quarta-feira, dezembro 24, 2008

Meu Natal













Com quem passarei meu Natal? Minha amada filha, meu único sangue neste chão, passará com a mãe. Longe de meus pais, de meu irmão, de meus primos, de meus tios e de meus bons amigos, eu passarei meu Natal com ela, minha única família neste Acre. Não é sangue do meu sangue, mas é alma de minha alma: Mony.

Falta pouco para a grande ceia, só que a nossa não se prepara na cozinha. Nós preparamos a carne no banheiro. Compramos ervas e perfumes para que a carne exale aromas antes da fome ser saciada.

Com a paciência santa dos que cuidam do que é mortal, nós a limpamos com água e sabonete, e com a alegria serena nas faces por sabermos que a carne não é eterna. Zelar pelo que morre, pelo que jamais retornará aos dedos, às mãos. Ao toque.

Agora, agora sim, espalharei sobre a carne ervas e perfumes, porque hoje é Natal, porque a vida renasce no amor que tenho por ti, Mony.

Falta pouco para meia-noite. Por favor, meu amor, ponha a tua carne sobre a cama para eu colocar a minha sobre a tua, e, uma vez bem postas, temperaremos nossas partes com o suor profano dos mortais que estão de bem com a vida.

Feliz Natal!!!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Até fevereiro


Saborosa Saquarema.

Paz





Entre Maricá e Saquarema, 45 minutos ao volante. Depois de Saquarema, Araruama e, depois, Arraial do Cabo e Cabo Frio. À beira mar, em um quiosque, um prato caseiro barato e muito bom. Um bife acebolado, um feijão carioca, muita sardinha e, diante dos olhos, o aroma do mar.
Finalmente, ele: o descanso.

Fui










Ponta de Maricá ou Ponta Negra, lado esquerdo. Do lado direito, Jaconé, caminho à beira mar até chegar a Saquarema.

Férias










Para os lados de Niterói, no Rio de Janeiro, Maricá é um município charmoso e tranqüilo. Montanhas e mar dão uma beleza única a essa Região dos Lagos. Vou descansar, rever meus pais, meu irmão.

Retorno só em fevereiro ou mais depois. Que tal uma licença-prêmio?

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A Primeira Vez (5)













Ao microfone, o professor Tadeu. Após a fala da gestora Osmarina, nosso colega agradeceu a Deus.

Ótimo encontro. Primeira formatura. Quero outras.

A Primeira Vez (4)













Abaixo, canto direito, minhas três alunas: Jaqueline (D), Fernanda e Tatiane (E). Que a vida as recompense com a inquietação de transformar sempre realidade de teus semelhantes.

Meninas aplicadas. Espero que alguma palavra minha tenha atingido vocês.

A Primeira Vez (3)












O jantar da formatura, além de ótimo, localizou-se na escola, ficou muito bom. O próximo deve ser no mesmo local. Tudo muito bem organizado.

Fiquei à mesa com colegas de profissão. Ótimo momento.

A Primeira Vez (2)













A gestora Osmarina sabe que transformar velhos e viciados hábitos é muito difícil. Essa formatura, a primeira da escola, é o início de outras.

Uma festa assim é uma forma de reconhecer um no outro, o trabalho de equipe, a importância da escola na vida das pessoas.

A Primeira Vez (1)













Foi a primeira vez que a escola Heloísa Mourão promoveu uma formatura. Alguns são responsáveis por isso, por exemplo, a gestora Osmarina e o professor Fernandes. Gostei muito desse momento, fato que eu desejava há anos. Foi muito bom. Foi ótimo.

É verdade que poucos professores foram. Uns viajaram e outros não apareceram por causa do descaso, da indiferença, do desinteresse. Muito alunos pagaram o evento, mas, sem explicação, faltaram.

A foto registrou o momento em que o Hino Nacional é cantado.

Professora Osmarina, parabéns!

Não sei de nada












Já pensou se foto de transeunte fosse enviada ao Detran para justificar uma multa?

Alimentassão













Em Rio Branco, no bairro Sobral, encontramos lugares que servem palavras. Comer na "penção" com um bom "mollho" deixa a LÍNGUA passar muito mal.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Eles e o revisor

Internete, megassena, caxinauá e o revisorzinho

No sábado, dia 13 de dezembro, dei uma carona à charmosa e simpática Alessandra Machado, editora-chefe do jornal A TRIBUNA. Se era a noite de Chalub Leite no teatro Plácido de Castro, o prêmio maior destinou-se mais uma vez a elas, às palavras.

O jornalista premiado, portanto, é aquele que escreve as melhores palavras. E elas, para serem melhores, divorciaram-se dos erros de português. Ora, decretada a dissolução entre o repórter e os erros, Chalub Leite premia o jornalista, mas não o co-autor do texto jornalístico, ele: o revisor.

Limpar texto de jornalista, retirar desse chão textual sujeiras que emporcalham a língua portuguesa. Algumas ainda ficam. Todo dia, o repórter deixa cair em sua sintaxe lixos de regências verbal e nominal, entulhos incorretos de vírgulas.

O revisor, sabemos, é o gari da redação. Talvez por isso que ele seja o menos importante no jornal, porque, assim como todo mundo pode limpar uma casa ou varrer uma rua, também toda pessoa alfabetizada pode limpar melhor a palavra do que um gari de redação.

Um secretário de Segurança ri de um revisor quando este escreve “caxianauá”. Os diagramadores debocham de um revisor quando este corrige o texto do repórter para escrever “megassena”. O repórter-fotográfico ridiculariza o revisor quando registra “internete”. O que pode um gari argumentar diante desses estudiosos da língua portuguesa?

Lixeiro, como sabemos, recebe pouco por mês, menos que um diagramador, bem menos que um repórter-fotográfico, não tendo condições, portanto, de comprar livros de Evanildo Bechara, de Celso Pedro Luft, de Celso Cunha, de Pasquale Cipro Neto, de José Carlos de Azevedo, de Adriano da Gama Kury, de Sérgio Nogueira Duarte da Silva, de José Nicola, de Antônio Houaiss, de Eduardo Martins.

Assim, sem dinheiro para comprar bons livros sobre a língua-pátria, o gari de redação deveria escrever “mega-sena”, porque, nos letreiros de casas lotéricas, escreve-se assim, ou seja, escreve-se como a rua registra a palavra, ou melhor, joga-se com a palavra assim como apostadores jogam com os números. “Todo mundo escreve ‘mega-sena’, menos A TRIBUNA”, falam-me.

Isso faz lembrar aquele personagem popular de Ariano Suassuna quando perguntam a ele a razão de ser assim: “Não sei, só sei que foi assim”, responde Chicó, do livro Auto da Compadecida. Por que se escreve “mega-sena” e não “megassena”? “Por que se escreve “internet” e não “internete”? Por que se escreve “aldeias Kaxinawá” e não “aldeias caxinauás”? E aí eles responderão: “Não sei, só sei que escrevem assim.” E como a rua escreve assim e como muitos escrevem assim, pronto, o gari não sabe limpar o chão. O revisorzinho está errado. Afinal, ele é um só, ele é só um, e as casas lotéricas são muitas com suas “mega-senas”.

Mas quem disse a vocês que eu jogo com as palavras?

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Chuva no Primeiro Mundo


Foto
de Selmo Melo

Não sou contra a terceira e a quarta pontes ou contra a bela passarela, mas deixar o pronto-socorro assim é sacanagem, só porque os carros não passam por ele. Aqui, não se senta a classe média ou política. Aqui, sentam-se faxineiras, domésticas, classe social que coloca os filhos em escola pública.

Ontem, resolvi meter uma bala na cabeça, coisa de suicida. Mas, por pura incompetência, acertei o meu pé esquerdo. Resultado, o Samu me deixou no pronto-socorro. Chovia muito lá dentro. "O senhor não trouxe o guarda-chuva?", perguntou-me a atendente. "Não sabia que tinha que trazer." Não fui atendido.

Na próxima vez que eu cometer um suicídio fracassado, irei para um pronto-socorro da Suíça. Lá, não neva, no hospital.

Sinjac

"Ontem, o jornalista-escritor Zuenir Ventura abriu no Teatro Plácido de Castro a Semana Chico Mendes de 2008 e a Semana de Comunicação do Sinjac, com um bate-papo sobre o livro Crime e Castigo, que reúne reportagens sobre o líder seringueiro desde seu assassinato, em 1988. A semana acontece há 20 anos, e toda a programação é aberta ao público."

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Acre, Marcos Vicentti, age muito bem quando proporciona uma mesa-redonda sobre conteúdos interessantes. Pena que Sinteac e Sinplac não promovam encontros assim sobre educação de forma contínua e cíclica.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Blog Aberto a Lígia

Prezada Lígia Aplle, coordenadora de programa da Rádio Difusora, em qual livro você achou a verdade da LÍNGUA? Minha cara, não existe maneira correta ou maneira errada de falar.

O professor Houaiss afirma que as mudanças ortográficas da língua portuguesa ocorreram segundo a fala popular e não conforme a etimologia. A preposição, por exemplo, surgiu por causa do latim vulgar, do latim da plebe. Hoje, quando usamos o verbo em várias posições na frase-oracional, isso se deve ao latim do vulgo, dos incultos. No latim clássico, admitia-se o verbo somente no final da frase-oracional.

Falar à margem da gramatical tradicional revela uma LÍNGUA que, por causa da fala, subverte a ordem, o poder que controla. A LÍNGUA é marginal. A beleza de um "ocê" mineiro equivale-se a um "Toin" de um seringueiro. Já pensou o que seria da obra de Suassuna se ele não registrasse a fala popular?

Minha cara, seu erro é lamentável. Pior ainda é saber que isso surge no governo do PT. Aprecio muito certos petistas da Frente Popular, mas existem alguns que, com suas arrogâncias, não passam de indivíduos despreparados com seus vícios de controle. A esquerda brasileira sempre teve problemas com a individualidade, com a cultura.

Deveriam, isso sim, evitar a vazante de erros da assessoria de imprensa do governo. Pessoas alfabetizadas e bem pagas que propagam uma escrita inconciliável com normas elementares. O governo, por meio de seus assessores, presta um desserviço à língua portuguesa.

O governo tem o dever cívico de escrever conforme a LÍNGUA padrão ou conforme um ótimo manual jornalístico de redação. Aníbal, Oly, Jorge Henrique, Antônio Alves e outros, até hoje, permitem que textos do governo deixem a língua portuguesa humilhada pela ignorância.

Vão corrigir seus assessores e deixem a fala (desobediente) do seringal em paz.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Poder e o Seringal

Há um bom tempo, comentam comigo sobre o que ocorre na Rádio Difusora, uma extensão sonora do Poder Executivo. Pois bem, há uns seis meses, Lígia Aplle recebeu a função de coordenadora de programa da rádio estatal.

Não sei se Lígia cultua os textos parnasianos, mas ela defende a pureza da LÍNGUA. Na Rádio Difusora, ela tem eliminado as impurezas lingüísticas dos seringueiros ou a oralidade dos matutos. Aqui, matuto significa aquele que o poder não controla, não consegue modelar.

Na redação da rádio, ela, como coordenadora, não admite que o seringal mande mensagem com a palavra "Toin". O correto, segundo ela, é Toinho. Lígia também rejeita mensagens com duplo sentido, próprio da cultura popular.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Poesia de Alexandre O'Neill















Sei os teus seios
Sei-os de cor

Capitu, de Machado de Assis

Hoje, a inteligência sensível de Luiz Fernando Carvalho ressurge nas cores e nas formas de Capitu, de Machado de Assis. Na televisão brasileira, Luiz é único com sua estética. Ele defende uma televisão que deve provocar o telespectador. Perturbá-lo.

Depois de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, a Capitu televisiva de Luiz Fernando é a evidência de que a TV não precisa ser burra para ter audiência.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Um dia, serei simpático


Como é insosso levar a educação pública a sério. Há anos, defendo idéias fixas na escola Heloísa Mourão Marques, um delas: o Conselho de Língua Portuguesa. Sua finalidade destina-se a organizar a disciplina, mas até a gestora Osmarina parece não acreditar nele, com certa razão.

Para organizar o conselho, precisávamos de um coordenador, e isso dependia de uma democracia que escolhesse o melhor, sabendo que o melhor é exigente e exige de si mesmo. Depositaram o voto, entretanto, em quem nem sabe organizar reuniões. Votaram na simpatia. Talvez, quem sabe, por causa dessa democracia que não sabe selecionar o melhor, o coordenador da área deva ser escolhido pelo gestor.

Ainda sim, por causa de alguns poucos professores de lingua portuguesa e de literatura, definimos procedimentos na disciplina, por exemplo, a prova vale 6 pontos e o trabalho escrito à mão, 4 pontos.

No entanto, muitos professores descumprem o que foi estabelecido. Avalia-se como bem quer, em outras palavras, aluno passa sem critério. "Não vou deixar aluno para a prova final, porque não quero ter trabalho", podemos escutar isso de um colega. Em outros casos, alunos com tantas faltas, inúmeras, mas as notas são 8, 9 ou 10.


Qual a questão?
Qual a questão central desse problema? Rezar ou orar, os professores talvez não rezem ou não orem antes de entrar em sala. É preciso pedir a Jesus luz para iluminar a preguiça e a incompetência.

Mas, em uma escola pública, não é Deus que coordena nossas vidas, porque, se assim fosse, nossos alunos seriam melhores, por exemplo, no Enem. Quem coordena professores é COORDENADOR DE ENSINO, ou seja, uma pessoa inteligente, culta, dinâmica e com uma vontade abismal de querer trabalhar para qualificar o ensino conforme o interesse do erário e não conforme o descaso de alguns parasitas, pseudo-educadores indiferentes à vida de alunos que são filhos de faxineiras, de domésticas, de vendedores ambulantes.

Aqui, neste ponto, o problema: COORDENADOR DE ENSINO. Quais suas qualidades? Por que foi escolhido? Quais seus méritos? Na escola Heloísa, nunca conheci um coordenador à altura dos sonhadores, dos que são inquietos, dos que dialogam com os professores para encontrar soluções por meio da ação, da prática, por meio da fiscalização.

Fiscalizar avaliações, por exemplo. Fiscalizar o coordenador do Conselho de Língua Portuguesa, por exemplo. Fiscalizar para cobrar e para obter resultados, por exemplo.

Como é insosso ser sério. Um dia, quem sabe, serei simpático para eles votarem em mim. Falso, cínico, indiferente, mas simpático, porque, como diz Maquiavel, o vulgo vive das aparências.