, mas em janeiro de 1976 foi o único presidente de sindicato de metalúrgicos a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército.

O sindicalismo do ABC, surgido nos anos 70, considerava-o ícone da corrupção sindical do entardecer da ditadura. Joaquinzão morreu pobre, numa modesta casa de repouso. Todos os seus sucessores, bem como os seus principais adversários, tornaram-se pessoas patrimonialmente prósperas e politicamente poderosas. (Quem quiser pode conferir: ele deixou um carro, uma pequena casa num bairro popular e um sítio.) Lula, seu jovem rival no século passado, preside hoje um contubérnio de sindicalistas com fundos estatais, corredores do Planalto e saletas do Ministério do Trabalho.

Joaquinzão vem ao caso porque ele pode ser considerado o avô do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, aliado parlamentar do Planalto. Joaquinzão entregou o Sindicato dos Metalúrgicos a Luiz Antônio de Medeiros e em dez anos seu sucessor produziu o "sindicalismo de resultados".

Dele resultaram a Força Sindical, 11 condecorações civis e militares, dois mandatos de deputado federal e, atualmente, a Secretaria de Relações do Trabalho, na pasta do doutor Carlos Lupi. Assim como em 1986 houve um dia em que Medeiros e Joaquinzão tiveram uma conversa, é provável que em 1990 tenha havido outra, ao fim da qual Medeiros entregou o domínio a Paulo Pereira da Silva, que ficou com o sindicato e a Força Sindical.

Poucos devem ter sido os casos de países onde o movimento sindical passou da delegacia de ordem política à de defraudações no espaço de uma só geração. A julgar pela definição que Lula colou em Lech Walesa ("pelegão"), pode ser que tenha ocorrido algo parecido, em ponto menor, na Polônia. Paulinho da Força capturou a presidência do conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador, fez parcerias milionárias no BNDES, noves fora preciosas alianças eleitorais. Houve um tempo em que o PT colocou no mesmo Codefat um jovem promissor, chamava-se Delúbio Soares.

Fala-se muito no "poder das centrais sindicais". Tudo indica que, como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, essa força é uma fraude a serviço de uma lenda. Até hoje, as centrais só conseguiram parar repartições públicas. O "poder das centrais", graças a Lula, será exercido na tunga dos salários dos trabalhadores e dos fundos dos contribuintes. Isso é que se pode chamar de sindicalismo de resultados. Avançam na patuléia e deixam os patrões em paz. Mordem a folha de salários dos trabalhadores, atravessam a rua e param os serviços médicos onde as mulheres dos operários buscam consultas para seus filhos.

Desde que a contabilidade de Paulo Pereira da Silva começou a ser estudada pela Polícia Federal percebe-se que há algo de novo na praça. Durante o collorato, a Força Sindical beliscava o patronato paulista.Paulinho estatizou os beliscões. Podem acusá-lo de tudo, menos de ter incomodado patrão.