terça-feira, março 10, 2009

CQC voltou! & TV Aldeia


















Ontem, FINALMENTE, o CQC retornou, único programa INTELIGENTE da TV brasileira, mais os programas da TV Cultura, é claro.

Que prazer eu sinto quando O RISO diminui a importância de certos políticos. Rir deles, rir e rir. Ontem, eu ri muito de um Congresso que gasta por minuto mais de R$ 11 mil, o mais caro do mundo.

E a TV Aldeia? Com o retorno do Campeonato Acriano, não assisto mais ao programa Café Filosófico
. TV Aldeia, com isso, deixou de ser CULTURA para ser TV Esporte. O culpado disso: Jorge Henrique, Anibal e Itaan Arruda.

Por favor, deixem que eu assista ao Café Filosófico. Quem quiser assistir ao jogo vai ao estádio.

segunda-feira, março 09, 2009

É fantástico não haver chuchu no Jordão


Não poderia deixar de escrevinhar sobre a falta de chuchu no Jordão. Hoje, A TRIBUNA publica este artigo.

De Aldo Nascimento

Uma pessoa tem um sonho. “Quando crescer, serei jornalista.” A pessoa cresce. Estuda. Estuda. Estuda. Entra na faculdade de jornalismo. Estuda. Estuda. Estuda. Conclui a faculdade. Estuda. Estuda. Estuda. Pós-graduação. Finalmente, depois de tantos anos, consegue trabalhar na Globo. Vai para o interior do Acre e, aqui, depois de estudar tanto na faculdade, sua audiência divulga no Brasil que Jordão não conhece chuchu. A isso dão um nome: fantástico.

Depois, eu me perguntei: qual a relação entre não conhecer um chuchu e o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH? Outra dúvida: se o cálculo do IDH leva em consideração a expectativa de vida, o nível de educação e a renda da população, o que a falta de chuchu em Jordão estava fazendo em uma matéria sobre IDH? Última pergunta: qualidade de vida tem a ver com o consumo de chuchu?

Ficou a impressão de que quem não conhece chuchu é atrasado ou motivo de chacota. Mas ficou também a impressão de que o jornalista global não conhece o seu próprio país, passando pelo Jordão como turista. Assim, na condição de repórter-turista, sua matéria só poderia ter transmitido isto: superficialidade sobre nós.

Esperar de uma TV comercial e de um repórter-turista o registro de nossa identidade, convenhamos, seria anormal. O normal tem sido - que ironia! - os jornais acrianos ignorarem o interior deste Estado; tem sido desconhecerem o homem rural que nunca viu um chuchu.

Para uma Redação de Rio Branco, tão condicionada a ser aquário, Jordão não passa de um mapa. Se leitores daqui não encontram em nossos jornais o que é o Acre em Feijó, em Mâncio Lima ou em Assis Brasil, outros publicam o que não encontram no Jordão, neste caso, um chuchu. Se nossos jornalistas publicam matérias que ocultam o interior deste Estado, outros descobrem a falta de chuchu e riem de nós.

Após uma semana de o Fantástico rir do Acre, não houve um jornal da capital que tenha tomado a iniciativa de retirar do Jordão “a chacota do chuchu". O repórter-turista plantou nesta terra uma matéria para colher chuchu, e as redações acrianas só cultivam um jornalismo que desconhece Rodrigues Alves, Capixaba, Plácido de Castro. Do Rio de Janeiro, a Globo nos conhece “melhor”. Plim-plim!!!

A Bahia é aqui

Folga no TJ 1
No Mato Grosso do Sul, o novo presidente do Tribunal de Justiça instituiu, por portaria, folga para o servidor no dia do aniversário. A decisão é inédita no Brasil.

Folga no TJ 2
Se o servidor tiver o azar de fazer aniversário em um fim de semana ou em um dia que já é feriado, não tem problema: ele terá direito à folga no primeiro dia útil seguinte.

Folga no TJ 3
O presidente do TJ-MS, Elpídio Helvécio, faz aniversário em 11 de julho, que neste ano cai num sábado. Logo, ele terá direito à folga na segunda, dia 13.
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É preciso comentar?

sábado, março 07, 2009

"Aliança espúria"

Nesta semana, o Congresso Nacional, por meio do PMDB, deu um exemplo de que cargo no poder é o limite. Graças às articulações de Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor de Melo presidirá (PTB-AL) a Comissão de Serviços e de Infraestrutura do Senado. Assista

No passado, Renan não só apoiou como também esteve no (des)governo de Fernando Collor.

Após a eleição do "caçador de marajás", o senador Aluísio Mercadantes declarou que houve uma "aliança espúria" entra PMDB e PTB. Será que o Partido dos Trabalhadores tem moral política para afirmar isso? Pergunto porque Lula formou uma aliança com o PMDB. Não será aliança espúria o PT formar um governo com o PMDB de José Sarney?

Ora, se não há mais o "purismo petista", ser espúrio é detalhe. De passagem: "espúrio" significa "ilegítimo". Os ideais do PT há um bom tempo deixaram de ser legítimos.

sexta-feira, março 06, 2009

Intolerância Evangélica












O MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) ajuizou uma ação civil pública contra a Rede Record e a TV Gazeta pedindo indenização no valor de, respectivamente , R$ 13.600.000,00 e R$ 2.424.300,00, pela suposta discriminação das religiões de origem afrobrasileira na programação das emissoras.

De acordo com a Procuradoria, programas religiosos exibidos nas redes de TV utilizam há anos expressões que discriminam religiões como umbanda e candomblé, tais como “encosto”, demônios, “espíritos imundos”, “feitiçaria”, além da famigerada “macumba”.

Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, as emissoras não estão imunes de responsabilidade sobre programas feitos por produtoras independentes.

“A Record e a Gazeta são responsáveis pelas ofensas às religiões de matriz africana desferidas reiteradamente pelos programas religiosos veiculados em sua grade de programação”, ressaltou Adriana Fernandes.

Em liminar, o MPF pede que as emissoras interrompam a exibição de programas que façam esse tipo de referência aos cultos de origem afro, e sugere multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da possível decisão da Justiça.

A reportagem de Última Instância procurou a Rede Record e a TV Gazeta, mas até o momento não houve resposta. DireitosA procuradora destaca que os referidos programas ferem direitos fundamentais, como a liberdade de crença e o “respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

“O abuso praticado pelas rés contraria a dignidade da pessoa humana,(...) bem como os próprios objetivos de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, ressalta Adriana da Silva.

Segundo o MPF, em abril de 2008, o Ministério das Comunicações aplicou multa de R$ 1.012,32 às duas emissoras por ofensas às religiões afro, mas na visão da procuradora, a sanção não foi suficiente para acabar com as discriminações praticadas. Por isso pediu indenização equivalente a 1% do faturamento das empresas, que poderá ser revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

Moto & Bicicleta

Até hoje, a Câmara de Vereadores de Rio Bracno não elaborou e muito menos aprovou uma lei para regulamentar o uso da bicicleta em via pública. Sem retrovisores, sem lanternas, o ciclista pensa que no trânsito pode tudo.

Neste vídeo, no bairro Floresta, vi quando a moto bateu na bicicleta, jogando o ciclista longe. O carona da moto quase bateu com a cabeça no Uno parado.

O ciclista estava errado, ele deveria pagar o prejuízo.


quinta-feira, março 05, 2009

Suave e Inocente Loucura
















Um personagem no urbano. A ficção encarnada. A loucura que nos constrange. A liberdade que nos inibe. Teatro. Este homem assemelha-se ao deus Pan.

Escola pública na Ufac

Desde que cheguei à escola Heloísa Mourão Marques, sempre falei para que essa escola pública saísse do descaso em que se encontrava. Nada mais do que minha obrigação. Durantes seis anos, alguns professores elevaram a voz contra o sucateamento moral dessa escola que empilhava a desordem, a arbitrariedade, a preguiça, o descaso, a empáfia, a indiferença, o privilégio para uns e de alguns.

Muitos me viam com olhos antipáticos. O tempo, entretanto, não dilapida o que é sincero. Com outros colegas, professores dedicados à causa de educar, servidores comprometidos com o serviço público, NÓS transformamos a escola Heloísa Mourão Marques, colocando em sua direção a professora-gestora Osmarina.

Falta ainda. Sempre falta. O melhor, nós desejamos cada vez mais. O início foi fecundado, e os frutos brotarão mais e mais. Ainda que Cigliane não seja dessa gestão, os professores contribuíram.

Com 150 pontos, a ex-aluna da escola estadual Heloisa Mourão Marques, Cigliane Feitosa dos Santos, 21, obteve o primeiro lugar geral na Ufac para o curso de Direito. A jovem que concluiu todo o ensino básico na rede estadual comenta que, mesmo ainda existindo falhas, o ensino público tem avançado muito no Acre e que sua aprovação deve servir de estímulo e de motivação para outros jovens.

Na escola Heloísa, precisamos, primeiro, para o próximo ano, saber com exatidão o número de alunos que passarão para a Ufac e, em um segundo momento, propagar o nome desses alunos. Devemos saber criar nossa própria divulgação.

A Secretaria de Educação do Estado, por meio de Josenir Calixto, pessoa que dirige o ensino médio, precisa expor a escola pública por meio de propagandas intensas e muito bem elaboradas. Essas alunas de que passaram para medicina e direito deveriam aparecer na televisão, em propagandas do Estado.

quarta-feira, março 04, 2009

Ausência da ficção















Viver no Acre é ficar privado de bons cinemas e de boas casas de teatro. A inquietude irreverente do imaginário ausentou-se entre nós. Quando uma peça de fora surge, procuro sempre ir.

Se a realidade fosse clara, isto é, evidente, não haveria arte. Ouço com os olhos estas palavras de Gilles Deleuze: "A arte é o mais alto poder do falso, ela magnifica 'o mundo enquanto erros', santifica a mentira, faz da vontade de enganar um ideal superior."

Mais cargo

Na matéria de Nayanne Santana, a Frente Popular cria mais cargos. A oposição não gostou, tudo em vão: o projeto foi aprovado.
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Aleac aprova três projetos
De Nayanne Santana


Os deputados estaduais votaram na sessão de quarta-feira, dia 4, três projetos enviados pelo Executivo. O consenso prevaleceu na aprovação de dois projetos, e eles foram aprovados por unanimidade. Apenas o projeto que reestrutura a Secretaria de Planejamento (Seplands) gerou controvérsias entre situação e oposição. Os oposicionistas questionavam a criação de novos cargos na secretaria; mas, no final, o projeto de lei foi aprovado.

“Esse projeto cria cargos na Secretaria de Planejamento para reforçar o trabalho do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dos empréstimos do Bird e do BNDES”, detalhou Moisés Diniz (PC do B), líder do governo na Casa.

Mais terras

No pacote de projetos aprovados por todos os parlamentares presentes, a sessão realizada na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) também constava que autoriza o Estado a receber doações de terras feitas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Entre as terras que o Estado aguarda receber, estão áreas localizadas em Porto Acre, Senador Guiomard, Plácido de Castro e em Acrelândia.

“Um dos imóveis é destinado à construção de uma escola de ensino fundamental em Porto Acre”, informa o documento enviado pelo Executivo.

Conselho popular

No pacote dos três projetos de lei encaminhados à Aleac, aprovada na quarta-feira, estava o que trata das mudanças na Companhia Habitação do Acre. O projeto tem como objetivo adequar o conselho estadual à lei federal.

“Esse projeto abre espaço para o Movimento de Moradia Popular no Conselho Estadual de Habitação”, afirmou Diniz.

De acordo com informações, a mesma lei federal cria o Fundo Nacional de Habitação (FNHIS) e o Conselho Gestor do FNHIS.

A lei determina que os recursos do Fundo de Habitação sejam aplicados de forma descentralizada, tendo como intermediário o Estado, que deve constituir um conselho que conte com a participação de entidades públicas, privadas e de outras pessoas da sociedade ligadas à área de habitação. A lei assegura que um quarto das vagas do conselho devem ser preenchidas por representantes dos movimentos populares.

Todos os projetos foram aprovados, sendo que apenas um deles, que trata de contratações de servidores para a Secretaria de Planejamento, não obteve consenso. Por unanimidade, os deputados aprovaram a lei que autoriza o Estado a receber doação de terras do Incra e que amplia o número de representantes do movimento social no Conselho Estadual de Habitação.

O secretário em exercício de Habitação de Interesse Social (Sehab), Sebastião Carlos Menegazzo, explica que, com adequação do conselho estadual ao federal, a população terá mais participação. Menegazzo informa que agora serão destinadas mais três vagas para o movimento social. O secretário acredita que isso facilitará a captação e assegura o repasse e aplicação dos recursos destinados a esses programas de habitação.

terça-feira, março 03, 2009

PT, e o Jarbas?















Desde o dia em que a revista Veja publicou as palavras do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), não li um comentário de um deputado petista. Quem diria!

Leia este breve pedaço de discurso do senador.

"Estou nesta Casa há dois anos e um mês, e nada do que afirmei ao repórter Otávio Cabral, da revista 'Veja', difere muito do que eu disse a alguns dos senhores e das senhoras. Nesta mesma tribuna, já critiquei a degradação pública à qual está submetido à qual está submetido o sistema político brasileiro, alertando para a desqualificação moral dos partidos políticos.

A verdade é sempre inconveniente para quem vive da mentira, da farsa e é beneficiário dessa realidade perversa. Eu constatei, senhor presidente, é preciso que se diga isso com clareza desta tribuna, eu constatei o óbvio. Apenas isso. Essa realidade exige ações corretivas correção de rumos e de práticas
."

Será que o PT não luta mais contra a corrupção? Não acredito.

Moisés Diniz tem razão, em parte















Estas fotos não pertencem à realidade do Jordão; pertencem ao Complexo do Alemão. Nelas, eu vejo o que não existe no Jordão: selvageria. Prefiro a selva dos acrianos.










O deputado comunista Moisés Diniz discursou na Assembleia Legislativa do Acre contra a matéria do Fantástico. Sobre Jordão, localizado no Acre, Diniz incomodou-se e comparou: Jordão ou Complexo do Alemão? Favela da Rocinha ou Jordão?

No Complexo do Alemão - rede de favelas localizada perto da Ilha do Governador -, acredito que todos tomem banho sob um chuveiro, mas não creio que tenham a paz, ainda que monótona, que Jordão emite. Eu não gostaria de morar no Complexo do Alemão. Embora não tenha chuveiro nas casas, se eu fosse escolher, passaria meus dias e minhas noites entre os rios, a mata e a preguiça do Jordão.

Por outro lado, o deputado perde quando o ponto é educação. Segundo a matéria da Globo, há um índice alto de crianças fora da escola. Sobre isso, houve o silêncio de um deputado que é líder do governo da Frente Popular.

Leia a matéria da jornalista Nayanne Santana, da TRIBUNA.
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Moisés Diniz diz que matéria sobre o Jordão foi preconceituosa
De Nayanne Santana

O deputado estadual Moisés Diniz (PC do B), líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), criticou a matéria do programa Fantástico, apresentada no último domingo, dia 1°, pela Rede Globo.

A reportagem, que mostrou os quatro municípios brasileiros com os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), apontou Jordão, no Acre, como um dos que tem o pior desempenho no IDH.

“Acho que o Jordão ainda está muito distante de ser o melhor lugar para se viver, mas eu tenho certeza, porque convivo e vivo no Jordão e passo às vezes semanas no Jordão, e o Jordão é muito melhor de se viver do que EM uma favela do Complexo do Alemão ou na Favela da Rocinha”, declarou o parlamentar.

Diniz disse que está aberto para debater com qualquer defensor desse IDH, que, segundo ele, só avalia os critérios urbanos e esquece os “critérios de sustentabilidade, de um jeito diferente de se viver, que é a forma de viver na Amazônia”, afirmou o deputado.

Moisés Diniz sugeriu que o jornal que veiculou a reportagem falando da situação de Jordão e de Tarauacá deveria fazer uma matéria banhando-se no rio Tiete, mostrando que o rio está poluído ou que os repórteres fossem às favelas cariocas entrevistar a população.

“Não vão porque têm medo de levar um tiro de bala perdida, aí vem para o interior da Amazônia, vê um problema de dificuldade de abastecimento e fazem esse Carnaval. É uma matéria mentirosa, preconceituosa, anti-indígena, antiamazônica e antiflorestal”, concluiu Diniz.

segunda-feira, março 02, 2009

O jornalismo dócil das mulheres

Defensora do jornalismo literário, Lillan Ross,
como jornalista, não é dócil.

Texto de Aldo Nascimento

Com miríade de hipertextos disseminados por feixes de luz, prolifera todo tipo de informação em blogs e em sítios - não escrevo site, esta palavra estranha, porque na minha LÍNGUA há outra que substitui o estrangeiro.

No Acre, entretanto, poucos proliferam boa crítica e boa escrita. O blog, sabemos, oferta, por exemplo, a liberdade de escrever, porém a liberdade não implica escrever o que quiser e como quiser, porque, se for assim, não haverá encontro entre leitor e o que é lido. Somos livres, isso sim, para edificar o melhor para olhos que nos leem.

Diante dessa proliferação, fique a melhor escrita. Com tantos blogs, com tantos sítios, permaneça a melhor crítica. No Acre, raríssimos blogs e sítios são bem escritos. Suja-se a língua portuguesa com erros; emporcalham-na com superficialidades profundas, regidas por clichês, por bordões.

Escrever bem. Entre páginas, a escrita de Albert Camus [1913-1960 ] encanta-me por sua elegância, requinte. Jean Daniel, um de seus melhores amigos, conta que Camus encontrava-se exultante quando entrou certa vez em uma boate com seus colegas do jornal Combat, um periódico que resistia à ocupação nazista.

Naquele dia, a edição tinha sido ótima. Ao entrar no bar, o franco-argelino exclamou: "Vale a pena lutar por uma profissão como esta!". Antes de ser um dos maiores pensadores do século 20 e de receber o prêmio Nobel de Literatura em 1957, Albert Camus foi jornalista.

Qual a diferença entre nossas jornalistas e o jornalista Camus? Para mim, uma: só “vale a pena lutar por uma profissão com esta” quando pulsa o vigor incansável de um ideal.

Qual ideal de nossas jornalistas? Sabemos que um homem com poder é um homem que esconde alguma coisa; porém nossas jornalistas, quando moídas e modeladas pela máquina redacional, não desejam des-cobrir o discurso do poder sobre educação, sobre saúde pública ou sobre manejo sustentável. Escrevem para agradar, porque o ideal, se existe um, é se manter no emprego, é se dar bem com todos para, quem sabe, assegurar algo melhor depois. São escravas dóceis sem exigências.

As jornalistas são as mais despossuídas de senso crítico em suas matérias. Indiferentes a des-cobrir algo por que valha a pena lutar, seus textos agradam a todos, principalmente, ao poder. Há mais de dez anos nas Redações acrianas, eu não conheci uma jornalista - e muito menos uma escrita feminina - que exalasse o aroma da contestação ou o charme elegante da crítica.

Na Redação de um jornal, elas são mais domésticas do que na cozinha. Não agradam aos maridos, mas satisfazem as exigências do poder com uma escrita que ainda reproduz o gênero masculino, ou seja, distante, objetiva, dependente do objeto tratado. A escrita de nossas jornalistas, portanto, assemelha-se ao narrador do realismo-naturalista do século 19.

Mulheres que escrevem, mas não conforme o gênero feminino. Buscar esse caminho, o do gênero feminino, no entanto, não passa pelo jornalismo. Explico. Assim como a escrita da História se refez por meio da Literatura, a escrita do Jornalismo também se recriou por meio dessa mesma Literatura. Entre 1930 e 1960, surge o jornalismo literário. Mentira. Bem antes, em 1700, há registros de elementos literários no jornalismo. É verdade que, em fevereiro de 1972, a New York Magazine publicou o artigo O nascimento do new journalism, escrito por Tom Wolfe, mas esse americano não foi quem iniciou o amalgamamento entre jornalismo e literatura. As jornalistas precisam recorrer à literatura para que seus textos não reproduzam o gênero masculino.

Neste espaço de jornal, como não tenho mais linhas para estender minha palavra vã, deixo para teus olhos esta publicação da Rocco: Ficar ou não ficar, de Tom Wolfe, obra em que o jornalismo se comunica com a literatura, leitura obrigatória para as nossas jornalistas que escrevem como homens - às vezes, melhor pôr a mesa para a família, permanecer em casa, colocar as sandálias nos pés cansados do bom marido.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Educação: as marcas da vida

Manoel Jesus,
professor de Comunicação da UCPel

Alguns podem me acusar de saudosismo, mas não é assim. Infelizmente, no que se refere à educação, involuímos, voltamos tristemente para trás. Havia uma fórmula simples, mas eficaz: as famílias davam os primeiros ensinamentos, especialmente no que se referia aos valores e às referências, auxiliadas pelas igrejas, e quando a criança chegava ao ensino formal já tinha um lastro, em condições de alcançar o seu desenvolvimento.

Onde deu errado? Já foi dito: a família foi colocada em xeque, mesmo que não se tenha encontrado nenhuma estrutura alternativa em condições de suprir as carências dos primeiros anos. A mãe, como referência em educação, precisou sair para o trabalho, complementando a renda familiar; enquanto a autoridade do pai passou a ser questionada, nas coisas mais simples, como uma palmada, que pode ser pedagógica, na maior parte das vezes doendo mais em quem dá do que em quem recebe.

As igrejas perderam a sua força e bispos, padres, pastores, hoje, são apenas vistos como “figuras interessantes”, mas não ditam normas e orientações para a maior parte da população. E a educação formal, especialmente a pública, enfrenta grandes e sérios problemas, sem solução a curto ou médio prazo. Isto é um raio-X superficial de uma questão onde as perguntas são muitas e as respostas poucas. Não podemos voltar ao passado para refazer o caminho onde erramos, mas também não podemos descartar as experiências que deram certo.

Tenho visto escolas anunciarem um ensino de qualidade e “puxado”, onde as normas são claras e cobradas dos alunos, professores e pais. E, depois de todas as experiências “democráticas”, os responsáveis entendem que há regras que precisam ser seguidas e produtividade que precisa ser cobrada para que se desenvolvam padrões de aprendizado.

Não estou advogando “linha dura” nos colégios, mas que entre a oferta de ensino, convívio, prática esportiva, muitas vezes a própria alimentação, fique claro para alunos e seus pais que não há vitórias no ensino sem que haja esforço e colaboração. Não há professores “bonzinhos”, ou “maus”. Há preocupação com aqueles que julgam que “dando uma mãozinha”, agora, vão se dar bem mais adiante. Não vão. Esta etapa só pode ser vencida por quem entende que a cumplicidade entre educando e educador está, sim, numa cobrança recíproca que deixe marcas para sempre. As marcas que indicam os caminhos da própria vida.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Eu indico...







O Exercício Ético da Crítica

Vindo da palavra krinein, criticar significa julgar. Havendo isso como princípio, meus alunos precisam da liberdade responsável de julgar minhas aulas para que o ensino público seja exigido a servir sempre o melhor. Julguem-me com inteligência para que eu possa melhorar o ato de lecionar e de educar.

Além disso, por meio do blog das turmas 2º A e 2º B (Criticar para Melhorar), os alunos, expondo seus textos, serão corrigidos em sala e receberão dicar para melhorar os textos. Expor aulas, não ter receio de apresentar meus limites e até meus erros para que outros apontem novos caminhos.

Espero que meus alunos saibam criticar com maturidade. À esquerda, acesse Criticar para Melhorar.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Momo conforme o poder público

Das esquinas dos bairros Aeroporto Velho, Sobral, João Eduardo, Airton Sena até às ruas dos bairros Floresta, Estação Experimental, Tucumã, não vi sinais de vida de uma gente fantasiada para afirmar a identidade do Carnaval. No Acre, os súditos de Momo são insípidos.

Não parte dos bairros rio-branquenses a espontaneidade criativa de blocos ou a originalidade irreverente de grupos fantasiados. À noite, nesses espaços urbanos, preserva-se uma tristeza emudecida. Sem risos pelas ruas, sem mascarados, sem o escárnio das fantasias, o Momo acriano não passa de um roto.

Diante desse rei deformado, resta ao dinheiro público definir e organizar o espaço para que esse reinado adquira formas paraestatais. No Acre, um grupo político no poder define o início e o término da festa, concentrando contribuintes em um lugar cerceado pelo comércio e pelo aparato de Estado. Momo não se espalha pela cidade de Rio Branco, é mais seguro e econômico, segundo a ordem pública, vigiá-lo de perto em um redil. Depois, diante da câmera de TV, o policial militar afirma com satisfação que manteve Momo sob controle. Aqui, o governo organiza até trio elétrico.

Dinheiro público no Carnaval, entretanto, não é exclusividade acriana. No Rio de Janeiro, o caso que mais me chamou atenção ocorreu com a escola de samba São Clemente. Passando por dificuldade financeira, a escola de Botafogo pediu ajuda a César Maia, então prefeito. Ele disse que ajudaria com o dinheiro do contribuinte desde que a escola não apresentasse na Sapucaí um desfile irreverente, desobediente, avesso à normalidade da passarela. Com outras palavras, a São Clemente não poderia apresentar um Carnaval crítico, devendo se submeter, portanto, à domesticação da verba pública, assim como ocorre com as outras escolas de samba. A São Clemente se recusou, preferindo manter um Carnaval autêntico, ou seja, irreverente, desobediente, avesso.

Assim como ocorre no Rio de Janeiro, o poder público acriano corrompe, deforma e aliena o reinado de Momo, e a TV Aldeia, que pertence a um grupo político-partidário, ainda reforça essa aculturação do Carnaval por meio de sua transmissão infantil. Infelizmente, a TV Aldeia não sabe o que fala sobre o Carnaval, porque o que ainda fala não é Carnaval.

Para evitar essa transmissão que não (des)cobre o significado simbólico dessa festa popular, sugiro estudar A História do Riso, de Georges Minois; Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto D’Matta; e A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, de Mikhail Bakhtin. Antes que o prefeito entregue a chave ao rei Momo em 2010, os âncoras da TV Aldeia precisam saber o que falam sobre o Carnaval.

Se a procissão e a parada militar cultuam a reverência, o rei Momo não reverencia os santos e nem as autoridades. Seu reinado, segundo Mikhail Bakhtin, Roberto D’Mata e Georges Minois, promove a inversão ou o avesso depois que recebe a chave do prefeito. Filho do Sono e da Noite, esse mito não merecia que o poder público organizasse o controle contra ele.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Bloco Carnavalesco dos GTs

ou quando se atira no próprio pé.

















Na minha tola juventude universitária, acreditei na pureza ideológica do Partido dos Trabalhadores, época em que o Lulalá discursou em um palanque diante da Candelária, Rio de Janeiro. Seu vice era Bisol, do PSB.

Criticávamos todos e tudo, tínhamos soluções para tudo. Tudo. Sempre votei no PT, ainda sou petista não para adular, para obter algo ou para participar do Bloco Carnavalesco dos GTs, mas para manter esta desconfortável contradição: elogio e crítica.

No Acre, até aonde a informação chegou, os grupos de trabalho pegaram muito mal. Muito. Violaram o correto, o justo.

Bloguista, leia com atenção o que Élisson Miessa dos Santos, procurador do Trabalho, declarou.

"As contratações dos GTs são feitas como se o Estado fosse uma verdadeira empresa, porque os trabalhadores ficam sabendo das vagas de trabalho por meio de colegas ou de familiares e, em seguida, levam seus currículos nas secretarias, que os convidam para uma entrevista e depois são contratados.”

Deixei um pouco de lado, um pouco, aquele tolo ideológico diante da Candelária, ainda votarei no PT acriano, mas mantendo minha lucidez, qual seja: o PT é impuro. Bom saber que ele é feito por mortais, ou seja, ideais também morrem como morre a autocrítica. Criticávamos tudo e todos. O silêncio, hoje, nos alicia. O poder é uma questão de conveniências ou de GTs.
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Governador e secretários assinam TAC
para acabar com GTs

De Freud Antunes

O governador Arnóbio Marques, a procuradora-geral do Estado, Maria de Nazareth Mello de Araújo, e outros 20 secretários assinaram o termo de ajustamento de condutas (TAC) para pôr fim à contratação de pessoas por meio de grupos de trabalho (GT), atividade considerada ilegal pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelo Ministério Público do Trabalho.

De acordo com o contrato, o governador terá até o final de seu mandato - dezembro de 2010 - para eliminar de forma gradual os contratados sem concurso público.

O TAC afirma que os gestores deverão demitir 20% dos GTs neste 1º semestre, 30% no 2º semestre, mais 30% no 1º semestre de 2010 e, por último, outros 20% no 2º semestre do mesmo ano, totalizando os 100%.

De acordo com o procurador do Trabalho, Élisson Miessa dos Santos, os administradores alegaram que precisavam de tempo para realizar as mudanças, pois a eliminação repentina causaria problemas para a administração pública.

Élisson disse acreditar que o TAC deverá atingir de forma direta cerca de mil trabalhadores que não possuem direitos, como férias e 13º.

O procurador do Trabalho foi o responsável pelo acordo, pois iniciou uma investigação há um ano, realizando o levantamento de quantas secretarias estariam utilizando empregados de forma irregular.

“O caso foi descoberto por meio de uma denúncia, então firmamos uma parceria como o MPE, que foi o responsável pelo TAC”, detalhou o representante do MPT.

Durante o inquérito, Élisson descobriu que as contratações por GT eram feitas por meio de análise de currículo, como uma empresa.

“As contratações dos GTs são feitas como se o Estado fosse uma verdadeira empresa, porque os trabalhadores ficam sabendo das vagas de trabalho por meio de colegas ou de familiares e, em seguida, levam seus currículos nas secretarias, que os convidam para uma entrevista e depois são contratados”, detalhou o procurador.

No ajuste de condutas, depois de sanar a irregularidade, o gestor terá 30 dias para enviar as informações para o MPE.

GT

De acordo com o procurador do MPT, o GT só poderia ser oferecido a servidores concursados relacionados ao órgão. O benefício é oferecido por um curto espaço de tempo para que o trabalhador possa realizar funções, além daquelas já desempenhadas.

TCE

O jornal A TRIBUNA divulgou a denúncia da utilização de GTs depois que os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) concederam um prazo de 120 dias para que a Defensoria Pública pudesse extinguir a irregularidade descoberta nas prestações de contas.

Punição

Depois de vencido o prazo dado pelo TAC, o MPE poderá denunciar na Justiça o secretário que não eliminar o problema, sendo processado por improbidade administrativa, podendo perder o cargo, os direitos políticos, tendo que devolver todo o dinheiro gasto com as contratações irregulares, além de ter de pagar uma multa.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

No Acre, o Carnaval é paraestatal

O governo da Frente Popular e suas matérias sobre Carnaval. O estranho é que, sobre a Expo-Acre, as matérias têm outro conteúdo. Para a Expo, cria-se uma imagem diferente. Escreverei ainda sobre isso.

O deputado estadual Moisés Diniz, hoje líder do governo, certa vez disse que a "Expoacre é uma festa popular". Ao seu blog, enviei uma mensagem, criticando seu destempero conceitual. Para um comunista, acho até compreensivo, porque o PC do B nunca compreendeu a cultura brasileira. Os bons livros ou os bons autores registram isso. Enquanto cultuavam a União Soviética, Stalin, Gilberto Freire escrevia "Casa-Grande e Senzala" e Sérgio Buarque, "Raízes do Brasil".

O que a Frente Popular faz é um processo de aculturação do Carnaval, como já ocorre na Sapucaí, Rio de Janeiro, e mais ainda em Salvador, com os abadás. Restou a nós, somente, copiarmos o que passa pela TV, essa aldeia Global.

Mas, como a Globo não mostra o popular Carnaval da avenida Rio Branco e muito menos o reinado de Momo nos bairros cariocas e nos bairros de Niterói, nós, aqui, desconhecemos as fantasias de rua, a grandeza dos blocos, a sátira política do povo, que não é organizada pelo poder público. No Rio de Janeiro, moradores se reúnem para sair às ruas sem precisar de governos.

No Acre, até o governo organiza a festa, estabelece horário. Aqui, o Carnaval, longe de ser popular, é paraestatal. Leia agora a matéria dos que gostam da Expo-Acre.

Carnaval sem exploração sexual e trabalho infantil

Governo do Estado e Prefeitura discutem hoje à tarde estratégias de combate à exploração sexual e trabalho infantil durante o Carnaval

As secretarias de Estado de Desenvolvimento para Segurança Social e de Assistência Social de Rio Branco estão juntas no combate à exploração sexual e do trabalho infantil. A estratégia para o carnaval será definida em uma reunião hoje às 14 horas, no Sebrae da Avenida Ceará.

Vão participar do encontro cerca de 50 técnicos das duas secretarias que irão trabalhar durante o carnaval na tentativa de evitar os crimes contra crianças e adolescentes. (AN do Acre)