
Certa vez, na escola Heloísa Mourão Marques, alunos seriam reprovados por falta, mas algumas pessoas - e não seria ético dizer nomes - levaram os estudantes ao Conselho Escolar e, contrariando a LDB, passaram uma borracha em suas faltas. 
Certa vez, na escola Heloísa Mourão Marques, alunos seriam reprovados por falta, mas algumas pessoas - e não seria ético dizer nomes - levaram os estudantes ao Conselho Escolar e, contrariando a LDB, passaram uma borracha em suas faltas.
Há quase 10 anos, tenho a amizade e os bons serviços de Tonivan, responsável pela filmoteca, pelos filmes que passam pela escola pública. Após a leitura de um romance em sala de aula, passo para meus alunos a imagem-palavra do que foi lido. São filmes relacionados à temática da narrativa romanesca. Neste ano, após a leitura de Admirável Mundo Novo, assistimos aos filmes Tristão e Isolda, Triunfo do Amor e O Sorriso de Mona Lisa. Falei sobre os conceitos relacionados ao Romantismo "expostos" pela imagem a fim de compará-lo como valores opostos ao livro Admirável Mundo Novo. Se não existissem funcionários como Tonivan, seria impossível. Muto obrigado! Sempre precisamos do Outro. Durante toda a vida, ex-governadores acreanos receberão uma pensão que, por mês, retira dos cofres públicos mais de R$ 350 mil. "Governador" não é profissão. "Professor" é.

O poder público propaga que as escolas agora têm livro didático. Na Heloísa Mourão Marques, as fotos revelam a quantidade de livro didático de Língua Portuguesa e de Literatura. Sim, os livros existem, mas a pergunta é "que livros?". Existe um problema na escola pública que é a falta de organização, por exemplo, para escolher o livro didático. Cada um escolhe do seu jeito, sempre às pressas, não há tempo, não há encontro entre os professores da área, porque não há conselhos de disciplina para debater e refletir sobre sua escolha. Sem critério, sem organização, o resultado está na foto: livros didáticos de Língua Portuguesa e de Literatura péssimos. Dinheiro público compra material ruim para os alunos. Deveria, isso sim, haver um livro para Língua Portuguesa e outro para Literatura. A escola, por meio de seu Conselho de Língua Portuguesa e de Literatura, adotaria o livro do professor Pasquale para estudar Língua Portuguesa e o livro de Domício Proença Filho para os alunos estudarem Literatura. Quem conhece esses dois livros sabe do que estou falando.

Em 2004, lecionei para Jesus. Em sala, cometeu alguns pecados, um deles, "matar" minhas aulas de Literatura. Estudar é chato. Ler livro em sala, mais ainda.


Para o bem da democracia, penso melhor agir assim, um blog. Rejeito a ação de Rita de Cássia Sampaio de Souza, de 45 anos, mulher que esfaqueou o deputado federal, o sr. Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).
"Eles têm tudo, mordomias, e eu nem consigo sacar o meu FGTS", protestou.
Minha arma não fere, não mata, pois, como escreveu Drummond, "lutar com as palavras/é a luta mais vã/Mas eu luto/ mal rompe a manhã".
Vida longa, senador!
Vida longa à justa democracia!
1 - junto àquela - Bastante grave é todo dia não melhorar sua escrita e repetir dia após dia o mesmo erro. Quando se escreve assim, o sentido é "ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil perto da instituição". É "perto da" ou "para com"? É "perto da" ou "com"? O correto é "ela tinha dívidas de quase R$ 40 mil com (ou para com) a instituição".


- é e tem - Muito comum, o aluno iniciar a introdução com os verbos “ser”, “estar” e “ter”. Não é errado, mas é lugar-comum. Caso o conteúdo da introdução tenha uma ótima elaboração, nem percebemos a presença desses verbos; no entanto, se o conteúdo for superficial e se esse conteúdo, ainda, não apresentar uma boa elaboração, usá-los torna-se um equívoco;
- linhas - Em uma folha, essa introdução não apresenta cinco linhas no mínimo. Como sabemos, um texto com 30 linhas precisa de uma distribuição harmoniosa de linhas nos quatro parágrafos. Vejamos: introdução (5 ou 7 linhas), desenvolvimento 1 (10 ou 8 linhas), desenvolvimento 2 (10 ou 8 linhas) e conclusão ou solução (5 ou 7 linhas). Essa introdução, portanto, nesse sentido, precisa ser maior;
- leitura de jornais televisivos - Quando assisto ao jornal da TV Cultura, eu não o leio; eu o ouço;
- leitura de revistas - No desenvolvimento, é necessário especificar, porque, nesse espaço, o leitor precisa ser convencido por meio de detalhes, e ninguém detalha escrevendo generalidades, é óbvio. Nem toda revista permite conhecer o candidato. Nem todo jornal permite conhecer o candidato;
- de que o cidadão observe - "(...) tem o objetivo de o cidadão observar a veracidade das propostas";
- ações como - Eu evitaria. Começaria com "a leitura de".




Thaís Nicoleti de Camargo é professora de português desde 1984. Consultora do jornal Folha de São Paulo, ela leciona no ensino médio e em pré-vestibulares.
Desde 2000, escreve sobre gramática, literatura e redação na coluna semanal Vale a Pena Saber, do caderno Fovest, da Folha.
Assina também a coluna Redação do Leitor, que deu origem a este livro.
Neste livro, há 21 dissertações escritas por alunos. No texto, ela registra observações gramaticais e, em uma página ao lado, comenta sobre a dissertação.
Em outras duas páginas, aparece a Redação Corrigida e Orientação de Estudo.
Para apresentar melhor o livro, entrevistei a autora neste espaço chamado ENTRELIVROS.
Professora, o que é preciso para escrever bem?Thaís Nicoleti - Para escrever bem, é preciso ler, adquirir informação e, sobretudo, aprender a pensar. Seria ingenuidade acreditar na existência de um conjunto de técnicas que, milagrosamente, levariam alguém a redigir bem. Na verdade, a prática constante a que todos nos devemos submeter é a leitura crítica do mundo, esse o verdadeiro caminho para o exercício da cidadania.
Nos textos dos alunos, suas observações só são gramaticais?Thaís Nicoleti - Não. Há sugestões de encadeamento das idéias, de reformulação de parágrafos, de alteração de vocabulário e, eventualmente, o acréscimo ou a supressão de alguns trechos.
Logo no primeiro texto, Juventude iletrada, seu comentário indica que uma reflexão superficial prejudica texto.
Thaís Nicoleti - Nessa dissertação, a visão de mundo limitada deve-se mais à falta de formação intelectual adequada que à falta de informações.No século 17, o padre Antônio Vieira criticava as generalizações. Nossos alunos são genéricos?
Thaís Nicoleti - São demais. A reflexão superficial compromete texto. As generalizações fragilizam a argumentação. Generalização dá tom simplista à argumentação.

A gente encontra cada uma em nosso jornalismo.
1. "Um tumulto envolvendo diversas pessoas." - Sim, deveria ser "envolvendo camelos"?
2. "Ele espancou João o deixando lesionado." - Sim, deveria ter deixado "beijos"?
3. "A Operação Papai Noel, com participação da Companhia de Trânsito (Ciatran), começou a averiguar o volume e a freqüência dos sons produzidos por equipamentos de carros de passeios dos acreanos." - Quer dizer, se um paulista ou um rondoniense estiverem na avenida Chico Mendes dirigindo, seu carro não será averiaguado.
Por meio disso, o corpo discente estudará porcentagem, razão e proporção, funções (construção e análise de gráficos) e planilhas eletrônicas.
Bem que a Matemática poderia publicar essa pesquisa em um jornal escrito pelos alunos de Língua Portuguesa. Dessa forma, as duas disciplinas seriam úteis às famílias dos próprios alunos, mostrando preços diferentes do mesmo produto.
Alguns dirão que não há nada de novo nisso. A questão, entretanto, não essa. A questão é que alguns fazem "o novo" e outros não o fazem, porque permanecem imóveis com os seus anacrônicos hábitos. É mais cômodo.


