segunda-feira, julho 27, 2015

Para um ex-senador, é muito pouco


A forma como professores agem contra o governador do Acre é a mesma como professores de São Paulo e do Paraná agiram neste ano contra seus governantes. Há um padrão CUT de luta, modelo que tem como estrutura estruturante uma rede de conceitos, um deles, o conceito de práxis. Sem repensar palavras, sem repensar conceitos, o agir sempre será o mesmo, ou seja, a luta sempre será o confronto físico ou o confronto verbal bem chulo. Inteligência limitada e ausência de criatividade eternizam e limitam a luta da educação.

Embora discorde desse padrão CUT, discordo mais ainda quando um ex-senador da República só escreve aos professores quando estes não servem às propagandas de Acre Feliz na Escola Pública do governo petista. Eu disse ex-senador, eu não disse professor que leciona todo dia em salas de aula sem ares-condicionados. Aníbal é ótima pessoa, ótimo amigo, ótimo marido, ótimo pai, ou seja, isso não me interessa, pois o que me interessa aqui é que, enquanto homem partidário e governista, escreve para justificar o “momento inoportuno” dos professores e para defender um partido que está governo há quase 20 anos.

Vamos às palavras do ex-senador.

O desconforto causado pelo barulho e pela longevidade, apesar da pouca adesão, da greve dos trabalhadores da educação, chama a atenção de todos. Por isso, dedico algumas linhas de reflexão sobre o assunto.
Antes, o ex-senador, formado em história, desconhece o que seja o uso correto da vírgula; erro, para mim, inadmissível vindo de um homem público que só ocupou elevados cargos no PT ou na República.
Observado isso, evidente que neste parágrafo os professores causam desconforto por causa do barulho e da longevidade da greve dos trabalhadores da educação. Greve, por sinal, com pouca adesão. Sobre esse assunto, sua reflexão.


Antes de tudo, quero deixar claro que não há dúvida quanto ao direito de greve, à livre manifestação e à justeza da reivindicação salarial de professores e outros profissionais da educação.
Aqui, o ex-senador reconhece direito de greve, livre manifestação e justeza da reivindicação salarial.

Então, ele refletirá qual assunto, o do primeiro ou do segundo parágrafos?



O problema é o momento inoportuno em que se dá o movimento, num cenário de crise profunda da economia nacional, com reflexos inevitáveis na diminuição dos repasses para estados e municípios.
Eis a resposta: ele não pensará direito de greve, livre manifestação e justeza da reivindicação salarial, e sim barulho e longevidade da greve dos trabalhadores da educação, pouca adesão. Não é isso?


Eu não tenho informação precisa do tamanho do comprometimento do orçamento do Acre com o pagamento de pessoal, mas sei que, desde a implantação do PCCS – Plano de Cargos, Carreiras e Salários no primeiro governo de Jorge Viana, a folha de pagamento vem tendo crescimento automático superior a 0,5% a cada mês.
Aqui, entra não os professores, mas o governo do PT. Embora seja ex-senador, Aníbal não tem informação exata do comprometimento do orçamento estadual com o pagamento a funcionários. Não tem informação exata. Deveria ter. Eu diria ainda: muito exata. Mas ele sabe, com precisão, que a folha de pagamento cresce 05% a cada mês.

Até aqui, o texto de Aníbal Diniz desqualifica os professores paralisados (desconforto, barulho, pouca adesão) e qualifica o governo de Jorge Viana. Outra observação: o ex-senador coloca um só travessão, o que, nesse caso, está errado.


E posso afirmar, sem risco de cometer impropério, que o maior investimento do Governo do Acre na era das administrações do PT e da Frente Popular, sempre foi na melhoria das condições de trabalho e de salário dos servidores, chegando ao patamar atual de R$ 160 milhões mensais com o pagamento da folha.
Amplia seu elogio ao governo (melhor condição de trabalho, de salário e R$ 160 milhões mensais ao pagamento) e permanece a errar ao usar a vírgula.   


Para quem tem dúvida a respeito, é só fazer algumas comparações: se somarmos todo investimento que o Governo do Estado fez na BR – 364 entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul ao longo dos últimos 16 anos será seguramente menor que o investimento anual que o Estado faz com o pagamento dos seus servidores. O mesmo pode ser feito com o montante investido na construção de milhares de casas na cidade do povo, no complexo da piscicultura, na aquisição de máquinas agrícolas ou no programa ruas do povo.
Para quem tem dúvida, basta, segundo Aníbal, comparar e, para tanto, devemos somar todo investimento do governo na BR-364 (Rio Branco-Cruzeiro do Sul) durante 16 anos. Depois, esse valor somado é menor do que o investimento anual do governo petista para a construção de milhares de casas na cidade do povo, para o complexo da piscicultura, para a aquisição de máquinas agrícolas ou para o programa Ruas do Povo.

Uma pergunta: onde está a reflexão anunciada no primeiro parágrafo? Outra pergunta: onde estão os professores? Até aqui, Aníbal cumpre sua função, que não é refletir, mas defender o seu governo, ou seja, o seu salário.


Todos os investimentos feitos nos maiores programas e políticas públicas do Governo do Acre não se comparam aos investimentos feitos a cada ano no pagamento dos funcionários públicos. Ouvi o anúncio do governador de que destinará R$ 260 milhões para o programa Ruas do Povo em 2015, ao passo que, também em 2015, serão investidos mais de R$ 1,92 bilhão (Um bilhão e 920 milhões) sem contar com o 13º, em pagamento de servidores.
Seu aqui se repete nas primeiras linhas. Retorno fixo de ideia ao próprio governo. Depois, ele especifica (R$ 260 milhões) para o programa Ruas do Povo em 2015 e mais R$ 1,92 bilhão no mesmo programa. Por fim o 13º.

Até aqui, não há professores mas servidores, ou seja, Aníbal enxerga o todo, e não uma parte desse todo, no caso, os professores. Outra observação: onde está a reflexão?   

Isso quer dizer que os servidores ganham muito? Não! É apenas uma demonstração de que o Governo faz o que pode, dentro de suas condições e limitações, para manter o pagamento de pessoal em dia, com uma folha que cresce vegetativamente, com as chamadas vantagens e puladinhas, a cada mês.
Quase 20 anos de PT, e os servidores não muito, porque, dentro de suas condições e de suas limitações, o governo faz o que pode. O governo do Modo Petista de Governar (lembra-se?) faz o que pode. O partido do Orçamento Participativo (lembra-se?) faz o que pode. O partido da Ética (lembra-se?) faz o que pode para manter o pagamento de pessoal em dia, e aí Aníbal escreve “com uma folha que cresce vegetativamente, com as chamadas vantagens e puladinhas”. Qual o sentido de “vegetativamente”? Aqui, diferente quando é governo, ele critica, mas não se aprofunda, não expõe abertamente seu pensamento quanto ao “vegetativamente”. Aqui, ele fala, finalmente, dos professores, mas deixa sua crítica subentendida.

Além do mais, já tivemos exemplo de irresponsabilidade no passado, durante o governo Romildo Magalhães, em que o Governo cedeu à pressão dos funcionários e o resultado foi de gravíssimas consequências para todos: primeiro, porque o Governo teve que lançar mão do fundo previdenciário dos próprios servidores (o que se espera que nunca mais aconteça!) e depois foi o histórico atraso no pagamento dos salários. Ou será que já nos esquecemos de que quando Jorge Viana assumiu o Governo havia atrasos de três, quatro e até cinco meses de salários para algumas categorias?
Uma das marcas do neurótico é a repetição. Desde que chegaram ao poder, os petistas remetem-se ao passado, e eles remetem-se ao passado para que o mal não retorne. Aníbal é o bem. O seu grupo, ungido por Deus. Aqui, mais uma vez, seu texto existe para o governo e, para isso, só colocou os professores no primeiro parágrafo como meio.  
 
Temos que cair na real! Vivemos um momento de crise profunda, com acordos de redução de jornadas de trabalho e redução de salários para a preservação dos empregos em muitas indústrias dos grandes centros econômicos do país, e o melhor que podemos fazer, como Estado pobre que somos, é usar do bom senso!
Só o governo cai na real, os professores não caíram na real. E aí surge “Estado pobre que somos, é só usar o bom senso”. Estado pobre, mas... pensões altíssimas para ex-governadores. Estado pobre, mas... DAS altíssimos para amigos e partidários. Estado pobre, mas... salários altíssimos para secretários. Estado pobre, mas... verbas altíssimas para gabinetes.  

E aí eu me pergunto: onde está a reflexão do ex-senador? Isso é reflexão? Além de não saber pontuar, além de escrever um texto mal estruturado, o ex-senador da República ignora o que seja reflexão. 


Um comentário:

Rebeca Rocha disse...

Olá professor, tudo bem?
Sou Rebeca, fui sua aluna no HMM e gostaria de entrar em contato com o senhor sobre a Faculdade Euclides da Cunha.
Se o senhor puder me retornar, estou no rebeca.rocha14@hotmail.com
Muito obrigada!
(Favor recusar este comentário, rsrsrs)