Publiquei este artigo na TRIBUNA hoje
Como ficou incômodo questionar nos jornais acreanos. É arriscado. O tempo tem sido para adular ou para ofender. Creio, no entanto, que podemos melhorar o Céu por meio de uma crítica ética para o bem não de anjos, mas para o bem dos cidadãos. Do grego krinein, crítica significa julgar, isto é, ponderar. Sabemos - criticar é um bem democrático.
Aqui, não tenho muito tempo: poucos, os parágrafos; poucas, as linhas. Mero artigo. O conteúdo, eu sei. Mas qual a forma? Serei irônico? Devo ser sério? Que tal perder o juízo? Sintaxes barrocas ou mais estáveis?
Em 25 de maio deste ano, o clima estava ameno, com Sol, só ficou ruim na escola estadual Heloísa Mourão Marques. Ruim é exagero. O tempo fechou por causa da alta temperatura da Companhia de Operações Especiais, a COE. Quatro viaturas e homens armados entraram na escola para impor ordem. Alunos foram algemados e presos.
Tumulto, meu irmão, muita desordem dominou a escola. A COE foi chamada para (re)educar o que não tem limites no espaço escolar, porque, se educar não pune mais, se os alunos mandam em uma instituição, armas e algemas disciplinam. A COE nos educará.
Essa violência emerge, porque excessos anteriores se ramificam no cotidiano, corroem gradativamente a instituição. São licenças, permissividades, impunidades, libertinagens e vulgaridades que modelam comportamentos de alunos, inibem inspetoras idosas e frágeis, acuam professores e riem da autoridade escolar.
Os excessos. A céu aberto e profano, podemos assistir a uma adolescente ser beijada no biquinho do peito. Mata-se aula para sentir prazer. No intervalo, alunos, convocados para o espetáculo, ouvem os ruídos do pseudoforró do grupo Saia Rodada, cuja letra estimula aquele a meter o dedo no “cuelhinho” do outro diante de todos no pátio da escola. O riso, nesse momento, eleva-se acima da instituição.
Há dias, concluí a leitura de A era do vazio, ensaios sobre o individualismo contemporâneo, de Gilles Lipovetsky. Finalizo este insignificante artigo com as palavras desse francês - Apenas uma ação política determinada a restringir os desejos ilimitados, a equilibrar o domínio privado e o domínio público, a reintroduzir repressões legais, tais como a proibição da obscenidade, da pornografia, das perversões, é capaz de restaurar a legitimidade das instituições democráticas.
sexta-feira, maio 26, 2006
quinta-feira, maio 25, 2006
Cruz e Souza (1861-1898)
Condenação fatalÓ mundo que és o exílio dos exílios,
um monturo de fezes putrefato,
onde o ser mais gentil, mais timorato
dos seres vis circula nos concílios;
Onde de almas em pálidos idílios
o lânguido perfume mais ingrato
magoa tudo e é triste, como o tato
de um cego embalde levantando os cílios;
Mundo de peste, de sangrenta fúria
E de flores leprosas da luxúria
De flores negras, infernais, medonhas;
Oh! Como são sinistramente feios
Teus aspectos de fera, os teus meneios
Pantéricos, ó Mundo, que não sonhas!
quarta-feira, maio 24, 2006
PP & PC do B
Robeto Campos
(1917-2001)
(1917-2001)
(1902-1992)
O passado histórico não existe. Hoje, entre Zorra Total, Casseta e Planeta e Pegadinhas do Faustão, rimos do passado e, quando rimos, como diz Henri Bergson, tudo se nivela, por exemplo, as diferenças políticas.
Hoje, no jornal A TRIBUNA, a jornalista Charlene Carvalho entrevistou Edvaldo Magalhães, do PC do B, para o líder do governo da Frente Popular afirmar que César Messias, do PP, é o candidato a vice-governador pelo Acre. O candidato a governador, Arnóbio Marques, do PT.
No palanque, eu vejo João Amazonas com Roberto Campos. Unidos, eles, agora, lutarão por uma nação melhor, mais irmã. Trata-se de uma política neobarroca, buscando encontrar um ponto de fusão entre opostos históricos.
Também refiz dogmas ideológicos para o bem de outros. A miséria neste país não suporta tanta divisão política. Só falta, agora, o mais impossível - a esquerda se unir. Roberto e João não crêem nisso.
Desejo ouvir a Inteligência da Oposição
Creio em fadas e em gnomos, só não creio na inteligência da oposição acreana quando o assunto é educação. Até o momento, não ouvi algo que se assemelhe a uma boa idéia.
Por parte da situação, idéias sobre novas possibilidades inexistem. Não as ouço. Meu ouvidos cansaram-se do passado educacional da Frente Popular, do que fizeram. Desejo o novo, o revolucionário.
Ninguém fala. Ninguém escreve. Deus, no entanto, assiste a tudo e observa que nossas escolas públicas não são o exemplo de administração.
Sobre isso, sobre esse detalhe, seu cotidiano escolar, a oposição ignora e a situação permanece indiferente.
As escolas públicas são bem administradas? Quais os erros? O que melhorar? Deve haver outro modelo?
Creio que essas questões em outubro menos importarão do que ataques e vaidades pessoais. A educação vai mal. A educação vai bem. E assim o maniqueísmo democrático nos empobrece.
Por parte da situação, idéias sobre novas possibilidades inexistem. Não as ouço. Meu ouvidos cansaram-se do passado educacional da Frente Popular, do que fizeram. Desejo o novo, o revolucionário.
Ninguém fala. Ninguém escreve. Deus, no entanto, assiste a tudo e observa que nossas escolas públicas não são o exemplo de administração.
Sobre isso, sobre esse detalhe, seu cotidiano escolar, a oposição ignora e a situação permanece indiferente.
As escolas públicas são bem administradas? Quais os erros? O que melhorar? Deve haver outro modelo?
Creio que essas questões em outubro menos importarão do que ataques e vaidades pessoais. A educação vai mal. A educação vai bem. E assim o maniqueísmo democrático nos empobrece.
sábado, maio 20, 2006
Dois Revisores
No centro de Rio Branco, após passar pelo jornaleiro, o tempo deixou-me rever Bené Damasceno, o bom revisor do Página 20.
"Aldo, nós precisamos abrir o sindicato dos revisores", propôs Bené em tom de brincadeira.
Disse-lhe que não somos revisores. Somos, sim, pessoas que apagam as vergonhas de alguns repórteres que cometem e repetem os erros mais crassos contra a LÍNGUA.
Eu cometo erros, bem sei, mas busco aprender. Saber mais um pouco. No entanto, no Acre, há jornalistas que não precisam aprender, pois a relação entre amigos viabiliza não só um emprego, mas a estabilidade nele.
Repare este exemplo.
"Para o Ministério Público Estadual é inegável a preocupação da prefeitura com o combate à esses crimes."
"À esses" - Esse acento grave, indicador do fenômeno da crase, revela a vergonha por que o jornalista passa quando, em uma Redação, o revisor não apaga seu erro vexatório.
Outro.
"Páram"- Esse erro foi publicado em uma capa de jornal. Era uma manchete. A imagem de um jornal é o que escreve e como escreve.
Na TRIBUNA, há volume grande de notícias e, por isso, não consigo dar conta de tudo. Não faço o melhor trabalho, mas tenho certeza de que evito, dentro do possível, que colegas de Redação, alguns, passem vergonha. É minha obrigação.
Se houvesse a cultura de desejar ser melhor, poderíamos nos preocupar com outra natureza textual nos jornais, mas, quando alguém escrevinha "à esses" ou "páram", estamos longe do que é inteligente e culto.
"Aldo, nós precisamos abrir o sindicato dos revisores", propôs Bené em tom de brincadeira.
Disse-lhe que não somos revisores. Somos, sim, pessoas que apagam as vergonhas de alguns repórteres que cometem e repetem os erros mais crassos contra a LÍNGUA.
Eu cometo erros, bem sei, mas busco aprender. Saber mais um pouco. No entanto, no Acre, há jornalistas que não precisam aprender, pois a relação entre amigos viabiliza não só um emprego, mas a estabilidade nele.
Repare este exemplo.
"Para o Ministério Público Estadual é inegável a preocupação da prefeitura com o combate à esses crimes."
"À esses" - Esse acento grave, indicador do fenômeno da crase, revela a vergonha por que o jornalista passa quando, em uma Redação, o revisor não apaga seu erro vexatório.
Outro.
"Páram"- Esse erro foi publicado em uma capa de jornal. Era uma manchete. A imagem de um jornal é o que escreve e como escreve.
Na TRIBUNA, há volume grande de notícias e, por isso, não consigo dar conta de tudo. Não faço o melhor trabalho, mas tenho certeza de que evito, dentro do possível, que colegas de Redação, alguns, passem vergonha. É minha obrigação.
Se houvesse a cultura de desejar ser melhor, poderíamos nos preocupar com outra natureza textual nos jornais, mas, quando alguém escrevinha "à esses" ou "páram", estamos longe do que é inteligente e culto.
Assinar:
Postagens (Atom)


