quinta-feira, outubro 13, 2011

De Fagundes Varela



Tristeza

Minh'alma é como o deserto
De dúbia areia coberto,
Batido pelo tufão;
É como a rocha isolada,
Pelas espumas banhada,
Dos mares na solidão.

A escola pública acriana abandonou os clássicos, muito mais a poesia. Não há gênero textual mais exuberante, complexo e elaborado do que o gênero lírico. E saibamos que o lírico não se limita à poesia. Os elementos líricos estão, por exemplo, no filme "Lavoura Arcaica" ou na minissérie "Dom Casmurro".

Os alunos do ensino médio, todos, ignoram os deslocamentos dos termos nas frases-oracionais. Estudar tais deslocamentos nos versos significa passar da Ordem Sintática Indireta para a Ordem Sintática Direta. Por meio dos versos, quer dizer, por meio de termos deslocados, porque é característica dos versos os deslocamentos, o aluno aprende a colocar na ordem direta os termos da oração.

Outro ponto louvável do texto lírico: a riqueza vocabular. Além da noção da ordem e da desordem sintática, o aluno precisa ampliar o seu cardápio semântico. Sem ampliar seu vocabulário e sem o seu devido sentido no verso ou na prosa, estreita-se a consciência de.

Essa riqueza vocabular associa-se também à combinação com outros vocábulos, permitindo assim a inquietação da polissemia.

Poderia, aqui, destacar outros pontos, mas permaneço com esses.

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Aos meus alunos do ensino médio, ofertei a seus olhos versos de Fagundes Varela. Primeira tarefa, colocar na ordem sintática direta a primeira estrofe para que percebam a sequência lógica (direta) do verso. Considero esse exercício importante para que eles, quando dissertarem, saibam deslocar os termos.

Só nessa estrofe, o aluno aprende vírgula, ponto e vírgula, concordâncias nominal e verbal, além, é claro, de os versos provocarem uma palavra que nos separa dos outros animais, esta: imaginação.

No entanto, nas escolas públicas acrianas, os clássicos estão mortos, mais ainda a poesia. Como disse certa vez um professor: "Meus alunos não estudam poesia, porque no mundo de hoje eles não escreverão versos." Tristeza. E pensar que um jumento como esse recebe um salário igual ao meu.
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Exercício 1:
Colocar na Ordem Sintática Direta  

Minh'alma é como o deserto
De dúbia areia coberto,
Batido pelo tufão;

Ordem Sintática Direta: Minh'alma é como o deserto coberto de dúbia areia, batido pelo tufão.

Uma vez na ordem, o aluno precisa ir ao dicionário para encontrar o significado e, depois, por meio de reflexões, o sentido da palavra adequado no verso. O que significa "dúbia"?

No dicionário Houaiss, há três significados. Qual o mais adequado? Eu penso que seja "difícil de caracterizar". E "batido"? Resposta, "marcado". E "tufão"? Nesse caso, não basta ir ao dicionário, é preciso interpretar a palavra, porque ela se encontra em estado conotativo. "Tufão" tem sentido de "desordem", "desarmonia", "irregularidade".

E "alma"?

Depois da ordem sintática direta, depois do sentido das palavras, interpretar a poesia.

Em sala, essa prática é cansativa. Sem uma boa leitura, sem perceber como o texto lírico é elaborado, escrever melhor torna-se mais difícil.      

terça-feira, outubro 11, 2011

Eu vejo


Sei os teus seios
sei-os de cor
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Poemeto de autor português.





quarta-feira, outubro 05, 2011

Quando eu voltar a blogar, não sei. Se eu voltar.


Certa vez, perguntaram a mim o que seria morrer. Sem apelo religioso, sem pensar em outra vida, sem defender a ideia de que existe vida após a morte, respondi que morrer é a suprema perfeição do esquecimento.

Não importa se amanhã ou se a dois mil anos. Eu, por exemplo, serei lembrado no máximo em uma missa de sétimo dia. Tenho a mais serena compreensão de minha insignificância.

Semelhante a Sísifo, carregamos a pedra ao topo e, depois, deixamos que ela role. Outra vez, nós a carregamos ao topo para que a pedra role outra vez. No entanto, embora façamos esse gesto sem futuro,  sem esperança, precisamos encontrar um sentido para esta vida.

Um sentido. Entretanto, ainda que possamos encontrar um sentido, a morte nos sepultará na cova profunda do esquecimento. Morremos para ser esquecidos.

Resta, portanto, preparar-se. Já li em obras literárias e já vi em belos filmes personagens que deram ao ato final a beleza de não haver o medo do fim, por exemplo, estes: Cyrano de Bergerac (peça teatral de Edmond Rostand), Drogo (romance O Deserto dos Tártaros), Selma (filme Dançando no Escuro), Adolf Hitler (filme A queda) e, antes deles todos, o filósofo Sêneca. 

Por meio deles, o autocontrole, isto é, a senhora Razão os guiou com a cor da serenidade.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Ab-rupto ou abrupto?



Em 2012, a nova ortografia se estabelecerá, não dividindo espaço com a anterior. O uso do hífen, por exemplo, ficou bem melhor, mas deixou umas dúvidas, um delas, esta: ab-rupto ou abrupto?

Se o prefixo terminar com "b" (ab-), usará hífen quando o segundo elemento começar por -b, -h ou -r. No entanto,  no dicionário Houaiss, o lexicógrafo registra duas formas: ab-rupto e abrupto. Esta permanece por causa do uso; e aquela, da regra.

Em seu livro "A Nova Ortografia", Evanildo Bechara escreve "preferível abrupto", desobedecendo à nova ortografia.

E na redação escolar?

Para mostrar conhecimento, o aluno pode registrar abrupto e ab-rupto.

Chique!


terça-feira, setembro 27, 2011

Da Nova Ortografia a Velhas Pontuações

Em novembro, iniciarei um curso na Faculdade Euclides da Cunha.

O nome, Da Nova Ortografia a Velhas Pontuações.


1) Dia 5 de novembro de 2011

As vírgulas em textos e outros pontos

De 8h as 9h
: A pontuação em textos de Roland Barthes;
De 9h as 9h15min: intervalo;
De 9h15min as 9h45min: A pontuação em texto de Abelardo e Heloísa;
De 9h45min as 10h30min: A pontuação em texto de Antônio Vieira; e
De 10h30min as 11h: Exercícios.

2) Dia 12 de novembro de 2011
O fenômeno da crase e o uso do hífen

Das 8h às 9h: Acentuar ou não acentuar, ei a... crase;
Das 9h às 9h15min: intervalo;
Das 9h15min às 9h45min: Acentuar ou não acentuar, ei a... crase;
Das 9h45min às 10h30min: O hífen que caiu na tua sopa; e
Das 10h30min às 11h: Exercícios.

3) Dia 19 de novembro de 2011
Orações adverbiais, marcadores e o aposto

Das 8h às 9h: Peça a Deus por orações adverbiais;
Das 9h às 9h15min: intervalo;
Das 9h15min às 9h45min: Os marcadores que não entraram ainda em tua vida;
Das 9h45min às 10h30min: O lado aposto da vida; e
Das 10h30min às 11h: Exercícios.

4) Dia 26 de novembro de 2011
A nova acentuação e os velhos erros textuais

Das 8h às 9h: Nesse voo para o Acre, não há mais acento.
Das 9h às 9h15min: intervalo;
Das 9h15min às 10h30min: O texto do meu aluno me deixou confuso; e
Das 10h30min às 11h: Escrever se aprende reescrevendo.   


   

domingo, setembro 25, 2011

O tempo estraga acervo


A história recente do Acre se estraga no Museu da Borracha. Trata-se de um acervo jornalístico acumulado pelo esquecimento. Esse material já deveria ter sido digitalizado para que interessados pudessem acessá-lo por meio da internete.

Com tanta gente empregada no governo, alguém poderia fazer o serviço.

Ao amigo Affonso Nunes

Afonso, você não imagina a alegria de encontrar teu nome em meu blogue, você não faz ideia. Após anos - mais de 20 -, teu nome encontra-se com o meu. Não me esqueço de um amigo como você por causa da inteligência, da cultura, do caráter, das conversas que tínhamos sobre, por exemplo, um PT que lutava contra a corrupção.

Meu amigo, diga-me sobre teu destino, onde você está. Deixe teu MSN, teu correio eletrônico.

Se estiver no Rio de Janeiro, poderemos nos reencontrar em janeiro de 2012. Espero que não tenha perdido teus ideais, espero que você tenha ainda a palavra escrita como florete, porque você sempre foi um ótimo esgrimista.

Um grande abraço fraterno em teu destino.

  



quinta-feira, setembro 22, 2011

Criança não brinca mais: mata e se mata


A professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, que foi baleada por um aluno de 10 anos em uma escola em São Caetano do Sul (região do ABC) nesta quinta-feira (22) apresenta quadro de saúde estável e não corre risco de morte, segundo nota da prefeitura. O aluno atirou contra si mesmo e morreu no hospital.

A professora levou um tiro na região posterior do lado esquerdo, altura do quadril e sofreu uma fratura na patela direita. Rosileide foi levada para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, e está sendo examinada na sala de emergências.

Por volta das 15h50 desta quinta-feira (22), com 25 alunos em uma das salas de aula da unidade, o aluno D. M. N., do 4º ano, efetuou os disparos contra a professora e atirou duas vezes contra a própria cabeça. Ele morreu uma hora depois no hospital de emergência Albert Sabin, em São Caetano, após duas paradas cardíacas.

Segundo o capitão do 6º BPM de São Caetano, Robson Castropil, a criança pediu para ir ao banheiro e quando voltou, atirou contra a professora, saiu para o corredor e atirou em si mesma.

De acordo com a Folha.com, o garoto era filho de um guarda municipal e teria usado a arma do pai -um revólver calibre 38. A polícia ainda não tem informações sobre como a arma chegou às mãos da criança e espera a perícia.

Melhor do Estado, segundo o Ideb




A escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, palco dos disparos, é a primeira de São Paulo no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009 nas séries finais (5ª a 8ª) com índice ou "nota" de 6,7.
O Ideb é a "nota" do ensino básico no país. Numa escala que vai de 0 a 10, o MEC (Ministério da Educação) fixou a média 6, como objetivo para o país a ser alcançado até 2021.
As aulas na escola foram suspensas hoje à noite e amanhã na escola.

quarta-feira, setembro 21, 2011

segunda-feira, setembro 12, 2011

Os Enem da escola HMM

2007
39 escolas no Enem. HMM ficou na 15ª posição (48,97 pontos).

2008
53 escolas no Enem. HMM ficou na 40ª posição (42,54 pontos).

2009
43 escolas no Enem. HMM ficou na 16ª posição (51,93 pontos).

2010
54 escolas no Enem. HMM ficou na 32ª posição (50,27 pontos).


Enem-2010

Públicas de Rio Branco

Entres as 20 escolas estaduais de Rio Branco, HMM ficou na 11ª posição.

Públicas e particulares de Rio Branco

Entre as 29 escolas públicas e particulares de Rio Branco, HMM ficou na 20ª posição.

Conforme o Enem de 2010, a escola HMM retrocedeu, obteve menos ponto do que em 2009.


sexta-feira, setembro 09, 2011

Aos que dão [com alegria e com caráter] a bunda

Oferto meu texto aos homossexuais que, com muito caráter e com muita alegria, dão a bunda a seus homens. Ruim é ser homem e não ter caráter. Ruim é ser homem e ser canalha. Ruim é ser pastor adúltero e cínico. Se ela possuir caráter, se ela não for canalha, se ela amar de verdade, a bunda é apenas acessório.


Em Rio Branco, igrejas neopentecostais já ocupam espaços em tevê local para satanizar as relações homoafetivas. Baseando-me em um livro de um padre, escrevi um texto longo, mas muito apropriado para se opor à ignorância fanática de uns pastores imbecis.

Boa leitura!


  
“O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade”

Aldo Nascimento

                                                                                   
Apresentação


Este artigo parte do livro do padre Daniel A. Helminiak. Esse sacerdote, por sua vez, apoia-se nos estudos de John Boswell, professor de História da Universidade de Yale, e nos de L. William Countryman, professor de Novo Testamento da Escola da Igreja Divina do Pacífico, em Berkeley, Califórnia. Das páginas de “O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade”, sobressaem neste artigo as palavras em Levítico, o terceiro livro de Moisés. Assim como igrejas neopentecostais acrianas interpretam [ao seu bel-prazer sado-masoquista] a palavra bíblica para fecundar em igrejas, em escolas públicas e em campo de futebol o “Bem” contra homossexuais, nada mais justo do que lançar a palavra [interpretada] de Deus contra esse mesmo “Bem”.
                       
Apresentação. I - Quando uma pastora joga com Jesus Cristo em um campo de futebol; II – Pai, eles não sabem o que dizem e o que ouvem; III – O fanatismo não remove montanhas; IV - “O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade”; V - O terceiro livro de Moisés; VI – “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é abominação”; e VII - Êxodo 32:27-29, o Deus que mata.       

I – Quando uma pastora joga com Jesus Cristo no campo de futebol
              
Final de tarde. Pessoas avolumam-se na entrada do estádio José de Melo, em Rio Branco, Acre. Atravesso a avenida Ceará para saber o que acontece. Não é dia de futebol. Estou na multidão. Entre pernas e braços, chego ao gramado e logo percebo que esta gente está aqui para torcer por Jesus Cristo.
     
No gramado, perto do gol, ergue-se um palanque. Ao microfone, uma pastora ergue a voz: “Amanhã, nós lavaremos com o sangue de Jesus a sujeira daqueles que pisarão na Gameleira.” Um dia depois, a parada gay deixava suas lascivas e alegres pisadas.
        
Não me lembro do nome da igreja, mas lembro que o deus da pastora se investia contra outros filhos de Deus: os homossexuais. Uma crente, aparentando uns 75 anos, ouvia o sermão. Me aproximei. Foi quando a pastora clamou em nome do Senhor: “É contra a natureza de Deus homem manter relações com homem e mulher manter relações com mulher. A pederastia, meus irmãos, é contra Deus, amém?” A idosa e a multidão elevaram uma só voz: “Amém!!!”
        
Esperei o espetáculo chegar ao fim para entrevistar essa evangélica. Dona Maria Aparecida das Graças se mantém viva com um salário mínimo em uma casa do bairro Sobral. Viúva, mãe de 9 filhos, avó de 8 e bisavó de 4 crianças, essa senhora defende as dez verdades que Deus gravou nas Tábuas de Moisés embora, caso estivesse no monte Sinai, não as lesse. Maria é analfabeta. Para poder pensar o homossexualismo, a escola foi substituída pela igreja em toda sua vida.

II – Pai, eles não sabem o que dizem e o que ouvem

Por que a senhora acredita que homem manter relação com homem é contra Deus? Está escrito na Bíblia que Deus criou o homem e a mulher para procriar, e o senhor sabe que a Bíblia é a palavra de Deus.

Onde Deus escreveu essa verdade?
Meu pastor disse que foi em Gênesis.

A senhora saber ler?
Não

A sua igreja, além dos cultos, não realiza trabalho de alfabetização?
Meu pastor disse que isso não é a tarefa da igreja, porque nós não precisamos saber ler para alcançar a salvação.

Mas o seu pastor sabe ler
. Ele sabe porque Deus deu a ele o dom.

Deus não deu à senhora o dom de ler, é isso?
É preciso ter dom para entrar na escola, para aprender, o Senhor dá a cada um o que merece.

E por que será que Deus não lhe deu o dom de aprender, o dom de estudar, o dom de ler?
Aí o senhor tem que perguntar a Deus, não é mesmo?

Nunca perguntei. Terminei a breve entrevista com a certeza de que a cidade não é regida pelo mesmo tempo. Parte dela encontra-se presa, por exemplo, à Idade Média, quando a fé erigia-se acima da razão. Dona Maria não tinha 75 primaveras; carregava na mente séculos de obscurantismo. Fé significa não querer saber o que é verdadeiro (Nietzsche, 2007, p. 63).

Acredito que a inocência dessa senhora deve buscar até hoje a luz do Deus bíblico, mas sua ignorância, mantida pelo dízimo a pastores alfabetizados, submete Maria à escuridão. Contra os homossexuais, essa evangélica defende, segundo a interpretação de homens, a verdade de Deus embora sua fé não saiba ler essa verdade no papel.

III – O fanatismo não remove montanhas

Paulo, apóstolo do amor, foi quem levou à religião cristã os preceitos contra os “sodomitas”. Com o passar dos anos, quando o cristianismo tornou-se no final do século 4 a única religião do Império Romano, uma lei do ano 390 previa a morte na fogueira para homossexuais. No século 12, em 1179, o Concílio de Latrão sentenciou que os leigos fossem excomungados por pederastia ou por safismo. Por meio de Paulo, a Igreja iniciou o preconceito, e, muitos anos depois, a partir do século 13, a homofobia espalhou-se a ponto de muitos países europeus adotarem leis severas contra a homossexualidade.

Século 20, Brasil. Em 2009, foram assassinados 198 homossexuais no maior país cristão do mundo, 11 a mais que em 2008 e 76 a mais que em 2007. As mortes foram registradas pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 e único no Brasil a reunir estatísticas. Segundo o GGB, de 1980 a 2009, assassinaram 3.196 homossexuais, média de 110 por ano.

Os números também são altos no Programa Rio Sem Homofobia. De novembro de 2009 a novembro de 2010, cerca de 600 denúncias de agressão foram registradas contra gays. Em 2010, no feriado prolongado da Proclamação da República, militares do Exército agrediram e balearam um jovem de 19 anos após participar em Copacabana de uma parada gay. Em São Paulo, três jovens foram vítimas de um grupo de rapazes na avenida Paulista.

Em dezembro de 2010, o pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus, propagou no Rio de Janeiro estas palavras em painéis à margem de vias urbanas: “Em favor da família e da preservação da espécie humana, Deus fez macho e fêmea”, ou seja, em Gênesis 1-27, primeiro livro de Moisés, gay e lésbica, Deus não os criou.

Quase um ano depois dessa propaganda evangélica, em 28 de julho de 2011, o Universo On-Line (UOL), com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicou que evangélicos são os brasileiros mais resistentes à união homoafetiva, 77%.          

Em março de 2011, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), defensor dos bons costumes, da família e da ditadura militar, afirmou no dia 30, quarta-feira, que está “se lixando” para o movimento gay.

“Estou me lixando para esse pessoal aí [do movimento gay]. Eles criaram agora a Frente Parlamentar de Combate à Homofobia, a frente gay. O que esse pessoal tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer para vocês que são jovens que, no dia em que vocês tiverem um filho, se for gay, é legal e vai ser o ‘uhuhu’ da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer.”

Bolsonaro, capitão do Exército, declarou esse ódio cristão quando chegou ao velório do ex-vice-presidente da República José Alencar, no Palácio do Planalto, Brasília.

1º de abril de 2011. Na primeira partida da semifinal da Superliga entre Cruzeiro e Vôlei Futuro, realizada em Congonhas, Michael dos Santos, o meio de rede do Vôlei Futuro, foi hostilizado pela torcida, que, em coro, gritava “bicha” e “gay” quando o jogador ia para o ataque ou quando sacava. Para condenar a homofobia no esporte, Michael assumiu sua homossexualidade. Eis, portanto, a causa dos gritos.   

Califórnia, Estados Unidos. Seth Walsh caminhou ao jardim de sua casa para se enforcar. Só em setembro, seis adolescentes suicidaram-se na terra de Obama. Seth tinha 13 anos. Nova Iorque (o “Jornal do Brasil” sempre punha Nova Iorque), 3 de outubro, três jovens homossexuais foram sequestrados e torturados em um apartamento desabitado.

Uganda, África
. Em 2 de outubro de 2010, um jornal publicou uma matéria na primeira página identificando cem ugandenses como gays e como lésbicas. Ao lado de suas fotos, esta frase: “Enforquem-nos!”. Soweto, África do Sul. Uma manifestação chamou atenção para as violações contra as lésbicas nas “townships”, onde seus autores tentam corrigir a sexualidade das vítimas.

Belgrado, Sérvia
. Um grupo atirou coquetel molotov e granada paralisante contra uma parada do orgulho gay, ferindo 150. O fato ocorreu em 10 de outubro de 2010.     

Se a violência física mata e humilha homossexuais nas ruas, a violência verbal se normatiza em igrejas evangélicas acrianas - principalmente nas neopentecostais -, onde pastores disseminam em seus cultos (ou em campo de futebol) a intolerância do Velho Testamento. “Está escrito na Bíblia, Deus escreveu”, vociferam.

“Quando digo ‘meu Deus’,/ afirmo a propriedade./ Há mil deuses pessoais/ em nichos da cidade”, poetiza Carlos Drummond de Andrade. Deus, portanto, uma propriedade, um objeto pessoal confeiçoado por interpretações de fiéis à incompreensão. Com que palavras duelar contra aqueles que, em nome do Senhor, limpam, com o sangue de Jesus, lugares pisados por gays e por lésbicas? Duelamos com a mesma arma, qual seja, a palavra de Deus.

IV - “O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade”


Publicado nos Estados Unidos em 1994, o livro do padre Daniel A. Helminiak chegou ao Brasil quatro anos depois. Se os cristãos creem que Deus tenha escrito a Bíblia, a verdade, no entanto, não está no que Deus escreveu, mas no que os homens interpretam. Assim, na palavra do Senhor, habitam muitas verdades porque há muitas interpretações dos homens, é “O Deus de cada homem” de que fala Carlos Drummond de Andrade na obra poética “As impurezas do branco”, repito: “Quando digo ‘meu Deus’,/ afirmo a propriedade./ Há mil deuses pessoais em nichos da cidade.”                 

Segundo o prefácio da edição de 1994, desde 1977, O autor de “O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade” ministra os sacramentos para a comunidade gay e lésbica como sacerdote católico romano em Boston, em San Antonio e em Austin. Ele presenciou horrores. Um deles, 30% dos suicídios entre os adolescentes são cometidos por jovens homossexuais. Para religiosos estreitos que interpretam a Bíblia contra homens que amam homens ou contra mulheres que amam mulheres, o padre Daniel afirma que “a Bíblia é indiferente à homossexualidade enquanto tal”.

Em seu pequeno livro, Helminiak interpreta a palavra de Deus para não cravar o punhal da homofobia em travestis, em lésbicas, em transexuais, em gays. Pastores, entretanto, julgam para condenar. Para esses falsos intérpretes de Deus, leiamos Romanos 14:13: “
Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros; antes cuidai em não pôr um tropeço diante do vosso irmão ou dar-lhe ocasião de queda.”

Embora os cristãos asseverem que a Bíblia tenha sido escrita por Deus, a palavra, por pertencer ao um processo histórico, passa por transformações porque o signo linguístico desalinha-se no tempo dos homens para que seu significado, oposto ao que foi, renasça no significante. Hoje, entre evangélicos da classe social de dona Maria Aparecida das Graças, nenhum, absolutamente nenhum deles, é capaz de se encontrar com os significados originais das palavras sodomia, adultério, abominação, sagrado, menstruação. Argola da corrente de culto evangélico, peça da engrenagem de máquina que ora, célula do corpo de igreja que prega, Maria Aparecida só reproduz o significado-função da palavra diabólico porque ela o escuta somente como eco do turbilhão de cristãos presos à argola, à peça, à célula. O todo fala por Maria. Maria só fala o que pensa por causa da sua comunidade linquística. Maria ignora; desconhece que “sua palavra” seja alienada, quer dizer, que pertença a outro, no caso, à congregação, ao culto, à máquina, ao corpo social cristão, a ela: igreja. A consciência adquire forma e existência nos signos criados por um grupo organizado no curso de suas relações sociais (Bakhtin, 1998, p. 35). Assim, como não pensa a palavra bíblica, Maria não pode falar seu pensamento, a não ser que seu pensamento seja o da igreja - e ele é. A própria palavra de Deus na igreja, sabemos, já é refratária.                          

No belo romance “1984”, de George Orwell, palavras são destruídas e, dessa maneira, a literatura do passado foi arruinada. O narrador não cita a Bíblia; mas, se a tivesse citado, teria dito que a palavra de Deus não apenas é transformada em algo diferente como transformada em palavra contrária ao que era. Todo mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento como hoje o entendemos. O objetivo é estreitar a gama de pensamento (Orwell, 1984, p. 52 e 53).

Bem antes da publicação da obra literária “1984”, Nietzsche, em 1887, publicara “A genealogia da moral”, trabalho que pretende dar um esclarecimento a propósito de “Para além do Bem e do Mal”, de 1886. Dona Maria não sabe, mas as palavras, segundo Nieztsche, sempre foram inventadas pelas classes superiores e, dessa forma, não indicam um significado, mas impõe uma interpretação.        

Depois do pensador alemão, entre 1929 e 1930, Mikhail Bakhtin, assinando como V. N. Volochínov, edita “Marxismo e filosofia da linguagem”, cuja escrita revela que a consciência individual [de dona Maria Aparecida] é um fato socioideológico, sabendo que tudo que é ideológico possui um valor semiótico (Bakhtin, 1988, p. 32, 33 e 35).     

Em cultos enraizados em Rio Branco, a palavra sodomia é todo homem que mantém coito anal com outro homem. A palavra exerce poder, e esse poder pertence à Igreja. Porque o sacerdote interpretou o livro Gênesis 19:1-11, o significado de sodomia cristalizou-se nos dicionários. Desde o século 12, aproximadamente, a história de Sodoma representa uma condenação da homossexualidade. O padre Daniel A. Helminiak afasta-se dessa leitura para se aproximar de uma não literal, situando a palavra no tempo histórico sem perder o diálogo com o presente e com a etimologia.  

V - O terceiro livro de Moisés


Mas eu não desejo Gênesis para detalhes. Interessa-me Levítico 18:22: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é abominação.” Mais adiante, capítulo 20, versículo 13, escreve-se: “Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometeram uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa.”

Segundo o sacerdote Daniel A. Helminiak, Levítico condena outro pecado sexual à pena de morte: o adultério. Mas, entre o passado histórico da Bíblia e o século 21, o tempo não permaneceu congelado, imóvel, petrificado, por isso o adultério de hoje difere-se do adultério da Israel antiga.

 Em nossa sociedade, uma pessoa casada comete adultério ao ter relações sexuais fora do casamento. A ofensa é a de infidelidade, a traição da confiança ou do compromisso, e é perpetrada contra o cônjuge. Trata-se de uma ofensa pessoal. Na Israel antiga, o adultério era uma ofensa apenas contra o marido, pois se tratava do uso ilegal de sua propriedade – sua mulher, sua esposa. Mais do que uma ofensa pessoal, envolvia prejuízo financeiro: o homem havia pago ao sogro um dote por ela, e  a mulher era importante para a expansão da família, para o enriquecimento de sua propriedade. (Helminiak, 1998, p. 48)

Corpo feminino e herança legítima, portanto, equiparavam-se na organização patriarcal. Pertencer a um só homem assegurava ao marido, senhor da esposa (em latim, senhor é dominus, “aquele que domina”), a extensão de seu patrimônio. “O casamento e a procriação determinavam a herança na família patriarcal”, observa o padre Helminiak no capítulo 4 de seu livro. E ele pergunta: “Se a noiva de um homem não fosse virgem, como ele poderia estar seguro de que a criança nascida dela seria mesmo sua?” Se não havia teste de paternidade, quem teria direito de propriedade sobre a mulher e sobre o filho?

Assim, sem teste de DNA, com a verdade do filho legítimo corrompida pela mulher infiel, o significado da palavra adultério justifica-se: “alterar”, “falsificar”, “misturar”. Por guardar o nome do homem como segredo em seu ventre, a mulher, se não fosse fiel, desestabilizaria a ordem patriarcal, colocando em risco a herança consanguínea. Hoje, em nossa sociedade, o termo adultério perdeu a força dessa significação, ninguém condena o sexo feminino à morte por ser infiel. Mas o Senhor deixou escrito em Deuteronômio 22:13-24. Se está escrito, matem-na!

Em Rio Branco, bairro da Paz, uma congregação soube que a mulher do pastor mantinha relações sexuais com um jovem evangélico. Enquanto o marido realizava o culto na igreja, ela, diante do rapaz, ajoelhada em sua casa, abria a boca não em nome de Deus, mas em nome do sexo oral. Embora Deus tenha escrito que “se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão”, a adúltera e o amante, até hoje, permanecem vivos no bairro da Paz.           

VI - “Não te deitarás com um homem, 
como se fosse mulher: isso é abominação”

No terceiro livro de Moisés, em uma seção de Levítico chamada o Código Sagrado, encontramos a condenação dos atos homogenitais, que não correspondem a atos homossexuais. Por causa de um pacto com Deus, “esse contrato determinava que os israelitas não deviam participar das práticas religiosas dos canaanitas, o povo conquistado pelos judeus ‘com o auxílio de Deus’ e cujo território havia sido tomado para ser a sua ‘Terra Prometida’”. Na raiz da palavra, sagrado significa “separar”, ou seja, o Código Sagrado impunha o distanciamento entre os costumes do povo judeu e os costumes dos gentios. Em Levítico 18:21, Deus, por meio de Moisés, deixa isso bem claro: “E da tua descendência não darás nenhum para dedicar-se a Moloque, nem profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor.”                                                  

Na cultura dos canaanitas, sexo com mulher menstruada ofertava-se ao deus Moloque. A que separação entre judeus e canaanitas se refere Levítico? Óbvio: os homens deveriam se afastar de mulheres menstruadas. Outra separação. No Testamento hebreu, registra-se que, para os canaanitas, a fertilidade da terra relacionava-se ao prazer carnal. Os judeus separaram terra fértil dos rituais sexuais, fazendo com que a bênção sobre as estações, as colheitas e os rebanhos não dependessem mais de relações sexuais de famílias inteiras entre si e de grupos de família – maridos, mulheres, pais, mães, filhos, filhas, tias, tios, irmãos, irmãs, primos. (Helminiak, 1998, p. 50)

Nesses cultos a divindades vinculadas à fertilidade da terra, o sexo homogenital ocorria entre os canaanitas; o Código Sagrado do Levítico proíbe, segundo Helminiak, o ato sexual entre homens devido a considerações religiosas, e não sexuais. “A intenção era a de impedir Israel de participar das práticas dos gentios. O sexo homogenital era proibido porque estava associado a atividades pagãs, à idolatria e à identidade gentia”, escreve o padre na página 50.

E quanto ao homem deitar com outro homem ser abominação? Palavra escrita no capítulo 18, versículo 22, pergunto ao Senhor o que é abominação e colho sua resposta no capítulo 20, versículos 25 e 26. Como o padre Daniel A. Helminiak, segundo nota da tradução brasileira, “parte, no texto original em inglês, da Bíblia tida como padrão nos países da fala inglesa, mandada traduzir entre 1604 e 1611 por estudiosos de Oxford, na Inglaterra”, lê-se:

Fareis a distinção entre animais puros e impuros, entre as aves puras e impuras, e não vos torneis abomináveis por causa de animais, de aves ou de animais que se arrastam sobre a terra, como vos ensinei a distinguir como impuros. Sereis para mim santos, porque Eu, o Senhor, sou santo; e vos separei dos outros povos para que sejais meus.” (Helminiak, 1998, p. 52)

No próprio texto, abominável é sinônimo de impuro, quer dizer, “misturar-se a”, “confundir-se com”. Para os judeus, eram impuros porcos e camarões, por isso Deus ordenou que seu povo se afastasse desses animais. Como afirmei anteriormente, sagrado
significa “separar”, “não se confundir com”, e um homem relacionar-se com outro homem representava impureza porque dessacralizava sentimentos religiosos dos judeus, e não porque essa relação sexual fosse “suja” em si mesma. O Levítico não afirma que o fato de um homem se deitar com outro homem seja um pecado ou um erro. O Levítico diz que isso é uma violação do ritual, uma impureza; algo “sujo”. (Helminiak, 1998, p. 56)

Se fosse erro, isto é, pecado, o termo hebraico zimah poderia ter sido utilizado no lugar de toevah, porque este significa “abominação”; e aquele, “injustiça”, “pecado”, “erro”. “Zimah quer dizer não aquilo que é condenável por motivos culturais ou religiosos, mas aquilo que é errado em si”, observa o autor de “O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade”. Um homem na cama com outro homem assemelhava-se ao canaanita, não havendo por isso o erro em si mesmo porque a homogenitalidade em Levítico é reprovação religiosa.

VII - Êxodo 32:27-29, o Deus que mata

Lembro-me quando cada um cingiu a espada sobre o lado, cada um passou e tornou a passar pelo arraial de porta em porta, e matou cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho. Lembro-me, três mil homens assassinados a mando de um Deus vingativo para que cada um recebesse sua bênção. “Três mil homens mortos só porque ele tinha ficado irritado com a invenção de um suposto rival em figura de bezerro, Eu não fiz mais que matar um irmão e o senhor castigou-me, quero ver agora quem vai castigar o senhor por estas mortes”, pensou o personagem Caim, de José Saramago.

                                            Massacre de Sabra e Shatila                                         
                                     
                                             Crianças assassinadas por Israel, 1982                                      

Após séculos sobre séculos, a Israel de Moisés ainda mata crianças palestinas na Faixa de Gaza, um campo de concentração delimitado pelo Deus dos judeus. Quando, entre 16 e 18 de setembro, o exército de Israel invadiu o Líbano em 1982, as armas de Jeová mataram, estima-se, 3,5 mil civis inocentes.
  A Corte Suprema de Israel considerou o ministro da Defesa do país, Ariel Sharon, o responsável pelo massacre de Sabra e Chatila.

Sobre carnificinas, sobre assassinatos, sobre inocentes cadáveres, pastores acrianos calam-se; mas, quando o assunto é homossexualidade, pregam a ira do Senhor contra os que não foram, segundo eles, escolhidos por Jeová.

Dar o cu não pode. Um Deus que mata pode?

sexta-feira, setembro 02, 2011

A democracia escolar segundo os evangélicos


Quando os princípios lúcidos da democracia escolar não são garantidos pela Secretaria de Educação do Estado, essa democracia passa a ser um vale-tudo ou cada um por si.

Depois de Jesus ser a alegria do comércio, Ele agora, segundo alguns fiéis, deve influenciar o processo democrático escolar. Serei mais claro.

Funcionários evangélicos de duas escolas de Rio Branco não votarão em candidatos que não são da religião deles. A escola pública agora é refém de interesses escusos da fé.

Democracia é isso? Escola é igreja?         

sexta-feira, agosto 05, 2011

quarta-feira, agosto 03, 2011

Versos no pescoço

Versos dele, o cara, sim, ele: Paulo Leminski.


liberdade
vento
onde tudo
cabe
____________

Nada fica
a não ser o que for bonito
_________________________

Sabe da última?
a chuva lavou
a minha culpa
_____________________________________

esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem
_______________________________________________

nascemos em poemas diversos
destino quis que a gente se achasse
na mesma estrofe e na mesma classe
no mesmo verso e na mesma frase

rima à primeira vista nos vimos
trocamos nossos sinônimos
olhares não mais anônimos



terça-feira, agosto 02, 2011

Em nome de Cristo

A Câmara de São Paulo aprovou nesta terça-feira projeto de lei do vereador Carlos Apolinario (DEM) que cria o Dia do Orgulho Heterossexual, a ser comemorado no terceiro domingo de dezembro.

Segundo Apolinario, que é ligado a igrejas evangélicas, a data tem o objetivo de "conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes".

Apolinario apresentou o projeto em 2005, mas, desde então, só havia conseguido aprová-lo em primeira votação, em 2007. Ele voltou a tentar a aprovação antes da Parada Gay deste ano, em junho, mas não conseguiu.

Para que a data entre no calendário oficial do município é preciso que ela seja sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Não houve votação nominal -dos 39 vereadores presentes, 18 se manifestaram contra o projeto: os 11 do PT, os dois do PCdoB, Claudio Fonseca (PDT), Claudio Prado (PPS), Gilberto Natalini (sem partido), Juscelino Gadelha (sem partido), Eliseu Gabriel (PSB) e o líder de Kassab, Roberto Tripoli (PV).

terça-feira, julho 26, 2011

Aprendendo com o mesmo erro dos professores cariocas

O tempo passa, a realidade se transforma, mas os sindicatos dos professores permanecem com as mesmas ideias. Tenho certeza de que a greve dos professores do Rio de Janeiro não terá o mesmo fim que a atitude dos bombeiros.

Justiça autoriza corte de ponto dos professores

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro derrubou nesta terça-feira (26) uma liminar que impedia o corte do ponto dos professores estaduais há mais de 50 dias em greve. Com a decisão, o governo de Sergio Cabral (PMDB) poderá descontar o salário de quem não voltar às salas de aula.

Apesar da decisão, o Sepe-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro) afirma que vai manter a greve. Em protesto, professores e funcionários estão acampados em frente à Secretaria de Educação do Estado há 13 dias.

A secretaria, por sua vez, disse que, “por decisão própria”, fez o pagamento dos dias “parados e anotados” desde o início do movimento. No entanto, a partir do dia 1º de agosto, quem estiver em greve terá o ponto cortado. Caso, após o final da greve, não haja reposição, haverá corte retroativo. Ainda de acordo com a secretaria, há 2,1 mil contratos temporários autorizados e que podem ser utilizados a partir do dia 1º.

Reivindicações
A principal reivindicação dos profissionais em greve é o reajuste emergencial de 26% e o descongelamento do plano de carreira dos funcionários administrativos. No dia 6, foi realizada uma reunião entre membros do sindicato, deputados e o secretário de educação para discutir as reivindicações da categoria, mas nenhuma decisão foi tomada.

Segundo o sindicato, cerca de 60% dos funcionários aderiram ao movimento e 70% das escolas da baixada Fluminense estão paralisadas. Na capital, a porcentagem é de 50%. No interior, são 30% das escolas que estão sem aula. Já a Secretaria da Educação fala em uma adesão de 1,5% dos 51 mil professores.

O sindicato fala em cerca de 700 mil alunos sem aula; para a secretaria as atividades nas escolas estão praticamente normais. Nenhum dos dois soube informar o número exato de alunos afetados pela paralisação.

sexta-feira, julho 22, 2011

Não tarda não sermos


Enquanto o Tempo é festa em nossa pele, enquanto existe o Tempo a bailar em nós, vivamos a alegria breve de estarmos vivos, não nos esquecendo de que, quando o fim chegar, olharemos com firmeza para o passado que foi vivido, momentos em que a minha mortalidade tocou na tua.

O Tempo separa tudo, mas protegerei minha humana fragilidade com a Memória que tua vida pincelou a minha. Estou grávido de nossas memórias. Farto dos verbos que conjugamos juntos, um deles: cativar.

Se a morte lançar sua âncora aos meus olhos, ainda sim, eu os abrirei com a força de minha ternura para afirmar, diante dos teus, o milagre ocorrido entre o meu sexo e a tua fissura.

Mas, antes da despedida, do fim, da morte, ainda ficarás despida sob o meu destino, e, eu, ajoelhado ao lado teu, arrancarei as folhas do Livro Sagrado sobre a tua carne. E, ao acaso, as folhas que forem amparadas por teu corpo, eu lerei para a tua nudez as palavras eróticas de Cântico dos Cânticos ao som harmonioso de teus doces gemidos.

E já profetizo que, em uma folha abrigada por tua pele, estas palavras Sagradas repousaram sobre tua vulva. Será noite. O silêncio habitará o bom encontro, e ele só será rompido por minha paciente leitura. Ouça-me!

"Com lijonjas arrastei aquela a quem a minha alma ama para meus lábios e sabendo bem que um homem não pode esconder fogo em seu seio sem que suas vestes se inflamem, sussurrei-lhe: 'Vem, minha amada, saiamos para o campo, passemos a noite nos pomares; madrugaremos para ir às vinhas, e ver se a vinha lançou rebentos, se as flores se abrem, se as romãzeiras estão em flor. Ali te darei meus amores!'"

Darei meus amores porque lutei contra a morte e lutei para permanecer em tua memória.

Duas caras


A verdade não está presente quando homens públicos falam diante das câmeras de tevê ou quando suas palavras são publicadas em jornais.

Tratando-se de homens públicos, a verdade encontra-se à sombra.

Não se acha a verdade quando tudo está claro, quando sua fala se manifesta à luz do dia.

A luz (ou os holofotes da imprensa) oculta a verdade.


quarta-feira, julho 20, 2011

Na ponta da Língua
















Na ponta de minha Língua,
equilibrei o suor denso

de teu Prazer.

Em forma de gemido, era a tua Carne
que guiava meu destino.

Era teu Gozo, não minha Língua,
que sussurrou o que fazer.

Na ponta da Língua,
senti o breve tempo de tua

Vida.

Confesso que me perdi entre coxas e entre olhos. Mas quem disse que queremos saber onde estamos quando o Prazer nos (des)educa?

Os ingleses são... ótimos!



Ouça com todo silêncio a canção desta inglesa. Em tempos de vulgaridade sólida, ela faz bem à alma.