quarta-feira, novembro 21, 2012

Um vereador


Recolocar o prof. Roger (PSB) na Câmara de Vereadores de Rio Branco representa manter no Poder Legislativo inteligência e caráter.

O PSB deveria lutar por uma câmara radicalmente transparente. O dinheiro público não pode permanecer oculto conforme aqueles que se dizem representar a população.

A Câmara dos Vereadores de Rio Branco é uma Casa que não diz quanto gasta, em que gasta, como gasta. Por causa disso, é uma das mais fechadas do Brasil.

Roger, dinheiro público não é para ser mantido em segredo.

Um fotógrafo

Hoje, conversando com o chargista Braga, soube que o fotógrafo Alcântara faleceu por causa de um acidente vascular cerebral.


Boa pessoa. Profissional competente. Comigo, sempre foi educado.   
 

Um amigo envia ótimo texto

Correto demais

Em Paris, neste final de semana, houve uma passeata contra o projeto do governo de permitir o casamento entre homossexuais. Depois de agressões a grupos feministas e a jornalistas, alguns manifestantes se voltaram contra a "ditadura do politicamente correto".


Há alguns meses, na época da Olimpíada, uma atleta grega foi suspensa da equipe de seu país por comentários racistas em sua conta do Facebook. À notícia na imprensa europeia, seguiam-se necessariamente centenas de posts denunciando a "ditadura do politicamente correto" que impedia a atleta de enunciar suas opiniões sobre a quantidade de imigrantes em seu país.



No Brasil, discussões sobre o conteúdo racista de um livro de Monteiro Lobato degeneraram, por sua vez, em denúncias violentas contra a mesma "ditadura do politicamente correto" que, ao que parece, deve ser o resultado de um grande complô mundial contra livres pensadores travestidos de atletas gregas, manifestantes que gostam de agredir feministas e defensores da clarividência política de Lobato.



Na verdade, por trás da defesa de tal modalidade de "livre expressão" há o desejo mal escondido de continuar repetindo os mesmos velhos preconceitos e a mesma violência contra os grupos vulneráveis de sempre.



Por trás da atitude do adolescente que parece se deleitar com a descoberta de que é capaz de enunciar, à mesa do jantar, comentários "chocantes" que fazem seus pais liberais revirarem-se, há a tentativa de travestir desprezo social com a maquiagem da revolta do homem comum contra a ditadura dos intelectuais. Não por acaso, essa era uma estratégia clássica para dar direito de cidade a comentários antissemitas.



No entanto, é bom lembrar que uma democracia sabe separar a opinião do preconceito. Uma opinião é aquilo que é, por definição, indiferente. Ela abre um espaço de indiferença a respeito de enunciados e discursos. Mas há enunciações que não podem ser recebidas em indiferença, já que trazem, atrás de si, as marcas da violência que produziram ao serem enunciados. Uma sociedade tem a obrigação moral de defender-se deles.



Colocar uma advertência em um livro por ter conteúdo que pode ser sentido por minorias raciais como violência, impedir que pessoas escarneçam de grupos socialmente vulneráveis é condição para um vínculo social mínimo.



Claro, tais pessoas que julgam normal fazer piadas com negros nunca mudarão de ideia. Mas elas devem saber que há certas coisas que não se diz impunemente.



A falsa revolta é apenas mais uma arma daqueles que querem continuar com as exclusões de sempre.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Não fui à igreja ontem

Gotas de melancolia molham minha pele. Respingo de tristeza sujam minha calça nesta primavera. Chove no Rio de Janeiro.

"Filho, acorda, vamos assistir à peça 'A alma imoral', uma adaptação do texto do rabino Nilton Baden, lá no teatro Ziembinsk, na Tijuca."

Ontem, eu e meu pai nos sentamos diante da atriz Clarice Niskier para ouvir o que as igrejas intolerantes não falam e, quando falam, deformam.


Aprecio a igreja cujo sacerdote seja culto e inteligente, jamais burro, ou seja, intolerante. Toda burrice é uma violência contra.
Em muitas ruas de Rio Branco e do Rio de Janeiro, igrejas propagam o mal na forma de Jesus Cristo.

Mas nem tudo é igreja sem sabedoria. Podemos encontrar em uma cidade a palavra na forma de ficção, isto é, na forma de encantamento.

Não fui à igreja ontem. Fui ao teatro.

Acesse este sítio e, principalmente, ouça o link "vídeo" (A Alma Imoral).     

terça-feira, novembro 06, 2012

3ª via

Após declarar apoio a candidatos de 11 partidos diferentes nas eleições municipais, a ex-presidenciável Marina Silva (sem partido) disse que desde 2010 a população brasileira vem demonstrando nas urnas que o país quer uma terceira via política.

Embora garanta não saber se é candidata em 2014, a ex-ministra do Meio Ambiente costurou suas declarações de apoio país afora com base na sustentabilidade global "em todas as suas dimensões".


Sob esse discurso, o leque de apoiados por Marina em 2012 incluiu candidatos de PT, PMDB, PSB, PDT, PPS, PSOL, PRB, PTN, PSC, PMN e PV --partido pelo qual a ex-senadora conquistou 19,6 milhões de votos em 2010.


Edson Silva - 11.out.2012/Folhapress
Ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva
Ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva

A Folha identificou 42 candidatos apoiados por Marina, sendo 19 postulantes a prefeito e 23 a vereador. Desses 8 foram eleitos, quatro como prefeitos, como Gustavo Fruet (PDT), em Curitiba, e Clécio Luís (PSOL), em Macapá (AP).


"É um movimento transpartidário. Não sei se serei candidata. Quero que o legado suscitado por mim continue sendo uma agenda relevante e possa crescer. Uma terceira via, o grande desafio do Brasil, que sempre viveu a polarização, é algo que tem de ser entendido como movimento da sociedade", diz.


Apesar de negar qualquer viés pragmático nos apoios, o discurso da "terceira via" a afastou do presidenciável Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Assim como fez em São Paulo e Belo Horizonte, onde houve a polarização PT-PSDB, Marina não subiu no palanque em Recife: "Apoiei o Serafim [Corrêa], que é do PSB, em Manaus, mas lá [Recife] com o Eduardo Campos não apoiei porque tinha um viés de nacionalização das disputas".


No balanço de suas andanças, Marina vê uma diferença entre a sua caminhada e a "Caravana da Cidadania" de Lula, em 1993-1994: "O Lula tinha muito claro que queria ser candidato a presidente. Eu não tenho esta clareza".

terça-feira, outubro 30, 2012

Para quem diz fazer muito, a diferença foi pouca

De 1993 a 1996, Jorge Viana (PT) foi prefeito.

De 1997 a 2004, a oposição administrou a prefeitura de Rio Branco.

De 2005 a 2012, o PT retoma a capital acriana com Raimundo Angelim.

De 2013 a 2016, Marcus Alexandre (PT).

Serão 12 anos na prefeitura da capital.

No estado, já são 14 anos: Jorge Viana (1999 a 2006), Arnóbio Marques (2007 a 2010) e Tião Viana (2011 a 2014).

São 14 anos no poder do estado.

O tempo tem registrado que, nos últimos anos, o Partido dos Trabalhadores regula os ponteiros do relógio político. É a quarta derrota de Bocalom (PSDB).

Nesse longo tempo, o PT, que tinha 12 prefeituras no Acre, entra em 2013 com 4, sendo que administrará Rio Branco com uma rejeição de 49%,23%, isto é, em um universo de 178.375 mil eleitores, 87.818 não aprovam petistas em solo municipal.

Marcus Alexandre será titulado em 2013 por ter convencido 90.557 eleitores ou 50,77%.  

Como pode um partido que faz tanto há muitos anos pela população de Rio Branco receber tamanha rejeição?


A população retirou do PT acriano oito prefeituras, e metade da capital não votou no Partido dos Trabalhadores. Repito: a metade.

No primeiro turno, o PT ficou com 48,3%; e Bocalom, 43,85%. Um diferença, portanto, de 4,45%.

No segundo turno, a diferença ficou em 1,54%. Isso quer dizer que o petista recebeu a mais 5.275 votos; e o tucano, 10.401.

A pergunta: o que a oposição fará com a outra metade da população rio-branquense durante quatro anos ou na próxima eleição para governador?

sábado, outubro 27, 2012

Amanhã

A eleição dará o destino de Rio Branco por mais quatro anos. Esta capital não pertence ao PT, ao PC do B, ao PMDB, ao PSDB. Rio Branco pertence a ideias que estão muito acima de partidos.

A ideia, por exemplo, do dinheiro público ser destinado pela população, e isso o PT não permite no estado e nem na prefeitura. O dinheiro é destinado a burocratas.

Há anos no poder, o PT afastou a popul
ação das decisões públicas e, por causa disso, por ser mais um partido no poder, a população tem votado menos nele.

O PT não coloca em prática ideias originais, porque sua única ideia é se manter no poder, ofertando a seus membro riqueza para construir posto de gasolina, hotel.

O PT acriano, se um dia foi uma ideia radicalmente democrática, está longe das forças populares e, cedo ou tarde, pagará por isso.

Talvez, quem sabe, o troco virá amanhã.

Amanhã.

quarta-feira, outubro 24, 2012

Depois que postei "Israel, o Deus-estado que mata", alguns escreveram para mim como quem escarra em um canalha.

Devo ser muito canalha mesmo, porque sempre tirei proveito de pessoas para levar o mal a elas. Eu fiz muito mal a muitas pessoas.

Citar um filme que contraria a fé alheia dá nisso.

Talvez, quem sabe, a grande luta dos sindicatos e do movimento gay seja a luta por cultura e a luta por informação.

Quando as pessoas só veem o mundo com duas cores, branco e preto, cultua-se um deus que julga e condena, ignorando que a compreensão mais profunda sobre a vida encontra-se muito além de duas cores.

O estado de Israel mata crianças palestinas, e isso não é coisa de Deus.

Sem bons filmes e sem bons livros, pessoas se fecham em mundo do tamanho  de um escarro (anônimo). O Deus delas mede-se pela agressão  viscosa de um cuspe.

      

quarta-feira, outubro 17, 2012

Israel, o Deus-estado que mata

No Acre, PT e PC do B, fiéis aos evangélicos, esqueceram-se
dos palestinos que são assassinado na Faixa de Gaza  

Por pouco, eu e Mony não assistimos ao filme A guerra à nossa volta. No último dia do Festival de Filme do Rio de Janeiro, meus olhos realizaram o desejo de ver-saber o que ocorreu em 2008 na Faixa de Gaza.

Trata-se de um documentário.

Ayman Mohyeldin foi o único correspondente norte-americano que esteve em Gaza, em 2008.

Com ele, a jornalista Sherine Tadros, que estava em Gaza para um trabalho de 24 horas, ficou presa por dois meses e meio.

O estado de Israel impediu que jornalistas cruzassem a Faixa de Gaza, mas Ayman e Sherine   já estavam lá dentro.

Narrado em 1ª e em 3ª pessoas, o filme mostra o que o jornalismo comum oculta ou ignora. As cenas revelam o que Israel fez contra os palestinos em 2008.

Crianças e mais tantas crianças assassinadas. Famílias mortas. Um porta-voz do estado de Israel afirma que terroristas do Hamas infiltraram-se entre famílias, mas o filme revela que Israel conduziu mães e filhos a um  abrigo para ser bombardeado.

Mata-se também com a arma química "fósforo branco", proibida pela ONU. Essa arma, ao atingir a pele, queima o corpo. Há uma cena em que aparece uma criança com todo rosto queimado.

Os palestinos ficam 3 horas em uma fila para comprar pão. A água é rara.

Como saber o que ocorre no mundo e no Brasil se filmes como "A guerra à nossa volta" não passam no Acre?

Filme assim deveria estar nas DVDtecas das escolas para que alunos soubessem que o Deus de Israel é assassino.

Diário de Classe

O jornal Folha de São Paulo publicou no dia 7 uma matéria a respeito de alunos que criam páginas de Facebook para mostrar à sociedade o que ocorre em sala de aula e na escola pública.

Já são muitos diários espalhados.

Se escola não selecionam os melhores alunos para eles avaliarem seus professores, nada mais adequado do que criar um Facebook para alunos, de forma ética, séria, inteligente e propositiva, tornarem público o que existe em sala de aula.

Seria interessante também alunos reconhecerem também educadores dedicados e gestores que apresentam caminhos tradicionais, modernos e democráticos para a escola.

Diário de Classe, é só ir ao Facebook.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Vote no candidato (2)


Vote no candidato (1)


É Fantástico

Vale o quanto pesa

  1. Ter Ronaldo como estrela do "Medida Certa", do "Fantástico", custou muito caro à Globo. Para participar do quadro em que expõe sua obesidade e se propõe a emagrecer, o ex-craque cobrou R$ 6 milhões, segundo pessoas próximas ao ex-atacante. A intenção de Ronaldo, que começou o programa com 118 quilos, é perder 18 quilos. Ou seja: se cumprir a meta estabelecida, a cada quilo perdido, o ex-jogador deve ganhar R$ 333 mil.

terça-feira, outubro 09, 2012

Rio Branco não pertence a duas facções

Hoje, vejo Rio Branco de muito longe, o Acre está muito distante não só de mim, mas de centros urbanos marcados pelas multidões.

Daqui, vi muitas fotos de grupos que desejam o poder. Bandeira sem vento e alegria interesseira não apresentavam partidos com ideias, mas facções religiosas que rogam por elas mesmas.

Mas Rio Branco não é igreja. Rio Branco são ideias.

O PT é bom para deixar o centro bonito e bom para comparar há 13 anos, por meio de fotos, o que era o Acre e o que o Acre é hoje.

Mas o PT acriano, para fazer o óbvio, perdeu, das 12 prefeituras, 9, ficando com 3. Pode ainda perder Rio Branco.

O senadores do partido de Lula e de José Dirceu podem vir com suas análises previsíveis, mas o fato é que o PT está com o seu tempo contado no Acre caso permaneça igualando-se a outros partidos, por exemplo, esta obra eleitoreira, "Ruas do Povo".

O partido de Nilson Mourão é o mesmo quando o assunto é comunicação. O PT e o governo não sabem se comunicar com a população.

Sua propaganda é muito ruim, mas, como o governador não é homem de ideias - se fosse, jamais teria colocado Leonildo Rosa na Comunicação -, tudo continuará a mesma coisa, ou seja, o governo fala uma coisa por jornais e tevê e a população interpreta outra.

Se a inteligência de petistas não funcionar, O PT acriano está em contagem regressiva.
         
 

sexta-feira, outubro 05, 2012

"Ausência"

Na esquina das ruas Graça Aranha e Araújo Porto Alegre, no centro do Rio, lá estava o andar desmanchado a contrastar com o corpo da multidão. Meu amigo. Depois de mais de 20 anos, Affonso se mantém atípico.

Após um abraço muito carinhoso que obstruiu a calçada, caminhamos em direção ao Sesc-Rio para assistir à peça “Ausência” - nome mais do que apropriado para o nosso reencontro.

Nova York, 4 de abril de 2036. A cidade norte-americana vive um dos maiores caos da história do planeta. A população está praticamente impedida de sair às ruas e, se isso acontecer por alguma necessidade extrema, é obrigada a utilizar máscaras de oxigênio.

Nesse dia, o personagem vestido com sua máscara abre sua janela e observa. O céu não é mais o mesmo: uma estranha luz vinda do sol desenha a caótica e absurda cidade.

No topo do prédio, seu apartamento. No lugar de paredes, tubos metálicos. Em seu espaço, objetos, objetos, objetos. Além de um homem, ratos e, em um aquário com água, o peixe vermelho. Entre peças e tubos, um registro de água. A escassez em Nova York impera. O plante espera por seu fim.

O peixe, porém, permanece na água. Por que um peixe nesse resíduo de mundo?

Quando colocamos um aquário na sala, contemplamos um grau de beleza. Nisso, não há função prática, somente a inércia de olhar fixamente a beleza de um ser vivo que flutua no espaço líquido do aquário. O personagem cuida do peixe. Ele o ama.

O peixe é ornamentação.

Belo, o peixe é delicadeza, única imagem que nega a rudeza do apartamento.

Abre-se o registro de água; a gota, no entanto, não cai na boca sedenta do personagem. O apartamento está seco.

Aos poucos, o personagem recria o aquário. Duas peças metálicas são dois braços. Pedaços de arame, cabelos. Na condição de metáfora, o  peixe, agora, recebe do personagem o amor em forma de declaração poética, único momento em que a plateia ouve palavras.

Mas, quando o orgânico se agoniza, quando a matéria se atormenta, quando a carne necessita matar a sede, por que não beber a água que mantém viva a beleza, a ornamentação, a delicadeza, o peixe vermelho?

A peça-conto continua, mas eu paro aqui, dizendo somente isto: muitos textos teatrais que estão no Rio de Janeiro poderiam circular em Rio Branco, porém, por absoluta ignorância desinteressada de políticos incultos, cidadãos permanecem à margem de uma cultura secular – o teatro.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Subúrbio

Fotos de minha esposa. Ela, inclusive, aparece em uma delas

Está ocorrendo o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, são mais de 400 filmes entre nacionais e estrangeiros.

Iniciou-se em 27 de setembro e irá até 11 de outubro.

O Rio é muito mais do que praias, algumas com coliformes fecais, como a de Copacabana.

Quadalupe fica depois de Vista Alegre, à margem da Avenida Brasil, fronteira com os bairros 
 Anchieta, Deodoro, Marechal Hermes, Acari.

Nessa parte do subúrbio carioca, existe uma galeria, mas na fachada batizaram de Shopping Guadalupe, bem menor do que o Via Verde Shopping, nem se compara à beleza e ao conforto do Via.

Nele, um cinema simples, com uma pequena biblioteca e ao lado a bilheteria que vende pipoca. O cinema também não se compara às salas do Via Verde.

O som não é melhor. O conforto não é melhor. A tela é bem menor. No entanto, nesse bairro suburbano e nesse cinema que alguns diriam ser borra-botas passa filmes que jamais passarão nas salas do shopping acriano, porque são filmes autorais enquanto no Acre os filmes são comerciais.

Ontem, como você pode ver nas fotos acima, eu e minha amada esposa, a Mony, fomos ao Ponto Cine para assistir a uma das programações do Festival de Cinema do Rio.

O filme-documento foi "Jorge Mautner - o filho do holocausto", de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt.

Terminado, os diretores permaneceram durante 30 minutos para receber perguntas. Eu fiz a minha.

Nesse cinema, onde bons filmes nacionais são apresentados, onde você jamais assistirá a um Homem-Aranha, diretores e atores são convidados para conversar com uma platéia de 77 pessoas, a quantidade máxima de cadeiras.

Ponto Cine também é muito menor do o Via Verde neste quesito: preço. No Acre, pagam-se 20 reais para assistir a enlatados norte-americanos; e, em Quadalupe, subúrbio, pagam-se 4 reais por filmes que mostram o que é o Brasil.         

terça-feira, outubro 02, 2012

Para o Acre ainda ficar melhor

Cena de "A pedra do reino", de Ariano Suassuna

Não há dúvidas - só um cretino não perceber isso - de que o Acre é outro com a administração da Frente Popular. 

Evidente que ainda falta muito, mas devemos reconhecer que muito foi transformado. Não querer mais o PT ma prefeitura de Rio Branco não pode se equiparar a não reconhecer o que já foi edificado.

Se falo bem desta terra, é por causa da Frente Popular. Se critico o PT, é por causa desse monopartidarismo, desse excesso de poder a um só grupo, que, por sinal, acomodou-se, não aponta novos caminhos para a cultura e para a educação.   

Além de amigos, de parentes, eu sentia muita falta de teatro e de cinema em Cruzeiro do Sul e em Rio Branco.

Quando foi governador, Binho colocou no Acre um circuito de teatro muito bom. Liguei meus alunos a ele.

Enfadonho por causa de seus discursos previsíveis, o médico-governador Tião Viana, homem público avesso à cultura - talvez nunca tenha lido Ariano Suassuna -, ignora a diferença entre o teatro popular e a não menos previsível Expo-Acre e a importância vital das culturas teatral e cinematográfica para alma do coletivo acriano.    

No sentido oposto, Binho Marques ofertou à escola, desde que o professor tomasse a iniciativa, a provocação de pensar por meio da estética teatral.

Assim como um ser humano não é mais desenvolvido por ter "ponte de safena", uma cidade não é desenvolvida por ter a terceira ponte ou a quarta, ou a quinta, ou a sexta.  

É o pensar ou os pensares que a tornam desenvolvida. O progresso de uma cidade é medido por sua força cultural, neste caso, do bom teatro profissional, do bom cinema autoral.

Falta isso para o Acre ainda ficar melhor.

O governo do Acre retirou dos contribuintes R$ 25 milhões para construir a ponte de Cruzeiro do Sul.

Penso que seria bem menos grana para que escolas públicas tornassem-se espaços culturais.

Ótimos grupos de teatro do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais, do Acre, por exemplo, poderiam atrair uma população que sempre ficou à margem do saber teatral. A escola teria mais uma importância.

Mais: por menos de R$ 25 milhões, muitas escolas seriam centros cinematográficos; mas, para isso, salas de cinema intimistas e aconchegantes deveriam ser construídas nas escolas.

Mas o PT acriano, sem política pública contínua para a cultura, não entende isso até hoje, talvez pelo único motivo de seus dirigentes nunca terem assistido a uma peça de Ariano Suassuna.

Cena de "A pedra do reino", de Ariano Suassuna
              

domingo, setembro 30, 2012

Paraty, deputado. Paraty, candidato.

Na Expo-Acre, crianças são fotografadas ao lado de um boi.
Na Flip,  crianças leem depois que a festa chega ao fim  

O deputado Moisés Diniz (PC do B) declarou certa vez que a Expoacre representa a cultura acriana.

Mais tarde, Marcus Alexandre (PT), candidato a prefeito de Rio Branco, expeliu as mesmas palavras do deputado.

Se nós dependermos desses políticos para  compreender o que é "cultura" e o que é "popular", nosso pensamento será menos útil do que uma porta de banheiro de um botequim qualquer.

Há uma cidade no Rio de Janeiro que não tem viaduto, ponte, asfalto, shopping, mas isso não significa ser um lugar atrasado.

Para os políticos acrianos, progresso e desenvolvimento estão associados a viaduto, ponte, estrada, asfalto, comércio.

Localizada na fronteira com São Paulo, distante da capital, banhada por águas sonolentas, Paraty era conhecida por sua aparência colonial. Outros países pouco a conheciam até 2003.

Dez anos depois - ou quase isso -, Paraty elevou a qualidade do turismo, trouxe ganhos materiais e imateriais e recebeu uma aderência simbólica incalculável.

E tudo isso por causa de uma sigla: Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).   Mais: sua organização é referência para outros festivais brasileiros.

Por causa da Literatura, Paraty transpira a autêntica cultura, deixando nesta parte do Rio de Janeiro um legado para o espírito das pessoas, qual seja, 30 novas bibliotecas e programas de incentivo à leitura nas escolas públicas de Paraty.

Essa cultura literária gera também riqueza econômica e identidade.

O deputado Moisés Diniz e o petista Marcus Alexandre
 deveriam ler bons livros de cultura popular.

Mas livros existem nas baias de bois?
   

quarta-feira, setembro 26, 2012

Façam o que os jornais locais são incapazes de fazer

É o começo. Rapazes, vocês podem fazer o que o jornalismo acriano não faz. Para fazer melhor, é preciso que vocês trabalhem mais e mais.

Sejam criativos, irreverentes e sérios. Mas não se esqueçam: por trás de uma boa imagem, sempre existe um bom texto.

Façam material sobre a escola pública, sobre o bairro, sobre pessoas. Criem, porque a imprensa acriana está engessada.


Abraço em suas inteligências!