sábado, julho 11, 2009

A chave da Biblioteca Estadual













Marcado com bastante antecedência, meus alunos chegaram à Biblioteca Estadual às 9h50 para assitir ao filme Escritores da Liberdade. A película começaria às 10 horas. Quando as portas se abriram, o relógio marcava 10h50.

Durante uma hora, os alunos esperaram por um objeto importantíssimo: a chave. Uma hora à espera do responsável pela chave, sr. Tota.

Assisto a filmes com meus alunos desde 1998 e sempre com ajuda de Tonivan, excelente pessoa que trabalha na Biblioteca Estadual até hoje. Em todo esse tempo, 11 anos, Tonivan jamais deixou de abrir a porta na hora certa, época em que a filmoteca não era tão confortável como hoje.

Reformada, com ambiente semelhante à cinema, muito confortável, a filmoteca foi aberta uma hora depois, e tudo isso porque uma só pessoa é responsável pela chave. Inacreditável. De quem foi a ideia centralizadora de deixar a chave com uma pessoa que não aparece?

Se for para deixar com um funcionário, deixem com Tonivan.

quinta-feira, julho 09, 2009

Freud na rádio

Talvez, na próxima segunda-feira, dia 13, a voz de Freud seja ouvida na rádio Gameleira (104.9), às 18 horas.

Evidente que não me refiro ao autor de Mal-Estar da Civilização, mas ao jornalista da TRIBUNA, o Freud Antunes.

O nome de seu programa? Freud explica. Essa, eu vou querer ouvir no divã.


Quem fará a autópsia do corpo sindical?

Há muito tempo, critico o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) e, recentemente, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

Quando surgiu o Sinplac, escrevi uma matéria no jornal Página 20 com 0 título "o fim do monopólio sindical". Na época, pensei que o hoje Sinplac fosse apontar novos rumos, mas os tolos vivem de ilusões. Enganei-me. Mulheres que sempre organizam o Sinplac cometem os mesmos erros dos homens sindicalistas. Elas também perderam o mouse da história.

Nietzsche disse que Deus está morto. Fukuyama afirmou que a história acabou. E os sindicalistas acrianos não sabem que o atual modelo sindical não passa de um cadáver. Quem fará a autópsia? quem terá coragem de tocar em suas vísceras? quem leverá esse corpo à análise?

Enquanto esse dia não chega, esse cadáver, que pensa estar vivo, assusta a inteligência de mortais.

Matéria de Freud Antunes

Trabalhadores da educação aceitam a proposta do governo

Os trabalhadores da educação aprovaram a proposta do governo do Estado na assembleia do final da tarde de ontem, no colégio estadual Barão do Rio Branco (CEBRB).

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac), Manoel Lima, a categoria aceitou o acordo, pois houve avanços nos quatro pontos que tinham sido contemplados em negociações anteriores, entre eles, o reajuste da área administrativa das escolas, ou seja, níveis 1 e 2.

“Conseguimos contemplar, também, os aposentados e os assessores pedagógicos, além da implantação do piso nacional de R$ 1.132 até para os professores temporários”, explicou o sindicalista.

Com o fim da mobilização trabalhista, os trabalhadores começam a receber os aumentos de forma retroativa, sendo a partir de 1º de janeiro para os professores que tenham apenas o nível médio e, a partir de junho, para o setor administrativo.

“O nível 2 terá os R$ 50 de abono, além de 5% de aumento e o reenquadramento em outra letra, tendo até o final do ano 15% a mais no salário, então a categoria está sendo contemplada”, afirmou Manoel Lima.

segunda-feira, julho 06, 2009

Para muito além do senso comum

Quando o senso comum impera, um tipo de burrice coletiva nos coloca no pasto da superficialidade. Nunca ruminar o capim desse pasto é tarefa de poucos.

Tales Ab'sáber não pasta. Retirei o texto dele do caderno Mais!. Boa leitura.





Ruínas do pop
Michael Jackson realizou em seu corpo, e levou ao limite, a lógica da indústria do entretenimento

TALES AB'SÁBER
ESPECIAL PARA A FOLHA

O mundo pop já conhece suas próprias ruínas. Toda ruína é semelhante na fisionomia, mas guarda uma história particular, perdida em suas lacunas.

A vida e a morte, e sua dança na dinâmica da vida pop -em que personalidade, expressão, imagem e mercadoria se imbricam de modo único-, já podem ser catalogadas em um conjunto de possibilidades, "topoi" existenciais dos que atuam no império da imagem espetacular.

Há muito se conhecem os suicídios desejados, atuados, da impossibilidade de sobreviver à contradição entre a arte e a negatividade social da crítica; o movimento da contracultura, moderno, versus o império do espetáculo e a imagem capital do ídolo, que se torna um reprodutor e também um responsável pelo sistema geral do fetichismo, do poder.

Os "war heroes" dos anos 1960 e 70 ou se mataram -Hendrix, Joplin, Morrison, Vicious- ou foram mortos, em um processo que revela a articulação de suicídio e assassinato, como o de Lennon; ou sobreviveram ao próprio suicídio protelado, como [Keith] Richards, ou [Eric] Clapton, ou o nosso Arnaldo Baptista; ou, ainda, aceitaram serem mortos simbolicamente ao reduzir o seu nível de conflito ao grau zero da mera reprodução do mundo como ele é.

O processo do apaziguamento histórico da ilusão de massas da contracultura foi muito violento, uma guerra simbólica, em que os ajustes foram feitos na carne e na vida, e à qual muitos não sobreviveram. A responsabilidade dessa violência foi totalmente transferida aos dionisíacos.

Michael Jackson representou outro modo de viver e de morrer no universo tanático dionisíaco do pop. Ele é um artista positivo, da afirmação do que existe, e da realização total desse próprio espaço social e histórico em seu corpo. Em primeiro lugar, tudo já foi dito sobre ele, e tocar outra vez no sistema explícito de suas formas e de seu dilema é simplesmente confirmar um clichê, uma reiteração do espetacular.

Mas, paradoxalmente, é este mesmo um dos aspectos mais importantes de sua forma humana e política: Jackson se transformou em um objeto de visibilidade total, ele passou a viver sob o signo daquilo que os psicanalistas chamam de "atuação", em uma escala de massas talvez jamais vista.

Isso quer dizer que apenas externalizando tudo o que sentia e vivia e passando ao ato, ao teatro da realidade exterior visível, o que portava em si, ele podia chegar a conhecer algo de si mesmo. Ao contrário de alguém que sonha, e preserva um ponto de mistério em seus sonhos, e uma relação de interioridade consigo mesmo, Jackson expulsava o sonho de si realizando-o na onipotência de seu lugar real de poder, no espetáculo e no dinheiro.

Zumbi
Sua atuação total dos anos 1980 e 90, seu espetáculo total, incluindo aí o próprio corpo, a ponto de virar uma coisa de si próprio, sinalizou mesmo a época de mudança do modo de orientar a subjetividade frente ao crescente poder do mercado e o falimentar valor da política: do humanismo do sujeito sonhador ao fetichismo e exibicionismo do psiquismo atuador, que busca se identificar com o poder crescente e total da coisa na cultura, a ação visível da própria forma mercadoria sobre os homens.

Seu sonho realizado, exposto ao voyeurismo desejante de milhões, totalmente projetado na realidade que o cercava, tornou-se de fato o pesadelo da regressão humana ao polimorfo perverso das origens de todos nós, metamorfoseado em espetáculo, hipervisível para todos, sem mais dimensão de intimidade ou interioridade.

Desde "Thriller" Jackson tornou-se o efeito especial por excelência, a imagem técnica da própria indústria atuando sem parar, encarnada.

O sonho foi acompanhado universalmente em tempo real.

Um travestismo total, estranhamente familiar, que invertia e suspendia o sentido de tudo: o bonito jovem negro tornou-se andrógino, mas também branco, não apenas Diana Ross, mas também Liz Taylor, mas também, à medida que envelhecia, tornou-se imune ao tempo, perpetuamente jovem, ou criança, mas também coisa, brinquedo, o próprio corpo da mercadoria, boneco do sonho pop americano, ou Barbie, que virou Chuck, ou ídolo pop que virou múmia, ou Michael Jackson que virou zumbi...

Este novo Frankenstein espetacular, que realizou em sua metamorfose milionária e sinistra o estatuto autoritário da técnica, do dinheiro e da mercadoria sobre o corpo humano e sobre as relações do sentido das coisas, acabou por virar, e revelar, o pesadelo americano e, se todos os seus consumidores contribuíram com seu gozo diante da degradação do jovem ídolo, no fim das contas Jackson simplesmente não poderia ser preso pela América, como deveria ter sido, quando passou a "devorar" criancinhas como em um conto de fadas bizarro, que vem do real.

Todos sabemos, e Michael Jackson teve a loucura (ou a sanidade?) de deixar isto explícito, que aquela criança linda que entrou para a indústria do espetáculo aos cinco anos de idade, com voz de "castrato" e o soul de Marvin Gaye, é que foi devorada pelo verdadeiro monstro do nosso tempo. Mas o seu próprio desejo também criou esse monstro.

No final dos anos 1960, quando os Jackson 5 assinavam seu contrato com a Motown, um outro gênio, de outra família da música negra e pop americana, Sly, com sua família Stone, cantava ironicamente aquilo que o lindo menininho Jackson, com seu canto e sua dança de fazer chorar, um dia representaria inteiramente, sacrificando a isso todo corpo e espírito: "All the plastic people" [Toda a gente de plástico].

O amor de Diana Ross por ele era ao mesmo tempo admiração pelo enorme talento da música negra e simples amor materno, numa preocupação limite sobre o destino humano daquele profissional bebê. Em 1989, Gilberto Gil sinalizava a conexão interior de transformismo, poder e morte, que todos intuímos no ídolo: "Bob Marley morreu/ Porque além de negro era judeu/ Michael Jackson ainda resiste/ Porque além de branco ficou triste".

Entre o menininho maravilhoso que foi invadido pela indústria tão radicalmente cedo e a coisa em si do espetáculo, e a cena perversa acompanhada por todos, do adulto que era pura visibilidade, temos a história da assimilação negra ao mercado e ao fetichismo industrial americano, que não se tornou libertária. Michael foi um verdadeiro cidadão Kane do momento avançado do capitalismo turbinado. De fato, um "cidadão quem?"; ou, melhor, "cidadão o quê?".
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TALES AB'SÁBER , psicanalista, é autor de "O Sonhar Restaurado" (Ed. 34).

sábado, julho 04, 2009

Crianças e idosos












Foto antiga, muito. Essas dançarinas infantis estão alegrando a vida de idosos. Meninas que ensaiam a sedução.

Esse fato ocorreu no Lar dos Vicentinos, um local em Rio Branco que acolhe velhinhos.

Veja o senador Tião Viana

Senador, neste pouco lido blogue, teci críticas a seu mandato na condição de seu eleitor. Não gostei daquela história do telefone mexicano. Passado esse tempo, li sua entrevista na revista Veja e, senador, hummmmm!, confesso que gostei muito de sua lucidez.

Esse exercício da crítica e da autocrítica pertence à natureza do Partido dos Trabalhadores. Gostei muito, senador. Não colocarei aqui a entrevista, melhor comprar a revista.

Comprei.

E, caso seja candidato a governo do Estado do Acre, votarei no senhor e ainda conseguirei alguns votos.

sexta-feira, julho 03, 2009

Sabe ou não sabe

É tradição o aluno copiar da internete trabalhos escolares (ctrl C e ctrl V). Há casos em que, depois de copiar e de colar, o aluno lê diante dos colegas e do professor o que a internete disse.

Na escola Heloísa Mourão Marques, professores de Literatura e de Língua Portuguesa, em uma reunião do Conselho de Disciplina, definiu que o trabalho escolar não seria mais uma cópia. Os alunos deverão escrever à mão.

No entanto, isso ainda seria pouco, porque um aluno poderia escrever por todos ou todos poderiam escrever, mas sem saber o que escreveram. Assim, além de escreverem à mão, definimos que eles deveriam saber o que escreveram por meio de perguntas do professor. Dessa forma, o trabalho vale 4 pontos.

Nesta semana, entregaram e responderam a perguntas sobre os trabalhos de Romantismo, Simbolismo e Modernismo. Quando começavam a falar, eu os interrompia para explicar sobre o que diziam.

Se liam a oposição entre o subjetivo do Romantismo e o subjetivo do Simbolismo, eram interrompidos para discursar sobre o subjetivo nas duas estéticas. Se ambas estéticas se opõem à revolução industrial, tinham que discursar sobre o conceito objetivo no processo industrial.

Os alunos precisam pensar a palavra, criar um discurso a partir delas. Não se fala o pensamento sem pensar a palavra.

Desde 16 de fevereiro, eles sabiam que na primeira semana de julho apresentariam um trabalho, porque um calendário foi apresentado por mim no primeiro dia de fevereiro, ou seja, sabiam com seis meses de antecedência o que apresentar.

Uns conseguiram ótimos resultados. É hora de mostrar se sabe ou não sabe. A universidade os espera.

quinta-feira, julho 02, 2009

De Josias de Souza

O PT e seu dilema: virar a mesa ou senta-se a ela?

Um moralista, como se sabe, é um degenerado que ainda não ficou preso no elevador com a Maitê Proença.

Do mesmo modo, um petista é um tucano que ainda não recebeu um pedido do Lula para apoiar o Sarney.

Poucas horas antes de um jantar em que Lula apelará por Sarney, a bancada de senadores do PT vive um dilema.

Assediado pela crise moral do Senado, o petismo não sabe se vira a mesa ou senta-se a ela, ao lado de Sarney e tudo o que ele representa.

Na noite de terça (30), sete dos 12 senadores do PT posicionaram-se a favor de um pedido de licença de Sarney.

Na quarta (1), informado acerca da novidade, Sarney disse que preferia renunciar a licenciar-se.

Do estrangeiro, onde se encontrava, Lula entrou em parafuso.

Pôs-se a telefonar para Brasília. Mobilizou ministros e assessores. Era preciso chamar o PT às falas.

A firmeza do petismo subiu no telhado. Ou, por outra, escalou um muro que, noutros tempos, era território exclusivo do tucanato.

Numa das peças de Nelson Rodrigues, ambientada num Rio de Janeiro que ainda era a capital do país, um personagem grita, em meio a uma suruba:

"Se Vinicius de Moraes existe, tudo é permitido!"

A frase é, na verdade, uma atualização de comentário de outro personagem, de Dostoievski: “Se Deus não existe, tudo é permitido”.

Pois bem, Lula sugere ao PT que reflita sobre outra máxima: Se Sarney existe, tudo é permitido. Inclusive apoiar o inaceitável, em nome da governabilidade.

Em 1959, o Partido Social Democrata alemão rejeitou os conceitos de “luta de classes” e “economia planificada”.

Em 1991, o Partido Socialista francês renegou o marxismo.

Em 2002, numa carta ao povo brasileiro, Lula pisoteou o passado e aceitou as regras do mercado.

Em 2009, Lula pede ao PT que renegue os princípios da moralidade pública. Na prática, mera formalização de algo que já ocorreu.

O PT de hoje, evidentemente, não é o PT de ontem. No governo, viu-se compelido a mimetizar o PSDB de FHC, abraçando-se a parceiros como o PMDB.

Um PMDB que frequenta as franjas do poder ameaçando romper com o governo, pleiteando, pedindo, querendo... E obtendo.

O apoio do PT a Sarney, exigido por Lula, será mais um exemplo das metamorfoses que o poder costuma operar.

Para que a hipocrisia possa funcionar, salvando o Senado do caos, é preciso que o PT faça o seu papel. O papel de otário.

Otário consciente, assumido, que reconhece a conveniência de sucumbir às amoralidades alheias em nome da governabilidade.

Afinal, Se Sarney existe, tudo é permitido!

quarta-feira, julho 01, 2009

Professor não faz greve

O jornalista Freud Antunes publicou na TRIBUNA uma matéria sobre a paralisação dos trabalhos na rede estadual de ensino. Antes de seu texto, um comentário.

Em uma assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) que não representou 10% dos professores do Estado, uma minoria votou a favor da "greve"(?) dos professores estaduais.

Aos que fazem do sindicalismo uma profissão, digo que deveriam ler a origem e o sentido autêntico da "greve". Se lerem, perceberão que, na condição de profissionais, estão equivocados, e muito. Senhores, não existe "greve de professores". É feio mentir. Professor repõe aula.

Se eu parar na segunda-feira, terei de repor as aulas. Ora, isso não cria nenhuma pressão contra a Secretaria de Educação. Se eu parar por 30 dias, só estou jogando para janeiro o término do ano letivo. Dessa forma, não existe "greve de professor", mas a reposição de aulas.

O Sinteac, que pega meu dinheiro sem minha autorização por meio do imposto sindical, não só envelheceu no tempo como se encontra enfermo no leito da história. O mundo mudou, menos ele. Diante de um espelho estilhaçado, ele fala para si mesmo a verdade infecunda dos retardados. É sempre a mesma decrépita prática previsível - a pseudogreve.

Na segunda-feira, a escola onde leciono negou a "reposição de aula". Por favor, deixem-nos em paz com o nosso direito de ir e de vir. “Quem furar a greve vai se dar mal com o sindicato, por isso é preciso fazer piquete e fechar as escolas até com correntes”, afirmou Manoel Lima, presidente do Sinteac.

A questão não é fechar a escola com correntes, mas abrir a mente de sindicalistas para outras possibilidades de organização sindical.

Enquanto essa possibilidade não dá sinais de vida inteligente na Terra, espero lecionar em paz na segunda-feira. Minhas aulas são mais significativas do que esse mazelento monólogo sindical.
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Trabalhadores da educação entram em greve
De Freud Antunes


Na frente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), os trabalhadores da educação recusaram na manhã de ontem em assembleia proposta do governo do Estado. A categoria prometeu entrar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), Manoel Lima, afirmou que houve avanços nas negociações, mas, como as vantagens não contemplaram aposentados e assistentes pedagógicos, todos decidiram organizar uma manifestação por melhorias.

Para os trabalhadores, o reajuste médio de R$ 80 também não alegrou os professores, além de críticas aos R$ 50 de abono para o setor administrativo.

Com a recusa da proposta do governo, o Sinteac convocou a categoria para a organização de um piquete, impedindo que as escolas funcionem.

“Quem furar a greve vai se dar mal com o sindicato, por isso é preciso fazer piquete e fechar as escolas até com correntes”, afirmou Manoel Lima.

Enquanto os professores do Estado radicalizaram, a categoria da rede municipal de ensino rejeitou a proposta do município e ofereceu um prazo de 15 dias para uma contraproposta.

Os trabalhadores reivindicam o pagamento do piso nacional de R$ 1.132,40 para os professores que tenham nível médio.

Assembleia

Para hoje, o presidente do Sindicato dos Urbanitários, Marcelo Jucá, afirmou que os servidores do Serviço de Água de Rio Branco (Saerb) se reunirão para decidir se deflagram ou não uma greve por tempo indeterminado.

Os trabalhadores reivindicam 10% de reajuste, mas a direção da autarquia se recusa em conceder o benefício.

Morre o velho ensino médio

Conselho de Educação aprova fim de disciplinas
no ensino médio; cem escolas devem implantar

Da Redação do UOL
Em São Paulo

O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou nesta terça-feira (30), em Brasília, a proposta do MEC (Ministério da Educação) de apoiar currículos inovadores para o ensino médio. Pelo projeto, será possível lecionar os conteúdos de maneira interdisciplinar, sem que sejam divididos nas tradicionais disciplinas como história, matemática ou química. O aluno também terá condições de escolher parte de sua grade de estudos.

A partir de 2010, cerca de cem escolas deverão receber financiamento da pasta para implantar mudanças curriculares com o objetivo de tornar a etapa de estudos mais atraente.

"Esperamos que essa proposta seja acompanhada e avaliada e possa se tornar uma política universal", disse a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.

De acordo com ela, a intenção é que o programa seja estendido e que todas as escolas que oferecem ensino médio possam adotar as mudanças curriculares. "Nossa intenção não é ter escolas modelos, mas que todas possam oferecer ensino de mais qualidade", disse o coordenador-geral do ensino médio da Secretaria de Educação Básica, Carlos Artexes Simões.

Como funciona a ideia
Pela proposta, o ministério financiará projetos de escolas públicas que privilegiem, entre outras mudanças, um currículo interdisciplinar e flexível para o ensino médio.

A intenção é que a atual estrutura curricular - organizada em disciplinas - seja substituída pela organização dos conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, para que os conteúdos ensinados ganhem maior relação com o cotidiano e façam mais sentido para os alunos. Outra mudança a ser estimulada é a flexibilidade do currículo: 20% da grade curricular deve ser escolhida pelo estudante.

O texto prevê o aumento da carga horária mínima do ensino médio - de 2,4 mil horas anuais para 3 mil - além do foco na leitura, que deve passar por todos os campos do conhecimento. A proposta estimula experiências com a participação social dos alunos e o desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de preparação para o mundo do trabalho.

Segundo Artexes, a partir das recomendações do CNE à proposta, o ministério terá condições de organizar o programa e apresentá-lo aos estados e ao Distrito Federal. "Nos próximos 40 dias, o ministério definirá o volume de recursos disponível para o programa e a forma de financiamento, se diretamente à escola ou se por meio de convênio com as secretarias estaduais", afirmou.

* Com informações da Assessoria de Imprensa do MEC

segunda-feira, junho 29, 2009

Salário de professor

Navegar no mar da internete pode levar caravelas a bons portos. Meses atrás, meu mouse atracou-se ao cais de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Lá, conheci a navegante Ivone Bengochea, professora de Filosofia.

Entre uma palavra e outra, perguntei-lhe se sabia onde encontrar o salário do corpo docente de cada Estado e do Distrito Federal. Por meio de um amigo, ela, mais tarde, entregou aos meus olhos os salários. Os dados são de 2007, menos os de Rondônia e do Amazonas, que são de 2008.

A fonte jorrou dos sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação. Quando olhei os salários, percebi logo que uma fonte tinha jorrado número demais. Trabalhando 30 horas e com licenciatura plena, um professor do Estado do Acre recebia R$ 2,1 mil por mês, e isso em 2007.

Com essa informação, a minha colega virtual acredita que no Acre professor recebia R$ 2,1 mil em 2007. Quem passou essa mentira para a CNTE?

Iniciando com...
No Acre, com um curso de especialização e há dez anos na rede estadual com um contrato de 30 horas, um professor recebe líquido por mês R$ 1.720. Em início de carreira, seu primeiro salário chega a R$ 1.520.

É evidente que o governo propaga que é o melhor salário do país, mas não o é, porque receber R$ 1.520 em início de carreira, por si mesmo, não é um bom salário para pagar as contas e ter o mínimo de conforto.

Não tenho conhecimento do custo de vida em Rio Branco, mas tenho certeza de que R$ 100 na capital acriana tem poder de compra menor do que em Porto Alegre, onde minha amiga virtual reside.

quinta-feira, junho 25, 2009

A "Paz" do Senhor

Em nome de um Deus que reinventam para seus interesses políticos, uma pastora e um pastor não estavam em paz na Câmara de Vereadores de Rio Branco. O texto foi retirado da coluna Bom-Dia!, do jornal A TRIBUNA.

Como diz Nietzsche, Deus também tem seu próprio inferno, que é amar aos homens.

Coisa de Deus ou do diabo? 1
Por bem pouco, a Câmara de Vereadores de Rio Branco não foi palco ontem de um "barraco", envolvendo dois tradicionais adversários políticos: a presidente do PSC, Antônia Lúcia, e o presidente da Casa, vereador Jessé Santiago (PSB). Ela foi disposta a tomar satisfações com o vereador com o argumento de ele estar movendo uma campanha sórdida contra sua pessoa na Assembleia de Deus. Postou-se na galeria até o fim da sessão e ameaçou revelar publicamente um documento sobre a vida particular de Jessé se ele não a recebesse. Temeroso de um escândalo, o assessor de comunicação, Antônio Muniz, levou-a ao gabinete da presidência para evitar uma discussão na presença da imprensa, onde foi lavada a roupa suja. Esse foi o primeiro round dos muitos confrontos que virão entre ambos na briga por espaços dentro da Assembleia de Deus pelos votos para deputado federal."

Coisa de Deus ou do diabo? 2
Afinal da conversa, Antônia Lúcia saiu rindo e, ao ser perguntada sobre o que aconteceu, foi sarcástica: “Fui lhe dizer que nem ele e nem o pastor dele, o Luiz Gonzaga, têm moral para me atacar. E também revelei ao senhor Jessé um documento judicial que prova que ele não tem a vida reta no campo pessoal, como muitos da Igreja imaginam. Quem se diz pastor como ele não pode cometer o que cometeu com uma menor.” Obs: A TRIBUNA teve acesso ao documento, mas, como se trata de assunto de vida íntima, decidiu não transcrever para não entrar na individualidade das pessoas.

segunda-feira, junho 22, 2009

Quando Jesus administra Manoel Urbano

Manoel Urbano é um exemplo de evangélicos administrando dinheiro público. Leia.
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Secretário de Manoel Urbano denuncia irregularidades na prefeitura

De Gilberto Lobo

O secretário de Finanças da prefeitura de Manoel Urbano, Jansen Negreiro de Almeida, pediu exoneração na última quinta-feira e denunciou irregularidades na administração do atual prefeito, Manoel Almeida. A notícia foi publicada no sítio Purus Line.

Jansen entregou à Presidência da Câmara dossiê que comprova fraudes no município. Os documentos, segundo alguns vereadores, contêm provas de irregularidades em pagamentos de obras acima do valor dispensado pela Lei de Licitações. Além disso, cópias de notas de empenho e de serviços.

A nomeação do secretário de Finanças era um crime de nepotismo, porque o Jansen Negreiros é filho do chefe do Executivo de Manoel Urbano. O secretário é pastor da Igreja Assembléia de Deus e foi no altar da igreja onde afirmou não concordar com os rumos que está tomando a administração de seu pai.

Segundo o Purus Line, nas ruas, populares comentam que a construção do prédio da Secretaria de Educação é um exemplo de fraude no processo licitatório. Correligionários do ex-secretário afirmam que ele preferiu sair a compactuar com as falhas que caracterizam corrupção e que manchariam seu nome.

O vereador Rubens Martins disse que "a atitude do pastor Jansen representa um tapa na cara da câmara, porque ele fez o que a Casa Legislativa deveria fazer: fiscalizar e denunciar quando necessário".
Já o presidente em exercício da câmara, Charles Brandão, garantiu que encaminhará os documentos às comissões para que sejam tomem as providências necessárias.

domingo, junho 21, 2009

A rodovia dos políticos

No Acre, jornalistas e intelectuais da Universidade Federal do Acre são incapazes de publicar textos que pensem sobre o que representa a rodovia Transoceânica para o Acre. No lugar deles, políticos acrianos discursam para o nosso bem econômico.

Por falta de bons textos, leia este sobre a integração Brasil-Peru.

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Nova rodovia dará ao Brasil acesso limitado ao Pacífico

Interoceânica, no Peru, tem obstáculos estruturais e políticos para virar corredor de exportação

Além da instabilidade social do país vizinho, limitações de circulação na rodovia podem atrasar projeto de integração comercial

AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL AO PERU

Distrito de Marcapata, Departamento de Cusco, Peru. Sob chuva forte, um paredão de 150 metros se desprende da montanha e desaba sobre a estrada. Mais de 250 mil toneladas de escombros soterram a rodovia. O trabalho de meses fica sob os Andes. Não tem sido nada trivial o esforço econômico e político do governo vizinho para a construção dos mais de mil quilômetros da Rodovia Interoceânica, projeto de US$ 2 bilhões que conectará o Brasil e o Peru, vizinhos que dividem uma fronteira de 3.000 km. Mais que isso: proporcionará ao Brasil acesso ao Pacífico.

Parte de um projeto geopolítico de integração regional, a Rodovia Interoceânica -um dos nove grandes eixos rodoviários de interligação sul-americana- oferecerá ao Brasil até o fim de 2010 uma saída com grandes restrições aos portos do outro oceano.

Além dos limites estruturais, recente crise social faz lembrar ao Brasil que o Peru é também um país com forte instabilidade política, desafio para qualquer grande planejamento logístico. No mais recente episódio, grupos indígenas bloquearam por cerca de dois meses estradas na região norte do país em protesto contra o governo (leia texto nesta página). As rodovias foram liberadas anteontem.

Na Interoceânica, a estrada também trará desafios de infra-estrutura. Boa parte dessa obra, ao sul do território peruano, avança sobre a cordilheira dos Andes. E o salto sobre essa muralha só está sendo possível graças à construção de uma pista sinuosa e com imensas limitações para o trânsito de grandes caminhões, como aqueles usados no Brasil para o escoamento da produção agrícola rumo aos deficientes portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

A reportagem da Folha percorreu mais de 1.700 quilômetros de estradas na região sul do Peru e pôde constatar que, entre as duas finalidades planejadas para esse grande projeto de infraestrutura, apenas a de permitir a integração turística e comercial entre regiões isoladas do Brasil e do Peru parece crível. O plano dos governos de viabilizar a Estrada do Pacífico como um corredor de exportação para o agronegócio brasileiro -embarcando commodities para a Ásia- não deve prosperar por enquanto.

Polêmica
O próprio agronegócio brasileiro prevê que, na ponta do lápis, os ganhos eventualmente obtidos com o custo menor de frete marítimo não compensam os mais de 2.000 quilômetros que separam as zonas produtoras do Brasil central aos portos do Pacífico.

"É uma ideia muito polêmica. A implementação desse corredor não é tão simples. É louvável a iniciativa, pode melhorar muito a nossa performance com a China. Mas, por enquanto, prefiro apostar em outras alternativas dentro do Brasil, em vez desse corredor peruano", afirma Carlos Lovatelli, presidente da Abag (Associação Brasileira de Agribusiness).

Para Luiz Antonio Fayet, especialista em logística para o agronegócio, mais de 80% dos mercados brasileiros estão no Atlântico Norte e no Oriente Médio, regiões que podem ser atendidas pelos portos brasileiros. "Na minha visão, a grande prioridade nacional é resolver a questão do escoamento da safra do Centro-Norte e do Centro-Oeste com saídas pela bacia amazônica ou pelas portas da costa do Atlântico", afirma.

Os limites
O primeiro grande limite da rodovia, para os propósitos de transformá-la num corredor de exportação rumo à China, é de ordem estrutural. Projetada para suportar caminhões de até seis eixos, a Estrada do Pacífico não foi idealizada para grandes veículos, com sete a nove eixos e capacidade para transportar até 50 toneladas de carga, como os usados para transporte de cargas de exportação.

A inclinação de 12 graus da rodovia peruana é suave, mas isso a tornou excessivamente sinuosa, o que exige atenção extrema de quem tem o volante às mãos. A reportagem levou mais de 13 horas para percorrer 750 km num veículo de passeio.

Esse excessivo tempo de viagem para vencer a cordilheira é suficientemente grande para eliminar as vantagens dos portos do Pacífico.

Para o agronegócio nacional, o ganho estaria na possibilidade de embarcar grandes volumes de carga do outro lado da América do Sul, como em San Juan de Marcona. A profundidade das baías de Marcona chega a 30 metros, o que permitiria a atracação de navios de 300 mil toneladas de capacidade. Os navios que atracam no porto de Santos, o maior do país, são carregados com apenas 60 mil toneladas de carga.

Considerando um navio carregado para Xangai, na China, a diferença entre sair de Santos ou de um porto no lado do Pacífico é de quatro dias de navegação -uma economia estimada por uma grande companhia de navegação transoceânica em US$ 177 mil.

sábado, junho 20, 2009

Uma boa música aos seus ouvidos

http://www.youtube.com/watch?v=Z72Uv-qMci0

Secretaria, Redação e Sindicatos

Ontem, soube que a Secretaria de Educação do Estado não permitirá a semestralidade em 2010. Na prática, isso significa que o professor de Literatura-Língua Portuguesa lecionará para 6 turmas caso tenha um só contrato.

Mais turmas
Se em cada turma há 40 alunos, o professor terá diante dele 24o redações. Se o professor for muito aplicado, corrigirá mais de 240 por mês. Hoje, eu leciono para duas turmas; mas, com o fim da semestralidade, serão 4 turmas, ou seja, 160 redações.

Meu trabalho não será o mesmo. A qualidade ficará comprometida. Para falar a verdade, não lecionarei aula de Redação como antes, e isso se eu lecionar. Não serei uma peça em uma engrenagem que não funciona bem.

Sindicatos
Neste momento, onde estão o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) e a presidenta do Sindicato dos Professores Lincenciados (Sinplac)? No caso dele, deve estar dando entrevista sobre fuso horário.

Segundo eu sei, eles defendem o fim da semestralidade. Sinteac e Sinplac deveriam exigir da Secretaria de Educação um debate que envolva professores. Depois disso, o corpo docente estadual deveria votar. A questão é séria.

Qualidade
Caso a secretaria tome decisão unilateral, a produção textual em sala de aula será inviável. Por outro lado, a secretaria pode até recusar a semestralidade, mas desde que diminua a quantidade de alunos em sala de aula. Hoje, como já disse, são 40, o Estado deveria reduzir esse número à metade.

Sobre isso, os sindicatos calam-se, porque, para Sinteac e Sinplac, falar de produção textual em sala de aula é assunto técnico e, por isso, assunto pequeno para seus interesses políticos e não educacionais.

Assembleia Legislativa do Acre
Deputados debaterão sobre isso? Se seus blogues não se envergonham dos erros grosseiros de português, não será a assembleia que debaterá sobre produção textual fora da semestralidade.

A assembleia tem outras preocupações, por exemplo, ofender e defender o subsecretário da Saúde, professor Sérgio Roberto. Outra: elogiar o Internacional, do Rio Grande do Sul, na tribuna. Mais uma: falar de investimentos de deputados na bolsa de valores de Nova York.

Seus filhos não estudam em escola pública.

quinta-feira, junho 18, 2009

"Queremos ser professores"













Luan e Jamylle, dois ótimos alunos do segundo ano do ensino médio. Exijo, e eles respondem à altura. Poderia exigir mais porque eles, ainda sim, responderiam. Hoje, na aula, soube que os dois desejam lecionar. "Queremos ser professores", sonham.

O que responder? Antes de minha subjetiva manifestação, a realidade. Após quatro anos na faculdade, discursos, diploma, abraços, bebidas, salgadinhos, ou seja, formatura. Depois dela, o mercado de trabalho.

Onde lecionar? Para ser professor estadual ou municipal, o concurso público precisará bater à porta dos recém-formados, e pode demorar. Entre os dois últimos concursos, houve um abismo de 10 anos. Se o concurso fosse hoje, o Estado pagaria R$ 1.520 por mês, valor líquido de 30 horas.

Muito? Aluguel no Acre, R$ 400; supermercado, R$ 300; luz, R$ 100. Até aqui, são R$ 800. Sobram R$ 720. O que faremos com as sobras? É claro que há mais gastos domésticos. Pergunto outra vez: muito?

Só para quem concluiu o ensino médio, tem concurso público que oferece salário acima de R$ 5 mil. Eu disse concurso para ensino médio.

Com esse salário de um contrato, vocês lecionarão para seis turmas, ou melhor, para 240 alunos. Caso Jamylle seja professora de Língua Portuguesa, ela corrigirá 240 redações. E isso tem um nome: qualidade de ensino.

Bem, se vocês, Luan e Jamylle, não são ainda professores de escola pública, deverão lecionar na iniciativa privada enquanto o outro concurso do Estado não bate à porta, e aí, meus amigos, piora porque são mais turmas e salário menor.

Sejam médicos. Sejam advogados. Sejam políticos. Se vocês querem um conselho, não sejam professores.

quarta-feira, junho 17, 2009

Marina segundo duas imagens








Antes de qualquer suspeita, sou eleitor inalienável de Marina Silva. Meu inexpressivo texto não será sobre sua pessoa ou sobre o ser político, longe disso, mas sobre Marina segundo duas imagens.

Clássica, a primeira foto transpira o vigor de uma luta pelos pobres. Sinto o cheiro de suor, percebo o corpo ao Sol dentro da mata. Expressão rígida, tensa, a líder não só guia os humilhados, mas se assemelha eles na forma de andar, de se vestir. Através de uma trilha, a marcha os iguala.


Na segunda foto, seu rosto não expressa uma gota de tensão ou de luta. Com uma bela roupa, sua imagem não mais transpira mas exala serenidade. Sentada, Marina está só (onde estão os humilhados?).

Nesta foto, o poder modelou sua imagem. Diria mais, bem diferente da primeira, o poder secou seu suor, limpou sua veste. Não existe aqui a imagem da luta, mas a delicadeza do repouso.