domingo, fevereiro 03, 2013

Não existe crise financeira

Renan terá direito a mansão, gasolina liberada e 24 cargos extras

Parlamentar do PMDB foi eleito nesta sexta (1º) para presidir Senado.
Deputado que será eleito para Câmara poderá indicar até 41 servidores.

Do G1, em Brasília (*)
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Renan Calheiros (PMDB-AL) nos corredores do Senado pouco antes da eleição que definiu seu nome como novo presidente da Casa (Foto: Ed Ferreira / Estadão Conteúdo)Renan Calheiros (PMDB-AL) nos corredores do
Senado pouco antes da eleição que definiu seu
nome como novo presidente da Casa (Foto: Ed
Ferreira / Estadão Conteúdo)
Como novo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) passará a ter mais direitos a partir desta segunda-feira (4), como morar na residência oficial do Senado - uma mansão com piscina, mordomo e segurança. Além disso, terá à disposição um carro com motorista sem limite de gastos com gasolina e poderá indicar servidores para 24 cargos comissionados extras, com salários que variam entre R$ 2,042 mil e R$ 19,194 mil.
Os senadores "comuns", de modo geral, podem morar em apartamentos funcionais ou ter auxílio moradia de R$ 3,8 mil.
Todos têm direito a 10 litros de gasolina ou 14 litros de álcool por dia. Cada senador também pode contratar até 80 funcionários no valor total de R$ 80 mil. Com isso, o presidente do Senado, que poderá manter os servidores de seu gabinete, teria até 104 cargos à disposição.
Direitos do presidente do Senado
RESIDÊNCIA
Poderá morar na residência oficial do Senado, uma casa com 450 m² de área construída, piscina, quatro quartos, três salas, jardim e biblioteca. Em 2009, contava com 12 funcionários, entre cozinheiro, copeiro, mordomo, segurança e jardineiro.
CARGOS
Além dos cargos de seu gabinete como senador, o presidente tem à disposição 24 cargos de confiança com salários entre R$ 2,042 mil e R$ 19,194 mil.
VIAGENS
O presidente do Senado não tem limite de passagens aéreas e pode solicitar avião da FAB para viagens de trabalho. Todos os demais senadores têm direito a cinco passagens por mês, de ida e de volta, para seus estados (exceto os do DF).
COMBUSTÍVEL
Tem à disposição carro com motorista sem limite do uso da gasolina, ao contrário dos demais parlamentares, que têm cotas (10 litros de gasolina por dia e 14 litros de álcool).
SALÁRIO
A remuneração mensal é igual à de todos os parlamentares, atualmente em R$ 26,7 mil.
DEVERES
O presidente do Senado é também o presidente do Congresso Nacional, que reúne, em sessões conjuntas, os 513 deputados e 81 senadores.
Fonte: Assessoria de imprensa do Senado
Pelo regimento, o presidente do Senado tem direitos a mais do que os demais senadores. Por outro lado, também tem obrigações: definir a pauta de votações do Senado, comandar reunião de líderes, além de acumular a função com a presidência do Congresso, que reúne, em sessões conjuntas, os 513 deputados e os 81 senadores. O presidente do Senado é o terceiro na linha sucessória do presidente da República, depois do vice-presidente e do presidente da Câmara.
Renan terá ainda o direito de requisitar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para viagens de trabalho e não terá limite de passagens aéreas para viajar ao estado, ao contrário dos demais senadores, que têm cotas de passagens. A remuneração, porém, é igual à de todos os parlamentares: 15 salários de R$ 26,7 mil durante o ano.
Renan foi eleito nesta sexta (1º) com os votos de 56 dos 78 senadores presentes. Indicado pelo PMDB, maior bancada do Senado, e alvo de denúncia da Procuradoria Geral da República, Renan assumiu pela terceira vez o comando da Casa - foi eleito pela primeira vez em fevereiro de 2005 e reconduzido em fevereiro de 2007.
O senador retoma a presidência da Casa após cinco anos. No final de 2007, ele deixou o cargo em meio a denúncias de que usou dinheiro de lobista para pagar pensão de uma filha fora do casamento. Absolvido pelo plenário, Renan continuou como senador e era, até agora, líder da bancada do PMDB no Senado.
Em razão dos mesmos fatos de 2007, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, denunciou o Renan ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Se o Supremo aceitar a denúncia, Renan Calheiros será réu e responderá a processo criminal.
Direitos do presidente da Câmara
RESIDÊNCIA
Pode morar em uma residência de 1.069 m² de área construída em um terreno de 7.800m². Tem piscina de 50 m², jardim, churrasqueira, quatro quartos, sendo uma suíte, sala, escritório e varanda. A residência conta com 14 funcionários, entre jardineiro, copeiro e cozinheiro.
CARGOS
Além da verba disponível para a contratação de comissionados no gabinete de deputado, o presidente da Casa tem à disposição 41 cargos de confiança com salários que variam entre R$ 2.740 e R$ 14.880.
VIAGENS
O presidente da Câmara possui a mesma cota de passagens aéreas que os outros parlamentares. O valor varia de acordo com o estado representado por cada um deles. O mais baixo é o do DF (R$ 23.033,13) e o mais alto é de RR (R$ 34.258,50). Além de motivos de trabalho, o presidente pode solicitar avião da FAB em emergências médicas, para a sua segurança e também para deslocar-se ao local de residência permanente.
COMBUSTÍVEL
O presidente da Câmara tem à disposição carro oficial com motorista, sem limite do uso da gasolina. Os outros parlamentares têm a cota limite de 30 litros de combustível por dia.
SALÁRIO
A remuneração mensal é igual à de todos os parlamentares, atualmente em R$ 26,7 mil.
DEVERES
O presidente da Câmara pode substituir o presidente da República se o vice também se ausentar. Pode colocar em pauta um pedido de impeachment do presidente da República.
Fonte: Assessoria de imprensa da Câmara
Benefícios de presidente da Câmara
O deputado que será eleito como novo presidente da Câmara nesta segunda-feira (4) também terá mais direitos do que os demais parlamentares da Casa. São candidatos Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), governista que é o favorito na disputa, Rose de Freitas (PMDB-ES), Júlio Delgado (PMDB-MG) e Chico Alencar (PSOL-RJ).
Assim como no Senado, o presidente da Câmara também tem uma mansão à sua disposição: um imóvel com 1.069 m² de área construída em um terreno de 7.800m², piscina de 50 m², jardim, churrasqueira, quatro quartos - sendo uma suíte -, sala, escritório e varanda. A residência conta com 14 funcionários, entre jardineiro, copeiro e cozinheiro. Todos os demais deputados podem optar entre apartamento funcional ou auxílio-moradia.
Na Câmara, o presidente tem à sua disposição 41 cargos de confiança com salários que variam entre R$ 2.740 e R$ 14.880. Como pode manter os funcionários de seu gabinete - um deputado normal tem R$ 78 mil que podem ser usados para pagar até 25 funcionários - , ele pode chegar a 66 cargos à disposição.
Ao contrário do presidente do Senado, quem presidir a Câmara não tem passagens áreas à vontade, mas pode requisitar aviões da FAB para emergências médicas ou para ir para o estado de residência.
(*) Colaboraram Amanda Lima e Murilo Salviano

sábado, fevereiro 02, 2013

Mensagem do prefeito (1)


Retirei partes da mensagem do prefeito de Rio Branco, Marcus Viana, para tecer algum juízo.

Dividi-as em 12.

Postarei duas partes por vez, marquei segundo meu interesse e aglutinei os parágrafos.


Valorizando as conquistas que tivemos com o prefeito Angelim, pois recebi a prefeitura organizada, saneada, com as contas em dia, iniciamos 2013 cuidando da nossa cidade no período de maior dificuldade, o rigoroso inverno que nos acomete durante mais de 5 meses.

1.         LIMPEZA
Desde o dia 02 de janeiro, mobilizamos 700 trabalhadores, 250 máquinas e equipamentos, divididos em 26 equipes que diariamente realizam ações em 15 pontos diferentes da cidade: serviços de capina, roço, remoção de entulhos, recuperação de ruas e manutenção de corredores de ônibus. A Ação de Inverno, como chamamos esta grande mobilização, reúne um conjunto de atividades que normalmente se executam no verão. Os resultados demonstram o tamanho deste esforço, pois já recolhemos mais de 8.000 toneladas de entulhos, em mais de 40 bairros, e fizemos a recuperação e manutenção de 51 ruas e avenidas, os principais acessos da cidade. Com o objetivo de manter controlada a infestação da dengue, que se propaga com facilidade neste período das chuvas, reunimos, com o apoio do Governo do Estado, 290 agentes de endemias e agentes comunitários que percorrem diariamente os bairros atendidos pela Ação de Inverno. Com isso, os casos notificados nas quatro primeiras semanas epidemiológicas estão dentro do limite aceitável para o período. Estamos vencendo a guerra contra a dengue. Em 3 meses queremos chegar aos 212 bairros, loteamentos e ocupações de Rio Branco. Este é o tamanho do nosso desafio. Começamos uma nova jornada. A disposição para trabalhar é muito grande e a determinação de cumprir todo nosso Plano de Governo, maior ainda. Acompanho, pessoalmente, e todos os dias, nossas frentes de serviço. Estes primeiros 30 dias de trabalho foram intensos.

Entre tantos temas, o primeiro, ela, a limpeza ou a imagem da quantidade, porque todos precisam saber dos números usados pela máquina pública. Impressiona! "Esse é o tamanho de nosso desafio."

Após 8 anos anos de Raimundo Angelim (PT) como prefeito de Rio Branco, o mesmo PT afirma "começamos uma nova jornada". Bem, se eu não for um imbecil, isso quer dizer que o próprio PT não tinha começado.

Em Rio Branco, muitos bairros não têm calçada e, no lugar delas, as calçadas, o  mato indica o caminho. Jorge Viana, quando prefeito, iniciou o calçamento... no centro, e não houve continuidade por parte do próprio PT.

Marcus Viana fala de "serviço de capina", não de calçamento.  

      
 

2.         SAÚDE

Na Saúde, com a parceria do Governador Tião Viana, ampliamos a oferta de médicos em 04 Unidades de Referência de Atenção Primária. As URAPs Roney Meireles no Adalberto Sena, Eduardo Assmar no Bairro XV, Augusto Hidalgo de Lima na Baixada e São Francisco passaram a funcionar de 7 da manhã às 19 horas, com dois turnos de equipes médicas. Ação esta que já contribuiu para a redução das demandas nos hospitais.
Uma mensagem pautada pela generalidade quando não especifica a quantidade dessa oferta de médicos. "Redução de demandas", e outra vez não especifica.



Nesses 8 anos de Raimundo Angelim (PT), Marcus, por ser do mesmo partido, deveria apresentar a "redução de demandas" nesses 8 anos e, além disso, especificar metas de redução para os próximos 4 anos.  

Por último, se recebeu a prefeitura saneada, não disse à população o valor público desse "saneado".

Quanto foi deixado em caixa?

Até agora, segunda parte, não li "o novo" tão propagado em campanha.    
 

Priquitinho

Nesta semana, o poder público de vários estados descobriu que fiscais e bombeiros existem.

Casas noturnas, salas de cinema e teatros foram interditadas por estarem ilegais.

No Brasil, uma casa noturna, no entanto, não precisou ser fiscalizada, porque funciona conforme as normas da sorte.





Só pelo nome percebe-se que a casa é muito frequentada: boate Priquitinho (foto).

Funcionando há milhares de ano por causa da Prefeitura de Rio Branco, por causa do estado e por causa de Deus, a boate, como podemos observar, tem duas arrombadas portas de grande, extintores de incêndio para apagar a esperança, avisos iluminados que indicam a saída para o inferno e o mais importante: um plano de combate a incêndio da Priquitinha.

A boate é a comprovação de que o milagre de Deus existe, porque, afinal, nem tudo pode ser deixado nas mãos do poder público.


Ronda Gramatical


Polícia Ortográfica mata jornalista 

Hoje, por volta das 8 horas da manhã, a redação do sítio ac24horas.com foi invadida pela Polícia Ortográfica.

Responsável pela matéria "
Começou a mini-reforma de Sebastião; Idaf tem novo diretor-presidente", Luciano Tavares recebeu um tiro certeiro na parte do cérebro em que a linguagem é desenvolvida.

"Não podemos admitir que um repórter escreva 'mini-reforma', não podemos, por isso realizamos uma ação rápida para não dar chance de fuga", disse o sargento Celso Cunha.

O corpo do jornalista será sepultado no cemitério de Rio Branco, que ainda nem passou por uma minirreforma.

    

segunda-feira, janeiro 28, 2013

A normalidade do ilegal


Retirei as fotos do blogue do Altino Machado.


Poder público 1
Boate Posch Club, Rio Branco, Acre, situada à sombra de uma torre elétrica,
com permissão do poder  público

Poder público 2
Boate SE7, Rio Branco, Acre, situada em posto de gasolina,
com permissão do poder público 

domingo, janeiro 27, 2013

Santa Maria, mãe de Deus, rogai...


Somos um país abençoado por Deus e maldito por corruptos políticos e por desgraçados empresários.

Somos um povo que entrega tudo a Deus, por isso que, em cada câmara de vereadores, em cada assembleia legislativa e no Congresso deste "Berço Esplêndido", há um crucifixo, símbolo de dor.

Nossos corruptos políticos, entretanto, não sentem dor, seus corpos queimados e pisoteados jamais apareceram empilhados à porta das câmaras, das assembleias e do Congresso.


Sem alvará desde agosto de 2012, sem a devida segurança e sem a edificação devida, a boate Kiss lucrava de forma ilegal, porque estado e município não fiscalizam.

Ela estava, quem sabe, entregue também a Deus. 
Somos um povo que entrega tudo a Deus.

Mas hoje, por volta das 2 horas da madrugada, foi o poder público que entregou mais de 200 mortos a "Santa Maria", mãe de Deus, rogai por políticos corruptos, pecadores, canalhas.

Quando, no lugar de inocentes, iremos ver esses políticos queimados, pisoteados e empilhados?  



Salvem Glória Perez


Flávio Ricco

COLUNA DO FLÁVIO RICCO

Ana Beatriz também está na fila dos insatisfeitos em "Salve Jorge"

Flávio Ricco*
Colunista do UOL



  • Divulgação/TV Globo
    Ana Beatriz Nogueira é Rachel em "Salve Jorge"
    Ana Beatriz Nogueira é Rachel em "Salve Jorge"
A informação é de pessoas próximas à atriz e, segundo elas, Ana Beatriz Nogueira não vê o momento de encerrar seu trabalho em “Salve Jorge”.
De acordo com esse pessoal, ela não está nada feliz com os rumos da personagem, Rachel.
Na verdade, outros atores também estão insatisfeitos, porque a divisão de cenas continua muito longe do que eles entendem como ideal. 

Veja cenas da novela "Salve Jorge"



Foto 178 de 181 - 24.jan.2013 - Lívia (Claudia Raia) está na mira de Helô (Giovanna Antonelli), já que as informações que a delegada levantou sobre a morte de Jéssica (Carolina Dieckmann) não batem com o depoimento da toda poderosa do ramo da moda. Helô conclui que as torneiras do banheiro devem ter sido arrancadas como desculpa para o local ser interditado e, logo, Lívia teria mentido. Jô (Thammy Miranda) ainda confirma que não havia marcas nas mãos de Jéssica que comprovassem que ela própria retirou as torneiras. No ar em: 24/1/13O problema é que Helô nem cogita ainda a possibilidade de Lívia estar envolvida no crime. Divulgação/TV Globo
*Colaboração de José Carlos Nery

FLÁVIO RICCO

Jornalista, passou por algumas das mais importantes empresas de comunicação do país, como Tupi, Globo, Record e SBT. Dirigiu o "Programa Ferreira Netto" e integrou a equipe do "SBT Repórter". Escreve sobre televisão desde 2003. Email: colunaflavioricco@uol.com.br

sábado, janeiro 26, 2013

Saia muito curta mostra...


o prefixo "mini" segue a mesma regra, por exemplo, de "macro".

Se a palavra posterior não começar pela mesma vogal, não se coloca hífen, portanto: minibar.

Se começar pela mesma vogal, coloca-se hífen: mini-inimigo.


E se a palavra iniciar-se por "h"? Fica mini-hipócrita.

E por "r"? Fica minirregião, minirretrospectiva.

E por "s"? Fica minissaia, minissubmarino.


Saia muito curta pode mostrar ignorância.

sábado, janeiro 19, 2013

Pastor Adélio responde a meu blogue



Josafá, só vc para me fazer rir de homens que se dizem sérios pela graça de uma fortuna bancária.

Quando o PT acriano não sabe brincar (3)


Quando trabalhei nos jornais Página 20 e A Tribuna,sempre escrevia a respeito do Carnaval com a finalidade de oferecer ao leitor uma compreensão simbólica da Festa de Momo.

Minha preocupação era devolver a essa belíssima festa popular o significado original de seus significantes.

Minha escrita tinha como mestres ótimos autores. No final dos textos, deixava indicação bibliográfica.

No Acre, em verdade, nunca houve a vivência do Carnaval autêntico, mesmo porque essa festa nunca foi organizada de forma livre, criativa, original, isto é, sem o controle do dinheiro público.

Quando o governo anuncia que cancelará o Reino de Momo neste ano por falta de grana, adianto-me e publico aqui o texto que um dia deixei nas páginas de jornais acrianos.


O Reino desencantado de Momo

Quando Momo receber as chaves do prefeito, mais uma vez ele abrirá as portas da cidade para o Carnaval, e uma multidão sem rosto irá se aglomerar em frente à prefeitura para ouvir a Banda Sam Brasil. Aquilo que o poder público habituou-se a chamar de festa popular, vai para as ruas ao som da cultura de massa.

Comercializada e descaracterizada pelo lucro do comércio e pela ignorância do poder público, Momo dança ao som do pagode mais brega, canta a letra mais vulgar do Tchan, se diverte numa festa que não é mais dele; seu Reino, o da Carnavalização, sem mais nenhum sentido histórico e alegórico, massificou-se; perdeu qualquer referência com o passado.

“O Carnaval para mim é um momento que eu me divirto por divertir, é uma festa que eu quero esquecer os problemas, beber muito, muito mesmo”, conta Ricardo, um folião rio-branquense. “No carnaval, quero beber até cair e comer muita mulher, porque no Carnaval dá muita mulher”.

Como muitos, Ricardo é só mais um que irá “brincar”, de maneira inconsciente, mais uma vez no Carnaval. Representante maior de um reino desfigurado, Momo governa por três dias um mundo deserdado de qualquer significação histórica. 

MOMO, O REI DA CARNAVALIZAÇÃO

Opondo-se ao discurso oficial, ou seja, à linguagem que regula as desigualdades sociais, o Carnaval promove a ascensão do avesso, porque faz emergir a força subversiva do mundo inferior (o Inferno), do mundo baixo, que, ao receber as chaves do prefeito por meio do Rei Momo, estimula a circulação do Riso, da Brincadeira, da Paródia, do Escárnio, da Ironia, da Máscara, do Louco, da Festa – palavras que foram excluídas pela disciplina do trabalho (o dia, a luz) e das instituições (razão reguladora).

Se o trabalho arranca o suor do rosto, se é sacrifício e exploração; se a lei não pune os ricos, a Festa de Momo rebaixa quem domina e explora, visto que, por ser Festa,  ri, provoca pilhéria, escárnio; faz uso da máscara, da fantasia para   desvelar as aparências da classe dominante.

Profundo conhecedor da função política do Carnaval, o marxista russo Mikhail Bakhtin dá um sentido original à Festa de Momo, negando a ela qualquer aproximação com o vulgar ou a massificação.

“O motivo da máscara é mais importante ainda. É o motivo mais complexo, mais carregado de sentido da cultura popular. A máscara traduz a alegria das alternâncias e das reencarnações, a alegre relatividade, a alegre negação da identidade e do sentido único, a negação da coincidência estúpida consigo mesmo”, diz Bakhtin.

Nesse sentido, o mundo social, regulado pela classe dominante, não coincide com ele mesmo no Carnaval: é metáfora – fantasia que inverte, distorce, altera, re-apresenta, mostra, revela a face oculta do opressor.

Outro estudioso dessa Festa Profana, o antropólogo Roberto DaMatta explica.  “Na fantasia carnavalesca, que revela muito mais do que oculta, já que uma fantasia, representando um desejo escondido, faz uma síntese entre o fantasiado, os papéis que representa e os que gostaria de desempenhar”.

Assim, conduzindo o Reino da Carnavalização, o Rei Momo, na condição de um aristocrata (aristo = os melhores e crata = poder), recebe a chave e convoca todo o poder político do Carnaval para reinterpretar a ordem social regida por uma classe social que domina e explora. Se essa mesma ordem discrimina e cria as desigualdades entre classes, Momo provoca o Riso a fim de nivelar a opressão à condição do comum e do vulgar. A Festa de Momo, portanto, destrona a classe dominante. 

“O riso foi enviado à Terra pelo diabo, apareceu aos homens com a máscara da alegria e eles o acolheram com agrado. No entanto, mais tarde, o riso tira a máscara alegre e começa a refletir sobre o mundo e os homens com a crueldade da sátira”, finaliza Bakhtin. “O Carnaval (repetimos, na sua acepção mais ampla) liberava a consciência do domínio da concepção oficial, permitia lançar um olhar novo sobre o mundo; um olhar destituído de medo, de piedade, perfeitamente crítico, mas ao mesmo tempo positivo e não niilista, pois descobria o princípio material e generoso do mundo, o devir, e a mudança, a força invencível e o triunfo eterno do novo, a imortalidade do povo”.

A METÁFORA DE MOMO

Filho do Sono e da Noite, Momo, oposto à exploração do trabalho, deseja o ócio, assim como os sacerdócios, só que o ócio de Momo não é sagrado: é profano, isto é, seu ócio (palavra que vem do grego “sxolé”, donde deriva escola, lugar onde se adquire saber) promove a corrosão do Riso, da Máscara, da Festa, da Paródia – palavras cujas funções invertem a “normalidade” do mundo.

Gordo, digo, excessivamente gordo, no Reino de Momo, o da Festa, prevalece o Exagero, o Excesso, a Abundância, a Fartura, para que todos possam, alegres, se deliciar. No Reino de Momo, Riso, Paródia, Fantasia, Brincadeira negam nos três dias as diferenças entre ricos e pobres para que seja devolvido aos mortais uma Louca confraternização.

O folião ( folie em francês) significa loucura. Ora, o que faz o louco senão colocar do avesso a normalidade do mundo. Uma vez sem a censura da razão cínica, a mesma razão que nos guia à luz do sol, o folie, à noite, regido pela lua, faz vir à tona valores, falas e comportamentos censurados pela “normalidade” do dia. Em seu Reino,  Momo, gordo, significa o excedente roubado pelo trabalho e pela lei. 

“A loucura tem uma força maior do que a razão, porque, muitas vezes, aquilo que não se pode conseguir com nenhum argumento se obtém com uma chacota”, nos ensina Erasmo de Rotterdam. “Que é, afinal, a vida humana? Uma comédia. Cada qual aparece diferente de si mesmo; cada qual representa o seu papel sempre mascarado, pelo menos enquanto o chefe dos comediantes não o faz descer do palco. O mesmo ator aparece sob várias figuras, e o que estava sentado no trono, soberbamente vestido, surge, em seguida, disfarçado em escravo, coberto por miseráveis andrajos. Para dizer a verdade, tudo neste mundo não passa de uma sombra e de uma aparência”.

Pois bem, o Carnaval, des-cobrindo as aparências,   destrona o rico, a lei que não o pune; rebaixa quem oprime e rouba com a maior desfaçatez. Nesse sentido, a Festa de Momo é popular.

A PERDA DE SENTIDO

Esse Carnaval, entretanto, que teimam em chamar de popular, não existe em Rio Branco. Momo, aqui, está morto, ou melhor, ressurgiu das cinzas a serviço da cultura de massa, cuja função é deformar tudo em mercadoria vulgar. Nessa indústria cultural, cultura de consumo, Momo não passa de objeto, carcaça sem sentido histórico e alegórico. Coisificado pela cultura de massa, Momo reina, pois, num reino desencantado – “No Carnaval, quero beber até cair e comer muita mulher, porque no Carnaval dá muita mulher”.

Nesse detrito cultural do entretenimento, a banalidade deposita no espaço público ruínas simbólicas; espalha a chaga da alienação; faz da rua um depósito para entulhar indigentes culturais. Sem identidade, no reino desencantado de Momo (e no Acre não se usa fantasia, máscara - não há metáfora), mediante este processo,  ninguém se reconhece em seu reino.

“A cultura de massa preenche os vazios do silêncio que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo cansaço e pela docilidade de escravos sem exigências”, conclui Theodor W. Adorno

Bibliografia

A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, de Mikhail Bakhtin, editora Hucitec

Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto DaMatta, editora Guanabara

O Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam, editora Abril

O Fetichismo na Música, de Theodor W. Adorno, editora abril

O Riso, de Henri Bergson, editora Guanabara
   


Quando o PT acriano não sabe brincar (2)


O prefeito de Rio Branco, Marcos Viana (PT), e o governador do Acre, Tião Viana (PT), não colocarão um centavo na Festa de Momo.

O PT acriano, desde que começou a administrar prefeitura e estado, jamais soube colocar para a população o verdadeiro significado cultural do Carnaval.

A TV Aldeia, por sua ignorância, por seu aparelhamento, por suas escolhas desqualificadas, transmitiu a Festa de Momo de forma (e de conteúdo) sempre burra, ela nunca soube transmitir o original sentido histórico do Carnaval com seus repórteres inocentes e incultos.

Quando ocorre a Parada Militar, a população dá significado a ela; mas, quando acontece o Carnaval, essa mesma população não sabe o sentido de "Momo", "fantasia", "máscara", "riso".

Como o Carnaval perdeu o seu sentido simbólico no Acre, evangélicos ainda o satanizam, e o governo com a imprensa local a cada ano reafirma a ideia de ser uma festa violenta.

Nada contra as suas pessoas, mas Dudé e Nena, funcionários que organizam a festa popular, são muito responsáveis pela morte simbólica do Carnaval acriano.

Triste é a população que tem festa popular organizada pelo poder público.

Quando o PT acriano não sabe brincar (1)


Foto e legenda retiradas da rede social. 

Marcos Viana (prefeito de Rio Branco) e Tião Viana (governador do Acre), ambos do PT, não brincarão no Carnaval porque não haverá a Festa de Momo. Não há dinheiro.

No entanto, sempre o governo injeta dinheiro público na Expo-Acre, justificando que ela gera milhões ao estado. Mas, para o Carnaval, não há dinheiro.

Hoje, o jornal O Globo publicou ontem que o governo federal fez o segundo repassa do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O valor distribuído foi de R$ 774,8 milhões segundo o Ministério da Fazenda.

O Bando do Brasil, que faz o repasse, chegou a informar mais cedo que o repasse chegou a R$ 968,5 milhões.

O primeiro repasse, em 10 de janeiro, o valor foi de R$ 2,68 milhões.

Na nota do Tesouro, o governo informa que que foram repassados R$ 774,8 milhões para os estados por meio do FPE, e outros R$ 810,6 milhões por meio do Fundo de Participação dos Municípios.

Ainda há repasse de recursos do IPI-Exportação e do Fundeb.

Mas os gastos públicos não pertencem à vontade da sociedade organizada, mas a um grupo político que "privatiza" o erário, por exemplo, dando emprego a parentes no setor público, como é o caso do governado Tião Viana segundo a revista Veja.
Na foto acima, lá está a pessoa que está construindo um posto de gasolina só seu, sem que tenha salário para tanto.

Outro secretário constrói um hotel na quarta ponte.

Crise?