terça-feira, julho 26, 2011

Aprendendo com o mesmo erro dos professores cariocas

O tempo passa, a realidade se transforma, mas os sindicatos dos professores permanecem com as mesmas ideias. Tenho certeza de que a greve dos professores do Rio de Janeiro não terá o mesmo fim que a atitude dos bombeiros.

Justiça autoriza corte de ponto dos professores

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro derrubou nesta terça-feira (26) uma liminar que impedia o corte do ponto dos professores estaduais há mais de 50 dias em greve. Com a decisão, o governo de Sergio Cabral (PMDB) poderá descontar o salário de quem não voltar às salas de aula.

Apesar da decisão, o Sepe-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro) afirma que vai manter a greve. Em protesto, professores e funcionários estão acampados em frente à Secretaria de Educação do Estado há 13 dias.

A secretaria, por sua vez, disse que, “por decisão própria”, fez o pagamento dos dias “parados e anotados” desde o início do movimento. No entanto, a partir do dia 1º de agosto, quem estiver em greve terá o ponto cortado. Caso, após o final da greve, não haja reposição, haverá corte retroativo. Ainda de acordo com a secretaria, há 2,1 mil contratos temporários autorizados e que podem ser utilizados a partir do dia 1º.

Reivindicações
A principal reivindicação dos profissionais em greve é o reajuste emergencial de 26% e o descongelamento do plano de carreira dos funcionários administrativos. No dia 6, foi realizada uma reunião entre membros do sindicato, deputados e o secretário de educação para discutir as reivindicações da categoria, mas nenhuma decisão foi tomada.

Segundo o sindicato, cerca de 60% dos funcionários aderiram ao movimento e 70% das escolas da baixada Fluminense estão paralisadas. Na capital, a porcentagem é de 50%. No interior, são 30% das escolas que estão sem aula. Já a Secretaria da Educação fala em uma adesão de 1,5% dos 51 mil professores.

O sindicato fala em cerca de 700 mil alunos sem aula; para a secretaria as atividades nas escolas estão praticamente normais. Nenhum dos dois soube informar o número exato de alunos afetados pela paralisação.

sexta-feira, julho 22, 2011

Não tarda não sermos


Enquanto o Tempo é festa em nossa pele, enquanto existe o Tempo a bailar em nós, vivamos a alegria breve de estarmos vivos, não nos esquecendo de que, quando o fim chegar, olharemos com firmeza para o passado que foi vivido, momentos em que a minha mortalidade tocou na tua.

O Tempo separa tudo, mas protegerei minha humana fragilidade com a Memória que tua vida pincelou a minha. Estou grávido de nossas memórias. Farto dos verbos que conjugamos juntos, um deles: cativar.

Se a morte lançar sua âncora aos meus olhos, ainda sim, eu os abrirei com a força de minha ternura para afirmar, diante dos teus, o milagre ocorrido entre o meu sexo e a tua fissura.

Mas, antes da despedida, do fim, da morte, ainda ficarás despida sob o meu destino, e, eu, ajoelhado ao lado teu, arrancarei as folhas do Livro Sagrado sobre a tua carne. E, ao acaso, as folhas que forem amparadas por teu corpo, eu lerei para a tua nudez as palavras eróticas de Cântico dos Cânticos ao som harmonioso de teus doces gemidos.

E já profetizo que, em uma folha abrigada por tua pele, estas palavras Sagradas repousaram sobre tua vulva. Será noite. O silêncio habitará o bom encontro, e ele só será rompido por minha paciente leitura. Ouça-me!

"Com lijonjas arrastei aquela a quem a minha alma ama para meus lábios e sabendo bem que um homem não pode esconder fogo em seu seio sem que suas vestes se inflamem, sussurrei-lhe: 'Vem, minha amada, saiamos para o campo, passemos a noite nos pomares; madrugaremos para ir às vinhas, e ver se a vinha lançou rebentos, se as flores se abrem, se as romãzeiras estão em flor. Ali te darei meus amores!'"

Darei meus amores porque lutei contra a morte e lutei para permanecer em tua memória.

Duas caras


A verdade não está presente quando homens públicos falam diante das câmeras de tevê ou quando suas palavras são publicadas em jornais.

Tratando-se de homens públicos, a verdade encontra-se à sombra.

Não se acha a verdade quando tudo está claro, quando sua fala se manifesta à luz do dia.

A luz (ou os holofotes da imprensa) oculta a verdade.


quarta-feira, julho 20, 2011

Na ponta da Língua
















Na ponta de minha Língua,
equilibrei o suor denso

de teu Prazer.

Em forma de gemido, era a tua Carne
que guiava meu destino.

Era teu Gozo, não minha Língua,
que sussurrou o que fazer.

Na ponta da Língua,
senti o breve tempo de tua

Vida.

Confesso que me perdi entre coxas e entre olhos. Mas quem disse que queremos saber onde estamos quando o Prazer nos (des)educa?

Os ingleses são... ótimos!



Ouça com todo silêncio a canção desta inglesa. Em tempos de vulgaridade sólida, ela faz bem à alma.

sexta-feira, julho 15, 2011

Quando Argentina é bunda-mole

ARGENTINA DECLARA GUERRA À CHINA!!!

Após uma consulta popular feita na “Plaza de Mayo”, a Argentina enviou uma mensagem à República Popular da China:

"Chinos de mierda , maricones : les declaramos "Guerra": - tenemos 105 tanques, 47 aviones sanos, 4 barcos que navegan y 5.221 soldados".

O Estado chinês respondeu-lhes:

"Aceitamos a declaração, temos 38.000 tanques, 16.000 aviões, 790 navios e 300 milhões de soldados. "

Ao que respondem os argentinos:

"Retiramos la declaración de guerra.... No tenemos como alojar tantos prisioneros".


quarta-feira, julho 13, 2011

Redação do Enem em casa

A presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Malvina Tuttman, disse que estuda enviar à casa dos candidatos uma cópia da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) corrigida. A afirmação foi feita na terça (12), durante a 63ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Goiânia,

A novidade, se aplicada, só valeria a partir do segundo semestre de 2012. Segundo Malvina, seria preciso, no entanto, que o órgão adquirisse “maquinário pesado” para implantar esse esquema de correção e distribuição.

1. O exame será aplicado em dois dias: 22 e 23 de outubro, a partir das 13h (horário de Brasília)

2. O cartão de confirmação será enviado, pelos Correios, para o endereço indicado no momento da inscrição. Esse cartão deve conter: número de inscrição, data, hora e local onde serão realizadas as provas, a indicação dos atendimentos diferenciados ou específicos, opção de língua estrangeira e da solicitação de certificação

3. O exame será composto por quatro provas objetivas e uma redação. Cada prova terá 45 questões de múltipla escolha

4. No primeiro dia, serão realizadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias. O estudante terá 4h30 para realizar a prova

5. No segundo dia, acontecem as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática e suas tecnologias. O estudante terá 5h30 para realizar a prova.

segunda-feira, julho 11, 2011

Não quero acreditar!

Na semana passada, contaram-me que a professora Alcilene, atual presidenta do Sindicato dos Professores Licenciados (Sinplac), prolongou seu mandato por mais dois anos.

Se for verdade, não passa de oportunismo, merecedora de boas críticas.

segunda-feira, julho 04, 2011

sexta-feira, julho 01, 2011

Ser lembrado! Obrigado!

Hoje, ao abrir meu correio eletrônico, meus olhos leram palavras de uma ex-aluna. Emoção. Após sete anos, um nome lembra-se do meu. Mirela, uma ótima aluna. Após esses anos, seu destino hoje não passa de uma consequência natural de sua responsabilidade de adolescente.

Obrigado por suas palavras.

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Ao mestre com carinho

Bom-dia, Aldo Nascimento!

Não sei se lembra de mim,sou uma ex-aluna sua, Mirela Gomes Pinheiro-HMM, ano de 2003 e 2004.

Estou formada em Engenharia Florestal, mas não exerço a profissão - me apaixonei pela escrita e hoje curso o último ano de jornalismo na Ufac e escrevo para o Portal Amazonia/Acre.

Descobri esta paixão graças a Lavoura Arcaica, a Cyrano e a Você.

terça-feira, junho 28, 2011

Pastoras lésbicas

Três semanas depois de inaugurar uma igreja inclusiva e voltada para acolher homossexuais no Centro de São Paulo, o casal de pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha pretende participar da Parada Gay de São Paulo, em 26 de junho, para "evangelizar" os participantes. Estudantes de assuntos ligados à teologia e a questões sexuais, as mulheres encaram a Parada Gay como um movimento que deixou de lado o propósito de sua origem: o de lutar pelos direitos dos homossexuais.

“A história da Parada Gay é muito bonita, mas perdeu seu motivo original”, diz Lanna Holder. Para a pastora, há no movimento promiscuidade e uso excessivo de drogas. “A maior concepção dos homossexuais que estão fora da igreja é que, se Deus não me aceita, já estou no inferno e vou acabar com minha vida. Então ele cheira, se prostitui, se droga porque já se sente perdido. A gente quer mostrar o contrário, que eles têm algo maravilhoso para fazer da vida deles. Ser gay não é ser promíscuo.”

As duas pastoras vão se juntar a fiéis da igreja e a integrantes de outras instituições religiosas para conversar com os participantes da parada e falar sobre a união da religião e da homossexualidade. Mas Lanna diz que a evangelização só deve ocorrer no início do evento. “Durante [a parada] e no final, por causa das bebidas e drogas, as pessoas não têm condição de serem evangelizadas, então temos o intuito de evangelizar no início para que essas pessoas sejam alcançadas”, diz.

Leandro Rodrigues, de 24 anos, um dos organizadores da Parada Gay, diz que o evento “jamais perdeu o viés político ao longo dos anos”. “O fato de reunir 3 milhões de pessoas já é um ato político por si só. A parada nunca deixou de ser um ato de reivindicação pelos direitos humanos. As conquistas dos últimos anos mostram isso.”

Segundo ele, existem, de fato, alguns excessos. “Mas não é maioria que exagera nas drogas, bebidas. Isso quem faz é uma minoria, assim como acontece em outros grandes eventos. A parada é aberta, e a gente não coíbe nenhuma manifestação individual. Por isso, essas pastoras também não sofrerão nenhum tipo de reação contrária. A única coisa é que o discurso tem que ser respeitoso.”

Negação e aceitação da sexualidade

“Sempre que se fala em homossexualidade na religião, fala-se de inferno. Ou seja, você tem duas opções: ou deixa de ser gay ou deixa de ser gay, porque senão você vai para o inferno. E ninguém quer ir para lá”, diz Lanna.

A pastora afirma que assumir a homossexualidade foi uma descoberta gradual. “Conforme fomos passando por essas curas das quais não víamos resultado, das quais esperávamos e ansiávamos por um resultado, percebemos que isso não é opção, é definitivamente uma orientação. Está intrínseco em nós, faz parte da nossa natureza.”

Igreja Cidade de Refúgio

Segundo as duas mulheres, após a aceitação, surgiu a ideia de fundar uma igreja inclusiva, que aceita as pessoas com histórias semelhantes as delas.

“Nosso objetivo é o de acolher aqueles que durante tanto tempo sofreram preconceito, foram excluídos e colocados à margem da sociedade, sejam homossexuais, transexuais, simpatizantes”, diz Lanna.

Assim, a Comunidade Cidade de Refúgio foi inaugurada no dia 3 de junho na Avenida São João, no Centro de São Paulo. Segundo as pastoras, em menos de 2 semanas o número aumentou de 20 fiéis para quase 50. Mas o casal ressalta que o local não é exclusivo para homossexuais. “Nós recebemos fiéis heterossexuais também, inclusive famílias”, diz Rosania.

Apesar do aumento de fiéis, as duas não deixaram de destacar as retaliações que têm recebido de outras igrejas através de e-mails, telefonemas e programas de rádio e televisão. “A gente não se espanta, pois desde quando eu e a pastora Rosania tivemos o nosso envolvimento inicial, em vez de essa estrutura chamada igreja nos ajudar, foi onde fomos mais apontadas e julgadas. Mas não estamos preocupadas, não. Viemos preparadas para isso”, afirma Lanna.

As duas mulheres, juntas há quase 9 anos, chegaram a participar de sessões de descarrego e de regressão por causa das inclinações sexuais de ambas. “Tudo que a igreja evangélica poderia fazer para mudar a minha orientação sexual foi feito”, afirma Lanna. “E nós tentamos mudar de verdade, mergulhamos na ideia”, diz Rosania. As duas eram casadas na época em que se envolveram pela primeira vez.

sexta-feira, junho 24, 2011

A intolerância dos evangélicos

Gilberto Dimenstein escreve (muito bem) para o jornal "Folha de São Paulo" aos domingos. Ele é um desses bons brasileiros que sabem pensar a educação brasileira.

Hoje, o assunto é gay e evangélico. Leia com muita atenção.

São Paulo é mais gay ou evangélica?

Gilberto Dimenstein

Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da ideia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais.

Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.

Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF.

Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários. Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança. Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertas com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.

Nada contra - muito pelo contrário - o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos.

Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica.

quarta-feira, junho 22, 2011

Contas de uma escola pública


Governo, prefeitura de Rio Branco, Assembleia Legislativa do Acre e Câmara dos Vereadores da capital acriana não são mais transparentes do que a escola Heloísa Mourão Marques.

O PT sempre propagou a ideia do orçamento participativo, mas tudo não passou de cínica propaganda.

Nessa escola, a gestora expõe o dinheiro público, e os governantes [de esquerda?] o ocultam.

Se a gestora não apresenta as contas, é cobrada, punida.

sexta-feira, junho 17, 2011

Deus não é homem!

Montagem da charmosa Thalita. O texto, meu. Dias antes da Parada Gay, postarei meu texto neste blogue e em um jornal de Rio Branco.

Agora, este pedaço:

VII - Êxodo 32:27-29, o Deus que mata

Lembro-me quando cada um cingiu a espada sobre o lado, cada um passou e tornou a passar pelo arraial de porta em porta, e matou cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho. Lembro-me, três mil homens assassinados a mando de um Deus vingativo para que cada um recebesse sua bênção. “Três mil homens mortos só porque ele tinha ficado irritado com a invenção de um suposto rival em figura de bezerro, Eu não fiz mais que matar um irmão e o senhor castigou-me, quero ver agora quem vai castigar o senhor por estas mortes”, pensou o personagem Caim, de José Saramago.

Após séculos sobre séculos, a Israel de Moisés ainda mata crianças palestinas na Faixa de Gaza, um campo de concentração delimitado pelo Deus dos judeus. Quando, entre 16 e 18 de setembro, o exército de Israel invadiu o Líbano em 1982, as armas de Jeová mataram 3,5 mil civis inocentes.

A Corte Suprema de Israel considerou o ministro da Defesa do país, Ariel Sharon, o responsável pelo massacre de Sabra e Chatila.
Sobre carnificinas, sobre assassinatos, sobre inocentes cadáveres, pastores acrianos calam-se; mas, quando o assunto é homossexualidade, pregam a ira do Senhor contra os que não foram, segundo eles, escolhidos por Jeová.

Dar o cu não pode. Um Deus que mata pode.

Alegres e dançantes, os meus alunos!

Penso como meu colega de trabalho, o Fernandes, um ótimo professor de matemática: "A escola deveria parar o seu cotidiano engessado para se transformar em alegria."

Compreendo a professora-gestora Osmarina, nem todos os professores vestem a camisa.

Enquanto isso, o 3º Batalhão da PM e a escola Heloísa Mourão Marques uniram-se para possibilitar momentos de alegria entre mim e a juventude do 2º C e do 2º D.

Trata-se de uma apresentação contra as drogas.

Para tanto, dançaremos Marcelo D2 e Barão Vermelho no auditório da escola. Iniciamos na terça. Quarta, feriado. Retomamos na quinta de forma diferente como os alunos se apresentaram na terça. Ficou melhor.

Ensaiamos na quinta. O melhor ficou na sexta. Sábado, ensaio final, das 8h às 11h.

Penso que uma forma de criticar o uso da droga se faz por meio da música, da dança, da poesia. O prazer das drogas combate-se com o prazer da cultura, com o prazer das relações afetivas.

Meus alunos jamais pensariam que um professor exigente, racional, sério, por exemplo, poderia ceder a uma pessoa que canta e que dança ao som de Marcelo D2 com eles.

O secretário estadual de Educação, Daniel Zen, tem o dever e a obrigação de levar às escolas públicas a mais densa e bela manifestação cultural da música, do teatro, da dança.

Zen, que veio da Secretaria de Cultura, não pode vacilar. Em 2011, sua presença na secretaria tem sido inexpressiva, típica de um burocrata. Faltam três anos. Se, nesse tempo, ele não misturar educação e cultura, receberá uma CRÍTICA à altura dos incompetentes burocratas da Frente Popular.

Espero que ele estabeleça o novo nas escolas. Já disse em outros momentos neste blogue que a escola deve se transformar em o centro de encontro da juventude para assistir a bons filmes, para ouvir música, para dançar, para ver belas peças de teatro.

Além disso, o governo deve propagar na TV e nas rádios esses grandes eventos para a sociedade.

Enquanto isso não vem - se é que virá -, eu danço com meus alunos ao som de "Sangue Bom", de Marcelo D2.

quinta-feira, junho 09, 2011

Milagre

Quando a noite ancorar a beleza do céu em meus olhos, desejarei apenas o manto de tua pele sobre a minha, desejarei apenas a minha vida intensa sobre a tua.

Sentir na carne o teu suor regando minha alegria.

Dos tantos versos que já ofertei a teus olhos, Milagre, se não for o mais intenso, é um dos.

Por isso, Mony, deixo aqui, mais uma vez, a poesia que escrevi para teus olhos, porque teu destino devolveu ao meu o sentido da vida.

Toda noite dos namorados é noite de Milagre.

Em igrejas à espera de milagres,

eu, à margem do corpo de Cristo,
entre o fim da tarde e a chuva fina,

ajoelho-me e, por teu nome, rezo a finco.

Que teu corpo nu, sem espinho, sem prego e cruz,
traga, como novo messias, à minha esperançosa carne,

o milagre de tua luz:

chama, despido corpo, me chama, e eu, safado santo,
subo ao sagrado altar, tua cama, para ser pecador feliz.

Sinto pena das igrejas, sinto tanto.

Para teus fiéis, me eternizo surdo, e tua língua nem falo.
Mas, em tua boca litúrgica, batizo-me com tua saliva.

Teu gozo, abençoada prece. Teu corpo, como não amá-lo?

E, sem crer no pão e no vinho, molho minha semente em tua fissura para germinar vida.
Entre tuas pernas, minha reza, meu clímax: Deus, eis a oferta!!!

Olhe no meu olho, Amada, olhe, veja-nos e sinta!!!



terça-feira, junho 07, 2011

Eles paralisaram as aulas, mas eu lecionei

Hoje, mais um dia de paralisação na rede pública de ensino estadual, e eu lecionando na escola Heloísa Mourão Marques.

O Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac) não aceitou a proposta do governo, 15% em três vezes. O sindicato exige um acordo de 20%, dividido em quatro vezes: julho, janeiro de 2012, abril de 2012 e outubro de 2012.

Na sexta-feira, dia 10, outra paralisação para definir se os professores cruzarão os braços por tempo indeterminado caso o governo não aceite a porcentagem do corpo docente. Fonte do governo afirmou que não abrirá mão dos 15% para todos os servidores. "É isso ou nada", disse um membro de governo.

Até agora, os professores da escola Heloísa Mourão Marques irão repor três dias de aula; eu, dois dias.



sexta-feira, junho 03, 2011

Um outro modelo de sala


Quando desejamos ouvir a palavra, precisamos desta essência: o silêncio. O pequeno príncipe e o piloto dialogam no deserto. Nesses meus quase 15 anos de escola pública acriana, não me lembro de ter ficado no deserto para que a palavra fosse lida, pensada, percebida em uma narrativa, em um drama ou em uma poesia.

As escolas são barulhentas, não há nelas um lugar-leitura, isto é, um deserto onde possamos ouvir a palavra desenhada e pintada pela poesia ou por um belo romance. Uma vez em sala, a palavra literária é corrompida pelo ruído, pelo tumulto de corredores.

Na escola Heloísa Mourão Marques, por exemplo, edificaram as salas perto da rua. Assim, quando um carro passa com a excrescência de um Calcinha Preta, calo-me em sala porque não posso competir com os ruídos da rua, além dos ruídos de corredores, de outras salas.

Ainda sim, de alguma forma, sempre busquei ler ótimos autores ficcionais na escola pública. Sempre. Após tantos anos, finalmente, o aconchegante silêncio na escola Heloísa Mourão Marques. Agora, podemos ler no deserto.

A responsável por isso, soletre: OS-MA-RI-NA, a diretora. Ela possibilitou uma Sala de Leitura, a única do estado para o ensino médio. Mais: a única escola de ensino médio onde obras literárias são lidas.

Com essa sala, com esse deserto, com esse lugar-leitura, poderemos ouvir a palavra literária de um Drummond, de um Dino Buzzati, de um Kafka, de um Castro Alves, de um Raduan Nassar.

Desejo ver meus alunos nessa sala deitados, sentados no chão, só lamento não ser possível colocar belas redes para eles se balançarem. Nela, há dois tapetes - haverá mais -, existem duas mesas para alunos, assentos confortáveis, um chão limpo para os pés ficarem descalços, há dois ventiladores silenciosos embora a sala seja arejada naturalmente.

Trata-se de um lugar-leitura para que possamos nos esquecer daquelas salas que incomodam o conhecimento, o saber. Nesse deserto, a palavra literária encontra-se em paz, silêncio.

quarta-feira, junho 01, 2011

Prazer

De Aldo Nascimento


Criado para ser encontro, o Corpo sussurra na pele do ser apaixonado a mais profunda carência. Sozinho, o corpo seria triste porque negaria sua própria natureza, que é se sentir, sentindo-se, em outro corpo. O Prazer nos alegra!

E é assim que a desejo e é assim que, aos poucos, me aproximo. Em gestos delicados, condenso agora toda emoção em um toque, mas, antes que eu a tocasse, precipitei-me em suor. As mãos gelaram-se. Meu Corpo, orgulhoso, estremeceu-se. Ao te tocar, perceba: fragilizo-me.

Sim, eu sinto. Mais: por meio de ti, eu me sinto. Se não fosse você, sozinha, eu desconheceria a desmedida de minha felicidade, que é, sob os desvios de tuas carícias, sentir minha carne suavizar-se.

Tua pele... na minha... minha carne, já molhada e febril, confessa: ofereces a mim o prazer de estar onde sempre desejei estar – em teu Corpo, lugar-carne que me acolhe; extrai de mim a certeza de que estou viva, imensa, alegre. Quase infinita.

Perceba. Sou oferenda entregue a essa humana carência de ser desejada por ti. Feliz carícia que desliza. Fragiliza-me. Retira-me da solidão. Por causa de ti, faço-me presente para não mais, a mim, pertencer. Olhe, escute-me, eu o amo!

Imerso em suor e entre gemidos, eu, também, a amo, mais ainda quando meu Corpo está em transe, mais ainda quando minha carne se declara insana. Corpo que se contorce. Agiganta-se. Foge ao controle. Rebela-se. Transpira. Geme. Grita. Exagera.

Já pressinto o gozo, sensação de que irei, por alguns segundos, me desencarnar. Minha carne já pode sentir o sabor suado dessa vertigem. Quando gozamos, tenho a impressão de que somos lançados ao não-lugar, restando a essa breve viagem fechar os olhos e... hummmmmmmm! Deus, Deus, milagre!

Agora, após o êxtase, meu Corpo, cansado e feliz, tomba sobre o teu, e, ao teu ouvido, sussurro que, sem você, eu jamais poderia sentir, sozinho, o que senti em minha carne e em meu espírito. Tu foste o caminho por onde cheguei, mais sensível, a mim mesmo. Por meio de ti, sou devolvido a mim muito mais feliz. Só o Outro, você, essa minha diferença, possibilitou o excesso.

Saboreando tua carne, movimentando-me ao seu bel-prazer, vivi a alegria de não mais a mim pertencer. Fui teu. Saborosamente, teu.