Artigo
Quando reduzir não é simplificar: reflexão sobre a reforma ortográfica
Prof. Dr. Luiz Carlos Schwindt* O Brasil se prepara para implementar uma reforma ortográfica, fruto de um acordo entre países de língua portuguesa. Nascido na década de 90 e revigorado nos últimos anos, o projeto prevê a unificação da escrita nos oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Portugal, que se mostrava resistente nesta última fase, assinou recentemente o documento, sob acalorada discussão - já que a Reforma afeta de forma mais significativa a variedade lusitana do português do que a brasileira. Apesar disso, não se pode negar que ela tem importantes conseqüências também para os brasileiros.
Pode-se dizer que uma reforma ortográfica, em princípio, norteia-se por pelo menos dois objetivos: o de unificação e o de simplificação. Ainda que se possa criticar, por diversos ângulos, a validade da unificação oriunda da Reforma - seja porque ignora a variabilidade da língua falada, que tem inevitáveis reflexos na escrita, seja porque pode gerar um impacto econômico e político em certa medida desfavorável aos países envolvidos -, não há dúvida de que, oficialmente, com o Acordo, unificam-se as escritas. O aspecto, todavia, que quero problematizar brevemente aqui é a suposta simplificação. Essa questão - que toca diretamente aos lingüistas - foi banalizada, em meu entendimento, na construção desse projeto.
"Simplificar”, em Lingüística, quer dizer bem mais do que “diminuir”. O fato de se abolir um trema aqui, um acento ali não faz da língua escrita necessariamente mais simples. Quando se fala em linguagem, o termo “economia” precisa estar associado a “naturalidade”. Para entender com clareza essa idéia, basta pensarmos nas razões por que usamos um sistema alfabético. Esse sistema nasceu sob uma hipótese de pareamento entre sons e letras. Se tomarmos essa hipótese em isolado, podemos avaliar a eficácia de um sistema ortográfico na medida de sua aproximação com a língua falada. É claro que isso não é tão simples assim. Sabe-se que sistemas gráficos são de natureza estática, enquanto a língua falada é dinâmica, isto é, está sujeita a mudanças a qualquer tempo, independentemente de decisões provindas da boa ou da má vontade política de alguém. Todavia, essas naturezas distintas que individualizam fala e escrita, apesar de serem responsáveis pelo distanciamento entre elas, não afetam a natureza de sua relação, isto é, esses dois sistemas ensejam isomorfismo. Uma reforma – se necessária – deveria trabalhar na esfera dessa tensão.
Por limitações de espaço, vou tomar apenas dois aspectos do Acordo que podem exemplificar bem seu caráter pouco simplificador (para não dizer “complicador”): o fim do trema (lingüiça, que passa a linguiça) e a extinção do acento gráfico dos ditongos abertos em posição medial (retinóico, que passa a retinoico). Em relação ao trema, alguns poderiam dizer que há muito está em desuso em português. Não se considera, entretanto, que ele é responsável ainda por informar a um leitor aprendiz de português (o que vai desde um falante nativo se alfabetizando até um estrangeiro estudando nosso idioma) se o u é ou não pronunciado nas seqüências gu e qu seguidas de e ou i. Em relação aos ditongos abertos, a questão é ainda mais séria. A proposta falha por falta de uniformidade e por negligenciar o aspecto fonético. Perde uniformidade ao determinar a eliminação do acento nas paroxítonas mas sua manutenção em posição final. Assim, herói será acentuado, enquanto heróico não. Falha também por ignorar que o diacrítico em ditongos abertos traduz mais do que tonicidade – ele é, sobretudo para a variedade brasileira do idioma, também um indicativo de timbre, ou seja, as pessoas sabem, a partir dessas marcas, que a pronúncia de é e ó deve ser aberta. Nessa relação de complexificadores, poderíamos ainda citar alguns aspectos referentes às mudanças no uso do hífen e ao tratamento que será dado às palavras com consoantes não-pronunciadas.
Com esses argumentos, não quero imprimir uma postura anti-reformista de base; pelo contrário: entendo que reformas em sistemas estáticos são necessárias, muitas vezes, para acompanhar a evolução dos setores dinâmicos. O fato é que convivemos com um sistema gráfico muito complexo (em oposição, no que se refere à acentuação gráfica, por exemplo, à escrita do inglês). A questão primordial é, pois, atacar o problema, isto é, o único modo de se reduzir complexidade é com uma proposta de simplificação - que leve em conta economia e naturalidade. Isso não enxergo de pleno na reforma proposta.
* Departamento de Lingüística, Filosofia e Teoria Literária - Insituto de Letras
sábado, agosto 02, 2008
Reforma Ortográfica
A USP é a 113º no mundo
1
Universidad Nacional Autónoma de Mexico
2
Universidade de Sao Paulo
3
Universidade Estadual de Campinas
4
Universidad de Chile
5
Universidade Federal do Rio de Janeiro
6
Universidad de Buenos Aires
7
Universidade Federal de Santa Catarina Brasil
8
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
9
Tecnológico de Monterrey (Note 22)
10
Universidade Federal de Minas Gerais
11
Universidade de Brasilia
12
Universidad de Concepcion
13
Universidade Estadual Paulista
14
Universidade Federal do Parana
15
Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro
16
Universidad de Guadalajara
17
Universidade Federal da Bahia
18
Universidad Autónoma Metropolitana
19
Universidad Nacional de la Plata
20
Universidad de los Andes Merida
21
Universidad de Puerto Rico Mayaguez
22
Pontificia Universidad Católica del Peru
23
Universidad Nacional de Colombia
24
Universidade Federal de Pernambuco
25
Universidade Federal Fluminense
26
Universidad de Costa Rica
27
Universidad de Antioquia
28
Universidad de los Andes
29
Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
30
Universidad de Puerto Rico
31
Universidad Autónoma del Estado de Mexico
32
Universidad del Valle
33
Universidad Central de Venezuela
34
Instituto Politécnico Nacional
35
Universidad Nacional Mayor de San Marcos
36
Universidad Tecnica Federico Santa Maria
37
University of the West Indies
38
Universidade Federal do Ceara
39
Pontificia Universidad Javeriana
40
Universidade Federal de Santa Maria
41
Universidad Nacional de Cordoba
42
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
43
Universidad Michoacana de San Nicolas de Hidalgo
44
Universidad Simon Bolivar Venezuela
45
Universidad de Talca
46
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
47
Fundacao Getulio Vargas
48
Universidad Interamericana de Puerto Rico
49
Centro Universitario Senac Servico Nacional de Aprendizagem Comercial
50
Universidad Autónoma de Nuevo Leon
51
Centro de Investigacion y de Estudios Avanzados
52
Pontificia Universidad Católica de Valparaiso Fundacion Isabel Caces de Brown
53
Universidad de las Americas Puebla
54
Universidad de Santiago de Chile
55
Universidad de Colima
56
Universidade Federal de Sao Carlos
57
Universidade Federal de Sao Paulo
58
Pontificia Universidade Católica de Sao Paulo
59
Universidad Iberoamericana
60
Universidad Veracruzana
61
Universidad Tecnologica Nacional
62
Universidad Nacional del Nordeste
63
Universidade do Vale do Rio Dos Sinos
64
Escuela de Administracion Finanzas y Tecnologia Medellin
65
Pontificia Universidade Católica do Campinas (Note 41)
66
Universidad Autónoma de Chihuahua
67
Universidad Nacional de Rosario
68
Universidade Federal do Para
69
Universidad de Sonora
70
Instituto Tecnologico Autonomo de Mexico
71
Universidade de Fortaleza
72
Universidad Austral de Chile
73
Universidade Federal de Goias
74
Universidad Autónoma de Baja California
75
Universidade Federal da Paraiba
76
Colegio de Mexico
77
Universidad Autónoma de Puebla
78
Universidade Federal de Vicosa
79
Centro de Investigacion y Docencia Economicas
80
Universidade Estadual de Maringa
81
Universidade Regional de Blumenau
82
Universidade Federal de Uberlândia
83
Universidad Católica Argentina
84
Universidad del Salvador Buenos Aires
85
Universidade Estadual de Londrina
86
Universidade Metodista de Sao Paulo
87
Pontificia Universidade Católica do Parana
88
Universidade de Caxias do Sul
89
Universidad Autónoma de Ciudad Juarez
90
Universidad de la Habana
91
Universidad del Bio-Bio
92
Universidade do Estado de Santa Catarina
93
Universidad Tecnica Particular de Loja
94
Universidad Nacional de Cuyo Mendoza
95
Universidad Nacional del Sur
96
Universidad Diego Portales
97
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
98
Universidad Nacional del Litoral
99
ITESO Universidad Jesuita de Guadalajara
100
Universidad Francisco Marroquin
Ganhamos 5 vezes a Copa do Mundo
Massachusetts Institute of Technology
Harvard University
Stanford University
University of California Berkeley
Pennsylvania State University
University of Michigan
Cornell University
University of Minnesota
University of Wisconsin Madison
University of Texas Austin
University of Illinois Urbana Champaign
University of Pennsylvania
University of Washington
Carnegie Mellon University
Columbia University New York
Purdue University
University of California Los Angeles
University of Florida
University of Chicago
University of Maryland
University of Arizona
Texas A&M University
Georgia Institute of Technology
Virginia Polytechnic Institute and State University
Princeton University
University of Cambridge
Michigan State University
University of Toronto (Note 1)
University of North Carolina Chapel Hill
Rutgers University
New York University
Swiss Federal Institute of Technology Zurich
Indiana University
University of California San Diego
University of Southern California
North Carolina State University
Duke University
University of Colorado Boulder
Johns Hopkins University (Note 2)
California Institute of Technology
University of Pittsburgh
Australian National University
University of Helsinki (Note 3)
Yale University
University of Virginia
University of California Davis
University of Oxford
Washington University Saint Louis
University of British Columbia
University of Calgary
Somos pentacampeões no futebol
USP é a 113ª melhor do mundo, diz pesquisa
FÁBIO TAKAHASHIda Folha de S.Paulo
A USP foi considerada a 113ª melhor universidade do mundo em um ranking divulgado ontem por um órgão de pesquisa do governo espanhol. A escola de São Paulo subiu 15 posições em relação a 2007.
Entre as 200 mais bem posicionadas do mundo, a instituição foi a única brasileira citada.
Um dos principais indicadores avaliados pelo ranking, chamado de "Webometrics Ranking of World Universities" (Ranking Mundial de Universidades na Web, em tradução livre), é o número de acessos, via internet, dos artigos produzidos pelas escolas.
Com o mecanismo, o Conselho Superior de Pesquisas Científicas --vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia espanhol-- busca quantificar a relevância da produção das instituições universitárias.
Após a USP, as instituições brasileiras mais bem posicionadas são a Unicamp (212ª) e a UFRJ (federal do Rio de Janeiro, em 330º).
As 25 melhores da lista são norte-americanas. MIT, Harvard e Stanford ocupam as melhores posições. Foram analisadas 15 mil escolas no mundo todo, e 4.000 foram ranqueadas.
A melhor latino-americana foi a Universidade Autônoma do México (51ª).
Diversas instituições fazem rankings de universidades. Os mais tradicionais são o da Universidade de Jiao Tong (China) e das publicações "US News & World Report" (Estados Unidos) e "Times" (Inglaterra).
Um dos objetivos dessas listas é indicar aos melhores alunos as melhores instituições para se estudar.
Internacionalização
A reitoria da USP atribuiu a subida no ranking à preocupação da universidade em se internacionalizar, por meio de intercâmbio de alunos e professores, além de convênios com instituições do exterior (atualmente, há 326 vigentes).
Segundo a pesquisadora da USP Elizabeth Balbachevsky, o ranking demonstra que as instituições brasileiras de ensino superior têm baixo grau de inserção na comunidade científica mundial (apenas a USP ficou entre as 200 da lista).
"O Brasil está produzindo mais cientificamente, mas de forma insular. É pequeno o número de pesquisadores brasileiros em redes internacionais. Assim, poucos conhecem as universidades brasileiras."
Segundo Balbachevsky, um dos problemas da baixa internacionalização da produção científica do país é a perda de investimentos estrangeiros.
"Temos mais doutores na área da ciência da informática do que a Índia. Porém, enquanto a Índia capta quase um quarto de todo o investimento internacional na área, a situação brasileira é quase pífia."
sexta-feira, agosto 01, 2008
Só isto
Brevíssima reflexão de Franz Kafka.
quinta-feira, julho 31, 2008
Uma poesia para umedecer teus olhos
_________________________
Há Poetas que são Artistas
E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...
Que triste não saber florir
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um
E ver se está bem, e tirar se não está
Quando a única casa artística é a Terra
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira
E olho para as flores e sorrio
Não sei se elas me
Nem sei eu as compreendo a elas
Mas sei que a verdade está nelas e em
E na nossa comum
De nos deixarmos ir e viver pela
E levar ao solo pelas Estações
E deixar que o vento cante para
E não termos sonhos no nosso sono.
quarta-feira, julho 30, 2008
A uma reitora
Na semana passada, meus olhos reviram folhas processuais, um documento forjado por alguns falsos intelectuais da Universidade Federal do Acre. De 1992 a 1997, lecionei no Departamento de Letras e, antes de sair pela porta da frente, contratei os serviços dos advogados Gomercindo Clovis Garcia Rodrigues e Carlos Antônio Brito Marques para limpar minha pasta funcional.
Nessas folhas, registram-se absurdos, acusações insólitas, arbitrariedade de velhacos que se julga acima de procedimentos equânimes das instituições. Para se ter idéia dessa comicidade barnabeniana, fui processado por lecionar A República, de Platão, em Literatura Infantil.
Nem todos, entretanto, igualam-se na Faculdade de Letras, porque alguns professores não são doutores para tramar. Existem acreanos com elevado espírito público e com um caráter que dignifica o gesto humano. Poderia citar alguns nomes, mas, em período eleitoral, reconheço o nome da professora-doutora Olinda Batista Assmar.
Mas quem sou para escrevinhar sobre a futura reitora da Universidade Federal do Acre? Na época de processo forjado, um mero professor substituto, algo sem importância, uma individualidade que poderia ter sido desdenhada pela professora-doutora Olinda, porque, com seu nome consolidado na Universidade Federal do Acre, sua assinatura poderia estar em documentos contra mim; entretanto, ao procurar seu nome em folhas desse passado, eu não o encontro.
Não existe assinatura de Olinda Batista Assmar em nenhum processo contra mim. A pergunta é pertinente: por quê? Ora, certos doutores não perdem tempo tramando com a súcia; certos doutores pesquisam, produzem conhecimento. Olinda tem legado. Em seus 30 anos de Universidade, essa dama acreana publicou mais de 104 títulos em livros, em anais de congressos, de simpósios, de seminários, de mesas-redondas, de conferências. Seu título de doutora, portanto, não é ornado com plumas e paetês.
Seu título, no entanto, torna-se menor quando comparado ao seu caráter. Ao falar, não sentimos o mau hálito da arrogância, da prepotência, mas a expressão de uma funcionária pública que não trama com a finalidade sádica de perseguir colegas de profissão e muito menos se submete a intrigas. Ela não usa máscaras, olha no olho e diz.
Candidata à reitora em outra oportunidade, dediquei-me à sua campanha e muito vezes ouvi de alguns tolos que Olinda pertencia à direita. Conheço pessoas de esquerda que não têm a moral e o zelo pela coisa pública como Olinda Batista Assmar.
Hoje, mais de dez anos depois, escrevo este texto como forma de reconhecer uma ex-colega de trabalho que, em mais de uma assembléia departamental, colocou-se não a favor de mim, mais a favor de procedimentos corretos dentro de uma instituição de ensino superior. Sabemos que uma súcia de barnabés não pode se apropriar de parte de uma universidade pública como se fosse o quintal de sua casa ou o terreiro de quimbanda de um babacalorixá.
Sei que este texto é muito pouco, mas minhas palavras não são pequenas como são os canalhas. Não cheguei a este Estado ontem. O tempo não pára. Sou menos desconhecido do que 16 anos atrás. Hoje, jovens que foram meus alunos no ensino médio estudam na Universidade Federal do Acre e, quem sabe, lêem minhas palavras agora. A eles, peço que votem na chapa Olinda-Pascoal como gesto que reconhece dois doutores que buscam o poder não como vaidade pessoal, mas buscam o poder para servir melhor à sua Pátria, ao seu Estado e aos seus semelhantes.
Ronda Gramatical
Em nossas redações de jornal, copia-se o que está escrito em além-livro. Se na Globo escreve-se “super cine”, nosso jornalista copia. Se está escrito “pronto socorro”, ele copia na matéria. Se compra um xampu com “anti-caspa”, ele copia “anti-caspa”. Se está escrito “Mega-Sena”, ele copia “Mega-Sena” na reportagem. Se está escrito “stand”, ele copia. Se está escrito “skate”, ele repete em seu texto jornalístico. Se abastece o carro no “auto posto”, o repórter leva essa grafia para o jornal. Se vai preparar um misto quente em um “mini grill”, reproduz como está escrito no aparelho. Isso significa que somos pautados graficamente por produtos de supermercados, por casas lotéricas, pela TV, pelas palavras espalhadas nas ruas. Na condição insignificante de péssimo revisor, queimei minhas gramáticas. A escrita correta encontra-se nas casas lotéricas, no xampu (ou será shampoo?).
terça-feira, julho 29, 2008
A CUT e 3%
"Se você for somar os 5o centavos de todos os funcionários da educação, vai dar uma grana boa", disse. "Eu quero meu dinheiro."
O presidente do Sindicato dos Trabalhahdores da Educação do Acre, Manoel Lima, até o momento, não disse algo sobre isso.
Por falar no presidente, eu peço que não me perturbe com suas paralisações infecundas; deixe-me trabalhar em paz. Não sou filiado ao Sinteac, mas, a cada ano, o sindicato tira de meu bolso a injusta contribuição sindical do meu bolso.
A CUT é favorável ao imposto sindical e, o que é pior, foi a favor de que a grana dos sindicatos não fosse submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Só espero que o presidente, antes de sair do Sinteac, submeta o sindicato a uma auditoria séria.
Açeçôr di Inprençá
________________________________________
Impossível corrigir o jornal A TRIBUNA todinho. Muito texto e pouco tempo para um infeliz só. Os textos do governo são publicados como escrevinham.
Escrever "de 20 de outubro à 20 de novembro" passa a péssima imagem de uma assessoria. O governo deveria zelar pela língua portuguesa.
segunda-feira, julho 28, 2008
É proibido rir do poder
No domingo, achei algumas charges que furtei do Braga. Nesta, o velho Narciso recebe os traços de um político primata, homem público sem noção do que seja civilização. Braga me disse certa vez que Narciso nunca o processou por isso.
Depois da esquerda no poder, ficou proibido o riso político no Acre. Acabaram-se as charges. "Somos muito perfeitos para que o riso nos deforme", diz o poder.
Marta Suplicy, candidata à prefeitura de São Paulo, não cede entrevistas ao CQC. Chamado de "filhote da ditadura", Paulo Maluf sempre se permite ser ironizado pela trupe de Marcelo Tas.
Na década de 80, Henfil propagava a idéia de um PT que sabia rir. Um PT criativo. O poder seduz.
sábado, julho 26, 2008
LÍNGUA
DA FOLHA ONLINE
O acordo ortográfico será adotado definitivamente pelo Brasil "no máximo em 2011 ou 2012" disse nesta sexta-feira à Agência Lusa o ministro da Educação, Fernando Haddad.O ministro, que falava à imprensa na entrada da 7ª reunião de cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), afirmou que, nos próximos 30 dias, o decreto presidencial sobre o acordo ortográfico estará sob consulta pública, antes de ser publicado oficialmente em setembro ou outubro.
Escola
Como é difícil transformar uma escola pública acreana. À margem da imprensa e sem visibilidade, a escola ainda permanece emudecida, por exemplo, na Assembléia Legislativa, lugar em que a educação deveria estar submetida a grandes debates, a grandes idéias educacionais.
Hoje, com a professora-gestora Osmarina, tenho a mais absoluta convicção de que a escola pública depende de um gestor compromissado com o erário. Um administrador que, primeiro, trabalhe para, aí sim, exigir dos outros trabalho. Gestor público deve dar exemplo.
Em administrações anteriores, professor de Educação Física não trabalhava, mas, todo mês, sem desconto, seu dinheiro estava na conta. Conversando com um funcionário, ele me disse que havia funcionário de apoio que aparecia na escola a cada 15 dias. Diretores sabiam, mas como poderiam cobrar se ficavam mais de 30 dias sem pisar na escola?
Acordos escusos com tais funcionários eram feitos antes da eleição para que a preguiça e o descaso "educassem" o cinismo de alguns. Por tais acordos, ganhavam dobra pós-eleição. Para quem abre muito a boca contra o incorreto em uma unidade de ensino, lecionar em uma escola pública no Acre ainda é muito difícil quando se tem a infelicidade da pseudodemocracia escolar votar em um candidato compromissado com o dinheiro que recebe como diretor, com a falsidade, com a arbitrariedade, com a preguiça.
A democracia escolhe, mas nem sempre escolhe o melhor.
Quem muda a escola é a direção, é um gestor, é sua equipe. Heloísa Mourão Marques está se transformando aos poucos para o que é melhor, e o melhor é debater boas idéias em uma reunião com todos, aprová-las conforme a maioria e executá-las com paixão e com disciplina.
Nestas eleições municipais, mais uma vez, as falas da oposição desqualificarão, por exemplo, o tema educação. A oposição acreana não é útil nem para a democracia.
sexta-feira, julho 25, 2008
Seios, de Cruz e Sousa
Das árvores do Mal fascinadoras,
Das negras mancenilhas tentadoras,
Dos vagos narcotismos venenosos.
Oásis brancos e miraculosos
Das frementes volúpias pecadoras
Nas paragens fatais, aterradoras
Do Tédio, nos desertos tenebrosos…
Seios de aroma embriagador e langue,
Da aurora de ouro do esplendor do sangue,
A alma de sensações tantalizando.
Ó seios virginais, tálamos vivos
Onde do amor nos êxtases lascivos
Velhos faunos febris dormem sonhando…
quinta-feira, julho 24, 2008
Paixão para Lecionar
Perceber o choque entre clássicos e romântico-expressionistas.
Os livros: Álbum de Família e Rebeldes. Neste, um bando de adolescentes que encarnam uma Hungria destruída pela guerra até que suas vidas são transformadas pela arte. Naquele, a destruição, a violência, a total ausência da compaixão, do amor, do sagrado, ou seja, oposto aos dois filmes e ao outro livro.
Rebeldes será lido em sala e, além da interpretação, os alunos farão anotações gramaticais no texto. Álbum de Família será lido por eles em casa por um grupo de quatro alunos.
Além do trabalho escrito à mão, haverá prova oral para confirmar se sabem ou não sabem o que escreveram no trabalho. Esse tipo de procedimento foi determinado pelo Conselho de Disciplina de Língua Portuguesa.
segunda-feira, julho 21, 2008
Mictório
Podemos até adiantar uma hora, mas ainda permanecemos atrasados quando o assunto é circuito cultural. Podemos construir uma estrada em direção ao Pacífico, só que não estamos na rota do cinema nacional e muito menos na rota do teatro brasileiro e das exposições de arte.
Só agora, após 91 anos, os brasileiros puderam estranhar a arte de Marcel Duchamp [1887-1968] no Museu de Arte Moderna de São Paulo, espaço cultural que fica em meio à paisagem criada pelos jardins de Burle Marx, dentro de um parque projetado por Oscar Niemeyer.
O Masp recebeu uma das obras mais famosas de Duchamp, Fonte, de 1917, exposta pela primeira vez em Nova York, assinada com o nome R. Mutt. Trata-se de um mictório, isso mesmo, um objeto industrial por si mesmo na condição de arte. Quando afirmou na época estar “mais interessado nas idéias do que no produto final”, Duchamp tinha indicado uma trilha para pensarmos sobre Fonte
Mas que idéia existe de expor um mictório como obra de arte? O que vejo é que diante de nós não há mais a criação, mas a fabricação de um objeto como arte, mas, retirado do seu habitat natural ou normal, o banheiro masculino, provoca em nós estranhamento. Representante da arte pop, Andy Warhol também deslocou objetos do seu habitat natural para que pudéssemos estranhar o que seria normal, no caso de Marcel Duchamp, em um banheiro masculino. No Museu de Arte Moderna, o mictório não é mais familiar, mas é idéia que nos faz estranhar o que é normal, um objeto
Vivemos cercados de objetos, o processo industrial deposita em nós o desejo de consumi-los, a própria pornografia não deixa de ser uma fábrica de gozo na linha de montagem. No mundo das fábricas, há tão-somente a função do objeto, por isso o mictório - Fonte faz lembrar formas de uma mulher, mas como depósito da borra masculina
Quem ousaria urinar na arte de Rodin [1840-1917] ou de Camille Claudel [1864-1943]? Mas, na obra de Marcel Duchamp, o convite foi feito. Divisor de duas estéticas, existe obra de arte ante e depois de Duchamp. Hoje, depois de Fonte, arte não é para ser contemplada – ela é descartável, é coisa, objeto
Já que esse franco-americano expôs um objeto, sugiro aos teus olhos, leitor(a), a provocante leitura de “O sitema dos objetos”, de Jean Baudrillard. Debruce tuas pupilas sobre esse livro e saia dele, se for capaz, com outra noção do que seja uma rede de objetos
Ronda Gramatical
Ontem, às 23h23, a jornalista Anacréia apareceu morta na redação de um jornal acreano com um objeto direto cravado no cérebro. Segundo peritos gramaticais, antes da repórter morrer, houve uma briga no ambiente de trabalho entre ela e Regência Verbal.
“Anacréia sempre insultava Regência com ‘implicava em’ todo dia”, conta um colega de trabalho. “Mas ontem Regência perdeu a paciência.”
Quando Anacréia acabou de copiar um texto da internete e coloca seu nome, Regência Verbal atingiu seu cérebro com um objeto direto, mas, antes do golpe gramatical fatal, Regência expeliu seu ódio.
“Tome, sua maldita, não se usa preposição quando o verbo ‘implicar’ tem sentido de ‘dar a entender’”.
No IML, constatou-se algo de que se desconfiava: a jornalista era anencéfala. No sepultamento, no lugar de flores, amigos jogaram gramáticas em seu túmulo.
quinta-feira, julho 17, 2008
Dizem que sou louca por eu ser assim
segunda-feira, julho 14, 2008
Indeferida
sábado, julho 12, 2008
Transparência escolar
Quando disse à gestora Osmarina colocar um sítio da escola Heloísa Mourão Marques na internete, a única e absoluta intenção foi proporcionar a uma instituição pública isto: transparência.
A escola deve, por causa de uma democracia ética, expor o que ela pensa, por exemplo, no Conselho Escolar. Com os avanços tecnológicos estão aí, o conselho deve ser filmado para, em um sítio da escola, um pai acessá-lo por meio da internete. Alunos e pais precisam ver e ouvir o que ocorre em um conselho, o mesmo para conselhos de disciplina e de turma.
Hoje, em uma reunião escolar, a gestora foi filmada quando falava aos professores. Essa filmagem será colocada neste blog.
Osmarina confirmou que em 2009 a escola terá um sítio na internete para colocar toda informação sobre a escola. Nesse sítio, professores poderão hospedar seus blogs, seus projetos. Criaremos um jornal virtual, jornal escrito pelos alunos.
sexta-feira, julho 11, 2008
Veio da Ufac
"A UFAC, mais uma vez, vive um momento ímpar de sua história. A disputa eleitoral entre uma pessoa altamente preparada, qualificada, humana, profissional, acadêmica por excelência, com um adversário da pior qualidade, uma pessoa que empobrece o ambiente universitário e diminui a espécie humana quando se diz humano."
Forte. Professor-doutor, como não sou amante de injustiças, escreverei um texto como tributo ao seu imaculado nome. Serei lacônico como navalha.
Todo dia, penso neles, inclusive, em vós, e vós não fazeis idéia do orixá que me acompanha. Sabeis, "meu amigo", que, igual a Fausto, o de Goethe, também faço meus pactos. O mal que pulsa em mim, por causa de certos elementos, indivíduos, de ti, perpetua-se para muito além da carne. Como está escrito na Bíblia, tudo tem seu tempo.