terça-feira, março 24, 2009

Escrever & Reescrever


Professores são unânimes:
treino é o caminho seguro para uma boa redação

Ana Okada
Simone Harnik
Em São Paulo

Muitos estudantes se prendem a diversas regras na hora de escrever redações para o vestibular mas se esquecem de algo fundamental: a escrita. Leitura, conhecimentos de gramática e de atualidades ajudam muito na hora de redigir um texto, mas só o treino é que faz com que o estudante domine as técnicas para poder expressar suas idéias com precisão.

"Podemos comparar a escrita à habilidade de tocar violão: ninguém diz que é um bom instrumentista sabendo só a teoria musical, é necessário ter a prática", explica o professor Eduardo Antonio Lopes, do cursinho Anglo, em São Paulo.

Unanimidade: treino é o caminho seguro para uma boa redação, dizem professores
professora Célia Passoni, do cursinho Etapa, em São Paulo, também ressalta a importância do treino para a escrita e diz que não há segredo ou milagre na hora da redação:

"Não dá para o estudante achar que vai 'baixar um santo' na hora de escrever. Redação é treino: é preciso exercitar com vontade".

Como estudar redação?
Os professores aconselham os estudantes a verificar os temas das redações dos vestibulares dos anos anteriores e as melhores redações dos aprovados:

"Os exemplos respondem nossas dúvidas. Eles nos mostram, por exemplo, que não há um padrão para colocar parágrafo, mas também que é impossível haver um texto sem divisões", salienta Lopes. Ele ressalta que a redação serve para avaliar se o candidato tem "maturidade a ponto de mostrar um texto autoral; e não um texto que foi feito 'por acaso'".

Lopes afirma que uma boa redação depende de três fatores: da leitura da proposta, do repertório linguístico e do repertório de conhecimentos do aluno. Antes de começar a escrever, é preciso primeiro ter clareza de qual é a discussão da proposta e de qual é a tese que o estudantes vai defender.

Só assim o texto terá progressão, conceito definido pelas seguintes condições: remissividade (o texto deve remeter a elementos anteriores, sem repeti-los), complementaridade (deve acrescentar informações relevantes) e direcionalidade (todos os elementos do texto devem se dirigir à conclusão).

Para saber como lidar com todos esses pré-requisitos, o vestibulando pode estudar as estratégias adotadas nas melhores redações, propor novas soluções e se expor a diferentes modelos de texto. Lopes acredita que o ideal seria o estudante fazer uma redação por semana e dá-las a um leitor critíco para avaliá-las:

"Deve ser alguém que consiga identificar se o texto está de acordo com a proposta, se tem coerência e coesão etc. Não precisa ser um professor, pode ser um colega".

O que é necessário?
Com o texto em mente, o estudante deve adequá-lo à forma da redação, que pede os seguintes requisitos:

Título: deve ser centralizado. Pular linha é opcional;
Tamanho: cerca de 30 linhas, que podem ser divididas em um parágrafo de introdução, dois ou três de desenvolvimento e um de conclusão;
Grafia: o texto deve ser legível;
Similaridade: o ideal é que os parágrafos inicial e final tenham o mesmo tamanho;
Coesão: as partes do texto devem sustentar a conclusão;
Coerência: as parte do texto deve estar ligadas.

Para a professora Célia, o estudo de todas as disciplinas também contribui bastante para uma boa redação:

"A redação é interdisciplinar. Candidatos que têm certa abrangência de conhecimentos conseguem, com mais facilidade, embasar seus argumentos com exemplos e citações, como podemos ver nos exemplos das melhores da Fuvest".

Onde está a LÍNGUA (da) Portuguesa?


Hoje, continua um curso da Secretaria de Educação do Estado para professores de LÍNGUA Portuguesa.

Das outras vezes, estive em algumas aulas... muito ruins. Doutores de outros estados recebem muito bem para lecionar aulas tão inexpressivas sobre a disciplina LÍNGUA portuguesa na rede pública de ensino.

Dinheiro público que não retornará em forma de qualidade nas salas de auka. Existe um problema na rede pública de ensino muito sério; entretanto, como a educação acriana passou por uma revolução, não há mais problema, não é verdade? Sinplac e Sinteac, por sua vez, são sindicatos que não sabem se organizar para propor e exigir qualidade de ensino de LÍNGUA portuguesa.

Mas, por mais que a educação acriana tenha melhorado, problemas permanecem, um deles: gestão. Inútil haver um curso para professores - e esse modelo de curso deve ser repensado - se o atual modelo de administração é um erro.

Pensei em marcar um suicídio para não comparecer a esse anencefálico curso. Revólver, corda ou veneno para rato? Acho que usarei um objeto direto preposicionado em meu coração.

segunda-feira, março 23, 2009

"Acreano", uma mentira morfológica


“Acreano” foi uma mentira morfológica
escrita tantas vezes que acabou virando verdade.

De Aldo Nascimento


Em 20 de março de 2009, em uma sala da Assembleia Legislativa do Acre, representantes da Academia Acreana de Letras, das Faculdades de Letras e de História da Universidade Federal do Acre, das Fundações Culturais Garibaldi Brasil e Elias Mansour, da Biblioteca Pública Estadual, do Sindicato dos Jornalistas, do governo do Estado, da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa do Acre reuniram-se para formalizar uma contestação contra a supressão de “acreano” no Acordo de Ortografia Simplificada entre Brasil e Portugal para a Lusofonia.

Uma reunião por causa de uma palavra. Em Antônio Houaiss e em Aurélio, habitam as palavras “acriano” e “acreano”. Se meu aluno quiser escrever “acriano” em sua redação, ele tem o apoio de dois dicionários embora “acreano” prevaleça nos jornais, nos documentos, na comunidade linguística local. Todos podem escrever “acreano”; porém, ao consultar Houaiss, Aurélio ou Celso Pedro Luft, meu aluno escreve “acriano”.

Se esses autores consagrados confirmam “acriano”, não importa se a maioria impõe a grafia “acreano”. Até 31 de dezembro de 2012, as duas grafias permanecerão; depois, somente “acriano”.

A professora-doutora Luísa Galvão Lessa, pessoa por quem tenho a mais sincera admiração, disse-me que, “em termos de linguagem, o uso consagra a forma”. Concordo, mas faço uma concessiva: embora o uso tenha consagrado a forma “acreano”, eu, diferente da comunidade linguística, posso escrever “acriano” por discordar da maioria.

Ora, a maioria não sabe o que Antônio Houaiss, Aurélio e Celso Pedro Luft sabem. Para mim, neste caso, não está em jogo “o uso que consagra a forma”, mas o saber de estudiosos renomados que não consagrou o uso “acriano”. Opto, portanto, não pelo uso que consagra a forma, mas opto pelo saber erudito de autores tão bem ignorado pela maioria.

Por que se registra arque-ano e não arqui-ano ? Bem, a palavra derivante é “Arqueu” e, por haver nela um ditongo tônico com base -e- (-eu), o -e- permanece no radical: “arque + ano”. Isso ocorre também quando a silaba tônica do derivante é -e, por exemplo, “Daomé”, por isso registramos “daome-ano”. Coreano ou coriano? Porque a lei morfológica que rege “Arqueu” e “Daomé” também reina em “Coreia”, escreve-se “coreano”.

Quem nasce em “Cabo Verde” é “cabo-verdeano” ou “cabo-verdiano”? Nesse caso, como o derivante “Cabo Verde” tem a sílaba tônica “ver-”, o -e- não permanece no radical da palavra derivada, havendo em seu lugar uma vogal de ligação: “cabo-verdiano”. Esse mesmo fenômeno ocorre com a palavra “Acre”. A sílaba tônica é “A-cre” e, dessa forma, por ser átono o -e- de “Acre”, ele não permanece no radical da palavra derivada, havendo a vogal de ligação -i- para acomodar o radical “Acr-” ao sufixo “-ano”: “acriano”.

O fenômeno morfológico que há em “acriano” é o mesmo que ocorre em “comtiano” (Comte), em “açoriano” (Açores), em “ciceroniano” (cicerone). No hino do Estado, entretanto, registrou-se “acreano”, o que para mim representa um erro, porque, por ser hino oficial, deveria prevalecer a forma clássica, erudita, ou seja, o uso vernáculo. Por se tratar de um texto poético que representa o ideal do Estado, a palavra tem o dever cívico de ser lapidada pelo saber erudito.

Divergindo de Francisco Mangabeira, autor da letra do Hino Acriano, o Acordo de Ortografia Simplificada, em sua Base V - Das vogais átonas -, levou em consideração “o sufixo misto de formação vernácula -iano”, ou seja, prevaleceu a etimologia (etimon: o verdadeiro). “Acreano” foi uma mentira morfológica escrita tantas vezes que acabou virando verdade. O uso [errado] consagrou a forma [errada].

Tantas instituições reunidas por causa de uma mentira morfológica, tantos preocupados com uma só palavra. Muito mais do que uma palavra isolada, essas instituições deveriam se reunir contra palavras erradas em redações escolares, contra um sistema público de língua portuguesa que permite o aluno de ensino médio escrever como se estivesse no início do ensino fundamental.

Mais: a Assembleia Legislativa deveria se pronunciar contra deputados que escrevem errado em seus blogues (sim, aportuguesei). O Sindicato dos Jornalistas deveria se colocar contra faculdades que formam alunos sem conhecimento elementar de um bom texto. O governo do Estado deveria corrigir assessores que publicam vergonhas gramaticais.

Lutar contra uma palavra é mais fácil.

sexta-feira, março 20, 2009

Tensão ou tenção?

Minha escrita não representa a "pureza" gramatical, longe disso, mas procuro sempre deixar neste pouco lido blog um texto que não envergonhe a LÍNGUA portuguesa. Procuro expor meu pensamento sem erro gramatical; porém, ainda sim, eles escapam por entre meus dedos.

Sou imperfeito e gosto quando apontam minhas imperfeições gramaticais.

Soube que o deputado estadual Edvaldo Magalhães, do PC do B, insiste na ideia de que "tencionamento" é uma palavra correta em seu blog.

Em seu texto, conforme o significado do parágrafo, não cabe a palavra "tenção" (intenção, devoção, tema, assunto ou briga) mas "tensão" (pressão, difícil, preocupante).

Posso estar errado? Ele escreveu:
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"A vantagem do não tencionamento eleitoral é contrabalançada com o rigor da cobrança por parte dos que terão muita energia a gastar apenas com a vigilância oposicionista."
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No texto, está clara a ideia de "pressão", ou seja, de "tensão". Além disso, esse "tencionamento" foi mal usado como advérbio.


quinta-feira, março 19, 2009

"Pai, já estou no México"


Segundo GABRIELA GUERREIRO, da Folha Online, em Brasília, "Viana restituiu ontem o Senado pelo gasto feito por sua filha com um celular da Casa na viagem que ela fez ao México, nas primeiras duas semanas de janeiro deste ano. O parlamentar se recusou a informar o valor da conta".

Em outros tempos, nunca pensaríamos que parlamentares do PT abusariam do erário, porque uma marca do Partido dos Trabalhadores sempre foi a diferença. Foi. O senador sabe que errou e assumiu. No PT, desde que chegaram ao poder, muitos erraram quando usaram dinheiro público.

O senador oculta o que deveria ser público. O poder seduz. Como homem público, o senador deveria informar à democracia que o elegeu o valor da conta de telefone.

Copa de 2014 em Rio Branco

No sítio da Fifa











O governo do Estado do Acre torce para que jogos da Copa do Mundo ocorram em Rio Branco. Segundo o mapa da Fifa, haverá jogos em Rio Branco sim, mas só que não será no Acre, você entendeu?

Novelas da Globo empacam no ibope

De Ricardo Feltrin
Colunista do UOL

Outra grande aposta da Globo que até agora não impressiona no ibope é "Caminho das Índias", de Gloria Perez. Seus últimos capítulos têm registrado no máximo 36 pontos. Ontem chegou a cair para 34. Claro que são obras longas, que podem disparar de uma hora para outra, dependendo da criatividade de seus autores. Mas criatividade não é o que se tem visto nas obras desses dois novelistas. Um voltou ao tempo de "Pantanal"; a outra, só faz repetir a fórmula de "O Clone".

segunda-feira, março 16, 2009

A poesia é inútil

De Aldo Nascimento

Com a revolução industrial, ocorrida em meados do século 18, a máquina submete a vida ao desencanto. Nas fábricas, operários suportam nas costas uma carga acima de 14 horas diárias de trabalho alienado. Com o surgimento da indústria, a engrenagem mecaniza destinos; inicia-se a coisificação da vida.

Contra esse capital industrial, emerge o sentimento intenso de poetas. Hölderlin [1770-1843], um deles, coloca seus versos “românticos” contra uma realidade social infiel à espiritualização dos homens. Contra as fábricas, a beleza de sentidos – poesia.

Chateaubriand [1768-1848], outro romântico, afirma que a existência é pobre, seca e desencantada. “Habitamos um mundo vazio com um coração cheio e, sem termos utilizado nada, somos desiludidos de tudo.”

Esse romantismo, emerso no final do século 18, acometeu-se contra um cotidiano que impôs ao homem o cansaço de si mesmo, que, acovardado diante das pressões sociais, acaba preferindo vegetar na banalidade, vivendo por meio de ideias acomodadas e inalteráveis. Esse sentido original da escola romântica, entretanto, foi deformado.

Embora o romantismo tenha expressado uma luta estética contra a despoetização da vida, ele a expressou em vão, porque a brutalidade normal das coisas grudou-se à linguagem, aos gestos, ao comportamento, ao gosto das pessoas. Nunca fomos tão vulgares.

Em vários bairros de Rio Branco, por exemplo, encontra-se embrenhada a ausência da beleza, do sensível. Objetos, mercadorias, são eles que predominam na paisagem; eles que intermedeiam as relações humanas.

Pela TV, com seus discursos previsíveis, governo e empresários associam desenvolvimento ao consumo, às mercadorias, à renda, às necessidades básicas, como se teatro, imaginário ou poesia não fossem vitais à existência. Em verdade, sepultaram a beleza há anos, por isso somos tão violentos – pais engravidam filhas, homens eretos espancam mais mulheres, população carcerária avoluma-se, drogas entorpecem o sentido da vida.

Ora, não somos mais humanos porque saciamos necessidades básicas ou porque consumimos objetos na Expo-Acre; não somos mais humanos porque associamos o desenvolvimento à circulação de mercadoria ou a ruas asfaltadas; porém, por ser irreal tal como o amor, a honra, o sonho, a poesia nos torna melhores. Humaniza-nos.

Os versos de Vinícius de Moraes lutam contra a coisificação do sexo. As estrofes de Drummond assaltam a alienação social. A poesia de Baudelaire não se sujeita à miséria humana. Mas quem os lê? Quem os ouve recitados em praça pública? Quem os vê como teatro de rua? A poesia, senhores, é inútil – vou ver Faustão ou Sílvio Santos.

sábado, março 14, 2009

O vigor estético de um poeta

Neste domingo, 15 de março, é o Dia da Poesia. Entre tantos poetas, reverencio Paulo Leminski [1944-1989].

















já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma

morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma.

quinta-feira, março 12, 2009

Ronda Gramatical










De Edvaldo Solto

Meu amigo e minha amiga, a bruxa da tua mãe tá solta e a fada madrinha tá presa no presídio de segurança máxima. Coisa tá feia em Rio Branco, só não tá mais feia do que eu e aquele diagramador da TRIBUNA. Olha só, muita atenção para esta notícia. A repórter Lênilda Lê tem as informações. Imagem.

Repórter
- Edvaldo Solto, eu estou no blog do deputado João Edvaldo Amazonas Magalhães neste momento para mostrar que ele revolucionou a língua portuguesa. Do meu lado, está o capitão Celso Cunha, foi ele quem prendeu o deputado com a droga do erro na mão esquerda.

Policial
- Positivo e operante. Desde a Revolução Russa, a Polícia Ortográfica Brasileira monitora comunistas no Acre e, após anos, encontramos uma ação subversiva em um blog da foi-se o martelo. O deputado cometeu um crime contra a LÍNGUA-PÁTRIA quando escrevinhou... (a repórter interrompe)

Repórter
- Telespectador, eu interrompi o capitão para pedir que os alfabetizados se retirem da sala, a cena é forte, as crianças que não frequentam escola podem ficar.

Policial
- Pois bem, ele escrevinhou que “a vantagem do não tencionamento eleitoral é contrabalançada com o rigor da cobrança por parte dos que terão muita energia a gastar apenas com a vigilância oposicionista”. Quando encontramos a droga “tencionamento” em seu blog, ordenei que a Polícia Gramatical o prendesse, porque essa palavra não existe, sua intenção é disseminar desacordos ortográficos.

Repórter
- Direto do blog, Lênilda Lê, com imagens de João Glaucomatoso. Edvaldo Solto, agora é com você.

Meu amigo e minha amiga, se você está preso no Francisco D’Oliveira Conde e deseja fugir porque a tua pena passou do prazo de validade, passe pela concessionária Recol e fuja com um carro zero-quilômetro. Aproveite nossas condições, confira as ofertas antes de pular o muro do presídio.

A coluna chegou ao fim da picada. Na próxima terça-feira, se o Arquiteto permitir – e ele há de querer -, reformarei minha casa e estarei de volta. Fiquem com Deus e com nossos patrocinadores.

Cocô na "florestania"

Não sou simpático ao programa Gazeta Alerta por ser uma cópia de programas paulistas e cariocas, e estes já são ruins. Prefiro transmissões originais. Entretanto, em certos momentos, a equipe acerta.

Hoje, não publicaram imagens de presos no Francisco D'Oliveira Conde, mas a violência que essa unidade prisional comete contra a natureza. Desta vez - que ironia!!! -, o presídio é o criminoso.

Segundo a ótima matéria do repórter Adaílson Oliveira, o Francisco D'Oliveira Conde, mantido com o dinheiro público, despeja fezes de presos, merda de policiais, cocô de oficiais e bosta de seus diretores no igarapé São Francisco. A matéria revelou que o Estado joga muita merda na natureza.

Pensei: será que é para adubar a terra?

Conversando com Itaan Arruda, ex-assessor de comunicação do governo, ele disse-me que o governador Binho Marques jamais censurou a imprensa acriana. Acreditei, a matéria de Adaílson Oliveira, a prova.

Se este governo não põe sua mão reguladora na Redação de jornal, sobrou para os jornalistas publicarem boas matérias; no entanto, para isso, é preciso haver repórteres bons - e Adaílson Oliveira mostrou por meio dessa matéria que é um deles.

terça-feira, março 10, 2009

CQC voltou! & TV Aldeia


















Ontem, FINALMENTE, o CQC retornou, único programa INTELIGENTE da TV brasileira, mais os programas da TV Cultura, é claro.

Que prazer eu sinto quando O RISO diminui a importância de certos políticos. Rir deles, rir e rir. Ontem, eu ri muito de um Congresso que gasta por minuto mais de R$ 11 mil, o mais caro do mundo.

E a TV Aldeia? Com o retorno do Campeonato Acriano, não assisto mais ao programa Café Filosófico
. TV Aldeia, com isso, deixou de ser CULTURA para ser TV Esporte. O culpado disso: Jorge Henrique, Anibal e Itaan Arruda.

Por favor, deixem que eu assista ao Café Filosófico. Quem quiser assistir ao jogo vai ao estádio.

segunda-feira, março 09, 2009

É fantástico não haver chuchu no Jordão


Não poderia deixar de escrevinhar sobre a falta de chuchu no Jordão. Hoje, A TRIBUNA publica este artigo.

De Aldo Nascimento

Uma pessoa tem um sonho. “Quando crescer, serei jornalista.” A pessoa cresce. Estuda. Estuda. Estuda. Entra na faculdade de jornalismo. Estuda. Estuda. Estuda. Conclui a faculdade. Estuda. Estuda. Estuda. Pós-graduação. Finalmente, depois de tantos anos, consegue trabalhar na Globo. Vai para o interior do Acre e, aqui, depois de estudar tanto na faculdade, sua audiência divulga no Brasil que Jordão não conhece chuchu. A isso dão um nome: fantástico.

Depois, eu me perguntei: qual a relação entre não conhecer um chuchu e o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH? Outra dúvida: se o cálculo do IDH leva em consideração a expectativa de vida, o nível de educação e a renda da população, o que a falta de chuchu em Jordão estava fazendo em uma matéria sobre IDH? Última pergunta: qualidade de vida tem a ver com o consumo de chuchu?

Ficou a impressão de que quem não conhece chuchu é atrasado ou motivo de chacota. Mas ficou também a impressão de que o jornalista global não conhece o seu próprio país, passando pelo Jordão como turista. Assim, na condição de repórter-turista, sua matéria só poderia ter transmitido isto: superficialidade sobre nós.

Esperar de uma TV comercial e de um repórter-turista o registro de nossa identidade, convenhamos, seria anormal. O normal tem sido - que ironia! - os jornais acrianos ignorarem o interior deste Estado; tem sido desconhecerem o homem rural que nunca viu um chuchu.

Para uma Redação de Rio Branco, tão condicionada a ser aquário, Jordão não passa de um mapa. Se leitores daqui não encontram em nossos jornais o que é o Acre em Feijó, em Mâncio Lima ou em Assis Brasil, outros publicam o que não encontram no Jordão, neste caso, um chuchu. Se nossos jornalistas publicam matérias que ocultam o interior deste Estado, outros descobrem a falta de chuchu e riem de nós.

Após uma semana de o Fantástico rir do Acre, não houve um jornal da capital que tenha tomado a iniciativa de retirar do Jordão “a chacota do chuchu". O repórter-turista plantou nesta terra uma matéria para colher chuchu, e as redações acrianas só cultivam um jornalismo que desconhece Rodrigues Alves, Capixaba, Plácido de Castro. Do Rio de Janeiro, a Globo nos conhece “melhor”. Plim-plim!!!

A Bahia é aqui

Folga no TJ 1
No Mato Grosso do Sul, o novo presidente do Tribunal de Justiça instituiu, por portaria, folga para o servidor no dia do aniversário. A decisão é inédita no Brasil.

Folga no TJ 2
Se o servidor tiver o azar de fazer aniversário em um fim de semana ou em um dia que já é feriado, não tem problema: ele terá direito à folga no primeiro dia útil seguinte.

Folga no TJ 3
O presidente do TJ-MS, Elpídio Helvécio, faz aniversário em 11 de julho, que neste ano cai num sábado. Logo, ele terá direito à folga na segunda, dia 13.
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É preciso comentar?

sábado, março 07, 2009

"Aliança espúria"

Nesta semana, o Congresso Nacional, por meio do PMDB, deu um exemplo de que cargo no poder é o limite. Graças às articulações de Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor de Melo presidirá (PTB-AL) a Comissão de Serviços e de Infraestrutura do Senado. Assista

No passado, Renan não só apoiou como também esteve no (des)governo de Fernando Collor.

Após a eleição do "caçador de marajás", o senador Aluísio Mercadantes declarou que houve uma "aliança espúria" entra PMDB e PTB. Será que o Partido dos Trabalhadores tem moral política para afirmar isso? Pergunto porque Lula formou uma aliança com o PMDB. Não será aliança espúria o PT formar um governo com o PMDB de José Sarney?

Ora, se não há mais o "purismo petista", ser espúrio é detalhe. De passagem: "espúrio" significa "ilegítimo". Os ideais do PT há um bom tempo deixaram de ser legítimos.

sexta-feira, março 06, 2009

Intolerância Evangélica












O MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) ajuizou uma ação civil pública contra a Rede Record e a TV Gazeta pedindo indenização no valor de, respectivamente , R$ 13.600.000,00 e R$ 2.424.300,00, pela suposta discriminação das religiões de origem afrobrasileira na programação das emissoras.

De acordo com a Procuradoria, programas religiosos exibidos nas redes de TV utilizam há anos expressões que discriminam religiões como umbanda e candomblé, tais como “encosto”, demônios, “espíritos imundos”, “feitiçaria”, além da famigerada “macumba”.

Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, as emissoras não estão imunes de responsabilidade sobre programas feitos por produtoras independentes.

“A Record e a Gazeta são responsáveis pelas ofensas às religiões de matriz africana desferidas reiteradamente pelos programas religiosos veiculados em sua grade de programação”, ressaltou Adriana Fernandes.

Em liminar, o MPF pede que as emissoras interrompam a exibição de programas que façam esse tipo de referência aos cultos de origem afro, e sugere multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da possível decisão da Justiça.

A reportagem de Última Instância procurou a Rede Record e a TV Gazeta, mas até o momento não houve resposta. DireitosA procuradora destaca que os referidos programas ferem direitos fundamentais, como a liberdade de crença e o “respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

“O abuso praticado pelas rés contraria a dignidade da pessoa humana,(...) bem como os próprios objetivos de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, ressalta Adriana da Silva.

Segundo o MPF, em abril de 2008, o Ministério das Comunicações aplicou multa de R$ 1.012,32 às duas emissoras por ofensas às religiões afro, mas na visão da procuradora, a sanção não foi suficiente para acabar com as discriminações praticadas. Por isso pediu indenização equivalente a 1% do faturamento das empresas, que poderá ser revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

Moto & Bicicleta

Até hoje, a Câmara de Vereadores de Rio Bracno não elaborou e muito menos aprovou uma lei para regulamentar o uso da bicicleta em via pública. Sem retrovisores, sem lanternas, o ciclista pensa que no trânsito pode tudo.

Neste vídeo, no bairro Floresta, vi quando a moto bateu na bicicleta, jogando o ciclista longe. O carona da moto quase bateu com a cabeça no Uno parado.

O ciclista estava errado, ele deveria pagar o prejuízo.


quinta-feira, março 05, 2009

Suave e Inocente Loucura
















Um personagem no urbano. A ficção encarnada. A loucura que nos constrange. A liberdade que nos inibe. Teatro. Este homem assemelha-se ao deus Pan.

Escola pública na Ufac

Desde que cheguei à escola Heloísa Mourão Marques, sempre falei para que essa escola pública saísse do descaso em que se encontrava. Nada mais do que minha obrigação. Durantes seis anos, alguns professores elevaram a voz contra o sucateamento moral dessa escola que empilhava a desordem, a arbitrariedade, a preguiça, o descaso, a empáfia, a indiferença, o privilégio para uns e de alguns.

Muitos me viam com olhos antipáticos. O tempo, entretanto, não dilapida o que é sincero. Com outros colegas, professores dedicados à causa de educar, servidores comprometidos com o serviço público, NÓS transformamos a escola Heloísa Mourão Marques, colocando em sua direção a professora-gestora Osmarina.

Falta ainda. Sempre falta. O melhor, nós desejamos cada vez mais. O início foi fecundado, e os frutos brotarão mais e mais. Ainda que Cigliane não seja dessa gestão, os professores contribuíram.

Com 150 pontos, a ex-aluna da escola estadual Heloisa Mourão Marques, Cigliane Feitosa dos Santos, 21, obteve o primeiro lugar geral na Ufac para o curso de Direito. A jovem que concluiu todo o ensino básico na rede estadual comenta que, mesmo ainda existindo falhas, o ensino público tem avançado muito no Acre e que sua aprovação deve servir de estímulo e de motivação para outros jovens.

Na escola Heloísa, precisamos, primeiro, para o próximo ano, saber com exatidão o número de alunos que passarão para a Ufac e, em um segundo momento, propagar o nome desses alunos. Devemos saber criar nossa própria divulgação.

A Secretaria de Educação do Estado, por meio de Josenir Calixto, pessoa que dirige o ensino médio, precisa expor a escola pública por meio de propagandas intensas e muito bem elaboradas. Essas alunas de que passaram para medicina e direito deveriam aparecer na televisão, em propagandas do Estado.