sexta-feira, dezembro 08, 2006

Fecury & Astélio



O secretério municipal de Educação, prof. Moacir Fecury, baixou uma portaria que proíbe a utilização de músicas e de coreografias evangélicas em eventos escolares.
O vereador Astélio Moreira, do PSB e avangélico, discorda. Para ele, música e coreografia devem estar na escola pública, porque a "Constituição garante liberdade religiosa aos brasileiros".
Alguns políticos, como é o caso do vereador do PSB, usam o conceito "democracia" para que não haja limite. Todos podem. Por exemplo, só para ironizar, eu sou macumbeiro e a minha filhinha também.
Por causa disso, nós podemos chamar o pessoal do centro de umbanda para cantar e rodar a baiana na escola pública de minha filha. Levarei galinha preta, vela, atabaque, porque a "Constituição garante liberdade religiosa aos brasileiros".
O vereador ignora o que seja o conceito "democracia". Além disso, até onde eu sei, a escola pública é laica.

Breves Observações

Um aluno, do pré-vestibular Ideal, por meio do correio eletrônico, enviou uma introdução e um desenvolvimento para eu comentar.
O voto é a capacidade do eleitor escolher seus candidatos de forma que estes venham a corresponder às expectativas daqueles. Será que o Brasil tem eleitores conscientes?
No Brasil, há muitos eleitores que analisam criteriosamente seus candidatos. Ações como a leitura de revistas de circulação nacional ou de jornais tanto impressos como televisivos ajudam a conhecer os candidatos. Além disso, a propaganda eleitoral tem o objetivo de que o cidadão observe a veracidade das propostas.

  1. - é e tem - Muito comum, o aluno iniciar a introdução com os verbos “ser”, “estar” e “ter”. Não é errado, mas é lugar-comum. Caso o conteúdo da introdução tenha uma ótima elaboração, nem percebemos a presença desses verbos; no entanto, se o conteúdo for superficial e se esse conteúdo, ainda, não apresentar uma boa elaboração, usá-los torna-se um equívoco;

  2. - linhas - Em uma folha, essa introdução não apresenta cinco linhas no mínimo. Como sabemos, um texto com 30 linhas precisa de uma distribuição harmoniosa de linhas nos quatro parágrafos. Vejamos: introdução (5 ou 7 linhas), desenvolvimento 1 (10 ou 8 linhas), desenvolvimento 2 (10 ou 8 linhas) e conclusão ou solução (5 ou 7 linhas). Essa introdução, portanto, nesse sentido, precisa ser maior;

  3. - leitura de jornais televisivos - Quando assisto ao jornal da TV Cultura, eu não o leio; eu o ouço;

  4. - leitura de revistas - No desenvolvimento, é necessário especificar, porque, nesse espaço, o leitor precisa ser convencido por meio de detalhes, e ninguém detalha escrevendo generalidades, é óbvio. Nem toda revista permite conhecer o candidato. Nem todo jornal permite conhecer o candidato;

  5. - de que o cidadão observe - "(...) tem o objetivo de o cidadão observar a veracidade das propostas";

  6. - ações como - Eu evitaria. Começaria com "a leitura de".

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Vida Dura




Vara de velhinhos
só pesca
Peixe Podre


Ontem, no bairro 6 de Agosto, à tarde, a PM roubou o espetáculo erótico para homens idosos no exato momento em que uma ex-presidiária, a Peixe Podre, retirava a última peça. "É duro ser velho, e a polícia ainda resolveu tirar de nós a nossa única alegria", disse seu João dos Santos, de 76 anos.

Tudo bem que Maria Antônia Liberdade de Souza, de 31 anos, não tem o apelido de Sereia do Norte, mas pelo menos cobrava muito barato para os velhinhos pescarem: R$ 5 de cada um.
Os policiais disseram que se tratava de um atentado contra o pudor. "Contra o pudor?", perguntou seu Carlos Antônio, de 82 anos. "Contra o pudor é velho não sentir prazer com os olhos".

terça-feira, dezembro 05, 2006

- a quem acusou -

"A dona-de-casa Raimunda Santos da Silva, de 37 anos, esteve ontem na 8ª Unidade de Segurança Pública para denunciar seu ex-marido Juscelino Oliveira da Silva, a quem acusou de espancá-la com uma corrente contendo um cadeado na ponta. O caso ocorreu quando a denunciante procurou Juscelino para cobrar a pensão dos filhos menores."
    1. "A quem acusou" - Qual o motivo de colocar a preposição "a" antes de "quem"? Nós acusamos alguém e não a alguém. A regência é direta, isto é, não há preposição. Consulto Celso Luft, e ele oferece um exemplo: "Acusa colegas (Acusa-os) de corrupão. O correto é "quem acusou de".

Para Vestibular


Thaís Nicoleti de Camargo é professora de português desde 1984. Consultora do jornal Folha de São Paulo, ela leciona no ensino médio e em pré-vestibulares.

Desde 2000, escreve sobre gramática, literatura e redação na coluna semanal Vale a Pena Saber, do caderno Fovest, da Folha.

Assina também a coluna Redação do Leitor, que deu origem a este livro.

Neste livro, há 21 dissertações escritas por alunos. No texto, ela registra observações gramaticais e, em uma página ao lado, comenta sobre a dissertação.

Em outras duas páginas, aparece a Redação Corrigida e Orientação de Estudo.

Para apresentar melhor o livro, entrevistei a autora neste espaço chamado ENTRELIVROS.

Professora, o que é preciso para escrever bem?

Thaís Nicoleti - Para escrever bem, é preciso ler, adquirir informação e, sobretudo, aprender a pensar. Seria ingenuidade acreditar na existência de um conjunto de técnicas que, milagrosamente, levariam alguém a redigir bem. Na verdade, a prática constante a que todos nos devemos submeter é a leitura crítica do mundo, esse o verdadeiro caminho para o exercício da cidadania.

Nos textos dos alunos, suas observações só são gramaticais?

Thaís Nicoleti - Não. Há sugestões de encadeamento das idéias, de reformulação de parágrafos, de alteração de vocabulário e, eventualmente, o acréscimo ou a supressão de alguns trechos.

Logo no primeiro texto, Juventude iletrada, seu comentário indica que uma reflexão superficial prejudica texto.

Thaís Nicoleti - Nessa dissertação, a visão de mundo limitada deve-se mais à falta de formação intelectual adequada que à falta de informações.

No século 17, o padre Antônio Vieira criticava as generalizações. Nossos alunos são genéricos?

Thaís Nicoleti - São demais. A reflexão superficial compromete texto. As generalizações fragilizam a argumentação. Generalização dá tom simplista à argumentação.


segunda-feira, dezembro 04, 2006

Habeas corpus, habeas-corpus ou hábeas-córpus?

Não há neste Brasil um órgão que regulamente a grafia.
Se consultarmos o manual do jornal O Estado de São Paulo, Eduardo Martins registra "habeas-corpus".
Se consultarmos o manual da Folha de São Paulo, registra-se "habeas corpus".
Se consultarmos o livro "O português do dia-a-dia", do prof. Sérgio Nogueira, registra-se "hábeas-córpus".
E agora?
Bem, o advogado deve usar "habeas corpus", porque a sua profissão mantém a grafia do latim clássico.
E o jornalista? O texto de jornal, por ser popular, deve registrar "hábeas-córpus", porque o hífen é conseqüência do aportuguesamento, assim como os dois acentos graves.
No entanto, Eduardo Martins aportuguesa com "hífen", mas não considera os acentos graves. Como sigo o manual do Estadão, registro na TRIBUNA "habeas-corpus".

Prof. Sérgio Nogueira


"O português do dia-a-dia", do professor Sérgio Nogueira merece ser aprecisado por quem deseja escrever melhor.
Sobreviver - Não significa "viver mal". Sobreviver significa "viver além, ter uma sobrevida": "Após duas cirurgias, ele sobrevive com um único rim."
Exemplo inadequado: "Não sei como o brasileiro sobrevive com um salário mínimo (= com certeza "o brasileiro mal vive ou vive mal com salário mínimo").
Sinalizar - É "fazer sinais". Evite o uso do verbo sinalizar no sentido de "indicar" ou "anunciar".
Reverter - Verdadeiramente significa "voltar ao ponto de partida". Usar somente quando houver a idéia de "volta, retorno", à situação anterior: "Entrou em coma, mas o médico conseguiu reverter o quadro clínico." Se houver apenas uma idéia de "mudança", podemos usar mudar, modificar ou alterar. Se a idéia for mudar para uma situação oposta, devemos usar inverter: "O governador quer inverter (e não reverter) o atual quadro de degradação em que se encontra a polícia do Rio de Janeiro."

Para além da gramática, idéias erradas

A gente encontra cada uma em nosso jornalismo.

1. "Um tumulto envolvendo diversas pessoas." - Sim, deveria ser "envolvendo camelos"?

2. "Ele espancou João o deixando lesionado." - Sim, deveria ter deixado "beijos"?

3. "A Operação Papai Noel, com participação da Companhia de Trânsito (Ciatran), começou a averiguar o volume e a freqüência dos sons produzidos por equipamentos de carros de passeios dos acreanos." - Quer dizer, se um paulista ou um rondoniense estiverem na avenida Chico Mendes dirigindo, seu carro não será averiaguado.

- à produzir -

"As câmeras digitais na verdade não se limitam à produzir fotos. Também gravam cenas, como uma pequena filmadora. A vantagem sobre as manuais, além da dispensa de filmes, é poder armazenar no computador, como num álbum virtual e também mandar por e-mail para quem se quer. A maioria dos modelos oferecem facilidade de operação, o que possibilita mesmo a iniciantes produzirem fotos de qualidade."
    1. - à produzir - Como um repórter coloca o acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de "produzir"? Não há (`) antes de verbo.

sábado, dezembro 02, 2006

Vestibulando

Dica para uma ótima leitura. Vestibulando, compre o livro Redação - linha a linha, de Thaís Nicoleti de Camargo. A editora, Publifolha.
Muito bom!

A MatemÁtica de GleiDsoN

Professor da disciplina Matemática, José Gleidson Ferreira do Nascimento, de 24 anos, começou a edificar um trabalho significativo na escola Heloísa Mourão Marques.
Em reunião do Conselho de Disciplina de Matemática, ele apresentou um caminho social para a sua disciplina.
Seus alunos aprenderão, por exemplo, porcentagem por meio de pesquisa de preço em supermercados e em pequenos comércios. Não se constrói, no entanto, uma idéia sozinho.
À mesa com ele, os professores Antônio Fernandes, Miguel Antônio Cairo Reis e Francisco Ivo de Oliveira.
Os objetivos são estes:
  1. aplicar conteúdos básicos da disciplina de Matemática à economia doméstica;
  2. entender a Estatística como um ramo da Matemática necessário à tomada de decisões; e
  3. promover o senso de responsabilidade para com a renda familiar.

Por meio disso, o corpo discente estudará porcentagem, razão e proporção, funções (construção e análise de gráficos) e planilhas eletrônicas.

Bem que a Matemática poderia publicar essa pesquisa em um jornal escrito pelos alunos de Língua Portuguesa. Dessa forma, as duas disciplinas seriam úteis às famílias dos próprios alunos, mostrando preços diferentes do mesmo produto.

Alguns dirão que não há nada de novo nisso. A questão, entretanto, não essa. A questão é que alguns fazem "o novo" e outros não o fazem, porque permanecem imóveis com os seus anacrônicos hábitos. É mais cômodo.

A FloresTania de ToinHo aLveS


Aprecio a palavra florestania ou o termo. Palavra não é o mesmo que termo. Conceito se opõe a termo e à palavra. E o que é palavra? O que é termo? E conceito?
Em uma certa noite, na varanda de sua arejada casa, ouvi Toinho Alves, o homem que talhou na árvore florestania. Depois dessa sonoridade, alguns falantes começaram a propagar florestania como conceito.
Ingênuo equívoco. Florestania não é conceito; florestania, senhores, é "neologismo".
E por que não é conceito ou categoria analítica? Que alguns repórteres não afirmem que se trata de conceito, porque, sem base, fala-se por falar.
Paixão é conceito. Família é conceito. Estado é conceito. Amor é conceito. Carnaval é conceito. Ordem é conceito. Ética é conceito. Educação é conceito. Estética é conceito. Subjetivação é conceito. Poder é conceito. Florestania não é conceito. Florestania é neologismo.

quinta-feira, novembro 30, 2006

- empatar em ou empatar por -

Na página de esporte, jornal A TRIBUNA, escrevia-se "empatado por 2 x 2". Falei com Paulinho. Ele passou a escrever "empatado em 2 x 2".
Consultando Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, registra-se o verbo "empatar" assim:
Igualar em tentos (um jogo).
"Igualar" ou "empatar". O Flamengo se igualou ao Vasco em 2 x 2.
Luft dá um exemplo:
"Igualar uma coisa ou pessoa a outra, com outra (em algo)". Quer dizer, o Flamengo se igualou ao Vasco em algo, no caso, no placar, qual seja, 2 x 2.
No Dicionário Prático de Regência Nominal, também de Celso Pedro Luft, encontra-se EMPATADO a. EMPATE s.m. com o seguintre exemplo:
"Jogo empatado com o maior rival (em zero a zero). Partida empatada de um a um. Empate honroso (em dois a dois) com o Flamengo."
No entanto, no Manual de Redação e Estilo, de Eduardo Martins, o autor diz:
"Use empatar por, e nunca 'empatar em', pois os adjuntos adverbiais de quantidade não admitem a preposição em. Repare que, se um time ganha ou perde por, também empata por. Da mesma forma, empate por ou empate de, e não 'empate em'."
E agora? Bem, como escreveu Nietzsche, não existe verdade; existem interpretações.
Celso Pedro Luft considera a preposição "em" a partir do verbo "empatar" no sentido de "se igualar".
Eduardo Martins, do jornal O Estado de São Paulo, segue outro caminho, o do advérbio de quantidade. Exemplo, "o Flamengo empatou com o Vasco pela quantidade de 2 a 2".
Reduzindo, escreve-se "o Flamengo empatou com o Vasco por 2 a 2 ou de 2 a 2.
Manual de Redação e Estilo, de Dad Squarisi, a autora concorda com Eduardo Martins. Como sigo as linhas do manual dele, devo optar por "empatou por" ou "empatou de".

quarta-feira, novembro 29, 2006

Maus-lençóis ou maus lençóis?

Hoje, na capa da TRIBUNA, publica-se "maus-lençóis".
Consultei os dicionários do Aurélio, do Houaiss e o da Academia Brasileira de Letras, além do manual ortográfico de Celso Pedro Luft, mas não encontrei o registro de "maus-lençóis".
No entanto, segui o texto de Celso Pedro Luft, escrito em Grande Manual de Ortografia Globo, que diz na página 133:
Condições para a hifenização em palavras compostas:
1.a) unidade semântica: significação global distinta da significação individual das parcelas.
Com essa observação, entendemos o porquê de "mau-olhado"; não encontrei, no entanto, "maus-lençóis".
Mau-olhado é causar melefício. Maus-lençóis é deixar "sem jeito", deixar em "situação perigosa", que se encontra "ameaçado".
Fiz a minha opção como fiz por "mesa-diretora".
Detalhes de um revisor.



O Mal - página 69



Há nomes que são eternos. Eu não sou. Você também não. Seremos pulverizados pelo tempo depois da missa de sétimo dia. Nós nunca existimos.
Mas meus olhos apreciam palavras eternas, a imensidão infinda de termos que dizem mais do que esta vidinha que levamos. Ler um ótimo autor, um dos maiores escritores do século 19, insulta a minha insignificante vida.
Leio para rir dos tolos, de mim, por exemplo. Leio, porque a realidade nada me diz. Assim, ele me diz "examinem a vida dos melhores e mais fecundos homens e povos e perguntem a si mesmos se uma árvore que deve crescer orgulhosamente no ar poderia dispensar o mau tempo e os temporais; se o desfavor e a resistência externa, se alguma espécie de ódio, ciúme, teimosia, suspeita, dureza, avareza e violência não faz parte das circunstâncias 'favoráveis' sem as quais não é possível um grande crescimento, mesmo na virtude? O veneno que faz morrer a natureza frágil é um fortificante para o forte - e ele nem o chama de veneno".
Fecho o livro. Amanhã, abraçarei a minha leitura como quem se entrega à amada - leitura, A Gaia Ciência, de Nietzsche.

terça-feira, novembro 28, 2006

Dinheiro Público

A imprensa acreana e o Sindicato da Educação permanecem indiferentes ao dinheiro público da escola.
As Redações acompanham a eleição da OAB, porque advogado tem mais importância do que educador. O sindicato, por sua vez, só se refere à educação quando o assunto é isonomia.
Paralelo a isso, gestores de escolas públicas permanecem impunes por suas péssimas e pseudo-administrações.
Para citar um exemplo, na escola Heloísa Mourão Marques, por causa de uma administração anterior, o dinheiro escolar foi bloqueado, mais de R$ 50 mil. Não pagaram os encargos sociais da fanfarra - mais de mil reais.
Na Assembléia, não há lei que puna o homem público (o diretor de escola ou o gestor escolar) que administra muito mal o dinheiro da população.
Faz campanha e, uma vez eleito, apresenta uma prestação "faz-de-conta". Candidata-se mais uma vez e perde a eleição. Sai da escola e deixa tudo nas costas de um futuro diretor sem que haja uma única punição contra o péssimo diretor escolar, porque não há lei no Estado para isso.
Se o governador administra mal, o TCE pune. O mesmo deveria ocorrer com este homem público: o diretor de escola.
Escola é mais importante que a OAB. Educação não é só isonomia. Dinheiro público é dinheiro público, seja no Poder Executivo, seja na escola.