quinta-feira, agosto 14, 2008

Seringalista e Seringueiros

Publicam nos jornais de hoje que Antônio Santana de Sousa, dono de um posto de gasolina, isto é, pessoa que tem poder econômico, não viu a cor de R$ 7 milhões em seu caixa.

Quem condenar sem antes ser julgado pela Justiça?

Ora, a acusação partiu do homem rico, dono de posto, e os jornais (ou tribunais de justiça) condenaram Sabrina Gondim de Barros, Marluce Honorato de Andrade, Luciane Freitas Barbosa, Patrícia Areal Leme e Jurivaldo Amâncio de Góes a alguns dias de exposição na imprensa.

Quem são? Alguns são frentistas? Mas o que é um desprezível frentista? Gente? Não, frentista não é gente, não é humano: é pobre. Quando ocorre algo, por exemplo, com empresários, jornais retiram o nome ou a matéria, porque eles são humanos, ou seja, devem ir a julgamento primeiro. É justo.

A isso, senhores, chamamos liberdade de imprensa.

Um comentário:

Josafá Batista disse...

Isso é polêmico, mas lá vai: por mim as empresas de comunicação deviam ser controladas por um conselho popular (não pelo Estado, pela população mesmo).

Parece que não tem muito a ver, mas tem. Esse comportamento discriminatório é muito comum na imprensa em geral, inclusive nas agências internacionais. É o sintoma de outro preconceito, maior e mais amplo, que permeia toda a sociedade: o preconceito de classe social.

Com uma imprensa gerida coletivamente, esses impulsos discriminatórios seriam freados como conseqüência da própria gestão popular e não haveria o velho problema do controle da informação pelo Estado.

Privatizada, a imprensa tende não só a reproduzir, mas a inverter o preconceito em benefício próprio fotografando a sua cúpula burguesa nas colunas sociais e os frentistas da vida (trabalhadores) nas páginas de polícia.

O pior é que ainda tem repórter que acha essa prática "normal" porque é algo que "acontece em todo canto".

Quem age assim ignora o seu mísero estado de mero reprodutor de um sentimento de ódio de classe que está nos primórdios da nossa sociedade.

A imprensa apenas manifesta algo que já está distribuído socialmente? É fato. Isso se manifesta diariamente nas ruas, calçadas e prédios acreanos? Com certeza.

Agora a grande discussão é: um jornalismo privado consegue sair dessa cosmovisão classista? Eu duvido muito. Vide o sucesso do chamado "Jornalismo Crítico" e de iniciativas como o Observatório da Imprensa e o Comunique-se, só para citar dois exemplos.

Abraços, caro Aldo. Obrigado pela visita ao meu blog e sempre que puder virei aqui dar pitacos, ok? Té mais!