quinta-feira, junho 20, 2013

Prazer, sou Guy Fawkes



Nome(s) alternativo(s):Guido Fawkes, John Johnson
Movimento:Conspiração da pólvora
Guy Fawkes (Iorque13 de abril de 1570 — Londres31 de janeiro de 1606), também conhecido como Guido Fawkes, foi um soldado inglês católico que teve participação na "Conspiração da pólvora" (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e todos os membros doparlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o Parlamento do Reino Unido durante a sessão.
Guy Fawkes night
(noite das fogueiras, Londres, 2007).
Porém a conspiração foi desarmada e após o seu interrogatório e tortura, Guy Fawkes foi condenado a execução na forca por traição e tentativa de assassinato. Outros participantes da conspiração acabaram tendo o mesmo destino. Sua captura é celebrada até os dias atuais no dia 5 de novembro, na "Noite das Fogueiras" (Bonfire Night).
Guy Fawkes nasceu na cidade de Iorque, e se converteu ao Catolicismo aos dezesseis anos. Como soldado era especialista emexplosivos. Por ser simpatizante dos espanhóis católicos, adotou também a versãoespanhola de seu nome francêsGuido.

Conspiração da Pólvora[editar]

A Conspiração da Pólvora foi um levante liderado por Robert Catesby, que foi executado, assim como outros católicos insatisfeitos, pela repressão empreendida pelo rei protestante Jaime I aos direitos politicos dos católicos por causa de suas atividades subversivas contra a coroa, e para restaurar o poder temporal da igreja católica.
O objetivo deles era explodir o parlamento inglês utilizando trinta e seis barris de pólvora estocados sob o prédio durante uma sessão na qual estaria presente o rei e todos os parlamentares. Guy Fawkes, como especialista em explosivos, seria responsável pela detonação da pólvora.
Porém os conspiradores notaram que o ato poderia levar à morte de diversos inocentes e defensores da causa católica, portanto enviaram avisos para que alguns deles mantivessem distância do parlamento no dia do ataque. Para infelicidade dos conspiradores, um dos avisos chegou aos ouvidos do rei, o qual ordenou uma revista no prédio do parlamento. Assim acabaram encontrando Guy Fawkes guardando a pólvora.
Durante sua captura e interrogação, Fawkes permaneceu resoluto e desafiante, se identificando como "John Johnson" e se negando a fornecer informações aos seus captores. Quando lhe perguntaram o motivo de estar em posse de tanta pólvora, lhes respondeu que a pólvora era "para explodir todos vocês desgraçados bêbados de scotch de volta para as montanhas sujas de onde vieram". Fawkes admitiu sua intenção de explodir o parlamento e lamentou seu fracasso. Sua coragem acabou rendendo certa admiração do Rei James, que o descreveu como "um homem de resolução romana".
Essa admiração não evitou que o Rei ordenasse sua tortura "de maneira progressiva e planejada". Para a surpresa do torturador William Waad, Fawkes inicialmente resistiu aos tormentos infligidos e não forneceu informações significativas além de declarar "que rezava todo dia a Deus para o avanço da fé Católica e a salvação de sua alma podre".
Após mais de uma semana de tortura, Fawkes cedeu e entregou o nome de oito conspiradores. Sua assinatura de confissão, que era pouco mais de um risco ilegível, é indicio do sofrimento ao qual deve ter sido submetido.
Fawkes e os demais conspiradores foram condenados à morte por decapitação e depois serem estripados e esquartejados. Em um último ato de desafio antes de ser conduzido ao local de execução, Fawkes conseguiu se desvencilhar dos guardas e pular de uma escada, quebrando o pescoço e evitando assim a tortura. Seu corpo foi esquartejado e exposto publicamente junto com o dos outros conspiradores.
Ainda nos dias de hoje o rei ou rainha vai até o parlamento apenas uma vez ao ano para uma sessão especial, sendo mantida a tradição de se revistar os subterrâneos do prédio, antes da sessão.
Uma tradição sardônica dá a Fawkes o título de ser "o único homem que entrou no parlamento com intenções honestas".
Na Inglaterra até hoje existe a tradição de celebrar no dia 5 de novembro a Noite das Fogueiras. Nesta noite bonecos com a imagem de Fawkes são desfilados na rua, agredidos, despedaçados e por fim queimados.
Uma rima tradicional foi criada em alusão à Conspiração da Pólvora:
"Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot."
Tradução livre:
"Lembrai, lembrai, o cinco de novembro

A pólvora, a traição e o ardil;
por isso não vejo porque esquecer;
uma traição de pólvora tão vil"

Há mais versos que se seguem a estes, dos quais alguns costumam não ser mais usados por serem ofensivos.

Outra tradução livre:
"Me lembro, me lembro, do cinco de novembro;

Do atentado e da pólvora, se deve saber;
E não vejo razão, para que tal traição;
Um dia se venha a esquecer."


Prisão de Guy Fawkes

Após mais de uma semana sendo torturado, Guy Fawkes assina um documento em que confessava sua conspiração

Influências[editar]

Manifestantes do grupo Anonymousutilizando máscaras de Guy Fawkes no modelo apresentado na série V de Vingança.
Frequentemente Fawkes é referido com o título irônico de ser "o único homem que entrou no parlamento com intenções honestas". Sua imagem acabou se tornando um símbolo de rebelião e até da anarquia, apesar dele ter lutado por uma causa considerada católica e defesa do direito monárquico dos Stuart sobre o trono Britânico.
graphic novel V de Vingança, com roteiro de Alan Moore e arte de David Lloyd, possui influências da "Conspiração da Pólvora". Um personagem que utiliza o codinome V e que utiliza uma máscara inspirada no rosto de Guy Fawkes, tenta promover uma revolução na Inglaterra fictícia (década de 1990) onde é ambientada a graphic novel. A explosão do parlamento inglês também era objetivada, buscando-se concretizar, de certa forma, os planos da conspiração da pólvora.
Outra influência é encontrada em pelo menos dois dos livros da saga Harry Potter: em Harry Potter e a Pedra Filosofal, no primeiro capítulo, a história é explicitamente citada quando dois locutores de televisão, ao anunciarem uma chuva de estrelas observada anormalmente no céu, atribuem a sua origem a uma provável comemoração antecipada da Noite das Fogueiras; e em Harry Potter e a Câmara Secreta, no capitulo doze, uma fênix é chamada de Fawkes, tentando traçar um paralelo entre o mito da fênix que, após morrer renasce das suas próprias cinzas, e a necessidade do renascimento social, cultural e político em Inglaterra, concretizável caso a revolução fosse adiante.
Na série de manga e Anime "One Piece", existe um personagem cujo nome é Dracule Mihawk, usualmente chamado de "Olhos de falcão". Fica muito claro que este personagem é uma homenagem direta de Eiichiro Oda(criador da série) ao Guy Fawkes, isso pode ser facilmente explicitado observando-se o nome e a fisionomia do personagem criado pelo Mangaka.
No vídeo-jogo Fallout 3, um dos personagens utiliza o nome Fawkes. Quando questionado sobre o porquê da escolha do nome, responde que era o nome de alguém "...que lutou e morreu por aquilo em que acreditava."

Ver também[editar]

Commons
Commons possui multimídias sobreGuy Fawkes
Wikiquote
Wikiquote possui citações de ou sobre: Guy Fawkes

Primavera Acriana, dia 22

 

Balanço das manifestações


Estamos de saco cheio

20/06/2013 - 03h30

Exaustão

BRASÍLIA - Condenados pelo Supremo têm mandato de deputado e, não bastasse, viram membros da Comissão de Constituição e Justiça.

Um pastor de viés racista e homofóbico assume nada mais, nada menos que a presidência da Comissão de Direitos Humanos na Câmara.

Um político que saíra da presidência do Senado pela porta dos fundos volta pela da frente e se instala solenemente na mesma cadeira da qual havia sido destronado.

O arauto da moralidade no Senado nada mais era do que abridor de portas de um bicheiro famoso. E o Ministério Público, terror dos corruptos, é ameaçado pelo Congresso de perder o papel de investigação.

A chefe de gabinete da Presidência em SP usa o cargo e as ligações a seu bel-prazer, enquanto a ex-braço direito da Casa Civil, afastada por suspeita de tráfico de influência, monta uma casa bacana para fazer, possivelmente... tráfico de influência.

Um popular ex-presidente da República viaja em jatos de grandes empreiteiras, intermediando negócios com ditaduras sangrentas e corruptas.

Um ex-ministro demitido não apenas em um, mas em dois governos, tem voz em reuniões estratégicas do ex e da atual presidente, que "aceitaram seu pedido de demissão".

Ministros que foram "faxinados" agora nomeiam novos ministros e até o vice de um governador tucano vira ministro da presidente petista.

Na principal capital do país, incendeiam-se dentistas, mata-se à toa. Na cidade maravilhosa, os estupros são uma rotina macabra.

Enquanto isso, os juros voltam a subir, impostos, tarifas e preços de alimentos estão de amargar. E os serviços continuam péssimos.

É por essas e outras que a irritação popular explode sem líderes, partidos, organicidade. Graças à internet e à exaustão pelo que está aí.

A primeira batalha foi ganha com o recuo dos governos do PT, do PSDB e do PMDB no preço das passagens. Mas, claro, a guerra continua.
eliane cantanhêde
Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal "Globonews em Pauta" e da Rádio Metrópole da Bahia.

terça-feira, junho 18, 2013

Faltou tbm o Acre

Mais um texto para o pt ACRIANO

18/06/2013 - 03h00

A vaia saiu às ruas

Aviso ao leitor: esta é apenas uma primeira aproximação ao que está acontecendo no Brasil. Sou obrigada a concordar com Ângela Randolpho Paiva, do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, que admitiu honestamente à GloboNews: "Estamos atordoados".

Com razão. O Brasil não é um país de sair à rua, salvo em Mundiais. Que saia agora, em massa, ainda por cima para protestar também contra as obras da Copa, é de atordoar qualquer um.
Mas jornal circula todos os dias, e não consigo silenciar à espera de recolher os elementos indispensáveis a uma análise mais aprofundada. É preciso pincelar algumas ideias, apesar de os protestos do dia estarem apenas começando, por imposição dos horários de fechamento.

O que já está evidente é que a vaia ouvida no sábado no estádio Mané Garrincha saiu às ruas. Não adianta o petismo e a mídia chapa-branca tentarem dizer que a vaia partiu da elite, única em condições de pagar o preço abusivo dos ingressos.

Nas ruas do Rio ontem, havia uma vaia clara, na forma de uma faixa: "Fora Dilma/Fora Cabral".
Tanto o Rio quanto Brasília, é sempre bom lembrar, são praças fortes do lulismo. Que apareça um cartaz como esse, ainda que isolado, é eloquente do estado de insatisfação de uma parcela importante do público.

Mas é fundamental ter em conta duas coisas:


1 - Dilma não é o alvo isolado dos protestos. Nem sei se é o alvo principal. Mas é alvo.
Alvos também são os políticos em geral, de que dá prova a concentração em Brasília diante do Congresso Nacional. O volume de público no Rio, governado pelo PMDB, e em São Paulo, governado pelo PSDB, demonstra que a classe política brasileira está fracassando na sua missão de representar o público, pelo menos o público mobilizado.

A massa no Rio era, aliás, impressionante; desde as Diretas Já, não se via algo parecido.

2 - Há uma aparente contradição, de todo modo, entre a aprovação popular dos governos Dilma e Alckmin, aferida em pesquisas recentes, e o volume e a permanência dos protestos. Haveria uma maioria silenciosa? Talvez, mas o fato de que 55% dos consultados pelo Datafolha digam que aprovam os protestos é um forte chamado de atenção.

Por fim, sobre o que querem os manifestantes, já muito além do passe livre, quem parece ter razão é Juan Arias, o excelente correspondente de "El País": "Querem, por exemplo, serviços públicos de primeiro mundo; querem uma escola que, além de acolhê-los, lhes ensine com qualidade, o que não existe; querem uma universidade que não seja politizada, ideologizada ou burocrática. Querem que ela seja moderna, viva, que os prepare para o trabalho futuro".

Mais: "Querem hospitais com dignidade, sem meses de espera, onde sejam tratados como seres humanos, e querem, sobretudo, o que ainda lhes falta politicamente: uma democracia mais madura, em que a polícia não atue como na ditadura".

"Querem um Brasil melhor. Nada mais."

Como dizia a faixa que abria a passeata no Rio: "Não é por centavos; é por direitos".
Clóvis Rossi
Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial daFolha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às terças, quintas e domingos no caderno "Mundo". É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo" e "O Que é Jornalismo". Escreve às terças, quintas e domingos na versão impressa do caderno "Mundo" e às sextas no site.

segunda-feira, junho 17, 2013

Desenvilvimento e educação

ENTREVISTA DA 2ª ALEXANDRE RANDS
Educação explica 100% da desigualdade de renda
Economista diz que país erra ao não priorizar educação e que investimento atual mantém diferenças regionais
ÉRICA FRAGADE SÃO PAULO
"Estamos gastando muito ainda com políticas que não são adequadas, com financiamentos para investimento de empresa, subsidiando crédito, o que não é necessário. Você não tem política para mudança agressiva de desequilíbrios regionais.

"Como gastos em educação têm escala, quando você gasta menos nas regiões mais pobres, tem um impacto menor. Quando termina a escola no Nordeste, o aluno sai com a capacidade não muito superior a 50% da capacidade do estudante do Sudeste. Talvez pior do que isso.

Atrasos educacionais explicam 100% das desigualdades de renda entre diferentes regiões do Brasil.
A conclusão é do economista Alexandre Rands, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, que tem uma vasta produção acadêmica sobre esse tema.

Seu diagnóstico, se correto, significa que o país investe em políticas equivocadas há décadas.
Segundo Rands, foi o caso de incentivos para o desenvolvimento da indústria de regiões mais pobres e continua sendo o caso de subsídios públicos a setores empresariais específicos.

Ele argumenta que no mercado de capital físico o investimento funciona de forma razoavelmente eficiente.

O mesmo não vale para o setor de capital humano. "Famílias em que os pais têm maior capital humano tendem a ter mais recursos para investir na educação dos filhos", afirma.
Por isso, as desigualdades educacionais tendem a se perpetuar se não houver interferência do governo.

Apesar de melhoras, com políticas que tentam compensar a baixa capacidade de investimento das regiões mais pobres, os avanços do Brasil nessa área têm sido insuficientes, diz Rands.
-
Folha - De onde vêm as desigualdades regionais?
Alexandre Rands - Existem teorias diferentes. O meu entendimento hoje, com base nos estudos que tenho visto para alguns países, como os EUA, e nos meus próprios estudos para o Brasil, é que é possível explicar 100% das desigualdades só pelas diferenças em capital humano. Se você corrigir o nível médio de instrução da região Nordeste em relação à região Sudeste, você corrigirá a desigualdade entre essas regiões.
Mas a desigualdade de renda caiu no país, certo?
Você vê uma certa melhora da participação do Nordeste. Nossa estimativa é que hoje o PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Nordeste deve estar perto de 50% da média nacional. Há cinco anos, era 45%. Então, melhorou, mas a desigualdade ainda é muito elevada.
A remuneração por mão de obra qualificada continua sendo muito alta no país. Portanto, as regiões em que há gente com menos qualificação continuam com renda per capita muito mais baixa.
Investimentos em educação seriam a solução para reduzir a desigualdade?
Sim, essas são as políticas fundamentais para você eliminar as desigualdades regionais. Você precisa mudar o nível médio de educação --considerando qualidade e quantidade da educação-- nos municípios.
Então o Brasil passou décadas indo na direção errada, investindo, por exemplo, em políticas de industrialização e desenvolvimento regional?
Totalmente errada, porque partimos dos pressupostos equivocados. Colocando de forma bem simples, há na economia quatro fatores de produção: capital físico, capital humano, trabalho e recursos naturais.
Toda a nossa política supôs que os mercados para capital humano, trabalho e recursos naturais funcionavam razoavelmente bem e que o problema estava no mercado para capital físico.
Então, você teria que subsidiar o capital físico nas regiões mais pobres para poder aumentar sua rentabilidade e atrair mais investimentos. Essa é a base da tese de Celso Furtado, na qual se baseou a política regional brasileira.
Se eu estiver certo, essa lógica está equivocada. Os mercados para capital físico, trabalho e recursos naturais funcionam razoavelmente bem. O que não funciona é o capital humano. É aí que precisamos ter investimentos públicos. Se tivéssemos feito isso na década de 60, hoje teríamos um país altamente equilibrado regionalmente.
Continuamos com as políticas erradas atualmente?
Estamos longe ainda. Estamos gastando muito ainda com políticas que não são adequadas, com financiamentos para investimento de empresa, subsidiando crédito, o que não é necessário.
E hoje a nossa principal política para combater a desigualdade é por meio de transferência de renda para os mais pobres, o Bolsa Família. Este é um programa que tem mesmo de existir, mas você não tem uma política para mudança agressiva dos desequilíbrios regionais.
Os gastos com educação nas regiões mais pobres ainda são muito inferiores aos no Sudeste. Ou seja, ainda estamos reproduzindo as desigualdades regionais.
Mas o Brasil está corrigindo as desigualdades?
O que a gente corrige hoje é praticamente nada. Como os gastos em educação têm escala, quando gasta menos nas regiões mais pobres, você tem um impacto menor.
Quando termina a escola no Nordeste, o aluno sai com capacidade não muito superior a 50% da capacidade do estudante do Sudeste. Talvez até pior do que isso.
Como as escolas aqui [no Nordeste] são muito ruins, então a qualidade do aluno que sai é muito ruim.
A existência de desigualdade de renda em um país é necessariamente ruim?
A desigualdade de oportunidades entre indivíduos é problemática. É o caso de indivíduos que, por seus atributos pessoais, teriam condição de prosperar muito e não o fazem por falta de oportunidades.
Aí, há desperdício de potenciais talentos no país.
Agora, a desigualdade de renda que ocorre depois de você ter dado oportunidade igual aos indivíduos não é prejudicial.
Que países são exemplos de cada caso?
Nos EUA, boa parte da população branca tem nível de oportunidade de se aprimorar e de chegar no mercado com potencial de renda alta semelhante ao que ocorre na Suécia, por exemplo.
Só que o mercado de trabalho na Suécia equaliza rendas, tem sistema de impostos e possibilidades de carreira nas empresas que travam muito a geração de desigualdade a partir daí.
Nos EUA, isso não ocorre. A economia americana promove a remuneração por trabalho adicional. É um mercado mais livre. Essa desigualdade americana é favorável a partir desse ponto.
Por que é favorável?
Porque leva a um maior esforço por parte das pessoas. Mas essa característica dos EUA só vale para os brancos. Se você considerar os negros e os latinos, até os 20 anos, você já gerou uma desigualdade brutal, que na Suécia não existe.
Essa desigualdade até os 20 anos é ruim porque desperdiça muito talento potencial, prejudicando o crescimento da economia.
Em qual desses contextos, a desigualdade brasileira se encaixa?
O Brasil tem muita desigualdade, maior do que a americana até os 20 anos, de qualificação. E, depois dos 20 anos, temos uma economia razoavelmente livre, semelhante à americana.
Investimentos em educação tiveram papel crucial na Coreia do Sul, onde a renda per capita deu um salto?
Lá mais do que tudo foi capital humano. Há mais estudantes na Coreia do Sul indo para a universidade do que nos EUA. A Coreia chegou a ter uma situação que não ocorreu nem nos EUA, em que escolas públicas são melhores do que as privadas.

    sábado, junho 15, 2013

    Brasil 0 x Japão 3

    No placar social, o Japão meteu 3 a 0 no Brasil.

    1 x 0
    País todo alfabetizado.

    2 x 0
    Menos corrupto.

    3 x 0
    Educação bem melhor. 

    segunda-feira, junho 10, 2013

    Um texto para a política acriana


    Entre nós, o estrangeiro
                Em 1941, Stefan Zweig publica Brasil, um país do futuro, cinco anos após a publicação de Raízes do Brasil. Se o suíço leu a obra do brasileiro, não posso afirmar por não ter lido nenhuma referência bibliográfica sobre tal encontro. Na parte “Um Olhar sobre a Cultura Brasileira”, Zweig adjetiva o brasileiro como “um tipo quieto, sonhador e sentimental”. Somos cordiais a ponto de causar espanto ao estrangeiro, porque, segundo ele, trata-se de uma forma há muito tempo esquecida pelo europeu (2006, p. 130). Na condição de quem vem “de fora”, Stefan Zweig foi afetado por essa cordialidade ao registrar em seu livro que, em todos os meses que passou aqui, jamais viu uma grosseria. Mais: o estrangeiro é um hóspede bem-vindo e quase um amigo. Deve ser observado que o autor escreveu sob o período político do presidente Getúlio Vargas, o pai dos pobres.
                
    A cordialidade

                 Assim, no livro de Stefan Zweig, não há, entre o europeu e o nativo, distância, separação, não existe o estranhamento. O estrangeiro não é o estranho. Porquanto não há esse estranhamento, Stefan Zweig é bem-vindo, quer dizer, familiarizou-se. Como escreveu em Raízes do Brasil, a familiaridade ou a cordialidade foi “a que mais exprimiu com mais força e desenvolvimento em nossa sociedade” (1992, p. 106). Entendamos, entretanto, que ser cordial, segundo Fernando Henrique Cardoso em seu artigo Livros que Inventaram o Brasil, não significa ser “afável”, mas “uma maneira de reter vantagens individuais” (1993, p. 29).

                Antes de Sérgio Buarque ter publicado sua obra em 1936, Gilberto Freyre apresentara Casa-Grande e Senzala três anos antes, em 1933. No sentido de íntimo, a cordialidade já penetrara em suas páginas: patriarca da casa-grande e proprietário da senzala, o senhor-de-engenho despe-se para, entre as coxas negras de sua escrava, procriar bastardos. Ao mesmo tempo em que a negra é mercadoria para ser comprada em espaços impessoais (mercado, praça pública), onde o patriarca branco e cristão sustenta a imagem da polidez, da formalidade, o sexo de sua escrava excita e relaxa hierarquias, deprava o senhor, colocando a ordem social cristã do avesso. Na intimidade, com toda sua polidez (des)coberta, desalinhada, desarrumada, o escravagista perde as boas maneiras da civilidade. Esse mesmo senhor, cujas raízes do engenho são profundas e absolutas, é o mesmo que ocupa os espaços políticos, legislando ou executando leis. No engenho, núcleo de numerosa família de parentes, de agregados e de escravos, o patriarca a tudo senhoreava, a ponto de confundir o privado com o público (VAINFAS, Ronaldo. Moralidades brasílicas, 1997, p. 223). 

                
    Que causa histórica desdobrou-se no conceito de “cordialidade”? Como “toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos” (HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil, 1992, p.41), pergunta-se: qual base ainda sustenta essa estrutura? Resposta: as raízes rurais. Por causa da concentração de terra nas mãos de tão poucos, o senhor-de-engenho adquiriu um poder absoluto, e seu engenho bastou-se a si mesmo, chegando haver nele capela onde se rezavam as missas, além de ser provido de todo o necessário. Seu poder amplia-se ainda mais por ser o engenho, esse domínio rural, espaço onde o poder patriarcal é ambíguo por “miscigenar” o corpo privado com o corpo público. Usando um conceito de Oliveira Viana, o engenho é um clã pelas graças cristãs das relações familiares que pulsam nele. Por meio dessa relação, os partidos políticos serão nada além do que consequência natural dos clãs eleitorais, que ocupam os cargos públicos do país e “plantam” nas instituições a mentalidade do mundo rural.

    Getúlio Vargas            

               Em A Construção da Sociedade do Trabalho no Brasil, de Adalberto Cardoso, a mentalidade rural se transfere para “o Estado antissocial”, onde proprietários de terra (oligarquias estaduais que criam leis) olham para suas negras e para seus filhos bastardos como inimigos na República Velha. O poder é ambíguo. Com a República Nova, a nação agora tem um líder político familiar, cordial, carinhosamente chamado de “o pai dos pobres”: Getúlio Vargas. Em 1º de Maio de 1941, no estádio do Vasco da Gama, o presidente discursa em defesa da fixação do homem no campo; sem falar, porém, de uma reforma agrária (ADALBERTO. 2010, p. 212). Como pai, como imagem que protege e emociona multidões com seu discurso acolhedor e protetor, Vargas, esse homem carismático, não busca conflito social em uma nação onde 70% de brasileiros vivem no campo e menos de 3% deles é proprietário de terra. Como escreveu Stefan Zweig, “não está na natureza do brasileiro [...] entrar em confronto” (2006, p. 132).   

    O Partido Família e Lula, o nordestino cordial

                
    Por causa de seu discurso antipático ao imaginário cordial brasileiro, o PT, nas últimas campanhas eleitorais de Lula, alterou sua imagem de antipático, porque, uma vez no poder, acreditava-se que a desordem social e econômica seria o nosso destino. O PT raivoso cede lugar então ao “Lulinha paz e amor” ou, se quiser, ao PT cordial. Mas não tardou a ambiguidade. Prometendo fazer as reformas estruturais necessárias à nação, o PT de hoje, no entanto, nunca mais falou em taxar os ricos. A outra face da cordialidade “paz e amor” comprovou-se no primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva, e frei Betto registra em 14 de agosto de 2003, em Calendário do Poder, seu desalento com o governo. “Não é o que eu esperava ou sonhava” (2007, p. 173). Ao longo do livro, fica claro que Lula não veio para promover transformações estruturais por causa de isso implicar rupturas. Em 18 de agosto de 2003, numa segunda-feira, frei Betto escreve que “sempre que há uma discussão, Lula prefere a conciliação” (2007, p. 174). A reforma agrária não surge. O Fome Zero fracassa. Consequências do “paz e amor” da cordialidade.    
               
               Como se isso ainda não fosse o bastante, o Legislativo, conforme matéria publicada no jornal O Globo, em 9 de junho de 2013, é “Partido da Família S/A – com verba pública do fundo partidário, políticos empregam parentes em legendas”. No texto do jornalista Chico de Gois, aparece o termo “clã”, por exemplo, no PMDB, no PSDB, no Partido Trabalhista Cristão (PTC, que já foi Partido da Juventude), no Partido da Reconstrução Nacional (PRN), no Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), no Partido da Pátria Livre (PPL), no Partido Trabalhista Nacional (PTN), no Partido Republicano Progressista (PRP), no Partido Trabalhista do Brasil (PT do B).
                
                 O clã familiar cria o partido a fim de que parentes ocupem cargos na direção. O contribuinte, por meio do fundo partidário (cerca de R$ 300 milhões ao todo), paga muito bem a tios, a esposas, a primos, a pais, a cônjuges. José Levy Fidélix da Silva, do PRTB, é muito dedicado à família, empregando-a toda à custa do erário. Daniel Tourinho, presidente do PTC, empregou pai, dois filhos e duas irmãs. Tourinho recebe R$ 4.486 como verba de representação, além de mais de R$ 12 mil mensais, a título de “serviço técnico profissional”. Além do fundo, Tourinho, quando candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2010, destinou maior quantia para a sua campanha: R$ 427 mil.

               Nas eleições de 2002, Lula falou de uma reforma política que levasse em conta a fidelidade partidária e o fim das legendas de aluguel. Toma posse em 2003. Faz 10 anos. As leituras de Oliveira Viana (clã), de Sérgio Buarque de Holanda (cordial) e de Adalberto Cardoso (antissocial) são atualíssimas.

    Paulo Leminski



    1

    lua limpa
    à beira do abismo
    todas as coisas são simples.

    2

    o que o amanhã não sabe,
    o ontem não soube.
    nada que não seja o hoje
    jamais houve.

    domingo, junho 02, 2013

    Não me acostumo

    Há 8 meses no Rio de Janeiro, após 20 anos no Acre, meu organismo ainda não se habituou ao corpo social desta cidade do Cristo Redontor.


    Sempre desembarco na estação Carioca antes de caminhar para a faculdade. As aulas começam às 12h50, mas chego ao centro do Rio duas horas antes às segundas, quartas e sextas para apreciar livros das livrarias Leonardo Da Vinci e Travessa.

    São lugares semelhantes a igrejas católicas por causa desta palavra: silêncio. Sento-me e leio algumas páginas. 

    Há três meses, por causa de uma dessas leituras, a consequência foi comprar "A Construção da Sociedade do Trabalho no Brasil", de Adalberto Cardoso.

    Para meus olhos, a única diferença entre Rio de Janeiro e Acre é cultural, ou seja, muitas livrarias, muitos cinemas e muitos teatros. E só suporto este tumulto de um grande centro por causa disto: cultura.

    Se no Acre houvesse tantos e tantos bons filmes, tantos e tantos bons teatros, tantas e tantas boas livrarias...

    O Acre me deu tranquilidade, por isso não tenho me acostumado ao Rio depois de 8 meses.

    quinta-feira, maio 30, 2013

    O Acre desconhece a cultura do Riso

    Palhaço russo trata da vida, da morte e da beleza do universo sem dizer nada

    GRACILIANO ROCHA
    DE CRECY-LA-CHAPELLE, FRANÇA

    Ao encontrar o russo Slava Polunin, 62, convém esquecer o palhaço de circo tradicional, aquele cujo número costumava ser apenas um entreato, enquanto o picadeiro era preparado para as atrações principais.

    Quando maquiado, seu personagem, Yellow, já visto em ação por mais de 5 milhões de espectadores em 30 países, também usa o nariz vermelho e busca fazer rir. Mas as semelhanças acabam aí.

    O espetáculo "Slava's SnowShow", que chega ao Brasil para apresentações em Belo Horizonte (29 e 30 de junho), Rio (4 a 7 de julho) e São Paulo (11 a 14 de julho), é inteiramente não verbal. Trata da vida, da morte e da beleza do universo sem dizer uma palavra.

    Slava's Snowshow

     Ver em tamanho maior »
    Silvia Zamboni/Folhapress
    AnteriorPróxima
    O espetáculo "Slava's SnowShow" é inteiramente não-verbal
    Usando mímicas e efeitos especiais, Slava faz rir ao reproduzir a saga de um homem atravessando uma grande nevasca. E a plateia termina o show com as roupas e os cabelos impregnados de neve cenográfica, feita de papel picado.

    "O riso comporta muitas possibilidades: não é só uma resposta fisiológica a uma piada mas também uma reação filosófica à própria alegria da vida", diz Slava durante uma conversa em sua casa, em Crécy-la-Chapelle, a 42 quilômetros de Paris.

    "O riso é uma coisa muito democrática porque funciona tanto com uma criança quanto com um professor, independentemente de quem seja ou da condição social que tenha."
    Slava é um leitor voraz de filosofia e literatura, além de um grande estudioso do teatro. Obstinado, viaja sete meses por ano apresentando seu show.

    Nascido em 1950, em Novosil, uma cidadezinha do oeste da Rússia, Slava (diminutivo para Vyacheslav) era filho do administrador de uma estatal agrícola soviética e de uma dona de casa. Charles Chaplin foi sua primeira obsessão, quando ainda era criança.

    "Quando vi 'O Garoto' na TV, decidi que queria fazer alguma coisa como aquilo na vida", conta.
    No auge da Guerra Fria, quando cumpria o serviço militar de dois anos no Exército Vermelho, o então recruta leu metodicamente uma lista de cem obras de autores importantes da literatura russa.

    Dostoiévski (1821-1881), autor de "Crime e Castigo" e "Os Irmãos Karamazovi", era o favorito.
    Na juventude, Slava decidiu estudar para ser ator. Mas foi rejeitado pelo Instituto de Teatro de Leningrado (atual São Petersburgo). O argumento: sua voz não era adequada para os palcos.
    Decidiu que estudaria por conta própria, lendo textos teóricos e peças de autores russos.

    O palhaço que veio do frio

     Ver em tamanho maior »
    Mastrangelo Reino
    AnteriorPróxima
    Slava Polunin e sua casa em Crécy-la-Chapelle: entre as maluquices estão camas flutuantes e obras dos grafiteiros Os Gêmeos
    Subiu ao palco pela primeira vez aos 18 anos, para representar uma pantomima chamada "Litsedei", a palavra russa que significa "mímico". Se a voz era um problema, a força de vontade era uma solução.
    E, em seu herói da infância, Chaplin, viu um caminho, que acabou por definir sua carreira: "Imagens e movimento são muito mais poderosos do que as palavras porque se conectam diretamente com a intuição humana", prega.

    Mais tarde, ideias de dois teóricos do teatro do século 20, o francês Antonin Artaud (1896-1948) e o polonês Jerzy Grotowski (1933-1999), que discorriam sobre a espontaneidade dos atores, o inspiraram a levar elementos de sua própria vida ao palco.
    A neve falsa do "SnowShow" ecoa a infância na fria Novosil. "Saíamos para brincar na neve à tarde e, às vezes, só voltávamos depois da meia-noite, com os dedos enrijecidos e o rosto completamente vermelho de tanto frio", lembra.
    Slava deixou São Petersburgo em 1993, após o fim da União Soviética, para trabalhar no Ocidente.
    "Foi um momento muito difícil do meu país e eu tive que pensar em como sobreviver. Decidi ir trabalhar no Cirque du Soleil por alguns anos, porque eles tinham dinheiro e a expertise em arte para fazer boas coisas."
    MERGULHO SURREAL
    Há 15 anos, Slava se mudou para um antigo moinho na beira de um rio, perto de Paris. Visitar sua casa é uma experiência surrealista: um barco em formato de cama flutua na água, outro barquinho (de verdade), com o casco apontado para cima, serve de cobertura para um pequeno teatro.

    No jardim, há um templo budista, um vagão de trem que costumava ser usado por atores mambembes do Leste Europeu e dezenas de obras de arte em três hectares de terreno.
    O local funciona como laboratório criativo de Slava e abriga a Academia dos Tolos, um projeto de intercâmbio entre artistas iniciado por ele, em 1982, ainda na União Soviética.
    Na casa principal, o moinho pintado de amarelo, as paredes externas e as de um dos quartos estão forradas de obras dos brasileiros osgemeos, que Slava conheceu em turnê pelo Brasil.
    "Quando os conheci, em São Paulo, foi como ter encontrado pessoas da minha família. São muito criativos e nós sempre estamos procurando meios para trabalhar juntos."
    + CANAIS