quinta-feira, setembro 28, 2006

Ainda Sobre Cicarelli

CONTARDO CALLIGARIS
Um filme de amor

O interesse pelo vídeo de Cicarelli revela que somos sobretudo frustrados no amor À FORÇA de receber links para o vídeo de Daniella Cicarelli, acabei dando o clique e assisti ao filme. São quatro minutos e meio, editados a partir de duas horas de gravação e entrecortados por subtítulos, que introduzem diferentes momentos do convívio do casal.
Os subtítulos são em castelhano. Normal, visto que os fatos aconteceram na Espanha, e o "paparazzo" era espanhol. Mas as frases, numa língua estrangeira e próxima, facilitam, para o espectador brasileiro, uma atitude irônica e zombadora, como se pertencessem a um português macarrônico.
De fato, nas conversas destes dias, o vídeo é sempre evocado com um tom maroto e, sobretudo, burlesco. À primeira vista, o cômico parece servir para que o espectador esqueça a posição (incômoda e envergonhada) que ocupa: a de uma criança com o olho colado no buraco da fechadura ou, pior, a de um adulto salivando à vista de frutos proibidos.
Digo logo: suspeito que o cômico, neste caso, proteja o espectador de um outro incômodo, maior e, de certa forma, mais triste. Falando em frutos proibidos, é importante salientar que o vídeo não é nada "ousado".
Um sujeito que estivesse procurando por pornografia na internet certamente o descartaria sem hesitação e encontraria, com facilidade, imagens bem mais explícitas. Alguém dirá que o interesse pelo vídeo depende unicamente do fato de que uma "celebrity" seria assim "exposta".
Os títulos (infames) que acompanhavam os e-mails com o link iam nesse sentido. Algo assim: olhe só, Fulana está "dando" na praia... Ou seja, os brasileiros seriam fascinados pela "descoberta" de que uma "celebrity" e um lindo moço se desejam, beijam-se, acariciam-se etc. Essa cena nos ofereceria a certeza confortante de que os deuses do Olimpo não são muito diferentes da gente.
Seria um pouco como uma foto de Lula ou de Alckmin mordendo um sanduíche cheio de mostarda e ketchup ou entrando com urgência num banheiro. "Te peguei!". Pois é, não acredito em nada disso. Por duas razões. Primeiro, o vídeo nos mostra um casal que não tem nada de "jet-set". Eles não estão num iate na Sardenha nem numa enseada de sua ilha privada. Estão numa praia qualquer.
Tomam um refresco, comem um sorvete, tiram aquela foto que todos já tiramos, esticando o braço e recuando as cabeças para pegar o sorriso dos dois. Há um momento em que a moça puxa os cotovelos do moço para que ele a abrace; o gesto é comovedor de tão familiar.
Segundo, o distanciamento (facilitado pelos subtítulos irrisórios) mostra o seguinte: o espectador se arma de uma boa pitada de cômico para encarar uma visão que, sem isso, poderia magoá-lo (em geral, rir é um jeito de afastar de nós algo que preferimos ignorar). E acontece que, neste caso, o que queremos afastar certamente não é uma extravagância sexual, explícita ou implícita, pois o vídeo não é de sexo; é um vídeo de amor, um excelente vídeo de amor.
Ele poderia ou deveria ser proposto como exemplo nas escolas de cinema, não por suas qualidades técnicas, mas porque é raro que os cineastas consigam mostrar tão bem os gestos do desejo entre duas pessoas que se gostam muito e que se amam (que seja por uma semana, um ano ou uma vida, tanto faz). A delicadeza dos beijos, dos toques, dos abraços do casal falam de um momento de felicidade amorosa que é o verdadeiro "escândalo" do vídeo.
É contra essas imagens de amor que o título chulo e os subtítulos irônicos protegem o espectador, guiando-o para que se convença de que ele está assistindo a alguma devassidão ou se divertindo ao constatar que uma "celebrity" fez "aquilo" que nem a gente. Sem esse desvio da atenção, o vídeo seria, para quase todos os espectadores, tocante e talvez intoleravelmente triste.
Por quê? Simples: alguns podem ser frustrados no sexo, outros podem ser invejosos e estar a fim de dar um pontapé nos pedestais que eles mesmos erigem, mas muitos sentem a falta da delicada intimidade do desejo sexual quando ele acontece entre dois que se gostam e se amam -muitos são frustrados no amor.
Com a ajuda de título e subtítulos, em suma, o tom burlesco dos comentários destes dias serve para que a gente não perceba o que, de fato, o "paparazzo" filmou: uma cena que, ao ser enxergada, produziria em nós a descoberta dolorosa de nossa carência. Pois não se trata de um momento de sexo, mas de uma tarde de amor.

Angeli, da Folha de São Paulo


Nunca foram santos.

Clayton, de O Povo (CE)


Os traços sutis da inteligência.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Cicarelli

Performance anônima

A dinâmica do espetáculo depende do consumo de conteúdos irrelevantes

JULIANA MONACHESI - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Imersos no cotidiano de uma vigilância constante, seja por câmeras de segurança, seja por câmeras fotográficas embutidas em celulares e demais apetrechos que capturam imagens em vídeo, presentes em absolutamente qualquer reduto habitado do planeta, seríamos todos performers, encenando nossas ações no mundo?

O episódio envolvendo a apresentadora da MTV Daniella Cicarelli nesta semana -um vídeo veiculado no You Tube que em poucas horas atingiu picos de "nanoaudiência"- levanta esta e outras questões a respeito dos fenômenos midiáticos em tempos de sociedade do controle e do espetáculo.

Em entrevista à Folha, a professora da Pontifícia Universidade Católica de SP e teórica de novas mídias Giselle Beiguelman fala sobre o tema e sobre a diferença entre produtos da dinâmica do espetáculo e obras de artistas que se nutrem do fenômeno para criticá-lo, como é o caso do vídeo "Uma", do artista plástico Caetano Dias, exibido no 1º Festival Latino-Americano de Cinema de São Paulo, em julho deste ano, e que será apresentado na Paralela 2006, em SP, em outubro.

Registro de um casal que transa no mar, alheio à grande movimentação na praia de Guarajuba, na Bahia, o vídeo acompanha o princípio de conversa entre uma mulher negra e um homem branco, o encontro e o abandono. A investida poética de Caetano Dias trata da espetacularização das patéticas performances humanas.

FOLHA - O vídeo da Daniella Cicarelli com o namorado em uma praia na Espanha se torna, em questão de horas, objeto de interesse de milhões de internautas, sem que se saiba quem filmou. O fenômeno midiático na era da internet é necessariamente sem autoria e de propriedade coletiva?
GISELLE BEIGUELMAN - O anonimato dos produtores de mídia é uma constante na história das comunicações de massa. "As Ilusões Perdidas", de Balzac, publicadas no século 19, são um excelente ponto de partida para essa reflexão. Quantas pessoas sabem o nome do diretor do "Jornal Nacional"? O que a internet tem de diferente de outras mídias é que nela regimes de autoridade, e não de autoria, podem ser questionados e o fato de explicitar que o espectador não é um legume. É crítico e cúmplice.

FOLHA - Pode-se afirmar que o vídeo atualiza o conceito de performance? Ou seja, dado que vivemos em um mundo mediado, um casal namorando em uma praia cheia de gente está, necessariamente, encenando suas ações?
BEIGUELMAN - Não podemos confundir superexposição com performance. Vivemos uma experiência cotidiana tão mediada por câmeras e telas que o ato mais banal assume contornos de encenação programada. Nem a performance é isso nem me parece que o gesto do casal tivesse esse cunho. Há quem diga que foi tudo armação. Pode ser. Mas aí voltamos à sociedade do espetáculo e tudo fica claro, numa espécie de tributo e atualização de uma das máximas de Andy Warhol. Segundo esse expoente da arte pop, no futuro, todos teriam 15 minutos de fama. A internet alargou esse campo, possibilitando que todos possam ser célebres com alguns cliques. Se isso for verdade, performática, então, foi a ação de quem viu, gravou e publicou um material com conteúdo irrelevante e que foi notícia durante toda a semana.

FOLHA - Com a proliferação de tecnologias capazes de registrar e difundir qualquer tipo de informação (sejam texto, fotografia ou vídeo) em tempo real, existe diferença entre as esferas pública e privada? Celebridades midiáticas têm privacidade na sociedade hipermidiática?
BEIGUELMAN - É preciso diferenciar notícia de informação. Os meios hoje permitem grande capacidade de produção e difusão de notícias, mas não necessariamente de informação. A dinâmica da sociedade do espetáculo, analisada por Guy Debord, pensador fundamental do século 20, e ironizada por Fellini em "La Dolce Vitta" depende do consumo de imagens e de uma disponibilidade de alguns para ser protagonista desse espetáculo.Estamos falando de mercado. Em nosso contexto, mediado por câmeras, mensageiros on-line, cartões de fidelidade, o que temos é a consolidação da sociedade de controle, o estado de vigilância distribuída, no qual a privacidade se torna uma mercadoria de luxo, que nunca será entregue na sua totalidade.

FOLHA - A obra de Caetano Dias, que flagra um casal em situação idêntica à de Cicarelli, dá margem a que se veja o vídeo que circulou no You Tube como jornalismo ou arte?
BEIGUELMAN - O vídeo de Cicarelli que circulou no You Tube, em si, é apenas sintomático do tipo de sociedade do espetáculo e da vigilância distribuída em que vivemos. Não é arte nem jornalismo. Já o de Caetano Dias assim como os auto-retratos manipulados da fotógrafa Helga Stein se nutrem desse sintoma para banalizá-lo de uma forma tão extrema que operam sua crítica. O que os distancia do vídeo que circulou no You Tube é que agenciam sentidos e relações cognitivas, ao contrário do primeiro, que pretende participar da dinâmica do espetáculo e da sociedade de controle.

FOLHA - Quais os parâmetros para definir o que é hoje um fenômeno midiático?
BEIGUELMAN - O fenômeno midiático está sempre associado ao domínio rigoroso da mecânica de um meio de comunicação e ao reconhecimento do contexto de veiculação. Basta lembrar do impacto da transmissão de "A Guerra dos Mundos", pelo grupo de radioteatro de Orson Welles, em 1938. Sem a situação de tensão da Segunda Guerra e sem o domínio técnico e de conteúdo do rádio, jamais conseguiria mobilizar um país como mobilizou.Na era da internet, há uma certa flexibilização dos canais de comunicação. Não é mais necessário trabalhar na CBS, como o grupo de Welles, mas ainda é preciso eleger o canal correto de divulgação e ter a expertise de saber o que pode vir a ser notícia ou, pelo menos, fato passível de consumo.

sábado, setembro 23, 2006

A Superficialidade das SuperficialidadeS

Enquanto em outros estados, candidatos debatem sobre aspectos bem específicos da educação, no Acre, levitamos por causa da superficialidade.
Nem tocaram na gestão escolar.
Na escola Heloísa Mourão Marques, a diretora, professora Lúcia, e o coordenador de ensino, professor Walmir, permitem, com o corpo docente, uma outra forma de relação profissional entre professores.
Hoje, iniciou-se a construção dos Conselhos de Disciplinas. Em plenária, os professores aprovaram isto:
1º - Esses encontros pedagógicos baseiam-se na Lei de Diretrizes e Bases, em seu título VI, Dos Profissionais da Educação, artigo 67, inciso V;

2º - Encontro entre professores da mesma disciplina duas vezes por mês (1º sábado e 3º sábado);

3º - Elaborar conteúdo e prática pedagógica específica para alunos do 3º ano, porque o último ano do ensino médio deverá ser destinado ao pré-vestibular da Universidade Federal do Acre e ao Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM);

4º - Professores-coordenadores administrarão as reuniões de áreas pelo período de seis meses ou um semestre do ano letivo;

5º - As reuniões serão registradas e o conteúdo será aprovado em ata;

6º - Por meio do registro em ata, a coordenação deverá fiscalizar seu cumprimento e cobrar resultados;

7º - Os Conselhos de Disciplinas serão compostos pelos professores e pela coordenação de ensino e serão subordinados ao Conselho Escolar;

8º - Plano de curso não deve ser uma ação isolada do professor, mas uma prática elaborada pelo corpo docente da área, e os planos de aula surgirão a partir de um diálogo entre os professores das áreas, tendo como base os planos de curso.
Marcamos para o dia 7 de outubro um encontro sobre aspectos específicos, quais sejam:
1º - Criar atividades lúdicas, por exemplo, para a realização aos sábados de uma Gincana do Conhecimento e criar atividades pedagógicas fora da sala de aula;

2º - Criar um modelo de prova, modelo de teste e modelo de trabalho de pesquisa e elaborar um processo avaliativo que implica a prova, o teste e o trabalho de pesquisa; e

3º - Criar os planos de curso para o 1º ano, o 2º ano e o 3º ano, sendo que o 3º ano será destinado ao vestibular da Universidade Federal do Acre e para o Exame Nacional de Ensino Médio.
________________________

Em 23 de setembro de 2006

1. Nesse dia, professores da manhã, professores da tarde e professores da noite, da Escola Heloísa, aprovaram os Pontos Gerais;

2. Para os Pontos Específicos, os professores provaram o valor 6 para a prova de N1 e de N2;

3. Escolheram 7 de outubro para que os professores da mesma disciplina possam dialogar e definir por escrito sobre a natureza da prova;

4. Sobre a forma como a prova de N1 e a prova de N2 serão aplicadas;

5. Sobre os Planos de Cursos do 1º ano; e

6. Sobre a natureza da prova e sobre a aplicação dessa prova para o 3º ano, visando o pré-vestibular da Ufac e o Enem.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Introdução que dói

Minha nossa, tem repórter que escrevinha para furar o olho do revisor. Leia com atenção e com muita paciência esta estocada.
"Será realizado hoje às 19:00h, na Concha Acústica do Parque da Maternidade, o primeiro "Canto, Vida e Visão", evento que reúne teatro, música e dança e tem como objetivo levar a mensagem do evangelho e contribuir para restauração das vidas de centenas de jovens, crianças e adultos que hoje encontram-se no mundo das drogas, violência e prostituição através da arte e da cultura cristã, de forma a atrair a atenção dessa geração para música, teatro, pintura e outras atividades lúdicas, por meio das quais serão apresentadas mensagens cristãs, de auto-estima, valorização da família e princípios éticos de conduta social, de forma itinerante em praças e locais públicos. Os eventos serão realizados sempre em locais públicos, por artistas voluntários. São músicos, atores de teatro, palestrantes e poetas, daí “canto, vida e visão.”
Fechando o jornal, aparece essa introdução. Como dói. Pensei em suicídio, mas desisti, tenho algumas dívidas para pagar.
Além disso, não sou gay para agüentar uma introdução como essa. Sou revisor.
Que o Senhor Deus ilumine a escrita dessa repórter, amém!

quinta-feira, setembro 21, 2006

Abacaxi com Picanha



Paixão, do jornal Gazeta do Povo (PR)

TV TV TV TV TV TV TV TV TV

Hoje, à tarde, uma repórter de uma TV local vacilou. Em seu texto, ela disse "granditude".
Fui ao dicionário do Houaiss e NÃO encontrei a palavra. Repórter de TV erra e não é pouco.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Um JesuS que TiroU o Fiel da EscolA

Ontem, depois do trabalho, fui a um pequeno mercado para comprar pão de forma. Antes, um jovem, moreno, pediu, com educação, a minha atenção.
- Por favor, posso falar com o senhor?
Parei e dei a ele a minha insignificante atenção.
- Só Jesus nos salva, por isso convido a sua pessoa para comparecer à nossa igreja e fazer parte da sessão do descarrego e tocar no manto sagrado. Só Jesus salva. Se o senhor estiver doente, triste, com depressão, o Senhor Jesus vai salvar.
Sem querer incomodar a crença do jovem, disse a ele que compareceria no domingo.
- Venha, o senhor irá gostar.
Peguei meus pés e fui comprar meu pão de forma, mas fiquei pensando na fé do rapaz. Na volta, perguntei seu nome e idade. Tinha 17 anos. E seus estudos?
- Senhor, eu não terminei meus estudos. Para falar a verdade, deixei tudo em nome de Jesus, meu Salvador.
- Olha, eu iria vir aqui no domingo, mas, depois que você me disse que largou seus estudos, não virei mais, porque não compactuo com um Jesus, o seu, que deseja sua ignorância.
Virei as costas e fui embora.

terça-feira, setembro 19, 2006

Prefeitura de Rio Branco

"Juntos, a gente faz mais"
Aqueles que administram a coisa pública deveriam ter atenção dobrada, porque esse poder, em um país com pouca escolaridade, pode dar um péssimo exemplo quando o assunto é LÍNGUA Portuguesa.
O slogan "Juntos, agente faz mais" revela uma prefeitura que faz, mas, quando a questão é concordância, não faz o correto.
Seria correto se fosse "juntos, nós fazemos mais". Entretanto, como existe "a gente", o correto é "junto, a gente faz mais".
A gente não faz "juntos". A gente faz "junto". A gente faz "unido", e não "unidos". Nós não fazemos "unido". Nós fazemos "unidos".
Não tenho dúvida de que a prefeitura do PT faz uma política pública correta, mas, quando o assunto é gramática...

sábado, setembro 16, 2006

Admirável Mundo Novo 2



Na escola Heloísa Mourão, leciono Literatura, Leitura, Gramática e Redação, havendo duas aulas para cada disciplina durante a semana.
Para a aula de Leitura, escolhi o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, a fim de apresentar aos alunos o realismo-naturalismo atual.
Infelizmente, a Literatura, na escola, ainda, fixa-se no naturalismo do século 19.
Com o livro de Huxley, depois passarei os filmes Matrix (1) e Código 46, porque defendo a idéia de usar filme como extensão de uma leitura desde a época em que eu lecionava no Rio de Janeiro, no Souza Marques, isso em 1990.
Com esse livro e com esses filmes, o realismo e o naturalismo se atualizam, apresentam-se de forma muita mais acabada e perversa.

Admirável Mundo Novo 1


Americana é primeira a receber braço "biônico"

Jason Read/Reuters

Claudia Mitchell e seu braçoPrótese se mexe com precisão, guiada pela mente

Folha de São Paulo

Pesquisadores dos EUA desenvolveram aquilo que eles anunciam como os primeiros membros "biônicos", controlados pela mente. As próteses foram instaladas em dois pacientes e apresentadas nesta semana pelo Instituto de Reabilitação de Chicago.Uma das pacientes é a ex-marine Claudia Mitchell, 26.
Ela perdeu os braços em um acidente de moto em 2004. O primeiro amputado a se beneficiar dos braços biônicos foi Jesse Sullivan de 59 anos, que recebeu a prótese quatro anos atrás.Ele pensa, "feche as mãos" e sinais elétricos são enviados através de nervos cirurgicamente reorientados.
A tecnologia que produziu os braços biônicos tem sido desenvolvida há mais de cinco anos, com financiamento do Darpa (sigla em inglês para Projetos de Pesquisa Associados à Defesa), do Pentágono.
Ela se baseia em grande parte nas descobertas seminais do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke (EUA). Ele foi o primeiro a fazer uma macaca mover um braço mecânico usando somente a força do pensamento.
No caso de Mitchell, por exemplo, os nervos que controlavam seu braço amputado foram retirados do ombro e conectados a nervos na musculatura peitoral. Após alguns meses, eles cresceram no tecido muscular.
Depois, eletrodos conectados a uma placa no ombro foram usados para detectar impulsos emitidos dos nervos para o músculo e daí ao braço.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Matar & Matar

Atirador canadense se definia como 'Anjo da morte'

Publicada em 14/09/2006 às 15h48m

MONTREAL - O atirador que abriu fogo em uma escola secundária de Montreal, matando uma mulher e ferindo outras 19 pessoas na quarta-feira, referia-se a si mesmo como o "anjo da morte'', segundo o diário que mantinha na internet.

A polícia confirmou nesta quinta-feira que o atirador, que morreu no local do incidente de quarta-feira depois de um tiroteio com a polícia, chamava-se Kimveer Gill, tinha 25 anos e morava em um subúrbio da cidade canadense.

Em website dedicado à cultura gótica, Gill disse que seu lema era “Viva rápido, morra jovem e deixe um corpo mutilado”.

Ele usava o apelido “Trench”' e também escreveu no site que adorava armas e odiava as pessoas.

Testemunhas do incidente, que aconteceu no centro de Montreal, disseram que o atirador usava um casaco preto comprido e botas, e tinha o cabelo cortado no estilo moicano.

Autoridades da área de saúde de Montreal disseram que, dos 19 feridos, seis estavam em estado grave e dois corriam perigo.

O ataque aconteceu no Dawson College, uma faculdade de língua inglesa com cerca de 10 mil estudantes entre 16 e 19 anos, no coração de Montreal, a segunda maior cidade do Canadá.

Em seu blog, escrito em inglês, Gill publicou várias fotos que o mostravam com armas e uma faca, e com o cabelo no estilo moicano. Uma das fotos mostra o homem, que era alto e magro, com um casaco preto comprido e segurando um fuzil automático e com a legenda: “Pronto para a ação”. “A raiva e o ódio fervem dentro de mim”, diz outra legenda de foto.

Uma outra imagem mostra-o com uma arma automática preta descrita por ele como uma carabina semi-automática CX4 Storm. Em outra, ele diz: "Acho que tenho uma obsessão por armas.''

A estudante não resistiu a ferimentos e morreu no hospital. As vítimas foram encaminhadas para hospitais da região com ferimentos na cabeça, no abdômen, no peito, nas pernas e braços. (Pânico na Dawson College) .

“Eu pude vê-lo disparar várias vezes. Corri para uma sala de aula. Era como em um filme”, disse o aluno Michael Boyer à TV CBC. “Ele tinha menos de seis pés de altura (1,80m), mas não pude ver seu rosto, estava completamente coberto”.

Robert Soroka, que dá aulas na faculdade, disse que estava no quarto andar quando ouviu os disparos. Correu imediatamente pelo corredor e disse aos outros professores que mantivessem os alunos nas salas e fechassem as portas.

“Esta poderia ser uma situação péssima, se acontecesse cinco minutos depois, quando os alunos estariam saindo das salas durante o intervalo” afirmou.

Segundo Soroka, o incidente começou às 12h45m (13h45m em Brasília) e os tiros continuaram por meia hora. Ele disse ter ouvido pelo menos 20 disparos.

Atirador disparou sem aviso
Segundo testemunhas, o atirador estava todo vestido de preto, tinha um rosto “gélido” e abriu fogo sem avisar. Ele teria começado o ataque fora da escola, entrado pela porta da frente e continuado a atirar lá dentro.

“Ele não disse nada. Tinha o rosto gélido como pedra, não havia nada em seu rosto, ele não gritou nenhum slogan nem nada. Ele só começou a disparar. Era um assassino a sangue frio”, disse o estudante Soher Marous.

Uma jovem disse, chocada, que havia saído para fumar com amigos quando o ataque começou.

“Tinha um cara andando com um sobretudo preto e botas pretas enormes, com esse corte de cabelo maluco e uma enorme arma. Ele estava descendo [a rua] em plena luz do sol com a arma, ninguém disse nada a ele, e aí começou a atirar”, contou ela à emissora CBC.

“Ele atirou nas pessoas bem ao nosso lado. Todo mundo estava correndo, nós nos escondemos nos arbustos, havia destroços voando das balas que caíam ao nosso lado. Vimos todo tipo de gente sendo baleada do lado de dentro”, contou.

A moça disse que o atirador era branco, cerca de 20 anos, e parecia um “esterótipo, com o longo casaco preto e cheio de tachas, piercings, coisas assim”.

O aluno Soher Marous estava saindo quando o homem entrou.

“Eu estava na porta da frente e vi esse cara com sobretudo e botas do Exército, e ele tinha um fuzil de duas coronhas. Eu o vi abrir fogo - paf, paf, paf - e aí todo mundo começou a correr”, relatou ele à CBC.

“Corremos para a porta da frente e ele veio atrás de nós. Ele estava alguns metros atrás”, disse Marous, que contou ainda ter tentado alertar outros alunos ao fugir.

Outro aluno, Michael Boyer, disse que estava no corredor esperando uma aula quando viu o pânico.

Marous afirmou que ficou sem ação ao ver o incidente e que só se salvou porque um amigo insistiu que ele corresse.

“Na verdade, é difícil, naquela situação, reagir como se deve. Eu fiquei hesitando, nunca tinha ouvido um tiroteio antes, não sei o que é isso.”

SignO

Bem antes de Mikhail Bakhtin (1895-1975), Nietzsche, que lecionou filologia, revelou o poder NO signo lingüístico.

Como exemplo, ele citou o significante “bom” com seu duplo sentido. Para as classes sociais incultas, sem poder, usava-se “bom” na Alemanha para dizer que alguém era “dócil”. Para os que detinham poder, “bom” era todo aquele que fosse “guerreiro”.

“Genealogia da moral”, eis a obra desse que influenciou o futuro.

Mais tarde, no século 20, Volochinov ou Mikhail Bakhtin publica “Marxismo e filosofia da linguagem” em 1929. No capítulo 1, página 32, lê-se que “o signo lingüístico pode distorcer a realidade”.

O signo “bom”, acima, distorce. Com esse exemplo de Nietzsche, Bakhtin completa anos mais tarde: “O signo se torna a arena onde se desenvolve a luta de classe.”

LITERATURA

Em sala, a Literatura caducou. Períodos de época reduzem o literário ao funcional há anos. Na faculdade de Letras, alguma professora-doutora reproduz o historicismo, condenado há anos por professores de História.

Ainda fala-se de características do Barroco. Em sala, o professor de Literatura precisa pensar os signos segundo Nietzsche, segundo Bakhtin. Qual o sentido e a função do conceito sensível, por exemplo?

A pergunta existe, porque sensível pertence ao Barroco. E em que fonte doce irei beber esse conceito? Não outro, ele: Merleau-Ponty.

O professor, mesmo no ensino médio, deve ler e reler esse autor para compreender o conceito sensível, termo tão importante no mundo atual.

Em outras palavras, sensível não é uma característica do Barroco, mas um signo que, se não for estudado, “pode distorcer a realidade”.

quarta-feira, setembro 13, 2006

CruzCruzCruz&SouzaCruzSousa

Na escola Heloísa Mourão Marques, novas turmas: A e B, ensino médio. No primeiro dia, reparei que há muitos alunos atentos. O pessoa participa.
Em Literatura, saí há anos dos estilos de época. Apresentei uma poesia de Cruz e Sousa, Grande Amor, para, primeiro, buscar o significado das palavras no dicionário e, depois, buscar o sentido delas no texto.
O signo, por meio de textos, deve ser repensado, porque, segundo Bakthin, o signo, mais do que significado, tem função.
Quais são as características desse estilo de época? Não respondo, pois rejeito a pergunta. Nego a instrumentalização da Literatura em sala de aula.
Grande Amor
Grande amor, grande amor, grande mistério
Que as nossas almas trêmulas enlaça...
Céu que nos beija, céu que nos abraça
Num abismo de luz profundo e céreo.


Eterno espasmo de um desejo etéreo
E bálsamo dos bálsamos da graça,
Chama secreta que nas almas passa
E deixa nelas um clarão sidéreo.


Cântico de anjos e de arcanjos vagos
Junto às águas sonâmbulas de lagos,
Sob as claras estrelas desprendido...


Selo perpétuo, puro e peregrino
Que prende as almas num igual destino,
Num beijo fecundado num gemido.


Como estou trabalhando essa poesia em sala de aula, escreverei na próxima atualização.

Divisão entre as Partes

Há professor de cursinho de pré-vestibular que, em sala de aula, afirma "número de linhas não importa". Se lesse Redação e Textualidade, por exemplo, não diria isso.
Número, sim, são importantes. Não se escreve uma introdução com duas linhas, porque, além da idéia, é preciso haver elaboração dessa idéia. Ora, não se elabora uma introdução, apenas, com duas linhas.
Se a dissertação tem 30 linhas, repare na divisão:
Introdução - 5 ou 7 linhas;
Desenvolvimento 1 - 10 ou 8 linhas;
Desenvolvimento 2 - 10 ou 8 linhas; e
Conclusão ou solução - 5 ou 7 linhas.

Somadas, teremos 30 linhas. O professor precisa ler mais.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Outra introdução de aluno

O título,
Que País e esse

Hoje no Brasil vivemos a mais vergonhosa corrupção no plenário brasileiro, o mensalão. Que se resume em tirar dinheiro de um povo humilde onde luta todos os dias para ter uma vida digna, tendo educação e saúde.

  1. Incrível como alunos do ensino médio não sabem usar a vírgula;
  2. "No Brasil vivemos (...) no plenário brasileiro." Não pode ser plenário marciano;
  3. "Que se resume." Quem disse que na introdução deve haver resumo?;
  4. "Onde." Não há, antes de "onde", um lugar para se haver "onde". Uso errado do "onde";
  5. E o título?

sábado, setembro 02, 2006

CopEVeCoPevEcOpEvECOpeVE

Após anos, muitos anos, a Copeve deveria levar em consideração o que Maria da Graça Costa Val escreve em Redação e Textualidade, editora Martins Fontes.
Uma redação não pode se reduzida à gramática e às suas organizações interna e externa. Antes do como se escreve, o autor precisa saber o que escreve. A Copeve deve considerar a análise da informatividade.
"A informatividade é entendida pelos estudiosos como a capacidade do texto de acrescentar ao conhecimento do recebedor informações novas e inesperadas."
Longe disso, os textos de nossos alunos ecoam a voz do senso comum. Não são mais previsíveis, porque 1 + 1 = 2. Para dissertar, a Copeve poderia exigir leitura de ótimos textos em revistas e em jornais.
Essas revistas e esses jornais poderiam ser selecionados, e o aluno, para elaborar um conteúdo, deveria, antes, ler, ler, ler, ler, ler, ler.
Por exemplo, no jornal Folha de São Paulo, aos domingos, publica-se o caderno Mais! e, por causa de sua importância, o aluno deveria lê-lo para que depois um tema fosse escolhido pela Copeve.
Leitura antes de escrever. Antes da gramática ou da organização, o conteúdo. Há entre nós, muitas frases feitas, muitas afirmações sobre o óbvio.
Sobre a violência em São Paulo, um aluno escreveu isto em sua introdução.
A metrópole dos criminosos
O Brasil inteiro está com os olhos voltados para a metrópole São Paulo, onde a população está literalmente nas mãos dos criminosos. A cidade tranformou-se num caos total, onde pessoas são feitas vítimas a todo momento e ônibus são queimados; uma cidade onde até os presos mandam, ou seja: submissão.
  1. Peca-se quando generaliza. O Brasil inteiro não está com os olhos voltados para São Paulo. Em maio deste ano, as emissoras de TV transmitiram a falta de segurança por que passou São Paulo;
  2. A população não está literalmente nas mãos dos criminosos, porque 40 milhões de habitantes não cabem nas mãos dos criminosos. Quando se escreve literalmente, significa valor denotativo e não conotativo. Literal, letra, isto é, exato, ao pé da letra;
  3. A cidade não se transformou em um caos total. O aluno precisa especificar e, para tanto, deve ler o que se escreve em ótimas revistas e em ótimos jornais.






sexta-feira, agosto 25, 2006

Uma Introdução

Uma aluna apresentou-me uma dissertação e pediu aos meus limites para tecer algumas observações.
Introdução
O caso da Suzane, está gerando uma série de discursões deixando algumas pessoas na dúvida, Suzane: culpada ou inocente.
Para uma introdução dissertativa, destinada ao vestibular, peço aos alunos que escrevam entre 5 e 7 linhas, havendo no mínimo um ponto contínuo e no máximo quatro pontos.
Além do uso errado das vírgulas, a autora não especifica essas "discussões". Antes que especificasse, deveria, entretanto, limitá-las, por exemplo, em duas "discussões", porque, para cada "discussão", um desenvolvimento.
Por que escrever "uma série" se a autora só terá pela frente dois desenvolvimentos?

terça-feira, agosto 22, 2006

Caixa-preta

Em uma entrevista à TV Aldeia, a professora Maria Correia, secretária de Educação do Estado do Acre, afirmou que a sala de aula é uma "caixa-preta". Após oito anos, a Secretaria de Educação não abriu essa caixa.
Como abri-la? Existe um problema seríssimo nas escolas públicas acreanas, qual seja, administração. A organização interna das unidades de ensino, a estrutura, a forma como a escola pública funciona, impede que a "caixa-preta" se abra para que possamos observar seu interior.
Se não houver uma outra estrutura, não sairemos do blablablá. Certa vez, em uma reunião, uma professora disse que basta procurar a palavra estrutura no dicionário para sabermos o significado de estrutura. Inocência.
Bem, em O Poder Simbólico, Bourdieu pensa em estrutura como um significante que altera as relações humanas. Assim sendo, como essa estrutura se apresenta na escola pública hoje?
Na próxima atualização, escreverei.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Liberdade na Escola Pública Acreana

Estou para publicar um texto no jornal A TRIBUNA sobre a liberdade dos professores na escola pública, e tudo contado por alunos da rede pública de ensino.

Uma dessas histórias. Certa vez, uma professora, disciplina História, pediu que os alunos pintassem os desenhos de índios em sala de aula. Jardim de infância? Os alunos eram do ensino médio.

Outra. Durante todo ano letivo, a professora só falou que o homem veio do macaco.

Estou registrando mais. Em breve, publicarei no jornal.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Abuso & Abuso

Maior de idade e abusado. Pelas costas, o aluno fala baixo: "Professor que usa diadema não é homem". Além disso, não assiste às aulas. Permanece pelos corredores, incomodando minhas aulas.
Há certos alunos que escarram na educação, nos limites, no respeito. Afrontam para impor na escola um comportamento de rua.
Mostrei a esse aluno que também sei afrontar, ou seja, ele não ficará pelos corredores da escola, matando aula. Serei seu "inspetor vip", porque as inspetoras não conseguem se impor diante de alunos abusados.
Outro aluno manda eu tomar naquele lugar. Outro aluno diz a uma professora que ela não manda em sala. Outro, dá cotoco a uma inspetora. Outro manda a mãe "tomar no rabo" diante da direção.
Eu imponho limites.

terça-feira, agosto 15, 2006

A campanha política

Hoje, inicia-se a propaganda política na TV. Meu voto, já definido, cairá na urna com o nome de Binho e com os nomes da Frente Popular. É voto sem interesse particular, por exemplo, um DAS.
Por isso, não havendo segundas intenções, não sou obrigado a dizer que Binho é lindo, gostoso e atraente. O candidato do PT, eu sei, é imperfeito, por isso espero que ele não conjugue o passado do atual governo no pretérito perfeito.
Que saiba ser crítico de si mesmo, que não apresente o óbvio e que aponte caminhos revoluciuonários para a educação pública. Evite os clichês, palavrinhas feitas, porque o PT não pode se acomodar em seu narcisismo, em seus gabinetes.
Binho precisa falar sobre a administração da escola pública. MAIS: sobre a qualidade de ensino. Ele deve apresentar um idéia sobre como as escolas públicas são administradas e como deverão ser. Trata-se de um ponto central.
Outra questão, o tempo integral dos estudantes nas escolas.
Depois, escreverei mais.

sexta-feira, julho 21, 2006

A gEneralizÇão

Após dois encontros, apresentei os problemas mais comuns nas introduções dos vestibulando do Ideal. Entre 12 textos, destaquei este problema: a generalização.
Maria Teresa Serafini, em seu livro Como escrever textos, na página 62, escreve que "um dos problemas mais comuns nos textos estudantis é o excesso de generalização".
Em outro parágrafo, a autora afirma que "um princípio básico para evitar muita generalização consiste em mostrar em vez de declarar". Bem, sobre isso, o padre Antônio Vieira escreveu no século 17, no Sermão da Sexagésima.

Romeu & Julieta


Não adianta inventar "caricatura de teatro" na escola para a leitura ser prazerosa, porque, antes, os alunos precisam ler em sala de aula.
E ler é muito chato, exige concentração, disciplina. Após três meses, concluí a leitura de Romeu e Julieta, de William Shakespeare (1564-1616).
Ler como faço em minha casa - ir ao dicionário, compreender, interpretar. Ler exige disciplina, por exemplo, a disciplina do silêncio... nem sempre encontrada em uma escola.
A aula de leitura não pode se reduzir à literatura brasileira, por isso a tragédia inglesa. Passei a temática amorosa do século 16 para mostrar uma obra literária que serviu de base ao romantismo do século 18, realimentando, assim, as aulas de Literatura sobre Romantismo.
O quanto se torna árdua a leitura em sala, desconforto. Tudo na escola desestimula a ler. Hoje, havia oito sobreviventes. Eu leio em sala desde quando as aulas iniciaram-se.
Além disso, marquei aspectos gramaticais no texto, como colocação pronominal e uso da vírgula. A gramática ocorre na leitura, em uma obra universal.
Na próxima semana, apresentarei uma leitura sobre a tragédia e sobre o amor de Romeu e de Julieta. Depois, haverá um teste objetivo.
Feito isso, os alunos assistirão ao filme no Teatro Hélio Melo, na seguna semana de agosto. O texto cinematográfico, claro, do diretor Franco Zefireli.
Depois, em agosto, a prova dissertativa.

quinta-feira, julho 20, 2006

Texto Dissertativo


Para quem deseja a Universidade Federal do Acre, sabe que o texto dissertativo pode introduzir o aluno em um novo desenvolvimento de sua vida.
Pensando nisso, sugiro que leia o padre Antônio Vieira a fim de perceber sua beleza dissertativa.
Como exemplo, destaco aqui uma introdução do Sermão da Sexagésima.
"Mas como um Pregador há tantas qualidades, e em uma pregação tantas leis, e os Pregadores podem ser culpados em todas, em qual consistirá esta culpa? No Pregador podem-se considerar cinco circunstâncias: a Pessoa, a Ciência, a Matéria, o Estilo, a Voz. A pessoa que é, a ciência que tem, a matéria que trata, o estilo que segue, a voz com que fala. Todas estas circunstâncias temos no Evangelho. Vamo-las examinando uma por uma, e buscando esta causa."
Repare que, na introdução, o autor apresenta cinco circunstâncias e desenvolverá sobre cada uma delas em cada desenvolvimento. Ele só desenvolverá o que foi deixado na introdução.
No caso da dissertação escolar, eu digo para escrever dois desenvolvimentos, cada um entre 10 e 12 linhas.
Se fossem duas circunstâncias na introdução, desenvolveria uma no primeiro desenvolvimento; e a outra, no segundo desenvolvimento.
Algo simples; os alunos, entretanto, erram muito.

Eleição

A professora Lúcia é diretora da escola Heloísa Mourão Marques como interventora há três meses e, nesse período, alterou um pouco a imagem escolar.
Em 18 de julho, houve eleição para diretor, e ela, em pouco tempo, conseguiu um resultado muito bom nas urnas, ganhando com 61.02% dos votos.
O professor Marlon obteve 25.03%.
A professora Nádia, que foi coordenadora de ensino por dois anos, chegou a 12.15% dos votos.
A professores Lúcia obteve 98 votos entre professores e funcionários e 435 entre pais e alunos.
O professor Marlon conseguiu 11 votos entre professores e funcionários e 386 entre pais e alunos.
A professora Nádia chegou a 21 votos entre professores e funcionários e 77 votos entre pais e alunos.

sexta-feira, julho 14, 2006

Texto em uma Escola Pública

Na escola Heloísa Mourão Marques, até hoje, não se consolidou um trabalho semelhante de produção textual entre os professores da área.
Falamos várias línguas. É cada um por si.
Em reuniões - muitas, infecundas -, sempre exponho a idéia sobre a necessidade de haver aos sábados o encontro pedagógico, dividido em dois conselhos: o de Turma e o de Disciplina.
Sem esperar, os professores de Literatura e de Língua Portuguesa, do turno da manhã, têm se reunido para "formar um rosto" dessas duas disciplinas na escola.
Amanhã, às 7h30, haverá a quarta reunião.

terça-feira, julho 04, 2006

VerBo InForMar


Sobre a regência do verbo informar, admitem-se estas duas construções: 1) informei ao gerente as últimas decisões e 2) informei os gerentes das últimas decisões.

segunda-feira, julho 03, 2006

LínguA NA LiteraturA




No sábado, 1º de julho, quatro professores das disciplinas Língua Portuguesa e Literatura reuniram-se para traçar uma prática interligada na escola Heloísa Mourão Marques.
Como eu digo sempre nas reuniões, em uma escola, não há o trabalho do professor Luís Carlos ou da professora Maria Célia, mas o trabalho do corpo docente das disciplinas Língua Portuguesa e Literatura.
Na escola, professores da mesma área não se encontram, jamais dialogam sobre seus limites e sobre outras possibilidades, dependendo, sempre, da compreensão do coordenador de ensino para promover encontros entre as áreas.
Nesse sábado, então, concluímos uma parte sobre Literatura. Houve um consenso: das oito aulas por semana, duas serão dedicadas à leitura em sala de aula a partir do segundo semestre.
No primeiro ano do ensino médio, os alunos lerão Dom Casmurro, de Machado de Assim; no segundo ano, lerão Admirável mundo novo, de Aldous Huxley; e, no terceiro ano, Inocência, de Visconde de Taunay.
O primeiro romance, segundo José Guilherme Merquior, é impressionista. O segundo, expõe um realismo para muito além do século 19. O terceiro, romântico.
Concluída a leitura, um filme. Para Dom Casmurro, o filme Dom; para Admirável mundo novo, Matrix; e, para Inocência, o filme Inocência ou Titanic.
Um ponto de interseção entre os três: o feminino. Aceitamos uma temática comum durante um período na escola para, depois, buscar outra temática.

No próximo encontro, detalharemos mais sobre os três livros e apresentaremos ensaios sobre o gênero feminino.

Paulo Caruso, do Jornal do Brasil (RJ)




Ronaldo Gaúcho, R$ 160 mil por dia.

Zagalo, R$ 500 mil por palestra.

Maria da Silva da Cruz, R$ 350 por mês.




Angeli, da Folha de São Paulo


Há dois chargistas neste Brasil que me seduzem: Ique, do JB; e Angeli, da Folha de São Paulo.
Quando estive no Rio de Janeiro, no final de 2005, revendo minha família, tive o prazer de ver o Ique na estação do metrô da Carioca expondo seu trabalho.
No Acre, é proibido rir do poder.

sábado, julho 01, 2006

Até 2010!

Tributo ao Parreira

Telê perdeu em 82 e em 86. Parreira perdeu em 2006.

Lembramo-nos sempre de Telê, porque, se não houve a vitória, ele deixou a arte do futebol.

De Chico Caruso, o galo contra o burro.

Brasil e França: 13 Letras (4)




Volte, Felipão!!!

Brasil e França: 13 Letras (3)



Além ser o maior jogador de todos os tempos, Pelé agora é vidente: "Estou com uma intuição de que o Brasil irá perder para a França."

Também, com Parreira e Zagalo, o futuro é previsível, porque, nesse caso, duas cabeças não pensam melhor do que uma, qual seja: a cabeça do Felipão.

Um brinde a Portugal!!!

Brasil e França: 13 Letras (2)


Espero nunca mais ver o Parreira na seleção brasileira. "Espetáculo é vencer", disse.
No entanto, quando se perde mais uma vez contra os franceses, deveria, pelos menos, ficar na memória dos brasileiros o espetáculo.
Contra a França, nem isso. Contra a Itália em 94, nem isso. Como técnico, ele nega o futebol-arte.
O rostinho de Parreira lembra as feições de Quico. Em uma pesquisa do UOL, 79,85% dos brasieliros culpam Quico por suas besteiras.
Adeus, Parreira!!!

Brasil e França: 13 Letras (1)



Zagalo é conhecido pela mística do 13. Pois bem, Brasil e França totalizam 13 letras.
Nunca precisamos de um místico, mas de um ótimo treinador.
Em 70, Zagalo ganhou a Copa, porque Saldanha tinha armado a seleção. Ele pegou tudo pronto.
Na Copa de 74, Zagalo fica em quarto lugar.
Depois, o místico reaparece na Copa de 94 como auxiliar dele, Carlos Alberto Parreira.
Zagalo ganha com a seleção jogando mal. Por isso, fomos para os pênaltis. Baggio chutou para fora e levamos o quarto título.
Em 98, ganhamos nos penâlti contra a Holanda com o "vai que é tua, Tafarell". E assim, por meio da penalidade máxima, jogamos contra os franceses, lembra? No jogo jogado, sem os pênaltis de 94, perdemos por 3 a 0.
Hoje, contra os franceses, no jogo jogado, perdemos com a mística de um auxiliar técnico: Brasil e França: 13 letras. Futebol não é misticismo. Futebol é o que Zagalo não faz o que um Felipão faz.

sexta-feira, junho 30, 2006

LínGua LÍnguA LíngUa líNgUa línGUa



Amanhã, às 7h30min, na escola Heloísa Mourão Marques, professores da disciplina Língua Portuguesa, da manhã, reunir-se-ão para buscar uma ação semelhante em sala de aula sobre GRAMÁTICA.

Além disso, definiremos a leitura obrigatória em sala para os três anos do ensino médio.
E viva o Brasil!!!

quarta-feira, junho 28, 2006

Copa do Mundo




Goooooooooooooooooooooooooooooooooooolll!!!

É o que restou a ele em um país onde a fantasia de uma vitória no campo de futebol não altera o placar de sua vida, que sempre perde para a miséria.

Que alegria é essa que não nos melhora?

Que partida é essa que nos jogaram para escanteio?

Na prorrogação, acredite, morremos!!!

terça-feira, junho 27, 2006

No jornal

Todos os bolivianos que estão residentes e trabalhando no Brasil poderão ser tratados como clandestinos e até deportados para a Bolívia caso o governo daquele país decida expulsar os brasileiros que vivem em terras de fronteira.

Nesse texto, melhor é "todos os bolivianos que residem e trabalham".
Há um hábito recente na TRIBUNA de escrever "daquele" país. Ora, uma vez citado o país, no caso, a Bolívia, o correto é usar "caso o governo desse país".


segunda-feira, junho 26, 2006

Conselhos de Turma

Nas escolas públicas acreanas, há lei que cria o Conselho Escolar, mas não existe uma letra que rege sobre os Conselhos de Turma, o que é uma incoerência administrativa.
Na escola Heloísa Mourão Marques, estamos tentando criar os Conselhos de Turma, porque, uma vez subordinados ao Conselho Escolar, esses conselhos permitirão uma relação próxima como os alunos e, sendo assim, podem deliberar a partir de um cotidiano.
O professor José Gleidson e eu iniciamos o conteúdo que regerá os Conselhos de Turma, que publico aqui.
“Dispõe sobre a organização e as
atribuições do Conselho de Turma”


Regimento do Conselho de Turma
Escola Heloísa Mourão Marques

Capítulo I
Da Organização e das Atribuições do Conselho de Turma

Art. 1°. O Conselho de Turma é órgão representativo da turma, deliberativo, consultivo e responsável pelo processo coletivo de acompanhamento e de avaliação do ensino e da aprendizagem e organiza-se-á de forma a:

I. Possibilitar o dialogo-solução entre professores, alunos, pais de alunos, inspetores, coordenação de ensino e demais funcionários da escola;

II. Viablizar o aumento do rendimento escolar de cada aluno, para tal podendo dispor de meios apropriados, como o registro de ausências, reconhecimento da individualidade de cada discente, emisão de parecer escrito e oral sobre a nota e o comportamento do aluno – este entregue em ato cerimonial – entre outros;

III. Criar e manter uma identidade para a referida unidade de ensino, a exemplo de outras, para tal podendo reconhecer e premiar discentes que obtiverem mérito durante o ano letivo, em vestibulares ou em concursos públicos;

IV. Possibilitar normas de convivência que não se confundam com o espaço da rua;
Rever práticas pedagógicas do corpo docente.

Art. 2°. O Conselho de Turma é constituído pelo corpo docente da mesma classe e contará com a participação de dois discentes, de uma inspetora de ensino e de um coordenador de ensino e poderá contar com a presença ocasional de pais de alunos.

I. Cada docente fica obrigado a participar do conselho de sua(s) referida(s) turma(s), visto fazer parte de seus deveres como professor e funcionário público;

II. Os dois discentes serão escolhidos pelo corpo docente, mediante análise de freqüência, participação em assuntos da turma e outros critérios que os identifiquem como participantes do cotidiano de sua classe

Art. 3º. O Conselho de Turma responde ao órgão deliberativo máximo da escola, o Conselho Escolar.

Art. 4°. Um professor preside o Conselho e responde por ele pelo período de um semestre, sendo escolhido pelo próprio Conselho.

Art. 5°. O Conselho de Turma se reunirá uma vez por mês e será convocado pelo professor-presidente ou, de forma extraordinária, pelo diretor.

Parágrafo Único: A convocação deverá ser por escrito com o resumo e o tempo para cada assunto da pauta, devendo ser entregue aos membros e assinada pelos mesmos 48 horas antes.

Art. 6°. O Conselho poderá formar e delegar atribuições a comissões a fim de solucionar algum problema da turma ou do aluno.

sábado, junho 24, 2006

Acolhedora Leitura


Na vida, desprezar a vulgaridade pode ser um bom caminho.

Sozinho, acolhido pelo generoso silêncio, a boa leitura abre trilhas, revela segredos.

Leia História do Amor no Brasil, de Mary Del Priore. Texto simples, agradável.

Pelo menos, uma vez por semana, por exemplo, aos domingos, acorde cedo, tome o café e deite em uma rede.

Entregue-se a um dia fresco da manhã, deixe que a brisa das palavras roçem em teus olhos.

quarta-feira, junho 21, 2006

Escrever se aprende Escrevendo

Introdução 1, da autora Jacqueline Cabral Araújo, de 16 anos
2º ano do ensino médio, turma E.

Para uma vida saudável, é preciso se alimentar bem para que no futuro não se sofra as conseqüências. Bebidas alcólicas, fumo, comer por desejo, não praticar nenhum exercício físico são prejudiciais para a saúde. Pesquisas feitas nos EUA, descobriram que maior parte dos habitantes, inclusive as crianças, são obesas, isso acontece por não saberem alimentar-se direito.

Reconstrução 1 da introdução 1

Para uma vida saudável, é preciso se alimentar bem para que no futuro as pessoas não sofram as conseqüências. Comer por desejo ou entre as refeições são prejudicial para a saúde. Pesquisas feitas nos EUA, descobriram que maior parte dos habitantes não sabem se alimentar direito.

Reconstrução 2 da introdução 1

Para uma vida saudável, é preciso se alimentar bem para que no futuro as pessoas não sofram as conseqüências. Comer por desejo ou entre as refeições são prejudicial para a saúde. Pesquisas nos Estados Unidos da América descobriram que maior parte dos habitantes não sabem se alimentar direito.
No dia 4 de abril, sem explicar algo sobre texto dissertativo, pedi aos alunos do 2º ano do ensino médio que escrevessem sobre qualquer idéia. Nem pedi título. O texto, só o texto.
Levei os texto para casa e, mais uma vez, marquei os problemas mais comuns e priorizei os erros que não contribuem para a organização interna do texto. Para começar, só introdução.
São duas aulas de dissertação por semana. Durante um tempo, reconstruímos cinco introduções dos alunos e reconstruímos três introduções de alunos de pré-vestibular.
Depois, apresentei 14 introduções fora da ordem lógica de raciocínio a fim de que eles aprendessem a colocar na seqüência lógica segundo as marcações textuais.
Por fim, mostrei seis exemplos de introdução.
Após a produção de abril, dois meses depois, partimos para a reconstrução textual, ou seja, cada aluno interessado indo à minha mesa para refazer o que ele tinha escrito em abril.
O texto da Jacqueline, de 16 anos, acima, expõe seus erros e, graças a esses erros, melhoramos o texto para ela evitá-los em outro momento. Depois dessa introdução, partimos para o desenvolvimento 1.

Heloísa Mourão Marques

Hoje, às 8h45min, a escola Heloísa Morão Marques, por meio da diretora Lúcia e do coordenador de ensino, professor-mestre Walmir, possibilitou o segundo encontro com os professores das áreas.
O turno da manhã reuniu-se e definiu para o segundo semestre uma prática de ensino semelhante e interligado. Na pauta, produção textual. A partir dessa produção, delimitamos o conteúdo gramatical.
Outra definição, a leitura realizada pelo professor e pelo aluno em sala de aula. Nesse caso, o texto ficcional contribuirá para a produção de texto e para o conteúdo gramatical.

É início.

A reunião de hoje, registrada em ata, deixou para o dia 24 de junho, às 7h30, uma pauta.
Por que isso não foi feito antes nas escolas públicas?

segunda-feira, junho 19, 2006

Grafia nativa

Na Redação da TRIBUNA, certa vez, houve uma discussão sobre a grafia dos nomes indígenas. O revisor, segundo a repórter, continua errado.

Nas matérias da jornalista, por exemplo, escreve-se povo Ashaninka. Por que com "A" maiúsculo? O que justifica? Onde há referência bibliográfica para escrever assim?
A repórter não tem referência bibliográfica. Ela escreve assim, mas ignora o porquê.
Pois bem, eu sugiro que ela pegue a gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra, da editora Nova Fronteira e, na página 238, leia sobre adjetivos. "Ashaninka" é adjetivo pátrio.
Ora, não se escreve povo Brasileiro, mas povo brasileiro. O mesmo ocorre com povo axaninca.
Por que a grafia "sh" com som de "x"?
Essa grafia existe por causa dos antropólogos, ou seja, o repórter escreve segundo a linguagem antropológica e não segundo a linguagem jornalística dos manuais de redação.

A repórter não lê os manuais de sua profissão e se submete à linguagem da antropologia. Incoerência. Sugiro que leia sobre a linguagem de sua profissão, por exemplo, Manual de Redação e Estilo, de Eduardo Martins.
Com essa argumentação, escreve-se povo axaninca. O resto não passa de ignorância.

quarta-feira, junho 14, 2006

Texto Jornalístico

"Por conta do feriado de Corpus Christi, que este ano caiu no mesmo dia do aniversário do Estado, o governo do Acre antecipou as comemorações para ontem a tarde, com um show da cantora Baiana Gil durante a inauguração da Via Verde."
Acima, um parágrafo publicado em um jornal acreano. Antes, eu revelava o nome; hoje, eu o preservo na geladeira, que é uma Brastemp.
Revelava-o porque eu acreditava que sentiria vergonha de seus erros e, dessa forma, buscaria escrever corretamente. Ilusão.
Trata-se de um vício, o da ignorância, que entorpece as veias com as drogas do descaso, da preguiça, do relaxamento, da indiferença, deixando o drogado, ainda, em transes de arrogância.
O texto acima é revelador. Erra-se por ignorância e ainda tem colega de Redação que queima o revisor. Acho que deixarei, assinado, algum texto in natura.

terça-feira, junho 13, 2006

Bussunda


Ontem, Ronaldo, o Fenômeno Gordo, esteve triste como um peão fixo no xadrez da Croácia.

Gordo por gordo, prefiro o Bussunda, me faz rir.
O problema é que Parreira não coloca o Ronaldo enfiado não na área, mas no spa.

Banheira



Contra a Croácia, Ronaldo, o Fenômeno Gordo, pensou ser planta e se plantou na defesa do adversário.
Ele só se movimentou quando foi substituído por Robinho.
Lugar de gordo é no spa.

LUXOemburgo

O problema da seleção brasileira é Parreira. Saudades de Luxemburgo!!!

Ser ou não Ser Parreira?

Em 1994, o Brasil chegou ao tetra por meio das cobranças de pênalti, porque a seleção de Parreira mostrou-se incapaz de vencer a Itália no tempo normal. E mais. Fomos tetracampeões com o erro de Baggio.
Sem o futebol-arte, sem uma seleção que os olhos gostassem de ver, dependemos mais de Romário e de Bebeto do que do conjunto sedutor da seleção.
O tempo passou. Parreira em 98. Chegamos à final, porque, mais uma vez, ganhamos por meio das cobranças de pênalti, agora, contra a Holanda.
Na final, sem pênalti, perdemos para a França - 3 a 0.

Josafá e suas matérias

Reviso textos jornalísticos há quase dez anos no Acre e, poucas vezes, meus olhos leram uma escrita singular, acima do comum, dos clichês. A imprensa acreana é enfadonha.
Josafá Batista, esse acreano de família simples, que sempre estudou em escola pública, foge aos clichês quando assim deseja. Há textos desse repórter que me lembram a repórter Neide Duarte, da TV Cultura, por causa de sua abordagem humana, intimista.
Na condição de mero revisozinho da TRIBUNA, eu não me sinto um estúpido quando leio certos textos de Josafá Batista, por exemplo, este:
Mães sem companheiros chefiam 19,5% das famílias acreanas
Josafá Batista
Com um aprendizado escolar suficiente para fazer cálculos matemáticos e assinar o próprio nome, Maria Auxiliadora Silva da Cunha, de 33 anos, é um exemplo típico da rio-branquense da última década.

Assim como 19,5% (53.995) das mulheres acreanas, ela cuida sozinha dos filhos e ainda arranja tempo para trabalhar fora. Auxiliadora tem seis filhos, que cuidam uns dos outros quando ela está fora.

O diagnóstico da situação social da mulher acreana foi divulgado pelo IBGE por meio do Sistema Nacional de Informações de Gênero. Os números incluem também os demais estados.

No caso do Acre, as “auxiliadoras” são realmente maioria: mesmo com a redução do analfabetismo em todas as faixas etárias, elas têm baixa instrução escolar, muitos filhos e salários baixos.

Mas há mais. Há histórias individuais que a pesquisa não contabiliza, como o próprio caso de Maria Auxiliadora. Abandonada pelo marido há dois anos, ela começou uma batalha judicial para conseguir a pensão das crianças.

“Ele disse que prefere ir para a cadeia do que pagar. Eu me arrependo muito de ter vivido com ele. Se tivesse que escolher criar meus filhos desde o começo sozinha, teria preferido assim”, revela.

Auxiliadora trabalha meio período como doméstica e ganha um salário mínimo.

Moradora da Travessa Baguari, no bairro Taquari, essa acreana é cercada por uma realidade que impede qualquer possibilidade de ascensão profissional, como exige o mercado moderno.

O pouco dinheiro que ganha é gasto com a feira do mês anterior, com impostos e com alguns gastos das crianças. Entre as vizinhas, a situação é parecida. Em comum, só as crianças na escola e a realidade dura, diária e impositiva. A família não pode escolher deixar de comer.

De acordo com o IBGE, a contribuição dos salários das mulheres para o sustento das famílias acreanas aumentou entre 1991 e 2000. A variação foi de 7,8%. O número, porém, inclui mulheres com e sem companheiros.

Mão-de-obra barata e disponível
Uma redução drástica nos índices de analfabetismo em nove anos, entre mulheres e entre homens, não surtiu o esperado efeito de melhorar o acesso ao mercado de trabalho. Pelo menos entre as mulheres. Segundo a pesquisa, as trabalhadoras acreanas somam 128.097, sendo 26.743 empregadas domésticas, mas a média dos salários caiu entre 1991 e 2000.

Hoje, uma acreana ganha em média R$ 226,38, menos de um salário mínimo. Em 1991, a média salarial era de R$ 255,5. A desvalorização é explicada pelos economistas como um excesso de mulheres de baixa renda no mercado, problema oriundo do grande número de filhos - que obriga os empregadores a pagar gratificações e extras - e da alta informalidade em diversos setores.

Nas famílias chefiadas por mulheres e que ganham até meio salário mínimo, há em média 3,7 filhas. O número caiu em relação a 1991, quando era de 3,8 filhas.

Dos 15 aos 17 anos, 90,1% das mulheres chefes de família se disseram brancas.

Uma vida de sacrifícios
Maria Auxiliadora Silva da Cunha teve o primeiro filho aos 18 anos. Em sua casa, no bairro Taquari, a doméstica respondeu a uma curta entrevista. Estava apressada. Queria sair para o trabalho, de onde retira o sustento diário dos seis filhos. Leia.

Valeu a pena ter se casado?
Se tivesse que escolher, eu não me casaria. Só agradeço a Deus pelos meus filhos, que são a minha razão de viver. Amo muito todos eles e cuido de todos com carinho, mas, do marido, não gosto. Ele nunca ajudou em nada.

Como assim não ajudou em nada?
Ele trabalhava e ganhava algum dinheiro, mas nunca me dava nada nem comprava coisa alguma para as crianças. Quem fazia tudo era sempre eu. Então, achei melhor acabar o casamento, não adiantava nada. Hoje, eu sou pai e mãe das crianças.

Como a senhora faz para cuidar dos seis e ainda trabalhar fora?
Dá-se um jeito. Como eu trabalho só à tarde, pela manhã, eu fico em casa cuidando de todos e, durante a tarde, coloco alguém pra cuidar deles. Pago R$ 50 só para ficar olhando. Não é muito, mas não posso pagar mais, mas, na maior parte do tempo, eles cuidam uns dos outros.

Quantos estudam?
Todos, menos o mais novo, que ainda não tem idade para estudar. Tem só quatro anos. O mais velho tem 13.

segunda-feira, junho 12, 2006

Um Livro Lançado

Sociólogo diz que o indivíduo vive sob a ameaça da "colonização da existência", ataca Naomi Klein e aponta a pobreza e a educação como os grandes problemas hoje
MARCOS FLAMÍNIO PERES
EDITOR DO MAIS!
Depois da surgimento do capitalismo de massa, no fim do século 19, e da "sociedade de abundância", no pós-guerra, o mundo vive hoje uma nova forma de consumo, iniciada nas duas últimas décadas e marcada pela oferta incessante de produtos em escala e intensidade jamais vistas.
Nesta nova "era do hiperconsumo", o apelo ao consumismo entranhou-se no cotidiano de toda a pirâmide social - ricos, pobres e classe média - e moldou uma forma inédita de relacionamento do indivíduo consigo mesmo e com o outro -para o bem e para o mal.
Essa é a tese defendida pelo sociólogo francês Gilles Lipovetsky, 61, em seu recém-lançado "Le Bonheur Paradoxal" [A Felicidade Paradoxal, ed. Gallimard, 378 págs., 21 euros, R$ 60], ainda sem previsão de publicação no Brasil.
Em seu estilo verborrágico e coalhado de exemplos, o sociólogo faz a defesa do consumo como forma de terapia contra as frustrações cotidianas -"a superficialidade é necessária"-, mas alerta que, no século 21, ele está se aproximando perigosamente de uma forma de totalitarismo, que "coloniza as existências" dos indivíduos.
De um lado, uma poderosa terapia que ajuda a afastar as frustrações diárias; de outro, um mecanismo de produção de ansiedade em um mercado cuja razão de ser é a contínua oferta de "novidades" - de que são exemplo as novas e polêmicas chuteiras do atacante brasileiro Ronaldo, recauchutadas pelo fabricante a partir do modelo anterior, mas cujo preço mais que dobrou.
Caminhando o tempo todo no fio da navalha em suas argumentações, Lipovetsky diz que o hiperconsumo encurtou as diferenças entre as classes sociais, mas, ao mesmo tempo, passou a se nutrir delas. Pois, afirma, ao estimular a compulsão pela compra como objeto de desejo, a sociedade de hiperconsumo leva as pessoas com menos renda a se tornarem, na ausência de meios materiais, consumidoras apenas potenciais - só "na imaginação".
A conseqüência dessa impossibilidade é "a delinqüência, a violência, a criminalidade", diz o sociólogo -curiosamente aproximando-se da opinião do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, para quem "o consumismo estragou o Brasil" (Folha, 31/5). Lipovetsky bate de frente com as teses de uma obra emblemática da crítica à fetichização do consumo, lançada em 2000: trata-se de "Sem Logo" (Record, da canadense Naomi Klein.
Ao enfatizar a "tirania" das marcas na sociedade, ela não leva em conta que as pessoas "dispõem de liberdade" para escolher; consumo não é o equivalente do facismo", diz o professor da Universidade de Grenoble. Na entrevista abaixo, concedida por telefone de Paris, o autor de "A Terceira Mulher" (Cia. das Letras) e a "A Sociedade Hipermoderna" (ed. Barcarolla) começou falando da "medicalização" do consumo, como "terapia cotidiana".

FOLHA - Por que o hiperconsumidor é alguém que vive uma relação ambígua e quase esquizofrênica com o prazer, como diz em seu livro?
GILLES LIPOVETSKY - Porque o consumo se tornou uma terapia cotidiana, funcionando como uma espécie de droga psicológica: faz esquecer, faz mudar de ares. Assim, ele é ao mesmo tempo uma busca de prazer - viajamos nas férias, decoramos a casa, vamos aos restaurantes- e uma forma de expulsar a angústia e a ansiedade.

FOLHA - Esse é o lado positivo do consumo?
LIPOVETSKY - Sim, mas há outros aspectos, que são negativos. Vivemos em um universo em que as referências se evaporaram ou ficaram desreguladas.A própria obesidade é uma conseqüência do hiperconsumo, porque ela destrói estruturas, referências e tradições sociais e culturais. Outrora, comia-se em horário fixo; hoje, em uma cidade como São Paulo, por exemplo, pode-se comer qualquer coisa a qualquer hora. Segundo pesquisas realizadas na Califórnia, um em cada dois norte-americanos não sabe o que é uma refeição equilibrada. Sabe-se também que uma porcentagem significativa da população da França e dos Estados Unidos não faz nenhum exercício físico. Em uma vida que é completamente hedonística, tudo leva à facilidade. As pessoas assistem ao futebol na TV, mas não o praticam, assistem ao Carnaval na TV, mas não vão às ruas "pular". Então, temos modos de vidas que são completamente desregulados, em que há excesso de todos os lados. Há excesso de comida, excesso de gordura, excesso de ócio.
FOLHA - Essa desregulação é conseqüência direta da falência dos grandes sistemas - sociais, religiosos, políticos?
LIPOVETSKY - Sim, mas foi o hiperconsumo que exacerbou tal desregulação. Porque existe uma oferta permanente, uma estimulação contínua. Mas há um segundo aspecto muito importante -e negativo. O sistema de hiperconsumo hedonístico desregulou totalmente o sistema de educação. Cada vez mais você tem jovens e mesmo crianças agitadas, que não conseguem se controlar. Os mais desfavorecidos também são hiperconsumidores, embora apenas na cabeça Mas por quê? Porque os pais hoje não são mais capazes de lhes definir o sentido de limite, incapazes de estruturar seu comportamento. Há crianças que passam, diariamente, cinco horas diante da TV simplesmente porque os pais não conseguem lhes dizer "não". Os pais hoje têm medo de frustrar os filhos. Essa é uma conseqüência do hiperconsumo.
FOLHA - E por que os pais não conseguem dizer "não"?
LIPOVETSKY - Porque os valores hedonistas, o culto da felicidade, se tornaram centrais. Então, teme-se que a criança se frustre, que não seja feliz.
FOLHA - Os pais são hoje uma exacerbação do Maio de 68?
LIPOVETSKY - Exatamente, mesmo sem sabê-los, eles são "soixante-huitards" [referência aos manifestantes de Maio de 68]. Os pais se tornaram fracos. Assistimos hoje a uma falência do sistema de educação, e acredito que esse é um enorme problema e um dos grandes desafios para o século 21. Esse aspecto também se pode detectar entre as pessoas mais pobres, que são completamente obcecadas pelo consumo. O consumo em si não é negativo, não é em si um drama, mas assim se torna quando invade completamente a existência. Quando pessoas pobres não têm como pagar a eletricidade, mas compram um aparelho de TV, quando as pessoas não conseguem comer bem, mas gastam dinheiro para comprar produtos de marca -um tênis Nike, por exemplo-, vive-se uma situação louca. Nesse sentido, o consumo colonizou as existências. Não sou contra o prazer do consumo. O consumo é bom, a superficialidade é boa, temos necessidade deles. Não é preciso ser moralista, como o são os marxistas. Mas sou contra o totalitarismo do consumo, que impede o desenvolvimento dos outros aspectos necessários à existência. Porque o homem é alguém quem pensa, que crê, que deve se superar. Ele não pode ser simplesmente um "homo consumericus".
FOLHA - Pode-se dizer, então, que existe uma dialética entre autonomia e dependência na sociedade do século 21?
LIPOVETSKY - Não sei se dialética, mas certamente uma coexistência. Porque hoje temos consumidores que são mais livres do que antigamente, mais autônomos porque mais bem informados; os códigos sociais de antigamente são menos fortes e, de modo geral, pode-se, viver de acordo com os seus desejos. Tem-se à disposição uma oferta de consumo muito diversa, e isso é bom. Mas, ao mesmo tempo, há também uma dependência dos indivíduos em relação ao consumo. E dependência e autonomia andam juntas hoje. Há 50 anos, o consumo era algo relativamente pequeno na vida das pessoas. Vivia-se com muito pouca coisa; já, hoje, há carros, telefones, computadores, viagens para toda parte, o que leva as pessoas a tornarem-se escravas do consumo. É por isso que falo de "felicidade paradoxal", porque, ao mesmo tempo, há mais autonomia e menos autonomia.
FOLHA - Mas esse hiperconsumo não é para todos. Em um país como o Brasil, por exemplo, parcelas expressivas da população estão alijadas do acesso a vários produtos...
LIPOVETSKY - Mas o problema é que a sociedade de consumo cresce par a par com o crescimento das desigualdades. E aí reside um verdadeiro drama porque, se é um fato que a pobreza sempre existiu, hoje as pessoas mais desfavorecidas também são hiperconsumidoras, embora apenas na cabeça.

FOLHA - Apenas na imaginação?
LIPOVETSKY - Sim. Assim como todos os demais, as pessoas com menos renda também querem marcas, a moda, a televisão, o iPod... Elas também querem a vida hedonística, e isso torna as coisas mais complicadas, pois nem sempre conseguem o que desejam.

FOLHA - E quais as conseqüências sociais dessa impossibilidade de hiperconsumir?
LIPOVETSKY - A delinqüência, a violência, a criminalidade. As pessoas não querem viver mal, elas também querem participar da sociedade de hiperconsumo. E, como isso é difícil, podem lançar mão de formas imediatas para conseguir dinheiro -como tráfico de drogas e roubo- e pagar pelas marcas. Porque, se você não tem os produto de consumo, você está excluído da sociedade.

FOLHA - O hiperconsumidor é alguém que vive para um futuro que nunca se cumpre?
LIPOVETSKY - É preciso ter cuidado para não diabolizar o tema, porque os intelectuais que se debruçaram sobre o fenômeno nos últimos 50 anos foram terríveis, apocalípticos.

FOLHA - Como Naomi Klein?
LIPOVETSKY - Exatamente. Não concordo com suas análises, que acho pouco exatas. Naturalmente, elas têm algo de verdadeiro -o excesso de marcas e a invasão do espaço privado pelo excesso de publicidade. Mas essa invasão não é o equivalente do facismo, pois os indivíduos também dispõem de muita liberdade. O consumo não é o totalitarismo; o universo do hiperconsumo é também aquele em que as pessoas vivem bem e por muito tempo. Há também o consumo médico, e isso é bom. Certamente que há um lado criticável no consumo, mas não é aquele que Naomi Klein aponta. Ela vê apenas o lado superficial da questão, que são as marcas. De fato, as marcas são importantes, mas sobretudo para os muito, muito pobres. Para os outros, o consumo se dá de modo bem pouco fiel... Eles mudam de marca, e isso não é um grande problema. O verdadeiro problema hoje é a educação, a pobreza e o desemprego, a depressão, a ansiedade -e não as marcas.

FOLHA - Pode-se dizer que o hiperconsumidor é alguém em busca de si mesmo?
LIPOVETSKY - Sem dúvida. Mas, lendo o livro de Naomi Klein ["Sem Logo"; leia texto na pág. ao lado], temos a impressão de que os indivíduos não existem -só existem as marcas e os negócios. Para ela, os indivíduos recebem as marcas sem conseguir reagir, como se fossem escravos. Mas você pode assistir a anúncios de uísque 24 horas por dia e jamais beber uísque. Você não vai a um restaurante porque viu alguma publicidade sobre ele, mas porque algum amigo o indicou, por meio do boca-a-boca.Na verdade, considero que, quanto mais marcas há, mais os gostos se individualizam.O universo do hiperconsumo desenvolve a multiplicidade de gostos individuais.

FOLHA - O surgimento da sociedade de hiperconsumo está ligado à ascensão de uma "lógica igualitária" -como o sr. diz em seu livro-, criada pela democracia?
LIPOVETSKY - Sim, mas lógica igualitária não significa uniformização, mas, em seu sentido mais profundo, o direito de cada um à felicidade e ao consumo. Isso significa que, mesmo que não se seja rico, pode-se viver bem. Hoje pode-se viajar de avião ao lado de quem tem um nível de vida diferente do seu, que pode ter muito mais dinheiro que você. O que não significa afirmar que as diferenças desapareceram -isso seria ridículo. Mas também não significa dizer que o mundo de pobres e ricos seja estanque. Hoje mesmo as classes desfavorecidas têm acesso ao consumo -e isso muda tudo. A sociedade de hiperconsumo ajudou a encurtar as diferenças entre as classes sociais.

FOLHA - Por que o sr. diz que a sociedade de hiperconsumo é marcada por uma "feminização"?
LIPOVETSKY - Práticas que outrora eram privilégio das mulheres -como a moda e a cosmética- hoje cada vez mais se integram ao universo masculino. Em um sentido mais amplo, assistimos a uma feminização do design. As formas agora são mais doces, mais maternais e menos agressivas. Isso talvez seja a expressão de uma sociedade mais ansiosa, que acredita menos na modernidade e que deseja um bem-estar imediato. Pois as formas antigas eram uma espécie de profissão de fé na modernidade. Havia um esforço em destruir a tradição, enquanto hoje não se deseja destruir nada, mas, antes, conservar tudo. Hoje as formas pretendem transmitir paz, serenidade, razão pela qual o modelo dessa sociedade não é Dionisos, mas o zen.

FOLHA - Mas um zen com ansiedade. Isso não é contraditório?
LIPOVETSKY - Sem dúvida.

FOLHA - Esse é o pós-hedonismo?
LIPOVETSKY - Exatamente. Um hedonismo ansioso.

FOLHA - O sr. fala de uma "cultura preventiva" do consumidor. Isso é uma relação um pouco paradoxal com o prazer da compra, não? O que é exatamente isso?
LIPOVETSKY - Esse é um grande problema, que tem se desenvolvido, digamos, há cerca de 20 anos. É o que chamo, para me divertir, de "Dr. Knock", referência a uma peça de teatro em que os personagens estão perfeitamente bem, gozam de boa saúde, mas vão a um médico que lhes diz: "Você estão com problemas, as coisas não vão bem". E eles saem dali "doentes", desestabilizados. É o que vivemos hoje. Por exemplo, você não pode se expor ao sol, porque causa problemas, você não pode beber Coca-Cola, porque tem muito açúcar, você não pode comer muita carne, porque tem gordura, você tem que fazer exames médicos, você não pode fazer sexo sem camisinha, porque pode pegar Aids...

FOLHA - Mas essa preocupação não é boa?
LIPOVETSKY - Certamente. Mas isso paralisa o hedonismo, porque você instala a dúvida, a desconfiança, o medo, que se torna algo permanente nas existências dos indivíduos. Nos anos 50, as pessoas comiam e tomavam banho de mar tranqüilamente; hoje, você precisa verificar se a água não está poluída, se a comida tem produtos geneticamente modificados, que podem provocar câncer. Não é uma crítica o que faço, mas o fato é que, simplesmente, vivemos em uma civilização da prevenção, que é o contrário do dionisíaco.

FOLHA - É um exemplo de hedonismo fraturado?
LIPOVETSKY - Sim. Eu diria que não vivemos o dionisíaco; apenas consumimos o dionisíaco.