sábado, agosto 16, 2008

Artigo de Gilberto Lobo

Falta ouro ao Brasil

É duro ser brasileiro e ver, pela TV, a comemoração conformada de um 10º lugar. Se o segundo é apenas o primeiro dos últimos, onde está a excitação de tão longínqua classificação? Talvez esteja no maior ensinamento aprendido nos bancos de escola pública brasileira: lutar cansa, é melhor deixar do jeito que está. Ou pior, talvez seja a reverberação da frase chata que diz: “sou brasileiro e não desisto nunca”. E não desiste mesmo. Para desistir de alguma coisa, era preciso, primeiro, ter lutado por ela.

A falta do brilho áureo no peito dos atletas brasileiros também é inexistente nas universidades. Não há incentivo algum para pesquisas, para pensar formas de transformar um país desigual e violento, além de tudo isso perdedor, numa potencia mundial, num exemplo como é a China, como é o Japão.

Não há nada mais triste do que ver um país tão grande e cheio de riquezas naturais tendo que pedir esmolas a outros países, como os obesos Estados Unidos da América, que, de forma alguma, acabariam ou sequer diminuiriam os subsídios oferecidos para incentivar sua agricultura, para se endividar mais ainda com países considerados por eles como - o que não se pode negar - perdedores.

O sonho de todo pai, de toda mãe é ver o filho ingressando numa universidade federal. O sonho esse que se desfaz já nos primeiros dias de aula. Professor é algo raro. E, quando há professor, não há condições mínimas para uma aula. Quando há professor e material, não há incentivo.

Ainda existem professores que têm coragem de dizer que são doutores, que confunde metodologia científica com física quântica, exemplo tirado de uma professora da Universidade Federal do Acre. Se essa professora tivesse tido a delicadeza de ter estudado o assunto antes, talvez a cena ridícula poderia ter sido corrigida a tempo e as coisas ganhariam mais fluidez e a cena ridícula poderia ter se transformado num teste de concentração dos alunos. Ela poderia até sair com aquelas frases de quem possui um gigantesco estoque de óleo de peroba: peguei vocês!

E, se os problemas parecem por aí, poderíamos até sonhar com o bronze. Mas não. A falta de educação segue firme na última raia. As greves são desculpas para férias. Na última greve, alguns professores aproveitaram para viajar, para curtir férias antecipadas e acabaram se esquecendo de voltar antes do término do “protesto”. Quem pagou por isso? Os alunos, que tiveram que estudar em uma semana o que era destinado a um semestre. O que ficou na mente dos alunos dessas aulas relâmpago? Revolta e despreparo.

E voltando à metodologia cientifica. Ninguém conseguiu encaixar a física quântica no modo de fazer uma monografia. Lá vai mais uma maratona atrás do prejuízo. E, se os alunos se destacam e se tornam grandes profissionais, mérito único. Nem de muito longe se pode agradecer à universidade, ao ensino.

Talvez, o curso de comunicação seja o pior curso da Ufac, porque não há nada de comunicação, os alunos acabam sendo os últimos a saber das mudanças adotadas pela coordenação e que acabam ajudando a destruir mais ainda a auto-estima dos educandos, que, do jeito que as coisas caminham, podem até se tornar reeducandos, como aqueles lá do presídio, que nem precisam mais usar algemas, porque o perigo está nos que ainda estão livres, se é que ir para uma penitenciária é um modo de privação da liberdade.

É, o jeito é mergulhar sem nada de bom das universidades públicas, saltar sobre todos os jumentos que aparecerem na frente, confundido metodologia científica com física quântica e seguir não “desistindo nunca”. E nada de “vai estudar, menino!” Mas sim, “vai ser político ou jogador de futebol, menino!”

Só para não fugir do ranking, a Ufac é a 55º na classificação geral do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Apenas 5,88% dos cursos obtiveram nota cinco. Universidade Federal de Minas Gerais teve 80,00% de aproveitamento.

*Jornalista

Um comentário:

kelmy disse...

O texto é interessante. Mas onde está o erro? Com quem devemos falar? Eu e colegas fomos ao Magnífico reitor comunicar-lhe que estavamos sem professor. Ele disse que em quinze dias teriamos o professor, o problema é que já se passaram quatro meses...