Ao microfone, o professor Tadeu. Após a fala da gestora Osmarina, nosso colega agradeceu a Deus.
Ótimo encontro. Primeira formatura. Quero outras.
Internete, megassena, caxinauá e o revisorzinho
No sábado, dia 13 de dezembro, dei uma carona à charmosa e simpática Alessandra Machado, editora-chefe do jornal A TRIBUNA. Se era a noite de Chalub Leite no teatro Plácido de Castro, o prêmio maior destinou-se mais uma vez a elas, às palavras.
O jornalista premiado, portanto, é aquele que escreve as melhores palavras. E elas, para serem melhores, divorciaram-se dos erros de português. Ora, decretada a dissolução entre o repórter e os erros, Chalub Leite premia o jornalista, mas não o co-autor do texto jornalístico, ele: o revisor.
Limpar texto de jornalista, retirar desse chão textual sujeiras que emporcalham a língua portuguesa. Algumas ainda ficam. Todo dia, o repórter deixa cair em sua sintaxe lixos de regências verbal e nominal, entulhos incorretos de vírgulas.
O revisor, sabemos, é o gari da redação. Talvez por isso que ele seja o menos importante no jornal, porque, assim como todo mundo pode limpar uma casa ou varrer uma rua, também toda pessoa alfabetizada pode limpar melhor a palavra do que um gari de redação.
Um secretário de Segurança ri de um revisor quando este escreve “caxianauá”. Os diagramadores debocham de um revisor quando este corrige o texto do repórter para escrever “megassena”. O repórter-fotográfico ridiculariza o revisor quando registra “internete”. O que pode um gari argumentar diante desses estudiosos da língua portuguesa?
Lixeiro, como sabemos, recebe pouco por mês, menos que um diagramador, bem menos que um repórter-fotográfico, não tendo condições, portanto, de comprar livros de Evanildo Bechara, de Celso Pedro Luft, de Celso Cunha, de Pasquale Cipro Neto, de José Carlos de Azevedo, de Adriano da Gama Kury, de Sérgio Nogueira Duarte da Silva, de José Nicola, de Antônio Houaiss, de Eduardo Martins.
Assim, sem dinheiro para comprar bons livros sobre a língua-pátria, o gari de redação deveria escrever “mega-sena”, porque, nos letreiros de casas lotéricas, escreve-se assim, ou seja, escreve-se como a rua registra a palavra, ou melhor, joga-se com a palavra assim como apostadores jogam com os números. “Todo mundo escreve ‘mega-sena’, menos A TRIBUNA”, falam-me.
Isso faz lembrar aquele personagem popular de Ariano Suassuna quando perguntam a ele a razão de ser assim: “Não sei, só sei que foi assim”, responde Chicó, do livro Auto da Compadecida. Por que se escreve “mega-sena” e não “megassena”? “Por que se escreve “internet” e não “internete”? Por que se escreve “aldeias Kaxinawá” e não “aldeias caxinauás”? E aí eles responderão: “Não sei, só sei que escrevem assim.” E como a rua escreve assim e como muitos escrevem assim, pronto, o gari não sabe limpar o chão. O revisorzinho está errado. Afinal, ele é um só, ele é só um, e as casas lotéricas são muitas com suas “mega-senas”.
Mas quem disse a vocês que eu jogo com as palavras?
Na televisão brasileira, Luiz é único com sua estética. Ele defende uma televisão que deve provocar o telespectador. Perturbá-lo.
Nesses 16 anos lecionando no Acre, fui processado algumas vezes e sacaneado tantas outras. Penso em ser um servidor público meio parasita, lecionando o suficiente para ser menos que um medíocre, mas, quando recebo mensagem de alguns alunos, sinto que eu os coloquei em outras trilhas, porque ainda leciono por causa de uma intensa e voraz paixão pela vida. Não sei até quando resistirei.
Hoje, a educada Elaíne deixou para os meus olhos estas palavras. Ser humano que deseja edificar um futuro melhor, Elaíne assistia às minhas aulas com muita atenção. Nós dois vencemos um pouco.
"Graças ao modo como ensinava aos alunos não só a lingua portuguesa, mas também a literatura, e não só o ensino escolar, mas também a lição de vida que nos dava, é que hoje agradeço ao professor Aldo pela confiança depositada em seus alunos, pela prática diária do ensino que exercia pela manhã na escola Heloísa Mourão Marques, pois fizeram valer a pena a nota que atingi no Enem, sendo que na redação, muito bem aplicada por ele a nós, alunos, foi que alcancei a média 85 na redãção do Enem. Retribuo a Ele esta honra de conquistar essa média e, desde já, agradeço-lhe por se mostrar o melhor professor da Escola Heloísa Mourão Marques."
Grata, Elaíne.
Hoje, conversando com a professora-gestora Osmarina, da Escola Estadual Heloísa Mourão Marques, colegas de profissão ouviram minhas enfadonhas argumentações. Um desses colegas ouviu-me outras vezes e, em um certo dia, disse-me:
No Acre, certos jornalistas têm como referência jornais do sul do país. Se escrevem assim, copiaremos. Leia esta resposta de Pasquale. Depois, leia sua resposta sobre o estrangeirismo.