sábado, maio 31, 2008

Açeçôr di Inpremçá

1)
"Quatro horas mais tarde, a equipe dos Jogos Escolares 2008 partiu de Rodrigues Alves para ir direto à Mâncio Lima, onde a população comemorou, na tarde desta sexta-feira, 30, os 31 anos do município, ao mesmo tempo em que recepcionou o fogo olímpico, representante do espírito esportivo dos jogos. O local escolhido para o acendimento da pira olímpica foi o Centro Esportivo Totão."

Antes de "Mâncio Lima", não há artigo "a". Você não diz "a Mâncio Lima é linda". Nós dissemos, isso sim, "iremos a Mâncio Lima". Esse "a" é uma preposição que surgiu por causa do verbo "ir". Só há, portanto, preposição, não existe artigo. Sendo assim, não há fusão entre preposição "a" e artigo "a", ou seja, não se cola acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de Mâncio Lima.

2)
"A proposta do banco é levar à todas as regiões brasileiras shows com grandes nomes de várias expressões artísticas."

O caso de "à todas" é bem pior. Escreve-se "a todas".

sexta-feira, maio 30, 2008

quinta-feira, maio 29, 2008

Ruído escolar



Esses dois rapazes são responsáveis pelas "músicas" da escola Heloísa Mourão Marques. Eles acham que colocam "música", mas, na verdade, são ruídos, porque quem ouve "Créu" não ouve música.

"Nós colocamos Créu porque os alunos querem", justificam.

Não sei se foi brincadeira, mas ele não conhecem Titãs ou um forró verdadeiro, original.

Amanhã, levarei aos ouvidos deles Rapa.

A minha alma
Tá armada e apontada
Para cara do sossego
Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz
é medo

Uma juventude sem letra, sem gosto musical. Na escola pública, deveria haver música, boa música. Que deixassem pelo menos Aldeia FM tocar.

quarta-feira, maio 28, 2008

Gênero feminino

Por que as garotas são melhores do que os garotos na escola?

De Martine Laronche

Por que as garotas são mais bem-sucedidas do que os garotos na escola? Quer isso aconteça na Europa ou, de modo mais abrangente, nos 30 países da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos), um número muito maior dentre elas consegue obter diplomas no ensino secundário e superior e, além de tudo, elas amargam muito menos fracassos escolares do que os rapazes.

A única ressalva que vem temperar este triunfo está no fato de elas obterem resultados um pouco inferiores aos dos rapazes no que diz respeito às notas de matemática, ao passo que elas se mostram nitidamente melhores do que eles no domínio e na compreensão da escrita. Isso também explica por que elas escolhem com menor freqüência seguirem carreiras científicas (matemática, ciências, e escolas de engenharia). Estas são algumas das conclusões da pesquisa internacional PISA (sigla em francês para Programa Internacional para o Acompanhamento da Assimilação dos Alunos).

Então, as garotas teriam mesmo predisposições inatas para o sucesso escolar? Ao ouvir esta pergunta, na certa, Paul Broca deve estar se revirando até agora dentro do seu túmulo. Em meados do século 19, este eminente cirurgião e antropólogo havia pressuposto que "o tamanho relativamente menor do cérebro da mulher (permitia explicar) ao mesmo tempo a sua inferioridade física e a sua inferioridade intelectual".

Desde então, gerações de neurologistas tentaram encontrar origens cerebrais para as diferenças entre os sexos. Catherine Vidal, uma neurobióloga e diretora de pesquisas no Instituto Pasteur de Paris, desmonta todas essas pesquisas num pequeno livro tão estimulante quanto divertido. Assim, a aptidão para a linguagem, que muitos apresentaram como sendo mais desenvolvida nas mulheres, havia sido atribuída, entre outros, a partir dos resultados de uma experiência realizada em 1995, ao fato de que elas mobilizavam os seus dois hemisférios cerebrais, enquanto os homens utilizavam apenas um deles. Contudo, outros estudos que foram realizados desde então infirmaram esta hipótese.

Outro exemplo: em 1982, alguns anatomistas haviam observado que o feixe das fibras que conectam entre si os dois hemisférios do cérebro era mais largo nas mulheres do que nos homens. Esta observação tampouco foi confirmada por estudos posteriores realizados em maior escala. "Os estudos evoluíram muito; hoje, os conhecimentos que nós temos em relação aos neurônios estão muito mais apurados e atualizados", explica a neurobióloga. "As capacidades biológicas cerebrais são idênticas para os dois sexos, e rapazes e garotas apresentam as mesmas aptidões. Para explicar as diferenças, é preciso referir-se aos estereótipos sócio-culturais e aos comportamentos que deles decorrem.

Análise dos estereótipos

Por ocasião do nascimento, apenas 10% dos neurônios estão conectados entre si, enquanto os 90% dos circuitos (sinapses) restantes irão se construírem posteriormente em função do meio-ambiente, social, cultural e familiar. "À medida que as suas capacidades mentais vão se desenvolvendo", prossegue Catherine Vidal, "a criança vai aprender a se identificar ao masculino e ao feminino.
"Christian Baudelot e Roger Establet, dois sociólogos especialistas em educação, analisaram esses estereótipos. Logo no ano de 1992, eles começaram a defender a tese segundo a qual as formas tradicionais de socialização das garotas estavam mais em conformidade com aquilo que a escola pode vir a exigir dos alunos. "A educação das garotas está fundamentada ainda atualmente na noção de docilidade, no sentido etimológico de capacidade de receptividade, de escuta", assegura Christian Baudelot. "Ocorre que na escola, o que se espera em primeiro lugar dos alunos é que eles interiorizem as regras".

Além do mais, as garotas, numa proporção muito maior, seriam alvos, por parte dos seus pais, de uma "solicitude preocupada", ao passo que os rapazes, que costumam ser mais raramente submetidos a esta vigilância, construiriam o seu desenvolvimento, com freqüência muito maior, fora da escola e em função de valores masculinos muito diferentes. "A cultura que é oferecida aos rapazes dá uma ênfase muito maior para o heroísmo, a violência e a demonstração de força. Ora, esses são valores que em todos os casos os dotam de um arsenal anti-escolar", consideram os dois sociólogos. No que vem a ser um outro fator importante, uma vez que os docentes, na grande maioria dos casos, são mulheres, a identificação revela ser mais fácil para as garotas.

Cerca de quinze anos mais tarde, Baudelot e Establet enriqueceram esta análise propondo uma visão mais dinâmica. Segundo eles, as garotas não são apenas mais bem formatadas para os estudos, como "elas também se envolvem de maneira mais positiva com as suas escolhas em sua orientação escolar". A escola é o lugar onde elas adquirem muito cedo a experiência de que elas podem ser as iguais, e até mesmo melhores do que os rapazes. Muito mais do que eles, elas se interessam e se divertem com as atividades culturais tradicionais. Segundo os dados divulgados pela OCDE, 51% das garotas de 15 anos lêem pelo menos um livro por mês, contra 37% dos rapazes. Além do mais, as suas mães as incentivam com maior afinco do que no passado a se tornarem independentes.

Uma socialização familiar

As garotas estão mais conscientes do fato de que os estudos constituem o principal vetor para a sua emancipação. E o seu sucesso escolar também representa uma conseqüência de uma dinâmica histórica e de uma evolução da sociedade", explica Catherine Marry, uma socióloga, diretora de pesquisas no CNRS (uma das principais entidades francesas dedicadas à pesquisa científica). "As expectativas dos pais são atualmente as mesmas em termos de nível de estudos para as crianças dos dois sexos, mas continuam sendo diferentes em termos de orientação".

No final, as garotas continuam até hoje sendo sub-representadas no que se refere às carreiras científicas. "Elas permanecem vítimas do imaginário social em relação às profissões", constata Catherine Marry, "e, com isso, elas tendem a se orientarem rumo a profissões que supostamente convêm melhor às qualidades das mulheres, tais como as que requerem uma maior atenção para com os outros".

Esta socióloga, que se dedicou a estudar mais especificamente os sucessos de mulheres em carreiras científicas, explica o percurso destas últimas como sendo o resultado de uma socialização familiar particular. "Essas garotas, em sua maioria, tinham mães mais voltadas para uma cultura científica, em muitos casos professoras de matemática", analisa Marry. "Elas também tinham sido objetos, em relação ao(s) seu(s) irmão(s), de uma transmissão de cultura igualitária, inclusive por parte do pai."

terça-feira, maio 27, 2008

Diretora ameaçada de morte

Para a imprensa, a escola só surge como tragédia, violência. Sem isso, não há educação pensada pela imprensa. Um carro bate no poste é notícia, mas a educação não é. Em Cruzeiro do Sul, uma diretora é ameaçada, por isso a reportagem existe para ela.
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Marcada para morrer, alunos ameaçam diretora
De Jairo Barbosa

Com mensagem pichada no muro da escola Prof. Flodoardo Cabral, em Cruzeiro do Sul, os alunos enviaram uma ameaça de morte explícita à diretora Ruth Bernardino da Costa. O texto, escrito à caneta, estava assim: “ O prazo de vida da diretora Ruth é até o dia 25/05. A Ruth vai levar facada.”

Na escola, os funcionários evitam falar sobre o assunto. Uma minoria de alunos ainda comenta o caso e atribuem às normas rígidas implantadas na escola pela diretora, o motivo da ameaça. Mas os casos de violência no Flodoardo Cabral vêm sendo registrado desde o ano passado.

Um aluno que pediu para não ter o nome publicado contou à TRIBUNA que, no turno da noite, o consumo de bebida alcoólica e de droga na parte interna da escola é quase uma rotina. Na frente do estabelecimento de ensino, então, disse o aluno, o consumo é liberado.

No mês passado, dois alunos, uma garota e um garoto foram flagrados na sala de aula com facas. No início desta semana, uma outra garota tentou contra a vida de uma colega ao descobrir que ela havia saído com seu namorado.

Apesar da onda de violência e da ameaça de morte, a diretora não registrou queixa na polícia. Em uma entrevista concedida ao repórter Francisco Rocha, da Rádio Verdes Florestas, ela culpou os pais pelo problema que a comunidade escolar vem enfrentando.

“Infelizmente , não tivemos a colaboração dos pais dos alunos da noite. Eles se acham de maior e os pais nunca comparecem à escola, por mais que eu peça ajuda, diferente dos outros turnos, onde tivemos um apoio muito grande. Fizemos várias reuniões envolvendo pais, alunos, promotor, defensor público e o Conselho Tutelar”, disse ela.

Ruth admite que os casos mais graves que envolvem até ameaças de mortes entre os alunos acontecem no período da noite. Por causa disso, muitos funcionários da escola pediram transferência para outros grupos escolares, o que reduziu o número de servidores e facilitou a ação dos rebeldes.

Ao redor da escola, existe um muro de aproximadamente dois metros de altura e um uma quadra coberta, por onde, segundo os funcionários da escola, entra a bebida e droga consumida lá dentro.

A escola Flodoardo Cabral atende mais de 1,2 mil alunos e funciona em três turnos.

segunda-feira, maio 26, 2008

Anfré Petry e Marina Silva

Na Veja, o colunista André Petry, de forma bem sutil, chamou a ex-ministra do Meio Ambiente de míope. Ele conclui seu artigo desta forma:

"Marina Silva sempre foi festejada como símbolo da defesa da Amazônia. Em cinco anos no ministério, não reduziu um grau que fosse a miopia ambiental do governo. Era só símbolo. Agora, com Carlos Minc, sob esse aspecto, não muda nada. Só não teremos nem símbolo mais."

Sintaxe de Jornalista

"Estão disponíveis 571 vagas, no qual, estão sendo divididas da seguinte forma:"

Não percebe que é mais simples escrever "estão disponíveis 571 vagas, divididas da seguinte forma:".

sábado, maio 24, 2008

Gramática de blog 2

Deputado Edvaldo, além-mar tem hífen.

Gramática de blog 1

"Assembléias Legislativas debaterão infra-estrutura dos rios da região"

No blog de Leonildo Rosas, o verbo debater não saiu bem na foto. Quando significa discutir ou questionar, ele deve vir com a preposição sobre. No plural, fica "assembléias legislativas".

Assembléias legislativas debaterão sobre infra-estrutura dos rios da região.

Os índios de Gleilson Miranda

Belas fotos de Gleilson Miranda. Ele revelou os nativos que permaneciam ocultos para os brancos.

Eu soube que Gleilson não cedeu as fotos e muito menos as vendeu para o portal Terra. Quem passou as imagens dos nativos para o portal?

Os índios apareceram, mas, se alguém da equipe vendeu ao portal Terra, a grana ficou invisível para Gleilson Miranda.

Veja a Marina

A revista Veja, de 21 de maio, diminuiu a senadora Marina Silva. "No cargo de ministra, porém, mostrou pouca intimidade com a burocracia, a começar pela montagem da equipe."

Para Leonardo Coutinho e Otávio Cabral, autores da matéria, a acreana não passou de um ícone. "Marina Silva nunca passou de um ícone, uma peça de marketing exibida pelo governo Lula para mostrar uma suposta vocação ambientalista."

Para tanto, apresentou números.

Taxa anual de desmatamento

Governo anterior (1998-2002) - 18.454 quilômetros quadrados
Gestão de Marina (20032007) - 19.336 quilômetros quadrados

Número de multas ambientais

Governo anterior - 28 mil autos de infração
Gestão de Marina - 23.614 autos de infração

Animais silvestres apreendidos

Governo anterior - 17 mil
Gestão de Marina - 35 mil

Segundo a revista, "muitas reservas, pouca proteção". Há um fiscal para cada 2,8 mil quilômetros quadrados. 70% das reservas na Amazônia não foram implementadas ou sequer têm uma sede.

Criada em 1990, a Reserva Extrativista Chico Mendes, em uma foto grande, convive hoje com queimadas e criação de gado.

A revista sujou a imagem.

sexta-feira, maio 23, 2008

Teatro Giramundo



De Aldo Nascimento

“As Relações Naturais”, de Qorpo Santo

Li e reli o belíssimo texto da professora-doutora Maria do P. Socorro Calixto Marques, publicado no jornal A TRIBUNA, em 18 de maio. Profundo e muito bem-escrito, a professora faz jus ao seu título de doutora, dominando com habilidade os signos lingüísticos que compõem o texto ficcional As Relações Naturais. Como intelectual do Departamento de Letras da Universidade Federal do Acre, Socorro Calixto cumpre sua missão de refletir sobre o que se manifesta na sociedade, nesse caso, uma peça de teatro.

Por causa dessa publicação, motivei-me a assistir à peça As Relações Naturais, escrita por José Joaquim de Campos Leão (auto-apelidado de Qorpo Santo, de 1829 a 1883), representada pelo grupo de teatro Giramundo. Não me atrevo ser profundo como a doutora, mas, nessa breve coluna, escrevinharei em parte sobre o que assisti, repito, em parte, porque, em poucas linhas, algo fugirá entre meus dedos.

Autor-personagem
À mesa, ao lado esquerdo do palco, de frente para a platéia, surge um boneco, é Qorpo Santo. Do que falou, ouço ainda o tempo em que ele se situa, 14 de maio de 1866; tempo situado em Porto Alegre, capital da Província de São Pedro do Sul. Para muitos, Império do Brasil. “É isto uma verdadeira comédia”, ri o homem que no final do século 19 viveu parte de sua vida no hospício. Qorpo Santo encontra-se em seu próprio texto ficcional

Após seu riso, ele mesmo deixará de ser sério, colocando no rosto uma máscara de truão. José Joaquim de Campos Leão se entregará à comédia absurda, ao exagero, à devassidão. Ele, um fanfarrão. "Vou, portanto, vestir-me e sair para depois rir-me e concluir este meu útil trabalho.” Pouco depois, a luz se apaga nele para iluminar sua imaginação em uma casa de marionetes.

O escritor, nesse momento, também é marionete, personagem que troca palavras com Consoladora. Ela sabe que ele deseja mulheres fogosas e deixa-o ir embora. Logo depois, uma adolescente de 16 anos, com vestido branco, entra em cena para se opor aos desejos carnais do autor-personagem.

“Sempre entendo que a mulher como o homem é um ente que ser por todos respeitado, como a segunda primorosa obra do Criador; e que, assim, não sendo, só milhares de males e transtornos se observarão na marcha geral da humanidade!”, repreende a garota.

Ela sai de cena e logo retorna com asas para voar como anjo. E parte. Nesse momento, evidencia-se no texto ficcional que o sagrado se ausentará das relações naturais.

Ordem e desordem
Sem anjo, a casa pertence a uma família: três filhas, três filhos, pai e mãe. Há também um criado, o Inesperto. No terceiro ato, cena primeira, ele surge para dizer que limpa a casa, mas a família a suja. A casa, portanto, é ambígua, porque, em suas relações naturais, ordem (limpeza) e desordem (sujeira) confundem-se, misturam-se. A mãe abençoa os três filhos, vai à igreja com as três filhas; contudo, elas se prostituem, e uma delas é travesti. Esposa do judeu Malherbe, a mãe usa um vestido vermelho, semelhante a uma cafetina. Mildona, uma das filhas, mantém relações sexuais com o pai. “O Sr. Não reparou bem, eu não sou a sua encantadora filha; mas a jovem a quem o Sr., em vez de amizade, sempre há confessado tributar amor!”, diz ao seu genitor.

Ora, sem anjo, sem o sagrado - sugiro a leitura de O sagrado e o profano, de Mircea Eliade, da Martins Fontes -, a casa só poderia cair no inferno, por isso pega fogo, por isso sua destruição segundo disse a garota de forma angelical antes de partir: “E que, assim, não sendo, só milhares de males e transtornos se observarão na marcha geral da humanidade!".

Assim, onde pulsa a obsessão da carne, da devassidão; onde o desejo carnal não encontra limites e expulsa o sagrado, mãe e filhas sentenciam: “Enforquemos tudo quanto é autoridade que nos quer estorvar de gozar, como se estivéssemos em um paraíso terreal.” Após o enforcamento, o pai é esquartejado pelo criado.

A Gazeta

Em de maio deste ano, o jornal A Gazeta publicou a seguinte legenda na capa:

"Carlos Franco, professora Margarida, professor Pascoal e Olinda concorrem à vaga na reitoria da Universidade."

A questão é essa “vaga” e esse "na". Este não determina qual vaga, podendo concorrer à vaga de secretário, por exemplo. Aquele é termo inadequado para a função. Melhor teria sido “concorrem ao cargo de reitor”.

Esse "na" é semelhante a Sindicato dos Trabalhadores na Educação. O "na" não determina que esses trabalhadores são da educação.

quarta-feira, maio 21, 2008

Para ver e ouvir



O professor Luís Carlos, de Literatura e de Língua Portuguesa, criou um vídeo simples e sensível para mostrar que desejamos mudar o mundo a partir da escola. Não se trata de uma propaganda de uma gestão, mas de uma verdade de um grupo de funcionários que comprou briga sem troco.

Certa vez, quando levei meus alunos para assistirem a um filme na filmoteca do centro de Rio Branco, observei que muitos não usavam o uniforme. Foi quando uma aluna me disse que os alunos tinham vergonha de usar a camisa da Escola Heloísa Mourão Marques.

Eles tinham seus motivos. Gestores ausentes. Gestores que não colocaram limites. Gestores que não trocaram idéias com professores. Gestores que falaram uma coisa e fizeram outra. Gestores que deixaram a escola inadimplente. Gestores que deixaram a escola suja. Gestores indiferentes a transformações. Gestores que receberam muito bem no final de mês para ser incompetentes.

Para a professora Osmarina ser gestora, acredite, foi uma longa caminhada. Perseguições, injustiças, mas é preciso sonhar para ser um pesadelo na vida de gestores arbitrários. Contra isso, elegemos, com muita engenharia, a professora Osmarina, queríamos ordem, disciplina, procedimentos justos, cobranças éticas. Queremos mudar o mundo (de alunos) a partir de uma escola que saiba cobrar e que saiba ser cobrada.

Falta muito ainda. Realizamos pouco. Só não pode faltar esse desejo de melhorar a vida de jovens por meio do saber para que eles não tenham, por exemplo, vergonha do uniforme de sua própria escola.

Luz & Sombra












Há momentos em que o fotógrafo é feliz quando registra o instante. Nessa foto de Selmo Melo, o contraste entre Luz & Sombra.

No pronto-socorro de Rio Branco, Acre, em um banco de madeira, uma pessoa doente (?) recebe a luz do céu enquanto no corredor predomina a sombra.

Ex-aluno

Olívio Botelho disse...
Belo gesto de como fazer uma boa gestão escolar. Uma pena que coisas como essas não existiam quando lá estudei. Talvez se os educadores tivessem feito isso em minha época, teríamos tido muito mais alunos empolgados, com gana para ascender intelectualmente. Hoje, conto pouquíssimos colegas de HMM que hoje são acadêmicos da UFAC ou mesmo de outra Instituição, o mais lamentável é que via ali uma gama de alunos que tinha tudo para brilhar e, de repente, estagnou. Não sei se por culpa deles ou do Estado, que não insistiu incentivando-os. Só sei que hoje vi pessoas que poderiam estar tranquilamente dividindo sala comigo na UFAC tendo que contentar-se com as migalhas que o destino lhes oferece. Parabenizo à escola pelo feito, contudo, lamento por não ter visto atitudes como essa. Pelo jeito, finalmente existe uma diretoria lá agora. Mais uma vez, parabéns!

sábado, maio 17, 2008

Mérito



A escola pública precisa reconhecer alunos que se esforçam para transformar suas vidas. Na foto, um mural na escola Heloísa Mourão Marques para expor alunos com boas notas. Um gesto simples de uma gestão e muito significativo. Nunca vi isso na escola.

Depois, aos poucos, poderemos melhorar essa idéia, por exemplo, no lugar de flores, imagens de grandes pensadores, de poetas e seus nomes.

Heloísa & as Mães

Após 5 anos de escola Heloísa Mourão Marques, um reunião com os pais bonita, sensível e organizada. Que gratificante sentarmos na sala para ouvir pais e falar a eles sobre seus filhos. A maioria, muito humilde. Mães que, sozinhas, educam seus filhos e esperam da escola pública dedicação, ordem, disciplina, cuidado, zelo. Paixão.

"Trabalho à tarde e meu filho fica com os irmãos", dissse uma delas. A todas, disse para ver como estão os cadernos de seus filhos. Além disso, fazer com que estudem uma ou duas horas por dias. "Mãe, faça com que seu filho assista ao programa do professor Pasquale, Nossa Língua, da TV Cultura, canal 2."

Como sou chato, precisamos melhorar mais, porque devemos exigir de nós sempre o melhor, sempre.

A diretora Osmarina e sua coordenadora Otacília estão de parabéns. Izanilde e Ozélia, também da equipe, contribuindo para sermos melhores. Professor Gleidson, também da equipe, sempre presente para melhorar a escola. As minhas meninas da secretaria escolar e as minhas outras meninas, as inspetoras, com ânimo para atender mães e pais.

Um dia, acreditei que poderia mudar o mundo. Não posso. Quero mudar minha escola, porque o mundo também começa por ela.

sexta-feira, maio 16, 2008

O tempo parou (2)



O homem já foi ao espaço. O homem já clona animais. O homem já consegue espermatozóides do corpo feminino. Tantas transformações, mas a escola permanece a mesma, desconfortável.

Sem ar-condicionado, sem ser um ambiente agradável, eu até compreendo de "professor" desejar ser político ou sindicalista.

As salas permanecem assim por causa de políticos. Depois das estradas, dos ramais, depois de tudo asfaltado, as salas... um dia... as salas...

Até lá, muitos passarão pela faculdade não para lecionar em salas envelhecidas, mas para eles serem obreiros de sindicato ou para eles conseguirem uma cadeira no Poder Legislativo.

O tempo parou (1)


Sobre a mesa de uma escola pública estadual, o tempo mantém velha rotina. Papéis registram notas, porque, como não há computadores em rede, o professor em casa não pode enviar suas notas pela internete.

Outras instituições do Estado foram modernizadas por meio da tecnologia, menos a escola.

Visitei nesses dias o sítio da Assembléia Legislativa do Acre e meus olhos não leram um documento que registrasse um debate profundo, e nem raso, sobre educação pública.

No Poder Legislativo, secretárias não trabalham como as funcionárias de uma escola.