sexta-feira, janeiro 19, 2007

Literatura e Cinema



A Literatura precisa ser lida em sala de aula. Professor de Literatura deve ler em sala um romance e negar os estilos de época.
Como extensão, os alunos precisam conceituar as imagens; dar a elas um sentido por meio de conceitos. Não podemos negar o cinema na escola.
Assistir aos filmes em lugar apropriado para a recepção dos sentidos.
Sobre conceitos, três autores são fundamentais: Nietzsche, Mikhail Bakhtin e Roland Barthes.

Literatura & Cinema



Quando lecionei no Souza Marques, uma escola batista em Madureira, Rio de Janeiro, havia a leitura de um romance e, depois, esse romance reaparecia na tela. Era 1990.
Hoje, após 16 anos, Literatura e Cinema permanecem em minhas aulas.
Meus alunos do ensino médio leram em sala Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e assistiram a filmes com conceitos românticos, valores opostos ao romance de Huxley. Os filmes foram Tristão e Isolda, Triunfo do Amor e O Sorriso de Mona Lisa.
Para 2007, leremos em sala de aula A Arte de Amar, de Erich Fromm. Trata-se de um texto dissertativo e, com ele, assistiremos aos filmes relacionados ao amor-paixão e à sua ausência.
Ler. ReLer. ReleR. lEr. leR. rElEr. Livros. LiVroS. PaLaVras. lIvrOs. pAlAvrAs.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Alunos, os meus



Houve uma época em que eu lecionei para 11 turmas. Em uma, havia mais de 40 alunos.
Hoje, por causa da política educacional da Frente Popular, leciono para duas turmas.
A turma da foto pertence ao ensino médio, é o pessoal da B, manhã. Nela, há 14 alunos. E aí eu pergunto: por que certos professores não qualificam o ensino público?
Com 14 alunos, há professores que não lecionam Redação como deveria ser, porque, como já ouvi, "cansa muito".
Esses alunos chegaram ao segundo ano do ensino médio com suas redações fartas de problemas, e é ilusão pensar que tais problemas seriam eliminados em um semestre. Lutamos, eu e eles, contra a preguiça, o descaso, a indiferença. Uns desistiram. Esses continuaram.
Muitas vezes reconstruíram seus textos em sala, muitas vezes. "Refaça, porque seu desenvolvimento não tem relação com a introdução", disse muitas vezes. "Refaça, porque sua idéia está genérica, por favor, especifique-a."
De setembro até hoje, comparei seus textos e percebo mudanças, mas estou insatisfeito, poderia ter feito mais e melhor. A vida sempre exige mais e mais.
A vocês, digo neste blog o que disse tantas vezes em sala de aula: sejam melhores que seus pais; construam seus destinos por meio dos livros, porque, sem conhecimento, sem cultura, vocês não ultrapassarão os limites de suas condições sociais. Que a vida os recompense com vitórias.
Sejam felizes no amor!!! Sejam felizes em suas profissões!!!
Um beijo em suas almas e um abraço em seus destinos.

terça-feira, janeiro 16, 2007

- Chico está de férias ou em férias? -


Para Eduardo Martins, do jornal O Estadão, tanto faz, mas ele opta por "em férias".
O Chico, que nem está aí para a gramática e nem se encontra em Rio Branco,, curte as praias de Crato, no Ceará.
Muito cansado de trabalhar, suas férias representam o mérito de um homem que não mede esforços para transformar o Brasil em barranco.

- à você -

"Amanhã é dia de cantar o tradicional parabéns à você para minha amiga"
    1. - à você - Como pode um jornalista escrever assim? Não há acento grave, indicador do fenômeno da crase.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

- mal tempo -



"Mal tempo fecha aeroporto e vôos são cancelados"
  1. - Mal tempo - Um jornal local publicou "mal tempo". Não é "bem tempo". O correto é "bom tempo" e, se é "bom tempo", podemos substituir por "mau tempo"; e
  2. - e vôos cancelados - Como se trata de sujeitos diferentes, prefiro colocar uma vírgula antes do "e".

"Mau tempo fecha aeroporto, e vôos são cancelados"

sábado, janeiro 13, 2007

Literatura & Língua Portuguesa


Tenho a certeza de que somos melhores professores na escola pública, porque ela oferta a nós esta liberdade - a de sermos responsáveis pela vida de nossos alunos.
A gestora da escola Heloísa Mourão Marques, professora Lúcia, aceitou a idéia dos Conselhos de Disciplina desde 2006 e, hoje, mais uma vez, os professores se reuniram para construir a "imagem" de Literatura e de Língua Portuguesa para a escola.
O processo é lento, mas não há outro caminho quando pulsa a relação humana. Brigamos, discutimos, criticamos, mas não somos desleais, canalhas ou indiferentes à vida, à educação, à escola pública.
No segundo semestre de 2006, o professor Tadeu - sentado ao lado da gestora Lúcia - organizou as reuniões do Conselho de Literatura e de Língua Portuguesa, e um item importante foi registrado e assinado pelos professores, qual seja: em sala, não haverá mais os estilos de época, mas tão-somente textos literários lidos, estudados, analisados, interpretados.
Os estilos de época serão cobrados em trabalhos escritos.
Da escola, saem os juízes, os médicos. Tudo começa por ela, a educação.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Qual o ProblemA desTa Construção?

"Sozinha, mãe deu gêmeas à luz."
Está corretíssima.

Falta & Falta


Certa vez, na escola Heloísa Mourão Marques, alunos seriam reprovados por falta, mas algumas pessoas - e não seria ético dizer nomes - levaram os estudantes ao Conselho Escolar e, contrariando a LDB, passaram uma borracha em suas faltas.
"Eles sempre assistiram às aulas."
Por causa da professora Lúcia, gestora da escola, alguns alunos se desesperaram no ano letivo de 2006 , visto que estão sendo reprovados por falta.
Sentado e de costa, esse jovem disse que sairá do Heloísa, porque não dá mais para "zoar".
Lúcia, assim como o professor Walmir, colocou ordem na escola, mas precisamos melhorar mais. O bem público deve estar muito acima de interesses particulares. Por isso, a unidade do corpo docente para votar em um único candidato é vital para construir uma escola pública séria. A professora Lúcia, se quiser, é um nome.

Outra Boa Entrevista de Josafá Batista

Quando conheci Josafá Batista, eu estava no Página 20, e alguns repórteres chamavam Josafá de "maluco", de "doido", pois era um cara que voava nas suas matérias.
Alguns jornalistas acreanos são até hoje "focas", porque, quando o poder dá sardinha enlatada a eles, nossos repórteres batem palminhas e gritam alegres. Josafá nunca foi "animalzinho adestrado".
Ele sempre foi acreano, rio-branquense. Josafá Batista é jornalista que possibilita uma entrevista que não assiste à minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes, da Globo.

A Amazônia real

Historiador diz que Galvez e Plácido eram mercenários
e que o Acre não foi “conquistado”: foi roubado da Bolívia

Se a narrativa da história do Acre contar com a versão boliviana, muito bem ocultada por mais de um século de “ladainhas sobre bravos heróis da floresta”, muita coisa terá que ser reescrita.
Para começar, o Acre foi sim “doado” ao Brasil em troca de um cavalo. E mais: o puro-sangue, um mimo estratégico do governo brasileiro ao ditador da Bolívia, Mariano Melgarejo, foi acompanhado de duas medalhas... de latão.

Os detalhes desse e de outros trechos nada gloriosos da famosa e misteriosa “Questão do Acre” são expostos com farta documentação por um historiador boliviano. Aos 84 anos, Hernán Messutti Rivera, professor de História da Universidad Mayor de San Andréas, em La Paz (Bolívia), é pioneiro na pesquisa e na documentação do conflito que gerou o Estado, onde, hoje, vivem todos os acreanos.

Autor do livro El Desmembramiento de La Bolivia, ainda sem tradução no Brasil, Rivera apresenta uma nova e polêmica versão: a de que Luís Galvez e Plácido de Castro eram mercenários, isto é, homens pagos pelo governo do Amazonas com um único objetivo: enfraquecer a Bolívia, recém-saída de uma derrota em uma guerra contra o Chile. Para o historiador, a ambição brasileira, justificada pela explosão do mercado da borracha, era só uma: la plata.

Confira os detalhes da entrevista exclusiva.

É verdade que o senhor é o primeiro, do lado boliviano, a estudar a famosa “Questão do Acre”?
Eu era pioneiro quando comecei há mais ou menos 30 anos. Escolhi esse tema porque aqui ainda não havia consenso sobre a guerra, apenas alguns relatos muito antigos dos eventos. Mas foram escritos pouco depois da revolução, são mais documentos da época do que propriamente livros. Mas os historiadores não estudavam esse tema, por isso o escolhi.

O senhor também consultou fontes brasileiras?
Sim, viajei em busca de documentos a Rio Branco, ao Rio de Janeiro, a Manaus e a Brasília. Fui inclusive até o Itamaraty em busca de documentos para pesquisar os detalhes sobre a guerra.

O senhor usa sempre a expressão “guerra” em vez de “revolução”, por quê?
Porque o exame cuidadoso dos fatos mostra que foi uma guerra. Quando o senhor fala em revolução, o senhor fala do povo lutando contra o seu próprio governo. Fala do povo não muito contente pela maneira como é conduzido o governo. Por isso, revolução é sempre contra o seu próprio governo e não contra um governo estrangeiro. Um ato belicoso contra um governo de outro país chama-se guerra. Está tudo no dicionário.

Alguns historiadores brasileiros refutam esse argumento, dizendo que era uma revolução devido à posse da Bolívia na região. Não faz sentido? Não foi a revolução de pessoas que viviam dentro do território boliviano contra o governo boliviano?
Não, porque não foi feita por bolivianos, mas por brasileiros. Isso faz toda a diferença. O território era boliviano, sim, mas a guerra foi feita por brasileiros.

Como essa guerra começou na sua opinião?
O Tratado de São Ildefonso, de 1777, estabelecia o limite oeste do Brasil no sul de onde hoje fica o Estado do Amazonas. Daí para baixo, era tudo da Bolívia. Em 1867, o ditador boliviano Mariano Melgarejo, que era analfabeto e que não tinha legitimidade para representar o nosso país, deu um brinde de 540 mil quilômetros quadrados para o governo brasileiro.

Por quê?
Porque o governo brasileiro havia lhe dado um lindo cavalo e também duas medalhas de latão. Era uma estratégia, na verdade, porque o governo brasileiro não queria que o Brasil apoiasse o Paraguai em outra guerra em que se metera, por isso ofereceu o presente. E teve sucesso.

Mas 540 mil quilômetros quadrados, doados assim, é muita coisa, não?
Essas terras para os bolivianos não tinham significado algum. Eles preferiam morar lá no alto, a oeste, nos altiplanos andinos. Essas terras baixas, quentes, com bichos e doenças não eram do agrado dos bolivianos.

Então é correto dizer que o Acre foi trocado por um cavalo?
Sim, os cavalos foram um brinde do Brasil ao tirano Melgarejo. Um cavalo e duas medalhas. E ele retribuiu com as terras, assinando o famoso Tratado de Ayacucho.

E por que o senhor acha que o Brasil teria interesse nessa área, sendo que a Bolívia não tinha?
O Brasil era bem maior, tinha uma economia mais desenvolvida e percebeu que o preço da borracha vinha crescendo. Houve uma explosão do preço do látex, na verdade. Ela atingiu um preço altíssimo. Um quilo de borracha custava o equivalente a cinco dólares de hoje, preço tão tentador que vinham aqui aventureiros de todo o mundo.

Quem eram eles?
Eles integravam companhias estrangeiras, mas usavam nomes brasileiros e andavam com brasileiros. Veja, tanta ambição despertada se devia a um único fato: o Acre era o único lugar no mundo onde se produzia o látex. E também no sul do Amazonas, mas em escala desprezivelmente menor.

No Acre, está sendo exibida uma minissérie sobre a guerra.
Sim, eu fui entrevistado por uma equipe da televisão brasileira sobre essa produção. Parte da novela é baseada no famoso Luíz Galvez, esse aventureiro espanhol que criou a República do Acre. No entanto, algumas pessoas não sabem, outras não querem saber, mas o Galvez era pago pelo governador do Amazonas, Ramalho Júnior. Por isso, ele queria fazer um país independente.

Um herói pago?
Não, um aventureiro mesmo. Os documentos da época mostram de tudo um pouco. Era escroque, mulherengo, ladrão, enfim, fazia várias bobagens, mas ele tinha carisma e conquistava as pessoas. Fazia com que elas aderissem à sua causa, sabia conquistá-las. Mas era pago, e muito bem pago, por isso.

E Plácido de Castro?
Plácido era militar. Ele começou a carreira e ascendeu muito, mas, quando chegou à certa patente, percebeu que sua vocação não era aquela, porque ele queria ganhar dinheiro. Então veio para a Amazônia. Em Manaus, foi contratado para fazer incursões, limitando o tamanho dos seringais, mas contraiu malária e voltou a Manaus. Foi então que o governador José Néri, sucessor do Ramalho Júnior, contratou-o para fazer uma demonstração de força do Brasil para a Bolívia. A idéia era fazer os bolivianos desistirem de defender essa região. Por isso, ele foi enviado e também foi pago muito bem.

A sua versão de Plácido de Castro bate de frente com a versão dos acreanos. Lá, ele é um herói, com monumentos em sua homenagem.
Para os brasileiros, Plácido pode ser um herói, mas, para os bolivianos, ele foi um mercenário. Um herói é alguém que dá sua valentia, sua vontade, seu suor por amor à pátria sem compensações. Mas uma pessoa que faz um trabalho de guerra, sendo paga para isso, chama-se mercenário, isso desde a Idade Média. Ele condicionava o seu proceder ao dinheiro que recebia. Um mercenário.

E o Bolivian Syndicate? Até onde é verdadeira a história de arrendamento do Acre para o capital internacional? Foi isso que precipitou os fatos que levaram à guerra na versão brasileira.
Aconteceu o seguinte. A Bolívia não tinha dinheiro para desenvolver seu território, porque perdeu o mar e enfrentava diversos conflitos. Então, o governo planejou participar de uma sociedade anônima para a exploração dos recursos naturais, que, estes, sim, eram vastos. Foi algo parecido com a Lei de Exploração de Florestas recentemente aprovada no Brasil, mas com a diferença de ações para venda. Pelas regras, a Bolívia ficava com 50% da exploração e o restante era vendido a quem quisesse comprar.

Mas isso não foi um atentado à soberania boliviana?
Não, porque o que se negociava era apenas o direito de explorar economicamente as terras, e não de possuí-las. E, como eu disse, o governo boliviano tinha 50% das ações, o que, em tese, impediria qualquer tentativa tresloucada de invadir o território para assaltá-lo. Era uma idéia boa para os bolivianos e para os empresários da época, que inclusive se interessaram.

Quem se interessou?
Quem não se interessou foi o Brasil, que foi convidado, mas não quis. O governo taxou a idéia de maluca. Então, a Bolívia ofereceu à Europa e aos Estados Unidos, onde os industriais mais ricos compraram as ações.

Quais industriais?
Os mais ricos. Deixe-me lembrar. Rockefeller, Kennedy, Ford, Vanderbilt e outros. Todos compraram ações. A família do presidente Roosevelt também comprou ações, havia muitos interessados exatamente devido à borracha. O problema é que, quando o chanceler do Brasil, que nessa época ainda não era o Barão do Rio Branco, era José Paranhos da Silva, viu que a idéia daria certo, resolveu espalhar boatos e assustar os investidores.

Estratégia de mercado?
Isso mesmo. Assustando os investidores, aproveitando-se da sua proximidade na região para espalhar boatos inverídicos sobre desgraças naturais, índios carniceiros, doenças incuráveis e outras coisas, o Brasil conseguiu não apenas a desistência de muitos investidores, mas também comprar as ações a um preço baixíssimo.

Quanto?
Menos de quarta parte do valor original. O governo brasileiro agiu assim até comprar os 50% destinados ao mercado. As ações valiam cerca de um milhão de libras esterlinas. O Brasil comprou todas por 50 mil libras esterlinas.

Então, o Brasil comprou o Bolivian Syndicate?
Isso mesmo.

Mas, convenhamos, o senhor não acha que parte dessa estratégia se devia à preocupação com brasileiros que já viviam na região?
Se assim fosse, se a preocupação fosse essa, o Brasil teria aceitado a primeira oferta e comprado ações para empregar o seu povo. Não havia problema algum. O que a Bolívia queria era investir esse dinheiro em uma indústria poderosa da borracha na própria Bolívia. Quando se trata de mercado, é fácil negociar essas coisas, especialmente porque os bolivianos não moravam nessa região, como eu já citei. A Bolívia precisaria e contrataria mão-de-obra brasileira, pacificamente, mas o Brasil infelizmente queria guerra. O governo de vocês queria a posse das terras.

Mas, se na versão brasileira o argumento mais forte da revolução ou guerra foi exatamente o Bolivian Syndicate, então por que Plácido de Castro usou esse argumento?
Ele mentiu, é claro. E isso confirma a narrativa histórica dele. Quando Plácido dizia que estava lutando pelo Acre para impedir a intromissão dos grandes capitalistas norte-americanos, isso era falso, porque nessa época o Brasil já havia comprado todas as 50% das ações do Bolivian Syndicate.

Mas, se o Brasil havia comprado, por que fazer guerra?
Porque o seu país comprou o direito de trabalhar dentro, apenas. Não tinha a posse da terra. O Bolivian Syndicate nunca negociou a soberania boliviana.

Por que os parceiros comerciais não ajudaram a Bolívia?
Porque eles compravam borracha dentro do Brasil, diretamente. Havia toda uma cadeia de exportação da borracha, burlando-se impostos ao governo federal brasileiro e outras irregularidades. Se fosse pela Bolívia, os compradores teriam que pagar todos os impostos, mas isso não acontecia no Brasil. Então, eles estavam envolvidos demais economicamente para qualquer tomada de posição pró-Bolívia.

Então houve uma certa omissão internacional nesse conflito, é isso?
Houve, porque a borracha era vendida às grandes indústrias de pneus. A indústria do automóvel na época crescia enormemente e precisava de borracha para os pneus. E o único lugar do mundo onde se produzia borracha era aqui, no Acre. E, nessa época, já havia muitos brasileiros na região.

Então, o senhor está dizendo que houve toda uma conjugação de interesses econômicos e que, para mantê-los, o Brasil invadiu um território de outro País e o tomou, usando mercenários pagos. É isso?
Esse é o resumo de tudo. Veja, o governador do Amazonas, Ramalho Júnior, ganhava desse território com a produção e importação de borracha cerca de um bilhão de contos de réis por ano. Se ele perdia esse território, devolvendo-o à Bolívia, ele perderia tudo. E Ramalho precisava, porque gastava muito, inclusive, com malversação de recursos públicos. Ele simplesmente não podia perder essa mina, inclusive, para manter sua influência e poder.

Por que a Bolívia não denunciou tudo à comunidade internacional?
Denunciar para quem? Não existia ONU nem Liga das Nações nessa época. Pior: a Bolívia não podia fazer muito esforço econômico, porque acabávamos de sair da guerra com o Chile. Nessa guerra, nós perdemos 50 mil soldados. A economia boliviana estava quebrada e, logo em seguida, veio esse problema. Não tínhamos recursos para fazer nada e, quando resolvemos fazer, recebemos um ultimato do governo brasileiro.

Como assim?
Quando a Bolívia venceu um conflito com as tropas de Plácido de Castro, em Puerto Alonso, o governo brasileiro colocou em cena o Barão do Rio Branco. Ele enviou uma carta ao governo boliviano com negociações, mas, quando o governo boliviano respondeu que não aceitava, ele mandou essa resposta: “Isso não é uma negociação. É uma ordem!”. E também avisou que 50 mil brasileiros, das Forças Armadas do Brasil, estavam prontos para invadir La Paz e tomar a Bolívia. E estavam mesmo.

Isso está documentado?
Está. Tudo o que estou lhe falando está documentado, com fontes brasileiras e bolivianas. Na segunda edição do meu livro, vou publicar a carta completa do Barão do Rio Branco com o ultimato à Bolívia. Todos poderão conferir como se deu esse assalto, porque foi disso o que se tratou - um assalto.

Mas o governo brasileiro não pagou dois milhões de libras esterlinas pela posse do Acre?
O Brasil nunca pagou essa dívida. Aliás, pagou sim, mas com uma estrada de ferro que nunca foi concluída e dentro do território brasileiro, com gente brasileira e que sequer chegava à Bolívia nem mesmo no projeto. É como se eu tivesse uma dívida com o senhor, comprasse um aparelho de som no mesmo valor da dívida e lhe dissesse: “Eu paguei aquela dívida com um aparelho de som. Está lá em casa. Quando quiser ouvir som, passe por lá”.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Ele (1902-1987)



Memória





Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

A Polícia Federal e a Linguagem

Liminar obriga fiscalização de "estrangeirismos" no comércio e na publicidade

Uma liminar, expedida pelo juiz federal substituto da 1ª Vara de Guarulhos, Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, determinou que a União Federal fiscalize a utilização da língua portuguesa no comércio de produtos e de serviços, inclusive, nas ofertas publicitárias em vitrines, prateleiras, balcões ou anúncios.

Segundo a determinação, os anúncios que utilizarem termos como "sale", "off", "summer", entre outros, deverão ser acompanhados de tradução, no mesmo destaque.

Expressões em língua estrangeira deverão ser traduzidas com texto correspondente na língua portuguesa. Além disso, os anúncios deverão ter clareza e precisão ao se referirem às características, qualidades, quantidade, composição, preço (também condições de pagamento e descontos), garantia, prazos de validade, origem, riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.

Na opinião de Antônio Mascarenhas de Souza, o artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor é claro: "oferta e apresentação de produtos ou serviços devem exteriorizar-se por meio de informações em português".

"Qualquer fornecedor que se utilize dos termos 'sale' ou 'off' objetiva propor ao consumidor a aquisição de seus produtos ou serviços, tornando-os mais atrativos, relacionando tal informação diretamente à diminuição do preço, ao seu barateamento."

Para o juiz, somente a publicidade que não tiver algum tipo de oferta é que poderá usar indiscriminadamente qualquer símbolo, palavra ou gesto, "desde que esteja dentro das regras dos artigos 36 a 38 do CDC, que proíbem a mensagem enganosa ou abusiva."

Souza esclarece que a oferta, publicitária ou não, é meio de interlocução com o consumidor para convencê-lo e atraí-lo, mediante realce de elementos contratuais do negócio.

"Em conseqüência, nesse aspecto, suprir-lhe a comunicação na própria língua significa negar os objetivos expressos no Estatuto de Defesa do Consumidor e dificultar o acesso de compreensão para boa parte [senão a maioria] da população brasileira."

Quem não respeitar as regras, segundo decisão do juiz, deverá ser penalizado de acordo com o artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor, com multa, apreensão do produto, cassação do registro, entre outras penas.

Palhaçada


Márcio é diagramador da TRIBUNA e, em outros momentos, perde o juízo e desmoraliza a família, dando, dando, dando uma de bobo da corte.
Gente boa!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Tonivan & Tonivan & Tonivan

Há quase 10 anos, tenho a amizade e os bons serviços de Tonivan, responsável pela filmoteca, pelos filmes que passam pela escola pública.
Após a leitura de um romance em sala de aula, passo para meus alunos a imagem-palavra do que foi lido. São filmes relacionados à temática da narrativa romanesca.
Neste ano, após a leitura de Admirável Mundo Novo, assistimos aos filmes Tristão e Isolda, Triunfo do Amor e O Sorriso de Mona Lisa.
Falei sobre os conceitos relacionados ao Romantismo "expostos" pela imagem a fim de compará-lo como valores opostos ao livro Admirável Mundo Novo.
Se não existissem funcionários como Tonivan, seria impossível.
Muto obrigado! Sempre precisamos do Outro.

Itaan & a Imprensa

Hoje, o governador Arnóbio Marques escolheu Itaan Arruda como assessor de imprensa do Estado.
Quando começou a escrever no jornal A Gazeta, publiquei um artigo não para elogiar suas linhas, mas para reconhecer sua inteligência. Formado em jornalismo, Itaan possui um valor que a faculdade não ensina: caráter.
Leitor de bons livros - algo incomum entre nosso jornalistas -, esse rapaz tem a chance de transformar a relação entre imprensa e governo. Escrevi certa vez que atual relação não está à altura de um governo de esquerda.
A imprensa não pode servir como um meio do poder propagar sua imagem narcísica. Para um governo de esquerda, exige-se mais, bem mais do que "eu sou belo". O exercício da autocrítica não deve ser esquecido pelo PT.
A Itaan, desejo que o poder jamais retire dele a simplicidade.
Vida longa, garoto!!!

terça-feira, janeiro 09, 2007

Os SindicaTos se CalaM

Elas não tocam no assunto.
Os sindicatos - os da educação, principalmente - não deveriam se comportar como empregadas domésticas ou domesticadas. No Acre, sobre a pensão eterna dos ex-governadores, o silêncio oculta uma injustiça social.

Durante toda a vida, ex-governadores acreanos receberão uma pensão que, por mês, retira dos cofres públicos mais de R$ 350 mil. "Governador" não é profissão. "Professor" é.

Acre paga pensão a 16 ex-governadores

O Supremo Tribunal Federal recebeu parecer do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, que considera inconstitucional o pagamento de pensões vitalícias a ex-governadores.
No Brasil, 21 Estados pagam o benefício aos ex-administradores. Há 16 anos , o STF deu liminares contra o privilégio, mas nunca julgou o mérito.
No Acre, o pagamento de pensões vitalícias consome, mensalmente, mais de R$ 350 mil.
O presidente do Instituto de Previdência do Estado, José de Anchieta, não quis falar sobre o pagamento do benefícios, alegando que o assunto não é da ordem previdenciária, mas informou que o Estado mantém na folha de pagamento 16 ex-governadores.
Cada um recebe mensalmente R$ 22.11,25. Desse valor, 11% são recolhidos ao Tesouro Estadual. Até dezembro do ano passado, o valor de pensão era de R$ 16 mil, mas foi reajustado em projeto aprovado na Assembléia Legislativa, encaminhado pelo ex-governador Jorge Viana.
O artigo 77, da Constituição Estadual, trata do pagamento das pensões vitalícias quando diz que cessada a investidura do cargo de governador, quem o tiver exercido, em caráter permanente, fará jus a um subsídio mensal e vitalício correspondente aos vencimentos e representação do cargo.
No artigo 3º da mesma lei, a constituição fala da suspensão do pagamento, que ocorrerá em caso de morte de todos os beneficiários.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Município cria regras para avaliar eficácia da alfabetização

O secretário municipal de Educação, por meio da Instrução Normativa 003, de 5 de janeiro de 2007, institui um processo de avaliação para professor alfabetizador e determina que, no final de cem dias, pelos menos 90% dos alunos da turma deverão ter construído a hipótese de escrita silábica como valor sonoro convencional e, no final de 200 dias letivos, pelo menos 90% dos alunos da turma deverão ter construído a escrita alfabética.
Evidente que esse professor será observado por uma Comissão de Avaliação. Caso o professor não cumpra o que está escrito nessa instrução normativa, poderá ser afastado da sua função.
Creio que, aos poucos ou de repente, a Secretaria de Educação do Estado desejará algo semelhante para os professores do ensino médio. Isso pode ser perigoso se outras medidas não forem apreciadas.
Em breve, escreverei um artigo sobre isso. Por enquanto, fiquemos com a matéria do jornalista Josafá Batista, da TRIBUNA

De olho na eficácia dos programas de alfabetização nas escolas de ensino infantil, a Prefeitura de Rio Branco acaba de criar um procedimento para avaliar a eficácia dos professores em sala de aula. As novas medidas pretendem avaliar os professores a partir da aprendizagem dos alunos.
Seis avaliadores, sendo quatro professores e dois integrantes da Divisão de Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Educação (Seme), irão compor o quadro de avaliadores. As avaliações serão feitas duas vezes por ano, sendo o primeiro ao final dos cem dias letivos e o segundo a partir do 200 dias.
“Além da avaliação a partir dos alunos, o professor terá ainda que se inscrever e participar de um curso de certificação oferecido pela secretaria, com freqüência mínima de 95% da carga horária total e aproveitamento mínimo de 80% dos conteúdos. As medidas entram em vigor já neste ano”, explica o subsecretário municipal de Educação, Cláudio Ezequiel.
Ainda segundo a Seme, as avaliações pretendem melhorar a alfabetização nas escolas de ensino infantil e também incentivar os professores com melhores pontuações. O incentivo será sentido no bolso, garante Ezequiel. “Queremos selecionar e vamos pagar mais, só que vamos pagar mais para aos melhores”, revela.
Pelas novas regras, o professor será considerado aprovado quando pelo menos 90% dos alunos de sua turma conseguir uma escrita silábica com valor sonoro convencional. Esse, porém, é o primeiro exame, realizado ao final dos cem dias letivos.
No segundo exame, realizado no final dos 200 dias letivos, pelo menos 90% dos alunos da turma devem conseguir construir a escrita alfabética.
Professores que não conseguirem notas mínimas serão encaminhados à Comissão de Avaliação. De acordo com a Instrução Normativa 003/2007, que estabeleceu as regras da avaliação, eles terão uma “análise e avaliação de sua prática pedagógica, podendo ser afastado da função”.

sábado, janeiro 06, 2007

Livro Didático de Língua Portuguesa & de Literatura


O poder público propaga que as escolas agora têm livro didático. Na Heloísa Mourão Marques, as fotos revelam a quantidade de livro didático de Língua Portuguesa e de Literatura.
Sim, os livros existem, mas a pergunta é "que livros?".
Existe um problema na escola pública que é a falta de organização, por exemplo, para escolher o livro didático.
Cada um escolhe do seu jeito, sempre às pressas, não há tempo, não há encontro entre os professores da área, porque não há conselhos de disciplina para debater e refletir sobre sua escolha.
Sem critério, sem organização, o resultado está na foto: livros didáticos de Língua Portuguesa e de Literatura péssimos. Dinheiro público compra material ruim para os alunos.
Deveria, isso sim, haver um livro para Língua Portuguesa e outro para Literatura. A escola, por meio de seu Conselho de Língua Portuguesa e de Literatura, adotaria o livro do professor Pasquale para estudar Língua Portuguesa e o livro de Domício Proença Filho para os alunos estudarem Literatura.
Quem conhece esses dois livros sabe do que estou falando.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Lane, Jornal de Brasília

- o óbvio & naquele município -

"As fortes chuvas que caem em Cruzeiro do Sul promoveram uma visão do caos naquele município."
  1. - chuvas que caem - Li isso em um jornal local. Por favor, se eu estiver errado, corrijam-me: existe chuva que sobe?
  2. - naquele - "(...) uma visão de caos no município."

BanHeirO para ProFessoR




A escola Heloísa Mourão Marques passou por uma reforma há algum tempo e ficou bem melhor, mas o arquiteto ou o engenheiro não pensaram bem quando o espaço foi "banheiro".
No mesmo espaço íntimo, há duas divisões: uma para homens e outra para mulheres.
Pois bem, se o professor passar mal e for ao banheiro, a professora ao lado ouvirá toda sua intimidade. Constrangedor.
Banheiro para juiz não é assim. Banheiro para médico não é assim.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Jesus dos Santos

Em 2004, lecionei para Jesus. Em sala, cometeu alguns pecados, um deles, "matar" minhas aulas de Literatura. Estudar é chato. Ler livro em sala, mais ainda.
Mas Jesus sempre me respeitou. Entre nós, pelo corredor da escola, o papo rolava e foi assim que conheci, aos poucos, sua vida.
Após dois anos, retornei a vê-lo em janeiro de 2007. Sentado no pátio, Jesus me cumprimentou quando eu saía da escola. "E aí, professor?". Voltei e conversamos sobre a vida, a sua.
Quanto tempo, cara.
Faz algum tempo, professor.
Soube que você ficou preso no Oliveira Conde
É verdade, fiquei 1 mês e 15 dias.
Mas você nunca foi violento na escola, nunca me tratou mal.
Professor, eu sou pobre, isso é motivo para ser preso.
Na verdade, o que houve?
Meu irmão matou um cara, e a família do morto queria se vingar, porque o meu irmão acabou preso. Por isso, eu usava uma espingarda em casa para me defender. Mas a polícia bateu lá e pegou uns caras fumando maconha no fundo do quintal. A PM bateu em todo mundo e pegou a arma.
Você chegou a matar alguém na sua vida?
Claro que não, professor. Eu só tinha a arma para a minha defesa.
Você roubou alguma vez?
Não.
E depois?
Os policiais me bateram, me levaram para a delegacia e, na delegacia, fui preso por formação de quadrilha, mas eu nunca fiz parte de quadrilha. Os policiais aumentaram, disseram o que não era verdade, os PMs mentiram.
E as porradas?
Fizeram exame em meu corpo, mas ficou por isso mesmo. Só que depois, eu estava no presídio e lá levei muita porrada logo que entrei e depois levei mais.
E como era a tua cela?
Eu fiquei em um espaço de 2x5, onde havia 25 pessoas, é o cubículo do corretivo.
E hoje?
Moro com meus pais.
Quanto teu pai recebe?
Uns R$ 500.
Vive-se com R$ 500?
E pobre vive, professor?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Capa da Playboy


Sampaio, funcionário da TRIBUNA, resolveu jogar tudo para o ar para tentar fazer sucesso como coelhinho da Playboy.
Disse-lhe que ele estava além do peso, mas, mesmo assim, iludido, ele não me ouviu.
Os filhos estão aos prantos.

Acreana



Minha amada e amiga filha. Acreana, 9 anos, uma morena rio-branquense. Que a vida a recompense com vitórias.

- Saúde -

"Na parte da tarde, o governador foi se inteirar das questões de segurança, como havia feito antes com a Saúde."
    1. - Saúde - Outro hábito é colocar a palavra "Saúde" em caixa-alta. Quando se trata de Secretaria da Saúde, tudo bem, mas, quando é substantivo comum, coloca-se em caixa-baixa, por favor!

domingo, dezembro 31, 2006

Minha filha


Feliz 2007!!! :-)

LuLa, Binho & os PoBreS


Na última atualização do blog deste ano, tenho a certeza de que o Brasil e o Acre são melhores do que ontem e serão ainda melhores amanhã.
O Partido dos Trabalhadores, representado pelo presidente Lula nos últimos quatro anos, deixa índices sociais melhores do que o governo de FHC, do PSDB.
O economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), calculou, com os economistas Nanak Kakwani e Hyun H. Son, das Nações Unidas, as taxas de crescimento que refletem a evolução da renda dos mais pobres.
Em 1996, no governo do PSDB, a renda per capita do brasileiro chegou à media de 1,59% e, em 1998, a renda dos mais pobres alcançou 5,07%. Esses, os índices de FHC.
Como o PT, a renda per capita em 2004 foi a 3,56% e, ainda em 2004, a renda dos mais pobres tocou em 14,11%. "2004 é o grande ano da queda da desigualdade no Brasil, um ano espetacular", segundo Marcelo Neri, da FGV.
No Acre, tenho certeza de que os próximos anos ofertarão aos mais humildes uma realidade social mais humana, porque o PT tem um compromisso histórico com a justiça social.
Que venha 2007!

sábado, dezembro 30, 2006

- junto à -

"Com os salários dos servidores praticamente atrasados, a mesa-diretora pediu, pela terceira vez neste ano, auxílio financeiro junto à prefeitura."
    1. - junto à prefeitura - Nossos jornalistas habituaram a escrever "junto à" de forma errada, porque a mesa-diretora não pediu auxílio "perto da" prefeitura. A mesa-diretora pediu auxílio à prefeitura.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

- eleito governador -

Todo repórter da TRIBUNA - e não só - escreve "eleito governador", "eleito deputado".
No Dicionário Prático de Regência Nominal, do Celso Pedro Luft, página 193, há duas preposições para "eleito", quais sejam: "a" e "para".
O autor dá exemplo: "eleito a (ou para) deputado."
Portanto, errado escrever "eleito governador". O correto é "eleito para governador" ou "a governador".
Leia bons autores.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Imprensa & Binho Marques


Nada é tão bom que não precise de transformações. Mas, quando é ruim, muito menos precisa ficar como está.
A imprensa, nos últimos oito anos, por causa de alguns jornalistas, só escreveu para adular o poder como se não existisse uma sociedade para ser transformada. A adulação, rebento deformado dos tolos, obstrui veredas e varadouros para novas possibilidades.
O tempo exige outros jornalistas, outros textos, outra forma de expor a realidade. Repetir com o governador Binho o que ocorreu com o governador Jorge Viana significa parar no tempo. A sociedade, a parte que lê jornais, perde com essa paralisia.
Por que o futuro governo não incentiva a criação de jornais escolares? Por que os jornais não publicam matérias propositivas sobre a educação e a saúde, por exemplo? Por que a crítica ética e inteligente é impossível?
Tenho aversão aos aduladores e aos panfletários, tipo de gente que desqualifica a democracia. Nosso jornalismo precisa pensar o Acre a fim de que não seja pensado pelo poder.

terça-feira, dezembro 26, 2006

sábado, dezembro 23, 2006

Aécio Neves não Aumentou o próprio Salário

Antes de deixar o poder, o governador Zeca do PT encaminhou um projeto de lei à Assembléia Legislativa de Mato Grosso a fim de receber como ex-governador dinheiro público por toda a vida, mais de R$ 20 mil.
Acreditando que o Natal pode trazer mais presentes, Zeca do PT se presenteou: quando morrer, sua família receberá a metade da grana pública durante toda a vida.
No Acre, o governador Jorge Viana deixa o governo após aumentar o seu salário. Como eleitor, como pessoa que vive em um país democrático e pobre, discordo desse procedimento de um partido que luta por justiça social. Não votei em Jorge Viana para isso. A população deveria ter sido consultada, porque os governadores são empregados do povo.
Em Minas Gerais, Aécio Neves sai do governo sem ter aumentado o seu salário. O governandor de Minas recebe R$ 10,5 mil. O do Acre, pouco mais de R$ 20 mil. Esse, definitivamente, não é o PT de minha adolescência, da minha juventude. Sou contra essas pensões eternas.
No entanto, entregue a uma contradição barroca, ainda voto no PT acreano por determinados motivos.

As assembléias legislativas dos Estados do ES, MG, MT e PR aprovaram na semana que passou aumentos salariais para governadores e vices.
No Estado de Alagoas, está tramitando um projeto de lei que propõe um reajuste de 14% no subsídio do governador e dos secretários.
No Acre, a Assembléia Legislativa também aprovou novo salário para o governador Jorge Viana. No último dia 14, os deputados aprovaram, por unanimidade, projeto de lei que eleva dos atuais R$ 16,7 mil para R$ 22.111 o salário do governador.
A matéria foi enviada pelo Executivo e aprovada em sessão extraordinária. Com o reajuste, o salário do chefe do Executivo estadual iguala-se ao dos desembargadores do Tribunal de Justiça. No efeito cascata, também aumentaram as pensões dos ex-governadores.
Por todo o País, uma onda de projetos de reajuste salarial de governadores, de vices e de secretários de Estados foram analisados e, em vários Estados, aprovados.
No Paraná, os deputados aprovaram elevação do salário do governador Roberto Requião (PMDB) de R$ 21,5 mil para o valor recebido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, R$ 24,5 mil.
Em Minas, os salários do vice governador eleito, Antônio Anastásia (PSDB), dos 15 secretários do estado e dos secretários adjuntos serão reajustados entre 13,8% e 20%.
Os salários vão variar entre R$ 9 mil e R$ 10.250. Só não foi reajustado o de Aécio Neves (PSDB), que continua R$ 10,5 mil.
Em Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS) teve aumento de 5,05%, aprovado pela assembléia.
Assim, o salário sobe de R$ 10,5 mil para R$11.030. O governador Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo, receberá remuneração de R$ 12.168. O reajuste para o governador foi de 8%.

Angeli, da Folha de São Paulo

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Por que escrevemos tão mal?

Estou para publicar na TRIBUNA sobre a colocação da Língua Portuguesa por Estado e por capital. O texto abaixo é o início.

Pela primeira vez na história da República, o Ministério da Educação realizou em 2005 uma pesquisa para medir a qualidade do ensino de Língua Portuguesa da 4ª e da 8ª série do ensino fundamental. Foram 3.306.378 alunos de 40.920 mil escolas públicas, distribuídos em 122.463 turmas. Ao todo, 5.398 municípios foram avaliados.
A Prova Brasil, aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), considerou uma pontuação que obedece a uma escala de nove níveis, de 125 até 350. Essa avaliação compõe o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, o Saeb.
Na 4ª série, o Acre atingiu 172.43 pontos, ficando o ensino público estadual na 11ª colocação. Na 8ª série, o Estado desceu alguns degraus, permanecendo na 16ª posição com 219.56 pontos, ou seja, no nível 200.
Esse nível significa que o aluno da 8ª série ingressa no ensino médio sem saber, por exemplo, identificar informações explícitas em textos argumentativos com alta complexidade lingüística. E nem precisa de complexidade. A mais simples pontuação, como o ponto contínuo, o aluno não sabe usar no texto quando deixa o ensino fundamental.
Como o aluno sai do ensino fundamental sem nunca ter lido um livro em sala de aula com o professor, a pesquisa Prova Brasil acabou revelando que esse estudante não tem habilidades em empregar estratégias para localizar informações explícitas e inferir informações implícitas em um texto. Ele não consegue ultrapassar os limites do que está escrito e não reconhece também o que está textualmente registrado e nem subentendido.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Um Livro, um Braga

História Desenhada é o novo livro do chargista Braga
Texto não é meu

A charge confirma, como nenhum outro veículo, que sua função não é, prioritariamente, fazer rir, mas produzir reflexão. Os bons chargistas sintetizam em poucos traços aquele sentimento que está na cabeça das pessoas e que muitas vezes não consegue ser expresso em palavras ou em imagens.
Uma prova disso é o livro História Desenhada, do jornalista e chargista Francisco Braga, que será lançado no próximo sábado, 23, às 16h, na Fundação Elias Mansour.
O livro, com quase 200 páginas, reúne os melhores trabalhos publicados na imprensa local nos últimos 10 anos e sua concepção se deu graças à Lei de Incentivo à Cultura, que permitiu o patrocínio da Papelaria Arnaldo e o apoio da Printac Gráfica e Editora.
Braga é ganhador do Prêmio José Chalub Leite, categoria charge, nas edições 2004, 2005 e 2006. Ele sofreu para organizar o material que estava disperso em pastas perdidas em várias casas, redações de jornais e arquivos de computador. Mas o esforço valeu à pena.
Agora, a produção está eternizada nesse livro e poderá ser consultada por várias gerações que quiserem entender um pouco do que foram os últimos 10 anos para o Brasil e o mundo e o quanto eles transformaram o Acre.
Isso porque a charge registra o clima de uma época, caminha abraçada com a crítica social e tem o humor como aliado. Ela não precisa de recursos sofisticados para produção e por isso torna-se uma arma nas mãos de alguns artistas em determinado tempo e sociedade. Exemplos não faltam: Henfil (Graúna e outros), Angeli (Rê Bordosa e outros), Dick Browne (Hagar, o Horrível) e o genial Quino, pai da Mafalda.
É também um trabalho opressivo, principalmente, àqueles que têm obrigação de publicar todos os dias. “Tem hora que não vem nada”, explica Braga, lembrando-se de um desses momentos terríveis. “Um dia faltou inspiração, não pintava nada. A saída foi desenhar um bilhete no espaço da charge com o seguinte recado: Moçada, hoje deu branco!. Bastou para ser o assunto mais comentado do dia”. O evento de lançamento do livro é aberto a todos os interessados.

Outras informações:
Francisco Braga (francisco.silvabraga@ac.gov.br)
Jornalista e chargista
68 8111 0124

Blog Aberto ao Senador Tião Viana


Senador, desde o dia em que o senhor foi candidato, sempre votei em teu nome, porque, primeiro, ainda, sou um petista; e, segundo, porque o senhor é um homem público probo.
Este blog, senador, não é lido por milhares de pessoas, mas é lido por mim e por alguns e, por meio desta bolha, desejo aqui revelar minha insatisfação ao saber que o senhor aprovou o aumento de 91% para os congressistas.
O senhor já havia votado contra a CPI, ao contrário do senador Suplicy, deixando-me incomodado a sua posição. Após algum tempo, vota a favor de um aumento de 91%.
A imprensa local silencia-se, mas a tecnologia permite uma democracia que alguns petistas negam. Alguns. Graças à internete, a esse ainda pequeno meio de informação, afirmo-lhe que não votarei mais no senhor, porque o PT, nesse aspecto, não é isso. Mais: a esquerda não é 91%.
Poderia eu permanecer no aconchego de minha indiferença; entretanto, escrevo-lhe, porque não consigo ser indiferente ao meu país. Sabe, ainda possuo o vigor de expressar a minha indignação por meio desta democracia ao sabor da internete.
Sei que meu voto não fará diferença, mas a questão aqui não se reduz a número, a um voto, mas a uma porcentagem - os 91%.
Meu voto pertence a um cidadão comum, sem importância, por alguém que só deseja viver em um Brasil justo; todavia, esse voto lhe será negado, porquanto não vale menos do que a vergonha de um aumento que me agride.

Para o bem da democracia, penso melhor agir assim, um blog. Rejeito a ação de Rita de Cássia Sampaio de Souza, de 45 anos, mulher que esfaqueou o deputado federal, o sr. Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

"Eles têm tudo, mordomias, e eu nem consigo sacar o meu FGTS", protestou.

Minha arma não fere, não mata, pois, como escreveu Drummond, "lutar com as palavras/é a luta mais vã/Mas eu luto/ mal rompe a manhã".

Vida longa, senador!

Vida longa à justa democracia!

sábado, dezembro 16, 2006

Jean, da Folha de São Paulo

Paixão, do jornal Gazeta do Povo

- Junto àquela -

Processo na Justiça
Dóris anunciou que vai processar o senador por ele, segundo ela, ter aberto em público o sigilo de sua conta no Banco do Brasil. Mesquita disse, na tribuna do Senado, que ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil junto àquela instituição. Essa denúncia é bastante grave.

1 - junto àquela - Bastante grave é todo dia não melhorar sua escrita e repetir dia após dia o mesmo erro. Quando se escreve assim, o sentido é "ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil perto da instituição". É "perto da" ou "para com"? É "perto da" ou "com"? O correto é "ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil com (ou para com) a instituição".

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Os R$ 267,32 da Copeve

Aldo Nascimento

No país do samba e do futebol, o brasileiro, no começo do século 21, lê menos de dois livros por ano. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, são cerca de cinco livros. Na França, sete. Na Finlândia, esse número chega perto de 20.
Em nossas escolas públicas, o aluno passa pelos ensinos fundamental e médio sem ler, em sala de aula, uma narrativa. Não há leitura na escola, e os irresponsáveis por isso, eles: professores e currículos formais do Estado e dos municípios.
Nem tudo, entretanto, nega a leitura. A Copeve, da Universidade Federal do Acre, a Ufac, contribui para que o aluno adquira o hábito prazeroso de ler à força. “Compre os dez livros da lista para a prova de Literatura.” Tanto pela quantidade quanto pelo conteúdo, esses dez mandamentos literários estimulam, dê-mais, os alunos a ter antipatia pela arte literária.
Somente em junho deste ano, a Copeve divulgou à imprensa uma lista não com os dez livros, mas com oito - Álbum de Família, de Nelson Rodrigues; e Inocência, de Viconde de Taunay, excluídos.
Em agosto, entretanto, o vestibulando se deparou com os dez livros no manual do candidato. Para coroar esse estímulo literário desorganizado, eis o grand finale: na prova de Literatura, domingo, dia 10, o vestibulando não leu sequer uma questão sobre um dos dez livros. Outro estímulo para ler.
“Prestei vestibular para Medicina e, por causa disso, comprei os livros da lista da Copeve, porque todo ponto é importante para eu passar”, disse João Carlos, do pré-vestibular Ideal.
Filho de uma família humilde que investe em seus estudos, seus pais gastaram R$ 267,32 para comprar 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 & 10 livros. João leu todos, superando, graças à Copeve, a média anual dos brasileiros.
“Não caiu uma questão sobre os livros, meus pais gastaram dinheiro em vão, e eu perdi tempo”, disse o aluno. “Na próxima vez, vou ler os resumos desses livros”.
Há muito tempo, a Copeve reproduz em suas provas de Literatura questões que visam somente ao anacrônico historicismo literário. Ao empobrecer a Literatura, por exemplo, de uma Clarice Lispector, a Copeve concedeu aos vestibulandos o vício dos resumos fotocopiados.
Há muito tempo, decretou-se a morte da leitura. Neste ano, a Copeve se superou. Parabéns!!!




quinta-feira, dezembro 14, 2006

Angeli, do jornal A Folha de São Paulo



Para mim, um dos melhores chargistas do Brasil.

Braga & Braga


Há muito tempo não converso com o cearense Braga. No blog do Altino, encontrei-o em forma de charge. Talentoso.
Só lamento que seus traços não residem mais nos jornais, porque dono de jornal no Acre não sabe rir.

Sem ele, sem o Gean Cabral, por exemplo, nossos jornais são menos inteligentes.

Uma pena.

Associação dos Cronistas Esportivos do Acre


No site da Acea, está escrito "Acea premeia os melhores de 2006".
Eu premio
Tu premias
Ele premia

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Os 10 livros da Copeve

Neste ano, somente em junho, a Copeve divulgou à imprensa a lista dos livros exigidos para a provra de Literatura.
Nessa relação, não havia dois: Álbum de Família, de Nelson Rodrigues; e Inocência, de Visconde Taunay.
Em agosto, no manual do candidato, entretanto, a Copeve publicou os dez livros, incluindo, para a surpresa dos vestibulando, Álbum de Família e Inocência.
Na prova de Literatura, domingo, dia 10, não havia sequer uma questão sobre um dos livros. Uma questão.
No pré-vestibualr Ideal, alguns alunos compraram os dez livros. O preço, R$ 267,32. Foi tempo de leitura jogado fora.
Em um país onde o brasileiro lê menos de dois livros por ano, a Copeve, com os seus livros (ausentes no vestibular) e com sua concepção historicista da literatura, presta um desserviço à leitura.
A arte literária não merece isso.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Fecury & Astélio



O secretério municipal de Educação, prof. Moacir Fecury, baixou uma portaria que proíbe a utilização de músicas e de coreografias evangélicas em eventos escolares.
O vereador Astélio Moreira, do PSB e avangélico, discorda. Para ele, música e coreografia devem estar na escola pública, porque a "Constituição garante liberdade religiosa aos brasileiros".
Alguns políticos, como é o caso do vereador do PSB, usam o conceito "democracia" para que não haja limite. Todos podem. Por exemplo, só para ironizar, eu sou macumbeiro e a minha filhinha também.
Por causa disso, nós podemos chamar o pessoal do centro de umbanda para cantar e rodar a baiana na escola pública de minha filha. Levarei galinha preta, vela, atabaque, porque a "Constituição garante liberdade religiosa aos brasileiros".
O vereador ignora o que seja o conceito "democracia". Além disso, até onde eu sei, a escola pública é laica.

Breves Observações

Um aluno, do pré-vestibular Ideal, por meio do correio eletrônico, enviou uma introdução e um desenvolvimento para eu comentar.
O voto é a capacidade do eleitor escolher seus candidatos de forma que estes venham a corresponder às expectativas daqueles. Será que o Brasil tem eleitores conscientes?
No Brasil, há muitos eleitores que analisam criteriosamente seus candidatos. Ações como a leitura de revistas de circulação nacional ou de jornais tanto impressos como televisivos ajudam a conhecer os candidatos. Além disso, a propaganda eleitoral tem o objetivo de que o cidadão observe a veracidade das propostas.

  1. - é e tem - Muito comum, o aluno iniciar a introdução com os verbos “ser”, “estar” e “ter”. Não é errado, mas é lugar-comum. Caso o conteúdo da introdução tenha uma ótima elaboração, nem percebemos a presença desses verbos; no entanto, se o conteúdo for superficial e se esse conteúdo, ainda, não apresentar uma boa elaboração, usá-los torna-se um equívoco;

  2. - linhas - Em uma folha, essa introdução não apresenta cinco linhas no mínimo. Como sabemos, um texto com 30 linhas precisa de uma distribuição harmoniosa de linhas nos quatro parágrafos. Vejamos: introdução (5 ou 7 linhas), desenvolvimento 1 (10 ou 8 linhas), desenvolvimento 2 (10 ou 8 linhas) e conclusão ou solução (5 ou 7 linhas). Essa introdução, portanto, nesse sentido, precisa ser maior;

  3. - leitura de jornais televisivos - Quando assisto ao jornal da TV Cultura, eu não o leio; eu o ouço;

  4. - leitura de revistas - No desenvolvimento, é necessário especificar, porque, nesse espaço, o leitor precisa ser convencido por meio de detalhes, e ninguém detalha escrevendo generalidades, é óbvio. Nem toda revista permite conhecer o candidato. Nem todo jornal permite conhecer o candidato;

  5. - de que o cidadão observe - "(...) tem o objetivo de o cidadão observar a veracidade das propostas";

  6. - ações como - Eu evitaria. Começaria com "a leitura de".

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Vida Dura




Vara de velhinhos
só pesca
Peixe Podre


Ontem, no bairro 6 de Agosto, à tarde, a PM roubou o espetáculo erótico para homens idosos no exato momento em que uma ex-presidiária, a Peixe Podre, retirava a última peça. "É duro ser velho, e a polícia ainda resolveu tirar de nós a nossa única alegria", disse seu João dos Santos, de 76 anos.

Tudo bem que Maria Antônia Liberdade de Souza, de 31 anos, não tem o apelido de Sereia do Norte, mas pelo menos cobrava muito barato para os velhinhos pescarem: R$ 5 de cada um.
Os policiais disseram que se tratava de um atentado contra o pudor. "Contra o pudor?", perguntou seu Carlos Antônio, de 82 anos. "Contra o pudor é velho não sentir prazer com os olhos".

terça-feira, dezembro 05, 2006

- a quem acusou -

"A dona-de-casa Raimunda Santos da Silva, de 37 anos, esteve ontem na 8ª Unidade de Segurança Pública para denunciar seu ex-marido Juscelino Oliveira da Silva, a quem acusou de espancá-la com uma corrente contendo um cadeado na ponta. O caso ocorreu quando a denunciante procurou Juscelino para cobrar a pensão dos filhos menores."
    1. "A quem acusou" - Qual o motivo de colocar a preposição "a" antes de "quem"? Nós acusamos alguém e não a alguém. A regência é direta, isto é, não há preposição. Consulto Celso Luft, e ele oferece um exemplo: "Acusa colegas (Acusa-os) de corrupão. O correto é "quem acusou de".

Para Vestibular


Thaís Nicoleti de Camargo é professora de português desde 1984. Consultora do jornal Folha de São Paulo, ela leciona no ensino médio e em pré-vestibulares.

Desde 2000, escreve sobre gramática, literatura e redação na coluna semanal Vale a Pena Saber, do caderno Fovest, da Folha.

Assina também a coluna Redação do Leitor, que deu origem a este livro.

Neste livro, há 21 dissertações escritas por alunos. No texto, ela registra observações gramaticais e, em uma página ao lado, comenta sobre a dissertação.

Em outras duas páginas, aparece a Redação Corrigida e Orientação de Estudo.

Para apresentar melhor o livro, entrevistei a autora neste espaço chamado ENTRELIVROS.

Professora, o que é preciso para escrever bem?

Thaís Nicoleti - Para escrever bem, é preciso ler, adquirir informação e, sobretudo, aprender a pensar. Seria ingenuidade acreditar na existência de um conjunto de técnicas que, milagrosamente, levariam alguém a redigir bem. Na verdade, a prática constante a que todos nos devemos submeter é a leitura crítica do mundo, esse o verdadeiro caminho para o exercício da cidadania.

Nos textos dos alunos, suas observações só são gramaticais?

Thaís Nicoleti - Não. Há sugestões de encadeamento das idéias, de reformulação de parágrafos, de alteração de vocabulário e, eventualmente, o acréscimo ou a supressão de alguns trechos.

Logo no primeiro texto, Juventude iletrada, seu comentário indica que uma reflexão superficial prejudica texto.

Thaís Nicoleti - Nessa dissertação, a visão de mundo limitada deve-se mais à falta de formação intelectual adequada que à falta de informações.

No século 17, o padre Antônio Vieira criticava as generalizações. Nossos alunos são genéricos?

Thaís Nicoleti - São demais. A reflexão superficial compromete texto. As generalizações fragilizam a argumentação. Generalização dá tom simplista à argumentação.


segunda-feira, dezembro 04, 2006

Habeas corpus, habeas-corpus ou hábeas-córpus?

Não há neste Brasil um órgão que regulamente a grafia.
Se consultarmos o manual do jornal O Estado de São Paulo, Eduardo Martins registra "habeas-corpus".
Se consultarmos o manual da Folha de São Paulo, registra-se "habeas corpus".
Se consultarmos o livro "O português do dia-a-dia", do prof. Sérgio Nogueira, registra-se "hábeas-córpus".
E agora?
Bem, o advogado deve usar "habeas corpus", porque a sua profissão mantém a grafia do latim clássico.
E o jornalista? O texto de jornal, por ser popular, deve registrar "hábeas-córpus", porque o hífen é conseqüência do aportuguesamento, assim como os dois acentos graves.
No entanto, Eduardo Martins aportuguesa com "hífen", mas não considera os acentos graves. Como sigo o manual do Estadão, registro na TRIBUNA "habeas-corpus".

Prof. Sérgio Nogueira


"O português do dia-a-dia", do professor Sérgio Nogueira merece ser aprecisado por quem deseja escrever melhor.
Sobreviver - Não significa "viver mal". Sobreviver significa "viver além, ter uma sobrevida": "Após duas cirurgias, ele sobrevive com um único rim."
Exemplo inadequado: "Não sei como o brasileiro sobrevive com um salário mínimo (= com certeza "o brasileiro mal vive ou vive mal com salário mínimo").
Sinalizar - É "fazer sinais". Evite o uso do verbo sinalizar no sentido de "indicar" ou "anunciar".
Reverter - Verdadeiramente significa "voltar ao ponto de partida". Usar somente quando houver a idéia de "volta, retorno", à situação anterior: "Entrou em coma, mas o médico conseguiu reverter o quadro clínico." Se houver apenas uma idéia de "mudança", podemos usar mudar, modificar ou alterar. Se a idéia for mudar para uma situação oposta, devemos usar inverter: "O governador quer inverter (e não reverter) o atual quadro de degradação em que se encontra a polícia do Rio de Janeiro."

Para além da gramática, idéias erradas

A gente encontra cada uma em nosso jornalismo.

1. "Um tumulto envolvendo diversas pessoas." - Sim, deveria ser "envolvendo camelos"?

2. "Ele espancou João o deixando lesionado." - Sim, deveria ter deixado "beijos"?

3. "A Operação Papai Noel, com participação da Companhia de Trânsito (Ciatran), começou a averiguar o volume e a freqüência dos sons produzidos por equipamentos de carros de passeios dos acreanos." - Quer dizer, se um paulista ou um rondoniense estiverem na avenida Chico Mendes dirigindo, seu carro não será averiaguado.

- à produzir -

"As câmeras digitais na verdade não se limitam à produzir fotos. Também gravam cenas, como uma pequena filmadora. A vantagem sobre as manuais, além da dispensa de filmes, é poder armazenar no computador, como num álbum virtual e também mandar por e-mail para quem se quer. A maioria dos modelos oferecem facilidade de operação, o que possibilita mesmo a iniciantes produzirem fotos de qualidade."
    1. - à produzir - Como um repórter coloca o acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de "produzir"? Não há (`) antes de verbo.

sábado, dezembro 02, 2006

Vestibulando

Dica para uma ótima leitura. Vestibulando, compre o livro Redação - linha a linha, de Thaís Nicoleti de Camargo. A editora, Publifolha.
Muito bom!

A MatemÁtica de GleiDsoN

Professor da disciplina Matemática, José Gleidson Ferreira do Nascimento, de 24 anos, começou a edificar um trabalho significativo na escola Heloísa Mourão Marques.
Em reunião do Conselho de Disciplina de Matemática, ele apresentou um caminho social para a sua disciplina.
Seus alunos aprenderão, por exemplo, porcentagem por meio de pesquisa de preço em supermercados e em pequenos comércios. Não se constrói, no entanto, uma idéia sozinho.
À mesa com ele, os professores Antônio Fernandes, Miguel Antônio Cairo Reis e Francisco Ivo de Oliveira.
Os objetivos são estes:
  1. aplicar conteúdos básicos da disciplina de Matemática à economia doméstica;
  2. entender a Estatística como um ramo da Matemática necessário à tomada de decisões; e
  3. promover o senso de responsabilidade para com a renda familiar.

Por meio disso, o corpo discente estudará porcentagem, razão e proporção, funções (construção e análise de gráficos) e planilhas eletrônicas.

Bem que a Matemática poderia publicar essa pesquisa em um jornal escrito pelos alunos de Língua Portuguesa. Dessa forma, as duas disciplinas seriam úteis às famílias dos próprios alunos, mostrando preços diferentes do mesmo produto.

Alguns dirão que não há nada de novo nisso. A questão, entretanto, não essa. A questão é que alguns fazem "o novo" e outros não o fazem, porque permanecem imóveis com os seus anacrônicos hábitos. É mais cômodo.

A FloresTania de ToinHo aLveS


Aprecio a palavra florestania ou o termo. Palavra não é o mesmo que termo. Conceito se opõe a termo e à palavra. E o que é palavra? O que é termo? E conceito?
Em uma certa noite, na varanda de sua arejada casa, ouvi Toinho Alves, o homem que talhou na árvore florestania. Depois dessa sonoridade, alguns falantes começaram a propagar florestania como conceito.
Ingênuo equívoco. Florestania não é conceito; florestania, senhores, é "neologismo".
E por que não é conceito ou categoria analítica? Que alguns repórteres não afirmem que se trata de conceito, porque, sem base, fala-se por falar.
Paixão é conceito. Família é conceito. Estado é conceito. Amor é conceito. Carnaval é conceito. Ordem é conceito. Ética é conceito. Educação é conceito. Estética é conceito. Subjetivação é conceito. Poder é conceito. Florestania não é conceito. Florestania é neologismo.